domingo, outubro 01, 2006

e foram felizes para sempre...





















...São assim que terminam os finais dos contos infantis, onde o princípe e a sua princesa, partem para um infinito recheado de felicidade e amor eterno. Na vida real, a história já ganha outros contornos, mas cá para mim, toda a mulher no fundo, bem no fundo, quer ser princesa por um dia. E foi assim, que no passado Sábado (e um ano quase depois do nosso casamento), a E. e o R. se casaram, na Quinta das Rosas em Alenquer, numa festa que muito me fez lembrar a minha e recordar vários momentos. Senti a emoção por ela, sabia perfeitamente o que lhe ia na mente quando ela desabafava - já a festa ia longa - que 'isto' ou 'aquilo' não tinha corrido bem como o planeado (e logo nós mulheres, que somos tão picuínhas com os pormenores), mas a verdade é que me diverti, dancei muito e, por momentos, até me senti aliviada por já ter passado por tudo aquilo.
É estranho agora estar no papel de 'tutora' e de ser eu a dizer: 'não te preocupes com isso, goza apenas o momento', ou 'a festa estava muito bonita, divertimo-nos muito'.
É um dia que passa rápido, rápido... mas que permanece para sempre na memória. Para quem quiser saber/ver mais, clicar aqui.
(e daqui a menos de uma semana celebro as minhas Bodas de Papel...)

segunda-feira, setembro 25, 2006

Algures





















Sinto falta das folhas, da terra, dos frutos, da abundância. Sinto falta do verde que cobre os campos de onde a vista alcança e me faz desejar pelos tons vermelhos e dourados do Outono. Sinto falta do silêncio e da paz, do bem-estar que o isolamento característico destas paragens traz com ele, do passar calmo do tempo, da lentidão das horas, do raiar lento do dia. Sinto falta do contacto com o natural, numa cidade feita de betão. Sinto falta da terra, das gentes da minha infância. Das minhas referências naturais. Sinto falta de ver crescer, sentir a vida seguir o seu curso natural. Sinto falta de ser mais autêntica.

domingo, setembro 24, 2006

Slow




















Estar uma semana sem actualizar o blogue é para mim, no mínimo estranho. Mas confesso que depois de um dia de trabalho a última coisa que tenho vontade é a de ainda passar mais tempo diante de um computador. Claro que não resisto ao vício e venho espreitar as páginas alheias, ver os mails e ler o que me interessa, mas o tempo que eu tinha para produções fotográficas, a actualizar o blogue, ou a escolher fotos e a trabalhá-las no photoshop... já lá vai! De manhã saio mais cedo do que era habitual no meu anterior trabalho, a luz para as fotos - que muitas vezes eram tiradas durante o pequeno-almoço - também não ajuda, a pressa e a responsabilidade dizem-me para não perder tempo com coisas que neste momento não são prioritárias e a razão acompanha, fazendo soar as campaínhas do 'deixa para depois'. Ao fim de uma semana, posso dizer que ainda não estou feita a este novo ritmo de deitar cedo e cedo erguer. Que dois dias de descanso souberam a pouco e que neste momento já conto as horas que restam para terminar este Domingo chuvoso que fez as minhas delícias. Talvez por isso, tenha dormido mais do que o habitual, a sesta de hoje à tarde tenha sabido por mil e a vontade de fotografar tudo o que os meus olhos vêem tenha esmorecido um pouco.
E finalmente chegou o meu tão aguardado Outono.*

terça-feira, setembro 19, 2006

It´s a bright, shining day




















Voltei a ter o dia ocupado, a acordar ao som de um despertador, a ouvir rádio e as notícias pela manhã, a andar no meio do trânsito, a preocupar-me com o que vestir, com as horas a que saio de casa, com o que levo para comer ao almoço. Voltei a ter colegas - que ainda não decorei os nomes e com os quais ainda não me sinto à vontade - a ter secretária (que já fiz questão de personalizar) - com arquivadores e gavetas em acrílico vermelho, a cantar no carro, a stressar à procura de lugar para estacionar, a levar e a lavar a marmita, a beber dois cafés por dia, a desejar que chegue as seis da tarde, a ter a gata à minha espera à porta quando regresso a casa e sentir que não há nada melhor do que voltar ao meu canto.

Voltei a mim outra vez.
(suspeito que durante os primeiros tempos este blogue fique um pouco ao abandono, mas prometo que será apenas nos primeiros tempos. Vou tentar fazer um esforço.)*

domingo, setembro 17, 2006

ah, Pois é, café!




















O dia esteve soalheiro, mas os fins de tarde já são frios e frescos. O local escolhido agradou-me. É raro passear para os lados da Sé ao Domingo à tarde. Aproveita-se a vista para as fotografias e espera-se que o destino, uma vez chegado, compense a subida íngreme e as ruas estreitas, os passeios de calçada portuguesa escorregadios. À chegada, a euforia do reencontro dá lugar à curiosidade. Tudo aqui me agrada. Desde o espaço amplo e arejado, à mistura do velho com o novo, ou ao aspecto 'cosy' que tudo tem. Agarro a máquina logo como instinto - a vontade é a de começar a disparar - e todos me troçam. 'Essa vai para o blogue, já te estou a ver'. Mas a caneca de chá com joaninhas faz-me sentir em casa e isso é bom sinal. À porta, um antigo quadro de ardósia com ábaco, regista o horário de funcionamento e a velha chaminé de pé alto que se encontra na cozinha, faz-me lembrar a minha velhinha casa dos tempos de Campolide.
Gostei, recomendo. Quero voltar mais vezes.
Pois Café
Café Austríaco
Rua de S. João da Praça, 93-55
Lisboa

(re)começos




















Lembro-me de me erguer. Sempre. De emergir como uma fénix das cinzas. Lembro-me de ir buscar força nos convins das entranhas e de seguir em frente, confiante de que por aqui é que é o caminho. Lembro-me de me deixar contagiar de ânimo e de felicidade sempre que ao meu encontro vinham respostas positivas. Lembro-me da ansiedade da espera, da incerteza do momento. Lembro-me de me sentir abandonada pela sorte, resignada com o meu destino, vazia de valor... mas também me lembro de sorrir sempre que uma pontinha de esperança me acenava radiante.
Amanhã é tempo de recomeçar. Um verbo que me soa a familiar. E tal como tantos outros recomeços na vida, tudo o que é familiar, tem aquele gosto de conhecido, do à-vontade. De quando chegamos a casa da nossa mãe e nos deitamos naquele sofá que tantas vezes nos serviu para a sesta, sem pudores nem vergonhas, ou nos deixamos embriagar pelo cheiro típico dos pratos tradicionais de Domingo que borbulham na cozinha.
Quero voltar a sentir aquele prazer calmio, aquela paz interior, mas neste momento sinto-me em ebulição. Como se a ansiedade e os nervos me dominassem e o medo me invadisse por completo. Quase que pressinto que hoje nem conseguirei dormir, ou então, só o farei já tarde e a noite será insuficiente para repor as energias necessárias ao dia que se adivinha.
Quero ter um sonho bom e um despertar ainda melhor.
Acho que o mereço.

Colar 'Deep Blue', disponível, aqui.

sexta-feira, setembro 15, 2006

Balanço





















Hoje o 'Casinha de Botões' faz anos. 'Um', porque ainda é pequenino e anda a dar os primeiros passos. Em um ano, obriguei-me a criar, a sentir, a ver com outros olhos tudo o que me rodeia. Em um ano sinto que cresci, que dei de mim a cada foto, a cada palavra, a cada post. Foi o revelar do meu mundo a uma dezena de conhecidos e a outras centenas de anónimos que me seguem as palavras e penetram no meu canto. Não consigo deixar de me sentir quase invadida quando isso acontece, porque se pensar bem a sério, revelo mais de mim em cada post, do que aquilo que faria pessoalmente. Talvez seja essa a magia de um blogue, da escrita que sempre me serviu de escape e de libertação. Eu não falo, eu escrevo. E brinco, e ralho, e sonho em cada palavra que me serve de arma.
Em um ano, tornei a minha Cannon PowerShot A400 na minha melhor amiga. Tenho-a tratado mal é certo, a julgar pelos riscos que apresenta de tanto andar aos pontapés dentro da mala, mas com ela aprendi a descobrir um novo olhar: o do quotidiano.
Em um ano conheci pessoas novas que me serviram de inspiração e descobri outros gostos que me deixam feliz. Troquei materiais, sorrisos, confidências, mas acima de tudo, sinto que recebi muito mais em troca.
E em dia de aniversário, nada como uma fatia de bolo.*

quinta-feira, setembro 14, 2006

green news, renovated hopes




















"Lágrimas Tormentos
Quantas desilusões
Foram tantos sofrimentos e decepções
Mas um dia o destino a tudo modificou

Minhas lágrimas secaram
Meus tormentos terminaram
Foi uma nuvem que passou"

Ando que nem louca, todos os dias de volta das contas, dos fios, das lãs. Parece que quero recuperar o tempo perdido e que de repente fiquei febril outra vez. Ontem choveu o dia todo e andei sempre de sorriso nos lábios. (Já tinha saudades do cheiro do frio e da terra molhada). Nada como tomar café em pleno Chiado com a H., enfiarmo-nos as duas na HM e delirar com as coisas da nova estação, ir à pastelaria Bennard com desejos de croissant de chocolate e não haver (nem de propósito) e acabar a noite na Sé, no restaurante 'Viagem de Sabores' para o aniversário da M., que eu não me lembrei! (shame on me).
Ando a queimar os últimos cartuchos, porque segunda-feira é dia de novos começos. Finalmente irei (re)começar a trabalhar. (Nem imaginam o alívio). De repente, sinto que a vida voltou a entrar novamente nos eixos.
Hoje para terminar o dia, café com a C. para tagarelar todas as novidades e depois, quem sabe, cinema.
Colar disponível, aqui.

quarta-feira, setembro 13, 2006

Purple dress




















Apaixonei-me por ele. Assim de passagem, enquanto deambulava sem rumo pelo El Corte Inglés, sem ideia do que levaria ao casamento que se aproxima a passos largos e que é já no final deste mês. Vi-o pendurado, achei-lhe piada. Havia e há qualquer coisa na cor que me fez logo cair em tentação de o provar. 'Não tenho corpo para ele pensei', mas afinal até tenho e quando me vislumbrei ao espelho, confesso que me senti uma espécie de estrela de carpete vermelha. Comprei-o de impulso, já que o tamanho 38 era o único existente. Não resisti a vesti-lo para mostrar ao C., orgulhosa que estava da minha compra, assim que cheguei a casa. Tem um ar esvoaçante que me faz lembrar os antigos vestidos gregos, que estiveram tão em voga este Verão.
É comprido e ata atrás do pescoço. É de um púrpura profundamente marcado, como se o meu interior tivesse jorrado para fora. Acho que mais do que um vestido, é uma verdadeira terapia.
E pensar eu que andava à procura de um conjunto de calça-casaco.
Pregadeira 'winter is back'. Aqui.

terça-feira, setembro 12, 2006

...




















A minha mãe dizia-me, quando era pequena, que sempre que se ouvia o som da gaita de beiços de um amolador de tesouras, era sinal de chuva. E eu sempre gostei daquela musiquinha que se ouve a metros de distância e que era indicador de pingos. E agora, estava aqui sentada ao computador, e ouvi-o... sim, porque até em Lisboa ainda existem amoladores de tesouras com a sua típica canção. E eu bem que ando precisada de um pouco de chuva para me lavar a alma.
Hoje faltam-me as palavras, custam-me a sair. Não estou nos meus dias.

Comprei contas novas e o resultado está à vista. Colar 'pink love' para as mais românticas, originais e apaixonadas. Disponível, aqui.

segunda-feira, setembro 11, 2006

Happy :)





















É bom ter notícias destas, é bom abrir o meu email e ver uma surpresa como a que a C. me enviou. Não uma, mas duas fotos com o meu colar vaidosamente posto para a fotografia e com autorização para publicar no blogue. E eu claro, rejubilei de alegria. Depois de vários pedidos às pessoas a quem vou vendendo coisas para me enviarem fotos, a C. foi a primeira a ter o cuidado de atender ao meu desejo. Sexta-feira foi um dia difícil de passar, com mistura de ansiedade sempre que o telefone tocava, mas numa dessas vezes, a chamada vinha do outro lado do Atlântico revestida de um sotaque madeirense carregado e lindo! A C. quis agradecer pessoalmente o envio das coisas e encheu-me tanto o ego ao longo dos quase 40 minutos que durou a conversa, que a minha sexta-feira revestiu-se logo de outro sentido. Mudaste o meu dia, menina!
E agora, receber um email teu, depois de um telefonema desses é sentir que me enchem de mimos.
Estou feliz :)

sábado, setembro 09, 2006

fly away...




















... até à Austrália, se chegar são e salvo. É difícil imaginar algo meu que foi feito numa pacata tarde de Sábado, do outro lado do Mundo. Mas não deixa de ser curioso. Acho que o sentimento é o mesmo de quando aqui venho e através do contador de pessoas online, verifico que às vezes existe alguém da India, das Filipinas, da Roménia, ou do México a espreitar a minha página. Penso sempre: 'Mas como é que vocês vêm cá parar?' É que eu confesso que apesar de ser uma 'blogue adicted', tenho pouca pachorra para andar a pesquisar outros e de outras nacionalidades.
Talvez isso explique o facto de, em menos de um ano, já ir a caminho das 15 mil visitas!
É bom saber :)

sexta-feira, setembro 08, 2006

'M' de MARAVILHOSA



Os novos cd´s da Marisa Monte, 'Universo ao meu Redor' e 'Infinito Particular', foram provavelmente a melhor surpresa musical do ano. Mal os ouvi pela primeira vez, nasceu em mim aquele sentimento arrebatador da paixão. Ela consegue ter aquele dom de pôr harmonia nas coisas que faz, de uma simples letra fazer uma grande canção, de escolher as palavras certas para descrever aquilo que nos vai na alma, mas que de uma forma ou de outra não sai cá para fora. Será a segunda vez em cinco anos que irei vê-la ao vivo, na mesma cidade, na mesma sala. Na altura, o seu disco 'Memórias, Crónicas e Declarações de amor', foi a minha banda sonora durante os tempos vividos em Sevilha. Era o meu fiel companheiro, aquele pedaço que me fazia sentir em casa. Ouvi-o até à exaustão, tanto, que hoje sempre que o oiço vêm-me à memórias as imagens vivas de um tempo ido. Sabia de cor todas as músicas, entoáva-as como um hino.
Hoje não será excepção.

quinta-feira, setembro 07, 2006

Open your eyes... look around you




















'De todas as coisas podemos trazer inspiração', esta máxima aprendi-a com Gaudí, ao ver os seus esboços de abelhas, de flores, de botões a desabrochar, da natureza transladada para o topo de edifícios, de torreões que pareciam filetes de alfazemas. Vejo-a nos quadros de Picasso, ou de Miró, com as suas mulheres enfeitiçadas pela lua, rodeadas de pássaros imperceptíveis sob o signo das estrelas. Sinto-a nos bocados de lã que escolho para dar cor e forma a algo pequenino, mas eu que vejo como grande.
E hoje tenho o coração apertado de emoção. Sinto que está quase.


Pregadeira 'Miró' disponível. Casinha_de_botoes@yahoo.com

quarta-feira, setembro 06, 2006

hot green




















Voltei a fingir que é Outono e voltei a pegar nas agulhas e a dar-lhes forma. Pensei já me ter esquecido dos jeitos, dos manejos, mas felizmente assim que a linha me correu nos dedos, deu-lhe o hábito familiar que procurava. Ainda bem. Ainda tentei com linha de algodão, mas não há solução possível. Não gosto da textura, enrola-se, puxa fios e o resultado final não fica tão bonito quanto com lã. Por isso pensei cá para comigo: 'Que mal tem fazer já algumas coisas com aspecto mais quente? É apenas uma questão de semanas até as temperaturas arrefecerem'. E hoje até parece que me fizeram a vontade, coisa que agradeço. Só faltava chover para a minha felicidade ser completa. Não há coisa melhor do que sentir o cheiro de terra molhada com as primeiras chuvas Outonais. (suspiro) Cá por casa vejo este, este e esta, atravessarem o Atlântico até à ilha que é um jardim, ao encontro desta menina. (Obrigado Claudinha*)
. Vi o episódio do CSI dirigido pelo Quentin Tarantino e A-DO-REI! (como seria de esperar). Para quem como eu consegue identificar o dedo do realizador, o episódio dirigido pelo mesmo, além de maior que o habitual é também mais sinistro, psicológico, com delírios 'à la Tarantino' a preto e branco, banda sonora excelente e até uma certa reminescência e ligação com o Kill Bill 2... ele tem um fetiche qualquer por pessoas enterradas vivas...
. Também vi, já muito atrasada em relação ao comum dos mortais, The Motorcycle Diaries, de Walter Salles.... e fiquei sensibilizada, a sentir-me pequenina, arrebatada por esta história baseada em factos verídicos que conta a juventude do jovem Ernesto, que queria ser médico, mas cuja viagem pela América Latina deu origem ao nascimento de um ídolo ainda hoje aclamado mundialmente:Che Guevara. O filme é demasiado tocante para ser deixado em branco e demasiado importante para não ser lembrado. Recomendo vivamente a todos aqueles, que tal como eu, ainda possuem esta 'lacuna'.

auto flagelação


















Às vezes gostava de ter mais comentários no meu blogue, mas não tenho.
Às vezes gostava de ser menos sôfrega, mas não sou.
Às vezes gostava de ser mais mais contida, mas não consigo.
Às vezes gostava de estar quieta, mas não deixo.
Às vezes gostava de conseguir escrever coisas com sentido, mas não dá.

Às vezes, ainda bem que não é sempre.

segunda-feira, setembro 04, 2006

Only the good die young




Nasci em 78, nos resquícios do pós Vietname, do peace & love americano, do sexo, drogas e rock & roll. Nasci na calmia do pós 25 de Abril, quando os filhos da liberdade ouviam música em gira discos com agulhas saltitantes que liam os pequenos 45 rotações, os famosos singles que mais tarde deram origem aos L´ps. Cresci a ouvir música na aparelhagem lá de casa, com colunas enormes e pesadas, que quando ligadas no máximo se ouviam no início da rua e faziam estremecer as estruturas do prédio. Cantava de microfone usado em punho, os êxitos dos discos de vinil criteriosamente guardados pelo meu pai nos seus tempos de juventude. Ouvia atentamente, o relato pormenorizado de um concerto, no outro lado do Atlântico, nessa América onde quase nasci, onde o vocalista se passeava de coroa e ceptro envergando um majestoso manto. Vi vezes sem conta as fotos a preto e branco que o comprovavam, onde o meu pai afirma ter ficado tão perto do palco que quase lhe podia tocar. Tinha 13 anos, quando em pleno despertar musical, a notícia da sua morte na televisão caiu em mim como uma bomba, e lembro-me de pensar: 'então agora que eu estava a gostar dele, o gajo vai e morre?'.
Nasceu nesse momento a maior frustração musical da minha vida: a de nunca ter tido a mesma sorte do meu pai, a de ver os Queen actuar ao vivo. Partilho com ele o mesmo fascínio por um homem que quis ser maior que a própria vida e que tal como os grandes ídolos, morreu novo, passaporte garantido para a eternidade. Ele com as imagens vivas do ídolo vivo na sua mente, a recordá-las e a revivê-las sempre que lhe apetecer, eu com as imagens idas do ídolo morto, projectadas na televisão e nos cd´s que abundam cá por casa.
Não quero ser nenhum velho do Restelo, saudosista e inconformada e dizer que as grandes músicas já estão todas feitas, mas quase que apetece. Em aniversário da sua morte, não consigo deixar de sentir uma melancolia misturada com uma pontinha de tristeza, ao ver as imagens de algo que me foi tirado demasiado cedo. Queria tê-lo cá mais tempo, senti-lo envelhecer comigo, vê-lo de jaqueta amarela e ténis da Adidas, em poses arqueadas sob um pano de milhares de cabeças em delírio. Queria ser uma delas. Queria tê-lo de calças justas e olhos pintados, entoando áreas dignas de operetas, ou rindo, com um bigode desproporcional à sua imagem, com os seus dentes da frente salientes, que o deixavam 'sopinha de massa' sempre que falava. Freddie era a alma do grupo, o seu impulsionador, aquele que se comportava como uma estrela, mesmo antes de o ser. Porque tinha com ele a certeza daqueles que estão destinados às coisas grandes. O seu legado foi a sua importalidade.
Como dizia a canção: 'The show must go on.' E pelo menos para mim, continuará, sempre.

quinta-feira, agosto 31, 2006

Moinho D. Quixote



















Este bar esplanada é provavelmente, dos sítios que mais gosto de ir. Com vista privilegiada sobre as praias do Guincho e a caminho do Cabo da Roca, o Moinho D. Quixote é um refúgio no meio do nada. Por apenas uma hora (às vezes mais, às vezes menos) ali, fazemos mais de 60 quilómetros, com a incerteza de que podemos bater com o nariz na porta. É que assim como nós gostamos do Moínho, há mais quem goste e o normal é estar sempre cheio. Confesso que adoro ir lá no Inverno, com o frio e o vento característico daquelas paragens e beber chá quente acompanhado de scones com manteiga e doce de morango, mas hoje foi igualmente bom. Estava quase vazio, havia mesas livres por todo o lado, e como sempre os gatos deambulavam livremente, interagindo connosco.
Percebem agora porque é que gosto tanto de ir lá?
Amanhã estamos de partida até à Gestosa, por isso, bom fim-de-semana!

quarta-feira, agosto 30, 2006

Volver





Sou uma 'Almodovar adicted' confessa. Não há filme dele que eu não veja e que não me toque sempre de forma intensa. Não há ambientes mais retro ou 60's, que eu não sentisse como meus e não há histórias de putas ou de transsexuais pelas quais eu me sentisse mais solidária, como as dos seus personagens. Em Barcelona, todos os dias tomávamos o pequeno-almoço num café perto do hostal onde ficámos alojados, na Plaza Tetuan. Todos os dias eramos atendidos pelo mesmo empregado de mesa, muito 'bicha' e muito parecido com o Benigno, do filme Hable con ella, de Almodovar. Olhava para ele e só me lembrava das cenas de dedicação total a uma enferma que se encontrava presa a uma cama... e ali estava, aquele Benigno de carne e osso à minha frente, sempre dedicado ao seu trabalho, com as cafeteiras do leite quente e frio suspensas na bandeja segura numa só mão, habituado à rotina dos dias e aos gostos dos seus novos clientes. Este Benigno de carne e osso, ao fim do primeiro dia, já sabia sem hesitações, a forma exacta como eu gostava do meu café, ou o que o C. acabava sempre por comer. Recebia-nos com um sorriso e desfazia-se em amabilidades, por vezes ficava ali a olhar-me, como se avaliasse o que me ia na alma.
Na véspera da nossa partida e último dia de pequeno-almoço no sítio do costume, o 'meu Benigno' de carne e osso, numa premonição de que provavelmente nunca mais tornaria a ver-me, ganhou coragem e disse-me perante o olhar desconfiado do C.:
'-Hoy la veo con mejor cara! Tiene una otra luz!'
E assim, com uma simples frase... conquistou-me!
É por isso que eu gosto tanto dos filmes do Almodóvar... é que os personagens deles são reais e existem quando menos esperamos.
É por isso que estou mortinha para que estreie Volver.

simplesmente Miró



Amo de paixão este pintor. Não sei explicar. Até vir para Lisboa estudar, nos meus idos 17 anos, confesso que pouco ou nada sabia sobre a sua arte. As cores quentes dos seus quadros, os seus devaneios quase infantis de riscos e rabiscos, de gotas de tinta e lampejos cor de sangue ainda não faziam parte do meu universo. 'E como é que eu pude viver em tamanha ignorância?', penso hoje quando olho para trás! Foi na loja da Arte Periférica, que existe dentro do CCB, que tomei contacto com os postais de bolso que reproduziam com exactidão as suas obras. Lembro-me que comprei uns quantos, assim quase de impulso e quando cheguei a casa apressei-me a colá-los na parede do meu singelo quarto de estudante com fita-cola. Tê-los ali, bem perto, todas as manhãs quando acordáva, ou simplesmente quando fechava os olhos, trazia sentido aos meus dias. Era quase como entrar para um mundo imaginário, de azuis fortes, pretos carregados, amarelos cintilantes e vermelhos cheios de dramatismo. Era a magia da pintura a funcionar, a inspiração a entrar-me nas células do corpo, quase como o ar que se respira.
Durou até hoje e tal como um grande amor, não morre, nem esmorece...
Cresce e torna-se E-TER-NO!

terça-feira, agosto 29, 2006

recuerdos























Desde que me lembre que gosto de guardar tudo. Acho que já não é a primeira vez que falo sobre esta minha característica. Um simples papelinho, de uma simples sessão de cinema, pode revelar-se uns anos mais tarde, numa preciosa recordação de tempos idos, sinónimo de um momento bem passado. Com estas pequenas pérolas sinto-me preenchida. É como se a vida fizesse mais sentido, porque afinal é aquilo que fazemos dela que lhe dá alma. E estes pedaços de papel enchem a minha. Recolher postais de sítios por onde se passa, bilhetes de metro ou de avião, de museus, mapas, notas, tickets e guardar tudo religiosamente, como se fosse um legado é algo que me dá um gozo tremendo. Tenho sempre aquela sensação de que um dia, alguém, (talvez um filho, ou um neto - se os tiver) os encontrará e como se de um tesouro se tratasse, estimará estes pedacinhos um por um, desfrutando secretamente desta colheita de anos, de sítios, de viagens, de pessoas que por mim passaram.
E a viagem a Barcelona não podia ter sido mais frutífera em material obtido. Desde os postais que gosto de trazer de onde quer que vá, dos imans para a colecção que já possuo no frigorífico cá de casa (chamem-lhe piroso, mas eu gosto de saber que cada um deles que lá está veio de um cantinho do mundo, trazido por amigos, ou por mim), dos marcadores de livros, das revistas (a edição 'Vogue' Espanhola mais parece uma lista telefónica e a Glamour também veio na bagagem), dos cartões de restaurantes que gostei de visitar e de comer, como este, em pleno coração do Bairro Gótico, que além de ter uns pintxos maravilhosos, tinha também um frango doce acompanhado de salada, que foi de comer e chorar por mais...
Por tudo isto e porque a minha memória também já não é o que era, gosto de trazer, de guardar. Porque como dizia o slogan da famosa marca de fotografia que nos ficou no ouvido até hoje, 'para mais tarde recordar'.
Sim, sou uma saudosista... e por falar nisso, ando a contar os dias para o Outono.

segunda-feira, agosto 28, 2006

De que color son tus ojos?





















...Os meus são feitos de cores quentes, daquelas que aquecem e confortam.
Como um chá de canela, a casa cheia, um bom copo de vinho, ou tão somente as fotografias que nos deixam de sorriso nos lábios.
Indipensáveis:
Durante os dias que estivemos em Barcelona acabei de ler o livro 'Timbuktu', de Paul Auster, que levei na bagagem. Confesso que foi uma grande desilusão. Gostei do desenvolvimento da história, de sentir que podia ter os mais variados finais, de dar comigo cansada - depois de um dia a andar quilómetros - e ainda ficar a ler até às quatro da manhã, sabendo que apenas ia dormir quatro horas. De me meter na pele do pobre cão e ter verdadeira pena do bicho, de me sentir angustiada por sabê-lo sem dono e admirada com tamanha racionalidade... para depois chegar ao fim e ter aquele amargo de boca dos finais previsíveis. Estava à espera de melhor, confesso. E a parte da 'happy american family' também não me convenceu. Achei toda aquela parte da história um pouco para 'encher chouriços'. Até agora é o segundo livro que leio do Paul Auster e nenhum me fez ficar fã. Uma escrita supostamente despreconceituosa, com as palavras da moda, algumas asneiras à mistura para mostrar que é livre de regras e até bons conceitos. O facto de na contracapa ter um comentário do Salman Rushdie a dizer que a obra era genial, também marcou pontos, mas decididamente, 'is not my kind of guy'.
Ou isso, ou tinha as expectativas demasiado elevadas.

domingo, agosto 27, 2006

inspiración y abanicos




















Chegar de Barcelona, é regressar a casa com a mente a fervilhar de cor. É beber inspiração na fonte e deixar-me levar pelo ritmo frenético. É ter ao alcance da mão, a animação e a vida que transpira da cidade. É doerem-me os pés mas sentir-me feliz pelo percurso, é arderem-me os olhos por querer registrar visualmente cada momento.
É ter mais de 300 fotos e não saber qual delas colocar aqui.

terça-feira, agosto 22, 2006

De partida




















"Sob um ceú azul profundo,
à minha porta vieram cair,
uma flor ainda em botão,
uma lua a sorrir.
Mas que árvore pequenina,
que nuvem alta lá no ar,
traz o sonho no teu regaço,
vem comigo brincar"


Outro mobile pronto. Apesar do tempo que demoram a fazer, dá-me gozo ver o resultado final. Este teve uma inspiração mais 'campestre', com flores, árvores, nuvens e luas à mistura. O facto de ter estado entretida no fds com este e com outro, já aqui publicado neste blogue, deixou-me cheia de ideias para novas coisas e deu-me um novo fôlego. Tirei a máquina de costura do seu canto e voltou a ver a luz do dia. Também ando a pensar se me hei-de inscrever num workshop que irá decorrer em Setembro, assim como a ver de novos espaços onde posso colocar as minhas coisas.
Estamos de partida para Barcelona para as tão merecidas férias e até já conseguimos reservar hostal. Hoje é dia de fazer as malas, planear os dias de acordo com o que queremos visitar (mas verdade seja dita eu quero ver TUDO!!), e contar as horas que faltam para partir, tal e qual como uma criança ansiosa com a jornada. No final do dia ainda nos espera um jantar em família e deixar a minha 'criança' (entenda-se gata), em casa dos 'avós'.
Regresso Domingo cheia de fotos (espero) e de delírio visual. Hasta.