segunda-feira, agosto 21, 2006

1+1=2





















Meninos do Rio - recomendo a vista da ponte, do Cristo Rei, as cadeiras espreguiçadeiras que nos embalam, o sol de fim de tarde, o suave bossa nova.
Põe-te na Bicha - restaurante na Travessa da Àgua da Flor, no Bairro Alto, onde gostamos de ir comer um bife à 'bicha' (picante e a saber a pimenta como nenhum outro). Só para quem tem estômago para isso.
Férias - conseguimos reserva para a viagem que tanto queríamos, Barcelona aí vamos nós. Arrancamos quarta-feira e ficamos 5 dias! (mal posso esperar). Agora andamos às voltas com o alojamento.
Sonoridades - possuo novo espólio musical: Ella Fitzgerald, Edith Piaf, Billie Holiday e o sempre melodioso Caetano Veloso, em 'Foreign Sounds'.
Melhor é mesmo impossível.

sábado, agosto 19, 2006

i´m a cat lover






















É bom ver, em Lisboa e arredores, cada vez mais assumidos 'cat lovers'. Ontem, numa saída nocturna descobri mais um, com sinal incluído e tudo, como se fosse um porta estandarte, a palavra de ordem de uma revolução. No Noo Bai Café, com uma vista maravilhosa sob o pano nocturno, senti entre pernas um movimento arqueado, uma cauda suspensa, uns olhares curiosos. Inspirada pelo movimento felino, hoje decidi apostar na produção de pregadeiras em feltro sob o signo do gato. (quando eu, para dizer a verdade sou Cavalo).

Está prontinho para ser adoptado. (quem o quiser: 'mail me, please.')
Mais detalhes, aqui.

sexta-feira, agosto 18, 2006

No fundo do mar...




















"No fundo do meu mar há anémonas de mil cores, pérolas e valores que o tempo já esqueceu.
Há estrelas reluzentes, polvos sorridentes e abismos sem fim.
No fundo do meu mar há muita fantasia e como por magia ele apareceu,
Na minha máquina de costura! Mas que formusura! E o meu mundo cresceu."
Foi assim a tarde cá por casa, dedicada às costuras e aos feltros, depois de uma longa ausência. Gostei tanto, que se o tempo se mantiver assim, envergonhado e frio, começo a fingir que o Outono já cá está e fico logo de sorriso nos lábios. E assim, numa tarde de Agosto muito ventosa, nasceram do fundo aquático para o ambiente acolhedor e caseiro, uma estrelinha, um polvo e um peixinho. Este 'penduricalho' vai directamente para a minha sobrinha Mafalda e, quando a inspiração voltar a tocar à porta e o tempo estiver por perto, hei-de fazer outro às flores, para a afilhada do C.
... e ainda houve tempo de acabar o colar da H. e fazer uma pequena bolsinha para o guardar. Não tarda nada andará no teu pescoço. (e aposto que hoje vais gostar da surpresa!)

Teese... me




















Quando se fixa os olhos nela somos arrebatados, por breves momentos, pela sua tez. A sua brancura imaculada, quase cândida, de porcelana, esconde um atrevimento que mexe com a líbido de qualquer um. Por detrás daquela aparente doçura, esconde-se o fetiche, o calafrio da provocação. É a arte do desejo em todo o seu esplendor. Dita Von Teese, para quem ainda não conhece, não é uma simples bailarina de cabaré, nem tão somente a mulher do excêntrico Marilyn Manson. Esta sedutora com ar de 'pin-up' dos anos 40, glamorosa e aparentemente naïve, é uma verdadeira artista, que conhece a arte da performance e do entretenimento como ninguém. Os seus espectáculos roçam o erótico requintado, oferecendo um verdadeiro deleite visual ao qual ninguém fica indiferente - nem mesmo os mais conservadores (believe me).
Cedo, esta rapariguinha natural do Michigan, soube que a sua ambição transladáva as fronteiras da cidade onde nasceu. Com uma formação clássica - devido aos longos anos dedicados ao ballet - e o gosto pelas grandes divas do cinema, como Rita Hayword ou Hedy Lamarr - que a fascinavam com as suas cinturinhas de vespa, as suas estolas de pele e saias de lápis - Dita, rapidamente percebeu que também podia ser uma delas fazendo daquilo que dominava melhor - a dança - o ponto de partida para um novo mundo. Juntou-lhe a sedução e a sexualidade disfarçada de sensualidade e temos o renascimento da diva dos anos 90, a musa do novo milénio.
O seu novo espectáculo, 'A arte do Burlesco' é inspirado no gosto pessoal por esta arte. Nele, encontra-se a qualidade dos trajes, coreografias, visuais e feminilidade a que Dita já nos habituou.
Mas, que significa 'burlesco' em português corrente? Uma visita mais atenta ao dicionário e encontraremos definições como, 'grosseiro', 'ridículo', ou 'caricato'. O burlesco de Dita, é tudo menos isso. Fetichista assumida, a rainha do expressionismo actual, não faz as coisas ao acaso. Os seus espectáculos representam longos investimentos pessoais, como possuir vestidos quase equiparados a alta costura, delicadamente cosidos com cristais Swarozvski à mão, ou a total recusa de exposição à luz solar - preferindo tomar banhos de piscina à noite - para assim nos presentear com a sua alvura de estátua de mármore, quando na realidade ela é naturalmente loura e com sardas. Neles desvenda-se o equívoco, de que afinal, o burlesco é bom e que a rapariga não é uma simples striper, é mesmo artista. Numa altura em que o que é 'retro' nunca esteve tanto na moda, Dita faz da sua paixão e gosto pessoal pelo assunto, mais do que uma recorrência, mas uma verdadeira filosofia.
Eu fiquei completamente rendida.

terça-feira, agosto 15, 2006

Wise Up Weddings
















Já se passou quase um ano desde o meu casamento. Mais ou menos por esta altura, andava eu em plena contagem decrescente para o grande dia e às voltas com os convites, as confirmações, a decoração do recinto, o vestido, a animação da festa, o coro para a igreja, os brindes, a florista... enfim, uma lista grande o suficiente para deixar qualquer uma com a cabeça em água, mas que eu encarei como a grande etapa da minha vida. O pior? Bom, o pior foi mesmo sentir um vazio depois de tamanha façanha. Então e agora? Será que passei ao lado de uma carreira como organizadora de eventos e não sabia? Será que afinal sempre gostei de casamentos, mesmo quando fugia deles a sete pés com o pretexto de que eram uma seca? A verdade é que desde então, entretenho-me com tudo o que seja relacionado com o tema... como se fosse uma espécie de 'noiva' outra vez e tivesse de passar por tudo de novo. Dá-me um certo gozo confesso, ver convites, ementas, marcadores, brindes... e depois ficar ali, embevecida e a pensar qual deles seria o mais bonito para ter à minha mesa. 'Criei um monstro, penso', mas uma das minhas principais preocupações quando escolhi os convites e decoração, era a de que a mesma fosse um espelho daquilo que sou e que tudo junto revelasse o meu universo. Apesar de ter sido bem sucedida, a verdade é que achei a escolha um pouco limitada e a oferta pobre e pouco original quando se pretende ter algo que marque a diferença sem cair no mau gosto.
Foi assim uma alegre surpresa saber que as futuras noivas já terão essa tarefa mais facilitada. A Wise Up Weddings, o novo site da equipa da Wise Up , do qual já aqui falei há uns posts atrás, é romântico, delicado e extremamente feminino. Feito a pensar em quem quer casar, é impossível resistir aos desenhos fantásticos, ao bom gosto dos convites, à originalidade dos brindes, ao pormenor com que tudo é pensado. Assim, até eu me casava outra vez.

segunda-feira, agosto 14, 2006

another 'week' in the wall
















Este Verão tem sido pródigo em fds de convívio recheados de bons momentos. Este foi mais um. O P. e a M. rumaram connosco até à Ericeira - que este ano estamos a aproveitar ao máximo - e indigitámos mais outro casal na ritualização dos comportamentos (há semelhança do que já fizemos com tantos outros), que se traduzem em: ir ao mercado comprar peixe para o almoço, dar uns mergulhos na piscina, almoçar tarde, muito tarde (quatro e meia!!!), ir para a praia tarde, muito tarde (seis e meia!!!), jogar Pictonary (eu e a M. somos as vencedoras absolutas) e Black Jack - com apostas de caramelos de nata a servirem de fichas - deitar tarde, acordar cedo, baloiçar na rede, ver o pôr-do-Sol da varanda, rir muito, ir à vila comer queques de chocolate, passear nas ruelas e encontrar algumas caras conhecidas...
...só lamento a multidão em excesso que havia por todo o lado, até parecia que Portugal inteiro tinha decidido passar férias ali, as longas filas de trânsito, ou não termos tido a oportunidade de passarmos mais tempo juntos. Combinado ficou já a ida ao concerto da maravilhosa, sedutora, talentosa, única e grande Marisa, em Setembro, no Coliseu de Lisboa.
Eu, a M. e a minha Bisgóia - só 'gajas' -vai ser o delíriiiiooooooooo!



sexta-feira, agosto 11, 2006

Anas da vida





















Mudei de imagem de abertura. Em dias quentes, achava-a demasiado escura, invernosa. Além disso, acho que este blogue já se afastou demasiado do propósito para que foi criado: as minhas criações. Não tenho feito nada, nem tenho tido vontade. Uma espécie de férias em época de férias. Lá para finais de Setembro começo a aplicar-me outra vez, prometo. Entretanto e porque gosto de aqui vir, falo de tudo um pouco, publico fotos de minha autoria e mostro, a quem me quiser ler, detalhes do meu dia-a-dia. E acreditem, os últimos dias foram ricos. Extremamente ricos em experiência pessoal, em pessoas, em histórias de vida, em momentos.

Revelo apenas a ponta do veú de algo em que estive envolvida.

"Encostada a uma parede, de olhar doce e sorriso aberto, encontra-se Ana. Tem 44 anos e há 15 que a zona lhe é familiar. Todos os dias - umas horas mais do que outras - é aqui que passa a maior parte do seu tempo. Os anos tornaram-na alheia à mistura de línguas que coabitam a rua, ou à música ruidosa que enche o ar oriunda dos bares que existem um pouco por toda a parte e que tentam encobrir, de forma mais ou menos discreta, aquilo que se vê à descarada em plena luz do dia: droga e prostituição. Fala com descontracção, sem medos, habituada que está a situações difíceis. Um jornalista não a intimida. “Não tenho nada a esconder”, revela enquanto me aproximo. Garante que nunca teve problemas de maior, apesar de todo o proxenetismo que existe na zona. Trabalha por conta própria, não quer dar dinheiro a chulos, nem sequer anda metida na droga. “O que ganho é para pagar a educação dos meus dois filhos, principalmente do mais velho, que tem 21 anos e está a estudar direito. É para eles que trabalho.” O agente ‘Silva’, (nome fictício) da Polícia Municipal de Lisboa, e um dos responsáveis pelo patrulhamento da zona, confirma: “A Ana é boa gente, já a conhecemos. Todas as outras fossem como ela.”


...Houvesse sempre um Principezinho em cada vida e talvez estas histórias não fossem realidade.


(alguém me explica como se centra correctamente a imagem de abertura do blogue, no template da página?)

quarta-feira, agosto 09, 2006

everbody writes better than me...

...é um síndroma que possuo com frequência, confesso. Esta falta de confiança não nasceu comigo, foi-me incutida com o passar do tempo. E tal como uma doença que se vai desenvolvendo, foi crescendo e ganhando espaço dentro do peito. Por vezes está de tal forma expandida, que chega a sufocar. Desmoraliza-me o espírito, retira-me forças, tal e qual um cancro. (Falo sem conhecimento próprio, mas achei que remetendo a metáfora à doença, o assunto até ganhava outra projecção, que é como quem diz, maior amplitude.)
Depois... bom, depois há dias em que até consigo vencê-la e tal e qual uma guerreira de espada em punho, mas elástica, refundo-a para um dos muitos porões que existem no meu coração e lá a deixo trancada, até a caixa de Pandora decidir abrir-se outra vez.
É um tormento constante este efeito iô-iô da escrita. Ora dou por mim a dizer, 'até nem está nada mal', embevecida com as minhas próprias palavras e com devaneios de escritora, ora nem uma palavra me sai, empedernida que está e em plena montanha russa, perdida entre tantas outras no meu pensamento. Esta auto-flagelação constante teve hoje um dos seus expoentes máximos, além de ter sido posta à prova. Claro está que a auto-estima está balançada, pendendo mais para a parte, 'aquilo estava uma merda', do que para o egocêntrico, 'fiz um brilharete'. E quando assim é, quase que preciso que carreguem comigo ao cólo, me dêem muito mimo e palavras doces - só assim consigo recuperar parte da confiança e do optimismo.
Li recentemente que ao contrário do que se pensa, são os optimistas que possuem uma visão mais realista da vida e não os pessimistas, que supostamente estão sempre preparados para o pior. Pois eu sou uma pessimista em recuperação. Face aos acontecimentos dos últimos tempos aprendi a relativizar e a aceitar certas coisas que não consigo controlar. Se elas não vêm ao meu encontro, então é porque tem de ser assim. Não vale a pena atormentar-me, até porque como diz a Caty, 'um cenário nunca é tão bom quanto se pensa, nem tão mau quanto se pinta'.
Segue-se dentro de dias a conclusão desta história, onde mais uma vez, o meu talento (ou falta dele) ortográfico será posto à prova. Numa coisa posso dar-me por satisfeita: falhada total não sou. Ao menos tento e força de vontade foi coisa que nunca me faltou.
Só depois tiro as minhas conclusões e descubro se continuo a estar verde, muito verde...

terça-feira, agosto 08, 2006

porque hoje acordei assim...




















... de pernas virada, com a garganta arranhada e mal humorada.
Mas depressa, o vento mudou, a notícia pairou e sobre mim caiu:
' - Menina Mafalda; andas apoquentada, adoentada, estagnada - toca a arrebitar.'
E que nem uma fada que realiza um desejo,
fez-se luz e calou-se o ensejo,
deste conjunto de palavras sem nexo, mas que dá gosto de ler.
Da próxima vez que pedires baixinho,
Olha bem alto, acredita no infinito.
Aquilo que pedes, pode acontecer.

Ainda não aconteceu e eu já faço castelos no ar, que nem uma irredutível sonhadora sem remédio, que necessita destas fugas da realidade para se refugiar num cantinho só seu e para acreditar que lá no fundo, no fundo, tudo pode acontecer.

Era tão bom se por momentos, a vida imitasse a arte e possuisse final de filme... assim sempre poderíamos acreditar mais vezes no famoso cliché, 'everthing will be alright' .

segunda-feira, agosto 07, 2006

miados e perdidos




















Esta história é sobre uma família. Não uma família normal, de pessoas, mas uma família com pai, mãe e irmãos, onde os miados são comuns, assim como a cor dos olhos, ou a característica do pêlo. Falo e apresento-vos a família da Magali, a minha gata tartaruga que esteve na passada semana em casa dos meus pais, enquanto eu e o C. fomos de 'mini-férias'. Ontem foi dia de ir buscá-la, mas já sabia que o cenário lá por casa iria ser desolador. Faz apenas dois dias que o Tobias, um gato cor de laranja, pachorrento e brincalhão, pertença da família desde há três anos, desapareceu. Os meus pais suspeitam que tenha caído da varanda do 2º andar durante a noite e a verdade é que até agora nunca mais foi visto. Escusado será dizer que o Tobias, irmão da minha Magali, herdou a cor do pêlo da mãe, Afrodite, mas o feitio bonacheirão e doce do pai, o meu saudoso Gil Vicente. (Sim, eu sempre gostei de pôr nomes de personagens de contos e histórias aos animais... dos grandes clássicos à banda desenhada).
O Gil foi-me oferecido por uma antiga amiga que tinha duas gatas pretas que num dado momento empranharam. Perante o cenário de tantos gatinhos, não resisti a ficar com um e aqui começa esta história de genealogia que dura até aos dias de hoje. Era um siamês meigo, dedicado e fazia-me imensa companhia. Quando, passado alguns anos de ter o seu território dominado lá em casa, a minha mãe decidiu adquirir uma donzela persa cor de mel, ele não achou lá muita piada e começou a ausentar-se pelos quintais alheios, tornando as suas voltas de independência cada vez mais prolongadas. A verdade é que a dita donzela, de seu nome Afrodite - qual deusa do amor - sempre foi uma lady de nariz arrebitado e cheia de pedigree que caiu redonda de amores por um rafeiro mais vadio do que gato de casa. A história, bem ao género Disney de a 'Dama e o Vagabundo', ganhou contronos reais e a bela 'Fro', (como é carinhosamente chamada), cada vez que via o vadio Gil, fazia-lhe perseguição cerrada na esperança de que ele se dignasse a reparar nela. Farto de tantas investidas, um belo dia, ou melhor noite, o Gil passou-se e deu-lhe aquilo que ela tanto queria... Três meses depois nasceram apenas dois gatinhos: O Tobias e a Magali.
A Magali era enfezada, de cor indefinida, pequenina. Quando cresceu nunca ficou desenvolta como o irmão, foi sempre delgadinha (para meu desespero), comendo muito pouco e com personalidade forte, para não dizer arredia. O Tobias era robusto, qual macho da família, cor de mel - tal e qual a mãe - e depressa se tornou num gato pachorrento, gordo até, mas cheio de personalidade, brincalhão e muito, muito meigo.
Como não resistiram aos encantos do Tobias, os meus pais que até tinham decidido dá-lo, mudaram de ideias e ficaram com ele. Eu, apaixonada por aquela gata de cor incerta, que alguns apelidavam de 'feia', trouxe-a para Lisboa e com ela permaneço até hoje.
Toda esta reviravolta na história, para contar que ontem, quando a fui buscar às Caldas da Rainha, o ambiente lá em casa estava pesado. O Tobias há dois dias que está desaparecido sem sinais à vista, e a Afrodite, ao fim de sete anos na nossa família, agonia lentamente com uma doença que nem o veterinário sabe qual é, enquanto espera pela morte.
Adoro gatos, acho que isso já não é novidade para ninguém e saber que assim de repente, em menos de uma semana, a casa fica vazia sem a presença deles é no mínimo triste, muito triste. Pensar no Tobias e imaginar o que lhe pode ter acontecido é desolador, pensar numa Afrodite quase moribunda enquanto lhe dão de comer à boca através de uma seringa, é de cortar o coração, pensar na Magali sem ter o irmão 'à perna', sempre a chateá-la de cada vez que está nas Caldas, é pura nostalgia.
E imaginar a nossa vida sem eles é senti-los tão próximos de nós como se fossem família, porque acreditem ou não, aquilo que eles nos dão - a companhia, os carinhos, as brincadeiras, as meiguices e até os beijos - sim, os gatos também dão beijos - é puro Amor.

sexta-feira, agosto 04, 2006

Verão azul





Eu podia começar este post de forma semelhante a tantos outros. Que as férias foram boas, que a praia da Galé na costa vicentina estava maravilhosa, que foram quatro dias fantásticos, de puro relaxe e muita, muita praia, mas não o irei fazer... Porque quem tem por hábito fazer férias na costa alentejana, já sabe que, à partida, estes ingredientes estão sempre presentes. Tivemos alguns contratempos é certo, mas nada que nos fizesse desanimar, o C. adoeceu forte e feio, teve de ir ao médico que o proibiu imediatamente de continuar o camping, por isso levantámos armas e bagagens e ao quarto dia rumámos até paragens mais próximas e voltámos à Ericeira.
Claro que os ceús estrelados alentejanos são únicos e a quantidade de estrelas cadentes que se vê à noite permitiu-me pedir vezes sem conta o mesmo desejo.
Agora é acreditar e esperar que ele se realize. As fotos dos melhores momentos no sítio de sempre, só para os mais curiosos. Porque os risos, as conversas, os momentos e as situações, essas, ficam apenas para nós...

quarta-feira, julho 26, 2006

Ericeira by summer




















. Foram cinco dias de muito Sol, convívio e banhos - no mar e na piscina. Foram cinco dias leves, descontraídos e divertidos, como uns supostos dias de férias devem ser. Sem horários, com muitos petiscos a saber a mar à mistura, incursões ao mercado para comprar peixe fresco, ou até, ao viveiro à procura de lamejinhas ou mexilhões. Foram dias de praia de areão, ou não tivéssemos ido sempre para a nossa praia favorita, a de S. Lourenço, entre as cinco da tarde e as oito da noite, já que de manhã o tempo era dedicado a dar mergulhos na piscina e o pôr do sol, esse, reservado para a varanda com vista para o mar. Dali, como se fossemos uns privilegiados, podíamos apreciar o céu a mudar de tonalidades, envolvidos em magentas, laranjas e amarelos.
O fim-de-semana foi aproveitado até ao último minuto, com a C. e o P. a irem para casa, já o relógio passava da meia noite. Segunda-feira, ainda com o corpo movido pelo cansaço, esperava-me nova 'fornada'. O Casal RH+ chegava à vila para também eles, desfrutarem de uns dias de praia. Ficaram pouco tempo, mas deu para pôr a conversa em dia, ouvir Lila Downs o tempo todo, comer peixinho assado (o lume é que teimava em não pegar) e hoje vir para Lisboa com o carro carregado de tralha como se lá tivesse passado um mês.
. Próximo fds vai ser de mais folia, já que iremos novamente com o casal C&P, assim como a minha respectiva 'sobrinha', acampar. Seguem-se portanto, dentro de dias, os próximos capítulos desta história. *

quinta-feira, julho 20, 2006

ó mar salgado






















O dia hoje foi diferente, soube a diferente, foi bom. A concentração de veleiros de todo o mundo na doca de Alcântara, atraiu os meus pais a deslocarem-se à capital, só para ter acesso a um pouco do cheiro a maresia. O meu pai, apaixonado pelo mar desde que me lembro enquanto gente, vibrou com os enormes veleiros, a majestuosidade de cada um, com os cabos de diferentes tamanhos e grossuras (não cordas, segundo fui emendada por diversas vezes) com os seus inúmeros nós de marinheiro que ele sabe de cor, com os mastros e as suas sumptuosas velas, com o barulho que emanava da casa das máquinas e a vida que fervilhava a bordo de todos eles. O seu mundo era aquele, ali ele estava no seu elemento. Quase que o conseguia imaginar, marinheiro de barba rija e pele cortida pelo sal, mas quis o destino que o seu meio fosse outro que não aquele. Por instantes senti-o viver e sentir tudo aquilo que ele não viveu mas que sempre desejou.
Eu..., bom, eu limitei-me a visitar todos os veleiros atracados com verdadeiro interesse de turista, subindo a bordo de barcos oriundos da Rússia, Inglaterra, França e terminando no português Escola Sagres que faz as honras da casa.
Conversámos muito, rimos outro tanto e soube tão bem passar esta tarde sozinha com eles, os três outra vez, que me dei por feliz só por tê-los por perto.

Música para mis oídos















Se há pessoas que nos inspiram pelo trabalho que fazem, pela obra que deixam, pela partilha de si próprios aos outros, ao mundo, então uma dessas pessoas é Lila Downs. O concerto de hoje foi uma surpresa tão gratificante, que sinto o coração a transbordar de ritmos oriundos da mistura de povos, da tradição que define cada cultura. 'Entre copa y copa' - o seu último álbum - é uma agradável mistura de sons tão variados como as cantigas mexicanas tradicionais, o jazz de Nova Iorque, ou o Hip Hop, misturando-os numa musicalidade que se quer universal e a uma só voz.
Esta mulher, pequena de tamanho, mas grande de alma (quase que aposto), teve o dom, ou a virtude, de me fazer transportar a uma imagem quase personificada de Frida Kahlo - as parecenças físicas não são por acaso - mas a sua voz, a sua voz... era majestosa demais, grande demais, para um corpo tão franzino.
De tranças a roçar os joelhos, com botas de vaqueira, saia brilhante e colorida e cores reluzentes, tudo nela era acessório perante a verdadeira beleza que esta noite se fez ouvir naquela sala.
E se há motivos para chorar quando algo nos toca bem fundo cá dentro da alma, então eu não tive pudores.
Oiçam um pouco da sua Agua de Rosas, aqui.

terça-feira, julho 18, 2006

A pintura de Frida Kahlo e a música de Lila Downs














Eu sou suspeita. Eu devo ter, numa vida passada, nascido do outro lado do Atlântico, onde as terras são verdes a perder de vista, inundadas pelo calor sufocante e a humidade. Eu devo ter, ainda entranhado na pele, as cores quentes que me correm no sangue, ou o sabor picante na língua que provém das magaletas de fogo. Eu tenho, os cabelos quase negros e a pele morena e gosto. Eu tenho, os pés frenéticos que me puxam para a dança e me fazem rodopiar o corpo ao menor som familiar. Eu gosto da comida condimentada, das mantas riscadas, das redes de baloiço, das noites estreladas, dos trajes floridos, das cantigas alegres. Eu amo a pintura de Frida Kahlo, conhecendo quase de cor o seu percurso de vida. Todo esse México natural, puro e bruto, sem artificialismos nem turistas, é personificado na música de Lila Downs que estará amanhã em concerto na Aula Magna de Lisboa.
E eu estarei lá para voltar a casa.

domingo, julho 16, 2006

The break up













Eu pensei que ia ver mais uma comédia romântica bem ao gosto do 'american style'. Eu pensei que era o filme ideal para comer pipoca e descontrair numa noite de sexta-feira. Eu pensava que ia ter um final feliz, daqueles já previsíveis que os trailers deixam antever, mas o último filme do Vince Vaugh (o que eu gosto dele) e da Jennifer Aniston, 'Separados de fresco' - que tinha tudo para ser descontraído, divertido e leve - e é-o de facto, fez-me pensar mais na vida e nas relações (na minha neste caso), do que qualquer outra coisa ultimamente.
Claro que é exagerado, floreado, dramatizado, mas houve tantas situações com as quais me identifiquei, que no fim fui assolada pelo medo - e se algo do género acontece comigo, ou melhor, connosco?
Eu também peço para ele trazer 12 limões para o centro da mesa e ele traz-me 3, eu também me mato na cozinha a fazer o jantar enquanto ele joga playstation no sofá e vibra com o Soccer Team como se fosse uma criança de quatro, ele também tem o sonho de querer uma mesa de bilhar cá em casa (graças a Deus que não há espaço), ou então uma jukebox, e eu também sinto que muitas das vezes, as minhas palavras ou sucessivos pedidos de ajuda se tornam mais num discurso esbatido e esfumado que lhe entra por um ouvido e sai pelo outro imediatamente a seguir, do que propriamente um apelo a 'sério'. Por isso pensei, serão todos os homens rapazinhos que pedem que tomem conta deles? Estará a minha relação destinada ao fracasso? Ou serão todas as relações ao fim de dois, três anos de vivência, assim? E a resposta é que penso que sim. Que não há relações perfeitas - mesmo para aqueles que ainda vivem iludidos com o assunto. Há o desgaste, a rotina, as coisas irritantes e picuínhas do dia-a-dia; a roupa deixada no chão que nos deixa loucas, os sapatos no meio da sala, a tampa da sanita para cima, o futebol como programa de televisão favorito... and so on. Há o assumir diferentes papéis - mãe (dele e dos nossos filhos, se os houver), de esposa, de mulher, sem perder uma identidade que se quer própria - como a que tínhamos quando eramos solteiras, ou antes de o termos na nossa vida, e gostávamos de ouvir música em altos berros sem nos importamos com o que os vizinhos de baixo pensavam... Acho que uma relação só resulta se houver um esforço de ambos em aceitar as queixas do outro, em não dar por garantido, em trabalhar o assunto, em continuarmos a sermos nós próprias, em ser honestas, connosco e com o outro, porque se não o fizermos, então o mais provável é que todas estas pequenas coisas nos minem e nos levem a querer mais do que aquilo que faz o nosso mundo no presente. Ao longo destes anos de namoro e casamento com o C. aprendi a ser mais tolerante e talvez não tão intransigente. Sei que ainda tenho de mudar muitos dos meus comportamentos, mas a verdade é que sei o que é estar tipo balão prestes a rebentar, e ter cá dentro uma 'Mafaldinha' prestes a querer soltar o grito do Ipiranga, mas a saber calá-la e aprender a relativizar, a respirar fundo e a contar até dez.
Ninguém é de ferro, é certo, mas sem ele, perdia parte de mim. É isso que a minha realidade tem de diferente da do filme.*

sexta-feira, julho 14, 2006

Pequenos nadas



















. Estes dias de demasiado calor têm me tirado a vontade para actualizar o blogue. Só estou bem no escuro, como os morcegos, com os estores para baixo, na mais pura penumbra, descalça pela casa e a comer fruta e saladas. Mas hoje vou ter de enfrentar estas temperaturas loucas de 35ºC e meter-me no carro (vale-me o ar condicionado). De qualquer forma não me espera uma tarde muito prazenteira. O meu destino será a segurança social - esta semana já é a segunda vez que lá vou - e digo-vos, se querem ficar deprimidos, irritados, serem tratados sem ponta de educação e ficarem angustiados por ver o tempo passar sem fazer nada de produtivo a não ser ficar à espera com uma senha na mão - então é ali que têm de se dirigir. O serviço é cinco estrelas...
. Por aqui as notícias que vão fazendo a alegria dos meus dias são muito simples. Aprendi a viver os pequenos nadas do dia-a-dia, um de cada vez, sem pensar muito no dia de amanhã. Como o café de ontem à beira rio, mesmo que tenha sido num bar cheio de tios e tias que só se cumprimentavam com um beijo. Apesar dos bancos serem um pouco desconfortáveis, a paisagem e a hora do dia - ao final da tarde - teve um ligeiro tom de descontracção. Ou o facto de dois dos meus colares estarem de partida para um pescoço desconhecido (espero que gostes Maria), ou tão somente, cá em casa já haver uma ventoinha que me areja as ideias e liberta do calor.


E hoje quero ir ao cinema.

segunda-feira, julho 10, 2006

Good thing´s are forever



















Fim-de-semana com gosto a Verão, como já há muito tempo não tinha direito. Saída nocturna com animação até às seis e meia da manhã. (Chegámos a casa já era de dia, senti-me uma adolescente outra vez), com direito a bolhas nos pés e tudo, ou não tivesse a belíssima ideia de ir dançar com umas sandálias de salto impróprio para estas aventuras. Resultado? Vir descalça para casa em estado dormente, onde mal sentia os pés e muita, mesmo muita risota à minha custa. Mas dancei como se não houvesse amanhã, por isso o espírito saiu revigorado e os pés estão prontos para outra!
Domingo foi dia de gozar a calma do tempo, de ver as horas passar lentamente enquanto comíamos os primeiros caracóis do ano, sentados na esplanada de S. Martinho do Porto, com vista para a baía. A minha 'sobrinha' Mafalda provou pela primeira vez os 'bichinhos', enquanto cantava a música da Floribella, das Doce, ou me pedia para fazer coro com ela. Ainda tivemos tempo para passar pela pastelaria 'a Concha' e comer os melhores pastéis de nata das redondezas, tão bons quanto os de Belém e igualmente estaladiços e quentinhos. Combinado ficou já um fds na Ericeira para daqui a duas semanas e um acampamento na costa alentejana - para a mãe C. - saber o que é ter filas para tomar banho, passar o fds de chinelo no pé, dormir em tenda e fazer praia até fartar.
Por mim podia ir já amanhã...

quarta-feira, julho 05, 2006

Sunshine


















Hoje tive um início de dia diferente. Farta das paredes de casa e de passar horas em frente ao computador, eis que decidi despertar de maneira diferente. E se bem o pensei, melhor o fiz. Coloquei o despertador para as nove da manhã, mas acordei sozinha ainda nem eram oito e meia. Vesti-me e equipei-me. O objectivo estava perto. Peguei no carro e dirigi-me para a beira rio, com a ponte 25 de Abril como pano de fundo e a calidez da manhã como companhia. Sozinha, de garrafa de água numa mão e as chaves do carro na outra percorri e corri, a distância que separa as docas até à Torre de Belém. Soube bem. Tenho as pernas cansadas, até porque não sou de fazer muito exercício físico, mas percorrer sozinha aquela distância, assim logo pela manhã, teve sabor a paz de espírito. E não era a única. Um pouco por todo o lado havia pessoas a fazer exactamente o mesmo que eu. 'Houve quem tivesse a mesmíssima ideia' - pensei, se calhar à procura do mesmo, com objectivos diferentes, mas lá andavam todos.
Vi crianças a preparar os pequenos barcos de vela junto ao Clube Naval de Lisboa, turistas a tirar fotos ao padrão dos descobrimentos e à rosa dos ventos, enquanto pisavam Portugal como sinal de localização, pescadores com as canas em riste à espera do peixe que tarda em chegar, casais que corriam juntos com objectivos em comum e o Tejo sempre calmo e sereno. Sentei-me por alguns momentos numa escadaria que existe perto do farol que fica mais ao menos paralelo ao CCB. Adoro aquele farol. Reparei que ao lado abriu uma nova esplanada, de linhas muito minimalistas e 'clean'. Ali estive uma meia hora a recuperar o fôlego. De vez em quando o Sol aparecia e quando o fazia a sensação era idêntica ao de estar na praia. Não me senti sozinha, nem tive aquela sensação de desconforto, como muitas vezes me sucede quando não me sinto confiante. Estive bem, senti-me bem. 'Tenho de fazer isto mais vezes', é o que é. O 'passeio' ocupou-me durante cerca de hora e meia. Como já sabia que depois disso ia querer relaxar antes de me decidir a ir para casa, levei um livro e sentei-me numa esplanada onde adiantei a leitura. Por momentos esqueci-me de todos os problemas dos últimos dias, de todo o stress, angústias ou desamparo. Foi o meu momento 'Nirvana'.
Talvez ainda esta semana repita a dose.

. Ramo de girassóis com que fui presenteada ontem pelo C. O que vale é que estes pequenos 'mimos', têm neste momento, todo o significado da minha vida.
. Novo colar 'sunshine', porque até eu preciso mais do que nunca de brilhar.

terça-feira, julho 04, 2006

composições



















. A semana passada voltei a reabastecer o meu stock de contas de vidro e missangas. Gastei uma pequena fortuna em materiais, mas agora quando me entretenho a fazer coisas novas, acho que valeu a pena. De qualquer forma, a loja onde costumava ir comprar as pedras sofreu uma tremenda inflacção e quase todos os materiais estão ao dobro do preço a que estavam anteriormente. Mesmo assim não resisti a comprar algumas coisas - apesar de no final ter ficado a recriminar-me com o dinheiro que lá deixei- e ontem, sentei-me aqui na sala, com a gata aninhada ao meu lado e voltei a estar rodeada de todo o tipo de caixinhas onde vou guardando missangas, fitas de cetim, botões, fios e linhas, feltro... O resultado? Mais um que voltou a nascer com a ambição de fazer bela figura neste (triste e pouco quente) Verão. Alguém se atreve?

. Tenho o frigorífico de casa com algum problema na refrigeração. Escusado será dizer que já é por duas vezes que ligamos para a assistência técnica, que fico em casa o dia todo à espera e que não aparecem! Para cúmulo, ainda têm a lata de dizer que vieram cá, que tocaram à campaínha e que ninguém lhes abriu a porta, quando eu estive por aqui a tarde toda! Resultado, ficaram de vir cá amanhã, durante a tarde. Será má fé da minha parte, ou muita perspicácia, mas se estas 'almas' da assistência não se dignaram a aperecer ontem, será amanhã, em dia de jogo de Portugal nas meias finais, que o farão? Duvido. Caso a tarde seja novamente em vão, segue uma cartinha para a Ariston Internacional...