domingo, maio 11, 2008

rescaldo da semana


















Não tenho vivido um início de gravidez tranquilo e particularmente feliz. Parece quase um contrasenso, uma pessoa desejar tanto engravidar, ter um filho, sentir-se no papel de mãe, para depois, quando se vê efectivamente nessa situação, não conseguir estar a 100%. Eu sinto-me assim. Ando angustiada, nervosa, quase deprimida, confesso que tenho dias em que só me apetece chorar. Tudo em grande parte devido à situação e ao clima que vivo no meu trabalho. Na sexta-feira, decidi pôr um dia de férias para ir até ao centro de saúde tratar do médico de família. Infelizmente, como sou uma das várias centenas de utentes 'sem médico', tive de ir para uma consulta de recurso e ser atendida por um médico que nunca vi nem mais gordo ou mais magro. Se eu já não gostava do serviço nacional de saúde, passei a odiá-lo. Na sexta-feira, estive a maior parte do meu dia enfiada no centro, para ter a simples sorte de conseguir ser a utente 'número dois' e o direito a uma consulta, quando só haviam seis senhas e a sala se encontrava cheia de gente que após horas de espera, se viu assim privada de assistência médica... Após mais umas quantas horas e de o médico em questão ter chegado atrasadíssimo e de nem uma simples bata branca ter vestida, lá entrei para o consultório para lhe dizer que necessitava de passar a ser vista pelas consultas de saúde materna do centro e que, como tal, necessitava que o mesmo me encaminhasse para lá, dando-me igualmente a isenção a que tenho direito. Levei todos os exames, análises e eco que fiz até à data, além da minha caderneta de grávida, para que o 'sô doutor' retirasse informações minhas, mas pelos vistos, o médico que tinha à frente era tão mentecapto, que olhou para tudo aquilo como um burro para um palácio, não sabendo sequer, procurar a informação das consultas de obstetrícia a que já fui, na caderneta da grávida... Com tudo isto, depois de horas de espera, cheia de fome - pois ainda nem tinha almoçado e já eram quatro da tarde - o meu mau feitio hormonal estava ao rubro e a minha paciência nos limites. Aparentemente, fez muita confusão ao dito médico, eu já ter exames feitos - algo normal, quando já se tem quase 14 semanas de gestação, não?! (coisa que aliás, ele nem perguntou!) - e implicou pelo facto de eu ser vista no sector privado, dizendo-me que, 'Ou era vista pelo sector privado ou pelo público, não havia escolha'. Isto deixou-me a meio caminho do enfurecimento, pois toda a grávida pode ser vista pela sua médica do sector privado e ser seguida igualmente pelo público, além de que, num caso de gravidez, necessitarei sempre de ter a parceria do público, pois se quero ter a criança num hospital do estado, são eles que me têm de encaminhar para lá. Mas não, com este médico não havia meio termo. Só para o calar, disse que sim, que iria desistir de ser vista pela minha médica - yeah, right - para que ele me passasse o dito papel e saísse dali quanto antes. Mas a coisa explodiu quando ele me pede a 'análise de gravidez'. Eu, mostrei-lhe as análises que fiz após a primeira consulta de obstetrícia, mas ele continuava a insistir: 'não, não é isto', atirando-me o papel como quem afasta uma doença. Mostrei-lhe então o rastreio de sangue e a reacção foi igual. Ele repetiu: 'a análise de gravidez, a análise que diz que você está grávida'. Nessa altura, explodi. Não tenho, nem nunca tive, uma análise que diga 'estou grávida' e perguntei-lhe se as análises de sangue que tinha, a caderneta da grávida, o rastreio de sangue e a eco não eram suficientes. A única coisa que tinha, comprovativa que estou grávida - para além de uma barriga de 13 semanas - era o teste de urina caseiro que tinha feito em casa, era isso, que ele queria que eu levasse para a consulta? E sabem o que ele disse? 'Escute, eu não estou a duvidar que está grávida (eu ia-me passando com esta resposta), mas que sim, que se calhar, deveria ter trazido o teste de urina!' Confesso que aqui, só tive vontade de me atirar ao pescoço do homem e espancá-lo até à exaustão! (ando muito agressiva, eu sei), mas se isto era resposta para um médico dar, então, até uma criança de cinco anos, se calhar, teria maior discernimento. Lá se conformou com a eco que levava e passou a dita isenção, encaminhando-me para a consulta de saúde materna, que teria de ir marcar a outro centro de saúde (este em frente à minha casa). Saí dali a espumar da boca, farta por ter tirado um dia e não ter conseguido tratar de nada, enervada e esfomeada. Dirigi-me então ao outro centro, para marcar a consulta de saúde materna, mas como já passava das quatro da tarde, já ninguém se encontrava e mandaram-me regressar segunda-feira, às oito da manhã...
Amanhã terei então, de levantar-me quando as galinhas para ir falar com a senhora enfermeira do centro, para que a mesma, decida então (e não médica, esta parte convém frisar) se me aceita (ponto número 1) e se me marca um dia para ir à consulta (ponto número 2). E é com este belo panorama em mente que me deparo, tudo para conseguir ter uma médica do serviço nacional de saúde que me encaminhe para o hospital da estefânea ou para a maternidade alfredo da costa para ir ter a criança, e que me passe uma baixa para conseguir estar em casa e ver se me acalmo com tudo e com todos.
Como se não bastasse, na quinta-feira passada tivemos uma inundação em casa. De manhã quando acordámos, não havia água e fomos os dois trabalhar, sem ter noção de que tínhamos deixado a torneira da cozinha completamente aberta no máximo... a água apareceu no prédio por volta da uma da tarde, altura em que começou a correr com toda a força e nos inundou a cozinha num abrir e fechar de olhos. A água passou ainda para os andares de baixo, chegando à casa da vizinha do primeiro andar e do rés-do-chão. A nossa sorte, foi que um dos nossos vizinhos veio a casa almoçar e mais sorte ainda, é canalizador, tendo fechado imediatamente a torneira de segurança do prédio. Não temos por isso noção de quanto tempo a torneira esteve aberta, se 15 minutos, ou meia hora, mas foi o suficiente para fazer estragos. Nesse dia, eu cheguei a casa à uma da manhã e o C. à meia noite e meia. Foi ele que se deparou com o cenário dantesco da nossa casa. A cozinha e o escritório completamente inundados, água por todo o lado, tudo sujo do barro lamacento que saiu das primeiras golfadas de água que foram expelidas... a tragédia podia ter sido bem maior se não fosse o facto de o nosso vizinho nos ter salvo! Às horas a que chegámos a casa do trabalho nesse dia, certamente nos iríamos deparar com bombeiros e polícia, porta arrombada e estragos incalculáveis... Entretanto tudo voltou à normalidade e já avisámos o seguro, que mandará um perito fazer uma avaliação. Para azar dos nossos azares, agora temos a intragável velha do primeiro esquerdo e atazanar-nos a vida e a vir bater-nos à porta a queixar-se do 'chão', já com a fisgada, de lhe pagarmos as obras. O chão dela não há-de estar em pior estado que o meu, que até ver, está completamente normal! Por isso, se ela me vier novamente chatear o juízo como fez ontem, quem lhe canta a cantiga do bandido sou eu! Isto numa altura em que temos a casa à venda e a queremos despachar rápido, não podia ter escolhido pior timming...
Para a minha semana começar bem, amanhã espera-me uma reunião com a minha 'querida' chefe, que pelo que já percebi, me quer 'despromover' e retirar-me da equipa dela, passando-me para outra... Ora, isto até podia ser bom, o de não ter de ficar mais sob a alçada dela e passar a fazer outro tipo de trabalho, acontece que as contas da outra equipa, não têm nada a ver comigo, não são da área beauty - que é a que eu trabalho e na qual tenho prática e experiência - e sinceramente, ando farta destas jogadas de bastidores, nas quais ela é tão perita e que agora, que estou grávida, são uma óptima forma para me passar um atestado de estupidez ou ineficiência aos olhos da direcção, mas também de me tramar bem tramada. Pode ser que me engane, mas sinceramente, sei que é isso que vai acontecer, pois não só conheço a 'peça' com quem trabalho, como já me venho apercebendo de que tudo caminha nesse sentido há algum tempo. Resta-me esperar pela confirmação da minha, quase sempre certeira, intuição...



terça-feira, maio 06, 2008



















Ontem lá fui à médica mostrar os resultados da eco e o rastreio de sangue para as despistagens das trissomias 13, 18 e 21. Tudo ‘fine’, valores normais, risco praticamente inexistente, tensão arterial ‘au point’ e batimentos cardíacos do bebé a bom ritmo. Claro que saber que está tudo bem me tranquiliza e muito e sempre que tenho oportunidade de ouvir aquele minúsculo coraçãozinho a bater como uma locomotiva desenfreada, constato que afinal é verdade, ele existe mesmo e não é apenas um conceito ‘abstracto’ ou fruto da minha imaginação (já que a maior parte das vezes é isso que me parece).
Queixei-me do meu ambiente de trabalho, dos nervos e do stress e a médica disse que é impressionante a quantidade de grávidas que se queixa do mesmo. Que a partir do momento em que comunicam nos seus locais de trabalho de que estão grávidas, a coisa muda de figura e começa o martírio da perseguição psicológica. Disse-me para tratar do médico de família – que não tenho – porque assim que tiver, que ela (minha médica) é a primeira a passar as recomendações para que me mandem para casa de baixa, com gravidez de risco, de forma a que possa receber a 100%. Dia 30 de Maio regresso ao consultório e espero até lá, já ter estas coisas tratadas. Também lhe perguntei se dáva consultas em hospital público, mas a resposta foi negativa. Cada vez mais me convenço, de que o ideal é ir para um público e não pagar um tostão, do que optar pelo privado e ter um rombo na conta bancária caso algo corra mal. Tenho mesmo que ir ao meu centro de saúde e saber qual é o hospital que compete à minha área de residência, para começar a ir às consultas e a ser seguida por lá. De resto, engordei mais um quilito! E ontem uma colega disse-me: ‘Estás mesmo com cara de grávida’. Confesso que sinto uma aspereza muito grande no meu local de trabalho em relação à minha situação. É um pouco como se quisesse ser mais apaparicada e toda a gente se mostra indiferente à minha presença. Por mais que tente não dar importância este tipo de coisas magoa-me. Porque penso: ‘será que sou assim tão intragável para não despertar nenhum tipo de simpatias, ou o problema não sou eu, mas os outros?’ Sinceramente, confesso que não sei a resposta. Há dias em que me sinto carente de afectos da parte de terceiros. Hoje é um deles.

p.s. - Enviei a sinopse das minhas duas obras infantis para outra editora. Não desisto do sonho...

domingo, maio 04, 2008

dia da mãe


















Este fds fomos até à Ericeira. Aproveitámos para tirar medidas, ver bem a casa, pensar onde vamos pôr o quê, e tratar das reestruturações e obras que temos planeadas. Para começar, temos de despejar o apartamento com imensa coisa que lá está e que não é minha, nem do C., mas sim da mãe dele. (vai ser uma guerra, eu sei, mas venha ela) Também vimos as casas de banho e tirámos ideias - é que ambas as casas de banho vão ter de ser partidas e refeitas -porque a verdade é que são pavorosas e têm uns móveis de lavatório que não lembram nem ao menino Jesus, em mármore, e eu já me estou a ver nas minhas casas de banho com móveis em madeira e com paredes em pastilha. Para economizar os recursos, decidimos que numa das casas de banho iremos manter os azulejos (que são brancos com uma única tira a preto) e que assim, apenas mudamos o chão - colocando mosaico preto - e mandamos fazer o móvel do lavatório, substituindo também torneiras, sanita e bidé e colocando uma porta de acrílico na banheira. A outra casa de banho - a do nosso quarto - é que terá de ser toda partidinha, pois tem uns azulejos pintados simplesmente horríveis e eu recuso-me a ficar com ela assim. Fora isso, também andámos a ver o que podemos fazer ao nível das pinturas pela casa. Decidimos pintar uma das paredes da sala de castanho - já vi em várias revistas de decoração e acho que fica lindo - assim como a parede da lareira da mesma cor. Acho que o castanho vai combinar com o laranja do nosso sofá e com a cor da madeira dos móveis, tornando tudo acolhedor. O quarto que é actualmente dos meus sogros terá que desaparecer (oh que pena!) e a mobília, uma cama enorme, duas mesas de cabeceira e uma cómoda, levada para a terra. Já sei que vão espernear e tentar demover-me da ideia, mas eu não vou vacilar, ali, vai ser o quarto do bebé e já está mais que decidido entre mim e o C., dependendo do sexo da criança, logo decidimos se pintamos o quarto em tons de azul, ou rosa. No nosso quarto, que é bastante grande, estamos tentados a pôr papel decorativo na parede que nos serve de cabeceira à cama e provavelmente, teremos de comprar mais uns quantos móveis, inclusive um camiseiro ou cómoda, porque não sei onde vou pôr tanta roupa e calçado meu. Temos uma parte tipo closet, mas tenho de a 'estudar' bem e ver como a posso rentabilizar ao máximo. O terceiro quarto será uma espécie de 'quarto/escritório'. Como é bastante amplo, podemos colocar a cama onde dormimos actualmente - que é estilo japonês - e colocar também as coisas que temos no nosso escritório em Lisboa. Assim, teremos sempre uma cama para receber visitas e um sítio onde podemos ter os nossos computadores quando necessitarmos de trabalhar. Há ainda uma terceira casa de banho, mais pequena e de cariz social - que fica perto da sala - e que como tal, nem se justifica mexer. Os azulejos também são brancos com uma simples barra amarela, por isso, nada que justifique gastar-se dinheiro com mais obras. A cozinha é em tons de branco e cinza. Inicialmente tínhamos pensado em comprar uma cozinha no Ikea, moderna e em vermelho, mas sinceramente, acho que por enquanto, aquela está óptima e actual. Vamos sim comprar um dispenseiro para termos mais arrumação e umas prateleiras para pôr na parede. Já tenho umas ideias para decorá-la e ficar 'au point'. No hall de entrada, que é enorme, vamos pôr o nosso aparador e comprar uma pequena mesa redonda para colocar ao meio, assim como um candeeiro grande e vistoso para ficar pendente do tecto sobre a mesma. Acho que no final, a casa vai ficar gira e eu confesso que já começo a ficar super entusiasmada com a ideia de vir aí outro 'desafio' bem ao meu género!
Aos poucos vou-me habituando à ideia de mudar de cidade e aprendendo a apreciar cada recanto e beleza da vila. Vai ser uma verdadeira prova para mim, habituada que estou a viver em Lisboa, mudar radicalmente de vida, de ritmo, ter de fazer cerca de 80 kms diários para chegar ao trabalho e vir para casa, estar longe dos meus amigos e mal os ver... mas aos poucos, vou sendo mais receptiva e tolerante. Vem aí uma causa maior e acho que isso, só por si, vale a pena todos os sacrifícios que tenha que fazer.
Aproveitámos ainda para passear bastante a pé e comer peixinho grelhado. Os dias estiveram agradáveis e apesar de hoje estar mais frio, andáva-se bem na rua. No final deste mês de Maio temos uma semana de férias e queremos começar a fazer as primeiras mudanças, a levar coisas, a pintar e a organizar tudo. Está no entanto difícil conseguir arranjar pedreiros e pintores. Pedi ajuda ao meu pai que conhece meio mundo, mas o problema é que ninguém das Caldas quer ir fazer o serviço à Ericeira, por considerarem longe e fora de mão, o que nos dificulta a vida... Vamos tentar contactar o empreiteiro da casa e ver se ele nos pode dar uma ajuda nesse sentido, caso contrário, não sei como vamos fazer isto.
Hoje, dia da mãe, decidi ligar à minha, apesar da zanga que tivemos durante a semana. Falámos bem e ela pareceu pôr a discussão para trás das costas. Pareceu-me inclusive um pouco 'chocha', mas ao menos não ficou um mês sem me falar como às vezes faz...
Quanto ao resto, amanhã vou à consulta de obsterícia mostrar o resultado da eco, apesar de ainda não ter o resultado do rastreio de sangue pronto! Isto, mete-se um feriado pela semana e Portugal inteiro pára para férias...
Confesso que só de pensar que amanhã tenho de regressar ao trabalho, revolta-me as tripas... Ando com uma aversão imensa a todo aquele sítio, a toda aquela gente. E nem mesmo pensando em 'um dia de cada vez', ou tentando concentrar-me só no meu bem estar e no bem-estar do bebé, consigo superar. É difícil quando nos sentimos rodeadas de más energias por todo o lado...
A minha chefe, desde que sabe que estou grávida, mal me fala, e quando o faz, é apenas para me criticar ao máximo. Eu sei que ela na verdade está roidíssima de inveja por eu estar grávida, quando ela é que passava a vida a apregoar que em 2008 era ela, que ia engravidar... Como eu me 'adiantei', ela agora, abomina-me e quase me fulmina com os olhos. É uma sensação bastante desconfortável por mais que tente ignorá-la, porque a verdade é que me apercebo esino-me sempre bastante stressada e incomodada por ela. Acho que ninguém gosta de trabalhar num local onde não se sinta bem e neste momento, eu sinto-me assim: desconfortável.
Mas por agora, enquanto ainda restam algumas horas deste meu prazeiteiro Domingo, nem vale a pena sofrer por antecipação. Amanhã é um outro dia e hoje, só me resta desejar, um feliz dia da Mãe a todas as mamãs deste Mundo.


quarta-feira, abril 30, 2008

questões nervosas

Ontem até tive um dia razoavelmente calmo, mas as coisas aqui no trabalho, desde que comuniquei que estou grávida, não têm andado fáceis. Lembram-se da história de ter ficado 3 dias doente em casa no início da gravidez, e em que fui obrigada a contar antes que tivesse vontade de o fazer, não lembram? Pois bem… o assunto não acabou por aqui, porque quando recebi o vencimento deste mês, reparei que me faltava 120 euros no mesmo… Pois, isso mesmo, descontaram-me os 3 dias no valor do ordenado! Mesmo tendo a justificação do médico, mesmo tendo dito que estava grávida, mesmo depois de tudo ter ficado esclarecido. Mesmo assim, a senhora directora, achou que me devia de tirar esse dinheiro, vá-se lá saber porquê…E o pior, é que por lei, pode fazê-lo...
Isto deixou-me profundamente revoltada. Hoje, mais outro episódio: uma folha de kms que preenchi para que a dita senhora assinasse, quilómetros esses que faço com o meu carro e não com carro da empresa, até porque, não o há! Pois bem, a directora recusou-se a assinar a minha folha de kms alegando que ‘tenho kms a mais’. Expliquei que naquele dia não me limitei apenas a fazer um trajecto, mas vários e reformulei a folha, explicando todos os sítios por onde tinha passado. Vamos lá ver se a senhora agora assina. Certamente deve pensar que como não recebi a totalidade do ordenado, que ando a tentar recuperar o dinheiro de outra maneira…
Ando farta disto. Muito farta. Noto perfeitamente que desde que estou grávida que me andam a tentar prejudicar e sinto que as coisas não vão ficar por aqui. Segunda-feira vou à minha médica e vou fazer queixas disto tudo. Não me posso enervar e aqui, todos os dias, tenho situações que me deixam com os nervos em franja. Se continuar assim, peço baixa. Prefiro estar em casa sossegada do que ter de lidar com esta gente.
Por outro lado, ontem tive uma mega discussão com a minha mãe. Andamos em rota de colisão há algum tempo e ontem, não foi excepção. Tudo por causa da minha sogra. Ora, eu a minha sogra não morremos de amores uma pela outra, mas temos uma coexistência ‘pacífica’, apesar de a senhora gostar de ‘cuspir’ pérolas de veneno sempre que está comigo, ou com a minha mãe, fazendo conversas despropositadas, mandando ‘recados’ e bocas de forma indirecta e subtil. Ora, os meus pais este fds foram até casa deles para a matança de um porco. A nós também nos convidaram, mas eu recusei, até porque, se há coisa que odeio são matanças de animais – e eles estão fartos de o saber – mas mesmo assim, continua a massacrar-me com o assunto. Pois bem, a minha sogra quando apanha a minha mãe, faz-lhe todo o tipo de conversas despropositadas e um dos seus temas favoritos é falar das ex-namoradas do filho (que ela nunca conheceu, pois eu fui a única namorada que ele levou lá a casa) ou então, de falar que gostava muito que o filho se tivesse casado com fulana, filha de sicrana, que é amiga dela e que por sua vez, é ‘muito boa menina, muito boazinha’. Ora, pergunto eu, onde é que vocês acham que ela pretende chegar com este tipo de conversas feitas à minha mãe? A quem é que acham que ela está a mandar bocas ou a ser indelicada? E agora, pergunto eu novamente, vocês como mães, permitiriam tais comentários? Não ficariam ofendidas? Não achariam que se trata de uma falta de educação, uma sogra dizer este tipo de coisas e falar de ex-namoradas do filho, quando a vossa filha está junta com ele há mais de 5 anos e está, neste momento, grávida do mesmo? Não diriam nada? Ficariam mudas e caladas, enquanto a outra leva o assunto até à exaustão, já não sendo a primeira, nem a segunda, nem a terceira vez que o menciona?
Pois a minha mãe fica muda, impávida e serena. Não abre a boca uma única vez para me defender, mas depois gosta de vir fazer queixas da senhora ao telefone quando falo com ela! Eu confesso que ontem explodi! Não me basta ser constantemente atacada por uma sogra que é uma bruxa vinda dos infernos, ainda tenho de lidar com uma mãe completamente passiva e desinteressada, que nem quando atacam a única filha dela, é capaz de dizer o que quer que seja em sua defesa. Mais, se for preciso é capaz de defender o C. como não me defende a mim, culpando-me de coisas que eu não tenho nada a ver e dizendo-me frases como: ‘tu é que és a mulher dele, tens essa obrigação.’
Senti-me profundamente magoada e a conversa facilmente descambou para uma enorme discussão. Odeio esta atitude completamente submissa, vinda de uma mulher que apenas tem uma única filha, mas que ainda acha que é a mulher que tem de prestar vassalagem ao marido, não o chatear em demasia e fazer-lhe as vontades todas, fazendo uma clara alusão a uma educação quase salazarista de que o lugar da mulher é ‘não espernear’ muito, ouvir e calar e ter a casa arrumada e agradar o marido, que por sua vez, tem todos os direitos deste mundo e do outro.
Quando a conversa terminou, sentia-me de tal forma alterada que a minha respiração estava super acelerada e comecei a sentir fortes pontadas na barriga. Estou mesmo a ver que vou ter uma criança toda stressada, que não me irá deixar dormir de noite, com tantos nervos que apanho só no ínicio desta gravidez.
Duvido, muito sinceramente, que falemos as duas tão cedo.

segunda-feira, abril 28, 2008

12 semanas e mais fotos

‘Pois é, hoje, dia em que faço 12 semanas, os meus pais puderam ver-me! A minha mãe matou saudades e o meu pai viu-me pela primeira vez!
Estou já todo formado, agora só falta crescer!
O meu coração bate a bom ritmo e segundo o médico, sou um bebé muito irrequieto, pois não parei um segundo durante a ecografia. O útero da mãe é tão bom para dar umas voltas! Ainda não deu para ver se sou menino ou menina, mas a minha mãe suspeita que eu seja um ‘pilas’.
Beijos a todos! Daqui a seis meses conhecemo-nos cara a cara.
Aqui fica uma foto minha para recordação!’

O bebé

domingo, abril 27, 2008

fim-de-semana da liberdade


















Estamos a chegar ao fim deste maravilhoso fim-de-semana de 3 dias, que me pareceu infinito e que soube deliciosamente bem! Começou logo na 5ª feira, com um jantar na casa da L., numa espécie de 'ladies night', onde à moda antiga, eramos só nós as três, livres dos respectivos e onde pudemos ter as conversas porcas do costume e falar de tudo e mais alguma coisa sem qualquer tipo de complexos e limitações! Confesso que adorei, já tinha saudades de uma 'farra' de gajas, embora esta denominação de 'farra' tenha agora uma simbologia completamente diferente e distinta de há uns anos atrás... Acho que agora, que a minha vida vai dar uma volta de 180º começo a valorizar cada vez mais estes momentos...
Na sexta acordámos cedo e fomos para a rua. Decidimos aproveitar o sol na esplanada do DeliDelux, enquanto eu comia um maravilhoso bagel torrado e bebia um sumo de laranja. À nossa volta imensos jovens casais com os seus respectivos bebés tinham tido a mesma ideia que nós e eu fiquei a ver as crianças e os seus comportamentos, enquanto me entretia a ver os carrinhos que cada casal tinha escolhido para os seus 'piquenos' - continuo obcecada com os carrinhos e as suas multifuncionalidades - já tirando de letra os modelos, do que propriamente com as revistas que tinha razido para a mesa. Confesso que fico sempre surpreendida com a energia que as crianças revelam e a paciência infinita dos pais, perante o frenesim que os filhos instalam... uns corriam entretidos e com sorrisos de orelha a orelha, outros dávam gritinhos, outros espernevam e berravam a plenos pulmões... como será que vou reagir a situações destas? Penso nisto imensas vezes. Será que vou ser uma mãe paciente? Será que saberei ser justa e tolerante? Acho que quando se está habituado a ter o seu espaço, as suas coisas, dispostas de determinada maneira, tendo apenas dois gatos destabilizadores (e com isto nem pretendo sequer comparar gatos a crianças), desenvolvemos um comportamento meio egoísta, onde só pensamos em nós e no nosso bem-estar, na paz e no sossego que esta tranquilidade e este 'controle' nos confere... Ora, eu confesso que gosto muito de ter esse 'controle' sobre o que me rodeia, por isso terei de saber e aprender a relativizar as coisas ou a não lhes dar tanta importância em prol de um filho e do bem-estar deste, mas muitas vezes pergunto-me se serei capaz, se saberei ser boa mãe. Acho que estas dúvidas devem 'assaltar' muitas jovens e recentes mães e eu não sou excepção, mas à medida que a gravidez avança, parece que os meus medos vão também, aumentando com ela...
Seguimos depois para o salão automóvel de Lisboa, uma verdadeira maratona de carros, que eu simplesmente dispenso, mas que este ano tinha uma finalidade muito válida - irmos ver de carrinhas familiares. Com a chegada de um terceiro elemento, torna-se fundamental trocarmos de carro, principalmente o do C., que por ser desportivo e ter apenas 3 portas, não é o mais indicado para carregar cadeirinhas, carrinhos e afins...
Gostámos de algumas coisas que vimos, umas mais caras que outras (claro), mas no fim, teremos de optar por aquele que se revelar mais em conta para a nossa carteira e nova logística familiar. Trouxemos catálogos e contactos. Agora resta-nos 6 meses para tomarmos uma decisão.
Estafada e cheia de fome, demos um salto ao centro Vasco da Gama - que caóticamente abarrotava de gente - onde aproveitámos para dar um salto à Bébé Comfort e ver carrinhos, saber preços e ver acessórios. Ainda não comprei absolutamente nada para o meu bebé, mas já comprei finalmente as calças 'pré-mamã' que me custaram uma pequena fortuna - 40€! Confesso que nunca dou 40€ por um par de calças e ter de dar este valor por umas que apenas irei usar durante uns meses, parte-me o coração (e a carteira), mas a verdade é que me sinto muito mais confortável nelas que nos meus velhos jeans que já me começam a massacrar a barriga, além de terem a cintura elástica e ajustável, o que significa que me poderão fazer companhia ao longo dos restantes meses! Comprei-as na C&A, mas a roupa de grávida em geral, é de se fugir! E a saga das calças chega a ser desesperante! Acho que ainda terei de comprar outro par, porque não convém andar sempre com as mesmas...
À noite encontrámo-nos com amigos na esplanada da Graça. A minha barriga é agora motivo de atracção do grupo. Por ser a primeira a engravidar, sou alvo de todo o tipo de comentários e atracções por parte das minhas amigas, mas já ouvi 'pérolas' como: 'estás com a cara tão larga', ou 'estás a ficar com braços à mãe' - ou seja lá o que isto significa... Pronto, mais vale dizerem-me 'estás gorda', que ao menos é mais directo, mais honesto e uma pessoa sabe logo ao que vai!
Jantámos numa tasca portuguesa - onde eu comi uma dourada grelhadinha - e acabámos a noite num bar com esplanada no largo das Portas do Sol, com uma vista fabulosa sobre Lisboa. Foi muito bom, ri-me bastante e quando caí à cama estava tão cansada que adormeci numa questão de segundos.
Amanhã é dia da eco das 12 semanas! Estou tão ansiosa! Tenho medo que o bebé não esteja bem ou que algo se passe e eu não saiba, mas por outro lado confesso que tenho muita vontade de o ver, de ouvir o coraçãozinho dele a bater, de que o C. tenha finalmente a oportunidade de ver o filho(a)... Tenho, tal como já disse neste post, cada vez mais medo de que este bebé não seja perfeito e por mais que tente apagar este terrível pensamento da minha cabeça, não consigo, parece ser um medo que se instalou dentro do meu peito e que cresce cada vez mais, minando-me. Por vezes tento controlar-me e evitar pensar nisso, mas sinto que ando cada vez mais preocupada. Isso também me faz pensar no parto e onde o deverei ter... tenho mesmo de tratar de ir ao centro de saúde e ter uma consulta com um médico da caixa para saber qual é o hospital público que me está atribuído aqui em Lisboa. Chego à conclusão de que é mais seguro ir para o público caso alguma coisa corra mal, do que ir para o privado, mas antes ainda quero falar com a minha médica sobre isso e ver o que a mesma me pode aconselhar.
Hoje, Domingo, passei o dia todo em casa. O C. foi trabalhar e eu aproveitei para dormir. Continuo a sentir-me muito cansada e sem energia. Confesso que já ando farta desta inércia e anseio pela outra fase, aquela em que dizem que as grávidas se sentem cheias de energia. Os dia estão maravilhosos lá fora e eu não tenho vontade nem de despir o pijama... preciso de recuperar a velha Mafalda urgentemente! Afinal, tenho de começa a empacotar coisas... a casa de Lisboa já está à venda e vem aí a grande mudança, provavelmente em Julho... há que começar a antecipar tudo enquanto a barriga não me pesa e eu ainda me consigo mexer, mas só de pensar na quantidade de tralha que tenho nesta casa fico sem vontade de mexer em nada...
Muita coisa ainda vai decorrer nestes seis meses que faltam para tu nasceres! Mas tudo estará pronto para te receber, filho! (espero!)

terça-feira, abril 22, 2008

baby blues


















Ainda não tinha mencionado aqui no meu canto, de que os livros que encomendei há duas semanas atrás do site da Amazon, finalmente chegaram! Confesso que foi a primeira vez que comprei livros através da net, mas tinha muita curiosidade nestes dois. O primeiro, um calhamaço enorme que fala sobre a evolução do bebé ao longo do primeiro ano, tem tudo, mas mesmo TUDO, o que procuramos em vários livros! Já conhecia o ‘What to Expect the first year’, pois quando era jornalista, este livro era a ‘bíblia’ da redacção quando tínhamos de redigir artigos sobre crianças e cuidados neonatais. É muito completo, super didático e possui dicas fabulosas para todos os pais inexperientes, desde o que fazer em caso de doença, aprender a interpretar o choro dos bebés, ou até, como lidar com sogras e familiares possessivos (esta parte agradou-me particularmente!) O outro, é o livro da Tracey Hogg, a terapeuta de que já vos falei por aqui e que sempre gostei de ver o trabalho dela, assim como sempre escutei com muita atenção os conselhos da mesma, a pensar num dia mais tarde. Coisas como embalar um bebé nos braços para adormecer, ou deixá-lo dormir na sala enquanto os pais ainda estão acordados, são erros crasos, na opinião dela. Os bebés precisam de rotinas e de ter um ritmo próprio e alterar a rotina de um bebé com estes comportamentos, faz com que a criança nunca mais se esqueça e queira sempre, a partir desse momento, adormecer assim, para grande desespero dos progenitores. Claro que eu estou para aqui a falar armada em sabichona, mas quando me vir confrontada com as situações, acho que não me vou lembrar de livros coisa nenhuma, mas a teoria está cá toda! Eheehhee
O que mais me agrada em ambos os livros é que possuem uma linguagem super simples, prática e muito fácil de ler, mesmo sendo em inglês. Logo eu, que andava tão destreinada.
Hoje decidi-me a tirar algumas fotos para registar as onze semanas, mas sairam uma grande porcaria, todas tremidas e desfocadas! Só esta que vos mostro, se aproveitou, mesmo assim está péssima! E digam lá se não estou com cara de grávida? Eu quase nem me reconheço quando me vejo nas fotos, mas ao espelho acho que estou igual. Enfim, vá-se lá perceber esta minha lógica.
A nova franja, cortei-a ontem, moi mêmme, num acto de puro desespero capilar! E não é que ficou bem? Fiquei toda orgulhosa! Se deixar a área da comunicação social e assessoria de imprensa, pode ser que tenha futuro como cabeleireira… (sempre deve dar menos dores de cabeça).

domingo, abril 20, 2008

11 semanas


















O fds chuvoso e frio fez com que ficássemos a maior parte do nosso tempo em casa, mas na sexta lá nos decidimos a ir ao cinema - coisa que já não fazíamos há bastante tempo - para descontrair um bocadinho. Há que aproveitar agora esta boa vida, porque a partir do momento em que me mudar de Lisboa para a Ericeira, acabaram-se as saídas à noite, os jantares fora de casa, as idas ao cinema à sexta e à segunda-feira... enfim, vou ter de me habituar bastante ao turbilhão de coisas que estão para vir e às quais eu terei de me adaptar.
De resto, tenho-me sentido bem, sem enjôos e sem naúseas. A barriga parece-me na mesma, mas eu sinto-me um caco (já disse isto no post anterior, mas é verdade!) A minha pele, desde que estou grávida está ainda mais desidratada do que é costume, por mais óleos e cremes que meta, está sempre com o efeito 'lixa' e eu sinto-me muito desconfortável. Depois são as borbulhas na cara. As hormonas fazem das suas e expressam todo o seu poder no meu queixo, deixando-me bastante deprimida quando me vejo ao espelho. Terceiro: as raízes do meu cabelo já não levam 3 dedos de avanço, mas para aí uns cinco, com raízes escuras que já se vêem à distância!! Ando desesperada por pintar o cabelo e já não me aguento ver-me assim. Apesar de a médica me ter dito para esperar pelas 12 semanas, a verdade é que encontro muita informação contraditória sobre este assunto na net, e enquanto umas grávidas dizem que fizeram nuances e pintaram durante toda a gestação sem qualquer tipo de problemas, outras passaram os 9 meses longe das tintas... e a verdade é que eu já não sei o que fazer. Por isso, todos aqueles que dizem que a mulher grávida fica linda e radiosa, eu ando com uma séria e grave crise de auto-estima! E estou longe de gostar daquilo que vejo todos os dias ao espelho... (alguém me pode dar uma ajuda neste assunto por aqui? anyone??)
Hoje decidimos ir passear, andámos por Cascais, Guincho, Colares e finalmente Sintra, onde não resistimos aos travesseiros da Piriquita - a minha perdição - tão quentes e acabadinhos de sair do forno que até o recheio nos queimava a boca. Terminámos a tarde no Colombo, na minha imparável saga por calças com cintura elástica para pré-mamã. Descobri uma loja enorme da Zippy - que vende a roupa para crianças e outros acessórios que se vende no Continente - com algumas peças de roupa para grávidas e onde descobri umas calças de ganga que gostei, no meu número - 38 - baratinhas e com uma ganga escura que me agradou. O problema é que me estavam enormes...
Vim para casa de mãos a abanar, apesar de termos visto tudo o que eram lojas de crianças e afins. Andamos a namorar os carrinhos e a verdade é que são poucos, muito poucos, aqueles que nos enchem as medidas. Os nossos favoritos recaem para o Quinny Buzz e o High Trek da Bébé Confort, mas sabemos que ainda é cedo para estas aventuras e andamos apenas a fazer a 'prospecção de mercado'.
Ontem recebi ainda, um email de uma jovem mãe do Porto, que tem uma menina que nasceu com ictiose lamelar. Ela contou-me que ninguém na família dela ou do marido, possui a doença, e que por isso, se suspeita que a mesma provenha de gerações muito antigas - e que por azar - se manifestou na filha dela. Disse-me também, que quando a bebé nasceu, foi um tremendo choque para toda a família e que os médicos lhes disseram que teriam de ser muito fortes para enfrentar o que aí vinha. A bebé ficou hospitalizada mês e meio e só findo esse tempo é que foi para casa... Ora isto fez-me pensar e muito na minha situação. Ando eu aqui feliz da vida com a gravidez, mas a verdade é que não sei o que me espera. E ouvir este relato fez-me ter um medo, um pânico muito grande. E se algo semelhante acontece comigo? Isto tambem me fez pensar que se calhar o melhor é não optar por ter o parto num hospital privado, pois se algo acontece e se a criança nasce com algum problema e precisa de ficar mais tempo que o normal hospitalizada, o seguro não irá cobrir essa despesa e nós ficaremos a arder com um valor estupidamente caro! Tenho um plafon de 2000 euros de seguro para parto - caso o mesmo seja normal - porque se for uma cesariana, a mesma aumenta para 3050€ e essa diferença teremos de ser nós a cobri-la. Fiquei tão angustiada que nem consigo pensar em mais nada... confesso que tenho alturas que só me apetece chorar. Eu sei que tenho 50% de hipóteses de tudo correr bem, mas também sei que tenho uma doença que é autossómica dominante, logo, o gene dominante tem mais 'força' sobre os outros e logo, a doença tem mais hipóteses de se manifestar...
Outra coisa que recentemente me apoquenta é o facto de não ter médico da caixa. Ou seja, eu vou sempre ao particular - porque tenho seguro - porque confesso ter mais confiança nos médicos do particular, por uma questão de conforto e comodidade, etc. No entanto, se eu necessitar de uma baixa médica, terá de ser a caixa, ou o médico da caixa a emiti-la, certo? Ou não? É que eu não sei!! Por exemplo, a baixa de licença de parto, não é o médico da caixa - serviço público - que tem de a emitir? Então e onde é que entra a minha médica obstectra do particular que me segue? Continuo a ser seguida pela minha médica, ou terei de frequentar os dois ao mesmo tempo? E se eu tiver o parto num hospital particular? ááááá´Ando tão confusa! Sinto-me uma inexperiente em tudo! Tudo me faz confusão. Somebody help me? Pleeeeaaasssseee!
É difícil ser-se adulto.

terça-feira, abril 15, 2008

contradiction



















Andei eu a gabar-me de que passava uma gravidez sem enjôos, a sentir-me fresca que nem uma alface – tirando o sono, of course – e que comia tudo e mais não sei o quê, para ontem, depois de uma vontade louca de comer frango de caril, o qual fui satisfazer atempadamente, o mesmo me cair mal e me fazer ir ao grego! Ora, isto dito assim, não soa lá muito bem, mas a verdade é que logo a seguir ao jantar comecei a sentir-me mal-disposta, o estômago embrulhado e ao deitar, quando fui lavar os dentes e já depois de ter bebido uma águinha das pedras, eis que vomito. Pouco, é certo, para logo a seguir me sentir verdadeiramente melhor, mas é uma sensação simplesmente horrível! Ugh
Hoje ao almoço tive uma vontade louca de comer Franguinho da Guia com batatas fritas, mas como não tinha ninguém para me fazer companhia, lá me contive e comi o que trouxe na marmita e a frutinha em cima e pronto, sempre se poupa uns tostões. Desde que estou grávida que tenho desejos loucos por batatas fritas – algo que não abona nada a meu favor – mas quanto mais sal tiverem, mas eu gosto delas! (eu sou um poço de contradições!!)
À hora do almoço ainda aproveitei para ir à Zara experimentar calças da secção de pré-mamã. Não podia ter corrido pior. As calças de ganga deles resumem-se aos tamanhos ‘S’, ‘M’, ‘L’ e ‘XL’. Experimentei um ‘M’ e senti o que uma alheira supostamente deve sentir (se alguma vez sentisse) de tão enchouriçada que estava nas calças. Ficavam-me perfeitas na barriga, mas nas pernas mal me conseguia mexer. A contragosto lá passei para o tamanho ‘L’ que continuava apertado nas pernas – apesar de melhor que as anteriores – mas larguíssimas na cintura. Malvados modelos ‘stretch’! Conclusão: não comprei nenhumas! Mas estou a necessitar urgentemente de umas calças elásticas com espaço para a barriga! Sinto que estou a crescer a olhos vistos e entretanto o único modelo que uso e abuso todos os dias, deixa de me servir.
Quero passar na H&M e ver se encontro algumas que me sirvam, assim como na Pré-natal, mas não queria gastar muito dinheiro, apesar de eu não viver sem calças de ganga…
Hoje à noite ainda tenho a entrega dos prémios Máxima. Confesso que estou cansada e a vontade de ir nem é assim tanta, mas pronto, como tenho passado tanto tempo em casa também me apetece desanuviar e ver outras pessoas – apesar de ir com as colegas do trabalho – mas é no casino de Lisboa e estou perto de casa.
A noite passada dormi muito mal. Para além de ter vomitado antes de me ir deitar, sonhei que estava a ser assaltada e molestada por dois homens que me queriam roubar a mala e fazer mal. Acordei em pânico e já não fui capaz de pegar no sono, daí o meu aspecto zombie (mais do que é costume ultimamente), assim como uma mega borbulha junto à boca – é o que dá comer porcarias!
Sinto-me tão cansada, que só me apetece pousar a cabeça em cima do teclado do computador e dormir. Ando um caco.

domingo, abril 13, 2008

family party


















Os aniversários das minhas primas são sempre motivo de celebração em família. Um em Abril e outro em Julho, é sempre nestas datas - tirando o Setembro, altura em que a família volta a reunir-se toda novamente para a festa lá na terra - que primos, tios, avós, sobrinhos e irmãos, se revêem, metem a conversa em dia, ficam a par das últimas novidades e claro, comemos em conjunto. Este ano o aniversário da M. não foi excepção. O dia aguentou-se sem chover, apesar de à noite estar um frio que entrava por baixo da roupa, nos fazia encolher e desejar ir para casa mais cedo, mas nem isso desmotivou a quantidade louca de crianças que todos os anos se encontram presentes e pulam e brincam e correm pelo jardim, numa histeria louca de gritos e gargalhadas, sinónimo de que na infância, estes sãos mesmo os nossos melhores momentos.
Nós chegámos por volta das seis da tarde, atrasámo-nos mais do que o costume, mas ainda fomos a tempo de ouvir cantar os parabéns e de partir o bolo. Confesso que me sentia tão preguiçosa e tinha tanto sono, que aproveitei parte da tarde de ontem para descansar e dormir. (coisa que ultimamente faço em abundância).
Tentei a todo o custo evitar dar a notícia de que estou grávida, não é que vontade não me falte, mas enquanto não fizer 12 semanas, quero salvaguardar-me um bocadinho e preservar ao máximo este assunto. Não deixa de ser irónico no trabalho já imensa gente saber, e na família, as pessoas que à partida me querem verdadeiramente bem, apenas pais e sogros vibrarem com a notícia... Mas depois penso sempre que se no trabalho sabem não foi porque eu quis contar, mas apenas porque de certa forma fui obrigada. Ninguém comentou nada ou fez qualquer reparo ao facto de me acharem mais gordinha (algo que no trabalho, por exemplo, me atiraram logo à cara mal souberam da novidade), o que me faz suspeitar de que a camisola verde que levei vestida, foi uma boa 'camulfagem'. O C. achou que eu fiz bem em não ter dito nada e a minha mãe - que já não me via desde a Páscoa - só se ria da minha barriga e fazia-me olhares cúmplices. O pior foi quando o louco do meu primo B. decidiu agarrar-me ao cólo e atirar-me ao ar quando nos preparávamos para tirar uma fotografia. Fiquei enfurecida. Ele agarrou-me sem eu ter tido tempo sequer, de reagir, e apesar de eu ter virado uma fera e de lhe ter pedido insistentemente de que queria que ele me metesse no chão, ele ainda mais se ria e mais me atirava ao ar. Claro que toda a gente ficou a olhar para mim como se eu tivesse enlouquecido e devem ter pensado que não se justificava tamanho ataque de fúria perante a situação, pois tratáva-se apenas de uma brincadeira, mas eu fiquei em pânico e não consegui disfarçar o mau humor e o facto de não ter gostado nem um pouco da ideia.
A estrela da festa, para além da aniversariante, foi o pequeno G., que com 18 meses, é o novo benjamim da família. Já fala, já anda e diz insistentemente um sonoro e muito afirmativo 'não', sempre que lhe tentamos pegar contra a sua vontade. Dá cinco com a mão sempre que lhe pedimos, bate palminhas e diz 'cão', correndo em direcção ao labrador gigante e muito preto, o 'Simão', que ficou toda a festa fechado na garagem. Saímos da casa da minha prima eram dez da noite com a promessa de novo encontro, desta vez em Julho, para o aniversário da minha afilhada - 11 anos. Aí, já estarei de 5/6 meses, - se tudo correr bem - e até lá, já toda a gente saberá, pois no final deste mês faço intenções de começar a dar a notícia.
Na sexta-feira, recuando um pouco mais no tempo, decidi ir novamente às urgências da CUF Descobertas queixar-me das dores abdominais que não me largavam há 3 dias. Depois de várias tentativas frustradas em falar com a minha obstectra e de ter ligado para o hospital a reclamar por ninguém ter dado seguimento ao meu pedido de que a mesma me contactasse, eis que na sexta-feira, a senhora lá me decide ligar, para me dizer de que ia a caminho de um congresso no Algarve e de que não me podia ver... (que conveniente!) Confesso que ando a duvidar e muito da capacidade de esta médica, que até à data foi minha ginceologista, de ser uma boa médica! Se tenho o azar de ter alguma emergência, não tenho sequer, o contacto directo dela, sendo obrigada a ligar para o hospital da Cuf Infante Santo - onde a mesma dá consultas - e onde serviço é tão mau, que andei dois dias seguidos a ligar e a pedir para falar com ela, queixando-me das dores e ninguém lhe deu o recado... Só perante o meu telefonema mais agressivo e revoltado perante a situação, é que a senhora me decide ligar, para afinal me dizer que não me pode ver, de que as minhas dores pela descrição podiam ser uma infecção urinária (apesar de não ter sangue nem ardor ao urinar) e que se calhar o melhor é ir às urgências... (até aí, já eu sabia!)
Não pretendo ser uma grávida 'mariquinhas', que à primeira dor decide ir a correr ligar para a médica, mas como inexperiente que sou no assunto e perante a insistência das dores, é natural que fique assustada e que queira a opinião de um profissional. A parva da minha médica ao dizer-me por telefone de que as dores que sentia podiam ser uma infecção urinária deixou-me em pânico! Eu já li sobre o perigo que uma infecção urinária pode provocar a uma grávida, especialmente no início da gestação e do que isso representa para o embrião e passei a tarde toda de sexta a desejar que fossem 18h30 para sair e ir a correr para o hospital...
Enfim, quando regressar à consulta no próximo dia 5 de Maio, vou manifestar o meu desagrado em relação ao assunto e se ela continuar a ser assim, acho que me decido por outro médico que me inspire mais confiança.
No entanto, na sexta-feira, lá fui à CUF, que abarrotava de gente, algumas pessoas bastante constipadas e a tossir ao meu lado e eu só pensava em sair dali para fora. Apesar de as grávidas à partida serem doente prioritários, tive de esperar e bem para ser chamada e vista. Lá me encaminharam para o serviço de ginecologia e obstectrícia do hospital onde fui vista por um médico. Quando entrei na sala fiquei retraída ao ver que era um homem que me ia ver - é que sempre tive ginecologistas mulheres - mas pensei: 'Que se lixe, vais ter de começar a habituar-te' e lá me queixei das dores abdominais que vão e vêm, na zona baixa da barriga, que muitas vezes apareciam sob a forma de dores intensas e agudas para logo passarem por tempo indefinido. Ele mandou-me deitar na maca e começou a apalpar-me a barriga perguntando-me onde me doía: 'Aqui dói?', 'Não', dizia eu,' 'E aqui?', e 'Aqui?', 'sim!!!'
Veredicto: Intestinos! 'Pois é minha querida, isto aqui não há bebé nenhum, isto aqui são intestinos e o mais provável é estar a sofrer com gases'! Gases? áááááááááá!!!
Senti-me tão envergonhada, tão estúpida, tão tudo! Mas pronto, ao menos fiquei tranquila. Pelo meio ainda me fez uma eco e saber que com o meu bebé está tudo bem. Pude ver a 'formiga' outra vez, que está bem maior desde a última vez que a vi, mas o mais emocionante, foi sem dúvida ver o coração a trabalhar a mil à hora, a bater com toda a força, mostrando-me que afinal é real, ele está ali, em pleno crescimento e de que está tudo bem com ele. Não pude evitar ter um sorriso enorme no rosto e de soltar uma lágrima perante a emoção. Senti-me ridiculamente feliz.
Não vejo a hora de que chegue dia 28 para puder vê-lo(a) outra vez. E desta vez, o paizão vem comigo! :D

quarta-feira, abril 09, 2008

nove semanas e meia

Esta semana tem sido mais calma, mas nem por isso menos stressante. Depois dos percalços da semana anterior, em que apanhei uma pilha de nervos à pala das minhas colegas, esta semana as coisas estão tranquilas, em parte porque uma está de férias e a outra continua de baixa, mas por outro lado, estamos duas pessoas a fazer o trabalho de quatro, o que não é fácil. Ontem saí da agência a sentir-me um caco e com a cabeça muito, muito cansada. Tanto, que quando cheguei a casa, o C. decidiu fazer ele jantar (algo inédito) para que eu pudesse descansar um bocadinho no sofá da sala. Jantámos ainda cedo, mas eu sentia-me de rastos, por isso decidi ir logo para a cama. Eram nove e meia da noite e já estava deitada! (algo inédito!) Dormi ininterruptamente, só me levantando a meio da noite para ir à casa de banho fazer xixi – algo que começa a ser regular desde que estou grávida – e só acordei hoje de manhã, às oito. Mesmo assim, estou aqui a custo, dormia mais umas horitas.
A minha barriguita vai bem (acho). Isto de estar mais de um mês sem saber se o embrião se está a desenvolver como o esperado deixa-me um pouco insegurada e cheia de medos. Só tenho consulta dia 5 de Maio e a ecografia da translucência da nuca está marcada para dia 28 deste mês, altura em que já estarei de 12 semanas. Ontem andei o dia todo a sentir umas dores na zona baixa da barriga e fico logo assustada. Hoje também estou. Sei que é mais ou menos por volta da décima semana que a placenta se fixa mesmo no útero (acho que é isso) e por isso, é normal sangrar um bocado. Não é o meu caso, mas as dores podem ser derivadas disso. Afinal, vou a caminho da décima semana. Tenho igualmente um pavor louco de ter um aborto. Já me disseram que é normal, mas ando sempre com isso no pensamento! Quando leio blogues de gravidez o assunto é sempre mencionado e referido como ‘muito comum’, principalmente quando se trata do primeiro filho e eu fico sempre amedrontada, principalmente porque sempre fui muito enérgica e activa e faço tudo e mais alguma coisa e agora, tenho de ter consciência que o meu ritmo tem de abrandar e que eu tenho de evitar fazer certas e determinadas coisas, como por exemplo, pôr-me a lavar os tectos lá de casa com lixívia…
Por outro lado, a minha pele está péssima! Mais do que já é! Desde que estou grávida que noto a pele muito grossa e escura. Custa-me limpá-la e por mais que me esfregue está sempre muito áspera e desidratada. Bebo imensa água e meto muitos cremes hidratantes, mas não chega! Comprei óleo de amêndoas doces no supermercado e aplico-o na zona da barriga e nos mamilos, para evitar estrias e gretas. A médica ainda não me disse se posso começar a pôr cremes anti-estrias e com a barriga a crescer a este ritmo, tenho de hidratar a pele. O óleo de amêndoas doces é uma boa opção, mas depois complemento com creme gordo Barral ou Nívea Bodymilk para pele seca e sempre me sinto mais confortável.
Continuo a ter muito sono. Qualquer coisa me custa e durmo que me desunho, mas de resto sinto-me óptima. Não tenho tido quebras de tensão, mas sofro muito com o calor aqui dentro da agência e farto-me de transpirar. As minhas pernas também incham e estou cheia de medo dos meses mais quentes e do calor por causa das minhas varizes, mas vou ter muito cuidado.
De resto, não me sinto nem mais bonita ou radiosa, como muitas mulheres dizem que se sentem quando estão grávidas! O meu cabelo está a necessitar de ser pintado e não o posso fazer! Tenho para aí uns 4 dedos de raízes pretas e a cor a ficar intragável, as borbulhinhas na cara não me passam e sinto-me sempre com um ar esgotado. Não sei se continuo a engordar. Não me tenho pesado, mas a minha roupa e calças, por enquanto, ainda me servem. Tenho de ver se tiro umas fotos e começo a actualizar este blogue, mas até para isso, a vontade me tem faltado.
Tenham paciência! :D

quinta-feira, abril 03, 2008

o cinismo e a hipócrisia que rodeia a minha vida

Os acontecimentos dos últimos dias desta semana foram de tal forma bruscos, inesperados e surreais, que me vi envolta numa sucessão de episódios em catadupa, que pareciam cada um pior que o outro. Apanhei uma crise de nervos tal e tive um ataque de choro tão grande, que cheguei a pensar que algo podia acontecer à gestação, mas felizmente agora estou mais calma e tranquila e tudo estabilizou, mas vamos por partes...
Ora, como vocês sabem a semana passada fiquei em casa durante 3 dias devido a uma tremenda gripe que me atirou à cama. Acorri às urgências da CUF, fui vista e perante o facto de estar grávida de 7 semanas + gripe, a médica nem hesitou: casa, sopas e descanso, muito descanso. Perante isto eu também não hesitei. De manhã, quando acordei, mandei um sms às minhas duas colegas de equipa a dizer que tinha passado mal a noite e que ia às urgências, logo, ia chegar mais tarde. Até aqui tudo bem. Assim que saí do médico liguei imediatamente para uma delas e disse-lhe o prognóstico: estou com gripe e a médica mandou-me para casa até ao final da semana para recuperar. O tom de voz dela mudou e ficou claramente mais seco, mas eu confesso que nem liguei muito, falámos mais umas poucas coisas de trabalho, disse que teria de faltar à formação que iria ter nessa tarde e à apresentação que iria ter na manhã seguinte. Sabia que realmente não era a melhor altura para ficar em casa, mas perante o início de uma gravidez, nem sequer pus em questão ir trabalhar. Pois bem, e foi aqui que começaram os problemas.
Nos dias que estive em casa reparei que a minha colega nunca me ligou, não respondeu aos meus sms e quando falava comigo, fazia-o sempre num tom seco e muito, muito frio. Percebi que ela tinha ficado danada com a minha ausência, porque a verdade é que já a conheço e sem bem com quem trabalho. Claro que ela não sabia o verdadeiro motivo que me levou a ficar em casa e a verdade é que eu também não tinha intenções de lhe dizer. Estou no início, era muito cedo e tinham muito tempo de o saber!
A semana passou e segunda-feira regressei ao trabalho, curada e sem resquícios da gripe. Quando cheguei de manhã reparei que ninguém me deu os bons dias, ou perguntou sequer, se estava melhor. Ela não abriu a boca para falar comigo durante a manhã inteira e a única vez em que o fez, foi para dizer num tom agressivo e muito autoritário: 'Tens de ir entregar a tua baixa à S.'
Perante isto vi que o caldo havio entornado, primeiro, porque ali nunca ninguém pede baixa a outra pessoa por ficar em casa doente e com gripe, a não ser claro, que fique durante 15 dias e não 3 como eu fiquei, segundo, porque sei quando ela está escaldada e terceiro, já calculava que durante a minha ausência ela tivesse envenenado os ouvidos da directora, dizendo que eu tinha aproveitado o facto de a minha chefe estar igualmente de baixa - por ter sido operada - e de ter ficado em casa, me borrifado para o trabalho e feito gazeta. Bem dito, bem certo.
À tarde, depois de uma questão de trabalho que lhe coloquei e à qual ela nem se dignou a responder, decidi confrontá-la, perguntando-lhe directamente se se passava alguma coisa. A resposta foi um peremptório e seco:'Não, porquê?' - ao qual eu respondi:'É que parece, desde que cheguei que não me falas. Fiz alguma coisa?' E pronto, eu fiz a pergunta pela qual ela deve ter ansiado a manhã inteira e a partir daqui gerou-se um bate boca tremendo... ela começou a acusar-me de ter sido má colega, de me ter borrifado para o trabalho, de ter aproveitado o facto de ter a chefe de baixa para fazer gazeta, de não ter feito o sacrifício de ir trabalhar mesmo estando 'com uma simples constipação', ou até, de que ela já veio trabalhar muitas vezes doente, mas que nunca faltou, porque lhe 'pesa na consciência', coisa que pelos vistos eu não tinha. A conversa tomou logo uma dimensão tremenda de acusações, num tom muito ofensivo e eu confesso que fiquei estupefacta como é que uma colega de trabalho e de equipa pode ser tão baixo nível! Mas a verdade é que já sabia com o que devia de contar, pelo menos ali...
Entretanto, antes de tudo isto acontecer e durante a manhã, face ao ambiente pesado e tenso que me rodeava, tomei a decisão de que o melhor era mesmo abrir o jogo e dizer à directora - que tinha os ouvidos cheios pela outra e queria a minha cabeça - de que estava grávida e que esse sim, tinha sido o principal motivo pelo qual fiquei em casa de repouso absoluto. Tentei durante toda a manhã falar com ela no seu gabinete, mas estava sempre ocupada e só perto da hora do almoço o consegui fazer. Comecei por lhe dar o papel que trazia do médico, onde se podia perfeitamente ler que me recomendavam descanso absoluto e justificar-me perante a minha ausência. Ela começou a implicar, dizendo que aquele papel de nada servia e que aquilo não era baixa coisa nenhuma (esta da baixa é mesmo nova para mim). Eu disse-lhe que baixa não tinha, pois não costumo ir às consultas no centro de saúde e não tenho médico de família, vou sempre ao privado, e que por isso, se aquele papel não servia, então o melhor era mesmo descontarem-me no ordenado. Após isto, decidi lançar a bomba, disse-lhe: 'Para além disso, o verdadeiro motivo pelo qual me ausentei a semana passada é que estou grávida de 8 semanas e como deve imaginar, o início de uma gravidez conjugada com uma gripe como a que tive, onde não podia tomar nada, é muito perigoso e podem levar à perda do embrião. Para além disso estava com a tensão alta e a médica nem hesitou na hora de me dizer que eu tinha de ter repouso absoluto.' Ela ficou estupefacta a olhar para mim e lançou um breve olhar para a barriga. Deu-me os parabéns e disse, 'Ok, claro que sim'. E pronto a conversa ficou por aqui. Eu senti-me aliviada, mas confesso que tremia por dentro. Por um lado uma parte de mim estava mais que irritada, porque a verdade é que eu queria esperar pelas 12 semanas e senti-me quase obrigada a contar, mas já que toda a gente parecia querer julgar-me em praça pública, então tomem lá disto e fiquem a remoer-se.
Como se o dia não fosse já suficientemente pródigo em acontecimentos, a minha chefe - a que também está de baixa - decide mandar-me um email de casa a descompor-me por me ter ausentado durante a semana toda por causa de 'uma simples constipação', além de que me presentear com outras pérolas como 'não visto a camisola', ou que 'não me esforço o suficiente'. Uau... isto estava realmente a ficar cada vez melhor! Mas na verdade eu sabia, que estas reacções em cadeia se deviam apenas a uma e exclusiva pessoa, a mesma que não me falava e que tinha envenado todas as outras pessoas contra mim.
Decidi então responder ao email da minha 'querida' chefe, dizendo aquilo que julgava ser em minha defesa face às acusações laborais, mas sem mencionar o verdadeiro motivo: a gravidez.
E assim terminou a segunda-feira...
Terça-feira: O ambiente continuava pesado. Quando cheguei de manhã ao trabalho fiz questão de não dirigir palavra à minha colega que continuava muda e calada. De repente, ela vira-se para mim e diz: 'Mafalda, quando tiveres um tempinho quero falar contigo na sala de reuniões'. Eu apenas disse, 'Ok, quando quiseres' e fiquei a aguardar que ela me chamasse. A meio da manhã ela toma a coragem e fomos as duas em direcção à sala, já sabendo de antemão, que o assunto 'baixa' ou 'ficaste em casa doente', ainda tinha pano para mangas e continaria dentro de breves instantes. Bem dito, bem certo. A senhora começa a sacar das garras e o bate boca do dia anterior continua. Quando eu pensava que ela poderia ter reflectido sobre o que tinha dito no dia anterior e que esta conversa fosse agora decorrer em termos civilizados, proporcionando uma forma de eslcarecermos as coisas a bem, vejo-me confrontada com um ataque cerrado, impiedoso e implacável, voltando a insistir nas mesmas coisas: de que eu não fiz um esforço, de que eu não quis vir trabalhar, de que eu parti logo do princípio que ia para casa e pronto, de que eu só penso em mim, de que eu sou centrada no 'eu'... ando so on.
Perante a situação virei-me para ela e disse: 'Pois bem, queres saber qual é o verdadeiro motivo pelo qual eu fiquei realmente em casa? Não foi só uma simples constipação como lhe chamas, o verdadeiro motivo, é porque além de estar doente na altura, estou grávida de 8 semanas.'
Pensam que ela se mostrou mais piedosa? Qual quê. Continuou na mesma base, a dizer que agora que vou ter um filho, vou saber o que é ter o filho doente e vir trabalhar e que ela nunca, mas nunca, faltou ao trabalho mesmo tendo a filha doente, porque lhe pesa na consciência.' Como devem imaginar, a conversa não nos levou a lado nenhum. Terminou mesmo com um 'Eu não quero trabalhar mais contigo' da parte dela. Saí da sala a sentir o meu coração acelerado e quase a sair-me do peito de tão irritada e enervada que estava. Sentei-me no meu lugar e quando cheguei reparei que tinha outro email da minha chefe a continuar o assunto do dia anterior e outro rol de acusações...
Eu pensei que estava a endoidecer, a sério! Pensei que alguém me tinha rogado uma praga, desejado muito mal, enfim... sentia-me a começar a fraquejar perante os acontecimentos e a perder o controle sobre a situação. No entanto, respondi-lhe. E disse-lhe igualmente o que tinha acabado de dizer à outra: 'Não vim trabalhar porque estava doente com gripe e grávida. Sim, fiquei em casa.Não te queria dizer desta forma, por email, mas face aos acontecimentos é mesmo o melhor.'
Passado uns minutos ligou-me.
Num tom de voz muito querido e simpático disse: 'Sai daí do teu lugar, vai falar lá para fora' e assim que me vi livre da sala da agência começou a dar-me os parabéns e as felicidades e a querer saber tudo, como tinha acontecido, como é que eu tinha descoberto, etc.
E eu só pensava: 'cínica de merda. Estou rodeada por cínicas de merda!'
Disse logo: 'Oh Mafalda, se a razão era essa claro que tens todos os motivos para ter ficado em casa. Eu não sabia, não é?'
Fiquei tão irritada por tudo, que quando desliguei o telefone senti as lágrimas a começarem a escorrer-me pela cara abaixo. Afinal, se eu não estivesse grávida e tivesse 'apenas' com gripe, tinha sido comida viva por ter ficado 3 dias em casa, mesmo tendo justificação do médico para tal. Além disso, fui praticamente obrigada a revelar a todas que estava grávida quando não era essa a minha intenção e fui acusada de ser má colega, egoísta, pouco profissional...
Quando regressei ao meu lugar procurei acalmar-me, mas sentia-me alterada face a tudo e só tinha vontade de desatar num pranto. Levantei-me e decidi ir molhar a cara à casa de banho com água, pelo caminho cruzei-me com a minha colega que durante dois dias decidiu fazer-me a vida negra e com quem tinha acabado de discutir minutos antes. Ela olhou para mim e decidiu aliviar o peso na consciência que devia de ter na altura, dizendo: 'Pronto, desculpa, dá cá dois beijinhos' - agarrando-se a mim em seguida. Eu confesso que aquilo para mim foi a gota de água e não me consegui controlar. Desatei num pranto que só visto. Todos os nervos que tive durante aqueles dois dias convergiram naquele momento e aquele simples gesto de atenção para comigo, mesmo sabendo que era cínico e tudo menos verdadeiro, me pareceu como o consolo que eu queria e que não estava a ter da parte de ninguém. Ela puxou-me para uma sala que estava vazia e disse para eu me acalmar. Perante o meu pranto quase convulso, lá me deu os parabéns e fez algumas perguntas, pediu desculpas por se ter exaltado e que perante a minha justificação nem tinha argumentos porque pensou o contrário, mas que temos as duas um feitio 'explosivo' e que somos muitas mulheres a trabalhar juntas, que irá sempre haver stresses desses, que não queria ficar mal comigo, que se passava um pano sobre o assunto e que íamos começar de novo...
A partir daqui o ambiente desanuviou e ontem e hoje tem sido do melhor. Ela muito simpática e pretável e toda a gente muito contentinha e satisfeita, mas eu confesso que fiquei tão triste e magoada com toda esta situação, que todos os dias me custa levantar e ir trabalhar para ali, com aquelas pessoas, naquele ambiente, naquele lugar. Custa-me ver a hipocrisia que me rodeia, a maldade - porque foi isso mesmo que se passou - uma maldade pura e dura e a vontade de prejudicar o próximo. Eu só fui perdoada porque, vá lá, tive um motivo maior, que foi o facto de estar grávida. Coitada de mim se não o estivesse. Tinham-me feito a forca, cortado a cabeça e espetado com um pau bem no centro, onde todos pudessem ver. Irrita-me o ter revelado algo tão íntimo e pessoal, que só a mim e ao meu marido diz respeito a pessoas que não sentem o mínimo de felicidade pela minha felicidade, a pessoas que invejam aquilo que tenho, e acima de tudo, irrita-me ver que assim como eu fiquei doente, outra colega ficou, durante uma semana inteira, em casa, mas a essa, ninguém lhe pediu baixas, ou papel do médico... que aliás, ela nem tinha....

domingo, março 30, 2008

as pequenas mudanças da minha vida




















Depois de mais de 3 dias fechada em casa, sem sair sequer, para ir à rua comprar pão, hoje foi dia de 'soltura'. Já me sentia fisicamente melhor, não tinha tosse, e bem agasalhadinha, lá me aventurei a apanhar um pouco de ar fresco. Decidimos ir comer ao mexicano, porque acordei cheia de desejos de tacos com queijo fundido e burritos, para grande espanto do C..
Lá fomos até ao Siesta, restaurante onde já não íamos há séculos - e agora então, vamos começar a ir cada vez menos, porque o tempo é de poupanças - e pude matar o desejo. Apesar de ter saciado a vontade, existem imensas coisas que agora não posso comer. Uma delas são as saladas e vegetais crús fora de casa. As análises revelaram que não sou imune à toxoplasmose, o que para quem tem dois gatos num apartamento, como eu, acaba por ser um problema. Para além de evitar tocar nos bichos - que coitadinhos me olham com olhares incrédulos como se fosse a pior 'mãe' à face da terra que abandona os seus filhos - tenho imenso cuidado com tudo o que sejam vegetais crús ou mal cozinhados, e ainda ontem, perdi imenso tempo a lavar as alfaces e até cheguei a deixá-las em água com vinagre por uns minutos, só por via das dúvidas... Isto tudo para falar de que as entradas de tomate crú, com cebola e salsa a acompanhar os nachos de trigo com que o Siesta nos presenteia à chegada, fazem agora, parte da história... isso e as famosas margaritas de limão. Eu fiquei-me pela águinha, sem gás e natural, enquanto o C. despachou duas margaritas num abrir e fechar de olhos, assim, quase sem pré-aviso, perante o meu ar de incrédula e a salivar que nem cão de pavlov... Tudo em prol da 'formiga'.
Tento ter uma alimentação rica e variada, (mais ainda) priveligiando as verduras, legumes e fruta, muita fruta. Sei que os bróculos, a cenoura, o feijão verde ou as ervilhas são ricas fontes de vitaminas, ferro e proteínas e faço por tê-las presentes na dieta, o que sinceramente não me chateia nada, porque gosto de vegetais, mas de vez em quando cometo pecados, como hoje, que me apeteceu pizza para jantar...
Tenho-me sentido bem, não enjôo e as naúseas ou tonturas são, neste momento, quase inexistentes. Os primeiros dias foram mesmo os piores, com as quebras de tensão a fazerem-me quase rodopiar e cair no meio da rua, mas agora, tirando o sono e o cansaço extremo que sinto, já não há grande sinal delas. O sono é mesmo o meu pior inimigo e se sempre fui dada a uma boa sesta, então agora durmo horas a fio, no sofá, na cama, onde quer que seja, sendo mais difícil de lidar com isto quando estou a trabalhar. Nos primeiros tempos o sono era tanto, que cheguei a cometer a triste figura de ir dormir para o carro na hora do almoço, com os bancos rebatidos e sem que ninguém me visse, ali passava uma horinha divina. O café eliminei da lista. Se antigamente bebia dois por dia, agora não bebo nenhum e substitui por chá verde, que segundo todas as médicas que consultei, me dizem ser uma óptima medida. Como muita, muita fruta. Já comia, mas agora tudo o que sejam laranjas e tangerinas, me parece óptimo! Não sei se é a sensação de frescura, se é do ácido misturado com o sumo doce da laranja, nunca me soube tão bem comer laranjas como agora, por isso, é ver-me com elas, em casa e no trabalho, a beber sumos naturais e afins, saciando a vontade. Enfim, segundo os especialistas, as hormonas explicam a coisa.
Hoje também tínhamos na ideia ir à feira do bebé no Jumbo, mas quando lá chegámos estava fechado! Claro! Era Domingo! Acima de tudo queríamos ver preços para começarmos a deitar contas à vida e ter noção das coisas, mas perante a impossibilidade de nos enfiarmos no 'paraíso do bébé', enfiámos nas lojas mais caras para bebé e fizemos a ronda pela pré-natal, bebé confort, chicco e afins, vendo preços de carrinhos, ovos, esterelizadores de biberões, etc, etc. A pré-natal tinha uma promoção óptima de carrinho, ovo, e alcofa, tudo por 349 euros! Tal facto devía-se a serem os últimos artigos da colecção de 2007, daí o preço super atractivo, mas nem eu nem o C. gostámos do carrinho (que era muito tradicional) - é que nós queremos daqueles todos 'hi tech' de 3 rodas - que se há-de fazer? São manias...
Eu sei que é demasiado cedo para comprar o que quer que seja e por isso mesmo, resisto à tentação de comprar o que quer que seja neste momento, até uma simples chupeta, mas gosto de ir vendo os preços, comparando, actualizando-me para o que aí vem.
O que tenho feito é lido muitos livros, que o C. me trouxe logo do trabalho. Uma agenda da grávida já cá canta, assim como um que dá pelo nome de: 'mamã, papá, estou a chegar', uma espécie de guia ilustrado cheio de conselhos e dicas para a grávida aos longo dos nove meses e outro sobre os cuidados a ter durante o primeiro ano. Tenho-me entretido com eles, mas neste momento já sinto falta de leitura mais 'substancial' sobre o assunto, por isso, hoje, fiz a minha primeira encomenda de livros de puericultura e gravidez da net, através do site de Tracey Hogg, uma ex-enfermeira e terapeuta, mais conhecida por 'Baby Whisperer', que consegue maravilhas com os bebés. Esta mulher é tão fantástica nos progressos que consegue com os bebés, que tem inclusive um programa que passava no canal Odisseia - e que eu gostava de ver - mas que acho que deixou de ser transmitido...
Encomendámos dois, este e este, sendo que o segundo já o conheço, pois tinhamo-lo na redacção, quando era jornalista e às vezes fazia artigos didácticos sobre crianças, é uma espécie de 'bíblia' infantil, pelo que dá sempre jeito tê-lo por perto e desta vez lê-lo por interesse pessoal e não por questões de dúvida profissional...
Agora resta-me que cheguem sãos e salvos, para lhes deitar as mãos e devorá-los, quanto ao resto, bom, debato-me com a dúvida de contar já amanhã ou não, à entidade patronal o verdadeiro motivo da minha baixa de quase uma semana em casa e assumir que estou grávida, mesmo só estando de 8 semanas... Eu acho cedo, mas por outro lado, sei lá... a barriga já se começa a notar (acreditem!) e tenho medo de que depois me acusem que andei a esconder, mas por outro lado, acho que este assunto só a mim me diz respeito e que até às 12 semanas o risco é grande e muita coisa pode acontecer (bate na madeira), e que como tal, devia de estar calada mais uns tempos...
Estou tão indecisa... que me aconselham?

quinta-feira, março 27, 2008

quando a felicidade também é feita de medos

Confesso que ainda não consegui digerir muito bem esta sensação de que estou grávida. Que tudo ainda me parece algo irreal e que a qualquer momento vou acordar, ou que algo vai acontecer, que me irá fazer ver que afinal, tudo não passou de imaginação da minha cabeça...
Confesso que ainda me sinto confusa com a velocidade com que tudo aconteceu... ainda ontem eu estava a ir à consulta de check up do cólo do útero e a ter a constatação de que estava tudo bem, e hoje, tenho um resultado de gravidez positivo, análises feitas, ácido fólico a ser tomado criteriosamente todos os dias de manhã, as quebras de tensão e os enjôos a perseguirem-me, e uma foto da 'formiga' pendurada na porta do frigorífico cá de casa, como que a lembrar-me de que afinal é verdade, ele existe mesmo! Tudo isto faz-me andar num estado de 'dormência', se por um lado estou felicíssima da vida por finalmente o meu desejo se ter concretizado, por outro estou apavorada e cheia, cheia de medo do que aí vem, de como ele vem, de como tudo se irá passar... Tento não pensar muito nisso, é certo. Tento pensar de que este bebé que aí vem, esta formiga que existe agora dentro de mim, é um vencedor. Venceu todas as barreiras que tinha contra ele, todas as probabilidades, todas as incertezas, todos os medos, todos os preconceitos e afirmou-se, quando eu menos esperava, bem dentro de mim, como que a mostrar-me que não vale a pena andar tão angustiada por algo que não podemos controlar. Tenho medo de como ele virá, muito, mas por outro lado, também tenho a certeza de que tudo vai correr bem. É como se soubesse que aqueles 50% de que já aqui falei, fossem os 50% certos, de que a face da moeda irá cair para o lado que todos esperamos que caia, e que isso só irá comprovar aquilo que eu já sei, de que esta 'formiga' é uma campeã.
Neste momento, é tudo, mas mesmo tudo o que eu peço.
p.s. - E porque também quero fazer parte do grupo das 'grávidas das barras', pronto, já criei a minha! Ei-la em todo o seu esplendor bem no cimo do cabeçalho deste blogue! Hoje, na consulta com a obstectra, fiquei a saber que afinal estou de sete semanas e meia e não oito como pensava, mas 3 quilos já cá cantam! Por este andar, vou ficar jeitosa vou...

quarta-feira, março 26, 2008

joy of my life

Pronto, não aguentei mais... sei que é cedo e prometi a mim mesma esperar pelas 12 semanas para dar a grande novidade, mas hoje, ao fazer a primeira foto através de sonda, não resisti...
Às oito semanas de gestação e com uma tremenda gripe em cima, a recomendação da médica foi repouso absoluto até ao final da semana, nada de ir trabalhar, ficar em casa no quentinho e de preferência na cama.
Oh, que chatice!
Eu e a minha 'formiga' agradecemos :)

segunda-feira, março 24, 2008

alicia keys e a páscoa


Eu já não actualizo este cantinho há algum tempo, eu sei! Estou em falta, mas as novidades têm sido tantas - assim como o cansaço - que a vontade de vir aqui escrever algumas palavras vai ficando adiada. A Páscoa correu bem. Fomos até às Caldas, a casa dos meus pais e por lá ficámos em fim-de-semana prolongado, ontem, Domingo, foi dia de almoço de família com os meus sogros e de reunião familiar. Devido ao mau tempo, à chuva e ao frio, quase nem saí de casa, apenas o fiz no sábado à tarde para ir tomar um café e ver o movimento da cidade, mas mais valia ter ficado em casa, pois fiquei com uma valente gripe e hoje ando aqui, ensopada em lenços de papel, vitamina C e cházinho, cheia de dores de garganta e vontade de me enfiar na cama e ir para casa.
A semana passada fomos até ao concerto da Alicia Keys. Confesso que depois de ter andado algumas semanas em que ainda não tinha o bilhete a desejar tê-lo para ir vê-la, quando o próprio dia chegou, a vontade era pouca ou nenhuma. Mesmo assim, lá fomos, num dia em que a noite estava fria e gelada e o vento andava num corropio danado. Foi bom, mas ter estado tantas horas de pé, matou-me! Eu em cima de uns saltos (nunca mais perco esta mania) e cerca de 4 horas em cima das pernas sem um único descanso. Foi muito bom e ela é realmente fantástica, o som desta vez esteve excelente, e tive lugar de privilegiada, mas confesso que não via a hora de aquilo acabar e de ir para casa... nem esperei pela última música, quando já toda a gente batia palmas e fazia barulho para que a diva regressasse ao palco... meti-me a andar dali para fora, numa ânsia danada de chegar a casa primeiro que todos. Desculpa lá Alicia, fica para a próxima, mas prefiro ouvir as baladas no conforto do lar e do carro, confortavelmente refastelada...
Quanto a fotos, bom, as poucas que não estão desfocadas, deram lugar aos vídeos que fiz e do qual vos deixo estes dois, com uma das minhas músicas preferidas...



segunda-feira, março 17, 2008

weekend pieces

Mais um fds que passou demasiado rápido, a única coisa que realmente me alegra, é o facto de esta semana que começa, ser mais curta. Custou-me bastante a semana passada trabalhar e ser produtiva, principalmente depois de ter estado 4 dias em casa de 'mini-férias', mas lá se passou. Ultimamente tenho-me sentido muito cansada e cheia de sono, por isso, aproveito todos os bocadinhos que tenho para dormir. E que sonos eu durmo! Adormeço numa questão de minutos e durmo profundamente. Depois, acordo passado umas duas horas e fico fresca que nem uma alface. Eu sempre adorei dormir, é a minha terapia, durmo em qualquer lado, não estranho camas e desde que tenha um cobertor e me sinta aninhada e quentinha, estou pronta para 'hibernar'. (ao contrário do C., que nunca dorme sestas e se calha em adormecer, depois passa o resto do dia mal disposto...) Já eu, tenho essa costela 'espanhola' e acho que não há nada como uma boa sesta para depois ser produtiva! eh eh eh
Sou de tal forma adepta do sono, que muitas vezes, durante a semana, se chego a casa por volta das sete da tarde durmo até às oito e depois acordo, cheia de energia e vou fazer o jantar... Mas adiante (que grande dissertação escrevi sobre o sono! acho que tenho de pôr um conteúdo mais interessantes neste blogue...)
Na sexta-feira fomos ao cinema ver o filme 'Este país não é para velhos' dos irmãos Cohen e onde o Javier Barden ganhou o óscar. É giro, eu gostei. É o estilo Cohen, não há dúvidas, mas aquele final, aquele final, não me convenceu! Mas pronto, isto é apenas a minha opinião. Mesmo asim o filme durou umas duas horas e eu já não tinha posição para estar sentada no cinema. Encontrámos anda a minha colega de trabalho, a F. e o namorado, no El Corte Inglés. Iam ver o mesmo filme que nós, por isso, quase que pareceu um double date - e sem combinarmos nada.
No Sábado uma das minhas melhores amigas veio a Lisboa e encontrei-me com ela no Chiado, à tarde, que pululava de gente. Imensas pessoas decidiram aproveitar o sol primaveril do dia para passear por aqueles lados e nós não fomos excessão. Estivemos nos amazéns do Chiado a almoçar e a tomar café. Foi bom vê-la, saber as novidades. A C. é sem dúvida, uma das minhas melhores amigas. Vivemos juntas e partilhámos a mesma casa durante anos, enquanto estudávamos na faculdade. Considero-a como família, a filha dela é sem dúvida, a minha sobrinha mais linda e apesar de as circunstâncias da vida estarem completamente diferentes e alteradas em relação há uns anos atrás, quando estamos juntas, é como se nada tivesse mudado. Acho que é isso que caracteriza uma verdadeira amizade. Não é o tempo que afasta as pessoas, as pessoas é que se afastam umas às outras, pelos mais variados motivos. Eu e ela, apesar de separadas por mais de 100 kms de distância continuamos a falar-nos e a ver-nos, sempre que pudemos. Porque na realidade, vontade não nos falta.
À noite fomos à festa de aniversário da R. que comemorou os seus 30 anos. Foi um convívio informal, na nova casa dela, onde estivemos todos juntos até às 3 da manhã. Escusado será dizer, que hoje, me senti o tempo todo como uma zombie. Já não estou habituada a fazer 'noitadas'.
Hoje, Domingo fomos até à Lourinhã visitar a S. e o F. e ver o bebé deles, que já está de 4 meses e meio! Entretanto ela está de regresso ao trabalho - mais um mesito - e já se sente angustiada. (Pudera, quem é que não ficaria?)
Cheguei a casa eram oito da noite, cansada, esfomeada e cheia de sono (outra vez), depois de uma caneca de leite, duas torradas e uns biscoitos, adormeci no sofá e só acordei há minutos, mas, para não fugir à regra, ainda fui preparar qualquer coisa para levar para o meu almoço amanhã. O C. foi trabalhar o dia todo e eu, quando estou sozinha, não gosto de fazer comer, além de apreciar este tempo 'só para mim'. Achei por bem não terminar o meu fds sem vir à net e escrever algo - apesar de saber que este post não está grande coisa - mas adiante! Deve ser do avançado das horas e dos olhos, que já me traem e pesam, reclamando mais umas horitas do sono dos justos.

quarta-feira, março 12, 2008

ADN


















O resultado do meu teste genético chegou. Após dois meses de espera, as notícias não foram animadoras. Deu negativo. Outra vez. Não conseguiram encontrar nada ao nível do gene estudado que pudesse explicar a origem da mutação que provoca a ictiose bulhosa.
Confesso que quando ouvi o resultado não fiquei surpresa, nem triste, nem desanimada, nem magoada. Porque de certa forma, já sabia que essa probabilidade existia, era real e podia acontecer. Porque de certa forma, já tinha passado por isso o ano passado e depositado tantas esperanças, convicta que estava em um resultado positivo, que desta vez, as minhas aspirações, foram apenas o suficiente para me fazer acreditar, que fiz tudo aquilo que estava ao meu alcance. Quando a técnica de laboratório me disse que o resultado tinha sido negativo, eu escutei com toda a atenção, mas o meu coração acalmou, batia compassadamente e não se sentia oprimido, nem aflito, nem angustiado. Foi como se toda aquela ansiedade provocada pela espera de algo pelo qual eu não queria esperar, tivesse assentado no meu peito. Como se a resignação perante a notícia fosse ao mesmo tempo uma calmia. Dar paz a este meu coração sofrido com todas estas histórias de testes genéticos e possíveis tratamentos para ter um hipotético filho saudável... Tudo coisas que se prolongam no tempo, numa projecção difícil de conseguir calcular, numa linearidade que eu vejo sempre como distante, num futuro que se prolonga por demasiados meses, por demasiada espera, por demasiada angústia, às camadas, levando-me até ao limite... e logo eu, que nunca fui uma pessoa paciente! Porque para mim, não agir é sentir-me impotente, não fazer é sentir-me atada, não avançar é matarem-me aos poucos...
Por tudo isso, eu e o C., há muito que tínhamos tomado a decisão de que independentemente do resultado do teste genético, não iríamos fazer mais nenhum e que se o mesmo viesse negativo, então, pararíamos por aqui. E é isso que iremos fazer. E foi isso que comuniquei à técnica que me facultou a informação.
A ictiose é uma das doenças genéticas mais difícieis de diagnosticar. Não só por se subdividir em tantas variantes, como por o conhecimento da mesma ser quase nulo, principalmente no que toca à investigação científica e ao conhecimento genético. Estudar um gene, uma mutação, sem saber por onde começar, é como procurar uma agulha num palheiro e nem o resultado da biópsia ajudou a estreitar mais essa procura, ao ser-me diagnosticada 'ictiose bulhosa de siemens'. Nem isso pareceu ajudar. Existem mais dois outros testes - dentro da ictiose bulhosa de siemens - que eu ainda poderia fazer, mas depois de termos pago 1000 euros por este e de o resultado ter sido negativo e termos ficado exactamente no mesmo ponto onde estávamos, a ideia de gastar mais outros hipotéticos mil euros e eventualmente, mais outros mil euros, esgotando todas as nossas hipóteses, parece-nos um esforço descabido e inútil. Porque, mesmo que depois destes 3 testes feitos se encontrasse algo que me permitisse fazer tratamentos de fertilização in vitro através da técnica do embrião genéticamente modificado, com que dinheiro eu faria esses mesmos tratamentos? É que entretanto, ficaríamos depenadíssimos, tudo num esforço quase inglório de ter um filho. E que qualidade de vida lhe daríamos se o tivessemos? Pelo privado não teríamos dinheiro para suportar os tratamentos e pelo público esperaríamos anos, prolongaríamos a ansiedade e o sofrimento e levaríamos a nossa relação até ao limite, desgastando-a com este assunto.
Todos estes motivos pesaram na hora de decidir que este resultado negativo foi quase um presente. Um presente que veio sossegar o meu coração. Colocar uma pedra sobre o assunto.
Fiz tudo o que estava ao meu alcance. Sinto-me cansada desta luta. Dos contactos diários com médicos, dos emails trocados, deste esforço constante e solitário.
Resta-me a opção dos 50-50. Eu tenho 50% de hipóteses de ter um filho saudável. E vou-me agarrar a esses 50% com unhas e dentes.
Se a moeda cair para o lado errado, não será por isso que ele não será amado. Queremos acima de tudo constituir uma família e o C. sempre soube dos riscos que corríamos quando decidíssimos ter filhos por causa da minha doença. A minha pele nunca foi um problema entre nós. Ele nunca me viu como 'diferente', nem me tratou com tal. Sempre me fez sentir a mulher mais especial do mundo e eu sempre me senti abençoada por o ter na minha vida. Claro que quando falamos em filhos, queremos que eles nasçam saudáveis em tudo, perfeitos, evitar a todo o custo que passem pelo mesmo sofrimento que eu, por exemplo, passei. Mas eu fiz tudo aquilo que podia fazer e acho que chega. Por agora chega e eu não sinto, ou ache que deva sentir, remorsos por esta minha decisão.
Eu acredito que tudo na vida acontece por uma razão e que há coisas, que por mais que tentemos, não nos compete a nós decidir o que a mãe natureza pode ou não fazer.
E eu vou, a partir de hoje, deixá-la seguir o seu curso.


terça-feira, março 11, 2008

ken lee


Eu choro a rir a ver este vídeo!...

'Keeeennnn Leeeeeee. Tulibudi budi douchoooooooo'

domingo, março 09, 2008

bacalhau com broa e espinafres



















Esta receita de bacalhau com broa de milho e espinafres, é provavelmente a minha nova receita favorita! Fica sempre bem, faz um 'vistaço' e é super saborosa, embora seja um pouco trabalhosa.
Para quem, como eu, adora comer, é sem dúvida a escolha acertada para impressionar sogros, pais, e demais familiares.
Hoje foi o nosso almoço, mas apenas a dois.
Depois de uma semana de férias, preparo-me psicológicamente, para regressar à dureza do dia-a-dia.
É incrível como o tempo voa quando não estamos a trabalhar...

sábado, março 08, 2008

six feet under

Esta série mexe com alguns dos meus medos e sentimentos mais profundos...

Talvez seja por isso, que tenho cada vez mais consciente, o medo de perder quem amo.

domingo, março 02, 2008

making things happen


















Resolvi seguir à letra um dos conselhos do 'The Secret', de forma a atrair para a minha vida, as coisas que quero. Já há algum tempo que tínhamos o placar cá em casa, mas só hoje, com tempo e disposição, me atrevi a 'calcorrear' todas as revistas que tinha cá em casa a encherem-se de pó e recortar tudo aquilo que, de alguma forma, reflectisse os meus desejos. Diverti-me a fazê-lo, mas ainda não está completo (nem sequer vai em metade), mas sinto-me orgulhosa por tê-lo feito.
Neste momento, já se encontra no escritório, em sítio estratégico, de forma a poder vê-lo todos os dias, atraindo tudo isto, até mim.


'Your thoughts and your feelings
Create your life'
The Secret - 2007

cinco



















2 de Março...
Faz hoje 5 anos que eu e o C. começámos a namorar, na distante Madrid.
O tempo passa a correr...