terça-feira, novembro 17, 2009

em busca de um trabalho perdido

Hoje andei a bater pé. Corri seca e meca, imbuída do espírito empreendedor e dinâmico do 'Yes I Can', movida pela vontade e determinação de que vou ser bem sucedida nesta minha árdua (e ingrata) tarefa de: 'entregar currículos em mão e de porta a porta'.
Ora, para começar, decidi começar em grande, por aquelas que são as 'top of the top' das revistas glamourosas deste nosso pequeno pais à beira-mar plantado e, às 12h30, entrava eu pela porta da Cofina adentro, lampeira que nem um corisco. Tanto excesso de confiança deu nas vistas e claro, fui logo barrada pelo segurança da recepção que me perguntou onde é que eu ia. Lá expliquei que queria subir à redacção da Máxima e da Vogue e entregar, em mãos, o meu CV. (já que pelo email e por correio já lhes perdi a conta...)
Enquanto me pedia um cartão de identificação e tirava os meus dados, a colega, uma rapariga de farda azul, morena, pequena e muito empenhada, ligava num ápice para as redacções, enquanto eu assistia a tudo contrariada, pois já sabia que dali não ia passar.
Bem dito, bem certo. Da Vogue mandaram 'deixar o CV na recepção', lugar onde eu me encontrava, e da Máxima mandaram-me para o departamento de recursos humanos, que por sua vez nem me quis atender. Fiquei mesmo lixadinha. Tão lixadinha que praguejei.
'Eu não vim aqui para deixar Cv´s na recepção. Para isso mandava por email. Eu vim aqui, pessoalmente, para falar com alguém, apresentar-me, para que me vejam'.
A rapariga pequenina e eficiente da recepção sorriu meio a medo e tentou consolar-me na revolta mandando-me regressar amanhã: 'Sabe, eles para não a atenderem (referindo-se aos recursos humanos) é porque estão cheios de trabalho' e eu lá acenei com a cabeça, conformada e dando-me por vencida.
Saí da Cofina danada comigo mesma: 'Mas o que é que tu esperavas Mafalda? Queres ir trabalhar para as duas revistas mais elitistas e snobistas do mercado, depois queixa-te', mas como não sou gaja de desistir facilmente - e como estava apenas a umas ruas da redacção da Elle - toca de começar a andar energicamente para ir bater agora a outra porta.
Cheguei à redacção da Elle à hora do almoço. Mau, portanto. Não estava lá ninguém. E, há semelhança do que me tinha acontecida na Cofina, também fui barrada pelo porteiro que me perguntou logo: 'onde ia'. Desta vez tive sorte e apanhei um senhor simpático que me disse para regressar às 14h30, altura em que regressavam da pausa. Assim fiz.
Andei por aqueles quarteirões a bater perna e a fazer tempo. Enfiei-me numa loja tipo 'Bagatela' e gastei dinheiro em meia dúzia de coisas para a Madalena e alusivas ao Natal, almocei sozinha no chinês enquanto um plasma estava sintonizado num qualquer canal de desporto e onde só passava futebol ao mesmo tempo que eu assistia, na mesa da frente, a um casal de adolescentes que só fazia porcaria e se deixava consumir pelo desejo da paixão. Tive ainda tempo de retocar a maquilhagem e ver se o cabelo estava decente e, às 14h45, estava eu dentro do elevador a caminho do 4ª andar onde reside a redacção da Elle...
Quando passei a porta de vidro, fui parar logo ao open space da redacção/departamento gráfico. Senti-me meio tonta, confesso, ali especada, de pé, sem ter sequer uma recepção onde me dirigir e com toda a gente a ignorar-me. Mal entrei, a directora da revista -a temida Fátima Cotta que goza de uma reputação terrível no meio editorial - bateu com os olhos em mim e fez-me um olhar de desdém, como que a pensar: 'quem é esta?'. Não me intimidei. Para mim, saber que ela andava ali, de pé, a poucos centímetros de mim era a oportunidade perfeita para a abordar, só que, quando ia fazê-lo, fui interditada por uma rapariga que me perguntou delicadamente se 'precisava de ajuda'.
Lá lhe disse ao que ia, o que estava ali a fazer, que queria apenas deixar o meu CV e, se possível, dar uma palavrinha à 'Fátinha' (claro que não a chamei de Fátinha...)
A resposta do outro lado não se fez esperar: 'Ah, isso é que já não é possível. Tem de se ter marcação primeiro...'
Puufff... só me apetecia dizer: 'Yeah, right'! Marcação primeiro! E eu sou a Madre Teresa de Calcutá!' Ela nunca na vida ia aceitar uma marcação com uma perfeita desconhecida que apenas queria 'entregar um CV e falar dela mesma, mas pronto, eu fingi que sim e despedi-me entre palavras educadas e cordiais.
Apesar de ter sido curto e sem qualquer réstia de esperança, eu senti que não foi em vão... aqui ao menos consegui chegar à fala com alguém e, mais importante, a directora da própria revista bateu com os olhos em mim, viu-me e - apesar de me ter virado as costas - o mais provável foi, assim que eu saí dali, a rapariga a quem deixei o CV lho ter ido mostrar, ou dizer o que fazia ali semelhante criatura... por isso, do mal o menos.
Apesar de tudo, como ando sensível e tal, saí da redacção da Elle arrasada, a sentir que todo o meu esforço é em vão e que da forma como o mercado está, não irei conseguir voltar a trabalhar na área editorial.
Quando cheguei ao carro agarrei no volante e pensei: 'Qual o próximo destino?' Lembrei-me então da recente e novíssima Playboy, a única revista do não menos recente e instalado grupo editorial Fresta! E, nem vou de modos, agarrei no telefone, pedi ao Carlos que me visse na net a morada e, 20 minutos depois, lá estava eu à porta do edifício.
Enquanto olhava a placa gigante colocada à porta onde aparecem descriminadas todas as empresas que ali 'trabalham', reparo que aquela que procuro é no 3º andar e, quando ia para tocar, um senhor bem parecido vestido de fato e gravata e com as mãos cheias de sacos do MacDonalds toca na campaínha e apenas diz: 'sou eu, abre a porta'.
Pensei cá para comigo: 'epá, tu tens pinta de administrador, sócio, editor, director da revista' e eu não te vou deixar fugir!! Segui atrás dele até ao elevador e ficámos lado a lado à espera do mesmo. Foi nesse instante que eu, levada pela minha maior lata e coragem, me virei para o homem, encarei-o de frente e, com a maior cara de pau, me apresentei dizendo-lhe quem era e o que estava ali a fazer.
A reacção não podia ter sido mais positiva. O homem - que confesso nunca ter ficado a saber o nome, mas que desconfio seriamente ser um dos big bosses lá de dentro - foi simpatiquíssimo comigo. Disse-me logo: 'Ah, então não vou receber um currículo aqui em baixo, faça favor de subir, venha comigo, temos todo o gosto em recebê-la' e eu, contentinha da silva e a pensar que não podia ter corrido melhor, lá o segui, qual cãozinho bem mandado, até ao escritório.
Quando entrei, fui encaminhada até um sofá de pele, o senhor engravatado e educado foi a uma sala de vidro onde meia dúzia de homens se encontravam em reunião e onde deixou os sacos do Macdonalds que transportava nas mãos, em seguida, dirigiu-se a outra sala de vidro e chamou um outro rapaz que prontamente me veio receber. E foi assim, que eu, Mafalda Antunes (ou Guilhermina Mafalda, como preferirem), estive à conversa com um dos editores da Playboy durante cerca de 10 a 15 minutos. Pude falar do meu percurso, mostrar interesse na publicação, mostrar que possuo disponibilidade e experiência e que, se quiserem e puderem, não se esqueçam de mim, porque sinceramente não me importo nada que a revista mostre maminhas e mais sei lá o quê! Eu quero é voltar a trabalhar nas revistas e 'mai nada'.
O rapaz que falou comigo foi de uma amabilidade que eu confesso já não estar habituada no meio. Mostrou-se super acessível, atento e interessado, falou de que estavam a surgir novos projectos no grupo e que se houvesse oportunidade, sim senhora, não seria esquecida. Acho até que gostou da minha iniciativa. No final desculpei-me por ter aparecido ali de rompante, sem pré-aviso e por, de certa forma, ter interferido com o trabalho da equipa, mas ele lá deixou escapar um 'não é habitual fazerem isto', entre sorrisos, o que eu interpretei como algo positivo e que não os deixou indiferentes.
Despediu-se de mim com um aperto de mão bem forte - outro sinal que considerei positivo - e eu saí de lá contentíssima por ter feito o que fiz.
Claro que pode não dar em nada. O mais certo é não dar em nada, mas pá, só o facto de me terem recebido, perdido 5 minutos do seu tempo a ouvir-me, a mostrar interesse naquilo que já fiz na área, fez-me sentir valorizada e não tratada como 'mais uma', ou 'um pedaço de lixo', algo desprovido de interesse...
Porra, tenho mesmo saudades de trabalhar em equipas com homens! São tãããoooo, mas tãaãããoooo mais cordiais, educados e fáceis de lidar/conviver/trabalhar que as mulheres!!

coisas


Em dias de chuva intensa, a A8 de manhã, principalmente nos acessos a Lisboa, vira a auto-estrada do inferno. Ainda antes de chegar às portagens de Loures já eu vou em pára-arranca e assim continuo, durante quilómetros a fio, até conseguir chegar ao meu destino bem no centro da capital. É um verdadeiro teste à minha paciência (que não é de santa) e acabo sempre por chegar atrasassíma. Hoje, por exemplo, cheguei às aulas eram 10h45, quando as mesmas começam às 10h00. Não que me digam alguma coisa - a formadora é muito querida e simpática - e há sempre imensa gente que chega atrasadíssima todos os dias, mas eu chateio-me à brava comigo mesma por chegar atrasada aonde quer que seja. Odeio.
Na passada sexta-feira tive de compensar uma aula durante a tarde, por isso fui assistir ao módulo com outra turma que não a minha... e que turma! Odiei-os! Achei-os tão parvos e arrogantes que me apetecia correr toda a gente à estalada. A formadora, que é a nossa, aguentou-se nas alturas mais críticas - em que certas pessoas, propositadamente, a colocavam em cheque - e nunca deu parte fraca, mas até eu já me estava a sentir desconfortável.
No intervalo, enquanto eu fumava um cigarro à entrada da escola, ela veio meter-se comigo: 'Então Guilhermina (para quem não sabe o meu primeiro nome é Guilhermina e é frequente tratarem-me assim em coisas mais 'formais'), o que é que achou?' E eu, meio encolhida e com medo de estar a meter o pé na poça apenas disse: 'Bom..., não tem nada a ver connosco'.
Ela sorriu e acenou com a cabeça: 'Não tem, pois não? É que não tem mesmo nada a ver.'
E ali ficámos, as duas, num silêncio consentido, embrulhadas nos nossos pensamentos. Eu como formanda, ela como formadora, a pensar que para a semana acaba-se esta energia, esta química que se criou entre as pessoas daquele pequeno grupo, que é tão boa e tão rara hoje em dia.

Afinal, não sou só eu que irei ter saudades.

segunda-feira, novembro 16, 2009

peso na consciência


Ontem, numa questão de segundos, enquanto praticava a minha apresentação final de curso - que é já quarta-feira - a Madalena, que andava por aqui a gatinhar alegremente pela sala, tentou pôr-se de pé agarrada à perna da mesa de jantar e foi direitinha com a testa à quina da mesma. Só tive tempo de ouvir uma pancada seca e de saber que dali vinham gritos de dor.
Agarrei nela rapidamente para a acalmar, mas ela desatou aos guinchos, como já seria de esperar. Noutra questão de segundos a testa dela inchou ao ponto de parecer uma bola de golfe e eu senti-me desesperar, até porque estava sozinha em casa e tive medo, pânico mesmo, de que a miúda começasse a vomitar, ficasse prostrada ou qualquer outra coisa má derivada da queda.
Depois de uns minutos de choro intenso, muitos beijos e mimo e de tentar reagir o mais rápido que podia à procura de gelo, de ligar para o Carlos a dizer o que tinha acontecido e para a minha mãe a pedir ajuda, ela lá se acalmou, mas continuava muito sensível e aquela testa dela inchada, muito inchada e negra, com sangue pisado, uma coisa mesmo feia de ver.
Já não é a primeira vez que a minha filha bate com a cabeça e faz galos pavorosos, mas como o de ontem, nunca tinha acontecido. Fiquei em verdadeiro pânico e senti-me impotente e até mesmo, negligente, porque ela estava mesmo ao pé de mim quando o acidente aconteceu e eu, com a descontracção do 'deixa-a andar a gatinhar, a explorar o mundo', não fiz nada que pudesse ter prevenido. Nesta fase, em que eles ainda não andam mas gatinham a uma velocidade louca e já se aventuram a pôr-se de pé sozinhos, sem medir o perigo, temos de ter mil olhos e eu ontem, senti que só tive dois e que não estavam sintonizados na mesma direcção.
Lá consegui dar-lhe o jantar de forma mais ou menos calma e ela acabou por ir para a cama bem disposta e dormiu a noite toda. Hoje de manhã o inchaço tinha desaparecido consideravelmente e agora é apenas mais o negrão que se vê do que outra coisa qualquer, mas continuo a sentir-me má mãe.

É estupidez, eu sei, mas continuo.
(e não consigo ter de maneira nenhuma uma foto gira e 'decente' de nós as duas. Humpf :-<)

domingo, novembro 15, 2009

Estou tão orgulhosa...



...da minha pequena, que hoje, ouviu a música 'Celebration' da Madonna na televisão, colocou os bracinhos no ar e abanou o corpinho, seguido de palminhas!
Opáááááááa!!! A minha garota gira sai mesmo à sua mãezinha!! :)

Uma questão de carolice


À muito tempo que tenho o 'sonho' de editar um livro. Mas, numa altura em que se editam livros aos pontapés, da forma mais ridícula e descartável, sempre me senti medíocre na escrita para o fazer. Escrever, eu escrevo, mas aquilo que escrevo (a maior parte em blogues que vou deixando aqui e ali ao abandono, com farrapos de ideias e pensamentos meus), não considero suficientemente 'bom' para ser sequer enviado para editoras, quanto mais, editado.
Antes de engravidar e durante as horas mortas no trabalho fui escrevendo histórias infantis. Fazia-o com descrição - já que o meu trabalho na agência passava essencialmente pela escrita -, logo, muitas vezes despachava o que tinha pendente e ficava com uma horinha ou duas, em que 'supostamente' ainda estava a a trabalhar, mas que na realidade andava absorta e entretida no mundo da fantasia.
Com este esquema em prática e durante algum tempo, escrevi duas histórias 'granditas' e distintas, mas com uma base mais ou menos comum: os valores da amizade. Depois de concluídas (e numa altura em que nem sequer pensava que ia engravidar nos próximos tempos), fiquei com elas na gaveta. Mas não muito, porque logo decidi concorrer a prémios e concursos literários na esperança vã de alguma delas ser alvo de interesse.
Não foram.
Concorri ao prémio Matilde Rosa Araújo da Câmara Municipal de Almada em 2007 e claro, não ganhei, nem me disseram nem 'ai' nem 'ui', mas não desisti, e toca de andar sempre à coca do que poderia fazer para editar as ditas histórias. Numa altura em que o 'boom' de figuras públicas que editam livros infantil atingiu o seu expoente máximo, eu sentia-me a 'pseudo-escritora-desconhecida' mais azarada do mundo.
Foi então que decidi começar a enviá-las para editoras, por email e esperar que alguma se dignasse a responder-me.
Passado uns meses respondeu-me uma editora: a Papiro (até conhecida, apesar de 'pequenina') e eu fiquei felicíssima da vida. Lembro-me que quando vi o email na minha caixa de correio até se me soltaram umas lágrimazitas de alegria estúpida e pensava cá para comigo, de que afinal, toda a treta do livro 'O Segredo', da 'visualização daquilo que queremos que aconteça na nossa vida' era mesmo verdade.
Wroonnnggggg. (mais uma vez!)
A verdade é que tive uma proposta editorial sim senhora, mas não foi assim de mão beijada e como eu queria, tipo: 'adorámos as suas histórias, vamos editá-las e pronto, não se preocupe com mais nada'. Nop. Neste momento não é assim que o mercado funciona e claro, eles gostaram das histórias e queriam editá-las, mas como eu sou uma perfeita desconhecida no meio literário e livreiro, a única maneira de 'pegarem' em mim e editarem a minha obra, seria 'obrigando-me' a comprar/adquirir cerca de 200 exemplares da minha própria edição e vendê-los pelos meus próprios meios. Ora, feitas as contas, o valor era e continua a ser, insuportável para avançar.
Fiquei varrida de frustração. Mesmo. É a tal coisa, uma pessoa pensa que o sonho está perto de ser concretizável e vai-se a ver, não há bela sem senão.
Apesar de ter tentado negociar e ver se me editavam os exemplares todos sem eu gastar um tostão a editora não cedeu e eu acabei por desistir.
Voltei à carga e toca de enviar as obras para milhentas outras editoras.
Obtive várias respostas. Ao todo, acho que já tive umas 5 propostas editoriais... Mas todas, mesmo todas, 'pedem' (qual pedem, exigem!!) que eu compre parte da totalidade dos exemplares que pretendem editar, o que significa gastar uma verba ainda bastante considerável e que, neste momento, me é impossível de fazer - mais não seja pela minha condição de 'desocupada'. Justificam-se com afirmações do género; 'neste momento é assim que o mercado livreiro funciona, caso contrário as editoras não conseguem lançar novos autores' e eu, por mais que tentasse negociar, dizer que abdicava da comissão nas vendas, que apenas queria era editar a obra, a resposta era sempre negativa e incontornável da parte delas.
Confesso que sempre que dizia às editoras que me era impossível suportar parte da minha própria edição sentia-me a morrer na praia. É como estar quase a agarrar algo que se deseja muito, mas faltar a pontinha de um dedo para o conseguir fazer (neste caso, notinhas na carteira!). De todas as vezes que isso acontecia, sentia que andava a desperdiçar oportunidades pela janela e que podia ser a última vez que alguém reparava naquilo que escrevia e mostrava interesse.
Ora, há uns meses atrás, não muitos, obtive outra proposta. Desta feita de uma pequena editora desconhecida que me apresentava valores bem mais acessíveis de serem suportados. Fiz as contas e achei que se é por carolice que quero mesmo editar um livro - já que em termos de lucro, ao contrário do que muitos possam pensar, isso é nulo - então, bora lá, vamos apostar nisso e tendo em conta o número de exemplares que me pediam para suportar/comprar e o valor dos mesmos, eu conseguia 'aguentar' essa despesa.
Depois de uma acessa troca de emails fiquei a aguardar a chegada do contrato editorial a minha casa. Segundo os responsáveis da editora, o livro seria colocado à venda antes do Natal e por isso, havia urgência no assunto. Achei excelente. A altura para editar um livro infantil era perfeita e permitir-me-ia vender os exemplares que terei de adquirir com alguma 'relativa' facilidade...
Pois, mas nem tudo é como esperamos e afinal, a pressa demonstrada pela editora rapidamente desacelerou... O contrato editorial nunca mais chegava a casa e todo o santo dia eu abrir a caixa do correio em vão.
Finalmente, sexta-feira passada e depois de eu ter enviado 'não-sei-quantos-emails' e telefonemas, eis que chegou. Li-o de uma ponta à outra e agora estou aqui com o dilema de se hei-de mesmo ir para a frente com toda esta história. Isto porque eles editam a obra sim senhora e os preços até são acessíveis e eu consigo suportá-los, mas... o número de exemplares que irão ser editados é baixa, baixinha (apenas 300), eu lucrarei apenas 1,20€ por cada obra vendida - sendo que a mesma irá ter, à partida, um preço de venda ao público de 16€ (algo que considero caríssimo para um livro infantil) - terei de ser eu a organizar a sessão de lançamento (coisa nunca antes vista, ou seja, essas despesas sairão todas do meu bolso), além de que não vejo em lado nenhum livros da dita editora à venda, não terei uma palavra activa na escolha do tipo de ilustração/grafismo que a obra irá ter, ou saberei, sequer, como pretendem divulgar a obra.
Ou seja, basicamente, eu fui a cabeça que idealizou a história, a base de tudo, mas é a editora que fica com todos os eventuais lucros. O autor, (por ser desconhecido, pobrezinho, pequenino, e todos os diminuitivos possíveis de serem aqui referidos), é remetido à sua insignificância...
Mais, se de futuro quiser rescindir contrato com a editora, ainda terei de a indemnizar por todos os livros colocados à venda no mercado... logo, acho que desta história não tiro proveito nenhum, apenas e só a 'carolice', o de saber que editei um livro, que alguém, remotamente, poderá vir a comprar ou a ler ao seu filho, sobrinho, afilhado, etc..
E sinceramente, não sei a tenho carolice para tanto.
Só sei é que esta história, este 'sonho', me deixa um forte sabor agridoce na boca.

sábado, novembro 14, 2009

eu quero um sítio só para mim!

A minha mais recente demanda doméstica é conseguir ter uma escrivaninha. Pronto, algo tão simples de realizar como 'ir-ao-ikea-e-trazer-de-lá-uma-palete-com-uma-escrivaninha-maravilhosa-em-mil-peças-que-o-gajo-depois-irá-montar' e que me permita ter o meu usado, mas único portátil, num sítio digno para o mesmo. É simples, de facto, mas claro que comigo tem de ser difícil.

Primeiro porque o meu portátil, por ser, tal como o nome indica, um portátil, pode ser levado para todo o lado, logo, não 'precisa' necessariamente de um sítio onde marcar território. É assim comum ver-me a escrever no meu portátil nos mais variados sítios desta casa: no sofá, na cama, na mesa de jantar, na mesa da cozinha enquanto espero que a panela de pressão acabe de guisar a carne de vaca, até no quarto da miúda eu já escrevi posts e consultei a net, mas confesso que esta 'promiscuidade' de locais não me agrada nem um bocadinho.

Eu, apesar de não parecer, tenho coisas em que sou a atirar assim para o 'tradicional' e confesso que gostava MUITO de ter um sítio, um canto, uma mesa, enfim... uma ESCRIVANINHA, onde pudesse concentrar-me como deve ser, sentar-me e dedicar-me à escrita, ter, quem sabe, uma moldura ou outra a embelezar o sítio, uma jarra com crisântemos ou gerberas, algo assim bonito, algo feminino, algo recatado, algo assim:


Pronto, era um sonho, mas neste momento é um bocadinho difícil de realizar, porque não tenho nem espaço onde enfiar uma escrivaninha, nem este tipo de mobília fica bem com a decoração da maison da madamme. Claro que o gajo não tem uma escrivaninha. Escrivaninha não é coisa de 'gajo', é coisa de 'menina', com gavetinhas minúsculas, toda cheia de 'rocócós' e ainda por cima branca. Não, gajo que é gajo tem uma secretária imensa cheia de tralhas que são só dele; filmes sacados da net, toneladas de cd´s, todo o tipo de carregadores (do telemóvel, da plasystaton, disto e daquilo), clips, fita-cola, até o Mr. Invencible lá está, porque ele não tem um portátil nem um PC, não, ele e tal como todo o gajo que é gajo e designer gráfico, tem um Mac, 'fixo', logo, o nosso 'pseudo-escritório' é todo dele. Não há cá jarras com flores bonitas nem molduras com momentos felizes para ninguém. Há bolas da Nike e muita tecnologia.


Sendo assim, resta-me sonhar que um dia, ainda morarei numa casa onde tenha um recanto só meu, cheio de luz, com tecidos e flores de cores vibrantes, como rosas, lilazes e verdes e onde a minha escrivaninha será branca imaculada, com gavetinhas minúsculas mas românticas, cheia de rocócós mas elegante e nela estará, sereno e no seu trono, o meu já velho mas resistente portátil.

sexta-feira, novembro 13, 2009

grey skies over my head

Hoje, não sei se derivado do final do curso se aproximar a passos largos, se da altura do mês (por me estar a aparecer a menstruação à porta), estive o dia todo, mas mesmo tooodddooooo a sentir um vazio no peito e uma tristeza que geralmente se instala sempre por esta altura do ano e com o aproximar do Natal.
Tive de passar o dia todo em Lisboa, de manhã curso, à tarde, mais curso. Tudo porque faltei na terça-feira (por ter a Madalena doente) e hoje tive de compensar, caso contrário, chumbo. Ali é assim, não há cá faltas para ninguém.
Dada a proximidade geográfica da escola ao El Corte Inglés, tive a infeliz ideia de ir para lá passear - e tentar almoçar - entre o final do curso da manhã e o começo do da tarde. Não sou grande fã do El Corte, confesso. Além de caríssimo, acho-o elitista e basta uma pequena incursão por lá para constatarmos isso. Mas hoje, hoje ao passear por ali, só me apetecia chorar. Olhava a secção da cosmética e perfumaria e lembráva-me de quando era editora e ia às apresentações das marcas de beleza e recebia toneladas (sim, toneladas) de presentes diários... à redacção chegavam todo o tipo de coisas: os lançamentos dos últimos perfumes, as maquilhagens da estação, os convites mais inesperados. Para além de adorar o que fazia, tinha ainda esta mais valia, o de ser mimada até à exaustão e hoje, que estou no lado oposto, no fundo, mas no fundo do poço, em que nem uma perspectiva ou hipotética perspectiva de trabalho tenho a acenar-me ao longe... bom, só me apetecia chorar.
Não é um chorar tipo menina mimada: 'Ai eu tinha tantos presentes e agora não tenho'. Não, nada disso. É um 'chorar' porque hoje, olho para trás e lembro-me de como controlava um projecto que era quase todo meu, onde eu me sentia activa e integrada numa empresa onde, apesar de as coisas não serem um mar de rosas, eu até gostava do que fazia. É o sentir saudades de todos os dias ter aquela rotina estúpida de que tantas vezes me queixei. Do ter de me levantar cedo, de sair do quente da cama, de enfrentar o frio e o trânsito se assim tiver de ser, o de ouvir baboseiras e coisas estúpidas de pessoas não menos parvas todo o santo dia.
Sim, até disso tenho saudades.
Porque quando se está há mais de um ano em casa, os primeiros meses são muito bons, mas depois, depois começa a instalar-se um vazio que não nos larga. E eu, apesar de ser um bocadinho para o pessimista, acho que até tenho encarado tudo muito bem, não me tenho ido abaixo, sempre a mentalizar-me de que 'as coisas acontecem quando têm de acontecer' e outras frases feitas que me servem de consolo.
Mas no fundo, no fundo, hoje, senti que nada disso é verdade. Senti-me e sinto-me abandonada. Sem sorte. Azarada.
Assim como o dia. Triste e cinzenta.

quinta-feira, novembro 12, 2009

Está na hora...

... de voltar! :)
(se é que por aqui ainda alguém me lê!)
Mas eu ando com vontade. Vontade de transformar o 'Casinha' e de lhe fazer um 'facelift'.

Me aguardem...

quarta-feira, novembro 05, 2008

Bênção

Já vos disse que a minha filha é perfeita, perfeita? Daquela perfeição que todos os bebés saudáveis possuem e à qual eu não saberia se iria fazer parte?
Pois bem, EU faço parte!!!!
A minha filha linda é PEERRRRFFFEEEIIITTTTAAAAA!!!!!!
Não possui ponta, niquinho, amostra, réstea de ictiose!!
E eu choro de alegria sempre que olho para ela.
Sinto-me (sentimo-nos) verdadeiramente abençoados.

Obrigado.

segunda-feira, outubro 27, 2008

uma borracha sobre o assunto

Acabei de ir à minha caixa de correio e tinha mais uma porcaria de um email de outra brasileira a contar-me a trágica história da vida dela e da filha com ictiose, como se eu fosse porra da virgem santíssima! Epá, aquilo deu-me cá uns nervos que apaguei de vez a merda do blogue (no qual já não escrevia desde que descobri que estou grávida!)
Eu fiz aquele blogue com a melhor das boas intenções, para falar de uma doença que quase ninguém conhece e onde a falta de informação é flagrante, mas só atraí gente doida! E depois escrevem-me emails como se eu fosse alguma médica entendida no assunto, perguntam-me quais os melhores tratamentos para isto e aquilo, que legislação é que se encontra em vigor em países como o Brasil, (onde eu por acaso nem vivo!!!) e falam comigo como se me conhecessem (principalmente os brasileiros) dando-me conselhos sobre coisas tão pessoais como a decisão de ter ou não filhos! De há umas semanas para cá que tenho recebido o mesmo mail repetidamente de uma gaja brasileira que quer, porque quer, que eu lhe responda! Como se eu fosse alguma espécie de guru na qual a vida dela depende... Claro que eu nunca lhe respondi e hoje, quando recebi outro mail de uma outra gaja com o mesmo tipo de história do género: 'A minha filha tem ictiose e coitadinha, é muito desgraçadinha' deu-me cá uma raiva que apaguei o blogue e nem pensei duas vezes. Prestes a ser mãe e sem saber se vou ter uma filha com ictiose ou não, o que eu menos preciso é de gente a agoirar-me o destino e a sentir-me mal por ter decidido ter um filho.
Quero que todos se fo***!!!

quarta-feira, setembro 10, 2008

i´m alive



















Estamos bem e enormes, apesar de termos estado desaparecidas, mas com uma mudança de casa pelo meio, um mês sem net e muita coisa para despachar e arrumar é o que dá. Aviso apenas as meninas mais preocupadas de que agora o 'Casinha' está em 'stand by' e que dedico o meu tempo (e escrita) ao blogue da Madalena.
Quem me quiser acompanhar poderá fazê-lo aqui: http://www.decasuloaborboleta.blogspot.com/
(onde os posts são quase diários!)
beijos a todas*

quinta-feira, julho 24, 2008

desabafos




















Tenho passado uma gravidez santa, mas com um feitio... Eu própria tenho noção disso, e por mais que tente evitá-lo, não consigo. O turbilhão hormonal e emocional em que ando faz das suas e revela-se da pior maneira. Em todos os livros que leio sobre gravidez e afins, fala-se do assunto, de que as grávidas ficam instáveis, emocionais, rabugentas, sem paciência, etc. e eu sinto tudo isso, quase a duplicar e com muito mais intensidade, mas há uma série de coisas que neste momento me chateiam a valer e que só servem para me criar ainda mais stress e mais ansiedade.
A primeira de todas é a mudança da casa de Lisboa e as obras na casa da Ericeira. As obras já arrancaram há duas semanas, mas um atraso na chegada dos materiais de construção para as casa de banho fez com que com tudo ficasse atrasado. Na segunda-feira demos lá um salto para ver como estava tudo a andar, e a verdade é que ainda está tudo muito atrasado. A sala ainda não tinha sido pintada - apesar de a nova lareira já estar pronta - o nosso quarto ainda não estava pintado - apesar de já andarem a começar a dar a primeira demão, a casa de banho da suite tinha chão e pedra por colocar e a segunda casa de banho tinha apenas o chão posto. Sem mencionar que em ambas, ainda faltam os móveis, as loiças, comprar sanitas, torneiras, painéis de banheira, etc... As únicas coisas realmente prontas eram o quarto da Madalena, que já se encontrava pintado e o escritório. No final, ainda falta colocar papel de parede em algumas divisões...
Ora, tudo isto leva tempo e a julgar pelo andamento das coisas, eu suspeito que não será até ao final desta semana que tudo esteja concluído (na minha opinião, nem em sonhos!), apesar de o C. dizer que sim. É que nós temos o problema de o C. estar de férias esta semana e a próxima, e de ser esse o tempo que tínhamos previsto para as mudanças... o que a julgar pelo atraso de tudo, não se irão realizar nas datas que estipulámos, deixando-nos depois com outro problema em mãos.
Como se isso não fosse já motivo de preocupação e de ansiedade para mim, ainda me cabe empacotar tudo o que tenho nesta casa que vamos deixar. E meu Deus, se nós temos coisas!! Só em livros, vocês nem imaginam... O que se torna complicado de realizar, principalmente quando se está grávida. Fico cansada muito mais rapidamente, custa-me mexer, ser mais despachada e desenvolta e tenho de fazer tudo lentamente e com muitas pausas pelo meio. De qualquer forma, já começámos a empacotar as coisas da sala, que já está quase vazia e completamente desarrumada, à excepção dos móveis, e onde já temos uns dez caixotes empilhados e no meio do caminho, cheios de tudo e mais alguma coisa. Lentamente, o caos começa a instalar-se à minha volta. No entanto, antes de me mudar e já depois de as obras na Ericeira estarem concluídas, espera-me ainda a árdua tarefa de ir limpar a casa de toda a sujidade e poeirada... O que mais uma vez, para uma grávida, andar a limpar paredes, chãos, juntas de azulejos e afins, é tarefa das pesadas! Claro que posso sempre pedir ajuda à minha mãe, mas aí está outro problema... eu e ela não nos conseguimos entender de modo nenhum! Ainda este fim-de-semana fomos até às Caldas a casa dos meus pais e passámos a maior parte do tempo a discutir por coisas ridículas e sem sentido. O que se passa é que a minha mãe há dois anos que anda a passar pela menopausa e desde que está desempregada, que noto que ela está emocionalmente instável ao ponto de fazer birras como uma criança, ter crises de choro e comportamentos que mais se parecem com uma miúda de 5 anos do que com uma mulher de 55! Como se isso não bastasse, acho que na maior parte das vezes se esquece de que ela é a mãe e eu a filha e, como tal, espero dela determinados comportamentos dignos desse nome, mas não, ela acha que mãe e filha têm de ser 'melhores amigas', como se tivesse a minha idade, e fica muito ofendida se não lhe conto certas e determinadas coisas que considero 'pessoais', ou andar a passeá-la, como se o facto de irmos lá passar o fim-de-semana estivesse explícito de que tem de se colar a nós como uma lapa, quando nós próprios temos assuntos pessoais para tratar, partindo logo para a vitimização da sua pessoa. Tudo isto causa-me bastante stress e acho, serimente, que ela precisa de ajuda, ou de tomar qualquer coisa. Mas quem é que lhe diz isto? Eu? Seria comprar mais outra discussão 'daquelas'. Apesar de parecer pouco sensível da minha parte esta minha descrição, gosto imenso da minha mãe e conto-lhe imensas coisas, desabafo com ela, temos uma relação muito liberal, mas depois há outros momentos em que ela me consegue tirar do sério como ninguém! E quando se comporta mais como minha irmã do que como a mulher que é, fazendo birras, amuando ou desatando aos berros comigo à frente do meu marido (que deve achar que somos a família mais disfuncional e louca do mundo) só tenho vontade de agarrar nas malas e vir-me embora, porque a verdade é que não tenho idade, feitio, nem paciência, para andar a aguentar tais cenas!
À pala do fim-de-semana de que tive, não nos falamos há 3 dias.
Depois, vem a cereja em cima do bolo, o tema causador de stress por excelência, ou seja, os meus sogros! Ora se pais dão chatices, sogros dão a dobrar e os meus, apesar de longe, gostam de nos controlar os passos e de dar opiniões por tudo e por nada e eu ando tão farta, mas tão farta deles, que acho que já nem consigo disfarçar a falta de empatia que sinto de cada vez que os vejo ou oiço. E claro, a minha sogra como soube que tínhamos ido passar o fds a casa dos meus pais fez logo uma cena de ciúmes por telefone, deixando o filho com um peso de consciência do tamanho do mundo, que prontamente cedeu perante a chantagem emocional da mãe... além disso, o meu sogro torceu um pé e agora não se pode mexer ou conduzir até Setembro, e lá vamos nós este fim-de-semana até lá cima, quando esses dois dias iriam ser preciosos para comprar as coisas que faltam para as casas de banho, escolher materiais, ou até, limpar a casa toda e tentar mudarmo-nos na semana seguinte. Além disso, temos ainda um sem número de coisas deles na casa da Ericeira, que já deviam de ter ido para cima há séculos, mas que os senhores, teimosos que nem uma mula, foram 'deixando ficar', a ver se pegava... e agora, com o meu sogro impossibilitado de se mexer e nós com uma mudança à porta, sobra para quem? Para nós, pois claro! Que das duas uma, ou temos de alugar uma carrinha e levar para cima toda a tralha sobrante que eles ainda cá deixaram, ou fazer as mudanças e viver mais dois meses com aquela porcaria toda a ocupar espaço lá em casa, quando ainda temos de lá pôr as nossas coisas...
Desde que sei que vou ter de ir passar o próximo fds a aturar aqueles dois, que ando com o fígado virado. Já sei que a minha sogra vai ter pano para mangas para me chatear a cabeça, tentando espremer-me até à exaustão e fazendo perguntas e opinando de tudo e mais alguma coisa (a casa, a bebé, os meus pais, as mudanças, as obras...) Eu vou estar tipo panela de pressão, ou seja, prestes a explodir, e se com a minha mãe eu tenho à vontade para falar e discutir, com a minha sogra, tenho de me conter ao ponto de pensar duas vezes e muito bem antes de lhe responder sem ser demasiado desagradável ou mal educada. Já sei que virei de lá completamente danada, farta, pelos cabelos e com vontade de gritar, mas vou ter de ir e calar, tudo em prole da 'família'.
Claro que tudo isto tem repercussões sobre a minha relação e a do C., que cada vez nota mais a minha 'azia' em relação aos pais dele, (a verdade é que eu já nem escondo!), a minha falta de paciência, a transparência dos meus sentimentos em relação a um sem número de coisas... mas como homem que é, não percebe ou concebe a dimensão e amplitude das mesmas, ou nem está para se chatear e continua a dizer à mãe, quando fala com a mesma diariamente por telefone, onde estamos, com quem estamos, o que fazemos...
Sinceramente, há dias em que penso que se casamento é isto, mais valia ter continuado solteira.

segunda-feira, julho 14, 2008

23 semanas


















E cá estamos nós às 23 semanas. Cada vez maiores, e eu a passar por um período em que me sinto uma hipópotama de tão grande que estou! Então quando o C. me tira fotos e eu as vejo... é aí que me dou conta de que o meu rabo e ancas, estão do tamanho do mapa mundi, e pensar que ainda me faltam mais três meses e meio pela frente sempre a aumentar, assustam-me terrivelmente! Acho que este ano nem me atrevo mais a pôr o biquíni na praia senão ainda me confundem com uma baleia! ehehehe Mas a verdade é que desde que estou sossegada em casa que o peso disparou! Não me mexo tanto, durmo belas sestas e como frequentemente... o que se reflecte depois nos meus quadris!
Tirando estas questões hormonais que me afectam, e apesar de o C. passar a vida a dizer que eu não estou nada gorda (é um querido, eu sei, mas mente mal!), começo a ficar impaciente com o facto de a mudança de casa nunca mais acontecer, de a casa de Lisboa apesar de ter visitantes interessados não haver ainda nenhum que tenha feito uma oferta, de as obras da Ericeira andarem a meio gás - vamos lá ver se é esta semana que sempre avançam - das dores que sinto não serem normais para esta altura da gestação e do medo que tenho, de que esta rapariga seja sôfrega e apressada como a mãe, e queira nascer antes do tempo...
Devido à conização que fiz em Dezembro do ano passado, antes de engravidar, tenho medo que o cólo do útero ceda, apesar de a última ecografia mostrar que por enquanto estar tudo bem, mas estas dores que sinto, não as acho normais... e o peso... o peso que sinto da barriga, tem dias em que chega a ser insuportável, quase não me deixando andar. Hoje vou à médica e vou-me queixar disto tudo, logo vemos o que ela me diz. Também começo a ficar preocupada por já estar de 23 semanas e segundas análises de gravidez nem vê-las no horizonte... nem repito a análise à toxoplasmose (à qual não sou imune), nem faço novas análises de sangue... enfim, começo a achar o serviço de acompanhamento da CUF a nível de obstectrícia muito 'pobrezinho' e as experiências que tenho com as ecografias quase que provam isso mesmo, mas como na próxima segunda-feira vou à Maternidade Alfredo da Costa, logo tenho uma segunda opinião.
À parte deste tudo isto, também tenho andado com umas coceiras nas pernas que chegam a ser enlouquecedoras! Já tentei tudo, pôr creme, lavá-las com água fria quando me dá os 'ditos ataques' de comichão, pulverizá-las com água da Avénne, etc., mas às noite, os comichões regressam sempre. No outro dia cocei-me tanto que até me esfolei. Se é uma alergia ou uma reacção da gravidez, não sei, mas ando a dar em doida com o assunto.
Todas estas coisas me preocupam actualmente, mas só o facto de estar em casa, de baixa, descansada da vida, sem ter de aturar aquela cambada toda lá do trabalho, para mim, já é um grande alívio e sossego. Não sinto falta nenhuma daquela gente e acho que é recíproco, porque a verdade é que as únicas pessoas que até à data me ligaram para saber como estou, foram as duas pessoas com que me dou melhor, o resto, incluindo chefes e colegas directas, nem um 'ai'. Melhor assim, eu confesso que até agradeço.
A única coisa chata em estar de baixa é claro, não poder aproveitar todo este tempo livre para fazer compras para a criança e preparar as coisas, pois não posso sair de casa. Claro que o faço, mas evito ao máximo ausentar-me durante longos períodos. Isto dificulta a preparação da chegada da rapariga, mas tento não stressar muito com o assunto, pois sei que o essencial já tenho, agora o resto terá de ser feito com mais calma. Este fds aproveitei termos ido às compras ao Continente e acabei por lhe comprar um conjunto de lençóis para a caminha de grades. Os primeiros, apesar de já ter uns dados pela minha mãe, mas para a alcofa. Também tenho de comprar uns cobertores quentinhos para pôr na cama, apesar de já lhe ter comprado um edredon e claro, depois de nos mudarmos, vem a parte de preparar o quartinho dela e de lavar todas as roupinhas que já tem.
Dizem que quando uma mulher está grávida, que a experiência da gravidez lhe afecta todo o cérebro e que é só nisso que pensa... pois eu sinto-me assim (além de chata, muito chata!) Não consigo pensar noutra coisa e não vejo a hora de ter esta formiga atómica nos braços, apesar de ter consciência de que depois, acaba-se o meu sossego e as minhas belas e longas sestas e noites! :D

quarta-feira, julho 09, 2008

ela a fazer anos e eu a ficar mais velha...

















Quando a minha afilhada nasceu eu tinha 18 anos. Era e fui, durante muito tempo, uma madrinha jovem na flor da idade que acompanhou babadíssima o crescimento evolutivo da sua pequena 'petiz', familiar directa, que sempre me encheu de orgulho desmedido e que durante muito tempo (e ainda hoje, confesso), trato por 'a minha menina'. Ora, acontece que a 'minha menina' é, hoje em dia, uma 'pré-adolescente' - termo utilizado pelos psicólogos e pediatras para designar o período de transição entre a infância e a adolescência - com todas as coisas boas e más que isso também trás... Ora, em um ano, a minha afilhada mudou radicalmente de feições, perdeu completamente o ar 'de menina' doce e angelical que a caracterizava, cortou o longo cabelo e agora ostenta uns caracóis meio selvagens, cresceu a olhos vistos, está alta e esguia, ainda não é menstruada nem tem maminhas (mas desconfio que pouco falte!!) e imagine-se, até já tem um namorado (para meu grande choque) que curiosamente, estava presente na festa e que a 'ama' - o que eles gostam de utilizar o verbo amar como quem diz 'gosta' - desenfreada e apaixonadamente!! Para além de todas estas alterações físicas, completamente visíveis aos olhos de terceiros, a J. passou ainda a gostar de se vestir de preto (!! eu espero que não tenhamos gótica na família, senão dá-me um achaque!!) e a ser uma espécie de líder incontornável entre as restantes meninas - ou pré-adolescentes -, como as queiramos chamar!
Eu assisto a tudo com uma emoção que alterna, ora entre o espanto, ora a estupidez, (mais uma vez, estupidez derivada do espanto e da minha própria ingenuidade) por constatar que os miúdos de 11 anos hoje em dia, têm mais escola e mais lábia do que eu tinha aos 14! (coitadinha de mim que aos 14 que ainda brincava alegremente com as Barbies...)
As meninas de 11 anos - entre as quais a minha afilhada se encaixa - vestem-se de forma sexy e desejável, como vêem nas mulheres que abundam nos videoclips da MTV e nas novelas como Morangos com Açúcar. Querem telemóveis topo de marca que lhes permita tirar fotografias e colocá-las na net, assim como falar com os amigos online, no messenger e em chats. Falam por webcams e despem-se de preconceitos na hora de revelar o corpo ou de se expôr a terceiros e perfeitos desconhecidos que encontram online. Vêem nas marcas da moda um 'must have' e exigem, como quem pede à mãe um chocolate num supermercado, que façam parte do seu armário...
Esta nova geração de crianças ou pré-adolescentes assusta-me terrivelmente e eu sinto que não sei lidar com ela... e numa altura em que estou prestes a ser mãe, sinto-me impotente e à beira de um abismo só de pensar que um dia também me verei confrontada com estas e outras situações - que a julgar pela velocidade com que eles aprendem hoje em dia - serão ainda cem vezes piores!
Isso, ou nas respostas incisivas e afiadas que nos dão e que me deixam de cara à banda, como ontem, quando me cheguei ao pé dela e lhe passei para a mão umas quantas notas de euros para ela guardar no mealheiro e me diz com o ar mais natural deste mundo enquanto as aceita e guarda no bolso da saia: '-Gosto mais das roxas!'
ááááááááááaá´!!! Das roxas?? Olha o raio da formiga que já tem catarro!!
Das roxas também eu gostaria de ter na carteira!
Como dizia o já velhinho e falecido 'Peça', '-E esta hein?'

sexta-feira, julho 04, 2008

passeios



















Para quebrar a monotonia dos dias que têm sido passados em casa, a descansar, a escrever, a ler, a bordar... hoje tive o convite da M. para ir tomar um cafézinho com ela à Gulbenkian e posteriormente, ajudá-la a ver de acessórios para o vestido de casamento. Assim foi. Encontrámo-nos a porta principal e realmente não podíamos ter escolhido melhor sítio para estar numa tarde de Verão em plena cidade! Já não ia à Gulbenkian há bastante tempo e andar ali, em pleno dia, fez-me lembrar os meus tempos de faculdade, em que as visitas eram frequentes. A exposição dos Toldos no Jardim, que se realiza pelo segundo ano consecutivo, anima quem passa, proporcionando excelentes fotografias coloridas. Tomámos café na cafetaria do Centro de Arte Moderna Azeredo Perdição, onde reparei estar patente uma exposição sobre Siza Vieira - mas que não deu tempo de ver, fica para a próxima - e seguimos caminho até ao nosso próximo destino.
Foram apenas duas horinhas, mas soube bem para quebrar esta minha nova rotina de 'mãe home alone'.

quinta-feira, julho 03, 2008

questões familiares


















Já aqui falei várias vezes de como a relação com a minha sogra é um tanto ou quanto sui generis. E ultimamente parece que nem a chegada de um neto, ou neste caso, neta, parece adivinhar que as coisas vão mudar ou ser mais fáceis, antes pelo contrário. Dominadora e possessiva como é com o filho, gosta de controlar coisas da nossa vida, mesmo que à distância, que mais tarde lhe servem de pérolas e armas de arremeço para me vir moer a cabeça a mim, fazendo conversas que muitas vezes não lembram nem ao menino Jesus, com o intuíto de me atacar e dando a entender entrelinhas, de uma forma quase subtil, a mensagem preliminar. Eu topo-a à distância e por esse mesmo motivo, nunca fui de lhe dar muitas conversas, pois sei que para ela informação é poder e assim, deixo-a na ignorância de saber apenas o elementar e de não lhe dar muita corda. Quanto menos ela me chatear melhor, quanto menos tiver de conviver com ela melhor.
E assim temos vivido nos últimos cinco anos, nesta coexistência pacífica mas podre, onde eu claramente assumo que não a suporto e ela certamente pensará o mesmo de mim.
Ultimamente as coisas têm andado um pouco mais tensas, pois a nossa futura mudança para a casa da Ericeira fez com que os meus sogros tivessem de tirar toda a mobília deles que lá se encontrava, uma vez que vamos levar todas as nossas coisas e, consequentemente mobílias da casa de Lisboa, para lá! Isto é perfeitamente normal, se uma pessoa tem uma casa cheia e mobilada e se se muda, é normal que se leve tudo o que se tem para a nova casa (a não ser que não o queiram), mas para os meus sogros, pelos vistos não é! Aparentemente ficaram 'sentidos' por levarmos as nossas coisas de Lisboa para a casa da Ericeira, pois como já temos a casa de lá mobilada 'não fazia sentido'. Para eles, fazia sentido sim era ficarmos com as mobílias que já lá estavam (que são simplesmente hediondas) e vendermos as nossas, 'a tralha', 'os cacos' que temos. Aquilo pareceu-me tão ofensivo que não fui capaz de disfarçar um ataque de fúria crescente que me foi invadindo o corpo e se prolongou numa extensão da boca, dizendo numa sonora e afirmativa sentença 'Nem pensar! As nossas coisas fomos nós que as comprámos com o nosso dinheiro e gostamos muito delas! As que estão na Ericeira têm de sair'. E pronto, a questão ficou arrumada, mas os meus sogros ofendidos com a minha atitude de 'nora respondona e mal agradecida'.
Na questão de uma semana vieram cá abaixo à Ericeira e toca de empilhar tudo na carrinha, desde loiças da cozinha a mobília de quarto, sofá de sala, etc. Enquanto não esvaziaram a casa não descansaram, apressados que estavam em marcar a sua posição e eu deixei-me ficar, impávida e serena sempre que a minha sogra se dirigia a mim num tom quase ríspido de 'Mafalda, vem cá. Diz-me, queres isto?' E a minha resposta era sempre a mesma: 'Não, não quero. Também tenho um(a), pode levar'. Ela largava um grande suspiro e às vezes soltava um 'Onde é que eu vou pôr tanta coisa meu Deus?'.
Pelos vistos tudo o que levaram encontrou o seu espaço na casa deles. Do sofá à mobília, às loiças, tudo se encaixou e a casa da Ericeira ficou vazia para nos receber. Apenas ficaram as cadeiras da mesa de jantar - que eu lhe tinha dito que eram para seguir pois íamos utlizar as nossas - mas essa é outra 'guerra' que ainda está para vir...
Ora, depois de dois fins-de-semana intensos, os meus sogros mergulharam num silêncio. Só falavam com o filho, nunca perguntavam por mim ou como estava a correr a minha gravidez e nem no dia em que fomos fazer a eco em que se descobriu qual era o sexo do bebé, foram capazes de ligar a dar os parabéns! Aquilo pareceu-me mal! Mesmo muito mal! Nós fizemos a eco a uma segunda-feira e enquanto os meus pais nos ligaram de imediato e deram-nos os parabéns extasiados que estavam com a notícia - tanto a mim como ao C. - os meus sogros pelos vistos, limitaram-se a falar com o filho e manifestações de contentamento nem vê-las.
Aquilo pareceu-me tão mau que durante uns dias fiquei a avaliar se a minha sogra se dignava a ligar ou a dizer qualquer coisa, mas nada, o silêncio era total. Na 5ª feira dessa mesma semana não resisti e abri a boca ao C., 'Parece mentira, mas a tua mãe ainda não foi capaz de se dignar a pegar no telefone e a ligar-me a dar os parabéns pela bebé.' Ele ficou chocado com a atitude dos pais e eu sabia que aquele meu simples comentário era o suficiente para criar reacções de energia.
À noite, estava eu sozinha em casa, liga-me a 'senhora', com a voz mais cínica deste mundo a fazer-se passar por 'uma avó muito feliz'. (eu só não acerto no euromilhões...) Não resisti e mandei-lhe as ferroadas todas que ela merecia ouvir! 'Seja bem aparecida, já não era sem tempo, estava a ver que nem ligava a perguntar pela neta!' - facada nº 1 - 'Até parece que só o seu filho é que vai ser pai' - facada nº 2 - E ela, do outro lado respondia entre risinhos nervosos e entrecortados: 'Oh, mas porquê, os teus pais já te ligaram a dar os parabéns?'. 'Claro', respondia eu, 'Ligaram-me logo na segunda-feira, no dia da ecografia, em que ficámos a saber o sexo, e deram os parabéns a mim, que vou ser mãe, e ao C. que vai ser pai. Falaram com os dois' - terceira e derradeira facada! Ela ria-se para disfarçar a culpa e entre desculpas esfarrapadas, lá ia dizendo que 'Não importa que seja menina ou menino, que o que interessa é que venha com saúde, apesar de eu ser mais pelos meninos....' (olha que novidade!!)
Eu sinceramente acho triste, muito triste, que até agora, que espero uma filha - a primeira e única neta deles - o comportamento da minha sogra se paute por este tipo de atitudes. Que ela não é boa e não me grama, eu já sei e quanto a isso, chego à conclusão de que não há nada a fazer, mas neste momento vem uma criança a caminho e se ela pensa que é com este tipo de atitudes a leva a algum lado, está muitíssimo enganada.
Desde esse dia que agora, para se fazer passar por boa samaritana, pede ao filho para me passar o telefone para perguntar 'como estou e como vai a 'menina'... E eu lá lhe falo muito bem - quem nos vê há-de dizer que temos uma relação muito cordial e pacífica - quando a verdade é que sei que tudo aquilo não passam de jogadas dela, para que o filho, enganado pela mãe dócil, pense o contrário.
Só para que tenham uma ideia, ainda não foi capaz de me perguntar sequer como é que a menina se vai chamar, referindo-se à mesma sempre como 'a bebé'...
Porquê, perguntam vocês? Não é que ela não saiba, porque eu tenho a certeza que o filho já lhe disse, mas comigo, sempre que agora me liga e me fala, nunca menciona o nome de 'Madalena', simplesmente porque eu sei que ela não gosta do mesmo... (se calhar queria ser ela a escolher também o nome dela não? é provável...)
Enfim, é triste, muito triste e eu cada vez tenho menos paciência para tudo isto.

quarta-feira, julho 02, 2008

21 semanas e dois dias emotivos



















Estes últimos dias têm sido uma correria! Apesar de já não estar a trabalhar, tenho andado num lufa-lufa para tratar das coisas da baixa, que a segurança-social tem sido uma das casas mais visitadas, com esperas de algumas horas, mesmo tendo o chamado serviço 'prioritário'! Acontece, que neste meses, deve ter nascido muita criançada, por isso, sempre que lá vou, deparo-me com várias senhoras com bebés de poucas semanas que certamente se encontram ali para tratar dos papéis do subsídio de maternidade e da baixa de parto. Ontem esperei cerca de uma hora para ser atendida, hoje esperei um pouco mais, mas não há dúvida de que estar grávida tem mesmo as suas vantagens, caso contrário, ainda tinha mais de cem pessoas à minha frente...
De resto ontem ainda passei pelo trabalho para falar com os recursos humanos e com a minha chefe, mostrando-lhe os papéis da baixa e dizendo-lhe de que esta é apenas de 12 dias, mas que a posterior será de 30. E assim será até ao final da gravidez. Acertei as contas com o departamento financeiro, carimbaram-me o papel para entregar na segurança social e pronto, assunto resolvido. Agora, até breve ou até para o ano. Logo se verá!
Ontem foi ainda dia de ir à Maternidade Alfredo da Costa à consulta de gravidez de risco do Centro de Diagnóstico Pré-Natal. Tal como eu previa, deram-me bem a entender de que não há nada de que possam fazer por mim e de que um eventual diagnóstico só mesmo depois de a bebé nascer e de se verificar se a mesma trás ou não, sinais visíveis da doença à nascença. Confesso que me passei um pouco com o médico que me atendeu, porque mais uma vez constato, que os médicos lisboetas com que me deparo, são na maior parte das vezes arrogantes e altivos, além de partirem do princípio de que o doente é estúpido, ou pouco esclarecido acerca de determinada situação. Ora comigo, estão lixados e a coisa azeda sempre! Não sou nenhuma médica nem tenho pretensões de o ser, mas da minha doença, podem ter a certeza de que sei mais dela do que a maior parte dos médicos que me aparecem pela frente, sejam eles geneticistas ou dermatologistas! Ora, o médico de ontem, falava muito bem, mas dizia pouco, mandando para o ar coisas como: 'os testes que eventualmente se poderiam fazer são muito caros e possuem um risco de aborto muito grande, logo não vale a pena'. Ora, eu quando ouvi aquilo percebi imediatamente ao que é que ele se estava a referir, 'testes caros com risco de aborto, está a referir-se a quê, a uma amniocentese?', perguntei, ao que o médico, apanhado que tinha sido na sua retórica pouco explicíta foi obrigado a concordar. Então, se era a uma amniocentese de que o mesmo se estava a referir, não era preferível dizer que 'podíamos fazer uma amniocentese, mas se calhar o risco acrescido não se justifica na sua situação uma vez que podemos não conseguir detectar nada'. Não era mais justo, correcto e honesto dizer as coisas desta forma? Para quê todo aquele paleio da treta 'testes muito caros e raros, com risco de aborto grande', onde quem ouve só pensa que se trata de algo cientificamente raro, quando afinal, se referia a uma amniocentese, que não sendo um exame obrigatório às grávidas, é cada vez mais corriqueiro nos dias que correm? É esta altivez científica, que parte do pressuposto de que as pessoas/doentes não sabem, ou não perguntam, que me irrita solenemente na classe médica, que quando confrontada com um doente que até sabe, já leu, ouviu falar, que coloca questões e é pertinente, fica ofendida no seu âmago e remata o assunto com 'nós é que sabemos, temos o poder e decidimos'.
Eu sinto-me muito cansada de ver e constatar que os médicos com que me deparo (e falo apenas em relação à minha precisa situação e nada mais do que isso), de que como não conhecem a doença e a mesma mete questões genéticas pelo meio, não se querem envolver demasiado, nem tão pouco ter muitas dores de cabeça com o assunto. Apoiam-se em premissas feitas de 'é uma questão de sorte genética', de 'lotaria', de '50-50' e seja o que Deus quiser... Neste momento sinto-me muito esgotada e talvez seja por isso que engravidei, porque constatei que por mais que me esforce, sinto que tudo é em vão. Até agora, em que apenas pedia esclarecimentos àcerca de um eventual diagnóstico pré-natal que me permita saber a priori se a bebé vem ou não com ictiose, e a resposta que recebo é que 'mesmo que venha, a menina não pode abortar'!! Mas quem é que disse a estes senhores de que eu quero saber se a bebé vem com ictiose ou não para poder abortar?? Se quisesse abortar já o teria feito até às 12 semanas agora que a lei o permite, não acham?
Mas pronto, como diz o ditado, 'se não podes vencê-los, junta-te a eles' e depois da consulta, enquanto esperei pelo estudo morfológico na sala onde passei a manhã toda, confesso que lutei seriamente contra as lágrimas que insistiam em acumular-se no canto dos olhos, fazendo um esforço tremendo para não desatar num pranto à frente de todas as grávidas, maridos e crianças que se encontravam na sala. Só fiquei menos tensa quando passei à eco e a vi, ali, tão pequenina e indefesa, mas cheia de força a mexer-se de um lado para o outro, com uma vitalidade e uma energia que pareciam dizer: 'não te preocupes mamã, comigo está tudo bem'. É mesmo uma lutadora esta minha filha e por isso, hoje, decidi presenteá-la com todas estas coisas bonitas que vos mostro! Estou babadíssima.
ps -A Madalena já pesa 431 gramas! Quase, quase meio quilo de gente! :D

domingo, junho 29, 2008

old times





















Hoje tivemos a visita da minha querida C. que, pela última vez, nos visita nesta casa de Lisboa antes de nos mudarmos para a Ericeira (que será já agora em Julho!)
Com ela veio, obviamente, a minha 'sobrinha' Mafalda, que está enooorrrmmeee, super esperta (e respondona, lol), muito alta e crescida! Faz milhentas perguntas, às quais temos sempre de dar uma resposta digna - pois não se contenta com uma mera explicação que não a satisfaça (deve ser do nome! ehehehe) - e exige a nossa atenção a maior parte do tempo, surpreendendo-nos com os comentários mais inesperados! Depois de um farto almoço em nossa casa e de um calor abrasador que nos sufocava entre quatro paredes, decidimos dar um saltinho à Expo e passear. Aproveitámos a cascata de água que existe perto do Oceanário para tirar algumas fotografias divertidas e registar o momento. A Mafalda claro, adorou tudo! Os salpicos frescos da água, o jardim de pedras, os peixinhos e o lago que existiam nele, tudo era motivo de curiosidade. A tarde passou num instante e nós aproveitámos para pôr a conversa de meses em falta, em dia! (é sempre assim quando estamos juntas!)
O dia ficou ainda marcado pela fantástica e grande notícia de que também a C. está grávida!! Fiquei tão contente!! Vem aí mais um sobrinho(a) a caminho e um mano para a Mafaldinha! :D
Quanto a mim, já estou de baixa! Que alívio! Na quinta-feira fui à minha médica obstectra mostrar a eco e apesar de estar tudo bem com a bebé, ela passou-me o papel para eu ir para casa e ter uma gravidez o mais calma e tranquila possível. No dia seguinte, rumei logo ao centro de saúde para tratar de ir à consulta do médico de recurso, - uma vez que sou uma 'sem médico de família - que sem me fazer qualquer tipo de pergunta sobre o meu estado físico, me passou o papel da baixa sem pestanejar - o qual eu agradeci - e amanhã, segunda-feira, irei entregá-lo pessoalmente ao trabalho para que não restem dúvidas. Depois de na semana passada termos andado em mudanças de instalações e de eu andar a acartar com caixas e pesos, as dores aumentaram de intensidade e a minha médica nem hesitou! 'Vai para casa até ao final da gravidez e pronto'. A verdade é que depois da cirurgia que fiz ao cólo do útero em Dezembro último, corro sérios riscos de ter complicações de que o mesmo dilate ou de ter um parto prematuro, logo, o ideal é passar os restantes meses o mais calma e tranquila possível, com muito descanso pelo meio. Eu agradeço, pois desde o início que sinto que o ambiente stressante da agência me deixa irritada, tensa e mal disposta, mas agora que vou ficar efectivamente em casa estes meses todos que ainda faltam (4), só penso que se voltar a trabalhar ali após a baixa de parto, me irão fazer a vida negra, bem mais negra do que já é. No entanto, de momento não quero pensar muito nisso, mas sim e exclusivamente, em mim e na bebé, no nosso bem-estar e saúde. O Verão também não ajuda nada a minha condição física e eu começo a sentir as maleitas deste calor extremo, como pernas inchadas e as minhas varizes a latejar. Coisas simples, como subir as escadas até à porta de minha casa no segundo andar, já me começam a custar. E se eu já detestava o tempo quente sem estar grávida, então agora...
Amanhã é ainda dia de ir à consulta na maternidade Alfredo da Costa ao centro de DPN por causa da minha doença de pele. Como envolve probabilidades genéticas de transmissão, remeteram-me para ali e amanhã bem cedo, às 8h30, já lá tenho de estar. Vamos lá ver o que me dizem, se há boas perspectivas ou não, ou até, se é possível fazer algum tipo de estudo ou diagnóstico pré-natal que me permita saber se a menina vem com a mesma doença que eu.
É fazer figas e ter pensamento positivo, apesar de nesta altura a minha cabeça andar a mil e de me faltar forças para acreditar que vai correr tudo bem, tamanhas são as minhas preocupações...
De qualquer forma, continuo a viver a minha gravidez em pleno e a tentar apreciar cada momento, porque a verdade é que passa num instante e parece que ainda foi ontem que eu descobri que estava grávida e afinal, já estou de cinco meses!
O nome também já está escolhid, será Madalena e eu estou muito satisfeita com a nossa escolha!Agora, intitulamo-nos por 'M&M', o duo dinâmico :D

terça-feira, junho 24, 2008

pink love




















E pronto, tal como uma paixão que vem sem esperarmos, meio arrebatadora e desconcertante, eis que começo a interiorizar que vem aí uma 'gaja' e by the way, dou por mim à hora do almoço a comprar tudo o que encontro de babygrows, acessórios, meias e até ténis (imagine-se) em tons de rosa!
Só o nome é que continua sem estar definido, pendendo entre a paixão de toda uma vida, 'Matilde' (uma derivação do meu próprio nome, 'Mafalda' e que significa 'guerreira que combate com energia', mas já tão desgastado ultimamente, que me leva a pensar seriamente se será uma boa opção) ou 'Madalena' (paixão mais recente e cuja origem hebraica significa 'a magnífica'). O pai diz gostar dos dois, mas com mais tendência para o segundo e eu acho que também.
A resolução e decisão final será comunicada dentro de dias!

segunda-feira, junho 23, 2008

e afinal a formiga atómica é...


... uma menina!

Contrariando todas as expectativas (incluindo as minhas, tenho de confessar), não virá aí um 'pilas', como pensávamos, mas uma gajinha para animar os nossos dias. Pode parecer mal a muita gente eu confessar isto, mas quando recebi a notícia, fiquei um pouco desanimada. Claro que é bom saber que o bebé está bem e a crescer cheio de força e saúde, mas lá meti na cabeça que vinha aí um rapaz, que inconscientemente já andava mais mentalizada para um menino, do que para uma menina... já para não falar no nome. Enquanto que o de rapaz já estava escolhido, o de rapariga continuo sem saber por qual me decidir.
Será normal isto que sinto? A minha mãe ficou ofendidíssima pela minha reacção e não parou de me criticar um segundo. É claro que estou contente, mas por outro lado, sinto que ainda não interiorizei a ideia. Se é normal ou não, não sei. Mas neste momento é como me sinto e não vou negá-lo.
Confesso que este sentimento meio estúpido se deve em parte ao médico que me fez a eco e à rapidez da mesma! Toda a gente me disse que a segunda eco era a mais importante, a eco 'morfológica', aquela que demorava mais tempo, aquela em que o médico media todos os ossinhos e mais alguns, aquela em que se sabia o sexo e afinal, eu só estive dentro do consultório 5 minutos e criei tantas expectativas com a eco de hoje, que sinto que me sairam todas goradas. Quando perguntei ao médico qual era o sexo do bebé a resposta dele foi: 'Não dá para perceber se é rapaz ou rapariga'. E eu senti-me logo a morrer na praia. 'Não dá para perceber o sexo?' Uma coisa é dizer 'Não dá para ver' devido à posição, mas não era esse o caso, outra é dizer 'Não dá para perceber' quando a criança estava ali de perna aberta. Continuou a eco sem revelar mais nada, vendo-se apenas com maior nitidez as mãozinhas, os pés, os dedos, mas o tempo despendido na medição dos mesmos não foi nada de especial. No final, quando estava quase a terminar, voltei a insistir:'Então mas e o sexo, não dá mesmo para saber?' e o 'sr. doutor' lá disse: 'Existe 95% de hipóteses de ser menina'... assim... sem qualquer tipo de preparação, sem qualquer tipo de entusiasmo... para agudizar ainda mais a minha desilusão, as fotos tiradas resumiram-se à nuca e nada mais. Não fiquei com uma única foto do rosto da 'piquena', ao contrário da eco das 12 semanas...
Saí do gabinete meio enervada com a situação e perguntei na recepção se a eco que tinha feito se tratava da morfológica. A resposta deixou-me ainda mais baralhada: 'Isso só a sua médica poderá responder. Se ela achar que tem de repetir a eco, terá de voltar a fazê-la às 22 semanas'... Escusado será dizer que tentei falar com a minha médica várias vezes, deixei-lhe mensagem e até agora nem um único telefonema.
Será demasiado prepotente da minha parte dizer que acho que há cada vez menos bons médicos? É que eu pareço atrair os piores de todos! chiça!
E pronto, foi assim que ficámos a saber que vem aí uma menina. Neste momento pesa 368 gramas, mede 182 mm de perímetro cefálico (vem a ser um verdadeiro 'crânio' esta minha filha) e 33 mm de fémur (e pernilonga como a mãe!)

Será ainda do mesmo signo que eu: escorpião!
(a coisa promete!)

sábado, junho 21, 2008

estranhos em casa



















É lixada a sensação de abrir as portas da nossa casa a completos estranhos que assim, numa breve questão de minutos, percorrem todas as nossas divisões com olhos inquisidores, levantam questões e torcem o nariz quando algo não é do seu agrado. Foi uma sensação difícil de gerir, principalmente quando passámos a manhã toda a limpar e a arrumar que nem uns loucos, deixando a casa quase mais impecável do que quando a acomprámos. (ok, eu estou a hiperbolizar sim, mas foi uma limpeza 'a fundo'!!) Para quê, pergunto-me eu? A visita foi feita em 5 minutos e o vendedor, na minha opinião, não soube tirar proveito das mais valias da casa, tendo eu de intervir em algumas situações. No final, já depois da porta fechada e de as 'visitas' sairem, ficou connosco a falar por uns breves minutos, fazendo o relato das impressões dos nossos 'convidados'. Aparentemente AMARAM a casa, dando-nos inclusive os parabéns pelo 'bom gosto', mas a rapariga - uma vez que se tratava de um jovem casal - não gostou da divisão do escritório, referindo de que o mesmo não se podia considerar um quarto e que caso quisessem ter filhos, que dali não podia fazer nada. Rematou o vendedor com 'pois, ela inclusive deduziu que fosse esse o motivo pelo qual estão a vender a casa, uma vez que está grávida'. Epá, o comentário irritou-me solenemente! Não, não foi esse o motivo e ele sabe-o, mas lá está, não foi capaz de argumentar ou contrapor a observação! O motivo que nos leva a vender a nossa bela casa agora que eu 'estou grávida', é porque pagamos duas hipotecas e com um filho a caminho será insustentável continuar com as despesas que temos só em empréstimos, por isso, faz mais sentido, optarmos pela maior e com a renda mais barata! Assim, ganhou a da Ericeira e vende-se a de Lisboa, que nos pesa em muito no nosso cada vez mais limitado orçamento. Mas se não houvesse uma segunda hipótese continuaríamos aqui sim, e ali seria sem dúvida, o quarto do bebé.
Fiquei o dia todo com a porcaria da visita entalada na garganta. Depois, decidi ir à net e procurar a casa no site da imobiliária... mais outra surpresa que me deixou de tripa virada. Pude verificar que as fotos que enviámos estão lá todas sim senhor, mas caracterização da casa, falando das suas mais valias, nem vê-la! Apenas a seguinte descrição 'Apartamento lindíssimo. Obras recentes', ao contrário de outros que bem inferiores ao nosso em extras e equipamento - como aspiração central, aquecimento central, etc - têm o paleio todo lá, destacando pontos fortes, como supermercados perto ou serviços de utilidade pública. Ora, nós, mesmo em frente, temos um centro de saúde e uma creche e isso aparece mencionado? Nnaaaa, para quê?...
Assim não vai ser fácil!

sexta-feira, junho 20, 2008

Us


















Nós somos o duo dinâmico, o Tio Patinhas e o Gastão, o Pato Donald e a Margarida, o Luke e Luke e o Rantanplam, o Astérix e o Obélix (sendo que eu estou cada vez mais parecida com o Óbelix!!) e fazemos tudo em conjunto (mas não somos daqueles casais melosos e insuportáveis, só para que conste, ok? Porque esses eu também abomino!!) e a verdade é que desde que estou grávida, noto da parte do C. uma preocupação ainda maior comigo, apesar de ser um 'dá e tira', pois tanto gosta de me irritar como me cobre de beijos. Hoje na Mac, virou-se para mim e disse: 'Fogo, vocês grávidas são todas iguais! Tem tudo mau humor por causa das hormonas! Estava ali um casal em que a mulher, parecias tu, tudo o que ele dizia ou fazia, ela ia aos arames' Eu não pude deixar de rir com o comentário, porque é verdade! Ando super refilona e sem qualquer ponta de paciência e ele lá se vai rindo e levando tudo com ligeireza como é típico dele! Se calhar, se fosse outro, já me tinha mandado pastar! (Deus o conserve assim durante muitos e longos anos!! lol)
Como já referi fui à Mac e por lá fiquei à espera de ser atendida das nove à uma da tarde! Por fim, quando me chamaram, fui atendida por uma médica super intragável que se melindrou com o meu comentário de que tinha perdido a manhã toda à espera de ser vista e que a minha sorte era estar de férias, porque se estivesse a trabalhar as coisas podiam ser mais complicadas. Deu-me um raspanete que só visto, para logo de seguida passar o resto da consulta sempre de nariz empinado e ar altivo. Como não sou de me ficar, disse sempre de minha justiça, não lhe mostrando nem um pouco os dentes e sem qualquer tipo de simpatia. Se apanhar uma destas no dia do parto, vai ser lindo!!
Depois de explicar a minha situação e o porquê de ter sido encaminhada para as consultas de risco da MAC, lá decidiu encaminhar-me para o centro de DPN para uma outra consulta - que ocorrerá ainda este mês - e onde irão analisar o meu caso relativamente à ictiose - dizendo-me se é possível fazer algum tipo de diagnóstico pré-natal que me permita saber se o feto vem ou não com a doença, apesar de as minhas expectativas relativamente a este assunto, serem muito reduzidas ou quase nulas.
Para além de me ter encaminhado para o DPN, a médica da consulta externa, terminou a consulta de hoje com a marcação de uma nova consulta, para finais de Julho, mandando-me ainda parar com o ácido fólico que tomo diariamente para começar a tomar ferro. Quando a confrontei com o facto de ter a minha própria médica obstectra e de como é que fazia a partir de agora, se ia a uma ou a outra, a senhora não resistiu a mandar a sua boca vitoriosa e saiu-se com esta 'pérola': 'Pois, o melhor é decidir não é? Se está a pensar ter o parto aqui, se calhar deveria continuar a ser seguida nas consultas daqui, mas se na sua médica consegue ser atendida mais depressa para ter tempo para a sua vida profissional, a senhora é que sabe'. 'Eta' mulherzinha ressabiada...
Bom, depois da seca que apanhámos na maternidade, ainda tratámos de papelada na loja do cidadão e finalmente, rumámos até à praia para mais um fim de tarde espectacular! Há que aproveitar, porque em uma semana de férias, apenas fui duas míseras tardes à praia, mas pronto, sempre deu para ficar com umas insípidas marcas de biquíni.
Entretanto, já estávamos em casa a preparar o nosso belo jantar - uma sardinhada - quando toca o telefone. Era o vendedor da nossa casa - que foi ontem colocada oficialmente à venda - e amanhã já teremos a primeira visita! Claro que ficámos logo extasiados e em estado de sítio ao mesmo tempo, pois começámos a pensar em arrumar e limpar tudo e metemos imediatamente mãos à obra. Estamos a rezar aos santinhos todos para conseguirmos vender esta casa antes de o bebé nascer e ficar mais desafogados e era bom que conseguíssemos fechar negócio ainda antes de nos mudarmos para a Ericeira e de a casa estar completamente vazia. Não é para me gabar, mas sei que ela mobilada tem outro encanto e qualquer pessoa que aqui entra, geralmente fica rendida.
Vejamos o que nos espera amanhã. Eu e a formiga já estamos a fazer figas! (até com os dedos dos pés!)

quarta-feira, junho 18, 2008

sabor a(mar)


















Hoje lá consegui convencer o C. a darmos um saltinho até à praia. Apesar de inicialmente ter torcido o nariz, depois até gostou e rumámos até à praia da Morena na Costa da Caparica, para um peixinho grelhado no carvão, seguido de uns banhos de sol de barriga ao léu nas espreguiçadeiras em frente ao restaurante Borda D´àgua. Foi o primeiro dia desta semana que me soube realmente a férias, sem termos compromissos para despachar, papelada para tratar ou estar em algum sítio à hora marcada. Hoje andámos ao sabor das horas e da vontade e foi realmente muito bom. Melhor era mesmo estar um bocadinho mais de calor e menos vento, que me permitisse ficar bronzeada, mas pronto, não se pode ter tudo.
A grande novidade do dia é que recebi um email da Diane... pois, a 'famosa' Diane, a minha 'amiga' belga que engravidou e deixou de me falar do dia para a noite. Pois bem, passado meio ano e vários emails meus pelo meio, a Diane lá deve ter tido um ataque de consciência e decidido que eu merecia uma explicação da parte dela sob a forma de um email. Acontece que eu quando o recebi, não tive propriamente a reacção que esperava e sinceramente, o tom utilizado no email ainda me deixou mais magoada. Ela não me culpava de nada do que tinha acontecido... aliás, como podia? Foi ela que se afastou de mim, mas o email era pouco coerente e de certa forma, quase desprendido, como se nele estivesse patente algo como, 'sim, eu sei que errei, mas tive razões para o fazer'. Era um email sem sentimento implícito, sem um pedido de desculpas sincero, sem estar ali de alma e coração. E eu acho que merecia isso, nem sei explicar. Tentei tantas vezes falar com ela, fiquei tão magoada com a forma como ela me tratou durante todo este tempo, que acalentei durante o mesmo, o desejo de que ela algum dia 'caísse' em si e me escrevesse um email com um pedido de desculpas sincero. Em parte o meu desejo foi atendido. Ela de facto escreveu-me um email, mas eu senti que não era verdadeiro nem completamente honesto. Era quase um 'descargo de consciência' e isso, magoou-me ainda mais.
Fiquei indecisa quanto ao facto de se lhe havia de dar o mesmo silêncio e desprezo moral com que ela me tratou durante todo este tempo, ou se pelo contrário, lhe dizia umas quantas coisas que estavam aqui entaladas à espera de serem soltas. Depois de alguma ponderação, decidi-me pela segunda, pois verdade seja dita, nunca fui pessoa de ficar com coisas por dizer. Assim, escrevi-lhe um email onde lhe disse preto no branco tudo aquilo que ela me fez sentir, a forma como me tratou e também, como eu esperava que ela me tivesse em consideração após tantos anos a falar com ela na net, a partilhar a minha vida com ela, e até, em recebê-la em minha própria casa. Disse ainda, que agora que estou grávida, posso afirmar com toda a certeza de que nunca faria a uma amiga o mesmo que ela me fez: o de afastar-me completamente dela, só porque 'eu estou grávida' e 'tu não estás'. Esse comportamento é imaturo e infantil. Eu sempre mostrei a minha felicidade ao saber que ela ia ser mãe e sempre lhe disse que ela o merecia mais do que ninguém, depois de tudo aquilo pelo qual tinha passado. Os verdadeiros amigos partilham as alegrias e as tristezas uns dos outros e sinceramente, depois de tudo o que ela me mostrou e fez nestes últimos meses, senti-me usada. Senti que a nossa amizade tinha sido uma mentira e que ela apenas necessitou do meu apoio enquanto passava por todo o processo da fertilização in vitro e não conseguia o tão desejado bebé, porque a partir do momento em que engravidou eu deixei de existir.
Bom, a verdade é que o meu email deve ter caído que nem uma bomba no 'outro' lado, porque hoje quando cheguei da praia, tinha uma resposta da Diane, pedindo-me novamente desculpa e dando-me razão em tudo o que dizia. Mas não explicou porque o fez, nem quais os motivos, apenas disse que 'estava confusa' durante a gravidez e que se preocupa comigo...
Decidi que não lhe irei responder mais. Para mim, acabou. Disse aquilo que sentia necessidade de dizer e mostrei o quão magoada fiquei com ela. Devo muito à Diane é certo. Se não fosse ela eu nunca saberia as possibilidades que teria para ter um filho saudável (mesmo que não me tenham servido de nada e apenas prolongado o meu sonho de ser mãe e aumentado a minha angústia). Ela foi a primeira pessoa que eu conheci com ictiose para além da minha mãe, tem a minha idade e partilhámos muita coisa, desabafámos muito, mas depois de tudo isto, senti e continuo a sentir, que eu não passei de uma 'ajuda' enquanto ela não alcançava o seu objectivo. Alguém com quem chorava as mágoas. Sofri bastante quando vi o desprezo com que me tratou durante meses, não respondendo aos meus emails, colocando-se offline no msg sempre que tentava falar com ela, ou nem respondendo aos meus sms. Este tipo de atitude eu não esqueço e não considero justificável a desculpa do 'estava confusa durante a gravidez'.
Eu também estou grávida, mas os meus princípios morais continuam intactos.
Posso não ter a sorte da Diane em ter um filho saudável e completamente isento da doença que partilhamos como ela teve, uma menina linda, completamente perfeita. Mas será o meu tão desejado e amado filho(a), com ictiose ou sem ela.
Não lhe desejo qualquer mal, nem lhe tenho rancor, tenho apenas uma enorme mágoa... mágoa essa que de momento não me permite sequer, perdoar-lhe.

Para terminar este post de uma forma mais 'saudável' e menos negativa, informo que criei um blogue (Outro? sim, outro!!), desta vez dedicado apenas e só à 'formiga'. Chama-se 'De Casulo a Borboleta' e será público (ao contrário deste), mas também inteiramente dedicado à minha gravidez e futuro rebento. Não se admirem se virem alguns posts repetidos no que diz respeito à criança ou experiências com enxoval, roupinhas, indecisões maternais e afins, porque não deixarei de o fazer neste à mesma, mas tentarei também mostrar a todas as mães, futuras mães ou simplesmente interessadas, que visitem a minha nova página, algumas experiências desta minha nova 'jornada'.
Aqui fica o endereço: http://www.decasuloaborboleta.blogspot.com/
Guardem-no, partilhem-no e visitem! :D

terça-feira, junho 17, 2008

sex in the city

Ontem fomos ver o tão aguardado e desejado filme 'Sex in the City' e eu, que sempre fui uma admiradora assumidíssima da série, saí de lá com um sério amargo de boca. Para mim, o filme foi incongruente para com a série, não lhe fazendo justiça e trespassando aquela realidade - já de si pouco real - para um universo ainda mais inalcançável e intransponível, que leva as comuns das mortais a sonhar sim, mas a identificarem-se cada vez menos com os personagens.
De repente a Carrie é estupidamente rica. Como? Pois que não sei, pelos vistos devido aos 3 livros que já vendeu e à colaboração com a revista Vogue... tem dinheiro para comprar malas da Chanel e da Louis Vuitton como quem vai à feira de Carcavelos, remodela o apartamento todo, contrata uma assistente pessoal... enfim, e depois, havia partes que eu achei realmente monótonas, outras em que tive a sensação de que por ser filme, tinham de meter lá tudo mas que no fim, espremido, dáva pouco sumo, e terceiro - aquela que mais me 'chocou' a retina - foi mesmo o desfilar de marcas de griffe das grandes casas da alta costura, numa publicidade descarada aos mais diversos 'patrocinadores' do filme... de Dior, à Macintosh estava lá tudo.
Claro, eu compreendo que uma série e agora um filme, como o Sexo e a Cidade, é a oportunidade perfeita para todos os costureiros desfilarem as suas melhores peças e a Sarah Jessica Parker, de parva teve pouco, quando exigiu que no seu contrato estivesse a claúsula que lhe permitia ficar com todas as roupas que vestiu nas cenas (quem não quereria?) Mas mesmo assim, achei abusivo ver malas da Escada da colecção de Primavera-Verão na Miranda, como quem vê um cesto de praia, ou o jipe da Mercedes que a Samantha guiava, que ainda nem foi lançado no mercado, ou até, o iphone, assim, à descarada, para ser o telemóvel da 'chamada' no dia do casamento... O filme tornou-se uma elite dentro de uma série de culto e no meio de uma história que nem mexeu muito comigo, acho que foi mesmo essa parte que eu não suportei.
Mas pronto, confesso que também eu me perderia por aquele maravilhoso vestido de casamento da Vivienne Westwood... era 'so, so, me'....