domingo, maio 04, 2008
dia da mãe
quarta-feira, abril 30, 2008
questões nervosas
Isto deixou-me profundamente revoltada. Hoje, mais outro episódio: uma folha de kms que preenchi para que a dita senhora assinasse, quilómetros esses que faço com o meu carro e não com carro da empresa, até porque, não o há! Pois bem, a directora recusou-se a assinar a minha folha de kms alegando que ‘tenho kms a mais’. Expliquei que naquele dia não me limitei apenas a fazer um trajecto, mas vários e reformulei a folha, explicando todos os sítios por onde tinha passado. Vamos lá ver se a senhora agora assina. Certamente deve pensar que como não recebi a totalidade do ordenado, que ando a tentar recuperar o dinheiro de outra maneira…
Ando farta disto. Muito farta. Noto perfeitamente que desde que estou grávida que me andam a tentar prejudicar e sinto que as coisas não vão ficar por aqui. Segunda-feira vou à minha médica e vou fazer queixas disto tudo. Não me posso enervar e aqui, todos os dias, tenho situações que me deixam com os nervos em franja. Se continuar assim, peço baixa. Prefiro estar em casa sossegada do que ter de lidar com esta gente.
Por outro lado, ontem tive uma mega discussão com a minha mãe. Andamos em rota de colisão há algum tempo e ontem, não foi excepção. Tudo por causa da minha sogra. Ora, eu a minha sogra não morremos de amores uma pela outra, mas temos uma coexistência ‘pacífica’, apesar de a senhora gostar de ‘cuspir’ pérolas de veneno sempre que está comigo, ou com a minha mãe, fazendo conversas despropositadas, mandando ‘recados’ e bocas de forma indirecta e subtil. Ora, os meus pais este fds foram até casa deles para a matança de um porco. A nós também nos convidaram, mas eu recusei, até porque, se há coisa que odeio são matanças de animais – e eles estão fartos de o saber – mas mesmo assim, continua a massacrar-me com o assunto. Pois bem, a minha sogra quando apanha a minha mãe, faz-lhe todo o tipo de conversas despropositadas e um dos seus temas favoritos é falar das ex-namoradas do filho (que ela nunca conheceu, pois eu fui a única namorada que ele levou lá a casa) ou então, de falar que gostava muito que o filho se tivesse casado com fulana, filha de sicrana, que é amiga dela e que por sua vez, é ‘muito boa menina, muito boazinha’. Ora, pergunto eu, onde é que vocês acham que ela pretende chegar com este tipo de conversas feitas à minha mãe? A quem é que acham que ela está a mandar bocas ou a ser indelicada? E agora, pergunto eu novamente, vocês como mães, permitiriam tais comentários? Não ficariam ofendidas? Não achariam que se trata de uma falta de educação, uma sogra dizer este tipo de coisas e falar de ex-namoradas do filho, quando a vossa filha está junta com ele há mais de 5 anos e está, neste momento, grávida do mesmo? Não diriam nada? Ficariam mudas e caladas, enquanto a outra leva o assunto até à exaustão, já não sendo a primeira, nem a segunda, nem a terceira vez que o menciona?
Pois a minha mãe fica muda, impávida e serena. Não abre a boca uma única vez para me defender, mas depois gosta de vir fazer queixas da senhora ao telefone quando falo com ela! Eu confesso que ontem explodi! Não me basta ser constantemente atacada por uma sogra que é uma bruxa vinda dos infernos, ainda tenho de lidar com uma mãe completamente passiva e desinteressada, que nem quando atacam a única filha dela, é capaz de dizer o que quer que seja em sua defesa. Mais, se for preciso é capaz de defender o C. como não me defende a mim, culpando-me de coisas que eu não tenho nada a ver e dizendo-me frases como: ‘tu é que és a mulher dele, tens essa obrigação.’
Senti-me profundamente magoada e a conversa facilmente descambou para uma enorme discussão. Odeio esta atitude completamente submissa, vinda de uma mulher que apenas tem uma única filha, mas que ainda acha que é a mulher que tem de prestar vassalagem ao marido, não o chatear em demasia e fazer-lhe as vontades todas, fazendo uma clara alusão a uma educação quase salazarista de que o lugar da mulher é ‘não espernear’ muito, ouvir e calar e ter a casa arrumada e agradar o marido, que por sua vez, tem todos os direitos deste mundo e do outro.
Quando a conversa terminou, sentia-me de tal forma alterada que a minha respiração estava super acelerada e comecei a sentir fortes pontadas na barriga. Estou mesmo a ver que vou ter uma criança toda stressada, que não me irá deixar dormir de noite, com tantos nervos que apanho só no ínicio desta gravidez.
Duvido, muito sinceramente, que falemos as duas tão cedo.
segunda-feira, abril 28, 2008
12 semanas e mais fotos
Estou já todo formado, agora só falta crescer!
O meu coração bate a bom ritmo e segundo o médico, sou um bebé muito irrequieto, pois não parei um segundo durante a ecografia. O útero da mãe é tão bom para dar umas voltas! Ainda não deu para ver se sou menino ou menina, mas a minha mãe suspeita que eu seja um ‘pilas’.
Beijos a todos! Daqui a seis meses conhecemo-nos cara a cara.
Aqui fica uma foto minha para recordação!’
O bebé
domingo, abril 27, 2008
fim-de-semana da liberdade
terça-feira, abril 22, 2008
baby blues
Ainda não tinha mencionado aqui no meu canto, de que os livros que encomendei há duas semanas atrás do site da Amazon, finalmente chegaram! Confesso que foi a primeira vez que comprei livros através da net, mas tinha muita curiosidade nestes dois. O primeiro, um calhamaço enorme que fala sobre a evolução do bebé ao longo do primeiro ano, tem tudo, mas mesmo TUDO, o que procuramos em vários livros! Já conhecia o ‘What to Expect the first year’, pois quando era jornalista, este livro era a ‘bíblia’ da redacção quando tínhamos de redigir artigos sobre crianças e cuidados neonatais. É muito completo, super didático e possui dicas fabulosas para todos os pais inexperientes, desde o que fazer em caso de doença, aprender a interpretar o choro dos bebés, ou até, como lidar com sogras e familiares possessivos (esta parte agradou-me particularmente!) O outro, é o livro da Tracey Hogg, a terapeuta de que já vos falei por aqui e que sempre gostei de ver o trabalho dela, assim como sempre escutei com muita atenção os conselhos da mesma, a pensar num dia mais tarde. Coisas como embalar um bebé nos braços para adormecer, ou deixá-lo dormir na sala enquanto os pais ainda estão acordados, são erros crasos, na opinião dela. Os bebés precisam de rotinas e de ter um ritmo próprio e alterar a rotina de um bebé com estes comportamentos, faz com que a criança nunca mais se esqueça e queira sempre, a partir desse momento, adormecer assim, para grande desespero dos progenitores. Claro que eu estou para aqui a falar armada em sabichona, mas quando me vir confrontada com as situações, acho que não me vou lembrar de livros coisa nenhuma, mas a teoria está cá toda! Eheehhee
O que mais me agrada em ambos os livros é que possuem uma linguagem super simples, prática e muito fácil de ler, mesmo sendo em inglês. Logo eu, que andava tão destreinada.
Hoje decidi-me a tirar algumas fotos para registar as onze semanas, mas sairam uma grande porcaria, todas tremidas e desfocadas! Só esta que vos mostro, se aproveitou, mesmo assim está péssima! E digam lá se não estou com cara de grávida? Eu quase nem me reconheço quando me vejo nas fotos, mas ao espelho acho que estou igual. Enfim, vá-se lá perceber esta minha lógica.
A nova franja, cortei-a ontem, moi mêmme, num acto de puro desespero capilar! E não é que ficou bem? Fiquei toda orgulhosa! Se deixar a área da comunicação social e assessoria de imprensa, pode ser que tenha futuro como cabeleireira… (sempre deve dar menos dores de cabeça).
domingo, abril 20, 2008
11 semanas
terça-feira, abril 15, 2008
contradiction

Hoje ao almoço tive uma vontade louca de comer Franguinho da Guia com batatas fritas, mas como não tinha ninguém para me fazer companhia, lá me contive e comi o que trouxe na marmita e a frutinha em cima e pronto, sempre se poupa uns tostões. Desde que estou grávida que tenho desejos loucos por batatas fritas – algo que não abona nada a meu favor – mas quanto mais sal tiverem, mas eu gosto delas! (eu sou um poço de contradições!!)
À hora do almoço ainda aproveitei para ir à Zara experimentar calças da secção de pré-mamã. Não podia ter corrido pior. As calças de ganga deles resumem-se aos tamanhos ‘S’, ‘M’, ‘L’ e ‘XL’. Experimentei um ‘M’ e senti o que uma alheira supostamente deve sentir (se alguma vez sentisse) de tão enchouriçada que estava nas calças. Ficavam-me perfeitas na barriga, mas nas pernas mal me conseguia mexer. A contragosto lá passei para o tamanho ‘L’ que continuava apertado nas pernas – apesar de melhor que as anteriores – mas larguíssimas na cintura. Malvados modelos ‘stretch’! Conclusão: não comprei nenhumas! Mas estou a necessitar urgentemente de umas calças elásticas com espaço para a barriga! Sinto que estou a crescer a olhos vistos e entretanto o único modelo que uso e abuso todos os dias, deixa de me servir.
Quero passar na H&M e ver se encontro algumas que me sirvam, assim como na Pré-natal, mas não queria gastar muito dinheiro, apesar de eu não viver sem calças de ganga…
Hoje à noite ainda tenho a entrega dos prémios Máxima. Confesso que estou cansada e a vontade de ir nem é assim tanta, mas pronto, como tenho passado tanto tempo em casa também me apetece desanuviar e ver outras pessoas – apesar de ir com as colegas do trabalho – mas é no casino de Lisboa e estou perto de casa.
A noite passada dormi muito mal. Para além de ter vomitado antes de me ir deitar, sonhei que estava a ser assaltada e molestada por dois homens que me queriam roubar a mala e fazer mal. Acordei em pânico e já não fui capaz de pegar no sono, daí o meu aspecto zombie (mais do que é costume ultimamente), assim como uma mega borbulha junto à boca – é o que dá comer porcarias!
Sinto-me tão cansada, que só me apetece pousar a cabeça em cima do teclado do computador e dormir. Ando um caco.
domingo, abril 13, 2008
family party
quarta-feira, abril 09, 2008
nove semanas e meia
A minha barriguita vai bem (acho). Isto de estar mais de um mês sem saber se o embrião se está a desenvolver como o esperado deixa-me um pouco insegurada e cheia de medos. Só tenho consulta dia 5 de Maio e a ecografia da translucência da nuca está marcada para dia 28 deste mês, altura em que já estarei de 12 semanas. Ontem andei o dia todo a sentir umas dores na zona baixa da barriga e fico logo assustada. Hoje também estou. Sei que é mais ou menos por volta da décima semana que a placenta se fixa mesmo no útero (acho que é isso) e por isso, é normal sangrar um bocado. Não é o meu caso, mas as dores podem ser derivadas disso. Afinal, vou a caminho da décima semana. Tenho igualmente um pavor louco de ter um aborto. Já me disseram que é normal, mas ando sempre com isso no pensamento! Quando leio blogues de gravidez o assunto é sempre mencionado e referido como ‘muito comum’, principalmente quando se trata do primeiro filho e eu fico sempre amedrontada, principalmente porque sempre fui muito enérgica e activa e faço tudo e mais alguma coisa e agora, tenho de ter consciência que o meu ritmo tem de abrandar e que eu tenho de evitar fazer certas e determinadas coisas, como por exemplo, pôr-me a lavar os tectos lá de casa com lixívia…
Por outro lado, a minha pele está péssima! Mais do que já é! Desde que estou grávida que noto a pele muito grossa e escura. Custa-me limpá-la e por mais que me esfregue está sempre muito áspera e desidratada. Bebo imensa água e meto muitos cremes hidratantes, mas não chega! Comprei óleo de amêndoas doces no supermercado e aplico-o na zona da barriga e nos mamilos, para evitar estrias e gretas. A médica ainda não me disse se posso começar a pôr cremes anti-estrias e com a barriga a crescer a este ritmo, tenho de hidratar a pele. O óleo de amêndoas doces é uma boa opção, mas depois complemento com creme gordo Barral ou Nívea Bodymilk para pele seca e sempre me sinto mais confortável.
Continuo a ter muito sono. Qualquer coisa me custa e durmo que me desunho, mas de resto sinto-me óptima. Não tenho tido quebras de tensão, mas sofro muito com o calor aqui dentro da agência e farto-me de transpirar. As minhas pernas também incham e estou cheia de medo dos meses mais quentes e do calor por causa das minhas varizes, mas vou ter muito cuidado.
De resto, não me sinto nem mais bonita ou radiosa, como muitas mulheres dizem que se sentem quando estão grávidas! O meu cabelo está a necessitar de ser pintado e não o posso fazer! Tenho para aí uns 4 dedos de raízes pretas e a cor a ficar intragável, as borbulhinhas na cara não me passam e sinto-me sempre com um ar esgotado. Não sei se continuo a engordar. Não me tenho pesado, mas a minha roupa e calças, por enquanto, ainda me servem. Tenho de ver se tiro umas fotos e começo a actualizar este blogue, mas até para isso, a vontade me tem faltado.
Tenham paciência! :D
quinta-feira, abril 03, 2008
o cinismo e a hipócrisia que rodeia a minha vida
domingo, março 30, 2008
as pequenas mudanças da minha vida
quinta-feira, março 27, 2008
quando a felicidade também é feita de medos
quarta-feira, março 26, 2008
joy of my life
segunda-feira, março 24, 2008
alicia keys e a páscoa
segunda-feira, março 17, 2008
weekend pieces
quarta-feira, março 12, 2008
ADN
O resultado do meu teste genético chegou. Após dois meses de espera, as notícias não foram animadoras. Deu negativo. Outra vez. Não conseguiram encontrar nada ao nível do gene estudado que pudesse explicar a origem da mutação que provoca a ictiose bulhosa.
Confesso que quando ouvi o resultado não fiquei surpresa, nem triste, nem desanimada, nem magoada. Porque de certa forma, já sabia que essa probabilidade existia, era real e podia acontecer. Porque de certa forma, já tinha passado por isso o ano passado e depositado tantas esperanças, convicta que estava em um resultado positivo, que desta vez, as minhas aspirações, foram apenas o suficiente para me fazer acreditar, que fiz tudo aquilo que estava ao meu alcance. Quando a técnica de laboratório me disse que o resultado tinha sido negativo, eu escutei com toda a atenção, mas o meu coração acalmou, batia compassadamente e não se sentia oprimido, nem aflito, nem angustiado. Foi como se toda aquela ansiedade provocada pela espera de algo pelo qual eu não queria esperar, tivesse assentado no meu peito. Como se a resignação perante a notícia fosse ao mesmo tempo uma calmia. Dar paz a este meu coração sofrido com todas estas histórias de testes genéticos e possíveis tratamentos para ter um hipotético filho saudável... Tudo coisas que se prolongam no tempo, numa projecção difícil de conseguir calcular, numa linearidade que eu vejo sempre como distante, num futuro que se prolonga por demasiados meses, por demasiada espera, por demasiada angústia, às camadas, levando-me até ao limite... e logo eu, que nunca fui uma pessoa paciente! Porque para mim, não agir é sentir-me impotente, não fazer é sentir-me atada, não avançar é matarem-me aos poucos...
Por tudo isso, eu e o C., há muito que tínhamos tomado a decisão de que independentemente do resultado do teste genético, não iríamos fazer mais nenhum e que se o mesmo viesse negativo, então, pararíamos por aqui. E é isso que iremos fazer. E foi isso que comuniquei à técnica que me facultou a informação.
A ictiose é uma das doenças genéticas mais difícieis de diagnosticar. Não só por se subdividir em tantas variantes, como por o conhecimento da mesma ser quase nulo, principalmente no que toca à investigação científica e ao conhecimento genético. Estudar um gene, uma mutação, sem saber por onde começar, é como procurar uma agulha num palheiro e nem o resultado da biópsia ajudou a estreitar mais essa procura, ao ser-me diagnosticada 'ictiose bulhosa de siemens'. Nem isso pareceu ajudar. Existem mais dois outros testes - dentro da ictiose bulhosa de siemens - que eu ainda poderia fazer, mas depois de termos pago 1000 euros por este e de o resultado ter sido negativo e termos ficado exactamente no mesmo ponto onde estávamos, a ideia de gastar mais outros hipotéticos mil euros e eventualmente, mais outros mil euros, esgotando todas as nossas hipóteses, parece-nos um esforço descabido e inútil. Porque, mesmo que depois destes 3 testes feitos se encontrasse algo que me permitisse fazer tratamentos de fertilização in vitro através da técnica do embrião genéticamente modificado, com que dinheiro eu faria esses mesmos tratamentos? É que entretanto, ficaríamos depenadíssimos, tudo num esforço quase inglório de ter um filho. E que qualidade de vida lhe daríamos se o tivessemos? Pelo privado não teríamos dinheiro para suportar os tratamentos e pelo público esperaríamos anos, prolongaríamos a ansiedade e o sofrimento e levaríamos a nossa relação até ao limite, desgastando-a com este assunto.
terça-feira, março 11, 2008
domingo, março 09, 2008
bacalhau com broa e espinafres
Esta receita de bacalhau com broa de milho e espinafres, é provavelmente a minha nova receita favorita! Fica sempre bem, faz um 'vistaço' e é super saborosa, embora seja um pouco trabalhosa.
sábado, março 08, 2008
six feet under
Esta série mexe com alguns dos meus medos e sentimentos mais profundos...
Talvez seja por isso, que tenho cada vez mais consciente, o medo de perder quem amo.
domingo, março 02, 2008
making things happen
Resolvi seguir à letra um dos conselhos do 'The Secret', de forma a atrair para a minha vida, as coisas que quero. Já há algum tempo que tínhamos o placar cá em casa, mas só hoje, com tempo e disposição, me atrevi a 'calcorrear' todas as revistas que tinha cá em casa a encherem-se de pó e recortar tudo aquilo que, de alguma forma, reflectisse os meus desejos. Diverti-me a fazê-lo, mas ainda não está completo (nem sequer vai em metade), mas sinto-me orgulhosa por tê-lo feito.
domingo, fevereiro 24, 2008
Good vibes
quinta-feira, fevereiro 21, 2008
I´m addicted to Amy
Opá, opá, opá, ela vem cá!!! :)
É agora que vou ao Rock in Rio!!!
(Esta música não está no álbum, 'Valerie', e eu simplesmente, adoro-a!!)
quarta-feira, fevereiro 20, 2008
eu tenho dois amores...


Ter dois gatos não é tarefa fácil! Eles exigem atenções a dobrar, cuidados a dobrar, e paciência a dobrar, porque quando se lembram de desatar às corridas pela casa, empoleirando-se em tudo o que é sítio e fazendo-me perder a paciência, não há amor de 'dona' que resista! Nunca consigo ter nada devidamente estimado e muito menos no sítio, ou até mesmo 'limpo', porque os pêlos multiplicam-se a uma velocidade impressionante e por mais que tente ter tudo em ordem, não consigo! E para mim, que sou um pouco 'control freak', é um autêntico desafio, ficando a maior parte das vezes em estado de 'sítio', depois de me passarem as fúrias do primeiro impacto visual. Tudo isto para contar que agora, existem imensas pessoas que optam por ter dois gatos. Conheço várias. Com uma vida atarefada e ocupada com o trabalho a maior parte do tempo, o gato aparece como o animal mais 'óbvio' para quem vive sozinho, passa pouco tempo em casa e gosta de animais ao ponto de querer ter um. Eu, no entanto, sou suspeita, pois sempre gostei mais de gatos que de cães. São igualmente meigos, carinhosos, brincalhões, mas também são muito mais autónomos e independentes, faceta da sua personalidade que me agrada imenso. É que nunca gostei de pessoas e/ou animais extremamente carentes, não que eu seja uma pessoa fria - não é isso - mas gosto que até um simples animal não esteja completamente dependente de mim ao ponto de passar uma noite inteira a chorar - como acontece com um cão - se não o deixo dormir na minha cama, entrar para o quarto, ou ter de ficar sozinho em casa! Claro que deixar um animal sozinho é sempre difícil, seja ele um gato ou um cão, mas o gato, por saber lidar melhor com essa 'solidão' e por passar 90% do seu tempo a dormir, talvez não sofra tanto.
Quando decidimos ter um segundo gato, queríamos acima de tudo, dar um 'irmão' à Magali, alguém com quem ela pudesse brincar de forma a não se sentir tão sozinha. Eu notava no olhar dela, que por passar a maior parte do dia em casa, sem a minha companhia, andava deprimida (é verdade, os animais também sofrem). Foi mais ou menos nessa altura e depois dos meus sucessivos pedidos, que o C. trouxe para casa o Gaspar. Um presente de aniversário, que veio dentro de um caixote. O Gaspar era uma ternura em forma de bola de pêlo e com o tempo, transformou-se num enorme gatão, gordo e com uns irressístíveis olhos verdes. Mas sempre foi muito diferente da Magali, que apesar de brincalhona, sempre foi calma e sossegada, mas lá com o seu feitio 'especial'. Durante 4 anos foi a raínha e senhora da casa e de repente, eu coloquei cá dentro um 'intruso' para quem iam todas as atenções... durante uns tempos, a situação foi difícil de lidar e ainda hoje, continua a ser uma relação cheia de 'altos e baixos', consoante o humor da fêmea... (enfim, 'gajas'!!)
Hoje em dia as coisas acalmaram entre eles, se bem que ela de vez em quando tem ataques de fúria e ataca-o, mas ele nunca se dá por vencido durante muito tempo. É daqueles que não desistem e que chegam mesmo a tornar-se 'irritantes' por serem tão persistentes. Sempre de volta dela, prestando-lhe uma idolação cega, o Gaspar dá-lhe beijos, lambe-a, desafia-a para a brincadeira e acima de tudo, irrita-a! E ela gosta. Eu sei que gosta. Mas nunca se manifesta nesse sentido. Faz-se de difícil (como uma verdadeira senhora) e impõe o respeito, mas quando menos esperamos, é ela que o provoca, completamente excitada com as corridas loucas dele pela casa e com a sua personalidade 'spidada' e energia inesgotável.
Continua apesar de tudo, a reclamar imensa atenção. Adora festas, enroscar-se no meu colo, dar miados pieguinhas a pedir atenção, dormir aninhada num cobertor, ou sentar-se na mesa onde tenho o computador simplesmente ao meu lado (como está neste preciso momento). Eu sei que sou a sua 'mãe' e que ela me adora. A minha 'preta', como carinhosamente a chamo, foi o meu primeiro animal de estimação mesmo 'meu', quando tive a minha primeira casa 'mesmo minha'. O Gaspar é o oposto. Meigo, carinhoso, mas igualmente dependente e muito, muito enérgico (às vezes demais) é de uma vivacidade enlouquecedora e nunca pára muito tempo quieto no mesmo sítio. Adora andar debaixo dos nossos pés, entrar à socapa no nosso quarto, roer todas as minhas plantas, espalhar a água da tijela pelo chão fora e enrolar todos os tapetes, mas quando se enrosca e se sente confortável, agarra na cauda e chucha nela, como um verdadeiro bebé, até a mesma ficar completamente empapada em baba...
A vida nunca mais foi a mesma a partir do momento em que tivemos dois gatos. Claro que há coisas que se complicaram, como por exemplo, as férias, mas tudo se tem resolvido. A Magali adaptou-se à presença de outro elemento felino no apartamento, apesar de nem sempre continuar a lidar com isso da melhor forma, mas acho que até ela, mesmo não querendo dar a mão à palmatória, se sente feliz por tê-lo por cá.


