segunda-feira, abril 16, 2007

'Cores de Almodovar, cores de Frida Kahlo, cores'


















Nesta segunda-feira quente – ouvi na rádio que hoje as temperaturas chegarão aos 27º - eu decidi fazer justiça ao bom tempo e vir de vestido colorido, como que a dar as boas vindas à nova estação. É que a semana passada tive a oportunidade de rever e voltar a trabalhar com uma maquilhadora com quem já não fazia produções há muito tempo. E ela, louca e bem disposta como eu gosto, virou-se para mim e disse-me: ‘Então hoje não estás às cores? Tu és a rapariga mais colorida que eu já conheci e hoje estás de bege e castanho? Nem parece teu!’ Eu respondi-lhe que estava como o estado de espírito, 'apagadita', para logo no dia a seguir me ter vestido de azulão e ter comprado um vestidinho colorido, de padrão psicadélico. Às vezes fazem falta este tipo de comentários para nos espevitar o ânimo. E comigo, parece que resultou. Qual Frida Kahlo, gosto de pintar o meu mundo de cores. Alegram a vida.

domingo, abril 15, 2007

Another wedding day




















Mais um dia de casamento, desta vez do meu amigo P., que depois de alguns anos de namoro com a menina catequista lá do bairro, decidiram finalmente dar mais um passo e seguir para a frente com todas as formalidades como manda a tradição. Conheci o P. no meu primeiro emprego, criámos empatia e ficámos amigos, chegámos inclusive a fazer férias juntos - foi com ele que visitei Madrid pela primeira vez, mal sabia eu que dali a uns anos ia para lá viver - e mesmo depois de ele ter saído da empresa, o contacto nunca se perdeu. Gosto do P., é bem disposto, divertido, lagartão enferrujado (por isso, ele e o C. têm sempre tema de assunto para falar) e trata-me sempre de uma forma carinhosa que me deixa assim meio enternecida (vêem porque é que eu gosto mais de trabalhar com gajos? eles são muito mais cavalheiros connosco!). Tive pena quando ele me disse que não podia ir ao meu casamento. Confesso que gostava de o ter tido lá, mas ontem, não perdi a oportunidade de ver o 'gaijo' todo bonito, de colete e gravatinha, com a sua 'gaija', igualmente toda bonita, os dois, felizes da vida dentro de um Citröen antigo, a desfilar pelas ruas da capital em direcção à quinta. Também tive oportunidade de rever antigos colegas. Não que tivesse muita vontade de me cruzar com certas pessoas, mas no final as coisas até correram bem. A maior parte nem sabia que eu já estava casada (e se já o sabiam, fingiram que não estavam informados), mas não me bombardearam com perguntas como pensei que o iam fazer. De uma maneira geral correu tudo muito bem, apesar de o C. ter ido para o casamento com uma directa de trabalho em cima. Quando acordei às 7h30 da manhã, ele ainda não tinha chegado a casa. Já sabia que o dia ia ser longo, demasiado longo para ele e, por isso, o ideal era não o deixar parar - além de que nem havia tempo para isso, pois o casamento foi super cedo - às 11h00! Ele lá se aguentou durante a missa - apesar de haver partes em que o via quase tombar e mais tarde, nem mesmo os 5 cafés que ele foi bebendo ao longo da manhã, ajudaram. A solução passou por ir dormir a sesta para o carro a seguir ao almoço. Foram duas horas de sono profundo que pelo menos, permitiram que ele se aguentasse até ao corte do bolo dos noivos. Nas últimas horas de festa ainda pudemos ver fogo de artifício e dar um pezinho de dança, mas os meus pés deviam de estar inchados e as sandálias que levava estavam, literalmente, a matar-me! Chegámos a casa às dez da noite, com um C. sonolento e extremamente cansado, que mal caiu à cama, adormeceu numa questão de segundos - eu confesso que não sei como é que ele conseguiu aguentar tanto tempo. Hoje foi a minha vez de acordar sonolenta e cansada. Tenho um convite para uma festa de anos, mas não tenho vontade sequer, de me vestir. Por isso, não vou. Os noivos partem amanhã para as Maldivas (que inveja!! lol) e a mim espera-me mais um dia de trabalho. Falta menos de um mês para as minhas férias - comecei a minha contagem decrescente. Mais, aqui.

quinta-feira, abril 12, 2007

work worries




















Mais um post para falar de trabalho. Agora que o blogue se tornou privado, sinto que posso desabafar sobre este tipo de assuntos, porque antes havia pessoas daqui que o espreitavam e agora, acabaram-se esses vícios. (o que me permite ter muito mais liberdade para falar sobre uma série de outros assuntos que evito comentar com colegas)
Tenho chegado sempre cedo, tal como a chefe quer. Nos últimos tempos as minhas funções têm crescido. Noto que há da parte dela um interesse em que eu vá ganhando autonomia e as responsabilidades têm vindo a aumentar. Ela acha que qualquer tarefa que me dê para fazer é sempre 'extremamente importante' para o meu conhecimento pessoal e profissional, eu finjo que sim, mas na realidade, para mim é 'chapa cinco'. Para quem, durante dois anos, coordenou uma revista inteira sozinha, desde textos, passando pelas produções de moda e de beleza, escolha de imagens, concepção das páginas, etc., etc., isto é uma verdadeira brincadeira de crianças. Mas, 'whatever', cada trabalho é um trabalho independente do outro e apesar da experiência estamos sempre a aprender e eu gosto de aprender. Não me canso. Mas pronto, estava eu a dizer que as minhas tarefas por aqui têm aumentado e agora, todas as manhãs tenho de enviar uns relatórios para um dos nossos clientes. Ora, o meu computador daqui funciona a carvão, aliás, é pior do que isso. Bloqueia constantemente, apaga-se do nada, não liga... enfim, um verdadeiro teste à paciência humana (e eu tenho pouca). Demoro uma eternidade a abrir cada documento, a lê-lo, a fazer a filtragem e só depois de tudo pronto é que envio para a minha chefe verificar o mail e dar o seu 'aval'. Hoje começou a refilar comigo porque eram dez e meia da manhã e eu ainda não tinha aquilo pronto. Eu expliquei-lhe que estava a tratar do assunto desde as nove e meia - mesmo para ela ver que eu às 9h30 já cá estava - e que o computador também não facilitava. Ela virou-se para mim, com aquele ar petulante e diz-me: 'Pois, mas estes relatórios são para serem recebidos de manhã e o nosso cliente entra às nove'. Bem, fiquei com vontade de lhe apertar o pescoço, juro! Não basta eu ser a primeira da equipa a chegar, ela ainda remata a dizer que o cliente entra às 9h00! Acontece que o nosso horário de entrada é às 9h30 e eu não faço intenções de vir para cá mais cedo para agradar ao cliente, quando quem recebe os louros todos é ela!
Mas há mais! Desde que entrei para esta agência que sou a única account que não tem telemóvel. Não me perguntem porquê, mas nunca ninguém se preocupou muito com o assunto, apesar dos meus comentários e perguntas àcerca do mesmo. Ao início não dizia nada, mas quando comecei a ver que outras pessoas que entraram depois de mim já estavam servidas, comecei a ficar verdadeiramenre lixada! Quer dizer, eu fico calada com medo de perguntar, com medo de ser indelicada e sou tomada por parva. Acontece que não sou. Vejo tudo e muito bem, a maior parte das vezes não estou é para me chatear e adopto a postura 'low profile', mas hoje fiquei estupefacta com a lata. Senão vejamos: ontem voltei à carga com o assunto telefone junto da secretária da direcção. Ela disse-me que neste momento não havia autorização para comprar telemóveis, mas que havia um cartão da empresa. Caso eu arranjasse o aparelho, que o cartão era meu e ficava com uma linha da empresa atribuída. Tudo bem. Fiquei satisfeita. Tenho um telemóvel em casa que recebi numa apresentação à imprensa o ano passado, desbloqueado e o assunto parecia resolvido. Hoje pela manhã disse à secretária de direcção que tinha conseguido arranjar o aparelho, numa de 'passa então para cá o cartão'. Mas a resposta não foi a esperada. 'Ah, é verdade... ninguém sabe onde anda esse cartão e o director financeiro não dá autorização para se comprar mais nenhum cartão de telemóvel. Mas tenho aqui um cartão recarregável que pode ser teu! Tu pagas os carregamentos e depois apresentas nas despesas. Se quiseres, é a única maneira de teres telefone'. Fiquei parva! Não basta eu dar o aparelho, ainda tenho de pagar os carregamentos? Só podem estar a gozar comigo! E meto nas despesas? ahahahaha! Eu respondi: 'Desculpa, mas eu ando sem saldo no meu telemóvel há mais de uma semana e tu estás-me a dizer que além do meu, tenho de carregar outro telemóvel? Assim não há dinheiro que me chegue.' Ela disse que era a única hipótese e eu disse-lhe que ia pensar e que não lhe ia dar já a resposta. Mas já sei qual será. Não aceito. Não basta eu já ter de renda fixa 35 euros mensais para deixar o carro estacionado no parque para poder vir trabalhar sem me preocupar em receber multas, agora ainda teria de arcar com a despesa de recarregar telemóveis da empresa? É que ainda por cima a minha linha é TMN e a da empresa é Optimus... por isso estou mesmo a ver que os carregamentos seriam uma constante e dessa forma, não há ordenado que me valha!
Não dei parte fraca mas fiquei entre o lixada e o triste, porque nesta agência as coisas são assim: uns são filhos, outros enteados e eu faço parte da última categoria. Não recebo quilómetros extra como a maioria dos que aqui trabalham, não tenho direito a pôr o carro dentro do edifício, não tenho telemóvel nem nº de rede atribuído e se o quiser ter, tenho de o pagar!
E agora, digam-me, que resposta dou amanhã? Já pensei em enviar um email à minha chefe a dar conta da situação, porque lá está, se eu nunca me queixar, partem do princípio que estou bem - quando não estou! A directora geral não faz a mínima ideia se tenho ou não telemóvel ou se preciso de um, e a minha chefe, preocupa-se mais com o próprio umbigo ,do que em reivindicar o que quer que seja a meu favor, mais, ela acha que ao dar-me 'tarefas supé importantes' me está a fazer um favor...
Enfim, estou rodeada de gente fútil e muitas vezes, sem o mínimo interesse e hoje senti-me mesmo triste por isso. Tive saudades dos meus tempos de jornalista, em que também tinha muitas chatices com chefes, matérias, reportagens, falta de condições e afins, mas pelo menos via os meus textos e o meu nome publicado, os louros do meu trabalho, gostava daquele prazer silencioso de passar numa esplanada e ver que alguém estava a ler aquilo que eu tinha escrito. Era bom, muito bom. Tenho saudades.

terça-feira, abril 10, 2007

alguém me rifa?



Ontem, após o trabalho, tinha hora marcada para fazer um doppler, ou melhor dizendo, uma 'eco venosa' às pernas. E a verdade é que apesar de ainda não ter o resultado do exame, o prognóstico parece ir ao encontro daquilo que já se supõe lógico perante o cenário actual: a operação. A verdade é que eu, apesar dos meus 'tenros' 28 anos, tenho as pernas num estado lastimável... má circulação, antecedentes genéticos e familiares, pílula... e eis-me perante um cocktail explosivo de 'varizes' que se multiplicam ano após ano. O pior é que cheguei a um ponto em que me sinto verdadeiramente afectada pelo assunto e não me refiro a nível estético, mas sim do ponto de vista físico. No Verão as pernas incham, ficam pesadas se fico muito tempo de pé chego mesmo a ficar com febre, ou quando uso saltos altos durante muitas horas (neste momento as sabrinas são as minhas melhores amigas). Sim, eu confesso que quando vejo aquele anúncio da Corporación Dermoestética, em que a menina se passeia de saltos altos e de mini saia perante um grupo de amigas que vestem calças e collants opacos, eu sou uma das que usam os collants opacos! (são os meus segundos melhores amigos) Tudo isto é muito engraçado de se contar se for levado de ânimo leve, mas eu confesso que fiquei assustada quando a médica que realizou o exame, me disse, que a coisa é de tal forma 'grave', que o mais provável é a cirurgia 'ser ao corte' e não 'a laser', como sempre pensei. Fiquei para morrer. 'Mas claro que só o seu médico poderá fazer um prognóstico mais adequado', rematou. Eu conformei-me, mas estou em pânico. Já andei a fazer pesquisa na internet sobre a cirurgia venosa a laser e é relativamente simples e relativamente indolor, com um tempo de recuperação rápido (máximo de 3 dias de internamento), já a cirurgia 'tradicional', ou 'faca', leva o dobro do recobro, é mais morosa, mais gravosa, mais difícil... enfim, é tudo 'mais'.
Seja como for, terça-feira da próxima semana irei saber o desfecho desta história, apesar de intuir qual será o seu final mais previsível. Estou mesmo a ver que a minha semaninha de férias no próximo mês de Maio, será passada num quarto amarelo, com vista para os edifícios do Parque das Nações, num belo 'hotel' que dá pelo nome Cuf das Descobertas...
O melhor do dia: a minha conversa com a gaja R., no msg à meia noite e meia, em que a muitos quilómetros de distância, ela em Angola, eu em Portugal, gravávamos mensagens de voz uma para a outra e ríamos que nem umas perdidas. (sabiam que o msg dá para enviar mgs de voz? eu desconhecia completamente!!!) é super simples e fácil e o resultado é divertimento garantido. Tenho pena de não saber colocar som no blogue, porque caso contrário, 'mostrava-vos' algumas. Encheu a alma e atenuou as saudades, parecia que a tinha aqui ao meu lado. *


Mafalda, a revolucionária




















A Mafalda faz hoje 4 aninhos. Não eu, pois claro, mas a ‘infant terrible’ que tenho por hábito chamar de ‘sobrinha’ e que eu adoro de paixão! É incrível como o tempo passa e como os miúdos crescem! Há 4 anos atrás eu não presenciei o nascimento dela, porque para variar, estava em Madrid! Mas tenho fotografias dela pequenina, pequenina, com apenas um mês, ao meu colo! Como qualquer tia que se preze, mesmo que emprestada, encho-a de mimos e sempre que a visito, tenho por hábito levar-lhe um ‘bombom’. Tanto, que se me esqueço, ela faz questão de perguntar: 'Tia, hoje não há prenda?’, deixando a mãe dela terrivelmente envergonhada! Mas se isso acontecesse hoje, ela tinha direito a prenda, aliás, a duas, porque a da Páscoa está lá em casa à espera dela! Seja Natal, seja Páscoa, seja quando for, os dias que estou com ela, são geralmente sempre ‘dia de anos’, porque as prendas fizeram-se para as crianças e mesmo que seja uns lápis de cor e uns livros para eles rabiscarem, eles gostam e acham a melhor prenda do Mundo (nem que seja só por um dia!)
Segundo a mãe, com a qual já falei hoje a dar os parabéns, a Mafalda nasceu à tarde e à hora a que escrevo este post, já cá estava, a gritar a plenos pulmões! Tal como a mãe - com a qual partilha as semelhanças físicas - a Mafalda adora um bom pé de dança, vibra com música e canta as canções da Floribella de trás para a frente (para mal dos meus pecados!!) enquanto faz a coreografia. Fala pelos cotovelos, é toda despachada e quando está com sono fica extremamente rabujenta! O ano passado, pelas férias do Verão, foi acampar connosco e com os pais para a praia da Galé (já aqui mencionada) e adorou! Dizia: ‘Vamos para a casinha’, quando se referia à tenda e adorou as tardes na piscina, quer no camping, quer na nossa casa na Ericeira, onde também passou uns belos dias de Verão. A última vez que esteve na minha casa, aqui em Lisboa, foi no longínquo feriado do dia 1 de Novembro, altura em que conheceu um Gaspar pequenino e ainda meio assustado. Entretanto ele e ela cresceram, muito! E estão os dois, uns verdadeiros, ‘bebés grandes’.
Parabéns minha querida*

domingo, abril 08, 2007

páscoa




















A Páscoa adquiriu recentemente o estatuto de sinónimo de 'mini-férias' e não é para menos, eu por exemplo, desde quinta-feira que estou em casa e aproveitei grande parte do meu tempo a fazer uma coisa: dormir. Sempre fui dada a uma boa sesta, nesse aspecto, acho que os tempos que passei em Sevilha permaneceram para sempre e nada me sabe melhor do que meter o sono em dia. Nestes 4 dias, vinguei-me, mas mesmo assim fiz muita coisa. Senão vejamos:
. Fomos sexta-feira santa para cima, que é como quem diz até casa dos meus pais, nas Caldas. Chegámos perto da hora do jantar, pelo caminho ainda passámos em Torres Vedras e levámos as amêndoas à minha afilhada (que está enorme!!!). Às vezes acho que já não faz muito sentido dar ovos de chocolate a uma menina de dez anos, mas fico sempre baralhada nestas coisas, porque apesar de ela estar altíssima, para mim ainda continua a ser 'a minha pequenina'. Depois de uma curta visita de médico seguimos viagem. Pelo caminho recebo uma chamada desafiadora: 'uma saída só de gajas, queres, queres?' - dizia-me a voz do outro lado - e eu alinhei. O C. foi o primeiro a dar-me o 'aval da liberdade'. Eu sabia que ele estava cansado e que não fazia parte dos seus planos enfiar-se numa discoteca até às quatro da manhã, por isso, ele ficou sogadito no sofá e eu agarrei no meu antigo Clio estacionado à porta dos meus pais - porque quem o herdou foi a minha mãe - e voltei a sentir-me uma jovem solteira numa saída de sábado à noite. O meu pai não gostou muito da ideia: 'onde é que já se viu', dizia entre dentes, mas não me chateou a cabeça. (eu agradeço.) Foi assim que na sexta-feira dita 'santa', eu e mais três amigas, todas casadas e algumas mães de filhos, rumámos até à Foz do Arelho para uma saída nocturna na mítica discoteca 'Green Hill', a qual já não ia... ora, deixa-me cá ver... desde o Verão passado!
Ora, depois de tantos anos a sair sempre acompanhada, é um pouco estranho estar novamente sozinha com as amigas, numa espécie de 'girls just wonna have fun' em ambiente que me é familiar. A música estava horrível, não víamos nenhuma cara conhecida ou pelo menos, da nossa idade - ou era tudo mais novo, ou tudo mais velho - e como era mesmo noite de 'ladies night' lá do sítio, o mulherio bebia à borla e os homens aproveitávam para tentar a sua sorte, numa espécie de dança do acasalamento para a qual eu simplesmente já não tenho a mínima pachorra. No final da noite a música melhorou um pouco, rimos muito - disso não há dúvida - e viemos para casa o relógio apontava as cinco da manhã. Tal como uma adolescente, cheguei a casa a tentar fazer o mínimo barulho possível, mas o meu pai deu por mim... no outro dia não me livrei da boca: 'tu ontem chegaste tarde' - quando se tira a barriga de misérias é sempre assim! ;)
. Sábado o dia nasceu solarengo. Acordei cedo (para quem se deitou tão tarde) e depois do almoço decidimos ir ver o novo apartamento dos meus pais. (Tive imensa pena de não ter tirado fotos.) O nosso quarto está em tons de púrpura suave e apesar de toda a gente dizer que é o quarto que ficou mais bonito, (porque a minha mãe decidiu fazer 'cromoterapia' na casa e pintar cada divisão de uma cor!) eu ainda não consigo dizer se realmente gosto. Mas gostei da luz da casa, do espaço, da cozinha - que é linda - do hall de entrada do prédio, enfim, fiquei satisfeita por ver que os meus pais, aos 50 anos, têm finalmente uma casa nova. Em seguida rumámos até à Foz, mas desta vez para tomar café na esplanada do 7ª Vaga. A praia está mudada e o areal, outrora tão extenso, tem vindo a perder terreno para o mar. Todos os anos a praia muda de configuração, devido às correntes e devido à areia que vai desaparecendo. O ano passado fizeram um molhe, mas mesmo assim as coisas não têm melhorado. Depois de algum tempo na esplanada decidimos ir passear à beira mar. O sol estava agradável e convidava ao passeio. Rumo ao carro e eis-nos novamente a caminho das Caldas, passando pela estrada que percorre a lagoa de Óbidos rumo ao Nadadouro - que é simplesmente a minha favorita. Ainda pensei em ir visitar as minhas tias e avó assim que chegasse às Caldas, mas sentia-me tão cansada que quando cheguei a casa, enrolei-me no sofá a ver televisão e adormeci, só acordei com a minha mãe a chamar-me para eu ir para a mesa (pequenos luxos de quando se está em casa dos pais e não se tem de preocupar com o 'fazer jantar')
. Domingo de Páscoa... ora hoje esperáva-nos a visita dos meus sogros. O almoço era em família e pouco passava do meio dia, quando eles apareceram. Entre os muitos comentários que me deixam sempre meio aborrecida como: 'ai o meu filho está tão magrinho', eu lá ia ripostando com: 'se ele está magro não é por falta de comer em casa' ... mas sinto-me sempre desgastada com esta 'batalha verbal', porque nunca consigo ficar à vontade e estou sempre à defesa. O tema actual agora ronda os tão desejados netos... e eu lá vou tendo a calma de ficar calada enquanto oiço um desbobinar de conselhos e 'opiniões' no que diz respeito à educação, à guarda dos mesmos, às comidas, às brincadeiras... As dissertações são variadas e algumas deixam-me mais furiosa do que outras, mas lá vou tentando geri-las o melhor que posso, apesar de ficar sempre meio assustada, porque um dia que fique grávida sei que comparado com aquilo que oiço agora, isto será uma verdadeira brincadeira de crianças e aí, sim, terei motivos para me passar.
O almoço foi curto. O C. tinha de ir trabalhar às cinco e meia e eram quatro da tarde estávamos a vir para Lisboa. Desabou a chover durante a viagem, mas correu tudo bem apesar de o trânsito intenso já se fazer sentir. Quando chegámos a Lisboa, ele deixou-me em casa e seguiu caminho quase de seguida porque já ia atrasado. Depois de arrumar a quantidade louca de sacos e comida que pais e sogros me enviaram e de arrumar os estragos que o Gaspar insiste em continuar a fazer quando se apanha sozinho (desta vez entreteu-se a partir-me um candelabro e roer-me um individual de borracha), decidi ir refastelar-me a ler no sofá, o resultado? Uma bela siesta que durou até às oito da noite! E pronto, entre muitas horas de sono em dia, passeios e muita comida, intercalados por uma saída nocturna, a minha Páscoa foi assim. Passou rápido. E só de pensar que amanhã, segunda-feira já é dia de regressar ao trabalho fico em estado de ansiedade. E agora, como vou fazer para continuar a ter as minhas belas sestas?


quarta-feira, abril 04, 2007

universo feminino


Há coisas curiosas na natureza humana. Coisas que me fazem muitas vezes parar e reflectir, apesar de a maior parte das vezes me rir com elas e nem pensar muito no assunto. Habituamo-nos a lidar com certos ‘clichés’ ou ‘sabedorias populares’ previamente adquiridos, para depois apenas acenarmos a cabeça em jeitos de concordância e pronto, deixando-nos levar pela maré. Uma delas é a eterna relação ‘entre mulheres’ ou num estágio mais avançado ‘sogras vs noras’, o que também não deixa de estar incluído na primeira categoria. Diz-se que trabalhar com mulheres é complicado, que muito mulherio junto dá sempre problemas, que mulheres chefes são piores com as outras mulheres, que os homens no trabalho são mais cavalheiros e tolerantes, mais justos e práticos e eu não posso deixar de concordar com tudo isto, porque já passei (e continuo a passar) por situações dessas no meu dia-a-dia. Já trabalhei em ambiente só de homens e só de mulheres. Guardo melhores recordações da primeira, mas também tenho consciência de que as mulheres são aquilo que elas quiserem ser, uma faca de dois gumes, enquanto que os homens são como são e pronto, não enganam. As mulheres conseguem ser dúbias, cínicas, sonsas, intriguistas, invejosas, mas também as há amigas sinceras, prestativas e verdadeiras. No entanto, quando o ambiente é de trabalho todos mudam. Também há homens intriguistas e com todos os defeitos anteriormente mencionados, as mulheres, na minha opinião, são é mais inteligentes na habilidade da subtileza. Mas quando a relação de mulher para mulher (como dizia a canção pimba da Romana) evolui para a relação de ‘sogra vs nora’, a coisa ganha outros contornos. Há quem as odeie e quem tenha sorte, há quem se ame (uma rara minoria) e quem não se suporte, mas conviva de forma mais ou menos pacífica (ou disfarçada sob um ambiente de guerra fria) para não prejudicar o ambiente familiar. Ora, toda esta conversa para dizer que esta rivalidade feminina, chamemos-lhe assim, parece encontrar a sua forma máxima já no próprio útero. Hoje, acabadinha de chegar da hora do almoço, deparei-me com a seguinte conversa entre colegas: ‘Os meninos deixam as mães bonitas, ao contrário das meninas que deixam as mães inchadas, com manto na cara e gordas’. Ora eu já conhecia esta teoria, mas o que mais me fascina é que são as próprias mulheres a acreditarem nela e a fomentá-la, além disso, se tivermos em conta que quem estava a ter esta conversa eram as minhas colegas ‘novinhas’ (ou seja, com idade inferior a 24 anos), mais eu me convenço de que afinal esta relação de ‘empatia’ feminina já é uma coisa quase visceral, que nasce connosco, que já vem de dentro. Será por isso que as mães de filhos homens desenvolvem uma relação tão especial com eles que permanece para toda a vida? Será por isso que a maior parte dessas mães de filhos homens posteriormente se transformam em sogras intragáveis e possessivas? Será que é porque nós, mulheres, sabermos à partida que um filho homem, será sempre o nosso homem para toda a vida? Ou porque também sabemos, à partida, que a relação com outra mulher, por muito boa que seja, nos deixa sempre em determinados momentos com um certo amargo de boca? Ou melhor, será porque durante a gravidez comemos que nem umas lontras e depois se for menina, a culpamos pelos quilos a mais? Será que até no ventre temos de pagar pelos pecados das outras mulheres? Não sei, mas estas coisas todas e a conversa vigente, fez-me pensar neste turbilhão que é o universo feminino.

segunda-feira, abril 02, 2007

Um post sobre nada e sobre tudo



É quase meia noite e eu não resisti a vir dar um saltinho ao computador. O C. está alegremente entretido na sala a jogar playtation e depois da vitória do seu Sporting, nem me atrevi a implicar com ele por estar em pleno horário de 'partilha comum', agarrado ao seu maior vício! Por isso, se ele está alegremente entretido, eu achei por bem, também entreter-me e vir dar asas à escrita, o meu único escape. Chove a potes neste preciso momento. Consigo ouvir a chuva a bater forte na janela da cozinha. O Gaspar dorme descansadamente ao meu cólo. Desde que cheguei que não me larga (nunca tive um gato tão carente de atenção). Já preparei tudo o que é necessário para enfrentar amanhã, mais um dia de trabalho. (roupa, almoço, etc, etc). Falei com a minha mãe e sogra ao telefone - um dois em um, tudo num só dia (lembraram-se ambas de me ligar) e fiquei a saber que na Gestosa faz frio e nas Caldas chove e troveja (elas insistem em dar-me a actualização meterológica). Falou-se também sobre a Páscoa - o tema mais recorrente nos últimos tempos - e ainda não sabemos muito bem como vai ser connosco, tudo dependerá do C. ir ou não trabalhar no Domingo. Custa eu sei, mas lá terá de ser.

No trabalho o dia foi calmo, mas as horas pareceram-me uma eternidade a passar. O que vale é que a semana é curta e quinta-feira há tarde livre e almoço de convívio (uma benesse da Sra. directora). E eu agradeço.

Hoje o tema do dia foi 'corte e costura' nos Globos de Ouro da Sic. O vestido branco da Bárbara Guimarães, a Floribella que parecia que levava o cortinado lá de casa, ou que tinha decidido saltar de paraquedas embrulhada num trapo verde, a Rita Ferro cuja transparência do vestido deixava antever os mamilos, and so on... o mulherio quando se junta é do piorio! E o que nos rimos durante o café matinal, notáva-se ali um verdadeiro sadismo global no puro prazer do 'maldizer'. Até lavámos a alma.

De regresso a casa decidi ouvir Maria Rita em altos berros enquanto fazia o jantar. O que me soube bem e depois, o gajo - que é como quem diz o C. - chegou a casa e dos gritos da Maria Rita, passei para os gritos em frente ao televisor - dele, claro, enquanto via o jogo. Frequência alternada e eis-me entretida com os meus próprios botões durante o tempo em que estive ao fogão a cozinhar o jantar, enquanto ele apenas dáva um ar de sua graça no intervalo do jogo e me vinha perguntar: 'precisas de ajuda?', ou se oferecia para lavar a loiça como descargo de consciência. Eu registei o comportamento, mas não teci comentários. 'Deixa-o estar' - pensei cá para comigo. E pronto, ganhámos 2-0 e o rapaz ficou satisfeito.
Aqui pelo bairro onde vivo, existe uma creche rodeada por bonitas árvores frondosas, mas neste preciso momento já só existe a dita creche, sem árvores. Cortaram-nas todas, coisa que me provocou uma verdadeira afronta! Então mas isso faz-se? E nem sequer avisam nem nada? Confesso que fiquei indignada! Mas mais arreliada fiquei, quando pude constatar que quem mandou cortar as árvores, deixou os restos das mesmas a ocupar a estrada. Eu até consigo visualizar um motivo lógico para o corte das ramas, mas não uma explicação plausível para fazerem-no agora. Durante o Inverno e nos dias de vendaval, por vezes acontecia algum galho se partir e cair em cima do capôt de algum carro que se encontrasse estacionado por baixo. Chegou a acontecer connosco e à conta disso, o carro do C. ganhou uns riscos na pintura, deixando-o a espumar pela boca. O corte de certas ramas fazia sentido, mas talvez fizesse mais sentido no Inverno, para evitar que isso tornasse a acontecer. Mas não. As árvores e as ramas continuaram intactas... até esta semana, altura em que decidiram cortá-las pela raiz. Já não há ramas, nem folhas, nem troncos, nem árvores. Não há nada. No lugar das árvores existe agora um vazio... enorme! E os despojos, sob a forma de galhos secos encontram-se depositados pelo chão... quais lágrimas de dor.
Ontem andei a 'cheirinhar' uns cds de tralha que tinha aqui esquecidos pelo escritório e dei de caras (que é como quem diz 'encontrei') estas fotos, da Praia da Galé, Verão de 2004! Não resisti a mostrar algumas! Foram umas férias óptimas, no sítio que já se tornou um 'habitué' todos os anos. Verão não é Verão sem o fim-de-semana de camping na Praia da Galé na Costa Vicentina e nós, para não fugirmos à tradição, continuamos a ir para lá, ano após ano. Chinelo no pé, biquíni, tenda, colchão, noites mal dormidas, muita praia e convívio, são ingredientes sempre presentes e a verdade é que eu, que nem sou uma rapariga muito dada a campings, duches frios e comuns a meio mundo, comida enlatada e excesso de sal no corpo, simplesmente adoro!
Confesso que por momentos, tive saudades do Verão...

domingo, abril 01, 2007

do fim-de-semana




















Os fins-de-semana cá em casa resumem-se de há uns tempos para cá, apenas a um dia. Isto porque o C. trabalha sexta-feira à noite até às tantas da manhã e ao Domingo, o dia todo. Quando começámos a namorar, comecei a habituar-me a estes horários de gente louca, mas sempre me fizeram confusão. Depois as coisas acalmaram e durante dois anos ele teve um horário 'decente', em que pelo menos me chegava a casa a tempo de jantar. Agora as coisas voltaram a retroceder. Os horários voltaram a estar enlouquecidos e eu, a passar muito mais tempo sozinha em casa. Eu sempre fui uma pessoa que gosta de ter tempo próprio para si - coisas de filha única - e não me importo de passar horas sozinha porque sempre encontro com que me entreter, mas confesso que o que mais me chateia são mesmo os fins-de-semana. Porque se antigamente os aproveitávamos com longos passeios, escapadinhas e afins, agora, ficamo-nos por Lisboa e pouco mais. Além disso, a expressão mais comum do C. é 'estou cansado', ou 'tenho sono', o que não é de admirar dado o número louco de horas que trabalha. Ora, talvez eu esteja numa fase egoísta, mas confesso que não gosto de passar os domingos sozinha e que o fds me parece sempre um coisa insípida, que o Sábado por mais preenchido que seja, não consegue colmatar.
Ontem decidimos ir até ao Moínho D. Quixote, perto do Cabo da Roca. Já tinha falado neste café-bar por aqui, até porque adoro ir lá, apesar da distância. Gosto de imaginar que um dia também terei um espaço assim, com scones caseiros, gatos que se deslocam por todo o bar e convivem com as pessoas - não pedindo licença para se sentarem - e musiquinha ambiente ao som da lareira crepitante. Depois do tempo de relax necessário, decidimos seguir caminho e dar um saltinho até Colares, parando no tradicional pão com chouriço e seguindo viagem até às Azenhas do Mar, enquanto nos refastelávamos com a gula saciada. Adoro aquela zona e fico sempre invadida com um misto de tristeza, quando vejo autênticos casarões da antiga burguesia, abandonados em estado de decomposição avançada, com uma magnífica vista sobre o mar. De regresso a Lisboa decidimos ir jantar ao Assuka, seguindo-se uma sessão de cinema - o qual já não fazíamos há muito tempo! Comprámos os bilhetes antes da janta - para salvaguardar os lugares - e fomos descansaditos até ao restaurante a pé, apesar do frio cortante que se fazia sentir. (Por causa disso hoje ando de pingo no nariz).
A ementa escolhida contemplou chá verde torrado, Takamis, Califórnia, Raviolis grelhados e Sashimi. Lambemos os dedos com o gelado de feijão enrolado em crepe - desconheciamos e ficámos fãs - e terminámos com o cafézinho da praxe. Seguimos até para o El Corte para vermos o último filme do Hugh Grant e da Drew Barrymore - Music & Lyrics - como não havia nada que me despertasse a atenção ou a curiosidade, e como não conseguíamos chegar a um consenso na escolha, decidimo-nos por este, que aliás, se revelou numa deliciosa surpresa. É leve e dá para descontrair dando umas gargalhadas. Não há dúvida, os anos 80 são o epíteto do mau gosto. (mas eu adoro as músicas!lol)
E pronto... agora que o C. já foi trabalhar, eis-me aqui agarrada ao computador, 'alone' e apenas acompanhada pelo Gaspar e pela Magali - que insistem em sentar-se em cima do teclado. Sinto-me a alternar entre o aborrecida e o triste e nem mesmo a escrita se revela fácil nestas alturas. Queria ir entreter-me a fazer colares, mas acreditem, não tenho a mínima vontade, apesar de a semana passada ter comprado mais material que gostaria de pôr em prática. A única coisa boa do dia de hoje foi mesmo a surpresa desta menina. A Estrelinha enviou-me uma foto dela em Amesterdão com uma das minhas criações! Um colar verde e castanho, que ela me pediu para fazer há uns meses atrás e que eu até coloquei online antes de lho enviar. A foto é magnífica e eu fiquei babadíssima! (mas é apenas para minha própria visualização, sorry!)
Agora, se o colar que me passou pelas mãos já lá está, só falta mesmo eu ir a seguir...
(sim, porque ando a desesperar por férias... e enquanto as mesmas não chegam, em Maio, e se não tiver de ir 'à faca' (mas isso é outra história para outro post que deixo mais para adiante), gostaria de ir até algum lugar bonito...)
Suspiro*


quinta-feira, março 29, 2007

Anjo da guarda





















Conheci a Diane por mero acaso, ou porque acredito, o destino nos juntou, a muitos quilómetros de distância e a partilharmos uma doença comum. Ela na Bélgica, eu em Portugal, mas com experiências de vida provavelmente muito idênticas. Há dois anos andava eu a pesquisar sobre o meu problema de pele quando fui parar a um fórum norte-americano sobre a doença. Fiquei fã desde o primeiro dia, até porque em Portugal não existe qualquer tipo de informação disponível que me possa simplificar a vida. Sempre que ia ao médico, sentia que eu sabia mais sobre a doença do que eles – o que não é de estranhar, pois sou eu que vivo com ela todos os dias – e tirando a minha mãe, portadora do mesmo problema, nunca conheci ninguém como eu. (Não existe mais nenhum outro caso na família) O meu problema de pele é uma doença pouco ou nada conhecida. Chama-se Ictiose e é uma doença hereditária e de base genética – através de um processo de má formação dos genes da pele na altura da concepção do feto. Não é contagiosa, apesar de muitas pessoas olharem para as minhas mãos - a parte do meu corpo mais exposta - de forma estranha ou maliciosa. É sim, uma pele extremamente seca, descamativa e rugosa, necessita de hidratação constante e de cuidados excessivos. É uma doença que não me impossibilita de levar uma vida aparentemente normal, apesar de as atenções e cuidados que lhe dedico, serem tudo, menos normais. Acho que durante toda a minha vida sempre lidei bem com o assunto, apesar de durante a adolescência ter tido imensos complexos, medos e fraquezas – mas também, qual é o adolescente que não os tem? A minha mãe sempre me tentou aconselhar o melhor que podia, porque também ela sofre do mesmo e por causa disso, apenas teve um filho. (moi memme) A doença, por ser genética, tem fortes probabilidades de passar para todos os filhos que um casal tenha. Mas também pode acontecer, nascerem livres da doença, apesar de serem poucas as hipóteses. É aqui que a Diane entra. Depois de nos termos conhecido no fórum americano, trocámos emails e mantivemos a comunicação. Sei que é casada, um ano mais nova que eu e sofre de um tipo da doença bem mais gravosa que a minha, a Ictiose Bulhosa – que apesar de ter todas as características da minha, tem também propensão para ganhar bolhas e feridas. E acreditem, é muito doloroso. Todos os problemas de pele são dolorosos (não querendo menosprezar as outras doenças), mas a pele, por estar tão exposta e nos cobrir o corpo todo, é particularmente difícil de lidar, mexe com a nossa auto-estima, com o nosso bem-estar. A Diane, ao contrário do que aconteceu comigo, não consegue arranjar emprego – nesse aspecto nunca tive queixas e sempre tive facilidade - sempre me contrataram pelas qualidades demonstradas e não apenas por uma questão estética, mas nem sempre é fácil, acreditem. Além disso, tento que a doença seja o mais despercebida possível aos olhos alheios, mas nem sempre isso é contornável e comentários e perguntas indelicadas proliferam - felizmente já estou habituada a lidar com elas e a adoptar o meu escudo protector de defesa.
O Verão é provavelmente, uma das épocas do ano que mais odeio, porque além da exposição do corpo ao sol, estou, eu própria, muito mais exposta aos olhares alheios. Tudo isto para dizer, que agora, aos 28 anos e com o desejo profundo de ser mãe, tenho de pensar duas vezes antes de dar esse passo, porque sei que ao ter um filho, ele pode vir exactamente como eu e se o pudesse evitar, seria uma pessoa mais feliz. Foi a Diane que me falou na técnica do embrião geneticamente modificado, que ela própria na Bélgica estava a realizar. Através de um estudo genético e detalhado da doença e da fertilização in vitro, pessoas como nós, conseguem ter filhos saudáveis. Foi graças à Diane que eu comecei a investigar as possibilidades de o realizar em Portugal e lutei, literalmente, contra médicos especialistas, com a minha força de vontade, pois cruzei-me com alguns que me demoveram da ideia, ou simplesmente se afastaram, não querendo ajudar-me. Foi graças a uma reportagem da Sic que descobri o Dr. Mário no Porto, um dos maiores especialistas a nível mundial na técnica e que me voltou a renovar o coração de esperanças. Foi graças à Diane que soube que na Bélgica, se quisesse, podia fazer o tratamento e será, graças à Diane, que um dia terei um filho (ou vários) saudáveis. (my fingers are crossed)
A Diane vem a Portugal passar férias em Maio e Junho e vamo-nos encontrar pela primeira vez, depois de dois anos de troca de experiências, angústias e de uma doença em comum. A Diane vai na 5ª tentativa de fertilização in vitro, na Bélgica, e não esmorece perante a adversidade dos tratamentos. No outro dia, perguntei-lhe se todo o processo era difícil, se provocava muita ansiedade, se era doloroso. Ela respondeu-me: ‘Comparado com aquilo que passamos com a doença e no nosso dia-a-dia, isto não é nada. Nós somos pessoas fortes, se aguentamos isto, aguentamos tudo’. Eu concordo.
Acho que algo ou alguém colocou a Diane no meu caminho com um forte propósito e eu agradeço. Talvez ela não tenha consciência, mas já fez mais por mim, do que muitas pessoas que conheço.
(Acho que só agora, que sei que este blogue é privado, ganhei coragem para falar sobre este tipo de coisas, tão intímas e pessoais, que mexem tanto connosco. Mas também acho, que é falando delas, que se desmistificam as coisas, se informa as pessoas e nos libertamos de velhos fantasmas. Por isso, se acharem estranho este meu post, vejam-no como uma catarse, uma forma de libertação de mim mesma, porque sinto, efectivamente, necessidade de falar sobre isto... Neste momento o meu DNA já seguiu para a Bélgica, em Antuérpia, para a realização do estudo genético, daqui a alguns meses poderei ter notícias e aí, finalmente, começar a fazer os tratamentos in vitro, no Porto. Não vejo a hora. Espero no próximo ano conseguir, finalmente, ter o tão desejado baby... se tudo correr bem.)

descubra as diferenças



















1ª Foto: Outubro de 2006
2ª Foto: Março de 2007

O trabalho tem coisas chatas, mas de vez em quando também tem momentos divertidos e de paródia. Por aqui, a ‘palhaça’ da agência é a A., louca como só ela sabe ser. Sempre que existem fatos de animação no armazém, lá vai ela vesti-los, desfilando à nossa frente e pondo toda a gente a rir. Hoje foi de lontra, mas já a fotografei vestida de Noddy, de Aladino, de palhaça, de peruca loura e casaco de pêlo… enfim, ficam as fotos, uma em Outubro e outra do dia de hoje, uma com o cabelo comprido, comprido, outra com o cabelo curto, curto…
É impressão minha, ou eu na segunda fotografia pareço mais gorda? Ááááá
(é da roupa, é da roupa).

despojos laborais



















Afinal, o problema que mencionei no meu último post já se encontra resolvido. A comunicação voltou a ser estabelecida, segundo os moldes a que estávamos habituadas, por isso, voltámos a falar de forma mais ou menos intensiva durante o dia e os meus dias voltaram ao que eram, menos sozinhos e mais confortados. (é incrível como ficamos dependentes destas pequenas coisas). Ao que parece tudo não deve ter passado de uma má configuração do sistema, ou do facto de ela ter mudado de computador nesse mesmo dia. Só o envio de mails dela para o meu endereço electrónico do trabalho é que pelos vistos, continua bloqueado. Enfim… não se pode ter tudo.
Por aqui no trabalho, ontem fui ‘agraciada’ pela minha chefe logo pela manhã. Tudo porque cheguei mais tarde do que a ‘hora de entrada’. Mesmo tendo enviado um sms a avisar que estava atrasada, não me livrei de um mailzinho na minha caixa de correio a chamar-me a atenção. Desfiz-me em desculpas, brinquei com a situação, bati com a mão no peito em sinal de ‘mea culpa, mea culpa’ e pronto, só não enfiei a cabeça na areia, qual avestruz, porque não mo pediram – senão também fazia! Mas fiquei lixadíssima! Primeiro, porque as duas pessoas que tenho como colegas na minha equipa de trabalho, nunca chegam antes das dez da manhã (quando não é mais tarde), eu claro, como sou a mais nova e porque, como a própria disse: ‘moro aqui ao lado e não apanho trânsito’, não tenho motivos para chegar atrasada. Elas como vêm de Cascais, aparentemente, podem fazê-lo… adiante! Expliquei, também por mail, que achava que o meu trabalho nunca tinha sido posto em causa por chegar dez ou vinte minutos atrasada – porque se temos horas para entrar, nunca o temos para sair – e que quando isso acontecia, tentava sempre compensar de várias outras maneiras. Respondi num tom leve e descontraído e até brinquei com a situação. Ela riu-se (mas não perdoa, que eu sei) e o resto do dia seguiu calmamente. Hoje, sabia que tinha de chegar à hora marcada e que muito provavelmente a ‘fiscal’ chegaria cedo também, para se certificar. Stressei bastante para me despachar, passei uns quantos sinais ‘amarelos-vermelhos’, corri – literalmente – até chegar ao edifício, desesperei à espera do elevador e quando aqui cheguei não estava ninguém da minha equipa de trabalho! (mas porque é que eu não fiquei surpreendida?) ambas chegaram depois das dez da manhã!! Mas claro, eu é que me esquecia, que é que tenho de cá estar às 9h30…
A única coisa boa do dia: o encontro pós laboral com a L. e a H. no nosso velhinho e conhecido Irish Pub, na Rua dos Remolares – o O´Gillins – para uma animada conversa de gajas, que durou até às 9h30 da noite! Soube bem, mesmo, mesmo, muito bem.

terça-feira, março 27, 2007

interdição



















Todos os dias, desde há muitos anos, que eu e a minha querida amiga 'Cabeça' - assim apelidada desde os tempos da faculdade, altura em que fizemos fortes laços de amizade que perduram até aos dias de hoje - trocamos mails de forma constante durante o dia de trabalho. Quem me lê poderá pensar que isso atrapalha o meu ritmo e o meu desempenho, mas não, entre uma coisa e outra e sempre que o trabalho o permite, lá vamos pondo a conversa em dia, falando dos assuntos mais banais e triviais, desabafando, relatando episódios que vão sucedendo à medida que as horas passam, sabendo como é que o estado de espírito da outra se encontra, em suma, falando através de email, de tudo aquilo que o tempo, a vida e as oportunidades não nos permitem. De há uns tempos para cá começámos a ter problemas com esta nossa troca de e-mails intensiva. Começou com a minha mudança de trabalho e de respectivo e-mail. Quase todos os dias havia problemas e raras eram as vezes em que conseguíamos contactar através dos nossos correios electrónicos. Depois de muito insistirmos junto dos help desk das respectivas empresas para nos resolverem o problema, e de desesperarmos à espera de uma resposta que se revelava quase sempre nula e sem solução, decidimos passar ao plano B e arranjar um email alternativo que nos permitisse continuar a converseta. Assim foi. Eu comecei a enviar-lhe e-mails da minha conta do Yahoo e a coisa correu lindamente até... hoje!
A rotina foi a mesma de sempre: chegar ao trabalho, ligar o computador, abrir o outlook (do trabalho), o messenger, ir beber café, fazer um bocadinho de conversa com os colegas e rir logo pela manhã para começar bem o dia e depois, quando regresso à secretária, mandar um mail de 'Bons dias' à minha 'Cabeça' e esperar que ela me responda. E ela respondeu e durante uma meia hora, trocámos uns 3 ou 4 emails até que ela me disse: 'vou ter um novo computador, por agora vou parar de mailar' e pronto, foi a deixa para eu saber que durante algum tempo não iria ter notícias dela. E esperei, esperei e esperei e nada. A resposta não chegou... ou melhor, chegou sob a forma de sms com uma triste notícia: a nossa comunicação electrónica tinha sido novamente interceptada. Fiquei mesmo triste. Nós já andávamos desconfiadas dos informáticos da empresa dela, mas desta vez tinha sido flagrante. Ao trocarem-lhe o computador, bloquearam-lhe o acesso de envio de email para o meu correio electrónico e assim, limitaram as nossas conversas.

Claro que eu sei, que como entidade patronal, eles têm o direito de o fazer, alegando convenientemente, que tamanha forma de comunicação intensiva, coloca em causa a produtividade das respectivas trabalhadoras... Mas também sei - até porque eu também já trabalhei na mesmíssima empresa onde ela trabalha - que não há ninguém dentro daquela casa, mas ninguém, que não utilize o mail para conversas pessoais, muitas vezes a roçar o ordinário e o engate barato, para os mais diversos fins... e não é por isso que lhes bloqueiam os respectivos emails.

Toda esta explicação dos factos, para desabafar que este episódio 'cibernético' me deixou bastante triste durante toda a tarde. Falar com ela é quase como um ritual. Sem esse pequeno grande pormenor, o meu dia fica bem mais pobre e triste - basta dizer que quando uma de nós vai de férias, o Outlook da outra perde vida e deixa de fazer sentido. Sem as minhas conversas diárias com a minha 'Cabeça', a tarde custa a passar, as horas arrastam-se e o trabalho torna-se monótono e enfadonho. Esta conversa pode até soar a 'novelesca' barata, mas é verdade. Partilhar com ela o meu dia e os seus pequenos pormenores insignificantes, fazem-me sentir feliz, ler as suas piadas sarcásticas ou o seu humor caústico, são deliciosos momentos de pura cumplicidade. E pensar, que a partir de amanhã, os meus dias não serão iguais a tantos outros dias, vazios muitas vezes de sentido mas cheios de significado, provoca em mim um alastrar de tristeza profunda.

E ainda agora, passadas tantas horas, não consigo conformar-me.

ps - Se a minha escrita soar a muito rebuscada, mais do que um estado de espírito, tem uma certa explicação lógica - voltei a reler 'Os Maias' e acho que de certa forma, toda aquela descrição minuciosa do casarão O Ramalhete, ou das vestes ricas e detalhadas da Maria Monforte, a 'Negreira' - como é apelidada -, despertou em mim o fervor da escrita elaborada e o recalcado desejo de um dia saber escrever assim, permitindo-me sonhar com a edição do tão desejado livro...



domingo, março 25, 2007

precious moments



Este fds pude matar saudades dos pais e dos amigos. Foi uma visita quase de médico, intercalada apenas pela permanência de uma noite, mas o suficiente para rever caras que nos fazem sentir em casa, mesmo que a maior parte das vezes a comunicação seja breve e quase não dê para falar de tudo aquilo que devia de ser falado, com a calma e o tempo próprios dos bons momentos. Revi a minha sobrinha, que segundo palavras da própria: 'Já tinha saudades do tio C. e da tia Mafalda' - só isso já fez valer a pena a viagem - e ter feito o esforço de sair, mesmo quando estava frio e a preguiça pendia para ficar em casa.
Dentro de três semanas faz quatro anos... o tempo passa realmente a voar.

sexta-feira, março 23, 2007

sôdade




















Ando com umas saudades loucas do México. De vez em quando aperta forte. Tanto, que um dia destes à noite, pedi ao C. para colocar alguns dos vídeos que fizemos quando estivemos por lá. E pronto, pude chorar por dentro ao ver novamente aquele magnífico hotel, aquela magnífica praia, aquelas magníficas águas azuis turquesa, quentinhas e cheias de peixes que me vinham mordiscar as pernas, aquela magnífica selva densa e fechada, cheia de humidade, aquela magnífica comida, aquelas magníficas piña-coladas (bebi tantas, cada vez que me lembro!), aquela magnífica gente, simpática, calorosa, afável, de tez morena e cabelos e olhos negros, daquelas magníficas cores quentes, dos tons de terra, da cerâmica cheia de vida, do tom alegre em que se vive, do legado que deixaram ao mundo com as suas fantásticas ruínas Mayas.
Talvez seja porque ando cansada e cheia de vontade de sair do país para umas merecidas férias, talvez seja por saber que neste momento não tenho disponibilidade financeira para voltar a fazer uma viagem daquele calibre, talvez seja porque esta semana, num canal da TV Cabo, estava a dar um documentário sobre a Riviera Maya e os sítios por onde eu tinha andado, mas sinto uma ligação muito especial com o país e sinto saudades, daquelas dolorosas, que massacram e fazem doer, com um desejo muito forte e latejante em querer voltar. Ficam as fotos, as saudosas fotos. É por isso que eu fotografo tudo, porque a saudade diminui sempre que as vejo.
Não há maior legado.

quinta-feira, março 22, 2007

vitamina C




















Os pais do C. passaram logo bem cedo lá por casa com o ‘fornecimento’ a que já nos habituaram. De cada vez que vêm a Lisboa, a casa, a dispensa e o frigorífico, ficam recheados de tudo o que a terra lhes dá. Batatas, cebolas, couves, laranjas, maçãs, limões, tangerinas, azeite, vinagre, azeitonas, alface, tomates, salsa, ovos e até, flores. A mãe do C. sempre que pode, traz-me flores – umas vezes lírios, outras vezes camélias, margaridas e tudo o que lhe vai nascendo no jardim - porque sabe que eu gosto de ter as jarras sempre coloridas e com flores naturais. Tudo o que nos trazem é 100% natural, não leva produtos de qualquer espécie e isso nota-se no paladar. Outros acepipes fazem parte da ‘bagagem’, como doce de abóbora caseiro, de tomate, de amora (o meu favorito) e o pão-de-ló feito com ovos fresquinhos, amarelinho e fofo, que quando vem, nunca dura mais de dois dias e pelo qual, todos os amigos ‘salivam’. Por isso, hoje de manhã, enquanto arrumava a quantidade monstruosa de sacos que nos deixaram à porta, não resisti a fotografar estas laranjas, ainda com as folhas, apanhadas directamente da árvore. Acho que para quem me lê, posso considerar-me uma privilegiada.
Ontem, jantar de despedida da R. e do A., com troca de fotografias do casório e abraços apertados. Agora só os veremos para Agosto, altura em que regressam a Portugal. Não se derramou lágrimas, mas os olhos andavam húmidos, a quererem atraiçoar-nos na hora do derradeiro adeus. Ela estava bonita, com uma expressão luminosa de felicidade, ele também. Caso para dizer, o casamento fez-lhes bem.

terça-feira, março 20, 2007

moments



















O casamento da R. foi este Sábado. Ela ia linda e eu emocionei-me ao vê-la. Já passámos por tanta coisa juntas que agora, vê-la assim, tão ‘crescida’ e mulher, me fez recordar todos os momentos, todas as cumplicidades, confissões, angústias, conversas, partilhas e momentos que tivemos e vivemos. Lembro-me de estarmos as duas em Alpalhão, debaixo de um céu estrelado, sentadas cá fora em cadeiras de campismo, enroladas em mantas e a falar sobre os desaires amorosos. Lembro-me de estarmos em Sevilha, a experimentar vestidos aos folhos e coloridos no El Corte Inglés, dos passeios de bicicleta à beira rio, de dançarmos divertidas na Féria, das noites de flamenco na Carboneria, dos jantares na casa da Cármen e do Paco, de dormir na sua cama apertadinha e no seu quarto do Cacém. Lembro-me das discussões em plena rua, ou de quando ela chegava mais de duas horas atrasada a um encontro, deixando-me furiosa. Lembro-me da sua espontaneidade, da sua leveza, da forma como sonha acordada. Lembro-me de tudo e tenho medo que o tempo me apague a memória como já o fez com tantas outras coisas.
A R. vai para longe, mas espero que nos leve no coração, bem guardados, a todos.
Porque ela ficará sempre no meu.

sexta-feira, março 16, 2007

despedida

Devido a uma série de situações que têm vindo a acontecer de há algum tempo para cá, tomei a decisão de que este espaço, canto, blogue, diário, whatever, sobre mim, o meu mundo, vida e pessoas que me rodeiam, será definitivamente encerrado. Por isso, não estranhem, se nos próximos dias este endereço desaparecer do mapa… Eu decidi ‘partir’ para outro endereço, outro canto, diário, blogue, whatever, desta vez menos exposta e desconhecida perante os olhares alheios e demasiado curiosos.
Espero que tenham gostado tanto de me ler quanto eu gosto de aqui escrever.
Até um dia destes.*

quinta-feira, março 15, 2007

pleasures


















Se há coisa que gosto nestes primeiros dias de sol primaveril, é do cheiro a flores que invade a rua à noite e que é pura e simplesmente, dos meus cheiros favoritos. Quando as flores começam a desabrochar e as noites a ficar mais quentes, nota-se no ar, que fica logo com outro perfume e à noite, quando chego a casa, entre o estacionar o carro e o percurso realizado até entrar no prédio, relaxo e acalmo apenas com um simples cheiro a flores que invade o bairro todo e me deixa de sorriso nos lábios. E depois há qualquer coisa de catártico com os primeiros raios de Sol primaveris, que nos deixa bem dispostos e com vontade de andar na rua, nem que seja durante a hora de almoço, enquanto se recupera energias na esplanada perto do local de trabalho. Sábado é o grande dia da R. e eu ando mortinha para que chegue, porque quero divertir-me com os amigos, tirar muitas fotos, brindar aos noivos, dançar muito, rir-me outro tanto… há qualquer coisa de muito especial quando assistimos aos casamentos dos nossos melhores amigos. Pelo sim, pelo não, acho que tenho de levar uma caixa de klenexs

domingo, março 11, 2007

Full


Ontem foi um dia preenchido pelo convívio intenso com os amigos e pelas surpresas que se adivinhavam. Começou logo bem cedo, quando 16 pessoas decidiram meter-se a caminho até Constância para fazer uma festa surpresa à H., pela comemoração do seu 30º aniversário. Ali, bem longe da capital e um pouco perdido pelo bucolismo e sossego campestres, surpreendemos a aniversariante (incluíndo familiares e amigos), quando a mesma se preparava para comer num restaurante medieval. E eis-nos, ali, a entrar um por um para a ver quase chegar às lágrimas com a excitação. Foi uma tarde bem passada, entre as conversas 'nonsense', as piadas fáceis, as fotos, as gargalhadas e as recordações destes 11 anos de amizade(!!!) e tudo só foi possível graças ao stress, nervos e cumplicidade com o R., que assim quis fazer dar uma prova do seu amor à sua gaja! (vês, afinal correu tudo bem!!)
À noite, esperava-nos a festa de despedida de solteira da R., desta vez não em Constância, mas na Charneca da Caparica, num restaurante brasileiro, bem ao género da nossa noiva que adora pôr o pé na dança e ter cheiro a calor e a Verão no corpo. O restaurante era enorme, cheio, cheio, cheio de gente, com música ao vivo e muita comida, mas para além do bolo com o Ken a sair lá de dentro, a grande surpresa da noite foi mesmo a presença do grande e último macho latino português, ele mesmo.... tivemos a presença do 'Zézé', mais conhecido por 'Zézé Camarinha', (talvez não o reconheçam sem o bigode!) que através de muito bons contactos, conseguimos que viesse de propósito do Algarve para a festa da nossa R.
E o que eu me ri!!! Não dá para descrever em palavras...
Mais não digo, porque as fotos comprovam a boa disposição que foi o dia e em que terminou a noite.
Sinto-me cheia de tão bom que foi!

sexta-feira, março 09, 2007

women day or surprise day?




















Há cinco anos atrás, neste mesmo dia, bateram-me à porta em Madrid - cidade onde me encontrava a viver na altura - e do outro lado, alguém de cara desconhecida, entregava-me um enorme ramo de tulipas acompanhadas por um cartão com palavras doces que remetiam para o dia da mulher. Foi o primeiro gesto do C. para me conquistar e deu resultado. As tulipas ficaram no meu quarto durante dias a fio e o meu pensamento ficava naquele rapaz que o destino quis que entrasse na minha vida quando tudo o que eu menos queria era apaixonar-me! De nada valeu! Passados quatro meses estava de regresso a Portugal e a vivermos juntos. Hoje, cinco anos depois, o dia continua a ser relembrado, não por ser o dia internacional da mulher, mas pela memória doce da lembrança. Ontem o C. voltou a surpreender-me e encheu-me de mimos outra vez. Não foram tulipas as flores que me chegaram, mas orquídeas (outra das minhas flores preferidas), lindas e delicadas, acompanhadas pelo serviço take away do Assuka. Tivemos assim um dia da mulher a dois, acompanhado por comida japonesa no conforto do lar, brindada a vinho branco e em frente à lareira, com muita luz de vela à mistura.
Se a felicidade é feita de pequenos momentos, este foi sem dúvida, um deles.

quinta-feira, março 08, 2007

blossom



















Em recantos escondidos, ofuscadas pelo cimento das estradas e pela sombra dos prédios, encontram-se em flor, pequenos pontos rosa que despertam para o turbilhar dos sons, dos passos apressados e do fumo dos escapes, a pedirem apenas que os admirem.
Dura tão pouco o tempo das amendoeiras em flor.
Já pararam para reparar que elas encontram-se por todo o lado na cidade?