segunda-feira, agosto 07, 2006

miados e perdidos




















Esta história é sobre uma família. Não uma família normal, de pessoas, mas uma família com pai, mãe e irmãos, onde os miados são comuns, assim como a cor dos olhos, ou a característica do pêlo. Falo e apresento-vos a família da Magali, a minha gata tartaruga que esteve na passada semana em casa dos meus pais, enquanto eu e o C. fomos de 'mini-férias'. Ontem foi dia de ir buscá-la, mas já sabia que o cenário lá por casa iria ser desolador. Faz apenas dois dias que o Tobias, um gato cor de laranja, pachorrento e brincalhão, pertença da família desde há três anos, desapareceu. Os meus pais suspeitam que tenha caído da varanda do 2º andar durante a noite e a verdade é que até agora nunca mais foi visto. Escusado será dizer que o Tobias, irmão da minha Magali, herdou a cor do pêlo da mãe, Afrodite, mas o feitio bonacheirão e doce do pai, o meu saudoso Gil Vicente. (Sim, eu sempre gostei de pôr nomes de personagens de contos e histórias aos animais... dos grandes clássicos à banda desenhada).
O Gil foi-me oferecido por uma antiga amiga que tinha duas gatas pretas que num dado momento empranharam. Perante o cenário de tantos gatinhos, não resisti a ficar com um e aqui começa esta história de genealogia que dura até aos dias de hoje. Era um siamês meigo, dedicado e fazia-me imensa companhia. Quando, passado alguns anos de ter o seu território dominado lá em casa, a minha mãe decidiu adquirir uma donzela persa cor de mel, ele não achou lá muita piada e começou a ausentar-se pelos quintais alheios, tornando as suas voltas de independência cada vez mais prolongadas. A verdade é que a dita donzela, de seu nome Afrodite - qual deusa do amor - sempre foi uma lady de nariz arrebitado e cheia de pedigree que caiu redonda de amores por um rafeiro mais vadio do que gato de casa. A história, bem ao género Disney de a 'Dama e o Vagabundo', ganhou contronos reais e a bela 'Fro', (como é carinhosamente chamada), cada vez que via o vadio Gil, fazia-lhe perseguição cerrada na esperança de que ele se dignasse a reparar nela. Farto de tantas investidas, um belo dia, ou melhor noite, o Gil passou-se e deu-lhe aquilo que ela tanto queria... Três meses depois nasceram apenas dois gatinhos: O Tobias e a Magali.
A Magali era enfezada, de cor indefinida, pequenina. Quando cresceu nunca ficou desenvolta como o irmão, foi sempre delgadinha (para meu desespero), comendo muito pouco e com personalidade forte, para não dizer arredia. O Tobias era robusto, qual macho da família, cor de mel - tal e qual a mãe - e depressa se tornou num gato pachorrento, gordo até, mas cheio de personalidade, brincalhão e muito, muito meigo.
Como não resistiram aos encantos do Tobias, os meus pais que até tinham decidido dá-lo, mudaram de ideias e ficaram com ele. Eu, apaixonada por aquela gata de cor incerta, que alguns apelidavam de 'feia', trouxe-a para Lisboa e com ela permaneço até hoje.
Toda esta reviravolta na história, para contar que ontem, quando a fui buscar às Caldas da Rainha, o ambiente lá em casa estava pesado. O Tobias há dois dias que está desaparecido sem sinais à vista, e a Afrodite, ao fim de sete anos na nossa família, agonia lentamente com uma doença que nem o veterinário sabe qual é, enquanto espera pela morte.
Adoro gatos, acho que isso já não é novidade para ninguém e saber que assim de repente, em menos de uma semana, a casa fica vazia sem a presença deles é no mínimo triste, muito triste. Pensar no Tobias e imaginar o que lhe pode ter acontecido é desolador, pensar numa Afrodite quase moribunda enquanto lhe dão de comer à boca através de uma seringa, é de cortar o coração, pensar na Magali sem ter o irmão 'à perna', sempre a chateá-la de cada vez que está nas Caldas, é pura nostalgia.
E imaginar a nossa vida sem eles é senti-los tão próximos de nós como se fossem família, porque acreditem ou não, aquilo que eles nos dão - a companhia, os carinhos, as brincadeiras, as meiguices e até os beijos - sim, os gatos também dão beijos - é puro Amor.

sexta-feira, agosto 04, 2006

Verão azul





Eu podia começar este post de forma semelhante a tantos outros. Que as férias foram boas, que a praia da Galé na costa vicentina estava maravilhosa, que foram quatro dias fantásticos, de puro relaxe e muita, muita praia, mas não o irei fazer... Porque quem tem por hábito fazer férias na costa alentejana, já sabe que, à partida, estes ingredientes estão sempre presentes. Tivemos alguns contratempos é certo, mas nada que nos fizesse desanimar, o C. adoeceu forte e feio, teve de ir ao médico que o proibiu imediatamente de continuar o camping, por isso levantámos armas e bagagens e ao quarto dia rumámos até paragens mais próximas e voltámos à Ericeira.
Claro que os ceús estrelados alentejanos são únicos e a quantidade de estrelas cadentes que se vê à noite permitiu-me pedir vezes sem conta o mesmo desejo.
Agora é acreditar e esperar que ele se realize. As fotos dos melhores momentos no sítio de sempre, só para os mais curiosos. Porque os risos, as conversas, os momentos e as situações, essas, ficam apenas para nós...

quarta-feira, julho 26, 2006

Ericeira by summer




















. Foram cinco dias de muito Sol, convívio e banhos - no mar e na piscina. Foram cinco dias leves, descontraídos e divertidos, como uns supostos dias de férias devem ser. Sem horários, com muitos petiscos a saber a mar à mistura, incursões ao mercado para comprar peixe fresco, ou até, ao viveiro à procura de lamejinhas ou mexilhões. Foram dias de praia de areão, ou não tivéssemos ido sempre para a nossa praia favorita, a de S. Lourenço, entre as cinco da tarde e as oito da noite, já que de manhã o tempo era dedicado a dar mergulhos na piscina e o pôr do sol, esse, reservado para a varanda com vista para o mar. Dali, como se fossemos uns privilegiados, podíamos apreciar o céu a mudar de tonalidades, envolvidos em magentas, laranjas e amarelos.
O fim-de-semana foi aproveitado até ao último minuto, com a C. e o P. a irem para casa, já o relógio passava da meia noite. Segunda-feira, ainda com o corpo movido pelo cansaço, esperava-me nova 'fornada'. O Casal RH+ chegava à vila para também eles, desfrutarem de uns dias de praia. Ficaram pouco tempo, mas deu para pôr a conversa em dia, ouvir Lila Downs o tempo todo, comer peixinho assado (o lume é que teimava em não pegar) e hoje vir para Lisboa com o carro carregado de tralha como se lá tivesse passado um mês.
. Próximo fds vai ser de mais folia, já que iremos novamente com o casal C&P, assim como a minha respectiva 'sobrinha', acampar. Seguem-se portanto, dentro de dias, os próximos capítulos desta história. *

quinta-feira, julho 20, 2006

ó mar salgado






















O dia hoje foi diferente, soube a diferente, foi bom. A concentração de veleiros de todo o mundo na doca de Alcântara, atraiu os meus pais a deslocarem-se à capital, só para ter acesso a um pouco do cheiro a maresia. O meu pai, apaixonado pelo mar desde que me lembro enquanto gente, vibrou com os enormes veleiros, a majestuosidade de cada um, com os cabos de diferentes tamanhos e grossuras (não cordas, segundo fui emendada por diversas vezes) com os seus inúmeros nós de marinheiro que ele sabe de cor, com os mastros e as suas sumptuosas velas, com o barulho que emanava da casa das máquinas e a vida que fervilhava a bordo de todos eles. O seu mundo era aquele, ali ele estava no seu elemento. Quase que o conseguia imaginar, marinheiro de barba rija e pele cortida pelo sal, mas quis o destino que o seu meio fosse outro que não aquele. Por instantes senti-o viver e sentir tudo aquilo que ele não viveu mas que sempre desejou.
Eu..., bom, eu limitei-me a visitar todos os veleiros atracados com verdadeiro interesse de turista, subindo a bordo de barcos oriundos da Rússia, Inglaterra, França e terminando no português Escola Sagres que faz as honras da casa.
Conversámos muito, rimos outro tanto e soube tão bem passar esta tarde sozinha com eles, os três outra vez, que me dei por feliz só por tê-los por perto.

Música para mis oídos















Se há pessoas que nos inspiram pelo trabalho que fazem, pela obra que deixam, pela partilha de si próprios aos outros, ao mundo, então uma dessas pessoas é Lila Downs. O concerto de hoje foi uma surpresa tão gratificante, que sinto o coração a transbordar de ritmos oriundos da mistura de povos, da tradição que define cada cultura. 'Entre copa y copa' - o seu último álbum - é uma agradável mistura de sons tão variados como as cantigas mexicanas tradicionais, o jazz de Nova Iorque, ou o Hip Hop, misturando-os numa musicalidade que se quer universal e a uma só voz.
Esta mulher, pequena de tamanho, mas grande de alma (quase que aposto), teve o dom, ou a virtude, de me fazer transportar a uma imagem quase personificada de Frida Kahlo - as parecenças físicas não são por acaso - mas a sua voz, a sua voz... era majestosa demais, grande demais, para um corpo tão franzino.
De tranças a roçar os joelhos, com botas de vaqueira, saia brilhante e colorida e cores reluzentes, tudo nela era acessório perante a verdadeira beleza que esta noite se fez ouvir naquela sala.
E se há motivos para chorar quando algo nos toca bem fundo cá dentro da alma, então eu não tive pudores.
Oiçam um pouco da sua Agua de Rosas, aqui.

terça-feira, julho 18, 2006

A pintura de Frida Kahlo e a música de Lila Downs














Eu sou suspeita. Eu devo ter, numa vida passada, nascido do outro lado do Atlântico, onde as terras são verdes a perder de vista, inundadas pelo calor sufocante e a humidade. Eu devo ter, ainda entranhado na pele, as cores quentes que me correm no sangue, ou o sabor picante na língua que provém das magaletas de fogo. Eu tenho, os cabelos quase negros e a pele morena e gosto. Eu tenho, os pés frenéticos que me puxam para a dança e me fazem rodopiar o corpo ao menor som familiar. Eu gosto da comida condimentada, das mantas riscadas, das redes de baloiço, das noites estreladas, dos trajes floridos, das cantigas alegres. Eu amo a pintura de Frida Kahlo, conhecendo quase de cor o seu percurso de vida. Todo esse México natural, puro e bruto, sem artificialismos nem turistas, é personificado na música de Lila Downs que estará amanhã em concerto na Aula Magna de Lisboa.
E eu estarei lá para voltar a casa.

domingo, julho 16, 2006

The break up













Eu pensei que ia ver mais uma comédia romântica bem ao gosto do 'american style'. Eu pensei que era o filme ideal para comer pipoca e descontrair numa noite de sexta-feira. Eu pensava que ia ter um final feliz, daqueles já previsíveis que os trailers deixam antever, mas o último filme do Vince Vaugh (o que eu gosto dele) e da Jennifer Aniston, 'Separados de fresco' - que tinha tudo para ser descontraído, divertido e leve - e é-o de facto, fez-me pensar mais na vida e nas relações (na minha neste caso), do que qualquer outra coisa ultimamente.
Claro que é exagerado, floreado, dramatizado, mas houve tantas situações com as quais me identifiquei, que no fim fui assolada pelo medo - e se algo do género acontece comigo, ou melhor, connosco?
Eu também peço para ele trazer 12 limões para o centro da mesa e ele traz-me 3, eu também me mato na cozinha a fazer o jantar enquanto ele joga playstation no sofá e vibra com o Soccer Team como se fosse uma criança de quatro, ele também tem o sonho de querer uma mesa de bilhar cá em casa (graças a Deus que não há espaço), ou então uma jukebox, e eu também sinto que muitas das vezes, as minhas palavras ou sucessivos pedidos de ajuda se tornam mais num discurso esbatido e esfumado que lhe entra por um ouvido e sai pelo outro imediatamente a seguir, do que propriamente um apelo a 'sério'. Por isso pensei, serão todos os homens rapazinhos que pedem que tomem conta deles? Estará a minha relação destinada ao fracasso? Ou serão todas as relações ao fim de dois, três anos de vivência, assim? E a resposta é que penso que sim. Que não há relações perfeitas - mesmo para aqueles que ainda vivem iludidos com o assunto. Há o desgaste, a rotina, as coisas irritantes e picuínhas do dia-a-dia; a roupa deixada no chão que nos deixa loucas, os sapatos no meio da sala, a tampa da sanita para cima, o futebol como programa de televisão favorito... and so on. Há o assumir diferentes papéis - mãe (dele e dos nossos filhos, se os houver), de esposa, de mulher, sem perder uma identidade que se quer própria - como a que tínhamos quando eramos solteiras, ou antes de o termos na nossa vida, e gostávamos de ouvir música em altos berros sem nos importamos com o que os vizinhos de baixo pensavam... Acho que uma relação só resulta se houver um esforço de ambos em aceitar as queixas do outro, em não dar por garantido, em trabalhar o assunto, em continuarmos a sermos nós próprias, em ser honestas, connosco e com o outro, porque se não o fizermos, então o mais provável é que todas estas pequenas coisas nos minem e nos levem a querer mais do que aquilo que faz o nosso mundo no presente. Ao longo destes anos de namoro e casamento com o C. aprendi a ser mais tolerante e talvez não tão intransigente. Sei que ainda tenho de mudar muitos dos meus comportamentos, mas a verdade é que sei o que é estar tipo balão prestes a rebentar, e ter cá dentro uma 'Mafaldinha' prestes a querer soltar o grito do Ipiranga, mas a saber calá-la e aprender a relativizar, a respirar fundo e a contar até dez.
Ninguém é de ferro, é certo, mas sem ele, perdia parte de mim. É isso que a minha realidade tem de diferente da do filme.*

sexta-feira, julho 14, 2006

Pequenos nadas



















. Estes dias de demasiado calor têm me tirado a vontade para actualizar o blogue. Só estou bem no escuro, como os morcegos, com os estores para baixo, na mais pura penumbra, descalça pela casa e a comer fruta e saladas. Mas hoje vou ter de enfrentar estas temperaturas loucas de 35ºC e meter-me no carro (vale-me o ar condicionado). De qualquer forma não me espera uma tarde muito prazenteira. O meu destino será a segurança social - esta semana já é a segunda vez que lá vou - e digo-vos, se querem ficar deprimidos, irritados, serem tratados sem ponta de educação e ficarem angustiados por ver o tempo passar sem fazer nada de produtivo a não ser ficar à espera com uma senha na mão - então é ali que têm de se dirigir. O serviço é cinco estrelas...
. Por aqui as notícias que vão fazendo a alegria dos meus dias são muito simples. Aprendi a viver os pequenos nadas do dia-a-dia, um de cada vez, sem pensar muito no dia de amanhã. Como o café de ontem à beira rio, mesmo que tenha sido num bar cheio de tios e tias que só se cumprimentavam com um beijo. Apesar dos bancos serem um pouco desconfortáveis, a paisagem e a hora do dia - ao final da tarde - teve um ligeiro tom de descontracção. Ou o facto de dois dos meus colares estarem de partida para um pescoço desconhecido (espero que gostes Maria), ou tão somente, cá em casa já haver uma ventoinha que me areja as ideias e liberta do calor.


E hoje quero ir ao cinema.

segunda-feira, julho 10, 2006

Good thing´s are forever



















Fim-de-semana com gosto a Verão, como já há muito tempo não tinha direito. Saída nocturna com animação até às seis e meia da manhã. (Chegámos a casa já era de dia, senti-me uma adolescente outra vez), com direito a bolhas nos pés e tudo, ou não tivesse a belíssima ideia de ir dançar com umas sandálias de salto impróprio para estas aventuras. Resultado? Vir descalça para casa em estado dormente, onde mal sentia os pés e muita, mesmo muita risota à minha custa. Mas dancei como se não houvesse amanhã, por isso o espírito saiu revigorado e os pés estão prontos para outra!
Domingo foi dia de gozar a calma do tempo, de ver as horas passar lentamente enquanto comíamos os primeiros caracóis do ano, sentados na esplanada de S. Martinho do Porto, com vista para a baía. A minha 'sobrinha' Mafalda provou pela primeira vez os 'bichinhos', enquanto cantava a música da Floribella, das Doce, ou me pedia para fazer coro com ela. Ainda tivemos tempo para passar pela pastelaria 'a Concha' e comer os melhores pastéis de nata das redondezas, tão bons quanto os de Belém e igualmente estaladiços e quentinhos. Combinado ficou já um fds na Ericeira para daqui a duas semanas e um acampamento na costa alentejana - para a mãe C. - saber o que é ter filas para tomar banho, passar o fds de chinelo no pé, dormir em tenda e fazer praia até fartar.
Por mim podia ir já amanhã...

quarta-feira, julho 05, 2006

Sunshine


















Hoje tive um início de dia diferente. Farta das paredes de casa e de passar horas em frente ao computador, eis que decidi despertar de maneira diferente. E se bem o pensei, melhor o fiz. Coloquei o despertador para as nove da manhã, mas acordei sozinha ainda nem eram oito e meia. Vesti-me e equipei-me. O objectivo estava perto. Peguei no carro e dirigi-me para a beira rio, com a ponte 25 de Abril como pano de fundo e a calidez da manhã como companhia. Sozinha, de garrafa de água numa mão e as chaves do carro na outra percorri e corri, a distância que separa as docas até à Torre de Belém. Soube bem. Tenho as pernas cansadas, até porque não sou de fazer muito exercício físico, mas percorrer sozinha aquela distância, assim logo pela manhã, teve sabor a paz de espírito. E não era a única. Um pouco por todo o lado havia pessoas a fazer exactamente o mesmo que eu. 'Houve quem tivesse a mesmíssima ideia' - pensei, se calhar à procura do mesmo, com objectivos diferentes, mas lá andavam todos.
Vi crianças a preparar os pequenos barcos de vela junto ao Clube Naval de Lisboa, turistas a tirar fotos ao padrão dos descobrimentos e à rosa dos ventos, enquanto pisavam Portugal como sinal de localização, pescadores com as canas em riste à espera do peixe que tarda em chegar, casais que corriam juntos com objectivos em comum e o Tejo sempre calmo e sereno. Sentei-me por alguns momentos numa escadaria que existe perto do farol que fica mais ao menos paralelo ao CCB. Adoro aquele farol. Reparei que ao lado abriu uma nova esplanada, de linhas muito minimalistas e 'clean'. Ali estive uma meia hora a recuperar o fôlego. De vez em quando o Sol aparecia e quando o fazia a sensação era idêntica ao de estar na praia. Não me senti sozinha, nem tive aquela sensação de desconforto, como muitas vezes me sucede quando não me sinto confiante. Estive bem, senti-me bem. 'Tenho de fazer isto mais vezes', é o que é. O 'passeio' ocupou-me durante cerca de hora e meia. Como já sabia que depois disso ia querer relaxar antes de me decidir a ir para casa, levei um livro e sentei-me numa esplanada onde adiantei a leitura. Por momentos esqueci-me de todos os problemas dos últimos dias, de todo o stress, angústias ou desamparo. Foi o meu momento 'Nirvana'.
Talvez ainda esta semana repita a dose.

. Ramo de girassóis com que fui presenteada ontem pelo C. O que vale é que estes pequenos 'mimos', têm neste momento, todo o significado da minha vida.
. Novo colar 'sunshine', porque até eu preciso mais do que nunca de brilhar.

terça-feira, julho 04, 2006

composições



















. A semana passada voltei a reabastecer o meu stock de contas de vidro e missangas. Gastei uma pequena fortuna em materiais, mas agora quando me entretenho a fazer coisas novas, acho que valeu a pena. De qualquer forma, a loja onde costumava ir comprar as pedras sofreu uma tremenda inflacção e quase todos os materiais estão ao dobro do preço a que estavam anteriormente. Mesmo assim não resisti a comprar algumas coisas - apesar de no final ter ficado a recriminar-me com o dinheiro que lá deixei- e ontem, sentei-me aqui na sala, com a gata aninhada ao meu lado e voltei a estar rodeada de todo o tipo de caixinhas onde vou guardando missangas, fitas de cetim, botões, fios e linhas, feltro... O resultado? Mais um que voltou a nascer com a ambição de fazer bela figura neste (triste e pouco quente) Verão. Alguém se atreve?

. Tenho o frigorífico de casa com algum problema na refrigeração. Escusado será dizer que já é por duas vezes que ligamos para a assistência técnica, que fico em casa o dia todo à espera e que não aparecem! Para cúmulo, ainda têm a lata de dizer que vieram cá, que tocaram à campaínha e que ninguém lhes abriu a porta, quando eu estive por aqui a tarde toda! Resultado, ficaram de vir cá amanhã, durante a tarde. Será má fé da minha parte, ou muita perspicácia, mas se estas 'almas' da assistência não se dignaram a aperecer ontem, será amanhã, em dia de jogo de Portugal nas meias finais, que o farão? Duvido. Caso a tarde seja novamente em vão, segue uma cartinha para a Ariston Internacional...

segunda-feira, julho 03, 2006

something romantic


















. Porque ando a precisar de ter ânimo e vontade para mudar muitas coisas na minha vida e iniciar novas. Aos poucos acho que vou conseguindo.
Something romantic, um colar que nasceu da conjugação de cores de incensos, que queimo sem parar cá por casa, e das ortências que voltaram a embelezar-me as jarras. Quem o quiser ter ao pescoço já sabe, basta enviarem-me um mail, os portes de envio estão incluídos no preço.

. Fui à FIA e fiquei muito desiludida. Ainda comprei uns brincos e um colar - por estranho que pareça é verdade - comi sandes de presunto e um bolinho de amêndoa do Algarve (pelos quais eu sou simplesmente louca! Nunca resisto quando os vejo), mas no geral achei o pavilhão dos artesãos portugueses muito pobrezinho e a feira já teve anos mais interessantes. Vi o stand da Maraluna e de muitas outras meninas conhecidas que lá estavam com as suas criações expostas, mas nada me encheu os olhos. Ao contrário de anos anteriores não comprei nada para a casa, não regateei preços com os africanos, não encontrei ninguém que já não vejo há muito tempo e só tinha vontade de me vir embora.

. Ando com dificuldades em adormecer e não, não tenho os sonos trocados porque acordo todos os dias bastante cedinho. Dou por mim a ver episódios repetidos em DVD do 'Sexo e a Cidade' até às três da manhã à espera que o sono chegue, ou pura e simplesmente a ler até sentir a vista cansada, mas nada.
Adormeço quase de manhã com a aurora boreal.

. Continuo à espera e desespero. Vale-me os jogos da nossa selecção que me deixam de coração na boca, mas feliz!

sexta-feira, junho 30, 2006

Summer days



















Ontem tive companhia e o dia teve outro sabor. O C. esteve em casa e aproveitámos para ir almoçar à Ericeira e matar saudades da vista da nossa varanda, das sardinhas assadas com sabor e cheiro a mar e até dos maravilhosos queques de noz e amêndoa que se vendem na vila - e que eu simplesmente adoro! Os meus preferidos são mesmo os de chocolate, mas para azar meu, estavam esgotados. Vim para casa com uma caixa de quatro, dois de amêndoa e dois simples, dois para mim e dois para ele!
Depois do almoço aproveitámos para ir visitar uma quinta que tínhamos visto à venda na internet. O dia estava soalheiro e agradável, pelo que pudemos ir de janelas completamente abertas e tecto de abrir para trás, aproveitar o vento que se fazia sentir - que me deixou o cabelo num caos - mas o espírito leve e gozar o passeio. A sensação que tinha era de que o dia era Sábado e não o de uma simples Quinta-feira.
Quando chegámos ao local a primeira impressão foi a do espaço. Era imenso, enorme e completamente em ruínas. Numa só palavra, era lindo. Quando olhei em meu redor, tentei entrar numa cápsula de tempo e imaginar tudo reconstruído, mas a largeza do exercício transcendia a minha pobre imaginação. Uma coisa é certa, aquele lugar tinha um enorme portencial. Por momentos consegui imaginar um enorme páteo calcetado, casinhas baixas pintadas de branco e azul e uns potes de barro enormes com sardinheiras a cairem em cascata, um terraço com chão de terracota, onde eu lia à sombra de uma parede de pedra forrada a era, enquanto a vista se perdia sob um estreito caminho rodeado de velhas árvores centenárias. Ao fundo, uma velha capela - agora reconstruída - com o seu altar em madeira recuperado e pintado novamente de cores delicadas. Quase que apetecia ter o espírito ocupado nestes pensamentos enquanto explorávamos o lugar, guiados pelo vendedor que lá nos ia dizendo que devido a partilhas e heranças a quinta tinha perdido metade da sua grandeza e extensão e que por esse mesmo motivo, se encontrava bastante dividida, possuindo ainda um rendeiro a morar naquelas velhas casas de pedra que o tempo insistia em derrubar. Por todo o lado havia animais, cães, galinhas, pintos, ovelhas, cavalos e até coelhos que corriam pelo terreno à velocidade de quem corre pela vida. Na propriedade existiam ainda sobreiros, furos de água e uma figueira centenária, enorme e imponente, que me fez lembrar o tempo da minha infância, quando possuía uma no quintal e a trepava para comer figos directamente da árvore.
Pensei em qual seria a história daquele lugar, quem lá viveu, que cenários, vidas e almas teriam por ali passado... Por momento arrepiei-me só de pensar nisso. Quando se visita um lugar destes, a cair de velho, mas cheio de misticismo à mistura, nunca sou capaz de deixar de pensar nestas coisas. Quando se compra uma quinta como aquela, compra-se um passado, que o vendedor não soube desvendar, mas que a mim me atraí como um íman e que merece respeito e acima de tudo, ser preservado. Porque motivo teria aquela velha e imponente quinta uma capela? Como se deixa um lugar belo daqueles chegar a este estado? Como é possível não passar por ela e ter vontade de lá ficar? O que faz alguém abandonar à sua sorte e pobre glória uma propriedade assim?
Viemos embora com aquela sensação de, 'era isto que queríamos, mas por enquanto não podemos'. Comprar algo assim era abdicar de tudo aquilo que faz a nossa vida actualmente. Era ter um sonho e acreditar unicamente nele.
Não sabemos se estamos preparados para semelhante esforço, mas acredito que também já faltou mais para fazermos uma opção radical deste género. Por enquanto limitamo-nos a ver e sonhar, até ao dia em que quem sabe, o tornemos realidade.

segunda-feira, junho 26, 2006

cenas de um casamento... & jornalismo



















. A semana passada tivemos uma notícia. A prima do C., que esteve no nosso casamento, vai-se casar este ano. De certa forma não é nada que não nos tivesse já passado pela mente, afinal é mais velha que nós e o nosso casamento quase que serviu para formalizar a apresentação do namorado à família. Foi isso que aconteceu quando a confirmação chegou sob a forma de convite formal em papel, enquanto tomávamos um cafézinho à noite no novo Lounge in Rio, ou para aqueles que estão menos familiarizados, o antigo 'Café In' à beira Tejo. Quando um familiar com o qual nem temos muita proximidade insiste em tomar café connosco num dia de semana - e se namora - então preparem-se para começar a fazer contas à vida, é porque vem aí casório! Mas confesso que até achei engraçado, agora estar do lado de cá e ouvi-la queixar-se da ementa, dos convites, da decoração, do stress que é escolher quintas, das provas do vestido e de toda a organização do 'mega-evento'. Tentei dar-lhe as melhores dicas e acima de tudo, fazer com que não se preocupasse tanto com as datas -eu sei o que isso é e de como a nossa pele se ressente com os nervos...
O evento terá lugar quase um ano depois da nossa data - uma semana a menos para ser mais correcta e será em Alenquer. Fiquei feliz por saber que todo o esforço que tive na altura foi recompensado - os noivos optaram por escolher a mesma casa onde mandei fazer os meus convites, assim como a mesma empresa que contratámos para fazer a animação do recinto (o que só pode ser bom sinal!) e teceram os maiores elogios a tudo, chegando mesmo a dizer que foi dos casamentos mais dinâmicos e divertidos que já foram! (Ainda bem, porque até para mim, ter um casamento, é de uma maneira geral, sinónimo de um dia a apanhar uma grandesíssima seca!)
. Inspirada na atmosfera romântica fiz este coração em feltro que mostro na imagem, salpicado de pérolas e tule, que tanto pode ser um porta-chaves como um decorador de portas. Neste momento ando com a ideia de fazer um pendente diferente para cada divisão cá de casa. A estrelinha foi para a porta da casa-de-banho, o coração para a porta do quarto. A ideia é conjugar as cores com a decoração de cada divisão e o resultado final fica engraçado.
. Recebi hoje a notícia por email de que saiu finalmente a entrevista que dei a uma aluna universitária para um projecto escolar. A verdade é que quando vi o resultado final fiquei um pouco desiludida. Acho que ela não percebeu algumas das minhas respostas e de certa maneira, deturpou-lhes um bocadinho o sentido. No geral não gostei do 'tom', nem do ângulo, mas como se trata de uma estudante e ainda por cima num projecto escolar, acho que não posso pedir muito, ou então sou eu que estou a ser demasiado picuínhas. Mas ler numa legenda 'Mafalda não quer ficar limitada à criação de acessórios. Os bonecos de pano são algo que ainda ambiciona vir a saber fazer' não tem muito a ver com aquilo que eu lhe disse - que foi precisamente o contrário - ou seja, que não me meto a fazer bonecos de pano porque tenho consciência de que não os sei fazer.
É isto que distingue o bom do mau jornalismo...

quarta-feira, junho 21, 2006

Dejá vu



















Depois de algum tempo...
Voltei a ver estrelas.

terça-feira, junho 20, 2006

post 'a la Sexo e a Cidade'


















Descobri nos últimos tempos que ter uma entrevista de emprego é em tudo idêntico a ter um encontro, senão vejamos:
Na véspera já estamos nervosas e ansiosas e o sono teima em chegar, analisamos mentalmente as perguntas que nos poderão fazer e nas respostas (inteligentes) que devemos dar - a preparação é fundamental e não convém haver falhas, o mínimo detalhe pode pôr em risco toda a 'operação'.
Tomamos banho antes de sair de casa, lavamos bem a cabeça, os dentes, fazemos a depilação, arrancamos os pêlos rebeldes das sobrancelhas que insistem em andar despenteadas e analisamos a cara ao espelho à procura de pontos negros, ou de possível e incipiente buço. Passamos meia hora diante do roupeiro à procura da indumentária, para finalmente colocarmos a nossa melhor roupa e rezar desesperadamente para não parecer nem demasiado oferecida, vulgar, pudica ou excêntrica. Arranjamos as unhas, pintamo-las de cores suaves e arranjamos as cutículas para que nenhuma pele insistente desvie a nossa atenção, ou com os nervos, nos leve compulsivamente a roê-la. Hesitamos no perfume e na quantidade, muito enjoa, pouco nem se dá por ele. Verificamos mil vezes o cabelo e rogamos pragas ao vento e a tudo que nos arruine por completo todo o tempo investido na produção.
Por fim saímos de casa a oscilar entre a confiança e o desespero. E tal como em todos os encontros, ou regressamos profundamente frustradas, ou alegremente esperançosas.

Neste momento, aposto mais no primeiro grupo.

segunda-feira, junho 19, 2006

verdes são os campos...



















Lembram-se deste post? Pois bem, eu tinha prometido que da próxima vez que fosse à terra iria fotografar a velhinha casa que o avô do C. disse que à partida ficaria para nós. De máquina em punho lá começámos por disparar nos vários ângulos que nos apareciam em frente da vista e a verdade é que nem precisamos de esforçar muito, porque a paisagem é de tal maneira inspiradora, que carregar no botão da máquina é algo tão natural como respirar. (isto agora soou-me a slogan de leite matinal, mas adiante)
A paisagem nesta época do ano estava particularmente bonita, mesmo em frente à casa encontra-se uma enorme ortência de tons azul mesclados e diante do velhinho alpendre - onde o avô António diz que nasceu, mesmo ali, naquele canto onde ele acaba - depara-se uma de cores ainda mais fascinantes, azul forte, quase hipnotizadora. Até já nos serviu de inspiração para futuros nomes - isto porque temos sempre tendência a começar pelo fim em vez de pelo princípio - e por detrás dela uma figueira, ainda imberbe e a despontar novos ramos. Subimos o terreno até acima, onde os pequenos socalcos nos vão permitindo escalar o tempo e descansar os olhos num verde quase infinito e numa névoa densa, que desce por aquelas montanhas como um cobertor. Ouvem-se passarinhos por toda a parte, numa sinfonia quase perfeita e faz-se barulho entre as ervas altas, não vá uma cobra andar à espreita. (e acreditem, por aqui há muitas).
Lá em cima outra pequena casa, que noutros tempos tinha como função guardar os cereais e os legumes que se apanhava no campo. À sua frente uma pequena eira que servia para os espalhar enquanto os mesmos secavam com o vagar do tempo. Pronto, outro nome achado e este é igualmente perfeito. À nossa frente castanheiros e oliveiras que estendem as ramagens até onde conseguem alcançar e que o passar dos anos não deixou marcas.
Sente-se uma tranquilidade de espírito, uma grande calma interior. 'Isto faz-me bem' - penso, enquando os pés e os olhos andam atentos aos minúsculos degraus de pedra que tenho como escadas e que me servem de apoio. E assim, devagarinho e em pequenos passos, tratamos de assegurar que o passado de outros tempos seja o nosso futuro.
Para os mais curiosos, espreitem aqui.