segunda-feira, setembro 24, 2007

as fotos...


E pronto.... estas foram algumas das imagens que consegui.
Claro que há mais, mas estas servem para aguçar a vossa curiosidade.




domingo, setembro 23, 2007

i´m still here

Não tenho dado notícias porque o cansaço e o stress têm sido mais que muitos, mas também porque no trabalho não temos tido net, problema que já dura há mais de uma semana. Nem o messenger conseguimos abrir, ou sequer, o portal do google. Há um problema qualquer com a troca de servidores e ao que parece, ninguém consegue dar uma explicação lógica e aceitável para o facto de uma agência de comunicação não ter internet - uma ferramenta base imprescindível para o nosso trabalho! Não adianta reclamarmos, barafustarmos e mostrarmos o nosso desagrado. Já ninguém nos ouve e as pessoas começam a perder aos poucos, a paciência. Confesso que me tem sido bastante difícil estar um dia todo sem net, não poder ver emails, o blogue, ler jornais online, ou tão somente, fazer o clipping diário. Sinceramente, não sei com o que é que as pessoas se entretiam antigamente para passar os tempos mortos no trabalho, pois eu sinto-me como se estivesse na Idade Média!
A situação está longe de estar terminada, por isso amanhã, segunda-feira e início de mais uma semana de trabalho, espera-me muito provavelmente outro dia igualmente 'motivante' do ponto de vista cibernético. Aguardemos.
Àparte disso, estive alguns dias no Algarve em trabalho. O motivo: inauguração oficial do hotel Hilton em Vilamoura. A festa foi ontem, mas antes disso ocorrer, foi destacada uma mega equipa na agência para ir lá para baixo nos dias que antecederam a gala e onde eu estava incluída. Ficámos todos instalados nos apartamentos do hotel. O meu, ou melhor, o das meninas, era um gigante T4, com uma sala enormeeeee, cozinha, 4 suites com casa de banho privada e uma varanda igualmente grande com chaise longs com vista para a piscina. Dividimo-nos duas a duas pelos quartos de camas confortáveis e fofas. Eu fiquei com a F., a minha companheira inseparável nestas andanças e a pessoa com quem tenho no trabalho, mais empatia. Apesar do enorme stress que foram estes últimos dias, com muitas discussões e nervos à mistura, o evento correu às mil maravilhas e ontem, acabámos a noite bastante divertidos e a equipa lá descomprimiu ao som dos Bonney M e 'Disco Fever' after hours, entre copos de champanhe na mão e muita risota. Na verdade, as coisas que se passaram foram tantas que não poderia falar sobre elas em apenas um post, mas em vários e correndo o risco de ser cansativa. Tive pena de me ter esquecido da máquina fotográfica em casa, porque na realidade, tinha tirado fotos maravilhosas e registado muitos momentos, mas é o que faz ter de arrumar malas à pressão. Mas houve quem tirasse, por isso, pode ser que nos próximos dias vos mostre algumas por aqui.
Dormi pouco, muito pouco. Uma média de 4 horas por noite, isto porque havia sempre uma qualquer festa (mais não fosse no nosso apartamento, ao mais puro estilo 'pijama party') ou ficássemos na conversa até às 4h30 da manhã...
Hoje cheguei a Lisboa à hora do almoço, o C. foi ter comigo à agência e almoçámos pela Expo, enquanto eu o punha ao corrente de todas as cusquisses e novidades, ainda um pouco excitada pela animação da noite anterior. Quando cheguei a casa dormi a tarde toda e só acordei já noite, completamente K.O. do cansaço acumulado dos últimos dias. Amanhã toca de levantar cedo e ir trabalhar, não há cá folgas para ninguém. Por isso deduzo que esta vá ser uma loonngggaaaa semana...

segunda-feira, setembro 17, 2007

revisão geral



















Hoje fiz o que andava à adiar há muito tempo: ir ao médico das varizes e marcar finalmente a operação. E voilá, a data já existe e eu estou assustadíssima: dia 22 de Outubro darei entrada na CUF Descobertas e se tudo correr bem, terei alta no dia seguinte. Nem é a operação propriamente dita que me assusta, mas sim o pós-operatório. É que como nunca fui operada, nunca levei pontos, nem nunca me ataram as pernas - ou qualquer outra parte do corpo com adesivos - estou em pânico, porque não sei como é que a minha pele irá reagir. Uma certeza eu tenho: bem não será de certeza, mas é um mal necessário. A verdade é que não posso adiar mais este assunto, porque corro sérios riscos de desenvolver um problema de saúde sério e grave, como por exemplo, uma trombose. E depois do Verão, esta parece ser a melhor altura para fazer a operação, mesmo que em termos de trabalho não seja propriamente a mais calma. Aliás, estava com medo que as reacções por aqui não fossem boas, mas aparentemente foram recebidas com calma e sem stresses. Coisa que me surpreendeu pela positiva.
Outra coisa que me preocupa é o facto de não saber ‘a priori’ se o seguro do trabalho cobre a operação. É que o meu pessoal da Medis, eu sei que não cobre e se o da Multicare for pelo mesmo caminho, então terei de desembolsar do meu próprio bolso cerca de 4.500€!!! (o valor aproximado da operação) O que a acontecer, me deixará depenadíssima por muitos e longos anos… E pronto, o panorama é este. Dia 22 de Outubro e a uma semanita de fazer 29 anos, vou à faca pela primeira vez na vida. No próprio dia entrarei por volta do meio-dia e serei operada às 16h00. Vou levar epidural (qual grávida) e terei de estar em jejum absoluto (inclusive água) a partir das dez da manhã (não sei como, mas pronto).
Ainda não sei como irei fazer e onde irei ficar: se vou para casa dos meus pais para as Caldas, se vou para a Ericeira, se fico por Lisboa. Tenho vários problemas logísticos relacionados com este assunto: se ficar em Lisboa, tenho de subir escadas para chegar a casa e tenho de subir mais escadas para ir da cozinha ao quarto, o que enfaixada das duas pernas não é nada conveniente. Por outro lado, na minha casa tenho net e TV Cabo, o que me permite estar em constante contacto com a agência e trabalhar a partir de casa – o que vai acontecer certamente. Apesar de o ficar em minha casa ser a opção que mais me agrada, tenho um grande inconveniente, não tenho onde deitar ninguém. Se por acaso a minha mãe viesse para Lisboa para me ajudar, não teria onde deitá-la. Este fds descobrimos que o sofá-cama da sala está partido. As molas da cama deram de si e se tiver que pagar a operação, não teremos dinheiro tão cedo para comprar outro…
Por outro lado se for para a Ericeira tenho todas as comodidades: elevador, casa plana, mas sem net e sem TV Cabo! Ora se eu ficar 3 semanas de baixa, a ideia de ficar em casa restringida a apenas 4 canais, é de dar em louca. Além disso, o mais provável é a minha sogra ainda querer vir cuidar de mim e depois, além de enfaixada das pernas, tenho-a a chatear-me a cabeça, panorama que não me agrada nem um pouco. Depois há a hipótese Caldas… que também me agrada, teria o colinho e a atenção da mãe e várias mordomias, mas há uns quantos ‘senões’: os meus pais ainda não se mudaram para a casa nova e duvido, pelo andar dos acontecimentos, que isso aconteça até à data marcada. Depois, ainda não escolhi a mobília do meu quarto, o que significa que não tenho cama e por último não tenho net em casa deles. Poderei sempre tentar pedir uma placa aqui no trabalho, mas não sei se haverá uma disponível para eu monopolizar durante 2 a 3 semanas...
Hoje quando falar com a minha mãe já sei que a mesma vai entrar em pânico, não será mais do que sinto actualmente. Tenho mês meio para me mentalizar e organizar. Vamos ver.

domingo, setembro 16, 2007

tonalidades



















Hoje, como o tempo me sobrou, decidi pegar nas coisas que há muito tempo se encontram esquecidas, fechadas, em caixas amontoadas e dar-lhes forma. Saiu outro colar, em tonalidades púrpuras para fazer parelha com as cores da próxima estação. Tem ligeiras diferenças dos habituais, como a fita em cetim a servir de fecho sob a forma de laçada. Está disponível e podem vê-lo aqui e adquiri-lo por mail: casinha_de_botoes@yahoo.com.
Gosto de ter tempo só para mim, como hoje. É estranho para uma filha única habituar-se a estar sempre acompanhada. Não sou eremita, mas os meus momentos de solidão são-me fundamentais. Necessários.
A semana passada foi dura emocionalmente. Numa consulta de ginecologia fiquei a saber que a minha ferida do cólo do útero ainda não cicatrizou. Depois de dois tratamentos de 'crio...qualquer coisa', que me doeram o suficiente para me fazer derramar várias lágrimas na marquesa, o veredicto final não é animador. Terei de fazer algo mais forte e eficaz. Confesso que a notícia me arrasou. A ginecologista passou-me a receita de um exame e mandou-me para a CUF Descobertas. Já não dependia dela disse-me, e eu saí do consultório com o peito apertado de dor e com a cara contorcida de esforço para não chorar. A meio da semana passei pelo hospital depois do trabalho para marcar o exame. Decidi que não valia a pena sentir-me triste, que acontece e que tenho de tratar de tudo e ficar boa quanto antes. Mas mesmo que eu me tentasse mentalizar repetidamente com este tipo de pensamentos, a data que queriam marcar para a consulta arrasou-me: 16 de Novembro! 'Novembro?' disse eu perante o ar impávido e sereno da recepcionista! 'Nem a meio de Setembro estamos e eu só vou poder fazer um exame daqui a 2 meses e meio, num hospital privado??' Os meus comentários devem ter sido de tal forma reactivos, que a rapariga achou por bem encaixar-me num 'extra', num dia em que aparentemente as marcações já estavam lotadas. Agradeci encarecidamente e até um pouco arrependida da minha atitude inconformada mas eficaz. De 16 de Novembro passei para 27 de Setembro, uma melhoria significativa, convenhamos.
Entretanto, o meu blogue sobre a Ictiose - que pouco vai sendo actualizado é certo - começou a dar os primeiros frutos. Recebi um mail de uma rapariga, que o viu e que decidiu entrar em contacto comigo. Trata-se da primeira pessoa portuguesa portadora da doença que me escreve. E o mais curioso de tudo, é que é de Oeiras, aqui tão pertinho. Tem 34 anos e possui Ictiose Lamelar, um tipo bem mais gravoso do que o meu. Apesar de ainda me sentir um pouco desconfortável a falar com alguém que me é perfeitamente desconhecido sobre algo que me é tão intímo, lá me fui libertando. É que não só me é estranho falar com ela sobre isto, como me é estranho falar sobre isto com alguém que também o tem e que fala a mesma língua que eu. Apesar de tudo não deixa de ser produtivo e benéfico, pois fiquei a saber que afinal existem mais 'ictiosos' portugueses do que alguma vez sonhei, pois ela conhece uns quantos. Não duvido que daqui a uns meses esteja a escrever um qualquer post sobre um hipotético encontro.
O 'Casinha' fez dois anos de vida ontem - dia 15 de Setembro - e ao contrário do ano passado eu nem assinalei a data... Sinceramente, em dois anos de existência deste blogue, ele mudou tanto quanto eu. Começou por ter uma finalidade: mostrar e vender as minhas criações e acabou por tornar-se uma espécie de diário virtual privado, onde me exponho demasiado. Tenho noção disso e confesso que só não o terminei de vez, quando estava decidida a fazê-lo, porque tenho um certo carinho por ele. Não me agrada que saibam tanto de mim, principalmente quando isso só serve para alimentar a curiosidade alheia de quem me conhece mas pouco me fala. Mas pronto, que se lixe.

A escrita é o meu alimento diário e o meu universo. Cada vez mais.

sexta-feira, setembro 14, 2007

vida 'tutti-frutti'


















Esta semana tive mais uma pega ‘daquelas’ com a minha chefe. Ultimamente começa a ser comum e eu não vislumbro nada de bom nesse sentido. Parece-me que já vi esta história algures e que estou a viver os mesmos acontecimentos. O que vale é que da mesma forma que começa, acaba, e eu faço questão de não me mostrar rancorosa. Digo o que tenho a dizer e pronto, saiu, já está dito, foi um ar que se me deu. Depois tento acalmar interiormente e seguir com o trabalho, falando com ela como se nada tivesse passado ou com um tom conspurcado na voz que demonstre algum tipo de amargura ou ressentimento. É o melhor. (acho eu). Ela faz igual. Geralmente no dia seguinte, ou até passado poucas horas sobre o incidente, acalma, fala-me bem, mostra-se preocupada em atender às minhas necessidades. Não sei se é estratégia ou simplesmente peso na consciencia, mas gosto. Aliás, deveria ser sempre assim, tudo fluíria muito melhor, em todos os sentidos. Infelizmente, acho que ela se esquece facilmente, porque o estado de ‘graça’ dura pouco. Também noto que ela tem tendência a tratar-me pior quando a minha outra colega de equipa não se encontra presente. Porquê? Não faço ideia, mas provavelmente deve sentir que comigo, pode demonstrar mais o seu poder de superior, uma espécie de insegurança disfarçada sob a forma de chefia, onde é necessário atormentar os mais fracos, os mais novos, ou os que estão na empresa há menos tempo para se sentir bem consigo própria. Tal como já disse anteriormente, já vi este filme e não acabou bem. O que vale é que aprendi a lidar com este tipo de pessoas, a adoptar outra postura, mas ando demasiado contida há demasiado tempo e de vez a minha ‘personalidade-nuclear’ rebenta e nem avisa, é logo ‘bum’. E destruo tudo à minha volta. Uma característica escorpiana é certo, mas radical in extremis.
Claro que tento ao máximo que isso não aconteça, mas dou por mim tipo bomba-relógio à espera de ser detonada. Felizmente tenho aprendido a controlar-me, muito em parte graças aos ensinamentos do ‘The Secret’. Pode parecer uma perfeita imbecilidade, mas se eu fizer um esforço para acreditar ou pôr em prática os ensinamentos do livro e do dvd, e se com isso conseguir andar mais bem disposta e feliz, então porque não? Uma amiga emprestou-me o dvd e a verdade é que já o vi umas 3 vezes. Numa delas o C. viu comigo. Ficou impressionadíssimo! Tanto, que decidimos comprar um placar de cortiça e encher com imagens de tudo aquilo que queremos atrair e ter na nossa vida. Ele não fez as coisas por menos. Foi ao Aki e trouxe o maior placar de cortiça que lá havia, uma espécie de ‘A3’, gigantesco. Quando o vi chegar com aquilo a casa fartei-me logo de praguejar! (arruinando por completo as boas energias que me restavam!) ‘Onde é que vamos pôr isto?, ‘Não havia nada mais pequeno?’, ‘Para que é que precisas de um placar tão grande? Metade disso chegava!’ Resposta dele, depois de resmunguices de parte a parte: ‘Eu quero muitas coisas!’ Ok, acho que com este argumento ele arruinou os meus. É esta a diferença entre nós. Ele pensa em grande, eu limito-me a pedir o básico. Espírito pequenino? Talvez, mas eu não necessito de ter o Ferrari Vermelho na garagem ou a aparelhagem da Bang & Olufsen para me sentir realizada, mas a publicação de um livrito enchia-me as medidas, confesso!
Talvez para seguir este meu ‘pseudo-sonho/desejo’, hoje tenha enviado para outra editora a sinopse de uma obra que escrevi.
Agora é aguardar que o universo me dê aquilo que eu peço. Senão mando todas estas teorias à fava.
Tirando estas experiências que ocorreram durante a semana, ontem quando cheguei a casa, tinha literalmente, uma montanha de coisas à porta. Tanto, que foi necessário fazer uma espécie de salto em altura para conseguir entrar, perante a curiosidade felina que me olhava meio ensonada. Os meus sogros desta vez excederam-se e trouxeram quase a quinta atrás, mas deixaram-me coisas que eu adoro, como 'fisalis' (as bolinhas alaranjadas da imagem que possuem um sabor que alterna entre o ácido e o agridoce), figos moscatel e maracujás. A verdade é que já há algum tempo que não passavam por aqui e deixaram um carregamento de comida que durará para os próximos meses... Acho que daqui a nada faço outra mouse :)
Ontem ainda decidi ir jantar com o pessoal do costume à Bica. O G. tinha acabado de chegar de Madrid e como já sendo hábito, os amigos juntam-se numa espécie de 'comité de boas vindas' para o receber. Combinámos no largo de Camões às 21h00 e depois seguiríamos caminho para o 'Toma Lá Dá Cá', o restaurante combinado. Chegámos ao largo passava das 21h30, porque neste grupo a pontualidade é coisa que não consta nos dicionários da maior parte das pessoas e como já sei o que a casa gasta, decidi sair apenas à hora marcada (21h00, portanto) e ainda deixar o carro estacionado no Cais do Sodré e ir a pé. Pelo caminho encontrei-me com o R. e a H. e juntos subimos a rua do Alecrim até ao Chiado, onde para nosso espanto, já havia quem estivesse à nossa espera. Ninguém se chateou, aliás, tudo riu! O 'Toma lá...' estava a abarrotar de gente, por isso decidimos ir até à rua da Luz Soriano, já a caminho do bairro, jantar num restaurante que agora não me lembro do nome, mas que nós volta e meia fazemos lá jantaradas. Tínhamos mesa disponível, acabámos por ficar. Com tudo isto já passava das dez horas e nós sem jantar. Por ali ficámos até à meia noite. Eu comi bacalhau à lagareiro que estava péssimo e bebi um copo de vinho verde 'muralhas' que me deixou logo toda alegre (sou tão fraquinha com a bebida que até faz confusão!) Dali seguimos para o Bicaense, que ainda se encontrava a meio gás. Como o jantar me caiu mal decidi beber um ginger ale e esperar que as tonturas me passassem. A noite estava agradável e estáva-se bem na rua. À chegada encontrámos família da R., nomeadamente uns tios e uns primos, de alegre copo na mão também no Bicaense. A última vez que os vi foi no casamento dela, onde o mesmo tio que agora tinha à minha frente, divertido e sóbrio, me fazia andar uns meses para trás e recordar o strip e a descomunal bebedeira com que nos brindou nesse dia...
A ideia era ficarmos pela Bica até à uma da manhã, hora em que a padaria do bairro abriria e nós - umas verdadeiras lambonas - decidiríamos ir até lá, subindo toda a rua da Rosa a salivar por um Croissant de chocolate ou uma bola de Berlim. Decidimos ficar mais um pouco e esperar que o C. saísse do trabalho e viesse ter connosco. Chegou perto das duas da manhã, altura em que eu e as meninas do grupo dávamos um pézinho de dança ao mais puro estilo Mowtown. Ainda fomos aos bolos, mas continuava com o estômago tão embrulhado que nem comi nada, por esta altura começava a ficar cansada e cheia de sono. Passava das 3h30 da manhã quando caí à cama e adormeci em segundos.
Acordei hoje, com um barulho forte e seco de algo a cair... era o quadro do Van Gogh, aquele que trouxemos de Amesterdão nas nossas últimas férias (nem há um mês) e cuja moldura comprámos no Ikea... o Gaspar fez questão de o mandar ao chão e parti-lo. Em menos de uma semana é a terceira coisa que parte/estraga, se contarmos com o facto de me ter roído - literalmente - uma cesta da Area que tinha na sala e onde guardava as minhas lãs, rasgado a cholcha da cama em três sítios onde agora existem 3 enormes buracos e de ter mandado o quadro ao chão, partindo-o...

Será que o 'The Secret' tem fórmula para lidar com animais loucos e completamente disfuncionais? É porque se tem, eu preciso!

quinta-feira, setembro 13, 2007

a casa da minha avó


















A casa da minha avó sempre foi o ponto de centralidade de toda a família. Desde que ela morreu, há onze anos, que continua ali, intacta mas frágil, como um marco de tempos idos, que nos habituámos a ter por perto. Antigamente, em Setembro – mês por excelência de encontro e reunião familiar – que a pequena casa onde a minha mãe nasceu e onde os seus cinco irmãos foram criados, se enchia de gente, filhos, netos, primos, genros, cunhados e cunhadas, tornando-se demasiado apertada e pequena para uma família demasiado grande.
Quando entramos, somos invadidos pelo cheiro a mofo, pelos tectos baixos, pelo quarto interior, sem luz e com o velho candeeiro a petróleo sob a mesa de cabeceira, pelo chão que range a cada passo, pelas fotos, muitas fotos, que permanecem nas mesmas prateleiras, pontos acumuladores de pó ancestral que deixam vislumbrar embaciadas imagens nossas, de infância vivida. Sempre gostei de entrar na casa da avó e ficar ali, a olhar para um enorme quadro de talha dourada cheio de fotos a preto e branco, onde via caras conhecidas, casamentos de tios que não presenciei, de bebés que já só conheci adultos. Depois perguntava: ‘Quem é este senhor mãe?’ ‘Era um tio de Sintra’, respondia-me ela, e eu ficava ali, a digerir a surpresa de tamanha novidade, incrédula por só agora saber que os laços familiares tinham chegado às imediações de Lisboa. Habituei-me desde muito nova a ter a presença da família mais directa e chegada por perto. Apesar de filha única, este convívio familiar foi importante para a minha formação. As minhas primas eram as minhas companheiras inseparáveis, talvez isso explique o facto de, hoje em dia, ser madrinha da filha de uma delas.
Quando éramos miúdas e em Domingo de festa, a avó sentáva-nos na mesa redonda da entrada para almoçarmos juntas o tradicional cozido à portuguesa e ali ficávamos, em grande algazarra, enquanto os adultos comiam na mesa rectangular da cozinha com o tampo forrado a plástico, onde se sentavam umas quinze pessoas. A casa era pequena, mas transbordava de amor. Não importava mais nada, havia calor, comida e alegria e isso enchia as nossas pequenas almas.
A avó era devota. Muito. Por isso, em dia de procissão e Domingo de missa, a toalha de crochêt branco e imaculado que se colocava sob o altar da igreja, era dela. Ainda hoje lá permanece como sinal da sua presença e dedicação. Depois seguia-se a procissão, onde na sala da eucaristia da igreja, nos vestíamos de branco com asas de anjo e nos sentíamos vaidosas pela indumentária. Ainda hoje gosto de rever as fotos desses tempos. Tenho uma favorita, aquela em que estamos as quatro primas, pequenas e vestidas de branco, encostadas a um velho Ford em frente à garagem da minha tia Madalena.
A porta da sua casa estava sempre aberta adornada pela velha árvore de flores lilazes que lhe embeleza o rosto e lhe dá um ar romântico. Não havia nada que despertasse o interesse alheio para roubar o que quer que seja. Era casa de gente pobre, cujos maiores tesouros eram as imagens de santos no quarto e o fio de ouro que lhe acompanhava o decote com a imagem de Jesus crucificado. A cortina branca esvoaçante, a chave do lado de fora, eram sinais de presença. Entráva-se por aí adentro e gritáva-se ‘ó da casa’, sem medos nem vergonhas, habituádos que estamos àquela sensação de pertença.
Em dias de festa como agora, em que a avó já lá não está, em que as primas estão crescidas, casadas, com filhos, em que os tios que nos habituámos a ter desde sempre se separaram, seguiram outras vidas, outros rumos, a porta da velhinha casa continua a estar aberta, com a mesma cortina branca esvoaçante, invocando os momentos de outros tempos.
A diferença é que já lá ninguém entra.

terça-feira, setembro 11, 2007

raizes



















Aqui, regresso às origens do mais puro do meu ser. Rodeada pela família, em redor da mesa farta, das gargalhadas sonoras, da piada fácil e do burburinho das conversas, do estalar ruidoso dos foguetes que ecoam por todo o arraial, das luzes coloridas que enfeitam os arcos de murta, pela brisa fria que sempre corre nas primeiras noites de Setembro. Aqui, onde a minha mãe nasceu, naquela casa velha cujo tempo parece não passar, cuja estrutura incerta ainda assenta sólida sobre uma parede caiada de branco. Aqui, onde revejo as gentes e os velhos que me viram menina e agora me vêem casada. Aqui, onde comer pevides e tremoços sentada na barraca dos festeiros, entre copos e farturas, ainda tem o mesmo sabor quente e confortante de outros tempos. Aqui, onde a procissão continua a ser a meio da tarde de Domingo e a fazer parar o trânsito. Aqui, onde a família, apesar de cada vez mais dispersa e cada vez menos, continua a querer marcar presença. Aqui, onde as mantas se colocam à janela para deixar passar nossa Senhora da Ajuda e se reza de terço na mão. Aqui, onde tantas vezes vesti os mesmos fatos brancos e coloquei as asas de anjo que me faziam sorrir. Aqui, onde agora me encontro e onde olho para trás, agradecendo por ter tamanhas memórias.
Voltar à terra é, hoje em dia, um misto de sentimentos. Mas sabe sempre bem voltar, mesmo quando aqueles que sempre nos habituámos a ver, já lá não estejam.
Mais aqui.

sexta-feira, setembro 07, 2007

Rosa Brava



Ontem, sentada no sofá da sala, cuja estrutura velha e gasta já acusa o peso do corpo, de comando na mão e pés em cima da pequena mesa de wengé de formato rectangular, fazia zapping por aborrecimento perante o marasmo televisivo. Foi quando a vi, a ela, de feição rosadas pelo vento gelado da serra, de sorriso maroto e puro, de uma ingenuidade infantil quase imprópria para uma menina de 16 anos. Era a Rosa. A pastora que foi dada a conhecer ao país em Janeiro deste ano e que imediatamente tocou no fundo dos nossos corações. A Rosa queria ir à escola, mas vivia presa a uma serra que tinha tanto de belo quanto de solidão. A Rosa aspirava pelo mundo, o mesmo que lhe chegava em retalhos e que ela insistia em colar para não lhe perder o rasto. E era vê-la em cima do alto do palheiro, de telemóvel em punho, buscando uma rede que nunca lhe trazia respostas, nem chamadas, mas que apenas a fazia suspirar, de sorriso - sempre o sorriso - que alguém se lembrasse dela. Na vastidão das serras a perder de vista, Rosa, de corpo desenvolto, jeans e blusão de ganga pela cintura, parecia uma adolescente como qualquer outra, de vida fácil e despreocupada, que encontra nos Morangos com Açúcar a fantasia da vida que não tem. A realidade de Rosa é outra. Do cimo da serra e rodeada pelas cabras e ovelhas, Rosa olha a beleza em redor com um sentimento de clausura, quase indiferente. Anseia pela liberdade que se esconde além, atrás dos montes e vales que a prendem e aprisionam. Em Gouveia é que está a liberdade e os rapazes que Rosa tanto deseja. Casar é um sonho e aprender uma vontade. Profunda.
A mãe de Rosa, de lenço na cabeça e rosto enrugado pelo tempo, mostra no discurso a dureza da vida que sempre viveu. ‘A Rosa é precisa. A Rosa daqui não sai.’ E Rosa ri-se, resignada com a sua sorte, escondida atrás da porta. Nem as técnicas da segurança social lhe tiram o sorriso do rosto, nem quando ouve a sua mãe dizer alto e bom som, ‘ela que se desemerde’. A Rosa tem apenas 16 anos. A Rosa sonha, diáriamente, do alto da serra, rodeada por orvalhos matinais, neblinas geladas e terrenos acidentados. A Rosa tem apenas 16 anos e passou a ser a minha heroína.
Esta reportagem maravilhosa de Pedro Coelho merece ser revista e revista e revista. Eu emociono-me sempre e já a vi três vezes. A Rosa é brava, como no poema de Ary dos Santos, mas aquela vivência, aquela realidade, eu encontro-a nos livros de Miguel Torga. A Rosa entra nos Contos da Montanha. Eu já a conhecia.

quinta-feira, setembro 06, 2007

repentinos desejos


Hoje, assolapada por um intenso e repentino desejo consumista – como muitas vezes me sucede – decido enfiar-me, na minha hora de almoço, na HM do Vasco da Gama. Isto porque, a festa na aldeia da minha mãe é já este fim-de-semana e eu, que tenho esta educação algo provinciana de ‘estrear roupa nova em dias alumiados’, que me foi incutida pela minha mãe, achei que não se perdia nada ir ver o que há de novo nas lojas e dar asas ao desejo, apesar de ter o armário lá de casa cheio de roupa de todas as cores, modelos e feitios.
Vejo duas blusinhas que me despertam a atenção, vou experimentá-las aos provadores, agradam-me vestidas e pronto, está decidido: ‘É isto! Eureca!’ Agarro-as de seguida com ar vitorioso e dirijo-me para a caixa antes que a consciência acorde e me volte a chamar à razão. Até aqui tudo bem, a rapariga da caixa, atenciosa, diz-me o total e eu saco do cartão multibanco que menos uso e onde vou amealhando alguns trocos. (já que ia cometer um devaneio, ao menos que não me pese no orçamento mensal. Devaneios destes são permitidos, ainda que só de vez em quando.)
O problema foi lembrar-me do código. É que como cartão de ‘poupança pessoal’ que é, e que raramente utilizo, o código esvaneceu-se da memória, ocupada que está com tantos outros códigos (o pin do telemóvel pessoal, o pin do telemóvel do trabalho, o código dos outros cartões multibanco, o código da porta do prédio, o código para aceder à página do banco pela internet, as passwords do computador, and so on…) Resultado? Marquei os números, invertendo a ordem dos mesmos, convencida que estava que ‘agora é que é’ e nada. Sempre erro. Ao fim de três tentativas fiquei com o cartão bloqueado. Como fico sempre muito envergonhada com estas situações, porque já não é a primeira vez que me esqueço do dito código, saco logo de outro cartão, não vá a menina da loja e todas as pessoas que estavam atrás de mim, pensar que das duas uma: ou gamei o cartão a alguém, ou estou sem dinheiro na conta.
E pronto, agora que estou com o cartão definitivamente bloqueado só me resta ir ao banco e pedir novo código – que terei novamente de fixar para mal dos meus pecados.
É o que faz ter impulsos consumistas repentinos. Não só nos arruinam a carteira, como ainda mostram que a nossa memória se recusa a compactuar com eles.

quarta-feira, setembro 05, 2007

no peito dos desafinados também bate um coração



















Eu nem tenho andado triste. Mas hoje, assim de repente, fui invadida pelos sons da Melancolia, que abriu as portas e se instalou bem no meio do peito. Provocou-me um aperto profundo, a Angústia, sua prima, veio atrás. A Melancolia é minha amiga, mas às vezes, só às vezes, consegue ser uma amiga ingrata, daquelas que magoam. Profundamente.
Hoje, a Melancolia apareceu sem avisar, e eu não gosto de visitas surpresas. Chegou e acomodou-se, como se o meu peito fosse a sua casa e o meu coração o seu sofá. Reclamou a si os meus pensamentos, bebeu as minhas lágrimas para matar a sede e deixou-se ficar, exausta, a dormitar no meu ombro. Não gosto de sentimentos abusados, que entram sem pedir licença, que reclamam para si aquilo que eu quero manter. A Melancolia hoje foi Ingrata. Outra amiga com a qual faz parelha.
Tenho demasiados sentimentos no meu peito e um sofá demasiado pequeno para os receber.

segunda-feira, setembro 03, 2007

summertime


















Foi um fds de convívio intenso. Começou logo na sexta-feira, com o R. e a H. a virem ter a nossa casa para um pequeno tête-a-tete, quando já passava da meia-noite, hora em que a H. saiu do trabalho. Apesar de tarde, não me importei. Tinha o dia seguinte para dormir e apetecia-me conviver, além disso, como estava em casa e não tinha de sair do ninho, melhor ainda. Decidida a receber bem os meus convivas, meti mãos à obra e preparei um bolinho de iogurte quentinho e delicioso, além de uma mousse de maracujá. A minha sogra enviou-me uma série de maracujás que eu decidi aproveitar para uma receita que saquei da net. Ficou deliciosa e ‘voou’ nessa mesma noite numa questão de horas! Tenho de repetir.
No sábado, acordámos tarde! Há já muito tempo que não dormia até à uma!! Foi um tirar a barriga de misérias! Depois, como o tempo estava bom e pedia praia, decidimos ir ter com amigos à Costa, os mesmos que tinham estado na nossa casa na noite anterior. O pior foi mesmo chegar lá! O trânsito infernal que se fazia sentir, fez-nos demorar duas horas para chegar à praia do Rei. Chateados e aborrecidos com a proeza caótica que foi chegar ao destino, gozámos a praia apenas por uma breve hora e meia. Às seis e meia tínhamos de regressar a Lisboa, porque tínhamos um jantar combinado em Caneças, em casa de outros amigos. Mais hora e meia dentro do carro para chegar a casa, tomar um duche rápido, mudar de roupa e em menos de meia hora, estávamos novamente de saída.
O jantar em casa da M. e do P. foi calmo e relaxado. Pude matar saudades da minha ‘Cabecinha’ e finalmente oferecer-lhe, as recordações que trouxe para ela de Amesterdão: uns bombons de café numa caixa vintage e um chá ‘Earl Grey holandês’, porque sei que ela gosta! Chegámos a casa passava da uma da manhã e ainda vegetámos um pouco a ver televisão. No Domingo, novo dia, nova manhã a dormir e ala para a praia assim que acordámos. Novamente para a praia do Rei, na Costa, com os amigos, mas desta vez fomos mais cedo que no dia anterior e não apanhámos trânsito. Estava bom tempo, mas havia uma brisa fria que no dia anterior não se fez notar. No bar Hula-Hula, havia churrasco gratuíto, à noite, como ‘fecho do Verão’ e ficámos todos para jantar. Só no nosso grupo, éramos cerca de 10 pessoas, todos esfomeados! Febras, entremeadas, salada, arroz, massa com frango, o repasto foi vasto, mas desapareceu numa questão de segundos. Regressámos a casa passavam das nove e meia da noite, de barriga e alma cheia. Pudemos assistir a um pôr-do-sol fantástico e o dia teve sabor a férias. Hoje não apetecia nada vir trabalhar, mas teve de ser. O trânsito em Lisboa ainda não está caótico, o que me faz suspeitar que continua a haver imensa gente de férias.
O C. também regressou hoje ao trabalho, apesar de continuar com o dedo ligado. A ferida está a cicatrizar bem, mas dá a sensação de que necessita de mais uns dias antes de se retirar os pontos. Hoje, aqui na agência, muita gente regressou de férias. Vêm todos bronzeados e bem dispostos. Dou-lhes dois dias antes de começarem a praguejar com tudo e com todos, até porque a semana vai ser de muito trabalho.
Eu ganhei uma ‘corzinha’, pouca, mas o suficiente para hoje me sentir com outro astral.

E assim começa a semana.

quarta-feira, agosto 29, 2007

retalhos da minha vida





















Ontem fui a uma entrevista de emprego. A segunda no espaço de duas semanas. Correu bem, mas nem cheguei a aquecer lugar. Quando me disseram as condições e o valor do ordenado, a primeira coisa em que pensei foi: ‘mas porque é que me dei ao trabalho?’. Pior seria se tivesse faltado ao emprego ou inventado uma desculpa esfarrapada qualquer. Mas como foi em horário pós-laboral, lá me deu tempo de sair a horas e chegar ao lugar marcado igualmente a horas. Claro que ajudou ter o C. de férias. Veio-me buscar e levou-me ao sítio. Poupei stresses em estacionar o carro e andar que nem louca à procura da rua e do nº do prédio, pressionada pelas horas. No entanto, de nada valeu esta conjuntura ideal. O ordenado era miserável, o que vindo de uma agência de publicidade de prestígio, acho, literalmente, vergonhoso.
Mas não desmotivei. A minha vontade de sair daqui é muita, mas também sei que face à minha experiência, ao que ganho, e à conjuntura actual, as hipóteses de ir para algo melhor e bem-remunerado, são poucas. Por isso, que remédio tenho, senão ir tendo paciência de santa para a louca da minha chefe.
Eu acredito que algo maior e melhor me está reservado!
Por falar em chefe, desde a acção da passada segunda-feira, que correu às mil maravilhas, que a menina ficou lixada comigo. Provavelmente nunca pensou que me iria safar tão bem e no fundo deveria desejar que tudo fosse um fracasso, denegrindo o meu trabalho junto do cliente e da própria direcção da agência. Acontece que isso não ocorreu e nos dias seguintes, tinha uma chefe enfurecida à perna, a embirrar comigo nas coisas mais picuínhas e mesquinhas que se pudesse imaginar. E eu percebi perfeitamente o porquê de tanta embirrância.
Ontem, ainda depois da entrevista de emprego, decidi passar no Assuka e levar sushi para casa para o jantar. Estava com desejo de comida japonesa, confesso. De tamakis, a raviolis grelhados, califórnia e rolinhos de atum, o repasto foi vasto e eu deliciei-me.
Só ontem é que finalmente me decidi a pôr no correio, a carta que escrevi a fazer queixa da médica que me seguiu no Hospital da Estefânia. Em conversa com uma amiga, disse-lhe que estava decidida a apresentar queixa ao Bastonário da Ordem dos Médicos e ao Ministério da Saúde. Ela alertou-me para o facto, de a dita médica, me poder processar por difamação do seu nome profissional, situação que não me agrada nem um pouco. Por isso, decidi-me para já, em enviar apenas, a carta que escrevi para o Conselho de Administração a divulgar como todo o meu processo foi conduzido. Agora é esperar reacções… e ver em que alhada me irei meter. A última coisa que preciso é de ainda ir gastar dinheiro com advogados sobre este assunto.
A Diane falou comigo esta semana. Finalmente conseguiu falar com a médica de genética que a seguiu, sobre mim. Parece que o facto de tanto eu como a minha mãe termos o mesmo problema é bom, na medida em que, pode facilitar a descoberta de algum tipo de mutação presente em ambas. Para já, querem que em Outubro, e depois de eu fazer a biópsia que me espera de confirmação de diagnóstico, envie amostras de sangue meu e da minha mãe para análise. Não é nada de concreto, mas é mais uma esperança no horizonte.
Vamos ver. E esperar. Mais uma vez.

segunda-feira, agosto 27, 2007

'não consigo dominar este estado de ansiedade...'



















Hoje, segunda-feira, andei o dia todo stressada. Afinal, há mais de dois meses que andava a preparar esta acção e era hoje a prova final, o resultado de tanto trabalho. Tudo estava preparado há já muito tempo, mas um telefonema recebido ontem às onze e meia da noite deixou-me em acelerado estado de ansiedade. Abalou as minhas estruturas e fez-me acreditar que tudo podia ir por água abaixo. (pessimismo in extremis, sim eu sei) Não bastava os percalços ocorridos na última semana, aquele telefonema veio ainda deixar-me mais insegura e tirou-me o sono por completo. Eram três da manhã e eu revirava-me na cama, ora tinha calor, ora puxava o lençol, ora via televisão, ora escrevia ao computador, ora lia, mas o sono esse é que tardava em chegar. Durante a noite levantei-me um par de vezes e pela manhã acordei antes mesmo do despertador tocar. Fui para o trabalho ansiosa e borbulhosa, porque o estado de nervos em que fiquei, fez com que umas cinco borbulhas - daquelas grandes e caroçudas - se instalassem no meu queixo fazendo-me recordar os terríveis tempos da puberdade. Sentia-me péssima. Aliás, toda a gente reparou no meu estado de tensão e solidariamente lá ia dizendo: 'não fiques assim mulher, não vale a pena, vais ver que vai correr tudo bem'.
Eu sei que a intenção era boa, mas também sei como funciono e enquanto este dia não passasse e tudo terminasse, eu não iria conseguir relaxar. A hora esperada chegou e aos poucos as coisas foram correndo com normalidade, nos locais e com as pessoas esperadas. No final? Um êxito redondo, com toda a gente satisfeita a dizer que tudo tinha sido óptimo e corrido às mil maravilhas. Fiquei feliz. E aliviada.
Afinal, mesmo quando todos parecem conspirar contra nós, se fizermos o trabalho bem feito, ele nota-se! ;)

domingo, agosto 26, 2007

Lisbon Stories part II



















Ficámos por Lisboa. Um fds inteirinho com a companhia do C., (coisa rara) que irá ficar toda a próxima semana em casa, devido a um corte profundo num dedo e uns quantos pontos. Aproveitámos para ir visitar a exposição do World Press Photo, que já não via há uns dois anos. Este ano está no Museu da Electridade, junto ao rio, uma vez que no CCB continua a exibição do Museu Berardo. Pareceu-me mais pequena e com menos fotos do que nos outros anos, mas gostei muito. Há fotos que me fazem chorar, nem precisam de dizer nada. Está lá tudo. Mas como nos últimos dias as minhas hormonas andam um pouco para o descontroladas, as lágrimas são as forma que as mesmas encontraram de comunicar. Das fotos do World Press Photo à última música do Jorge Palma, 'Encosta-te a mim', é vê-las a escorrerem-me pela cara abaixo...
Aproveitámos ainda para ir ao cinema, ver o filme que marca o regresso da Demi Moore e do Kevin Costner, A face oculta de Mr Brooks e acabámos a noite no NooBai Café, a beber chá de lúci-lima e a comer baggels torrados com manteiga e doce, entre amigos.
Finalmente acabei a carta de 5 páginas que irei enviar já amanhã, segunda-feira, pelo correio, ao cuidado do conselho de administração do Hospital da Estefânia a fazer queixa da médica que me seguiu durante estes últimos meses. Na passada semana e após uma consulta que nem durou cinco minutos, decidi que este tipo de comportamento por parte da classe médica nacional é inadmissível, denunciadora de falta de ética e brio profissional e acima de tudo, vergonhosa. Por isso, enquanto cidadã e enquanto paciente, tomei a decisão de apresentar queixa por escrito à ordem dos Médicos e ao Conselho de Administração do Hospital. Veremos que reacções povocarei com esta atitude. Já nada me assusta para ser franca e ando farta de ser tratada como se fosse uma louca utópica. Junto com a carta, seguirão também, cópias de emails trocados, cartas, faxes e todo o tipo de documentação que comprovam tudo aquilo que a que me refiro e acuso. Posso ser louca, mas não sou estúpida...
Finalmente aprendi a pôr música no blogue. Custou mas foi, e tudo graças a uma colega de trabalho que lá me disse que links utilizar! Para abrir escolhi Vanessa da Mata e Ben Harper com este 'Boa Sorte', que eu bem ando precisada...

quarta-feira, agosto 22, 2007

Rios



















Ontem decidimos experimentar um novo restaurante. A sugestão foi dada por uma colega de trabalho que já várias vezes me tinha dito que valia a pena, que o espaço era giro, que a comida era boa e que a vista sobre Lisboa e o farol do Bugio mereciam a visita. Como o dia tinha sido um pouco bravo e só me apetecia espairecer a cabeça, achei que o timming era perfeito. Liguei ao C. e lá fomos nós até aos Rios, na marina de Oeiras, jantar. Marcámos mesa para as 20h30 e à hora marcada lá estávamos nós na marina, deixámos o carro no parking subterrâneo da piscina panorâmica e fomos à procura do restaurante, que desconhecíamos ser mesmo por cima do sítio onde tínhamos deixado o carro. As indicações ao espaço simplesmente não existiam, mas depois de termos andado um pouco desorientados na zona da marina, lá o vimos, bem lá no alto, com uma varanda enorme – que ontem estava fechada por causa do vento – e umas janelas panorâmicas. O ambiente era selecto e fashion mas não era elitista nem snobista. A decoração é actual, elegante e muito, muito cosmopolita. A vista é arrebatadora. Quando chegamos somos logo surpreendidos pelos candeeiros de tecto enormes e por todo aquele ambiente quente que emerge dos tons vermelhos. Tivemos receio que a comida, devido ao espaço, fosse nouvelle cuisine e que pagássemos muito e comessemos pouco, mas enganámo-nos. Pedi açorda de gambas e só posso dizer que A-DO-REI! Estava deliciosa, com sabor a coêntros e servida dentro de um pão alentejano. O C. comeu um bife de atum com couve lombarda e esparregado e também gostou. Bebemos vinho ao copo, couvert de entrada e não comemos sobremesa, apenas café. Foi um bocadito carote, mas acho que vale a pena uma vez por outra, nem que seja só para conhecer.
Ficam as fotos. Nós prometemos voltar.

domingo, agosto 19, 2007

Lisbon Stories




















Sexta-feira saí do trabalho com vontade de fazer algo para me mimar. Resultado? Mais um corte de cabelo, desta vez bem curto - ou Bob para ser mais precisa - como já não tinha há muitos anos. Para o C., adepto dos cabelos compridos, é sempre um choque, mas reage bem e é agradável nas palavras escolhidas. Eu confesso que ainda não sei se gosto de me ver com este new look. É novo e é diferente. Não ficou bem como eu queria, mas como estava também não gostava. Ando numa fase de indecisão, do tipo: 'quando a cabeça não tem juízo o cabelo é que paga'. Pagou mesmo, da pior maneira. Agora é esperar que cresça outra vez.
Antes do cabeleireiro ainda tive tempo de me meter na Fnac do Colombo. Foi lá que comprei o livro sensação do momento, o 'The Secret'. Eu já tinha ouvido falar vezes sem conta da lei da atracção. Aliás, o C. está sempre a dizer que o meu negativismo extremo só atrai coisas más e que não posso ser tão pessimista. Eu sempre o ouvi mas nunca fiz muito caso. Foi preciso mentalizar-me de que afinal isto das energias tem mesmo muita força, para começar a ter outra visão sobre as mesmas. Hoje, em conversa com umas amigas, uma delas diz-me: 'foi preciso editarem um livro para tu finalmente tomares atenção aquilo que eu já te ando a dizer há anos!'. Tinha razão a minha R.
No Sábado estávamos para ir até à Comporta com um grande grupo de amigos. À última da hora cortaram-se todos. Uns porque estava vento e não dáva para fazer praia, outros porque achavam que era desnecessário ir para tão longe, blá, blá, blá. Resultado? Ninguém quis ir. Então, eu e o C. decidimos ir os dois até Sesimbra, comer um peixinho grelhado e passear. O dia estava excelente, comemos uma sardinhada óptima num restaurante que uma colega de trabalho me sugeriu e passeámos pela avenida principal terminando num café com muito bom aspecto na zona nova perto do hotel. Só tive pena de não ter levado o biquini, porque a praia estava cheia de gente, o dia estava de um sol radiante e fazia imenso calor, mas fica para a próxima. À noite terminámos com uma ida ao cinema, o Ratatui da Pixar, que é simplesmente genial. Aliás, acho que estes gajos da animação estão cada vez melhores naquilo que fazem. Os pormenores do cabelo dos personagens, ou até, dos pêlos dos ratos, são tão reais, que me fazem ficar cada vez mais fã deste género cinematográfico.
Domingo o C. teve de ir trabalhar. Ainda deu para almoçarmos juntos e depois lá foi ele. Eu entretive-me até às seis da tarde sozinha, altura em que depois me encontrei com alguns amigos nos Armazéns do Chiado. A ideia era irmos até ao bar terraço do Hotel Regency Chiado que possui uma vista fantástica sobre Lisboa. Assim foi.
Subimos até ao sétimo andar do hotel e no Bar Entretanto pude ver Lisboa por inteiro. O casario estentido, o castelo de S. Jorge bem à minha frente, a Sé sob pano de fundo, o rio que se estendia como uma toalha de linho azul bem passada a ferro. Só o vento estragou esta vista idílica da cidade. O frio impossibilitou-nos de estar muito tempo na varanda terraço e fez-nos vir para dentro à procura de conforto. Fugimos das agruras atmosféricas mas continuámos a ter Lisboa como inspiração. Procurámos a única janela de tamanho XL e ali ficámos, os quatro, entre conversas e risos, como já há muito tempo não sucedia. A noite terminou no Bairro, a jantar na Adega das Mercês, entre copos de vinho tinto e ice tea. Soube bem, estava a precisar de estar rodeada por pessoas que me querem, apesar de me sentir muito cansada e de o jantar me ter caído mal.
Afinal, acho que a lei da atracção já começa a fazer efeito...

sexta-feira, agosto 17, 2007

injustiça


















Nestes últimos dias tenho-me deparado com situações e notícias difíceis. Digamos que as coisas não andam bem e eu pareço um íman ambulante que só atraí desgraças. Talvez por isso, não tenha actualizado este blogue, porque me senti de tal forma lesada pelos acontecimentos que nem conseguia falar sobre eles.
Na quinta-feira passada estava eu sossegada no meu canto a trabalhar quando uma ex colega da revista onde trabalhei anteriormente, mete conversa comigo no messenger. Não estranhei. Nós costumamos falar regularmente e como eu estive de férias achei natural ela meter conversa comigo e querer saber novidades. Mas a conversa sobre as férias limitou-se a um 'então essas férias', para logo de seguida perguntar: 'enviaste um CV para aqui?'. A questão deixou-me logo desconfiada. A verdade é que tinha estado durante a tarde que antecedeu o feriado do 15 de Agosto a enviar Cv´s por email para uma série de pessoas, inclusive para algumas editoras e directoras do grupo onde já trabalhei. Logo, o facto de ela em questão saber que eu tinha enviado um CV, quando apenas tinha passado dois dias sobre o assunto, não podia agourar nada de bom. Mostrei-me surpreendida e atirei com um: 'bem, as notícias correm depressa!', ao que ela disse: 'Pois é amiga, nem imaginas o que aconteceu!'. Foi quando li estas palavras que pressenti que o que aí vinha não podia ser, definitivamente, abonatório a meu favor!
Foi então que fiquei a saber que ela ouviu uma conversa da minha ex directora com outra pessoa, que ao que parece tinha recebido o meu currículo e o deve ter achado pertinente para uma futura contratação. Como viu no currículo que eu tinha trabalhado lá, a primeira reacção foi ir falar com a minha ex directora a pedir referências minhas e foi aqui que as coisas foram completamente por água abaixo. Segundo a minha ex colega, a minha ex directora foi 'implacável' na descrição que fez de mim. As palavras utilizadas para descrever a situação foram 'muito mau' e 'horrível', por isso imaginem o que não deve ter sido dito! Segundo a própria, que ouviu toda a conversa, a caracterização que fez do meu trabalho e até do meu currículo não podia ter sido pior, chegando mesmo a pôr em causa perante a outra pessoa, de que tudo aquilo que menciono no meu CV fosse verdade!
Saber isto, quando já saí daquela revista há mais de um ano, arrasou-me naquela tarde. Senti uma tristeza profunda, como um aperto forte no peito. Porque, pergunto-me eu, qual é o intuíto de prejudicar uma pessoa desta forma? O meu trabalho foi assim tão mau? É que na altura nada fazia prever isso! Aliás, se bem me lembro, dois meses antes de me demitir as suas palavras foram: 'estamos muito satisfeitas com o teu trabalho'. Então, o que faz alguém mudar assim? Ou, que mal lhe fiz eu para despoletar tanta raiva a meu respeito?
O que mais me revolta nem é a opinião dela a meu respeito, é a forma como paralelamente me prejudicou com aquelas palavras. Porque desta forma e perante uma descrição totalmente hedionda a meu respeito, jamais terei possibilidades de vir a trabalhar naquele grupo editorial, que é apenas, um dos maiores do país. Porque se eu quisesse voltar a trabalhar com ela, tinha de facto, enviado um CV para ela. Mas não. Eu enviei Cv´s para outras pessoas e como tal, acho de muita má fé e de muito baixo nível, alguém tentar manchar o meu nome, o meu percurso profissional e todo o trabalho que fiz durante o tempo que lá estive, desta forma. Como se eu tivesse sido uma nódoa, um erro de casting, ou tivesse denegrido e prejudicado a revista. Como se fosse uma persona non grata.
Confesso que me senti um traste naquele momento, à medida que a minha ex colega me contava tudo isto e o quanto se tinha sentido mal por ouvir toda a conversa. Disse-me que achou melhor dizer-me, para eu saber na realidade, com aquilo que posso contar. Mas a verdade é que não sei se preferia ter sabido. Contive as lágrimas o dia todo para à noite chegar a casa e desabar por completo. Senti-me completamente desprovida de valor. Humilhada.
Às vezes, basta uma crítica para deitar todo o nosso trabalho e percurso por terra. Neste momento é como me sinto.
Mas também sinto, que um dia, hei-de mostrar àquela pessoa em questão, que afinal quem se enganou a meu respeito foi ela.

segunda-feira, agosto 13, 2007

A nu



















Durante estas últimas férias e enquanto estivemos em Amesterdão, ficámos a saber que a Diane está finalmente grávida. Contrariando já todas as notícias que nos chegavam - a última vez que tinha falado com ela as notícias eram de que a 6ª tentativa da fertilização geneticamente modificada, não tinha resultado - mas ao que parece, o sangue que a Diane pensou ser o aparecimento da menstruação e que a levou às lágrimas por uns dias, era apenas uma perda de sangue genuína, resultante de uma gravidez. Engano desfeito e temos mais uma grávida (esta sim, bem merecida), que rejubila com a notícia.
E eu sei que se há alguém que merecia engravidar era ela depois de todo o sofrimento envolvido e de todo o esforço para ter um filho saudável. E sim, fico muito feliz, porque sei o que é viver na pele - literalmente - com isto todos os dias, mas ao mesmo tempo, não consigo evitar este aperto no peito que sinto sempre e quando oiço mais uma notícia de 'bebés', 'gravidezes' e afins.
Como se invejasse perdidamente todas as que neste momento passam e vivem essa sensação.
Por isso pergunto-me: Isso faz de mim uma pessoa má?
Sei que neste momento é difícil para mim falar com a Diane, seja via messenger, seja por email, porque não quero que aquilo que sinto, estrague de alguma forma a felicidade dela, por isso deixo-me estar assim, quieta, sem dizer nada, apesar de saber que o meu silêncio apenas denuncia ainda mais aquilo que me vai na alma e que ela o entende na perfeição. Não é à toa que hoje me mandou um sms a perguntar porque é que ainda não lhe respondi ao email que ela me enviou nas férias e se estava de alguma forma chateada com ela. Claro que não tive coragem de dizer que este meu silêncio é a melhor maneira de lidar com a minha dor e disfarcei, desculpando-me com o regresso ao trabalho e as férias.
Pergunto-me: Isto faz de mim uma pessoa falsa?
Sei que se fosse ao contrário ela provavelmente sentiria o mesmo. Falámos sobre isso quando nos encontrámos aqui em Portugal, mas agora que ela está efectivamente grávida, eu temo não conseguir acompanhá-la na sua alegria, mas sei que se fosse o contrário, eu gostaria que ela me acompanhasse na minha.
Pergunto-me: Isto faz de mim uma pessoa egoísta?
Sei que se tivesse passado por tudo aquilo que ela passou ao longo destas seis tentativas de fertilização, biópsias e até, um aborto induzido, teria desistido a meio do percurso, já teria derramado rios de lágrimas e sentir-me-ia a pessoa mais miserável e infeliz deste mundo, mas se ao menos tivesse essa hipótese, saberia que valeria a pena tentar, ou fazer o sacrifício. Acontece que neste momento eu não tenho hipóteses. Aliás, a minha vida resume-se a uma sucessão de portas que me levam sempre ao mesmo destino: o ponto de partida, deixando-me com um panorama pouco ou nada animador.
Ninguém me impede de ter um filho, apesar de eu saber que o mais provável é ele vir com o mesmo problema que eu, e eu não sei se desejo ter um filho como eu. Não sei sequer, se mereço deitar a este mundo uma criança como eu. Há quem me diga que não devo pensar assim, porque caso contrário não existiria, nunca teria tido a oportunidade de viver tudo o que já vivi, que isso não me define enquanto pessoa. Eu concordo. Mas desejar ter um filho assim, ninguém deseja. Ninguém tem um filho assim por opção.
Pergunto-me: Isso faz de mim uma pessoa fria?
Às vezes penso que apenas quero ter um filho e o resto que se lixe. Talvez por isso, em Amesterdão, me tenha esquecido propositadamente de tomar a pílula e de ter aguardado ansiosamente pela não chegada da menstruação. Mas ela apareceu, certinha, no Sábado de manhã, quando a minha mente já andava a divagar entre nomes de menino ou menina. Chorei compulsivamente sentada na sanita da casa de banho. Sozinha, sem dar parte fraca ao meu marido. Nesta questão, todos os fantasmas que me afligem, são só meus. Acho que ele nunca teve, nem terá, noção da dimensão desta minha ansiedade. Eu sei que ele não gosta de me ver sofrer, que se apercebe do pouco que lhe vou dando a entender, do meu ressentimento, da forma como a mágoa me sai límpida nas palavras, mas nunca lhe dou a conhecer o verdadeiro icebergue que está por debaixo dela.
Pergunto-me: Isso faz de mim uma pessoa calculista?
Sempre pensei que 2007 seria o ano em que engravidaria. Mas neste momento, 2007 revelou-se um ano vazio e sem perspectivas. Começou cheio de esperanças e desabou a meio, restam-me farrapos, sob a forma de consultas, cujas datas se vêem ao longe tantos são os meses que faltam para elas... até lá continuo no limbo da indecisão, da incerteza... continuo a receber notícias de gravidezes vindas um pouco de todo o lado, mostro-me afável mas contida nas palavras. Tenho medo que tudo me traia, até um simples olhar.
Pergunto-me: Isso faz de mim humana?




family questions




















O regresso ao trabalho foi difícil. Aliás, está a ser difícil. Ontem só de pensar que faltavam apenas umas míseras horas para o regresso, o meu estômago embrulháva-se e começava a sentir suores frios. É que ao contrário daquilo que tem acontecido, este regresso após duas semanas de ausência foi custoso, difícil e doloroso. É que quando uma pessoa se está a acostumar a esquecer tudo o que se relacione com trabalho e a não sentir qualquer espécie de saudades deste ambiente conspurcado e das pessoas com as quais temos de conviver/trabalhar e passar a maior parte do nosso dia, eis que elas regressam de novo para nos atormentar. E estas, até à data, são as melhores a fazê-lo.
Como já seria de esperar, todo o trabalho que deixei pendente, assim ficou. Pouco ou nada foi dado seguimento, apesar do meu extenso memo, mails, recados e notas que deixei feitos. Até aqui, nada de novo. Apesar de achar injusto e de saber que este tipo de situação, de espírito de equipa tem pouco ou nada, já não estranho. Sei bem com quem trabalho e por isso mesmo, e também porque sou uma gaja organizada, tudo o que deixei pronto está em perfeito estado de continuar do ponto onde ficou, ainda tendo margem de manobra para preparar as acções que tenho planeadas.
Confesso que este meu regresso fez-me ver, mais do que nunca, que não quero continuar aqui, rodeada destas pessoas, continuar a ser um terceiro elemento e não parte de uma unidade. Que o facto de ter o meu messenger sempre a falhar o dia inteiro, de não ter internet, ou o mail constantemente a bloquear, são outros pequenos grandes pormenores que me fazem começar a ficar cada vez mais farta de tudo isto.
À parte destes desabafos laborais que voltam novamente a fazer parte da minha vida, para mal dos meus pecados, eis que este fds o convívio com os meus pais e sogros deixou-me tudo menos calma. Além de não conseguir, nos últimos tempos ter uma conversa adulta e razoável com a minha mãe, nunca os nossos feitios entraram tanto em conflito. O comportamento dela chega a roçar o infantil, tudo por causa da crise emocional em que anda mergulhada e por culpa da menopausa.
Este turbilhão hormonal faz com que tenha birras, amue, ou pura e simplesmente se comporte como se eu e ela fossemos da mesma idade, ou pior, como se eu tivesse que lhe dar satisfações de tudo na minha vida, ou ainda mais gravoso, como se ela ainda mandasse em mim e controlasse as coisas. Este tipo de desavenças já nos fez ficar chateadas mais de um mês, em que nem ela ligava para mim, nem eu para ela. Quando finalmente as coisas pareciam acalmar, eis que me faz uma cena de todo o tamanho na Ericeira, apenas porque quando chegou lá a casa, eu ainda não tinha a mesa do almoço posta! Ando fartinha deste tipo de responsabilidade com que as pessoas nos atiram frequentemente à cara do, 'És mulher, tens de pensar nestas coisas', como se o facto de ser mulher e casada, tivesse automaticamente incluído o carimbo de 'responsabilidade conjugal e trabalho acrescido' com que as pessoas gostam de nos atirar à cara, principalmente as outras mulheres e que todas as tarefas como ser cozinheira, dona de casa, ama, criada, e todo o tipo de acções serviçais a que as mulheres do século passado estavam predestinadamente incutidas, continuassem a figurar como parte do 'pacote'...
Causa-me bastante estranheza saber que, apesar de ter uma mãe relativamente nova (49 anos), a mesma tenha um comportamento e mentalidade tão pequena e provinciana. E que em vez de lhe notar algum tipo de evolução, abertura ou tolerância, ela regrida e esteja cada vez pior. E eu viro uma autêntica fera quando isso acontece em frente aos meus sogros, porque aí a minha responsabilidade enquanto mulher parece aumentar, como se eu tivesse a necessidade de provar ou de demonstrar perante terceiros, que o filho deles fez uma boa escolha ao casar-se comigo. Como se tivesse de estar constantemente a dar provas de que sou uma rapariga 'prendada', 'simpática', 'que sabe coser', 'bordar', 'cozinhar', passar a ferro', and so on. Como se tivesse constatentemente de demonstrar que faço tudo e tenho todas as qualidades do Mundo, que é no meu marido que encontro a razão do meu ser, que é para ele que eu vivo...
Ora, se há coisa que eu detesto é sentir-me presa, condicionada e ter terceiros a darem-me ordens, principalmente quando estão na minha casa - mesmo sendo os meus pais - e quando eu já não sou propriamente uma criança de cinco anos. E depois além da mãe, é ter uma sogra à perna, que só encontra qualidades no filho e que vê a nora como uma espécie de bruxa má cheia de defeitos, onde as palavras cuspidas vêm carregadas de veneno...
Nunca me senti tão saturada de tudo e de todos como me ando a sentir actualmente. E ter este tipo de pressão vinda directamente da minha mãe e da minha família, é meio caminho andado para me afastar, não ter vontade de estar com eles e não ter paciência sequer, para este tipo de comentários e comportamentos. Talvez esteja a ser muito egoísta e não esteja a saber dar à minha mãe, por exemplo, o acompanhamento devido nesta altura delicada da vida dela, mas considero que ela também não está a ser boa mãe e não está a saber dar-me a força necessária nesta altura igualmente frágil da minha.
E se há coisa que me faz muita confusão, mas muita mesmo, é ver os pais - e neste caso os meus - a quererem projectar nos filhos as ilusões que eles próprios criaram, aquilo que eles querem à força toda que eles sejam e não aquilo que nós, enquanto filhos, verdadeiramente somos. Eu não posso ser a filha idealizada da minha mãe, eu sou eu, com os meus muitos defeitos, mau feitio e resmunguices. Mas ela parece continuar a só ver as partes más e a querer atirá-las à cara frequentemente. Não bastava esse papel já caber à minha sogra, agora ainda tenho de ter o azar a dobrar...

domingo, agosto 12, 2007

Recomeçar




















Recomeça ...
Se puderes,
E os passos que deres,
Nesse caminho duro do futuro,
Dá-os em liberdade
Enquanto não alcances,
Não descanses.
De nenhum fruto queiras só metade.

Miguel Torga, Recomeçar


Faz hoje anos sobre o nascimento daquele, que eu, considero o meu escritor favorito e um marco notável na história da literatura portuguesa. Já tantas vezes aqui mencionado, seria inenarrável da minha parte não lhe dedicar hoje, nesta data tão especial, o merecido mérito e destaque.

Recomeçar, porque me toca e porque nesta altura da minha vida, nunca as suas palavras fizeram tanto sentido.

sexta-feira, agosto 10, 2007

purple wall




















Estas férias não foram só de passeio, também serviram para de um dia para o outro, tomarmos a decisão de darmos uma nova cara àquela zona de passagem no primeiro andar. A nossa casa em duplex, no andar superior, limita-se ao nosso quarto e a uma casa de banho, no entremeio estava esta zona, que sempre quis mobilar mas nunca soube exactamente com o quê. Quer dizer, saber até sabia, ainda não tinha era encontrado nada que me enchesse as medidas e sempre tivemos a dúvida se havíamos de pintar ou de colocar papel de parede. Ora, actualmente existem papéis de parede lindíssimos, mas caríssimos e há falta de melhor, a tinta é mesmo a opção mais barata e sempre cria um efeito visual bonito. Pegámos no carro e demos um saltinho à CIN, perto do parque das Nações, onde escolhemos este 'Malva Velho Caxemire', (nome pomposo não?), um mistura de cor púrpura e rosa. Depois de termos comprado todos os apetrechos e de ter ajudado o C. com a tarefa de 'ir pintando os cantos e umbreiras onde o rolo não chegava', depois de ter pintado sem querer o tecto com uma pincelada de roxo, e de duas demãos, este foi o resultado final. Para primeira parede pintada em conjunto não está nada mal, mas teve de levar alguns retoques denunciadores da inexperiência dos trabalhadores. Depois foi a tarefa de escolher um móvel branco para aquela zona. Isto tudo porque trouxemos de Amesterdão mais um poster para emoldurar e colocar em casa, ou seja, mais um quadro, nesta casa que já quase parece um museu. Desta vez foi o quadro das amendoeiras em flor, de Van Gogh, com um fundo azul divinal. Eu apaixonei-me mal o vi e pronto, mal cheguei a Portugal toca de ir ao Ikea comprar a moldura e voilá! Ei-lo, em todo o seu esplendor! A moldura escolhida foi branca, pois achámos que se destacava, mas essa escolha também nos condicionou toda a restante decoração. De qualquer forma, depois de muito calcorrearmos a Avenida Almirante Reis à procura de uma consola branca em estilo rústico, de termos ido ao Gato Preto no Sintra Retail Park, ao Ikea, e até, a um antiquário perto de Terrugem, lembrámo-nos de espreitar o bazar da Habitat/ou Area, como preferirem, perto de Sintra. E nem de propósito, foi lá que encontrámos esta estante, que de consola tem pouco, mas é branca, estava em perfeito estado, custou-nos metade do preço a que está à venda na loja e ainda serve para arrumar os livros que cá em casa se acumulam em quantidades loucas! Pesa toneladas e trazê-la pelas escadas até ao segundo andar e depois ainda subir as de casa, fez-nos suar as estopinhas, mas valeu a pena! O vaso é do Ikea! Foi carote, mas também me apaixonei perdidamente por ele. Aliás, andava a namorá-lo há muito tempo, não tinha era sítio onde o pôr, por isso, esta foi a oportunidade perfeita. Quanto ao resto, um livro do Chagal, que vê finalmente a luz do dia com o destaque merecido e algumas lembranças trazidas de Amesterdão, como por exemplo um bloco de notas com argolas metálicas que quero transformar em livro de viagens. O quadro de Van Gogh? Bom, há semelhança deste, decidimos deixá-lo no chão. Não foi preguiça em pendurá-lo, é mesmo porque achamos que assim, tem muito mais personalidade.
Estou feliz com a minha 'purple wall'.
E agora vou aproveitar estes últimos dias de férias com uma ida até à Ericeira. Segunda-feira marca o meu triste regresso ao trabalho e eu já começo a sofrer de pré-ansiedade laboral.

Quero praaiiiiaaaaa....!!!