quinta-feira, abril 03, 2008

o cinismo e a hipócrisia que rodeia a minha vida

Os acontecimentos dos últimos dias desta semana foram de tal forma bruscos, inesperados e surreais, que me vi envolta numa sucessão de episódios em catadupa, que pareciam cada um pior que o outro. Apanhei uma crise de nervos tal e tive um ataque de choro tão grande, que cheguei a pensar que algo podia acontecer à gestação, mas felizmente agora estou mais calma e tranquila e tudo estabilizou, mas vamos por partes...
Ora, como vocês sabem a semana passada fiquei em casa durante 3 dias devido a uma tremenda gripe que me atirou à cama. Acorri às urgências da CUF, fui vista e perante o facto de estar grávida de 7 semanas + gripe, a médica nem hesitou: casa, sopas e descanso, muito descanso. Perante isto eu também não hesitei. De manhã, quando acordei, mandei um sms às minhas duas colegas de equipa a dizer que tinha passado mal a noite e que ia às urgências, logo, ia chegar mais tarde. Até aqui tudo bem. Assim que saí do médico liguei imediatamente para uma delas e disse-lhe o prognóstico: estou com gripe e a médica mandou-me para casa até ao final da semana para recuperar. O tom de voz dela mudou e ficou claramente mais seco, mas eu confesso que nem liguei muito, falámos mais umas poucas coisas de trabalho, disse que teria de faltar à formação que iria ter nessa tarde e à apresentação que iria ter na manhã seguinte. Sabia que realmente não era a melhor altura para ficar em casa, mas perante o início de uma gravidez, nem sequer pus em questão ir trabalhar. Pois bem, e foi aqui que começaram os problemas.
Nos dias que estive em casa reparei que a minha colega nunca me ligou, não respondeu aos meus sms e quando falava comigo, fazia-o sempre num tom seco e muito, muito frio. Percebi que ela tinha ficado danada com a minha ausência, porque a verdade é que já a conheço e sem bem com quem trabalho. Claro que ela não sabia o verdadeiro motivo que me levou a ficar em casa e a verdade é que eu também não tinha intenções de lhe dizer. Estou no início, era muito cedo e tinham muito tempo de o saber!
A semana passou e segunda-feira regressei ao trabalho, curada e sem resquícios da gripe. Quando cheguei de manhã reparei que ninguém me deu os bons dias, ou perguntou sequer, se estava melhor. Ela não abriu a boca para falar comigo durante a manhã inteira e a única vez em que o fez, foi para dizer num tom agressivo e muito autoritário: 'Tens de ir entregar a tua baixa à S.'
Perante isto vi que o caldo havio entornado, primeiro, porque ali nunca ninguém pede baixa a outra pessoa por ficar em casa doente e com gripe, a não ser claro, que fique durante 15 dias e não 3 como eu fiquei, segundo, porque sei quando ela está escaldada e terceiro, já calculava que durante a minha ausência ela tivesse envenenado os ouvidos da directora, dizendo que eu tinha aproveitado o facto de a minha chefe estar igualmente de baixa - por ter sido operada - e de ter ficado em casa, me borrifado para o trabalho e feito gazeta. Bem dito, bem certo.
À tarde, depois de uma questão de trabalho que lhe coloquei e à qual ela nem se dignou a responder, decidi confrontá-la, perguntando-lhe directamente se se passava alguma coisa. A resposta foi um peremptório e seco:'Não, porquê?' - ao qual eu respondi:'É que parece, desde que cheguei que não me falas. Fiz alguma coisa?' E pronto, eu fiz a pergunta pela qual ela deve ter ansiado a manhã inteira e a partir daqui gerou-se um bate boca tremendo... ela começou a acusar-me de ter sido má colega, de me ter borrifado para o trabalho, de ter aproveitado o facto de ter a chefe de baixa para fazer gazeta, de não ter feito o sacrifício de ir trabalhar mesmo estando 'com uma simples constipação', ou até, de que ela já veio trabalhar muitas vezes doente, mas que nunca faltou, porque lhe 'pesa na consciência', coisa que pelos vistos eu não tinha. A conversa tomou logo uma dimensão tremenda de acusações, num tom muito ofensivo e eu confesso que fiquei estupefacta como é que uma colega de trabalho e de equipa pode ser tão baixo nível! Mas a verdade é que já sabia com o que devia de contar, pelo menos ali...
Entretanto, antes de tudo isto acontecer e durante a manhã, face ao ambiente pesado e tenso que me rodeava, tomei a decisão de que o melhor era mesmo abrir o jogo e dizer à directora - que tinha os ouvidos cheios pela outra e queria a minha cabeça - de que estava grávida e que esse sim, tinha sido o principal motivo pelo qual fiquei em casa de repouso absoluto. Tentei durante toda a manhã falar com ela no seu gabinete, mas estava sempre ocupada e só perto da hora do almoço o consegui fazer. Comecei por lhe dar o papel que trazia do médico, onde se podia perfeitamente ler que me recomendavam descanso absoluto e justificar-me perante a minha ausência. Ela começou a implicar, dizendo que aquele papel de nada servia e que aquilo não era baixa coisa nenhuma (esta da baixa é mesmo nova para mim). Eu disse-lhe que baixa não tinha, pois não costumo ir às consultas no centro de saúde e não tenho médico de família, vou sempre ao privado, e que por isso, se aquele papel não servia, então o melhor era mesmo descontarem-me no ordenado. Após isto, decidi lançar a bomba, disse-lhe: 'Para além disso, o verdadeiro motivo pelo qual me ausentei a semana passada é que estou grávida de 8 semanas e como deve imaginar, o início de uma gravidez conjugada com uma gripe como a que tive, onde não podia tomar nada, é muito perigoso e podem levar à perda do embrião. Para além disso estava com a tensão alta e a médica nem hesitou na hora de me dizer que eu tinha de ter repouso absoluto.' Ela ficou estupefacta a olhar para mim e lançou um breve olhar para a barriga. Deu-me os parabéns e disse, 'Ok, claro que sim'. E pronto a conversa ficou por aqui. Eu senti-me aliviada, mas confesso que tremia por dentro. Por um lado uma parte de mim estava mais que irritada, porque a verdade é que eu queria esperar pelas 12 semanas e senti-me quase obrigada a contar, mas já que toda a gente parecia querer julgar-me em praça pública, então tomem lá disto e fiquem a remoer-se.
Como se o dia não fosse já suficientemente pródigo em acontecimentos, a minha chefe - a que também está de baixa - decide mandar-me um email de casa a descompor-me por me ter ausentado durante a semana toda por causa de 'uma simples constipação', além de que me presentear com outras pérolas como 'não visto a camisola', ou que 'não me esforço o suficiente'. Uau... isto estava realmente a ficar cada vez melhor! Mas na verdade eu sabia, que estas reacções em cadeia se deviam apenas a uma e exclusiva pessoa, a mesma que não me falava e que tinha envenado todas as outras pessoas contra mim.
Decidi então responder ao email da minha 'querida' chefe, dizendo aquilo que julgava ser em minha defesa face às acusações laborais, mas sem mencionar o verdadeiro motivo: a gravidez.
E assim terminou a segunda-feira...
Terça-feira: O ambiente continuava pesado. Quando cheguei de manhã ao trabalho fiz questão de não dirigir palavra à minha colega que continuava muda e calada. De repente, ela vira-se para mim e diz: 'Mafalda, quando tiveres um tempinho quero falar contigo na sala de reuniões'. Eu apenas disse, 'Ok, quando quiseres' e fiquei a aguardar que ela me chamasse. A meio da manhã ela toma a coragem e fomos as duas em direcção à sala, já sabendo de antemão, que o assunto 'baixa' ou 'ficaste em casa doente', ainda tinha pano para mangas e continaria dentro de breves instantes. Bem dito, bem certo. A senhora começa a sacar das garras e o bate boca do dia anterior continua. Quando eu pensava que ela poderia ter reflectido sobre o que tinha dito no dia anterior e que esta conversa fosse agora decorrer em termos civilizados, proporcionando uma forma de eslcarecermos as coisas a bem, vejo-me confrontada com um ataque cerrado, impiedoso e implacável, voltando a insistir nas mesmas coisas: de que eu não fiz um esforço, de que eu não quis vir trabalhar, de que eu parti logo do princípio que ia para casa e pronto, de que eu só penso em mim, de que eu sou centrada no 'eu'... ando so on.
Perante a situação virei-me para ela e disse: 'Pois bem, queres saber qual é o verdadeiro motivo pelo qual eu fiquei realmente em casa? Não foi só uma simples constipação como lhe chamas, o verdadeiro motivo, é porque além de estar doente na altura, estou grávida de 8 semanas.'
Pensam que ela se mostrou mais piedosa? Qual quê. Continuou na mesma base, a dizer que agora que vou ter um filho, vou saber o que é ter o filho doente e vir trabalhar e que ela nunca, mas nunca, faltou ao trabalho mesmo tendo a filha doente, porque lhe pesa na consciência.' Como devem imaginar, a conversa não nos levou a lado nenhum. Terminou mesmo com um 'Eu não quero trabalhar mais contigo' da parte dela. Saí da sala a sentir o meu coração acelerado e quase a sair-me do peito de tão irritada e enervada que estava. Sentei-me no meu lugar e quando cheguei reparei que tinha outro email da minha chefe a continuar o assunto do dia anterior e outro rol de acusações...
Eu pensei que estava a endoidecer, a sério! Pensei que alguém me tinha rogado uma praga, desejado muito mal, enfim... sentia-me a começar a fraquejar perante os acontecimentos e a perder o controle sobre a situação. No entanto, respondi-lhe. E disse-lhe igualmente o que tinha acabado de dizer à outra: 'Não vim trabalhar porque estava doente com gripe e grávida. Sim, fiquei em casa.Não te queria dizer desta forma, por email, mas face aos acontecimentos é mesmo o melhor.'
Passado uns minutos ligou-me.
Num tom de voz muito querido e simpático disse: 'Sai daí do teu lugar, vai falar lá para fora' e assim que me vi livre da sala da agência começou a dar-me os parabéns e as felicidades e a querer saber tudo, como tinha acontecido, como é que eu tinha descoberto, etc.
E eu só pensava: 'cínica de merda. Estou rodeada por cínicas de merda!'
Disse logo: 'Oh Mafalda, se a razão era essa claro que tens todos os motivos para ter ficado em casa. Eu não sabia, não é?'
Fiquei tão irritada por tudo, que quando desliguei o telefone senti as lágrimas a começarem a escorrer-me pela cara abaixo. Afinal, se eu não estivesse grávida e tivesse 'apenas' com gripe, tinha sido comida viva por ter ficado 3 dias em casa, mesmo tendo justificação do médico para tal. Além disso, fui praticamente obrigada a revelar a todas que estava grávida quando não era essa a minha intenção e fui acusada de ser má colega, egoísta, pouco profissional...
Quando regressei ao meu lugar procurei acalmar-me, mas sentia-me alterada face a tudo e só tinha vontade de desatar num pranto. Levantei-me e decidi ir molhar a cara à casa de banho com água, pelo caminho cruzei-me com a minha colega que durante dois dias decidiu fazer-me a vida negra e com quem tinha acabado de discutir minutos antes. Ela olhou para mim e decidiu aliviar o peso na consciência que devia de ter na altura, dizendo: 'Pronto, desculpa, dá cá dois beijinhos' - agarrando-se a mim em seguida. Eu confesso que aquilo para mim foi a gota de água e não me consegui controlar. Desatei num pranto que só visto. Todos os nervos que tive durante aqueles dois dias convergiram naquele momento e aquele simples gesto de atenção para comigo, mesmo sabendo que era cínico e tudo menos verdadeiro, me pareceu como o consolo que eu queria e que não estava a ter da parte de ninguém. Ela puxou-me para uma sala que estava vazia e disse para eu me acalmar. Perante o meu pranto quase convulso, lá me deu os parabéns e fez algumas perguntas, pediu desculpas por se ter exaltado e que perante a minha justificação nem tinha argumentos porque pensou o contrário, mas que temos as duas um feitio 'explosivo' e que somos muitas mulheres a trabalhar juntas, que irá sempre haver stresses desses, que não queria ficar mal comigo, que se passava um pano sobre o assunto e que íamos começar de novo...
A partir daqui o ambiente desanuviou e ontem e hoje tem sido do melhor. Ela muito simpática e pretável e toda a gente muito contentinha e satisfeita, mas eu confesso que fiquei tão triste e magoada com toda esta situação, que todos os dias me custa levantar e ir trabalhar para ali, com aquelas pessoas, naquele ambiente, naquele lugar. Custa-me ver a hipocrisia que me rodeia, a maldade - porque foi isso mesmo que se passou - uma maldade pura e dura e a vontade de prejudicar o próximo. Eu só fui perdoada porque, vá lá, tive um motivo maior, que foi o facto de estar grávida. Coitada de mim se não o estivesse. Tinham-me feito a forca, cortado a cabeça e espetado com um pau bem no centro, onde todos pudessem ver. Irrita-me o ter revelado algo tão íntimo e pessoal, que só a mim e ao meu marido diz respeito a pessoas que não sentem o mínimo de felicidade pela minha felicidade, a pessoas que invejam aquilo que tenho, e acima de tudo, irrita-me ver que assim como eu fiquei doente, outra colega ficou, durante uma semana inteira, em casa, mas a essa, ninguém lhe pediu baixas, ou papel do médico... que aliás, ela nem tinha....

domingo, março 30, 2008

as pequenas mudanças da minha vida




















Depois de mais de 3 dias fechada em casa, sem sair sequer, para ir à rua comprar pão, hoje foi dia de 'soltura'. Já me sentia fisicamente melhor, não tinha tosse, e bem agasalhadinha, lá me aventurei a apanhar um pouco de ar fresco. Decidimos ir comer ao mexicano, porque acordei cheia de desejos de tacos com queijo fundido e burritos, para grande espanto do C..
Lá fomos até ao Siesta, restaurante onde já não íamos há séculos - e agora então, vamos começar a ir cada vez menos, porque o tempo é de poupanças - e pude matar o desejo. Apesar de ter saciado a vontade, existem imensas coisas que agora não posso comer. Uma delas são as saladas e vegetais crús fora de casa. As análises revelaram que não sou imune à toxoplasmose, o que para quem tem dois gatos num apartamento, como eu, acaba por ser um problema. Para além de evitar tocar nos bichos - que coitadinhos me olham com olhares incrédulos como se fosse a pior 'mãe' à face da terra que abandona os seus filhos - tenho imenso cuidado com tudo o que sejam vegetais crús ou mal cozinhados, e ainda ontem, perdi imenso tempo a lavar as alfaces e até cheguei a deixá-las em água com vinagre por uns minutos, só por via das dúvidas... Isto tudo para falar de que as entradas de tomate crú, com cebola e salsa a acompanhar os nachos de trigo com que o Siesta nos presenteia à chegada, fazem agora, parte da história... isso e as famosas margaritas de limão. Eu fiquei-me pela águinha, sem gás e natural, enquanto o C. despachou duas margaritas num abrir e fechar de olhos, assim, quase sem pré-aviso, perante o meu ar de incrédula e a salivar que nem cão de pavlov... Tudo em prol da 'formiga'.
Tento ter uma alimentação rica e variada, (mais ainda) priveligiando as verduras, legumes e fruta, muita fruta. Sei que os bróculos, a cenoura, o feijão verde ou as ervilhas são ricas fontes de vitaminas, ferro e proteínas e faço por tê-las presentes na dieta, o que sinceramente não me chateia nada, porque gosto de vegetais, mas de vez em quando cometo pecados, como hoje, que me apeteceu pizza para jantar...
Tenho-me sentido bem, não enjôo e as naúseas ou tonturas são, neste momento, quase inexistentes. Os primeiros dias foram mesmo os piores, com as quebras de tensão a fazerem-me quase rodopiar e cair no meio da rua, mas agora, tirando o sono e o cansaço extremo que sinto, já não há grande sinal delas. O sono é mesmo o meu pior inimigo e se sempre fui dada a uma boa sesta, então agora durmo horas a fio, no sofá, na cama, onde quer que seja, sendo mais difícil de lidar com isto quando estou a trabalhar. Nos primeiros tempos o sono era tanto, que cheguei a cometer a triste figura de ir dormir para o carro na hora do almoço, com os bancos rebatidos e sem que ninguém me visse, ali passava uma horinha divina. O café eliminei da lista. Se antigamente bebia dois por dia, agora não bebo nenhum e substitui por chá verde, que segundo todas as médicas que consultei, me dizem ser uma óptima medida. Como muita, muita fruta. Já comia, mas agora tudo o que sejam laranjas e tangerinas, me parece óptimo! Não sei se é a sensação de frescura, se é do ácido misturado com o sumo doce da laranja, nunca me soube tão bem comer laranjas como agora, por isso, é ver-me com elas, em casa e no trabalho, a beber sumos naturais e afins, saciando a vontade. Enfim, segundo os especialistas, as hormonas explicam a coisa.
Hoje também tínhamos na ideia ir à feira do bebé no Jumbo, mas quando lá chegámos estava fechado! Claro! Era Domingo! Acima de tudo queríamos ver preços para começarmos a deitar contas à vida e ter noção das coisas, mas perante a impossibilidade de nos enfiarmos no 'paraíso do bébé', enfiámos nas lojas mais caras para bebé e fizemos a ronda pela pré-natal, bebé confort, chicco e afins, vendo preços de carrinhos, ovos, esterelizadores de biberões, etc, etc. A pré-natal tinha uma promoção óptima de carrinho, ovo, e alcofa, tudo por 349 euros! Tal facto devía-se a serem os últimos artigos da colecção de 2007, daí o preço super atractivo, mas nem eu nem o C. gostámos do carrinho (que era muito tradicional) - é que nós queremos daqueles todos 'hi tech' de 3 rodas - que se há-de fazer? São manias...
Eu sei que é demasiado cedo para comprar o que quer que seja e por isso mesmo, resisto à tentação de comprar o que quer que seja neste momento, até uma simples chupeta, mas gosto de ir vendo os preços, comparando, actualizando-me para o que aí vem.
O que tenho feito é lido muitos livros, que o C. me trouxe logo do trabalho. Uma agenda da grávida já cá canta, assim como um que dá pelo nome de: 'mamã, papá, estou a chegar', uma espécie de guia ilustrado cheio de conselhos e dicas para a grávida aos longo dos nove meses e outro sobre os cuidados a ter durante o primeiro ano. Tenho-me entretido com eles, mas neste momento já sinto falta de leitura mais 'substancial' sobre o assunto, por isso, hoje, fiz a minha primeira encomenda de livros de puericultura e gravidez da net, através do site de Tracey Hogg, uma ex-enfermeira e terapeuta, mais conhecida por 'Baby Whisperer', que consegue maravilhas com os bebés. Esta mulher é tão fantástica nos progressos que consegue com os bebés, que tem inclusive um programa que passava no canal Odisseia - e que eu gostava de ver - mas que acho que deixou de ser transmitido...
Encomendámos dois, este e este, sendo que o segundo já o conheço, pois tinhamo-lo na redacção, quando era jornalista e às vezes fazia artigos didácticos sobre crianças, é uma espécie de 'bíblia' infantil, pelo que dá sempre jeito tê-lo por perto e desta vez lê-lo por interesse pessoal e não por questões de dúvida profissional...
Agora resta-me que cheguem sãos e salvos, para lhes deitar as mãos e devorá-los, quanto ao resto, bom, debato-me com a dúvida de contar já amanhã ou não, à entidade patronal o verdadeiro motivo da minha baixa de quase uma semana em casa e assumir que estou grávida, mesmo só estando de 8 semanas... Eu acho cedo, mas por outro lado, sei lá... a barriga já se começa a notar (acreditem!) e tenho medo de que depois me acusem que andei a esconder, mas por outro lado, acho que este assunto só a mim me diz respeito e que até às 12 semanas o risco é grande e muita coisa pode acontecer (bate na madeira), e que como tal, devia de estar calada mais uns tempos...
Estou tão indecisa... que me aconselham?

quinta-feira, março 27, 2008

quando a felicidade também é feita de medos

Confesso que ainda não consegui digerir muito bem esta sensação de que estou grávida. Que tudo ainda me parece algo irreal e que a qualquer momento vou acordar, ou que algo vai acontecer, que me irá fazer ver que afinal, tudo não passou de imaginação da minha cabeça...
Confesso que ainda me sinto confusa com a velocidade com que tudo aconteceu... ainda ontem eu estava a ir à consulta de check up do cólo do útero e a ter a constatação de que estava tudo bem, e hoje, tenho um resultado de gravidez positivo, análises feitas, ácido fólico a ser tomado criteriosamente todos os dias de manhã, as quebras de tensão e os enjôos a perseguirem-me, e uma foto da 'formiga' pendurada na porta do frigorífico cá de casa, como que a lembrar-me de que afinal é verdade, ele existe mesmo! Tudo isto faz-me andar num estado de 'dormência', se por um lado estou felicíssima da vida por finalmente o meu desejo se ter concretizado, por outro estou apavorada e cheia, cheia de medo do que aí vem, de como ele vem, de como tudo se irá passar... Tento não pensar muito nisso, é certo. Tento pensar de que este bebé que aí vem, esta formiga que existe agora dentro de mim, é um vencedor. Venceu todas as barreiras que tinha contra ele, todas as probabilidades, todas as incertezas, todos os medos, todos os preconceitos e afirmou-se, quando eu menos esperava, bem dentro de mim, como que a mostrar-me que não vale a pena andar tão angustiada por algo que não podemos controlar. Tenho medo de como ele virá, muito, mas por outro lado, também tenho a certeza de que tudo vai correr bem. É como se soubesse que aqueles 50% de que já aqui falei, fossem os 50% certos, de que a face da moeda irá cair para o lado que todos esperamos que caia, e que isso só irá comprovar aquilo que eu já sei, de que esta 'formiga' é uma campeã.
Neste momento, é tudo, mas mesmo tudo o que eu peço.
p.s. - E porque também quero fazer parte do grupo das 'grávidas das barras', pronto, já criei a minha! Ei-la em todo o seu esplendor bem no cimo do cabeçalho deste blogue! Hoje, na consulta com a obstectra, fiquei a saber que afinal estou de sete semanas e meia e não oito como pensava, mas 3 quilos já cá cantam! Por este andar, vou ficar jeitosa vou...

quarta-feira, março 26, 2008

joy of my life

Pronto, não aguentei mais... sei que é cedo e prometi a mim mesma esperar pelas 12 semanas para dar a grande novidade, mas hoje, ao fazer a primeira foto através de sonda, não resisti...
Às oito semanas de gestação e com uma tremenda gripe em cima, a recomendação da médica foi repouso absoluto até ao final da semana, nada de ir trabalhar, ficar em casa no quentinho e de preferência na cama.
Oh, que chatice!
Eu e a minha 'formiga' agradecemos :)

segunda-feira, março 24, 2008

alicia keys e a páscoa


Eu já não actualizo este cantinho há algum tempo, eu sei! Estou em falta, mas as novidades têm sido tantas - assim como o cansaço - que a vontade de vir aqui escrever algumas palavras vai ficando adiada. A Páscoa correu bem. Fomos até às Caldas, a casa dos meus pais e por lá ficámos em fim-de-semana prolongado, ontem, Domingo, foi dia de almoço de família com os meus sogros e de reunião familiar. Devido ao mau tempo, à chuva e ao frio, quase nem saí de casa, apenas o fiz no sábado à tarde para ir tomar um café e ver o movimento da cidade, mas mais valia ter ficado em casa, pois fiquei com uma valente gripe e hoje ando aqui, ensopada em lenços de papel, vitamina C e cházinho, cheia de dores de garganta e vontade de me enfiar na cama e ir para casa.
A semana passada fomos até ao concerto da Alicia Keys. Confesso que depois de ter andado algumas semanas em que ainda não tinha o bilhete a desejar tê-lo para ir vê-la, quando o próprio dia chegou, a vontade era pouca ou nenhuma. Mesmo assim, lá fomos, num dia em que a noite estava fria e gelada e o vento andava num corropio danado. Foi bom, mas ter estado tantas horas de pé, matou-me! Eu em cima de uns saltos (nunca mais perco esta mania) e cerca de 4 horas em cima das pernas sem um único descanso. Foi muito bom e ela é realmente fantástica, o som desta vez esteve excelente, e tive lugar de privilegiada, mas confesso que não via a hora de aquilo acabar e de ir para casa... nem esperei pela última música, quando já toda a gente batia palmas e fazia barulho para que a diva regressasse ao palco... meti-me a andar dali para fora, numa ânsia danada de chegar a casa primeiro que todos. Desculpa lá Alicia, fica para a próxima, mas prefiro ouvir as baladas no conforto do lar e do carro, confortavelmente refastelada...
Quanto a fotos, bom, as poucas que não estão desfocadas, deram lugar aos vídeos que fiz e do qual vos deixo estes dois, com uma das minhas músicas preferidas...



segunda-feira, março 17, 2008

weekend pieces

Mais um fds que passou demasiado rápido, a única coisa que realmente me alegra, é o facto de esta semana que começa, ser mais curta. Custou-me bastante a semana passada trabalhar e ser produtiva, principalmente depois de ter estado 4 dias em casa de 'mini-férias', mas lá se passou. Ultimamente tenho-me sentido muito cansada e cheia de sono, por isso, aproveito todos os bocadinhos que tenho para dormir. E que sonos eu durmo! Adormeço numa questão de minutos e durmo profundamente. Depois, acordo passado umas duas horas e fico fresca que nem uma alface. Eu sempre adorei dormir, é a minha terapia, durmo em qualquer lado, não estranho camas e desde que tenha um cobertor e me sinta aninhada e quentinha, estou pronta para 'hibernar'. (ao contrário do C., que nunca dorme sestas e se calha em adormecer, depois passa o resto do dia mal disposto...) Já eu, tenho essa costela 'espanhola' e acho que não há nada como uma boa sesta para depois ser produtiva! eh eh eh
Sou de tal forma adepta do sono, que muitas vezes, durante a semana, se chego a casa por volta das sete da tarde durmo até às oito e depois acordo, cheia de energia e vou fazer o jantar... Mas adiante (que grande dissertação escrevi sobre o sono! acho que tenho de pôr um conteúdo mais interessantes neste blogue...)
Na sexta-feira fomos ao cinema ver o filme 'Este país não é para velhos' dos irmãos Cohen e onde o Javier Barden ganhou o óscar. É giro, eu gostei. É o estilo Cohen, não há dúvidas, mas aquele final, aquele final, não me convenceu! Mas pronto, isto é apenas a minha opinião. Mesmo asim o filme durou umas duas horas e eu já não tinha posição para estar sentada no cinema. Encontrámos anda a minha colega de trabalho, a F. e o namorado, no El Corte Inglés. Iam ver o mesmo filme que nós, por isso, quase que pareceu um double date - e sem combinarmos nada.
No Sábado uma das minhas melhores amigas veio a Lisboa e encontrei-me com ela no Chiado, à tarde, que pululava de gente. Imensas pessoas decidiram aproveitar o sol primaveril do dia para passear por aqueles lados e nós não fomos excessão. Estivemos nos amazéns do Chiado a almoçar e a tomar café. Foi bom vê-la, saber as novidades. A C. é sem dúvida, uma das minhas melhores amigas. Vivemos juntas e partilhámos a mesma casa durante anos, enquanto estudávamos na faculdade. Considero-a como família, a filha dela é sem dúvida, a minha sobrinha mais linda e apesar de as circunstâncias da vida estarem completamente diferentes e alteradas em relação há uns anos atrás, quando estamos juntas, é como se nada tivesse mudado. Acho que é isso que caracteriza uma verdadeira amizade. Não é o tempo que afasta as pessoas, as pessoas é que se afastam umas às outras, pelos mais variados motivos. Eu e ela, apesar de separadas por mais de 100 kms de distância continuamos a falar-nos e a ver-nos, sempre que pudemos. Porque na realidade, vontade não nos falta.
À noite fomos à festa de aniversário da R. que comemorou os seus 30 anos. Foi um convívio informal, na nova casa dela, onde estivemos todos juntos até às 3 da manhã. Escusado será dizer, que hoje, me senti o tempo todo como uma zombie. Já não estou habituada a fazer 'noitadas'.
Hoje, Domingo fomos até à Lourinhã visitar a S. e o F. e ver o bebé deles, que já está de 4 meses e meio! Entretanto ela está de regresso ao trabalho - mais um mesito - e já se sente angustiada. (Pudera, quem é que não ficaria?)
Cheguei a casa eram oito da noite, cansada, esfomeada e cheia de sono (outra vez), depois de uma caneca de leite, duas torradas e uns biscoitos, adormeci no sofá e só acordei há minutos, mas, para não fugir à regra, ainda fui preparar qualquer coisa para levar para o meu almoço amanhã. O C. foi trabalhar o dia todo e eu, quando estou sozinha, não gosto de fazer comer, além de apreciar este tempo 'só para mim'. Achei por bem não terminar o meu fds sem vir à net e escrever algo - apesar de saber que este post não está grande coisa - mas adiante! Deve ser do avançado das horas e dos olhos, que já me traem e pesam, reclamando mais umas horitas do sono dos justos.

quarta-feira, março 12, 2008

ADN


















O resultado do meu teste genético chegou. Após dois meses de espera, as notícias não foram animadoras. Deu negativo. Outra vez. Não conseguiram encontrar nada ao nível do gene estudado que pudesse explicar a origem da mutação que provoca a ictiose bulhosa.
Confesso que quando ouvi o resultado não fiquei surpresa, nem triste, nem desanimada, nem magoada. Porque de certa forma, já sabia que essa probabilidade existia, era real e podia acontecer. Porque de certa forma, já tinha passado por isso o ano passado e depositado tantas esperanças, convicta que estava em um resultado positivo, que desta vez, as minhas aspirações, foram apenas o suficiente para me fazer acreditar, que fiz tudo aquilo que estava ao meu alcance. Quando a técnica de laboratório me disse que o resultado tinha sido negativo, eu escutei com toda a atenção, mas o meu coração acalmou, batia compassadamente e não se sentia oprimido, nem aflito, nem angustiado. Foi como se toda aquela ansiedade provocada pela espera de algo pelo qual eu não queria esperar, tivesse assentado no meu peito. Como se a resignação perante a notícia fosse ao mesmo tempo uma calmia. Dar paz a este meu coração sofrido com todas estas histórias de testes genéticos e possíveis tratamentos para ter um hipotético filho saudável... Tudo coisas que se prolongam no tempo, numa projecção difícil de conseguir calcular, numa linearidade que eu vejo sempre como distante, num futuro que se prolonga por demasiados meses, por demasiada espera, por demasiada angústia, às camadas, levando-me até ao limite... e logo eu, que nunca fui uma pessoa paciente! Porque para mim, não agir é sentir-me impotente, não fazer é sentir-me atada, não avançar é matarem-me aos poucos...
Por tudo isso, eu e o C., há muito que tínhamos tomado a decisão de que independentemente do resultado do teste genético, não iríamos fazer mais nenhum e que se o mesmo viesse negativo, então, pararíamos por aqui. E é isso que iremos fazer. E foi isso que comuniquei à técnica que me facultou a informação.
A ictiose é uma das doenças genéticas mais difícieis de diagnosticar. Não só por se subdividir em tantas variantes, como por o conhecimento da mesma ser quase nulo, principalmente no que toca à investigação científica e ao conhecimento genético. Estudar um gene, uma mutação, sem saber por onde começar, é como procurar uma agulha num palheiro e nem o resultado da biópsia ajudou a estreitar mais essa procura, ao ser-me diagnosticada 'ictiose bulhosa de siemens'. Nem isso pareceu ajudar. Existem mais dois outros testes - dentro da ictiose bulhosa de siemens - que eu ainda poderia fazer, mas depois de termos pago 1000 euros por este e de o resultado ter sido negativo e termos ficado exactamente no mesmo ponto onde estávamos, a ideia de gastar mais outros hipotéticos mil euros e eventualmente, mais outros mil euros, esgotando todas as nossas hipóteses, parece-nos um esforço descabido e inútil. Porque, mesmo que depois destes 3 testes feitos se encontrasse algo que me permitisse fazer tratamentos de fertilização in vitro através da técnica do embrião genéticamente modificado, com que dinheiro eu faria esses mesmos tratamentos? É que entretanto, ficaríamos depenadíssimos, tudo num esforço quase inglório de ter um filho. E que qualidade de vida lhe daríamos se o tivessemos? Pelo privado não teríamos dinheiro para suportar os tratamentos e pelo público esperaríamos anos, prolongaríamos a ansiedade e o sofrimento e levaríamos a nossa relação até ao limite, desgastando-a com este assunto.
Todos estes motivos pesaram na hora de decidir que este resultado negativo foi quase um presente. Um presente que veio sossegar o meu coração. Colocar uma pedra sobre o assunto.
Fiz tudo o que estava ao meu alcance. Sinto-me cansada desta luta. Dos contactos diários com médicos, dos emails trocados, deste esforço constante e solitário.
Resta-me a opção dos 50-50. Eu tenho 50% de hipóteses de ter um filho saudável. E vou-me agarrar a esses 50% com unhas e dentes.
Se a moeda cair para o lado errado, não será por isso que ele não será amado. Queremos acima de tudo constituir uma família e o C. sempre soube dos riscos que corríamos quando decidíssimos ter filhos por causa da minha doença. A minha pele nunca foi um problema entre nós. Ele nunca me viu como 'diferente', nem me tratou com tal. Sempre me fez sentir a mulher mais especial do mundo e eu sempre me senti abençoada por o ter na minha vida. Claro que quando falamos em filhos, queremos que eles nasçam saudáveis em tudo, perfeitos, evitar a todo o custo que passem pelo mesmo sofrimento que eu, por exemplo, passei. Mas eu fiz tudo aquilo que podia fazer e acho que chega. Por agora chega e eu não sinto, ou ache que deva sentir, remorsos por esta minha decisão.
Eu acredito que tudo na vida acontece por uma razão e que há coisas, que por mais que tentemos, não nos compete a nós decidir o que a mãe natureza pode ou não fazer.
E eu vou, a partir de hoje, deixá-la seguir o seu curso.


terça-feira, março 11, 2008

ken lee


Eu choro a rir a ver este vídeo!...

'Keeeennnn Leeeeeee. Tulibudi budi douchoooooooo'

domingo, março 09, 2008

bacalhau com broa e espinafres



















Esta receita de bacalhau com broa de milho e espinafres, é provavelmente a minha nova receita favorita! Fica sempre bem, faz um 'vistaço' e é super saborosa, embora seja um pouco trabalhosa.
Para quem, como eu, adora comer, é sem dúvida a escolha acertada para impressionar sogros, pais, e demais familiares.
Hoje foi o nosso almoço, mas apenas a dois.
Depois de uma semana de férias, preparo-me psicológicamente, para regressar à dureza do dia-a-dia.
É incrível como o tempo voa quando não estamos a trabalhar...

sábado, março 08, 2008

six feet under

Esta série mexe com alguns dos meus medos e sentimentos mais profundos...

Talvez seja por isso, que tenho cada vez mais consciente, o medo de perder quem amo.

domingo, março 02, 2008

making things happen


















Resolvi seguir à letra um dos conselhos do 'The Secret', de forma a atrair para a minha vida, as coisas que quero. Já há algum tempo que tínhamos o placar cá em casa, mas só hoje, com tempo e disposição, me atrevi a 'calcorrear' todas as revistas que tinha cá em casa a encherem-se de pó e recortar tudo aquilo que, de alguma forma, reflectisse os meus desejos. Diverti-me a fazê-lo, mas ainda não está completo (nem sequer vai em metade), mas sinto-me orgulhosa por tê-lo feito.
Neste momento, já se encontra no escritório, em sítio estratégico, de forma a poder vê-lo todos os dias, atraindo tudo isto, até mim.


'Your thoughts and your feelings
Create your life'
The Secret - 2007

cinco



















2 de Março...
Faz hoje 5 anos que eu e o C. começámos a namorar, na distante Madrid.
O tempo passa a correr...



domingo, fevereiro 24, 2008

Good vibes



















A semana tem sido pródiga em boas notícias, ou então sou eu, que tenho andado animada ao ponto de me sentir feliz e em harmonia com tudo o que me rodeia. (E há coisa melhor?)
Para começar, na sexta-feira, a minha chefe chamou-me, e em jeito de confidência, comunicou-me que serei uma das poucas pessoas a ser aumentada na agência! 'O quê? Desculpe, repita lá outra vez... Vou ser aumentada?!?' Só me apetecia gritar de tanta felicidade! Afinal, o meu desejo cumpriu-se, mas a verdade é que ainda nem acredito bem de que o mesmo se realizou! Acho que isso só irá acontecer quando vir o extracto do saldo bancário do ordenado do próximo mês. Não podia ter vindo em melhor altura.
Depois de saber que a Amy Winehouse vem ao Rock in Rio e de que actuará no mesmo dia que o Lenny Kravitzs a minha felicidade redobrou! O C. deve ser o maior fã de Lenny Kravitzs que conheço e já é antigo o nosso desejo de vê-lo ao vivo, em Portugal, e em conjunto. Quando soubemos que ele vinha cá para a edição deste ano, concordámos que iríamos vê-lo, mas saber que vai ser uma dobradinha, multiplica ainda mais o meu estado de excitação! Confesso que no dia em que ouvi a notícia (o C. ligou-me só para me dar em primeira mão), enviei sms para todos os 'Amy addicted' que conheço, e todos, sem excepção, tiveram uma semi 'paragem cardíaca' de excitação. Confesso que aos 29 anos, nunca pensei ter um comportamento tão adolescente em relação a uma cantora, mas a verdade é que a música da miúda me provoca taquicardias emocionais!! Dia 28 os bilhetes são postos à venda e eu quero garantir o meu lugar.
Por último, a minha querida R. está de volta! Tenho tantas, tantas, saudades daquela louca sonhadora inveterada! Estou desejosa de lhe dar um abraço enorme e bem apertado, de ficar fula com os atrasos dela ou com as perguntas inconvenientes que faz, com a análise justa com que me alerta sobre coisas que eu própria não consigo ver e com a forma como todos sentimos que o grupo agora volta a ficar completo com o seu regresso.
Acho que todos nós nos sentimos meio amputados com a sua ausência.
É bom ter-te de volta outra vez.*
(E esperemos que agora não fujas para o Cambodja!)

quinta-feira, fevereiro 21, 2008

I´m addicted to Amy

Opá, opá, opá, ela vem cá!!! :)

É agora que vou ao Rock in Rio!!!

(Esta música não está no álbum, 'Valerie', e eu simplesmente, adoro-a!!)

quarta-feira, fevereiro 20, 2008

eu tenho dois amores...


















Ter dois gatos não é tarefa fácil! Eles exigem atenções a dobrar, cuidados a dobrar, e paciência a dobrar, porque quando se lembram de desatar às corridas pela casa, empoleirando-se em tudo o que é sítio e fazendo-me perder a paciência, não há amor de 'dona' que resista! Nunca consigo ter nada devidamente estimado e muito menos no sítio, ou até mesmo 'limpo', porque os pêlos multiplicam-se a uma velocidade impressionante e por mais que tente ter tudo em ordem, não consigo! E para mim, que sou um pouco 'control freak', é um autêntico desafio, ficando a maior parte das vezes em estado de 'sítio', depois de me passarem as fúrias do primeiro impacto visual. Tudo isto para contar que agora, existem imensas pessoas que optam por ter dois gatos. Conheço várias. Com uma vida atarefada e ocupada com o trabalho a maior parte do tempo, o gato aparece como o animal mais 'óbvio' para quem vive sozinho, passa pouco tempo em casa e gosta de animais ao ponto de querer ter um. Eu, no entanto, sou suspeita, pois sempre gostei mais de gatos que de cães. São igualmente meigos, carinhosos, brincalhões, mas também são muito mais autónomos e independentes, faceta da sua personalidade que me agrada imenso. É que nunca gostei de pessoas e/ou animais extremamente carentes, não que eu seja uma pessoa fria - não é isso - mas gosto que até um simples animal não esteja completamente dependente de mim ao ponto de passar uma noite inteira a chorar - como acontece com um cão - se não o deixo dormir na minha cama, entrar para o quarto, ou ter de ficar sozinho em casa! Claro que deixar um animal sozinho é sempre difícil, seja ele um gato ou um cão, mas o gato, por saber lidar melhor com essa 'solidão' e por passar 90% do seu tempo a dormir, talvez não sofra tanto.

Quando decidimos ter um segundo gato, queríamos acima de tudo, dar um 'irmão' à Magali, alguém com quem ela pudesse brincar de forma a não se sentir tão sozinha. Eu notava no olhar dela, que por passar a maior parte do dia em casa, sem a minha companhia, andava deprimida (é verdade, os animais também sofrem). Foi mais ou menos nessa altura e depois dos meus sucessivos pedidos, que o C. trouxe para casa o Gaspar. Um presente de aniversário, que veio dentro de um caixote. O Gaspar era uma ternura em forma de bola de pêlo e com o tempo, transformou-se num enorme gatão, gordo e com uns irressístíveis olhos verdes. Mas sempre foi muito diferente da Magali, que apesar de brincalhona, sempre foi calma e sossegada, mas lá com o seu feitio 'especial'. Durante 4 anos foi a raínha e senhora da casa e de repente, eu coloquei cá dentro um 'intruso' para quem iam todas as atenções... durante uns tempos, a situação foi difícil de lidar e ainda hoje, continua a ser uma relação cheia de 'altos e baixos', consoante o humor da fêmea... (enfim, 'gajas'!!)

Hoje em dia as coisas acalmaram entre eles, se bem que ela de vez em quando tem ataques de fúria e ataca-o, mas ele nunca se dá por vencido durante muito tempo. É daqueles que não desistem e que chegam mesmo a tornar-se 'irritantes' por serem tão persistentes. Sempre de volta dela, prestando-lhe uma idolação cega, o Gaspar dá-lhe beijos, lambe-a, desafia-a para a brincadeira e acima de tudo, irrita-a! E ela gosta. Eu sei que gosta. Mas nunca se manifesta nesse sentido. Faz-se de difícil (como uma verdadeira senhora) e impõe o respeito, mas quando menos esperamos, é ela que o provoca, completamente excitada com as corridas loucas dele pela casa e com a sua personalidade 'spidada' e energia inesgotável.

Continua apesar de tudo, a reclamar imensa atenção. Adora festas, enroscar-se no meu colo, dar miados pieguinhas a pedir atenção, dormir aninhada num cobertor, ou sentar-se na mesa onde tenho o computador simplesmente ao meu lado (como está neste preciso momento). Eu sei que sou a sua 'mãe' e que ela me adora. A minha 'preta', como carinhosamente a chamo, foi o meu primeiro animal de estimação mesmo 'meu', quando tive a minha primeira casa 'mesmo minha'. O Gaspar é o oposto. Meigo, carinhoso, mas igualmente dependente e muito, muito enérgico (às vezes demais) é de uma vivacidade enlouquecedora e nunca pára muito tempo quieto no mesmo sítio. Adora andar debaixo dos nossos pés, entrar à socapa no nosso quarto, roer todas as minhas plantas, espalhar a água da tijela pelo chão fora e enrolar todos os tapetes, mas quando se enrosca e se sente confortável, agarra na cauda e chucha nela, como um verdadeiro bebé, até a mesma ficar completamente empapada em baba...

A vida nunca mais foi a mesma a partir do momento em que tivemos dois gatos. Claro que há coisas que se complicaram, como por exemplo, as férias, mas tudo se tem resolvido. A Magali adaptou-se à presença de outro elemento felino no apartamento, apesar de nem sempre continuar a lidar com isso da melhor forma, mas acho que até ela, mesmo não querendo dar a mão à palmatória, se sente feliz por tê-lo por cá.

domingo, fevereiro 17, 2008

coração alentejano


















Eram tantos os recantos românticos, os majestosos e convidativos alpendres, as cores fortes e apaixonantes, a beleza do tradicional revisitado, o romantismo e a paixão de cada detalhe, que sinceramente, nem sei por onde começar. A máquina (renovada e completamente operacional), disparou em todos os sentidos, tentando reter em imagens, aquilo que as pulilas dilatavam perante a beleza de semelhante local. O laranja forte entranháva-se na pele e a tranquilidade do sítio inspira-nos a relaxar e a apreciar a beleza da paisagem, a calmia e a paz de espírito destas planícies. A 'riscas', a carinhosa gatinha que percorria todo o monte com a certeza de que tudo quanto pisava lhe pertencia, vinha todos os dias dar-nos os bons dias, com um miado frenético e umas breves corridas, deleitando-se por fim com as festas que lhe fazíamos e sentando-se ao nosso lado, com aquela confiança e certeza de quem já é nosso amigo. O quarto em tons de azul, 'vêdere', proporcionou-nos sonos tranquilos e momentos românticos, onde nem a chuva e o vento que se fizeram sentir hoje pela manhã, quando acordámos, nos preocupou. Foram três dias magníficos, num sítio igualmente belo, que me fez sem dúvida ter a certeza de que há momentos de pura felicidade. Este fim-de-semana foi um deles.
Mais fotos, aqui.

sexta-feira, fevereiro 15, 2008

celebrate!


Dia muito positivo, a destacar:
- O ramo de flores silvestres - em tons verde e lilás - com que o C. fez questão de me presentear. (entre muitos outros mimos)
-Muito trabalho, mas igualmente boa disposição e bom ambiente. (mais dias destes é que é preciso)
- Véspera de fim-de-semana prolongado no Alentejo. (é já amanhã que partimos!!)
- Encontrei a minha velhinha câmara fotográfica no dia anterior a ir buscar a actual que já se encontra arranjada! (pelo menos ainda deu para tirar algumas fotos apesar de não terem ficado grande coisa. ando a perder o jeito)
- Jantar com os amigos, na comemoração dos 31 anos da L. (muito riso e histeria de grupo em uníssono)
- Confirmação médica de que estou oficialmente 'curada' do meu problema no cólo do útero! (a alegria do peso tirado de cima dos ombros)

Hoje, foi portanto, a comemoração de muitas coisas boas...



Weeeeeeee!!!


quarta-feira, fevereiro 13, 2008

one more day

A semana tem passado a um ritmo frenético e eu confesso que até gosto, pois prefiro mil vezes estar ocupada e mal ter tempo para me coçar, do que andar a inventar o que fazer. E esta semana com produções, making-offs, reuniões e afins, tem passado a voar! As notícias têm sido boas, pelo menos no que diz respeito ao meu trabalho, e ao que tudo parece, ganhámos mais uma conta onde fomos a concurso com mais outras agências. Ora, a particularidade de eu estar tão entusiasmada com a dita conta, deve-se ao facto de ser a account que irá trabalhá-la e isso confesso, motivou-me! entretanto, não sei se já tinha referido aqui, houve reestruturações internas ao nível das equipas e com as mudanças feitas, foi-me atribuída outra conta: de Spas! (fiquei maravilhada!) Por isso, até ver, as coisas têm estado favoráveis para os meus lados. Acho que para colmatar o aumento do volume de trabalho, e proporcionar uma motivação extra, um aumentozinho é que vinha mesmo a calhar! (nunca estiquei tanto o ordenado como actualmente... mas isso é outra história.)
Entretanto a minha chefe lá me deixou tirar a sexta-feira e a reserva na Herdade do Reguenguinho já está feita, pelo que se adivinham 3 dias de 'mini-férias' no Alentejo, apesar de as previsões meteorológicas preverem chuva... mas nem quero saber, quero apenas ir e descansar, passear, comer bem e namorar muito.
Entretanto amanhã, dia dos 'namorados', vamos comemorá-lo com um grupo de amigos. A L. faz anos e vamos todos conviver, no que promete ser um serão bem animado.
(e como sexta-feira não se trabalha, a noite promete!)

segunda-feira, fevereiro 11, 2008

Herdade do Reguenguinho















Pois é, já está marcada e eu comecei a bendita contagem decrescente! A nossa escapadinha romântica de 3 dias para celebrar a semana dita dos 'namorados' será para aqui.
A Herdade do Reguenguinho é em pleno Alentejo, perto da costa vicentina - como nós gostamos - e promete ser um local óptimo para retemperar forças e apreciar a calmia e a paz de espírito próprias da paisagem. Nós, somos suspeitos, pois amamos o Alentejo. Por nossa vontade já nos tínhamos mudado de malas e bagagens para estas planícies a perder de vista e feito algo do género: recuperar um monte e transformá-lo em turismo rural, mas vamos sempre adiando o sonho, demasiado presos que estamos à vida na cidade... quem sabe, um dia.
Por isso já sei que no próximo fim-de-semana (que para mim à partida, será de 3 dias pois já pedi a sexta-feira), o C. passará o tempo todo a suspirar com o coração meio apertado, por ver o sonho dele bem diante do olhos, mas a nossa vez parecer nunca mais chegar. Para mim, esta escapadinha terá cheiro a férias. É que ainda chegámos a fazer simulações para ir a Londres - que me anda atravessada na garganta há muito tempo - mas neste momento não podemos fazer grandes loucuras financeiras... e ir a Londres, mesmo que por 3 dias, significava gastar muito dinheiro. Por isso, ficamo-nos por Portugal, em ambientes de deleite como este, onde impera a beleza do natural e a política da tranquilidade e retemperamos forças, a dois.
Espero que a minha máquina já esteja 100% operacional, pois estou cheia de vontade de fotografar tudo o que mexe e o que não mexe.
O quarto também já está escolhido, será o vedere, em tons de azul marinho e inspirações árabes - a verdade é que já era dos poucos disponíveis tirando as suites - e eu, apesar de não ter no azul a minha cor favorita, terei certamente sonhos azuis e perfumados, debaixo do céu estrelado alentejano, onde as estrelas cadentes caem às dezenas por noite, sem pedir licença e onde eu me perco nos desejos pedidos.
Acho mesmo, que até já comecei a sonhar...




quinta-feira, fevereiro 07, 2008

pieces of me

Pois bem, a máquina digital continua avariada e eu continuo sem ter o meu 'apêndice' operacional. Confesso que acho um pouco estranho actualizar o blogue apenas com texto, sem ter nada de imagens para colocar, mas infelizmente, o tempo tem sido tão pouco, que nem tenho podido actualizar isto por aqui, por isso, durante uns tempos terá de continuar a ser assim, somente palavras. A verdade é que não sei onde coloquei a antiga e por isso, não a encontro e não tenho fotografado absolutamente nada. Entretanto fomos ao El Corte Inglés na segunda-feira, véspera de feriado, para irmos ao cinema, mas como chegámos cedo e ainda jantámos por lá, levámos a máquina para mostrar o que tinha acontecido e perguntar se a mesma tinha arranjo. Disseram-nos que à partida sim tinha, porque na realidade tinha sido apenas os cristais do ecrã que tinham partido, talvez devido a uma pressão qualquer (é o que faz andar com ela sempre na mala), mas que o arranjo da mesma se calhar iria custar tanto como comprar uma nova... vamos ver! De qualquer forma, teremos de a levar a outro sítio, ou seja, mesmo à marca, por isso espero que o C. a leve lá amanhã e que afinal as coisas se resolvam mais facilmente do que o previsto.
Entretanto, os contactos feitos com pessoas com ictiose vão de vento em poupa! Tanto, que amanhã, sexta-feira à noite, iremos todos jantar - pelo menos as pessoas que moram em Lisboa e arredores - para nos conhecermos. Confesso que estou um pouco ansiosa, mas também, receosa. Acho que amanhã seremos apenas umas quatro pessoas (realmente com a doença), mas acompanhadas pelos respectivos maridos e namorados. O C. vai comigo, nestas coisas, tenho um marido que gosta muito de conviver e que até acha piada a estas novas experiências em que o vou colocando. Eu confesso que acho piada e gosto que ele reaja assim, tão 'easy-going' e que isso também acaba por funcionar como um incentivo para continuar. A ideia do jantar surgiu um pouco de repente, de forma quase meio espontânea. Estava a falar na net com a C., uma rapariga praticamente da minha idade e que tem uma menina de 3 anos com o meu nome, quando ela disse:'gostava tanto de te conhecer. Temos de combinar qualquer coisa um dia destes' e como houve uma empatia tão grande entre nós, eu sugeri o jantar assim de forma meio louca e ela concordou logo! A partir daí foi enviar emails a todos os outros e perguntar se queriam estar presentes. As respostas não demoraram e toda a gente parece ter aderido à ideia, tirando uma ou outra pessoa que não pode estar presente por já ter planos feitos e por termos tido a ideia louca de combinar tudo assim em cima do joelho. Por isso, amanhã, lá nos vamos encontrar, na Pizzaria Capricciosa em Alcântara, para conviver, conhecermo-nos e trocar experiências de vida. Tem sido muito proveitoso falar com estas pessoas online. Não só porque falo com pessoas mais velhas que eu e com vidas diferentes da minha, como descubro que apesar de não as conhecer de lado nenhum, conseguimos ter conversas muito agradáveis e realmente úteis no que diz respeito ao assunto que nos une: a nossa pele.
Uma coisa que constato em relação às pessoas que tenho conhecido, é que aquelas que têm filhos, quase todas tiveram filhos saudáveis. A C. por exemplo, que é mãe de uma menina de 3 anos, tem uma filha perfeitamente saudável, e a A. que já é mãe de um rapaz de 23, idem... O que me faz constatar que no que diz respeito aos tais '50/50' de hipóteses de vir 'com' ou 'sem' a doença, é mesmo uma questão de sorte e de lotaria genética... mas pronto, não querendo ainda atirar-me de cabeça e pensar que há sempre essa boa possibilidade, irei tentar fazer até onde conseguir para tentar de futuro, conseguir garantir e salvaguardar a outra parte menos boa de ocorrer.
Outra novidade, é que hoje fui à médica da Cuf que me fez o exame do cólo do útero. Não pude ser examinada porque estou 'periódica', mas a consulta ficou marcada e adiada para a próxima semana. Entretanto, fiquei a saber os resultados da tipagem do vírus do HPV e infelizmente, eu tenho os piores e os mais perigosos de todos... apesar de à partida agora estar tudo bem, eles continuam cá no meu organismo e se não for regularmente vigiada corro sérios riscos de futuro de desenvolver um cancro do cólo do útero... mas pronto, confesso que neste momento não quero nem pensar nisso. Na próxima semana a médica irá examinar-me e provavelmente falaremos com mais calma sobre este assunto. Espero ficar esclarecida e ter boas notícias, mas sei que deste problema já não me consigo livrar até ao resto da minha vida... e pensar que andei durante anos a ser vigiada e a ir à médica ginecologista regularmente, a fazer papa-nicolaus que afinal, os resultados deram todos 'falsos negativos' e que o problema estava cá, mas que nenhum exame de rotina conseguiu descobrir... O que me vale é que tudo ainda foi descoberto e tratado a tempo e aparentemente, conseguimos livrarmo-nos do problema. Mas só na próxima semana saberemos se está mesmo tudo bem e se posso dormir tranquila durante uns tempos. Provavelmente esperam-me exames de rotina todos os 6 meses e uma vigilância apertada - um pouco à semelhança do que faço com o peito - mas isso é outra história... O que me faz constatar que para quem, como eu, ainda nem tem 30 anos, já começo a ficar com demasiados problemas de saúde para carregar pela vida fora...
De resto, no trabalho, tenho tido: muito trabalho! Parece uma contradição, mas as coisas têm andado agitadas e eu começo a ter mais responsabilidades, coisa que me agrada como é lógico e me dá um novo incentivo e estímulo, mas há dias que me apetece implodir o prédio todo e certas pessoas em particular.. ehehehe (eu e este meu mau feitio).
Ando cansada e a precisar de férias, mas espero na próxima semana conseguir fazer uma escapadinha de 3 dias com o C. e comemorar com mais calma a semana dita 'dos namorados', indo ou até à serra da Estrela, ou até ao Alentejo. Tudo irá depender da disponibilidade e de se ainda vamos a tempo de fazer reservas...

segunda-feira, fevereiro 04, 2008

www.ictiose.blogspot.com

Tem acontecido algo maravilhoso nestas últimas semanas. Através do meu outro blogue, este, tenho conseguido dinamizar, escrever e até, informar um pouco sobre esta doença da qual eu sou portadora, e de que já por algumas vezes falei aqui, a Ictiose. Mas para além de tudo isso, tenho conseguido conhecer pessoas portuguesas que possuem o mesmo problema e que, tal como eu, anseiam por conhecer e partilhar experiências, vivências e trocar informação, de encontrar um espaço ou um grupo de outras pessoas, que saibam exactamente aquilo que elas estão a sentir sem de, para isso, terem de dar mais explicações... e a verdade é que já são várias as pessoas portuguesas que têm convergido até mim, dando-me ânimo para continuar com o blogue e entre muitas outras coisas, manifestando de que, finalmente encontraram alguém, que possui o mesmo problema que elas e sobre o qual podem falar. Confesso que nunca pensei que ao criar um simples blogue para falar de uma doença, conseguisse chamar a atenção de outros doentes que afinal, sentem exactamente o mesmo que eu! E tem sido maravilhoso constatar que tanto recebo emails de raparigas da minha idade ou mais novas, como de homens e de senhoras já mais velhas, mães de filhos quase com a minha idade, que me dão os parabéns e que mostram todo o interesse em continuar esta comunicação. Constato que sou uma espécie de 'bóia de salvação' para muitos, como se finalmente tivessem conseguido encontrar alguém que o compreende (e compreendo de facto), porque durante toda a vida nunca conheceram outra pessoa com o mesmo problema. Eu compreendo essas vivências todas. Muito bem mesmo, e sei que em cada pessoa há uma alegria autêntica em finalmente conhecer/falar com alguém 'semelhante'. Pode parecer quase irreal, mas é extremamente importante, tanto para eles, como para mim, estabelecer este contacto. Sinto-me verdadeiramente feliz de cada vez que recebo um novo email. Como se sentisse que este 'movimento' se expandisse, como se fosse algo que eu ansiei durante tanto tempo e que finalmente se revela. Que não estou só. Que somos muitos. Que sentimos e queremos todos o mesmo. Que temos todos histórias de vida diferentes mas que convergem todas no mesmo ponto.
Noto inclusive de que, de todas as pessoas que me têm contactado - algumas até do Brasil - possuo um conhecimento profundo da doença comparada com a maior parte. Existem muitas pessoas, principalmente portuguesas, que não chegam a saber sequer, que tipo de ictiose possuem, e que fogem a sete pés de ir ao médico. Eu compreendo e não julgo, pois sei bem o que é lidar com a ignorância médica neste assunto, tendo eu própria uns quantos episódios menos agradáveis para contar, mas noto que a maior parte se resigna, se deixa ficar, conformados com o destino que é ter de carregar esta doença no corpo. Eu confesso que não me conformo, nunca me conformei e talvez por isso, chegue à conclusão, que acabo por ser aos olhos de terceiros, esta tal 'bóia de salvação' de que falava atrás... O que não deixa de ser bom, mas que me deixa terrivelmente assustada.
À mais de uma semana recebi um mail de um senhor de 52 anos portador de Ictiose lamelar. Extremamente simpático e muito bem disposto, o 'Zé' como gosta de ser tratado, foi muito cordial na abordagem e pareceu-me de imediato uma pessoa muito positiva e dinâmica! Ele anda de bicicleta, ele pinta, ele toca guitarra, enfim, um verdadeiro homem dos sete ofícios. Mandou-me vários emails, quase todos seguidos, com fotos, falou-me da vida dele, da mulher, e mostrou-se bastante contente por finalmente ter encontrado uma pessoa com ictiose. Eu gostei de tudo o que li, mas no fundo, assustei-me! Gostei de receber os mails, ter o feedback, saber que existem pessoas com uma forma de ictiose bastante grave que conseguem ter uma vida normal e bastante preenchida, mas quando noto que a outra pessoa está a ir depressa demais, quase ansiando por mim, fico meio retraída e assustada, porque a verdade é que nunca sabemos quem é que está do outro lado quando o assunto é internet. De qualquer forma, respondi-lhe passados uns dias e fiquei a aguardar resposta. Ela não chegava, então hoje, decidi-me a anexá-lo no meu messenger e ver se ele aparecia online. À tarde ligou-se e meteu conversa, mas não sabia quem eu era. Quando finalmente lhe expliquei quem era, ficou tão feliz, que me confessou que quase teve vontade de chorar. Eu achei aquilo demasiado, mas depois penso: 'Será que estou preparada?' Bom, a verdade é que falámos um bocadinho no msg, eu sempre a tentar ser cordialmente simpática e ele sempre muito expansivo, muito 'prá frente', com uma confiança que quase me pareceu despropositada, mas depois penso: 'Calma, tudo vai correr bem, dá desconto, compreende o outro lado'. E lá me mentalizo de que, para alguém que teve 52 anos sem notícias de outro 'semelhante', é normal que essa alegria seja efusiva, autêntica, sentida.
Tem sido muito compensador trocar experiências de vida com todas estas pessoas, ver que aquilo que confiamos uns aos outros é não só, algo que nos une, como também uma forma de nos sentir vivos, de chegar à conclusão de que afinal, tudo isto faz sentido.
O mais fantástico no meio de tudo, tem sido constatar que a maior parte das pessoas mais velhas que possuem a doença e que já têm filhos, nenhum veio com a doença, algo que me intriga, devido às características da passagem genética e à forma como a mesma se manifesta. Quase todas as pessoas que me contactaram dizem não ter mais casos de ictiose na família, são portanto, casos 'unicos' de mutação genética e nem mesmo os descendentes são abrangidos pela mesma... Talvez isso signifique que nesta questão que é a 'lotaria genética', eu, caso não tenha oportunidade de fazer qualquer tipo de tratamentos, consiga ter à mesma o tão desejado filho saudável... mas pelo sim pelo não, e porque nunca tive muita sorte ao jogo, mais vale não remediar e jogar pelo seguro, mesmo que isso signifique ficarmos completamente desfalcados na nossa poupança...
O resultado do meu teste genético deverá estar pronto em inícios de Março e se formos a ver bem as coisas, já estamos em Fevereiro (é incrível como o tempo corre)... pode ser que a minha sorte esteja realmente a mudar... e mesmo que não esteja, acho que neste momento, já poucas coisas me assustam verdadeiramente.
Porque a verdade é que a vida tem-se encarregado de me mostrar que para onde quer que me vire, tenho imensas coisas boas em meu redor.

sexta-feira, fevereiro 01, 2008

The same, as usual...

Continuo engripada.
Continuo sem máquina fotográfica digital.
Continuo com um humor canino.

Como podem ver, não há novidades de interesse a relatar da última semana.
Continua tudo na mesma. Nada mudou.
Pode ser que o fds de Carnaval inverta esta tendência.

domingo, janeiro 27, 2008

adeus

A minha máquina digital continua morta e eu continuo com uma gripe 'daquelas', com o corpo dorido, a gargante cheia de dores, entupida em comprimidos... enfim, uma lástima. Passei o fds todo de 'molho', em casa, pois a saída de sexta-feira à noite para comemorar os anos do R. deixou-me assim, péssima! Foi giro, diverti-me muito, ri-me mais ainda, comi maravilhosamente bem num restaurante alentejano, desfrutei do novíssimo e fashion bar 'Manga Rosa' em Almada, mas ia mal agasalhada, e esqueci-me que estamos em Janeiro e que mesmo que os dias já cheirem a Primavera, as noites são frias e estamos no Inverno. Resultado? uma mega gripe, que me parece ainda não ter passado ao segundo e pior grau.
Ainda não tinha contado aqui a continuidade da história Diane. Não percebo o que se passou com ela e fico extremamente triste por ver que este silêncio dela é propositado. A semana passada apanhei-a ligada no messenger. Depois de lhe ter enviado 3 emails a perguntar se estava tudo bem e de não obter uma única resposta, decidi enviar-lhe um sms para o telefone. O silêncio continuou a ser sepulcral e eu fiquei ainda mais baralhada com a atitude dela. Decidi então bloqueá-la no messenger e ver se desta forma, aparecendo eu offline na lista de contactos dela, ela se manteria ligada. E para meu espanto, assim foi. Enquanto que antes a Diane aparecia e rapidamente se colocava offline, a partir do momento em que eu a bloqueei e aparecia como desligada, ela passava horas na net. Tive aí a prova de que ela não queria mesmo falar comigo. De qualquer forma decidi confrontá-la com o assunto e num desses dias, em que ela estava online na net e eu a vê-la, desbloqueei-a e meti conversa com ela. Falei, falei, falei, perguntei se estava tudo bem, porque motivo é que ela não falava comigo, o que eu é que tinha feito para ela me evitar daquela maneira? porque é que ela estava a agir assim? E ela nada. Nem uma única vez me respondeu. E agora pergunto-me eu, porquê? se nem eu sei a resposta!!! A última vez que falámos estava tudo bem! lembro-me perfeitamente! Cheguei mesmo a pensar se algo de mau lhe teria acontecido, a pensar se teria perdido o bebé, se estava num momento de reclusão em que não queria falar com ninguém, mas quando vi a foto dela no msg, percebi que não era esse o motivo, pois a barriga dela estava enorme, o que me faz imaginar que estará no 6º ou 7º mês de gestação.
Perante o silêncio dela, decidi despedir-me. Não vou andar atrás de uma pessoa que se fez passar por amiga, mas que afinal se revelou uma desilusão, principalmente quando deixa de me falar sem me dar uma justificação. Porra, eu recebia-a em minha casa! Andei a passeá-la por Lisboa durante dois dias, pagámos-lhe jantares, entrou no meu espaço mais privado e agora, só porque conseguiu engravidar, deixa de me falar? Sinto-me profundamente magoada. A sério que fico. Até porque, o comportamento 'incómodo' em relação a esse assunto, partiu sempre dela, nunca de mim! Quantas vezes lhe disse que estava feliz por ela e que queria saber mais coisas da gravidez dela, viver com ela esse momento?! Mas afinal constato que as minhas suspeitas estavam certas, que ela apenas se socorreu da minha pessoa enquanto isso não acontecia, que eu fui apenas e só uma amizade de 'encosta o ombro e chora as tuas mágoas' enquanto ela passava pelos tratamentos e lidava com as respostas negativas, porque a partir do momento em que isso deixou de acontecer, ela desprezou-me, como o faz e como continua a fazer. E isso, magoou-me profundamente. Por isso, nas mensagens que lhe deixei no msg aproveitei para me despedir e desejar boa sorte, para ela, para o Tom e para a bebé que vem a caminho e que eu nem sei quando é suposto nascer.
Dizem que perdoar e querer bem ao próximo, é a maior prova de maturidade e de crescimento pessoal enquanto ser humano. Eu não desejo mal à Diane, mas sinto-me profundamente magoada e triste. Porque sei que se fosse ao contrário, nunca lhe faria algo semelhante. Nunca deixaria de lhe falar sem um motivo, sem lhe dar uma simples explicação. Esse tipo de coisas é o pior que me podem fazer, mas volta e meia, acontece-me. Confesso que tento relativizar as coisas e pensar que a entrada da Diane na minha vida teve um propósito - tento desesperadamente encontrar uma explicação mais racional - de que a presença dela serviu para que eu própria encontrasse o meu caminho, seguisse o meu rumo, e isso já aconteceu. Ela seguiu o dela, eu sigo o meu, separadas, a muitos quilómetros de distância. Com a interrogação a perseguir-me de se ela alguma vez foi realmente minha amiga...

sábado, janeiro 26, 2008

perda

A minha máquina digital morreu. Assim, sem pré-aviso, e sem chegar a ter, sequer, dois anos de idade. Ontem, quando me preparava para fotografar momentos felizes, entre amigos, deparei-me com um ecrã negro - mesmo quando ligada - queera trespassado a meio com um traço, cuja continuidade se traduzia em riscas e cores tutti-fruti que não auguravam nada de bom.
Sinto-me perdida sem a minha máquina fotográfica. É como se me tivessem levado parte de mim.

domingo, janeiro 20, 2008

retalhos de um fds e dos idos anos 90...

Outro fds que passou demasiado rápido... principalmente quando sexta-feira estive a trabalhar até às 22h30, num evento da marca. Cheguei a casa estafadíssima, com o polegar cortado e enrolado num penso já empapado em sangue, e os pés inchados e em forma de 'batata' - por causa dos sapatos de salto que me complementavam a indumentária - desejosa por um fds que tardava em chegar. O C. teve a delicadeza de encomendar uma pizza para eu ter o que comer quando chegasse a casa, mas confesso que vinha tão cansada e desejosa pela minha cama, que até o apetite perdi. Esparramei-me no sofá, bufando de cansaço e apregoando a minha sorte, aspirando por um descanso merecido que tardava em chegar, ou uma vida idílica de paz e sossego que não possuo. Começava o meu desejado descanso de dois dias.
Dois dias em que não tenho de conviver com as pessoas com quem trabalho, em que não tenho de aturar neuras, nóias, fobias, faltas de formação, ou sequer, ser simpática ou educada com quem não o merece. Dois dias em que abrando o ritmo e me deixo invadir pelo doce sabor da preguiça e da letargia. (como ando necessitada de férias, é só o que eu penso...)
No sábado decidimos aproveitar o sol quase primaveril que se fazia sentir e ir até à beira-rio. Adoramos comprar o jornal e ficar numa esplanada a beber o primeiro café do dia, comendo tostas mistas e sumos de laranja. É um ritual que nos dá imenso prazer.Vagueámos por Lisboa, entretidos entre coisas que tínhamos para fazer até à hora do jantar, altura em que decidimos experimentar o New Wok no Chiado. Um espaço de cozinha de fusão, com apontamentos de comida japonesa, tailandesa e vietnamita, num espaço minimalista mas confortável, ao som de Moby (pelo menos foi o que tocou enquanto lá estivemos). Há quem o compare com o Nood, mas eu, muito sinceramente, acho que não tem comparação possível. O Nood é barulhento, demasiado amplo, demasiado exposto, sentamo-nos no meio de outras pessoas com uma sensação de desconforto, de 'desculpe por estar a incomodá-lo', só queremos é sair dali, comer o mais rápido possível e desaparecer daquele ruído de fundo que transporta dezenas de conversas, de risos, de música, ou desviar o olhar das paredes de cimento e dos ténis expostos. Ansiamos por paz visual e auditiva e isso, eu acho que conseguimos no 'New Wok'. Um ambiente sereno, mais pequeno e acolhedor, uma montra que nos mostra a rua cálida àquela hora da noite, a beleza do Chiado escondida por entre prédios abandonados. Os raviolis ou (gyoza) são excelentes - atrevo-me a dizer que melhores mesmo que os do Assuka - com uma massa super tenra e fofa e as espetadas de camarão com molho de mel também não ficaram atrás. Experimentámos ainda os noodles e o chá verde. Foi bom, foi rápido, voltaremos certamente.
A melhor experiência do dia, foi sem dúvida, nas compras - aproveitando ainda o resto da temporada de saldos enquanto ela dura - onde, numa loja, quando ia pagar uma mala que decidi comprar, a vendedora - uma miúda nos seus 'quase vintes', muito gira, alta, magra como uma gazela e de longos cabelos escuros - me diz em tom extasiado: 'Ai a sua carteira é tão gira! Eu queria uma igual mas já não consegui comprar! E que bem estimada está!' Ao vê-la tão efusiva, decidi meter conversa, sorrir-lhe e desabafar uma insegurança feminina, dando a entender que adorava a mala que ia comprar, mas que tinha receio quanto à cor, pois não tinha muita roupa que condizesse com a dita. Ela sorriu-me, tranquilizou-me - dizendo que ia comprar uma também para si - e falou dos avanços de temporada que tinham acabado de chegar à loja. 'Este ano é tudo grande, demasiado grande, até os anéis. Eu não sou capaz de andar com uma coisa destas.' E, dito isto, sacou de um enorme anel azul marinho que estava num expositor e colocou-o em cima do balcão. Ao ver aquele objecto saltou-me imediatamente à memória a minha juventude, em que usei anéis exactamente como aquele, que agora via em cima do balcão. Aquele anel não me era estranho, tive um assim, em transparente, outro de cores, havia-os para todos os gostos, formas e tamanhos. Lembro-me de ter um em forma de laço. Sorri-lhe, aproveitando aquela cumplicidade feminina - enquanto o C. permanecia calado, a observar toda aquela cena de histerismo feminino perante acessórios, que o deixa sempre severamente intrigado - e desabafei: 'Estes aneís já foram grande moda nos anos noventa! Houve uma altura em que toda a gente tinha pelo menos um. Havia destes anéis em todas as cores e assim, igualmente grandes.' Pronto, com este meu comentário, estraguei tudo. A rapariga, outrora tão simpática, tão prestável, tão sorridente, fechou-se. Olhou-me de uma forma estranha e apenas emitiu um: 'Ai foi?' Como se os 'anos 90' fossem uma coisa que aconteceu há muito tempo, há muitos anos, era ela ainda uma criança...
E com este comentário, paguei a mala e fui embora, enquanto ela arrumava o grande anel de acrílico azul, dizendo, 'Sabe como é, este mundo da moda é sempre um revivalismo' e o C. me dizia:'Bela maneira de te chamar velha'.
Não me ofendeu nadinha, antes pelo contrário, achei piada dizer com um saber de experiência feito, sem ser ofensivo ou provocador, dar uma de 'guru' da moda que já viu muita coisa.
Afinal, dez anos, são uma vida. (para muitos)

quinta-feira, janeiro 17, 2008

conto VII

Ele dera-lhe o canivete para a mão como quem entrega um brinquedo. ‘Toma, é para ti’ - dissera-lhe - e ela contemplou aquele objecto metálico, pequeno e aguçado com espanto e ignorância. Não sabia muito bem o que aquilo significava nem o que fazer com ele. Chegou mesmo a sentir-se indignada, como se fosse um despropósito tal oferta. ‘O que faço com um canivete?’, pensou para com os seus botões. O pai, que estava ao seu lado e tinha presenciado a cena, explicara-lhe que era um canivete ‘suíço’, enfatizando esta última parte, como se tal informação fosse uma mais valia, como se isso contribuísse para aumentar a importância da oferta e da atenção que era suposto ela lhe dar.
Guardou-o, fechando-o na palma da mão pequena, remetendo-o para o fundo do bolso do casaco, cheia de dúvidas e indagações sem resposta. Sorriu para não parecer tão incomodada com a situação, ou ingrata. Receber um canivete ia contra tudo o que lhe tinham ensinado, ‘Não se brinca com instrumentos cortantes’, ‘Não mexas em facas’, ‘Não passes os dedos pelas lâminas’, ‘Olha que te cortas e faz sangue’ e por isso, todos aqueles cenários, embora imaginários, lhe pareciam demasiado horríficos, demasiado perigosos, demasiado tentadores para serem sequer, desafiados. E agora, assim do nada, ser ele a dar-lhe um canivete, que ainda para mais tinha, não só uma, mas várias lâminas, algumas finas, aguçadas como escarpas, outra em forma de espiral que ela desconhecia para o que servia, uma tesoura, uma lima e um abre-caricas, deixou-a severamente intrigada. Para que servia tudo isso se, supostamente, lhe era proibido brincar com ele? Não compreendia como o poderia incluir nos seus cozinhados fictícios com tachinhos de plástico e panelas de alumínio, que transportavam inofensivamente, pedras, terra, água e até, legumes e vegetais que ela sorrapiava à socapa da cozinha da mãe, como preciosidades únicas para preparados que roçavam a genialidade. No entanto, o pai nada dissera e até, consentira o gesto, partilhando uma cumplicidade que se espera óbvia, mas que ela não conseguia perceber na sua totalidade. Pensou por breves momentos, se seria um daqueles rituais de iniciação que ela já tinha lido no Atlas lá de casa e que sabia existirem em algumas tribos do Pacífico e da África Equatorial. Estaria ela preparada para semelhante prova? Qual seria a próxima etapa? E porquê um canivete? Porquê? Quando na realidade ela preferia que ele lhe tivesse oferecido uma boneca, onde ela pudesse fazer longos e prolongados penteados, ou até, um relógio de pulso e a pilhas, daqueles como tinha visto recentemente na irmã da Paula, que emitiam sons estridentes e que ela punha propositadamente a tocar deixando-a lívida de inveja. Mas um canivete? Para que lhe servia um canivete? Se ainda tivesse nascido rapaz, talvez achasse alguma graça à oferta, conseguindo imaginar as demonstrações audazes de poder que um canivete – ainda para mais suíço – conferia, mas assim, menina, coquete e semi-feminina, não conseguia entender o motivo.
Do bolso do casaco, colocou o canivete na gaveta da sapateira da entrada, um móvel de mogno escuro, pesado, maciço, que tinha como função ser o fiel depositário de tudo aquilo que, à primeira vista, não fosse substancialmente importante. Achou que seria o lugar mais adequado a um objecto que, no seu entender, não podia augurar coisa boa. Mesmo que tivesse o consentimento e a aprovação do pai, ela não queria tê-lo por perto, nem incluí-lo nas suas brincadeiras, mesmo quando andava que nem um cavalo bravo pelos bosques durante horas a fio. Colocou-o ali e esqueceu-se dele. Não perdeu mais tempo a pensar no assunto. Não queria entender o porquê de um canivete - embora no fundo se questionasse - mas por agora, naquele instante, só lhe apetecia abandoná-lo, livrar-se do perigo que ele lhe transmitia, das lâminas cortantes e duplas, do medo que sentia ao sabê-lo ali, tão perto da carne. O canivete ficou esquecido, refundido na gaveta do móvel da entrada que continuava impenetrável à passagem do tempo, ao ritmo das horas e das emoções que abalavam e percorriam a casa, desamparado entre os demais objectos igualmente inúteis e dispensáveis às necessidades vigentes. Passaram-se dias, meses e anos, que trouxeram consigo as mudanças físicas próprias da idade, mas também da evolução natural das coisas. Tinha chegado a hora de partir para algo melhor, de abandonar aquele lar que durante anos a acolhera, sendo necessário todo o trabalho de empacotar, seleccionar, escolher, arrumar, levar, fechar. Por entre o pó dos livros que retirava das estantes, ou da roupa que se acumulava em quantidades dignas de loja em época de saldos em cima da cama, lembrou-se do móvel da entrada, da tralha e bugigangas que durante anos ali colocara como um eterno guardião do templo. Apetecia-lhe vê-las, mexê-las, recordá-las, torná-las visíveis aos olhos e claras à mente. Correu a abrir a velha gaveta que se encontrava agora emperrada, dificultando a tarefa de chegar ao objectivo pretendido. Foi então que o viu, ao canivete, esquecido e embrulhado entre fios que passaram de moda, lenços com desenhos de cavalos que a mãe nunca mais se atreveu a pôr ao pescoço, ou porta-chaves enferrujados que jaziam como um espólio adormecido. Foi então que percebeu no mais intímo do seu ser e sorriu, dizendo baixinho, ‘Obrigado avô’.

terça-feira, janeiro 15, 2008

love is a losing game

Não tenho actualizado o meu blogue com muita frequência, porque na realidade, ando sem vontade de o fazer. Às vezes tenho destes momentos. Em que prefiro guardar para mim tudo aquilo que me preocupa do que colocá-las aqui, como se o simples facto de as mencionar fosse uma espécie de infortúnio que pode desencadear a maior reacção de azar em cadeia. Como se o simples facto de partilhá-las com terceiros as tornasse vulneráveis. Como já referi o início do ano começou logo cheio de novidades, com a ida ao centro de genética clínica para nova recolha de sangue/extracção de ADN. Pagámos bastante por um simples frasquinho de sangue. Nele vão parte das nossas magras economias e grande parte das minhas esperanças. Deposito nele todas as frustrações, mágoas, tristezas, renovações de esperanças, confianças e alegrias pelo qual lutei neste último ano, mas que sei serem tão vãs e pouco palpáveis, quanto os sonhos e objectivos que idealizo. Mesmo havendo uma pontinha do meu peito, lá num cantinho refundido, que me diz que tudo vai correr bem, percorre-me um medo terrível, maior que eu mesma, de que afinal, tudo corra mal outra vez e de já não ter muitas forças para me voltar a erguer ou sequer, acreditar. Toda a gente me diz que não vale a pena sofer por antecipação mas eu não consigo fazer esse exercício de personalidade. Bem tento, mas sofro mais em ‘tentar não ser assim’, do que efectivamente, em sê-lo.
Outra coisa que também tem contribuído para uma certa inquietação é o comportamento da Diane. A verdade é que a Diane desde que descobriu que está grávida se afastou. E por mais que eu tente que isso não aconteça, noto que ela quer que assim seja, como se a minha presença a incomodasse, ou, como se a minha presença ou passagem pela vida dela, apenas fosse isso mesmo: uma passagem. Confesso que este comportamento dela me entristece profundamente. Mas cheguei à conclusão de que não vale continuar a procurar respostas a uma pessoa que não as quer dar. A última vez que falei com ela foi antes do Natal. Na altura, já não falávamos há uns bons tempos e eu notei que ela me evitava. Quando finalmente a ‘apanhei’ no messenger sem que ela se colocasse offline, confrontei-a com o assunto. Disse-lhe que notava que ela me andava a evitar e que isso me deixava magoada. Perguntei-lhe inclusive se tinha feito ou dito algo que a tivesse chateado. Disse-me que não, mas que não andava a saber lidar com o facto de estar grávida e de eu não estar, e que evitava falar nesse assunto para, segundo ela, me poupar a ‘tristeza’. (o que eu odeio que as pessoas me subestimem…) Na altura disse-lhe que para mim, era mais dificil saber que ela me evitava e não partilhava nada comigo da sua gravidez – que eu tinha acompanhado o quanto ela tinha batalhado para conseguir esse objectivo – do que colocar-me de parte agora, que efectivamente, o tinha conseguido alcançar. Na altura disse-lhe mesmo que sentia que apenas tinha servido para ser ‘companheira de mágoas’ e agora, que ela tinha conseguido aquilo que desejava há longos anos, eu tinha deixado de fazer sentido na vida dela. Ela disse-me que não, de maneira nenhuma, mas afinal, depois dessa conversa, constato que é mesmo disso que se trata. A verdade é que já enviei 3 emails à Diane, um deles contando-lhe o resultado da minha biópsia à pele e do novo diagnóstico, de ictiose bulhosa, tal como ela e que isso significava novo teste genético, novas esperanças e novas possibilidades no meu caso… mas ela, nada… também lhe enviei um email a desejar Feliz Natal, outro a perguntar se ela estava bem… e ela nada… já tentei meter conversa com ela no messenger, mesmo que offline – porque noto que ela todos os dias se liga e imediatamente se coloca offline – e ela nada… por isso, desisto. Desisto de tentar chamar a atenção dela, de lhe demonstrar que a amizade dela é-me importante, de que me preocupo, de que quero continuar a tê-la presente na minha vida. Sinto-me muito farta de dar sempre mais de mim aos outros do que os outros me dão a mim, como se tivesse de andar a mendigar atenções, ou a demonstrar a todos e a rodos, o quão gosto deles, o quanto me preocupo. Geralmente quando dou um voto de confiança às pessoas, espero que elas retribuam. Já nem digo na mesma medida, pois tenho consciência de que tenho tendência a ser bastante absorvente, mas quando me desiludem, sinto-me tão atraiçoada e retraio-me de tal forma, que me é muito difícil voltar a ser a mesma. Nisso sou muito escorpiana não posso negar. Eu dou tudo, mas assim como dou, também tiro. Até já pensei se estaria a fazer juízos de valor errados em relação à rapariga – o que me faz sentir uns certos remorsos de consciência confesso – mas, tal como diz uma amiga minha, o que quer que seja que se esteja a passar, não é motivo (acho eu), para ela me ignorar desta forma. Principalmente quando se trata de uma pessoa que não trabalha e passa o dia em casa…
Por isso, sinto-me profundamente triste com esta atitude dela e prometi a mim mesma que não enviarei mais nenhum email, nem direi mais nada enquanto não obtiver um sinal. Nem que para isso tenha de a bloquear no messenger – coisa que já fiz – só para ter a certeza de que quando ela me quiser falar, me envia um mail. Mais não seja em resposta aos vários que ela vai acumulando na sua caixa postal e que esperam por um ‘reply’.

sexta-feira, janeiro 11, 2008

back to black

O meu recente e último vício é ouvir Amy Winehouse até à exaustão. O cd desta miúda de 24 anos, com um corpo cheio de tatuagens de mau gosto e a roçar a anorexia, com nuca cheia de postiços que desafiam as leis da gravidade, voz rouca e poderosa a fazer lembrar as grandes divas da soul, é simplesmente genial. Não me ocorre mais nenhuma outra palavra para descrever. E desde que o C. mo ofereceu que não oiço outra coisa. Desenvolvi aquilo que uma amiga minha descreveu como uma ‘Amy Winehousite aguda’, porque oiço a rapariga no trabalho, no ipod, no carro, em casa, vejo o dvd do concerto em Londres e faço buscas na net e no You Tube. A verdade é que as vozes negras me fascinam. Mas a miúda é branca. E a sua atitude em palco e perante a vida, está mais perto do estilo punk e drug addict dos anos 90, do que propriamente das divas da Motown dos anos 50. No entanto, é lá que ela vai ‘beber’ a inspiração das músicas que se revelam neste segundo álbum. Amy tem aquela característica do ‘dont´give a shit’, mas com talento maior que a própria vida. Uma voz forte e demasiado poderosa para se ficar indiferente, mesmo que em palco vejamos uma Amy que mal se aguenta em pé, com um discurso desarticulado em que predomina a palavra ‘fuck’, ou de olhar completamente vidrado. Às grandes estrelas tudo é permitido? Bom, eu não partilho totalmente dessa opinião, mas confesso que ela me atrai tanto quanto me repugna. Aquela voz de bagaço misturada com um ar de decadência total, fascina-me. Invejo talentos naturais. Invejo mesmo e não tenho qualquer pudor em afirmá-lo. Se fosse música queria escrever e cantar assim. Queria aquela voz imparável, cheia de requebres, que lhe sai com tanta naturalidade como a bebida que ela ingere em tragos generosos e que parece ser a única coisa que a liga a este ou outro mundo.
A continuar assim, está a meio caminho de se tornar imortal, mesmo que seja pelos piores motivos.
Mas eu continuo que nem uma viciada a ouvi-la.

segunda-feira, janeiro 07, 2008

my new orange couch



















Este fds não saí de casa. Depois de ter tirado o dia de sexta de folga para ir tirar sangue ao centro genético da parte da manhã – onde paguei 1120 euros – só pela realização do estudo e envio para Antuérpia, (buáááááá) e de à tarde, ter ido a uma entrevista, o Sábado e o Domingo foram para a mais pura ronha. Ainda saímos na sexta à noite, para ir ao cinema ver o segundo filme ‘O tesouro – o livro dos segredos’, mas o restante fim-de-semana, foi passado no mais puro conforto do lar. Tudo porque recebemos o nosso novíssimo sofá cor de laranja com chaise long – aquele que já aqui tinha falado, do Ikea – e portanto, passámos boa parte do Sábado a desmontá-lo dos caixotes onde vinha e a montá-lo no novo espaço. O problema começou quando retirámos o estrado da chaise long do caixote e reparámos que o tecido que forrava a mesma, estava rasgado e que, para além disso, faltava uma das molas. Tal incidente levou-nos logo a ligar para o serviço de apoio a clientes da loja a reclamar da situação. Tínhamos acabado de pagar o transporte para nos virem entregar o sofá a casa e assim que o desempacotámos, ele apresentava defeito. Ao telefone disseram-nos que a entrega de substituição de um novo estrado ficaria restringida a um novo dia, mas que se quisessemos ir à loja, seria efectuada na hora. Lá foi o C. no meu carro para o Ikea, com os bancos rebatidos e debaixo de chuva, para chegar lá e constatar que afinal, o sofá, assim como o respectivo estrado, estavam esgotadíssimos, pelo que só nos resta aguardar que nos comuniquem quando é que terão novos estrados. Veremos como é que esta história se desenvolverá. Pelo sim pelo não, tirámos fotos do estado da coisa, para provar a nossa reclamação.
No entanto e como não há data prevista à vista de quando teremos novo estrado, montámos o sofá com aquele que tínhamos. O resultado é uma sala com uma percepção completamente diferente da anterior, devido à ligeira distribuição das coisas. O espaço de sofá é gigantesco – comparado com o que tínhamos – e os gatos adoram – quem os quer ver agora é a apanhar banhos de sol vindos directamente da janela. Acabaram-se por isso as ‘discussões’ territoriais pelo maior quinhão de sofá, já que no novo, ficamos tão distantes um do outro e com um espaço tão grande no intermédio, que é quase como se estivessemos em ilhas diferentes. À tarde, tive a visita da minha amiga G., que eu já não via há meses, e que apareceu lá em casa de surpresa e ontem, Domingo, dia em que o C. foi trabalhar, refastelei-me no dito sofá laranja, rodeada pelo Gaspar e pela Magali e vi assim, de uma vez só, cerca de dez episódios seguidos da primeira temporada dos Sete Palmos de Terra – série que só agora comecei a ver - e que me fez apaixonar logo pelo conceito.
Agora resta-me aguardar notícias – porque a vida é feita de expectativas, de renovações e de esperanças - e neste momento sinto-me como se estivesse com formigueiro nos pés - mas nos entretantos, lá me vou alegrando com o universo em meu redor.

ps- A 'mancha' preta na segunda foto, é mesmo a minha gata 'tartaruga', de seu nome Magali. Tão linda, de olhos cor de coruja, que já elegeu aquele, como o seu novíssimo sítio preferido.

quinta-feira, janeiro 03, 2008

I'm a Superwoman...




...sou, eu sei que sou... e a prova disso, é ir, amanhã, logo bem cedinho, fazer nova recolha de ADN para novo estudo genético, tendo desta vez como diagnóstico base a Ictiose Bulhosa. Se não fosse a minha investigação incansável sobre o assunto, a minha acesa troca de emails com médicos estrangeiros, a minha insistência, a minha perseverança, a minha casmurrice, a minha teimosia, nada disto seria possível. O resultado só será conhecido em Março, mas pode ser que desta vez - só para conseguir dar descanso a este meu coração sobressaltado - corra tudo bem.

Desculpem-me a falta de modéstia, mas confesso sentir-me bastante orgulhosa de mim mesma, por ter conseguido alcançar esta etapa tão importante e fundamental de um longo e moroso processo. Nada é garantido é certo, e o resultado genético pode voltar a ser negativo e a mutação não ser encontrada, mas só o facto de ter conseguido provar que sempre me fizeram diagnósticos errados e ter esta nova oportunidade, só me enche de mais coragem para continuar.

Eu canto com a Alicia, porque eu sei que sou uma 'Superwoman. Yes I am.'