segunda-feira, janeiro 11, 2010

quotidiano

A minha casa parece um enorme playground. Não há divisão nenhuma que não tenha carradas de tralha dela espalhada por todo o lado.



Mas eu gosto. :)




















(Tomei uma resolução para 2010 - voltar a fotografar o meu dia a dia como fazia em antigos blogues - voltar a captar a essência e beleza das coisas, das pequenas coisas. Voltar a sentir e a sorrir com elas.)

domingo, janeiro 10, 2010

'i'


Eu adoro o jornal 'i'. É que gosto mesmo. Um dos meus rituais preferidos do momento, depois de deixar a Madalena na creche, é seguir até à cafetaria/café com as coisas mais deliciosas que existem na zona de Mafra - bem pertinho do Mosteiro - comprar o jornal i no quiosque que há ao lado, pedir uma bolinha com fiambre e manteiga mal cozida, um abatanado em chávena grande e sentar-me, calmamente, sem pressas nem horários, a ler o 'i'. É o meu verdadeiro luxo.
Fico ali perto de uma hora, às vezes quase a manhã toda, devorando o jornal de uma ponta à outra. E nem me incomodo nada por estar sozinha, coisa que durante anos me deixava sempre insegura.
Gosto do facto do jornal ser a cores. Sempre achei os jornais maçudos e aborrecidos por serem tão cinzentos. Talvez por isso sempre tenha preferido as revistas, as grandes fotos, as produções, onde se respira qualquer coisa, onde se sonha, onde se sente com mais calor. Mas com o 'i' isso já não acontece.
Gosto da forma séria mas descontraída com que os assuntos são abordados. Consigo-os perceber todos (ahahahahaha), mas é verdade, a maior parte dos jornais é tão 'rectilínea' naquilo que escreve, que se perde o essencial. Fica-se com um estilo afastado da realidade, com uma mensagem que acaba deturpada ao leitor. E eu gosto das coisas simples. E com humor. Por isso gosto do 'i'.
Também gosto das ilustrações, das caixas com pequenas doses de informação, da secção regional - que na maioria dos jornais é das mais desinteressantes ou bizarras - das capas, dos títulos, das crónicas do Pedro Rolo Duarte (personagem que deixei de simpatizar desde que fui passar um fds para um turismo rural algures no Alentejo e ele também lá estava, amigo que era da proprietária...), do design jovem e arrojado, de saber que afinal ainda há espaço para um novo e diferente tipo de jornalismo em Portugal, mesmo quando todos dizem que vamos dar um tiro no pé, que é a morte à nascença.
Gosto tanto do 'i' que enviei o meu cv para lá na esperança vã de despertar a atenção de alguém, mesmo sabendo que neste momento, a minha vida - com filhos e a morar longe demais do que devia - não me permite entrar na engrenagem de um jornal diário. E o director respondeu-me, mostrando-se muito simpático e acessível, desejando-me inclusive 'bom ano', mas com a notícia de que 'de momento não estamos a recrutar'. Epá, que bom espírito, que simpáticos, que bem-educados!
Eu gostei, aliás, atrevo-me a dizer, que ainda fiquei a gostar mais do 'i'.
Mesmo que me ache demasiado inferior para fazer parte de semelhante qualidade.

dúvida






Marilyn Monroe was once quoted as saying that:



"Imitation is the most sincere form of flattery."

E vocês, concordam?

sexta-feira, janeiro 08, 2010

filhos a correr

Numa curta ronda pelos babyblogues que costumava visitar e comentar pela internet, apercebo-me de que existe uma série de mães, com filhos da idade da Madalena e pouco mais velhos, que já estão grávidas e bem adiantadas do segundo. Fiquei estupefacta! Como deixei de actualizar o blogue da Madalena, raramente lá vou e raramente leio os blogues que costumava visitar. Acho que ganhei uma aversão a babyblogues e por isso, passam-se dias sem ir ver as actualizações.
Às vezes bate a saudade de lá escrever, principalmente porque me obrigava a fazer um registo activo e diário da evolução dela que agora se perdeu. Já quase nem a fotografo e ainda ontem, dei por mim a pensar que desde o Ano Novo que não a fotografava e mesmo essa data, as fotos que tirei, foram poucas ou nenhumas, assim como o Natal, onde a máquina ficou sem bateria e nunca mais me lembrei de a pôr a carregar.
Mas voltando ao ponto inicial e motivo pelo qual escrevo este post, as segundas gravidezes, quando ainda se tem um filho tão pequeno, confesso que me atrofiam o cérebro. Claro que muitas vezes isso acontece por descuido, porque no pós-parto estamos a amamentar e não temos período e pensamos que isso basta e depois, 'ups-jesus-maria-josé', lá vem mais outro a caminho, mas nestes casos que vi e leio, são todas por vontade própria, porque querem engravidar, porque querem outro filho.
O gesto é bonito, sim senhora, não o nego. E corajoso! Eu seria incapaz de ter outro filho agora, principalmente quando acho que a Madalena, apesar de já ter um ano, ainda depende, tanto, mas tanto de mim. Apesar de já não ser propriamente um bebé de cólo, de já andar e de ser um pouco mais autónoma, não deixa de ser um bebé. É cada vez menos bebé e mais menina é certo, mas ainda é um bebé e como tal, precisa de uma atenção constante, de ser acompanhada, de ser estimulada, precisa do pai e da mãe a 100% e não apenas pela metade, repartindo essa metade entre o trabalho dos pais e a presença de um recém-nascido que nos ocupa o tempo todo com mamadas de 3 em 3 horas, fraldas, cólicas, crises de choro, noites mal dormidas and so on.
Não consigo deixar de pensar que mães que optam por engravidar, por vontade própria, de um segundo filho quando o primeiro ainda é um bebé, o fazem por puro egoísmo. É que uma pessoa quando está grávida é apaparicada até à exaustão, toda a gente nos dá lugares nas filas para passar à frente, toda a gente nos faz festas na barriga, toda a gente pergunta como estamos, preocupam-se connosco, dão-nos presentes, dedicam-nos atenção e depois, o bebé nasce e puff... tudo isso desaparece como que por magia e aquela sensação da barriga, de termos um ser a crescer dentro de nós, de sermos um só e não dois, acaba e fica uma espécie de vazio que nos deixa muitas saudades. De objecto de atenção a sermos criticadas é um passo... e dos curtos! Seja porque a criança não mama correctamente, seja porque chora, seja pelo que for, os motivos para toda a gente abrir a boca e mandar bitaites sobre maternidade são tantos que nem adianta aqui falar deles.
Claro que eu gostaria muito de dar, um dia mais tarde, um irmão(ã) à Madalena. Não queria que ela, há semelhança de mim e do pai, fosse filha única. Eu gostava de ter tido irmãos, nem que fosse para andar à porrada com eles, pois acho que isso, certamente, faria de mim uma pessoa mais tolerante e melhor do que aquilo que sou. Acho, mas não tenho a certeza. Mas não gostaria neste momento de estar grávida, nem de descobrir que estava grávida, pois isso seria a antítese daquilo que senti quando descobri que estava grávida da Madalena e que foi, felicidade pura.
E um filho deve vir assim, num acto de pura felicidade, por isso, eu nem devia de estar aqui a 'julgar' quem engravida de um segundo porque quer. No fundo, nem se trata de julgar, é apenas um desabafo, um comentário, porque comigo, que abdiquei de tudo por ela, agora é hora de retomar a vida que tinha antes e voltar a sentir-me a 'Mafalda' e não apenas a 'mãe'. Para mim, essa é a minha prioridade do momento, e ela, claro. Além do mais, a Madalena, depois de uma fase muito complicada de se lidar entre os 6 e o 12 meses, agora está simplesmente DE-LI-CI-O-SA! Confesso que tive muitas alturas em que perguntei a mim mesma: 'onde é que estava com a cabeça quando decidi ter um filho' e se ela foi desejada e se eu pensava que estava preparada...
Mas descobri que nada nem ninguém nos prepara para a chegada de um bebé que é tão surpreendente quanto assustador. Há dias maravilhosos e em que tudo corre bem e há dias em que parece um inferno, em que duvidamos das nossas capacidades, em que nos sentimos deprimidas, mentecaptas e incapazes. E eu, que não tive nenhuma depressão pós-parto porque andava nas nuvens nos primeiros 6 meses, confesso que nos seguintes bati no fundo. A Madalena berrava a maior parte do dia, não estava bem de maneira nenhuma, eu não tinha ninguém com quem a deixar, nem pais, nem sogros, nem ama, nem uma simples empregada doméstica ou mulher a dias que viesse cá a casa passar as pilhas de roupa que acumulam sem dó nem piedade e senti-me cada vez mais sufocada, cada vez mais sozinha, cada vez menos eu, sem ninguém a quem recorrer.
Só agora, que ela está mais calma, cheia de graças, que nos dá boas e completas noites de sono, que fala e interage comigo, que a consigo perceber, que me faz rir e que foi para a escolinha, dando-me tempo e espaço para eu própria respirar, é que consigo voltar a sentir as delícias da maternidade em pleno e, talvez por isso, não consiga compreender a vontade e o desejo de certas mulheres em engravidarem logo após o nascimento de um filho.
Mas isso sou eu, que sou um ser complicado por natureza.

quinta-feira, janeiro 07, 2010

mais um episódio daqueles meus, só meus...

Ainda não tinha aqui escrito sobre algo que me aconteceu no último dia do ano de 2009, ou penúltimo, já nem me recordo bem, só sei que foi a seguir ao Natal e àquele dia em que a zona do Oeste, Ericeira incluída, acordou para a devastação provocada por um 'ciclone tropical'.
Pois bem, na manhã desse dia, quando saí de casa - já nem me lembro onde tinha de ir - dirigi-me à garagem para tirar o carro como sempre faço. O nosso lugar de estacionamento é estreito e de todos os lugares de estacionamento do prédio é, provavelmente, o mais ingrato e piorzinho deles todos. De um lado uma parede do outro um pilar. Como se isto não fosse já de si mau sinal, o meu homem, ao longo deste ano e meio em que residimos por aqui, decidiu encher aqueles esparco lugar de estacionamento de tralha! Ele é sacas com lenha que os meus sogros trazem aos magotes da terra, ele é latas de tinta de 5 quilos, ele é pedras da antiga lareira que foi destruída para dar lugar à nova quando fizemos obras e que esperam ir para o lixo, ele é coisas que já não consegue arrumar na arrecadação, ele é caixas de televisores tamanho XL.
E é sobre estas ditas caixas que eu quero mesmo falar.
Eu já tinha, encostada à parede da frente, uma caixa - quando comprámos o LCD mais pequeno no Natal de 2008 - e em que ele, com a desculpa esfarrapada do: 'pode sempre ser preciso trocar, levar à loja e por isso, fica aqui por uns dias', decidiu guardar. Mas os dias transformaram-se em semanas, as semanas em meses e a porcaria da caixa, além de me roubar lugar ao estacionamento, ainda lá estava.
Depois, dias antes deste último Natal, ele decide trocar o velho televisor da sala por um mega LCD e espetar-me com outro caixote no lugar de estacionamento, desta vez ao lado da porta do condutor, o que significava que quando queria sair ou entrar no carro, tinha aquele 'mono' a reduzir-me os movimentos e o espaço. (Convém também referir que só eu estaciono naquele lugar porque o meu carro é pequenino e cabe lá, por isso, as caixas só a mim me incomodavam!)
Pois bem, como estava eu a contar, nessa manhã, eu vi as caixas e passei-me! Decidi que se ele não as levava dali até ao ecoponto mais próximo era eu que as tirava, mesmo sem saber como, mas tirava! E a solução que encontrei, depois de andar às voltas com os caixotes e a tentar metê-las à força no banco traseiro do carro mas sem sucesso, foi enfiá-los na bagageira e ir com a porta da mesma aberta.
Dito e feito. Enfiei as caixas na bagageira, deixei a porta aberta, sentei-me no lugar do condutor, abri o portão automático da garagem e eis-me decidida a fazer-me à vida.
Acontece que a minha garagem tem uma enorme rampa de acesso e essa mesma rampa estava cheia de lixo do temporal da noite anterior. O meu carro, que ainda estava frio por ter estado toda a noite parado e eu não lhe ter dado tempo suficiente para aquecer, foi-se abaixo a meio da subida e quando eu já tinha clicado no comando do portão automático para o fechar. Ainda puxei do travão de mão - sem sucesso - e liguei-o à velocidade da luz, dando força no acelerador para ver se o gajo subia a rampa, mas nada, os pneus (que estão meio carecas e a precisar de serem substituídos) patinavam em todo o lixo e porcaria que havia no chão, sem qualquer tipo de aderência e comigo a ficar seriamente assustada por sentir o carro a deslizar. De repente, e sem ter tempo para mais nada, só ouvi um 'pum-pum-pum-pum-pum-pum-pum-pum' monstruoso...
O que era? Ainda fiquei uns tempos sem perceber muito bem a razão de tal barulho, como se todo o meu cérebro estivesse desprovido de inteligência e lá dentro só houvesse vento, há semelhança do que tinha acontecido na madrugada anterior, mas na realidade, aquele som era, nada mais nada menos, do que o portão a fechar e a bater em cima da porta da bagageira que estava aberta por causa da porcaria das caixas...
Quando acordei para a realidade, lá tive a reacção de clicar novamente no comando para abrir o portão e deixei-me deslizar até ao interior da garagem com as pernas todas a tremer do susto. Só pensava que a porta da bagageira devia de estar estilhaçada em mil pedaços, que era bem feito para eu aprender a não me dar ataques de fúria irracionais e de limpeza repentinos e que agora bem o podia ouvir, a ralhar comigo, como se fosse uma criança inconsciente.
Quando parei, saí do carro e corri para a traseira para ver o estrago e qual não foi o meu espanto quando verifiquei que não havia nada! 'Oba, oba' - pensei eu - 'desta já me safei!!' E pronto, preparada e com tudo devidamente no sítio e em ordem, contentinha da silva por tudo não ter passado de um episódio surreal assustador, lá consegui sair da garagem formosa e segura.
Foi só quando estava a tirar as caixas para as colocar no ecoponto que verifiquei que afinal, a porta não estava assim tão 'inteira' quanto isso... tenho uma parte, em baixo, amolgada, a pintura estalou e daí a ficar ferrugenta vai ser um passo.
Só mais tarde é que tive coragem de contar ao Carlos a minha avaria, que claro, me deu na cabeça na mesma.
Diz que tem ali despesa para perto de 700 euros, que será necessário substituir a porta toda, que só tenho ideias loucas, que estou sempre a 'aprontar'.
Ele até tem razão no que diz, até oiço a consciência a pesar, mas pronto, que me livrei das caixas, livrei!

Sabem qual é o cúmulo do azar?

Não? Então eu explico! O cúmulo do azar é pedinchar ao marido cremes da Clinique pelo Natal, porque isto quando se está na casa dos 30 a malta começa a gostar de umas coisinhas mais refinadas - e os da marca Nivea, apesar de baratinhos, não fazem grande coisa pelas rugas e flacidez já instaladas - e o gajo comprar duas caixas cheias deles! Sim, isso mesmo, 2 caixas!
Do serúm, ao hidratante, do desmaquilhante ao sabonete em creme, da máscara facial ao tónico, da maquilhagem ao creme de corpo e de mãos e ainda uma bolsinha toda bonita em tons de rosa cheia de amostras lá dentro! (pudera, com a pipa de massa que o gajo gastou nisto tudo, a vendedora lá foi uma 'mãos largas' (uau)...)
Bom, dá para ter uma ideia não dá? Eu parecia uma criança numa loja de doces quando abri e vi aquilo tudo, porque na verdade, só lhe tinha pedido o creme para o rosto e o desmaquilhante, porque sei que são caros, porque sei quanto gasto quando cometo o devaneio de comprar os dois!
E ele surpreendeu-me, pois claro, e deu-me muito mais do que esperava, numa forma clara de me mimar e ver-me feliz. Só há um senão: os cremes são para peles secas a super-secas e eu, apesar de ter a pele do corpo super-super seca, a do rosto, curiosamente, é mista e com tendência a oleosa! Logo, os cremes da Clinique, bons, caros e que geralmente fazem maravilhas à minha cara, deixando-a luminosa, limpa e hidratada estão a ter o efeito contrário e estou, neste momento, com o queixo cheio de borbulhas que teimam em não passar e com a pele toda a estalar, numa reacção marada que me deixa a agonizar cada vez que me vejo ao espelho.
Claro que só reparei nesse 'pequeno' grande pormenor depois de já ter usado TUDO, logo, nem podem ser trocados porque já foram abertos... E como eu me recuso a deixar uma quantidade de produtos da Clinique - como eu nunca tive na vida - ao abandono, continuo a aplicá-los diariamente, duas vezes por dia, de manhã e à noite, esperando que esta reacção alérgica seja provocada por tudo, menos por eles.
Mas nem o programa 3 passos me salva. Estou cada vez pior.
E como tenho mau feitio, só me apetece dizer que a culpa é dele, que no dia em que foi comprá-los, não quis levar a embalagem vazia do creme que eu estava a usar. (sim, eu já sabia que ele me ia oferecer os produtos, porque lhos pedi, por isso, não havia surpresas.) Se ele o tivesse feito, como lhe pedi na altura, nada disto tinha acontecido, a senhora da loja tinha visto o creme correcto, para o tipo de pele certa, eu não estava neste estado miserável de 'muda da pele' e ele não tinha gasto dinheiro desnecessariamente. Mas não, como é cabeça no ar e acha que meia informação basta, acaba por fazer as coisas, mas de forma errada.
Pronto, chamem-me ingrata, eu sei, mas não suporto a ideia de ter ali os produtos, saber que eles custam os olhos da cara e não os poder usar porque me fazem mal!
Só me apetece fazer birra e espernear que nem as crianças pequenas!
Buáááááá!!! :(

terça-feira, janeiro 05, 2010

Tenho a miúda em casa. Again. Desde o Natal que anda adoentada. Ora tem picos de febre, ora tem tosse, ora o peito dela pia que nem uma chaleira ao lume. A coisa até podia ter melhorado não fosse a médica ter estado de férias, não me atender o telefone e eu me recusar a levá-la ao hospital. Primeiro teve sapinhos e o apetite evaporou-se. Não quer sopa, não quer sólidos, não quer iogurtes, nem boiões de fruta, nem bolachas, nem nada de nada. Só quer leite e mal e por isso, a hora da refeição, transformou-se num pequeno inferno. Depois dos sapinhos juntou-se uma enorme crise de dentes... os caninos estão a romper (um já está de fora) e o outro a caminho, com eles, os dois pré-molares inferiores. Não admira o estado de espírito da rapariga. Calculo que não seja fácil.
Depois veio a febre, o rabinho assado, os rios de baba, a tosse de 'cão' e o ranho... verde!
Ugh!
Era imperativo: ela tinha de ir ao médico. E foi. E o resultado nem eu sei muito bem, só sei que tem o peito cheio de porcaria e que precisa de limpar. Os aerossóis que temos feito não têm dado resultado, mas temos de os continuar a fazer. Colocar-lhe soro fisiológico no nariz é algo que só filmado, porque tenho, literalmente, de lhe prender os braços e pernas, fazer peso com o meu corpo sobre o corpo dela - numa luta quase greco-romano - para lhe conseguir, à pressa, disparar umas esborrifadelas enquanto ela grita e berra desalmadamente. Tirar-lhe a febre é outro drama. Detesta. Colocar-lhe supositórios, idem.
Só gosta de beber xaropes. Aí sim, é vê-la toda contente a abrir a boca quando me vê de frasco em punho e embora ande há quase uma semana a tomar brufen e xarope para a tosse, a coisa não melhorou e atacámos hoje com o antibiótico.
Espera-me assim outra semana inteira com ela em casa, depois de ter ficado comigo - e de me ter posto a cabeça em água - a semana passada.
Logo agora, que preciso de me concentrar em pesquisar, enviar currículos e aproveitar todos os dias e horas ao máximo nesta corrida inglória contra o tempo.
Bem sei que a saúde dela é a causa mais prioritária neste momento, o pior, é que eu com ela em casa não consigo fazer nada! E tarefas como: estar ao computador, passar a ferro, ir ao supermercado, ir à segurança social, iada, iada, iada, demoram o dobro, senão o triplo do tempo.
Assim não há santo que me valha!
Posso ir ali blasfemar a minha triste sina? Posso?

segunda-feira, janeiro 04, 2010

saldos


O ano começou e hoje estreei-me nos saldos. Não resisti. E o balanço até nem foi mau, senão vejamos:


2 camisinhas meio 'punk-rock' a 9€ (agora ando assim, a querer ser 'cool' e 'edgy', o que é que se há-de fazer?), um vestido cinzento de lã (ou será camisola?), quentinho, confortável e básico - o que significa que fica bem com tudo - a 12€, uma casaquinha preta - já a pensar numa eventual entrevista que possa surgir e que exija um visual mais formal, embora ousado - com tachas a toda a volta e chique a valer.

Mas a peça que me fez dar piruetas de contentamento, aquela que valeu mesmo a pena esta primeira incursão pelas 'rebajas' tugas, foi descobrir um fantástico macacão de tecido acetinado, de cor indefinida - entre o castanho, o bege e o camel - lindo, lindo de morrer e super fashiioooooonnnn pela módica quantia de 12€!


Pena é que só o possa usar no Verão.

domingo, janeiro 03, 2010

os primeiros dias de 2010

O novo ano não começou da melhor maneira. Muita tosse, alguma febre, muita farfalheira e ranho e muito desespero e paciência para que ela coma qualquer coisa... e quando digo qualquer coisa, é mesmo qualquer coisa, porque não anda a comer nada! Só bebe leite e mesmo assim é pouco.
Estou há uma semana com ela em casa a tempo inteiro e sinto-me a enlouquecer. Houve dias em que estava tão rabugenta e insuportável que só me apetecia gritar ou enfiar a cabeça debaixo de um combóio. Também não anda a dormir nada de jeito durante o dia. Sestas de 20 minutos e pronto, acorda. Nem um banho decente consigo tomar. E, como anda doentinha, só quer colo, mimo e a mãe, pelo que não consigo fazer nada sem ela atrás de mim.
No último dia de 2009 e enquanto nos preparávamos para sair e metermo-nos à estrada para ir passar a passagem de ano a casa de amigos, a Madalena testava os nossos limites com uma birra descomunal de sono e sei lá mais o quê, que se prolongou durante quase toda a viagem com gemidos, guinchos e choro constante. Sentia-me a stressar e prestes a explodir. Confesso que lhe levantei a voz umas quantas vezes e tive alturas em que só me apetecia dar-lhe uma palmada, mas lá me controlei.
Só sossegou na casa dos avós - quando parámos para lhes dar um beijo - e quando chegámos a Alcobaça e se viu rodeada de outras crianças. Só aí ficou excitadíssima e esqueceu de nos azucrinar a paciência. Sinceramente, acho que também ela está farta de mim e de me ter em casa a tempo inteiro...
A passagem de ano foi calma. Rodeada com um casal amigo de longa data e as suas filhas, mais a família dela toda - que é quase como se fosse minha também - mais uns quantos casais amigos deles que se juntaram ao jantar e acabaram por ficar por lá a passar a meia noite. É o que dá ter uma casa grande pronta a receber visitas e pessoal com crianças pequenas que tem, quase por opção, de passar necessariamente estas datas festivas 'indoors'. Claro que não me livrei de cozinhar - já é da praxe - e de ter de trabalhar como se estivesse em minha casa. (malvada sina a de uma mulher, nunca se livra da porcaria dos tachos...) e além dos doces que levei, ainda ajudei a preparar o jantar e o almoço do dia seguinte. A Madalena acordou 3 minutos antes da meia-noite numa gritaria desgraçada. Despertou com o barulho e como não reconheceu onde estava, assustou-se. Assim, acabou por passar a meia noite connosco, acordada, embora sem perceber nada do que estava a acontecer e porque motivo os pais e aquela gente toda estavam tão efusivos e barulhentos. Passado nem meia-hora acorda a Clarinha, de 10 meses, e lá ficaram as piolhas juntas na brincadeira até às 3 da manhã, altura em que o sono as venceu. Passava pouco das 5 da madrugada quando me deitei - porque fiquei na converseta na sala - e ainda nem eram 8 horas quando a Madalena acordou e desatou aos gritos. Bom... a minha cabeça, mais uma vez, parecia que ia explodir, desta vez de cansaço e de falta de horas suficientes de sono, mas ela, apesar da febre - 38,5º - estava enérgica e só queria era brincadeira. Lá a conseguimos sossegar ao fim de algum tempo e enfiá-la na nossa cama - coisa que fizemos pela primeira vez desde que nasceu - porque estávamos de rastos e queríamos dormir. Ela ainda demorou perto de hora e meia a sossegar - ora viráva-se para mim e apertáva-me o nariz, beliscáva-me as bochechas, craváva-me as unhas, puxáva-me os cabelos - ora queria sair da cama e deixar de estar ali presa.
Por fim adormeceu e nós também. Foi um alívio.
Acordámos por volta do meio dia, com ela ainda ferradinha a dormir e fomos tomar o pequeno-almoço descansados e civilizadamente. O resto do dia passou num instante e regressámos a casa já de noite. Ontem nem saímos e andámos os 3 o dia inteiro sempre em pijama numa ronha de sofá desgraçada. Hoje as coisas estão no mesmo pé, com a diferença de que o pai teve de ir trabalhar e estou sozinha com ela em casa.
Febre já não tem e hoje comeu um bocadito melhor que ontem, está bem disposta e fala pelos cotovelos, mas continua a ter muita tosse e uma farfalheira no peito que dá impressão ouvir, apesar de lhe fazer aerossóis diários.
Eu, com tanto vírus ao meu redor, fiquei meio adoentada também. Há pouco tomei umas pastilhas para a gripe e um brufén - por causa das dores no corpo - que me deixaram com uma moca de sono descomunal. Fiquei mesmo pedrada. O que me valeu foi que ela, por causa da medicação, também devia de estar de rastos e dormiu umas 4 horas seguidinhas.
Ainda me doem os pés por causa da porra dos saltos e das botas que usei na noite de 31 para 1. É o que dá querer ser fashion em casa e no meio do nada. No dia seguinte mal conseguia andar. Doía-me a planta do pé de tal forma que parecia que estava deformada, assim como os gémeos e os rins. Comi marisco que dáva para uma casa de família e nem me atrevo a pesar com medo de me dar um coisinha má, mas de vez em quando bebo chá e acho que só esse gesto já me tira de cima do lombo uns 2 quilos (no mínimo!).
Este início do ano trouxe também a constatação de que os meus amigos de longa data, aqueles que eu pensava serem o meu núcleo duro, já não o são. Este período de Natal e Ano Novo mostrou isso mesmo e provou, mais uma vez, que desde que a Madalena nasceu nós fomos quase que 'excluídos' de todos os encontros e festividades que possam acontecer. Tive a constatação esta tarde, quando estava ligada no facebook e vi que passaram a passagem de ano todos juntos mas que ninguém foi capaz de nos dizer nada. Não é que fossemos, claro que não podíamos, mas a verdade é que já nem sequer fazem conta connosco. Somos mesmo carta fora do baralho. E se não fosse a minha amiga/'irmã' de sempre a convidar-nos para irmos ter a casa dela, tínhamos passado a passagem de ano sozinhos, os 3 e em casa.
Claro que isso me magoa. Claro que isso me deixa ressentida, até porque, tenho a certeza, de que quando uma delas tiver filhos, depois sabem vir bater-nos à porta, pedir coisas emprestadas ou conselhos e eu cá estarei para as receber de braços abertos e dar tudo e mais alguma coisa, como sempre fiz, mas agora, que somos pais, moramos longe e, ainda por cima, eu estou desempregada, fogem de nós como o diabo da cruz. Morremos para a vida por assim dizer.
Por isso, uma das minhas resoluções para este ano passa por não pensar sequer que tenho amigos de longa data por assim dizer, ou que posso contar com eles, quando já vi, várias vezes, que não posso.
São cada vez mais estranhos para mim.
Constato, que o meu núcleo duro sao 3 pessoas - eu, ele e ela - e é só.
Sinto falta deles, mas ultimamente, as acções praticadas têm-me deixado mais magoada do que propriamente contente com o rumo das coisas. Há pessoas que eu, pura e simplesmente, deixei de 'conhecer', de saber como estão, o que fazem, como vão... Por isso, em 2010, eu vou centrar-me apenas no essencial, tal como já referi no post anterior, e eliminar quem não interessa da minha vida.
Mesmo que isso signifique que ficaremos centrados apenas em nós próprios.
Tanto melhor.

quarta-feira, dezembro 30, 2009

o último post de 2009

2009 não foi um ano marcante. Foi um ano calmo, demais até. Não houve nada de relevante em 2009 tirando uma viagem a Londres a dois - depois de mais de um ano e meio sem férias - e muitos momentos a três e entre mãe e filha. Só isso já deveria deixar-me de coração cheio, é verdade, mas eu confesso que preciso de mais. Sou um ser insatisfeito por natureza. Não no sentido da avidez, da cobiça ou do 'abocanhamento' (se é que esta palavra existe), mas para me sentir eu, completa e feliz, preciso de sentir que todo o meu corpo está vivo e não apenas metade dele.
Em 2009 eu andei dormente, meio adormecida. Maravilhada pela plenitude da maternidade em full-time e sufocada ao mesmo tempo. Já disse que ter um filho é avassalador, mas tão desgastante. Senti-me sozinha muitas vezes. Sobrecarregada outras tantas. Ter um filho abalou as minhas estruturas e certezas enquanto mãe, esposa e mulher, fez-me pensar na vida a dois e em mim mesma, mas também demonstrou que não deve ser o fim - mesmo quando eu pensava que isso me bastava - mas um ponto de partida, um início para tudo aquilo que ainda me falta fazer e construir.
Acredito piamente que comigo as coisas, ou melhor, a vida, funciona por ciclos. Geralmente depois de um ciclo bom vem um mais 'down', pronto, ruinzito. Não é que 2009 tenha sido mau, foi apenas sem emoção, sem graça, insípido, sem qualquer excitação que me tenha deixado a cantar e com vontade de gritar ao mundo tamanha felicidade. Eu sem emoções fortes não me sinto eu. Preciso de ter aquele friozinho na barriga, aquela alegria que parece rebentar o peito de contentamento, mas nem o mar infinito que me serve de vista diariamente me serviu de consolo.
Senti-me igualmente isolada e abandonada numa terra que não encaro como minha. Fez-me ver quem é que esteve (ou não) verdadeiramente do meu lado, quem é que realmente foi e é, meu amigo. Fez-me fazer escolhas e constatar que um filho não nos muda só a nós, mas também os que nos rodeiam e que as pessoas evoluem em direcções que não são necessariamente as mesmas que as nossas e que temos de aceitar, mesmo que nos custe e que isso signifique que afinal, aquelas amizades que julgávamos para a vida, não o são. 2009 teve a sensatez de me fazer pensar, mas também me deixou muito perdida em mim mesma. Tenho dias em que sinto um verdadeiro bicho do mato, outros em que ando serena, outros em que duvido de tudo, principalmente de mim própria... mas por outro lado, fui uma privilegiada... pude estar em casa o primeiro ano de vida da minha filha, coisa que poucas se podem dar ao luxo de fazer e algo que tantas querem e não podem. E eu quis e pude e por isso tenho de agradecer. A Madalena teve a sua mãe em exclusivo durante 10 meses, altura em que decidimos colocá-la no infantário para eu poder retomar os carris da minha liberdade e independência. Sacrifiquei muito da minha vida pessoal (e da profissional então nem se fala) para a ter e gozá-la como mereceu, mas valeu a pena, porque a verdade é que não sei se algum dia terei outro filho e mesmo que o tenha, o mais provável, é não poder vir a fazer o mesmo ou gozar sequer de semelhantes circunstâncias. Por isso, este ano foi meio sabático, meio limbo, meio purificador, meio individual, meio intimista, meio introspectivo. Mas também foi cheio de descobertas e de felicidade centrada em pequenas coisas, da distinção entre o supérfluo e o acessório, da valorização do termo 'família'. A minha própria família.
E é por isso que eu tenho a certeza que o novo ano que se adivinha será mais pleno, mais cheio, mais convincente, mais optimista e mais empreendedor. Uma nova fase na minha e nas nossas vidas, porque estas paragens são necessárias, nem que seja para depois renascermos das cinzas que nem uma fénix purificada.



Feliz 2010.

terça-feira, dezembro 29, 2009

running in heels

Sabem aquele programa que dá no canal 'E entertainment' da Zon sobre 3 estagiárias numa revista de moda, mais propriamente, a 'Marie Claire'?

Pois bem, ADORO!!


É que quando vejo aquilo, apesar da realidade editorial portuguesa ser assim um 'tanto-ou-quanto-muuuuiiiiiiitttttto' diferente, lembro-me de quando era jornalista e apesar de passar a vida a queixar-me, hoje, 3 anos depois de ter deixado de parte a profissão para a qual me formei, sei com toda a certeza de que é o jornalismo a minha grande paixão.
Jornalismo e revistas... femininas, de preferência.

E depois, vejo programas destes e bate uma saudade cá dentro, uma nostalgia tão grande, o de fazer parte de uma redacção, o de entrevistar pessoas, de saber as suas histórias, fazer produções, entrar nos estúdios, rever fotos e ozalides, procurar erros nas páginas, sublinhar gralhas...
Tenho saudades de tudo, até das coisas más. (é sempre assim não é? até numa relação passada temos tendência a lembrar-nos apenas das coisas boas e a 'esquecer' as más...)
E mesmo sabendo que actualmente só com um verdadeiro golpe de solpe e intervenção divina eu conseguiria fazer parte de uma revista feminina, ainda continuo a achar que um dia serei parte integrante da redacção da Glamour quando a mesma for editada em Portugal. (o que não deixa de ser um contra-senso, porque nunca me senti tão feia, velha, gasta, gorda, inútil, ultrapassada e sopeira, como agora...)




Coisas minhas, o que é que se há-de fazer?...




segunda-feira, dezembro 28, 2009

o espírito do Natal passado...


É um conto, eu sei, mas achei que serviria perfeitamente para explicar o que me aconteceu na noite de 24 para 25 de Dezembro.

Sonhei com o meu avô paterno, que já morreu há 16 anos.
Nunca me tinha acontecido, sonhar com o meu avô, ainda para mais na noite de Natal.

O meu avô só tinha uma neta, eu. Para ele eu era a 'menina' e apesar de não ser uma pessoa que verbalizasse aquilo que sentia ou o manifestasse fisicamente através de beijos e abraços, sei que tinha um lugar mais do que especial no seu coração. O meu pai, seu filho, é igual. Não é à toa que têm o mesmo nome.
O meu avô era apicultor. Criava abelhas e bicharada, tinha patos, pavões e perus a deambular pelo quintal. Vendia no mercado da fruta nas Caldas e aquilo para mim era motivo de orgulho. Qual era a criança que se podia gabar de comer fios de pinhões todos os dias? Nenhuma que eu conhecesse. Por isso, sempre que ia visitar o meu avô à praça, toda eu rejubilava com aquela parafernália de coisas onde a vista se perdia e a alegria se multiplicava. Ora era a balança de pesos que nunca consegui entender como funcionava, ora eram os canários amarelinhos, presos nas gaiolas, que cantavam à desgarrada como se a felicidade estivesse ali prestes a sair-lhes dos bicos em forma de melodia, ora eram os frutos secos que eu penicava à socapa, as caixinhas de framboesas que ele me mandava para casa porque sabia que delas fazia batidos, a moeda que me passava para a mão, ou o simple nogat de caramelo e pinhão que me adoçava a boca e acalmava a gulodice.

Era assim que o meu avô me mimava. Não era por palavras, nem por gestos carinhosos. Para ele, o carinho traduzia-se assim, na preocupação das pequenas coisas em me fazer feliz. Por me mostrar os animais, por me pôr em contacto com a natureza das coisas, por me mostrar como a vida, para além da nossa, tem multiplicações de formas, cores e feitios e que todos sentem, todos têm uma função, um papel a desempenhar.

Quando o meu avô morreu eu tinha 15 anos. Andava aluada com as hormonas da adolescência e apanhou-me em plenas férias de verão em casa de uma tia durante as festas de S. Pedro. No meio de tamanha excitação que eram aqueles dias, em que os rapazes eram a minha única preocupação, o meu avô decide morrer, assim, sem pré-aviso, sem dar sinais. Deitou-se bem de noite, já não acordou de manhã. O meu pai, seu único filho, ligou à hora do almoço para casa dos meus tios e disse-me que tinha de regressar.

'Porquê?' - perguntei eu contrariada - 'Porque o avô morreu' - disse do outro lado e desatou num pranto.

Foi a primeira e única vez que vi/ouvi o meu pai chorar.

Eu não chorei. Não chorei nada, nem uma lágrima verti. Lembro-me que a sensação que predominou em mim foi o aborrecimento por ter de me ir embora, por deixar aquele ambiente de festa, de carrinhos de choque, de primeiros beijos escondidos na calada da noite, para me enfiar em casa para chorar uma morte, - algo com o qual eu nunca tinha tido contacto na vida - e onde as lágrimas e a tristeza predominavam.

Fui contrariada, mas fui. Os meus tios enfiaram-me no carro deles e juntos fizemos a viagem de regresso, tendo os mesmos permanecido para assistir ao funeral.

Lembro-me também que não me vesti de preto e que choquei umas tias por levar uma camisa aos quadrados azuis e brancos com umas aplicações vermelhas em certas partes. (a moda na altura era terrível!)
'Qual é o problema?' - pensava eu - 'não estou aqui? não chega?' - e contrariando tudo e todos não a despi. Não bastava já cortarem-me as férias de verão na melhor parte, ainda queriam vestir-me? E, fazendo justiça à rebeldia típica destes anos, levei-a em jeito de afirmação.
Quando o funeral acabou implorei aos meus pais que me deixassem regressar com os meus tios. Eu queria era a feira, o voltar para o centro da alegria, para junto do rapaz que me interessava, o prolongamento da promessa de dias felizes. Queria lá saber de desgostos, de lágrimas vertidas, de mortes.
A minha mãe bracejava, revoltada que estava comigo.
' - Onde é que já se viu? O teu avô acabou de morrer e tu queres é festa? Nem pensar, nem pensar! Não vais nada, não vais nada! Ficas em casa' - e foi o meu pai, solidário com a minha juventude, com a inconsciência dos meus actos, com o facto de nem ter ficado abalada com a morte do meu próprio avô, que deu a palavra de ordem - 'Podes ir. É melhor ires mesmo.'
E foi assim, que eu, no dia em que o meu próprio avô foi a enterrar, regressei à feira de S. Pedro, às férias do Verão, aos rapazes e aos carrinhos de choque, ao ponto onde tinha deixado a minha diversão, para agir como se a morte do meu avô tivesse sido apenas um percalço no meio de tudo, algo sem importância.
Até hoje não me perdoo.
Hoje, com 31 anos, penso muitas vezes nisto.
Como fui capaz de fazer o que fiz? Como fui capaz de agir tão tolamente?
Devaneios da idade? Sim, é verdade, mas mesmo assim, a imaturidade foi tanta que não me consigo perdoar.
É por isso que, nesta noite de Natal, quando o meu avô me apareceu em sonhos pela primeira vez na vida, eu senti que ele, esteja onde estiver, me mandou uma mensagem, como se me dissesse: 'eu continuo aqui, eu gosto de ti'.
E se na altura não verti uma única lágrima, hoje, sempre que penso nisso, esvaio-me em água.









Desculpa.

domingo, dezembro 27, 2009

estou aqui...

...feita parva, sem saber muito bem o que fazer...

Não sei se continue nesta pasmaceira de pijama - que tem sido o meu dia - e me enfie na cama, a vegetar qualquer coisa que esteja a dar na televisão e a retraçar metade da caixa dos ferrero rocher que tenho aqui ao lado, ou se, me meta na banheira, num bom banho de imersão, seguido de uma sessão de tratamento caseiro (com direito a máscara facial), com os fantásticos produtos da Clinique que o meu gajo me ofereceu neste Natal!...


é que não sei mesmo o que faça. :-<


sábado, dezembro 26, 2009

Do Natal...

Ela: 'Ohhh, não diz papá?'

Eu: 'Não, só diz mamã. Mas diz 'pé', 'olá', 'bebé', 'tá aqui', 'ó-ó', já diz muita coisa.

Ela: 'Tens de dizer 'papá'! Coitadinho do papá! Madalena, olha, olha, 'papá', 'papá', 'papááááááá.'

Madalena: "MAMÃ".

Ela: "Não querida, é 'papá', diz 'papá'."

Eu: "Mas ela sabe perfeitamente quem é o papá, quando digo 'papá', ela olha para ele, mas não diz a palavra."

Ela: "Madalena, uh-uh, olha a avó, olha a avó: 'PPPPPAAAAA-PPPPPÁÁÁÁÁÁÁ'."

Madalena: 'MAMÃ'.




Ahahahahahahahahahaha
(desculpem-me, mas não resisti, porque foi assim o Natal todo...!!)

quarta-feira, dezembro 23, 2009

crise matrimonial

Pergunta: 'Sabem o que é que provoca uma pequena 'pseudo discussão' matrimonial antes de ir para a cama?'

Resposta: Provoca uma ida ao cabeleiro com pack completo:

- lavar
- cortar
- pintar
- fazer nuances
- fazer unhas
- fazer sobrancelhas
- fazer buço.

Tempo despendido: 4 horas e meia.
Resultado: cabeça às riscas tipo zebra.

já vos disse que odeio o Natal - parte II

Pois bem, a juntar a tudo o que foi dito no post anterior, a minha crise natalícia agrava-se indecentemente, quando, conformada e pronta para pôr mãos à obra e passar as próximas horas dedicada à confecção de doces, me deparo de que não disponho da forma necessária e extremamente importante para a execução das respectivas iguarias! Ficou esquecida na casa da sogra há uns bons meses atrás.





Começamos bem, portanto...

terça-feira, dezembro 22, 2009

já vos disse que odeio o Natal?

É que para além dos stresses que me proporciona, da correria desenfreada de compras e afins em shoppings que ficam impossíveis e impróprios à circulação, de apanhar filas intermináveis em todo o lado (nas caixas para pagar, para estacionar o carro, para sair dos parques, na auto-estrada, etc., etc.), de andar aos encontrões e cotoveladas a toda a gente aonde quer que vá, de embrulhar presentes como se fosse um duende da Polónia, de me pôr a trabalhar que nem uma moura (e ainda nem metade fiz do que tenho para fazer amanhã!!), do ter de fazer doces e afins como se fosse uma 'maria sopeira', para além de tudo isto e como se não bastasse, hoje ainda gastei 231 euros no supermercado em compras para a consoada e respectivo dia natalício.
Porra mais o Natal! Tomara já que passe!

domingo, dezembro 20, 2009

Pronto, depois de um dia de chuva, vento e frio, vem uma notícia destas! Brittany Murphy morre, aos 32 anos de idade, vítima de ataque cardíaco.
E eu, que nada sabia, que não vi telejornais o dia inteiro - porque cá em casa passa a vida a 'rolar' o dvd do 'Panda vai à escola 2' à hora das refeições - aqui na santa ignorância.
Juro que pensei, assim que li o título da notícia no jornal 'i online', que tinha tido um acidente, ou que se tinha desgraçado toda com uma droga qualquer. Confesso que tenho as minhas dúvidas em relação ao dito 'ataque cardíaco', à verdadeira razão da sua morte, como se a pobre coitada, por ser famosa, rica e mundialmente conhecida, não tivesse direito a morrer como o comum dos mortais.

E sim, fiquei chocada, mesmo não a tendo como referência como actriz.
Choca-me sempre as mortes jovens. É um desperdício de vida.

prendas, fitas e muita mão de obra!

Eu confesso, desconhecia completamente a 'tradição' de ofertar educadoras de infância e auxiliares em alturas festivas. Tanto desconhecia que nem fazia intenções disso, mas quando comecei a ler pela blogosfera fora de que era prática corrente, fiquei assim a modos que, APARVALHADA!!
Ora eu, que não dou prendinhas a grande parte da minha família, vou dar à educadora e auxiliares? 'Naaaa' - dizia eu - 'é que nem pensar', 'onde é que já se viu', e mais coisas que tais, sempre muito segura e convicta das minhas afirmações (como sempre), para depois escarrar para o ar e cair-me em cima (como sempre). Um dia destes, quando andei nas compras de Natal com a minha amiga Cátia, eis que lhe coloco a fatídica questão que tanto me andava a atormentar: '-Olha lá, tu costumas dar presentes de Natal à educadora das tuas filhas?', e ela, logo muito despachada e enérgica como só ela sabe ser, afirmou muito convicta: ' - Claro, ofereço sempre. Este ano vai uma coisa mais modesta, mas dou sempre.'
E pronto, com esta resposta eu fiquei logo arrumada e tive de me dar por vencida. Ainda tinha esperaça que ela me dissesse, ' - Achas? Estás louca? A vida está cara e isto aqui não é o da Joana', mas não. A minha Cátia, tão poupadinha, sempre aflita da vida a contar os tostões, dá prendinhas à educadora e se ela dá, que tem duas filhas, muito mais obrigação tenho eu de dar também que só tenho uma. Não é que eu não goste da educadora e das auxiliares, antes pelo contrário, são um amor de miúdas, mas pronto, só não sabia que isto era 'normal', até porque, é a primeira vez que sou mãe e uma pessoa nunca pensa nestas coisas antes de passar por elas.
Pois bem, uma vez que estávamos juntas, decidimos então procurar algo para oferecer, assim baratinho como a malta gosta mas com nível, sem parecer que foi comprado nos chineses, a cheirar a mofo, bafiento e/ou sem qualquer utilidade.

E nas minhas pesquisas e indagações para 'the perfect gift', descobri isto:
Umas mantinhas com um desenho todo 'fashion', em tons de castanho, com um laçarote de cetim do mesmo tom a envolvê-las e que custaram - naquela minha loja de eleição e que eu passo a vida a fazer publicidade (sim, a Primark!!) -, a módica quantia de 3€ cada! Escusado será dizer que dei cabo do stock! Trouxe mantas para a educadora, para as auxiliares, para a minha avó, para as avós dele e feita estúpida, esqueci-me de trazer uma para mim! Logo eu, que gosto tanto de mantinhas e estas ficavam TÃO bem com o meu sofá laranja e a minha parede castanha chocolate. Mas pronto, vim para casa satisfeita com a compra e já conformada de que vou fazer um brilharete com uma manta de 3€ que parece que custa 30€!

O pior foi que com tanta compra e zero embrulhos - que a loja não faz - hoje foi dia de me dedicar aos trabalhos manuais e, aproveitando o facto de o gajo ter ido trabalhar, de a miúda estar a dormir a sesta e de estar um frio do caraças lá fora, despachei tudo em pouco tempo, embrulhando prendas atrás de prendas: pais, sogros, afilhada, primas, amigas e tudo e tudo e tudo, completamente possuída pelo 'espírito natalício' que geralmente não tenho...


E pronto, agora tenho metade da sala ocupada de embrulhos que não são para nós!!

Um pequeno 'fait diver' que pode ser útil

Eu confesso que desconhecia os poderes da lixívia na lavagem das nódoas difíceis! E quando falo em difíceis, refiro-me àquelas proporcionadas por miss Madalena, que me enche bodies atrás de bodies e babygrows com manchas horrorosas e gigantescas de 'cócó'!!
Pois bem, as manchas de 'cócó', além de horrorosas e gigantescas, são daquelas nódoas que uma pessoa se vê grega para as tirar! São das que ficam e não saem por nada deste mundo, nem com lavagens consecutivas de máquina a 90ºC! E estragam a roupa toda! Quem é que tem coragem de mandar a miúda para a creche com um bodie com uma mancha amarelada de um '´cócó' do século passado apesar do mesmo já ter sido lavado mais de 3 vezes? Eu confesso, não tenho! E a colecção de bodies 'amarelados' foi aumentado cá em casa à velocidade da luz.
Pois bem, recentemente, descobri o produto infalível para reanimar todos os bodies e babygrows que sofreram a potência do ataque digestivo da minha garota: colocá-los na lixívia! Todos! Mesmo os coloridos!
Mal ela os despe e se os mesmos têm manchas ou estão, literalmente, impróprios para consumo e mais perto do caixote do lixo do que da máquina de lavar, a solução passa por: passá-los imediatamente por água bem quente debaixo da torneira, eliminando na hora, eventuais 'resíduos'. Depois, colocá-los dentro de um pequeno alguidar com lixívia e água morna e deixá-los 'marinar' durante uma hora (serve perfeitamente) e voilá! Saem branquinhos, branquinhos! Sem restos de cócós e demais nódoas que pensava estarem ali para durar!
Até em babetes completamente intragáveis com restos de comida solidificada eu faço isso e ficam como novos!
Convém é não abusar no tempo que a roupa fica de molho, senão, é bem provável que se a mesma for colorida, fique tutti-frutti!
E pronto, achei que devia de partilhar. É que eu fico felicíssima quando faço estas conquistas bem sucedidas e pode haver sempre alguém com as mesmas dúvidas e dificuldades que eu por aqui. :)

ando cá intrigada...

Se isto é um blogue privado, se eu sei quem são as pessoas que me lêem e se, à partida, eu sei em que países as mesmas estão, como é que eu ando a ter visitas de Inglaterra? Humm?
É que o contador de visitas não mente e já é a terceira vez que esse alguém cá vem.
Esclareçam-me!! (ou seja quem for, que se acuse).

sábado, dezembro 19, 2009

Gosto muito de você barbudinho...

Só nós, masoquistas assumidos, para nos enfiarmos num shopping no último fim-de-semana antes do Natal - com o mesmo a rebentar pelas costuras - apenas e só, para que a miúda, tivesse o privilégio de ver o senhor de barbas brancas ao vivo e a cores. A Madalena gosta tanto de Pais Natais que não estranhou nadinha. Teve a sorte de chegar quando faltavam 5 minutos para o 'barbudo' ir casa descansar - que isto de estar o dia todo com criancinhas ao colo também cansa - e nem teve de esperar, foi logo fotografada, tipo V.I.P. na passadeira vermelha. Sentou-se ao colo dele como se fosse o do avô, sorriu, bateu palminhas e ainda lhe deram presentes, entre eles um balão (outra coisa que ela ADORA!), por isso, estava nas suas sete quintas!
E ainda lhe fez olhinhos meio libidinosos, como que a dizer: 'anda, queres vir conhecer a minha casa?'

sexta-feira, dezembro 18, 2009

Julie & Julia

Finalmente consegui ver. Finalmente, o filme pirateado que tínhamos cá em casa e que não tinha som nem legendas, foi substituído por outro que um amigo nos presenteou e ontem, só ontem, consegui estar perto de duas horas absorvida pela história.
Confesso que não sabia nada, absolutamente nada sobre o filme. Apenas que tinha a maravilhosa e inigualável Meryl Streep e para mim, isso já era motivo de sobra. Adoro-a, acho-a fantástica, queria ser amiga dela. É, sem dúvida, a minha actriz de eleição. É monstruosa a Meryl, tão boa que até dá arrepios.
Mas o filme, o filme tocou-me muito, muito mesmo. Às vezes há filmes assim, que sem motivo aparente me fazem chorar e eu ando ali, a lutar com as lágrimas, para que ele não perceba que me deixei levar pelas emoções e me goze como se fosse uma Madalena arrependida. Ontem consegui disfarçar bem. Ele não percebeu que aquilo que via projectado no ecrã, é, em parte, aquilo que gostaria que sucedesse comigo, num outro contexto, sem necessariamente envolver comida.
Com 31 anos sinto-me perdida. Sem rumo. Se os 30 são os novos 20, os meus estão a ser de fugir. Se esperei tanto pelos 30 para ser mãe, então, a dádiva da maternidade, estou a pagá-la bem caro. Se aos 30 era suposto já sabermos o que queremos, então eu sou a excepção que comprova a regra, porque sinto-me como uma criança acabada de nascer. Eu já não sou eu. Não me sinto segura como me senti com 20, nem certa do meu valor como me senti com 20, nem sei se realmente sei fazer alguma coisa. Duvido de tudo, até das minhas capacidades.
Tento continuamente motivar-me. Tenho dias em que acordo esperançosa, em que sinto que algo de bom vai acontecer nesse dia, em que esta fase está a chegar ao fim. Abro o email 500 mil vezes ao dia à espera de notícias boas, de surpresas, de algo que me faça dar pulos de alegria.

Nunca chega.

Tento ter iniciativa para as mais variadas coisas: entregar cv´s pessoalmente, tentar marcar reuniões, enviar sinopses dos meus livros, disparo em todas as direcções. Não acerto em lado nenhum. Ando sempre aos tiros no escuro.
Ver o filme de ontem foi confrontar os meus próprios fantasmas. Foi sentir-me frustrada comigo mesma. Foi uma dualidade interior.
Resta-me a esperança, como diz a minha Marlene, de saber que Saramago só publicou o seu primeiro livro com 40 anos.

Tenho 9 anos para não me considerar uma verdadeira falhada.

quinta-feira, dezembro 17, 2009

...

Hoje fui até à estação dos CTT, em Mafra, perguntar se faziam parte da campanha 'Natal Solitário' para poder ajudar meninos carenciados enviando-lhes algo que eles tenham pedido ao Pai Natal. Fiquei a saber da iniciativa através do blogue da Helena e achei o gesto tão bonito que quis participar, mas logo por azar, aqui na minha zona, nenhuma estação dos CTT aderiu. :(
Fiquei mesmo triste, queria fazer algo por quem não tem Natal, principalmente pelas crianças, porque agora que tenho uma filha, percebo mais do que nunca, como deve ser triste o Natal de todos os meninos que não têm pais, que estão em orfanatos, em instituições de caridade, que não têm brinquedos, que nada recebem. E se soubesse que tinha feito uma criança feliz, acreditem, para mim, só isso já tinha valido a pena. Fiquei a saber que a estação dos CTT mais próxima que aderiu à campanha é a de Sintra. Ainda sou gaja para dar lá um salto e participar.
Hoje também tive outro sonho 'daqueles'. Desta vez não meteu água por assim dizer. Meteu... Anjos!
Fiquei de tal maneira impressionada com o sonho que quando acordei, tinha a imagem muito nítida na minha mente. Foi a primeira vez que sonhei com seres 'celestiais' por assim dizer, o que é algo inédito para mim... e não era apenas um anjo, eram muitos e tinham umas asas enormes, gigantescas e eram muito altos, muito grandes e imponentes.
Então decidi vir à net ver o que significava sonhar com anjos e encontrei isto:

'ANJO
Em qualquer situação- realizações em todos aspectos; todo o mal está sendo afastado de sua vida; na sua vida conjugal tudo ficará "azul". Boas notícias em breve. Sonhar com anjos ou outros seres celestiais é um dos melhores sonhos que se pode ter. Significam o fim de todos os problemas que nos atormentam. Em sentido espiritual, o sonho reflete nossa entrega ao Supremo. Se os anjos estão tristes, ameaçadores ou furiosos, a mudança será negativa e no sentido espiritual refletem os nossos temores e incertezas.'


Ora bem, acontece que os meus anjos eram negros (!!) e tinham um aspecto tipo Dementors, aqueles seres maléficos dos livros do Harry Potter... mas acho que também havia um anjo dourado (que devia de ser o 'anjo gay', aquele que gosta de dar nas vistas, o fashion victim, ou então, a ovelha 'negra' do rebanho). Ai que ainda sou excomungada por tanta parvoeira que me sai da boca para fora.
Ando toda torradinha desta cabeça, é o que é!

quarta-feira, dezembro 16, 2009

A minha mãe

A minha mãe tem o dom de me desatinar. De me azucrinar a paciência. De me pôr descontrolada como mais ninguém consegue. De me tirar do sério.
Não me interpretem mal, eu adoro-a, mas pá... ela desatina-me! Porque a minha mãe, apesar dos seus 53 anos de idade, anda a passar uma fase em que se comporta como... uma MIÚDA!!! E eu não tenho paciência para a aturar, porque já me bastam os meus problemas, a minha vida, o meu desemprego, a minha filha e marido para tratar e cuidar e ainda tenho de 'levar' com as nóias dela, as 'merdas' dela, os desatinos dela, as exigências em querer que eu seja a 'dona de casa perfeita', aquela ideologia e educação de vassalagem ao marido sobre todas as formas e que ela quer, à força, incutir-me. Hoje, a conversa descambou por causa da 'merda' do Natal. (perdoem-me as asneiras, mas quando estou assim, como estou hoje, com o estado de espírito de hoje, só me apetece dizer asneiras, porque só assim parece que alivío o peso que trago cá dentro).
Tal como esperava, o Natal será na minha casa. Não o queria, confesso. Não me apetece ter trabalho com sogras e sogros, com pais e afins, ter chatices e confusões para que tudo e todos, 'aparentemente' estejam bem. Isto porque se fosse na casa dos meus sogros, os meus pais não queriam ir, logo, tem de ser aqui a 'je', a que apanha dos dois lados, a que leva por tabela, a aparar os golpes. E claro, já suspeitava, que por causa da porcaria do Natal, eu terei de me desdobrar em mil, de andar aqui a fuçar como uma escrava do século passado, armada em sopeira e em gata borralheira, a tentar agradar a gregos e a troianos. Já sabia que por causa do Natal viriam as conversas da treta de 'limpar a casa', do 'cozinhar', do ter 'isto e aquilo feito para que a tua sogra não critique', como se eu fosse uma desorganizada, como se a casa não estivesse limpa ou arrumada SEMPRE, como se eu fosse uma adolescente que deixa roupa espalhada pelo quarto ou por onde passa, como se não soubesse gerir as coisas ou a minha vida fosse caótica. Não imaginam o que ela me abrasou a cabeça com o baptizado, as chatices que me deu, os nervos que me fez, e agora vem o Natal, pois claro, porque já se passou mês e meio sem andar a chatear-me a sério e isso já é muito tempo!
Fod***, passei-me! Tive mesmo de lhe desligar o telefone! Ela nunca mais aprende que eu já não tenho 15 anos, que não manda em mim, que eu tenho a minha própria casa para cuidar, que ela tem a dela e na minha não manda, que temos vidas separadas, que é minha mãe e não minha amiga intíma a quem eu conto os meus problemas sentimentais.
Se não é o baptizado, a casa, ou o Natal, é outra merda qualquer, é o estar desempregada, é o 'isto está muito mau', é 'não podes gastar dinheiro', é 'tens de ser meiga para o teu marido', é o 'tens de fazer assim como a mãe te diz'....
ÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁ
Há dias, como hoje, que só me apetece dar um berro bem alto e mandar todos dar uma curva ao bilhar grande!
É o que dá ser filha única. Se não é ela a abrasar-me a cabeça é o meu pai. Se não são os meus pais, são os meus sogros. Porra, às vezes acho que por mais que me esforce, por mais que até seja uma 'mulher convencional', que faz tudo 'by the rules', que tenho de andar continuamente a provar aos outros que eu 'sou a melhor escolha que o vosso filho podia ter feito', ou 'que sou a filha que vocês queriam ter'.
Às vezes, para não dizer, quase sempre, sinto-me sufocada. Deve ser por isso que tenho cada vez menos paciência. É por isso que o Natal me deixa sempre frustrada, que acabo por achar tudo uma grande fantochada. É a altura da família e da paz e do amor e a mim só me provoca é stress e ansiedade.
Não vejo a hora que esta altura passe. Chiça!

encontros com o passado

Ontem, enquanto fazia compras de Natal no Toys R´Us, e quando estava na caixa, eis que me deparo com a minha ex-patroa. A directora da agência onde trabalhei, que se encontrava na caixa ao lado, já a pagar e de repente, se virou para trás e dá de caras comigo. Sorriu muito e disse-me 'Olá Mafalda', cmo se tivesse tido um prazer sentido em ver-me, como se até fosse uma pessoa simpática e preocupada. Eu também sorri, embora amareladamente e perguntei: 'está tudo bem?', como mandam as leis e os protocolos da boa educação.
Não esboçei mais nenhum sorriso, não tentei fazer conversa, não perguntei como vão as coisas.
Não me apetece falar da minha filha a quem nunca sequer, teve a decência de me ligar a dizer que não me iam renovar o contrato, quando foi ela que assinou a folha. Não me apetece dar justificações da minha vida, se já estou ou não a trabalhar, a quem só o quer saber para seu próprio conforto pessoal, tendo a satisfação de confirmar que continuo na merda. Não me apetece ser cínica ou mentirosa e fingir que está tudo bem quando não está. Não me apetece saber se a outra já pariu o Sebastião, se têm mais clientes, se houve aumentos ou se as intrigas continuam na ordem do dia.
Não me apetece nada, por isso nem me mexi. Fiquei ali, na caixa, ao lado do meu marido, enquanto ela empatava na caixa ao lado a ver se à saída ainda nos cruzávamos.
Felizmente não aconteceu.
Isto de estar tanto tempo em casa, sozinha, enclausurada e fechada na minha própria concha, faz-me ter cada vez menos paciência para os outros, principalmente para quem não merece.
O que era o caso.

domingo, dezembro 13, 2009

sei que ela está a crescer...

...quando a vejo assim, rodeada pelos amigos e já a andar pelo seu próprio pé, de um para o outro, a fazer gracinhas e a ser o centro das atenções de toda a gente.
Sei que ela está a crescer, porque hoje, deixámos definitivamente o leite em pó de lata e passámos a beber o de transicção do 1 aos 3 anos e ela não só gostou, como bateu o seu recorde de sempre de leite em biberão (340!).
Sei que ela está a crescer quando refila comigo, cheia de personalidade, quando lhe faço alguma coisa que não gosta.
Sei que ela está a crescer quando me vê preparar a água do seu banho ao meu lado e a dispo, de pé, para entrar para a banheira.
Sei que está a crescer quando come sozinha o segundo prato e se chafurda toda, feliz da vida pela conquista.
Sei que está a crescer quando diz 'Olá' quinhentas mil vezes ao dia, como se fosse uma papagaia, ou quando chama 'Ma' (mamã) por mim.
Sei que está a crescer quando lhe peço uma festinha e ela me dá várias, quando me penteia (ou tenta) os cabelos, quando vê uma foto sua na parede e bate no peito em jeito de afirmação.
Sei que está a crescer todos os dias, mas hoje, olhei para ela e pensei nestas conquistas todas que esta garota, com 13 meses e 13 dias já faz e senti que este tempo não volta mais e passa tão rápido, tão depressa, que tive vontade de trancar o cheiro dela a cadeado para não mais me esquecer.

turbulência

É raro lembrar-me dos sonhos. Quando isso acontece, geralmente, é porque, ou acordei a meio de um e a imagem viva do sonho permaneceu, ou o sonho em si tinha algum elemento forte que me transtornou ao acordar e me fica na cabeça o dia todo a matutar.
Tive uma altura em que sonhava constantemente com desastres de avião. Sonhava com aviões que chocávam contra montanhas, aviões que caíam quando iam a levantar voo, aviões que explodiam, e por aí fora... acho que foi a minha fase '11 de Setembro' e ainda hoje, sempre que vejo um avião a descolar, tenho aquele fascínio macabro que me remete automaticamente para os sonhos, como se estivesse na eminência de uma desgraça.
Também me é muito comum sonhar com água. Águas tempestivas, águas turbulentas, águas agitadas, tal é a revolução que normalmente vai cá dentro. Já pesquisei várias vezes sobre o assunto e quase todas remetem para o mesmo: 'turbulência', 'stress', 'ansiedade' e demais coisas negativas por aí fora...

Ontem e hoje não foi excepção.

Ontem sonhei com uma onda gigante que veio, sem darmos conta, enquanto estávamos numa esplanada e 'varreu' tudo numa questão de segundos. Apesar do drama, consegui salvar-me, eu e ele, porque só nós dois é que estávamos presentes no sonho. E não escapámos apenas de uma onda, mas sim de duas e tentávamos que nem loucos subir a uma falésia alta. Alta o suficiente para não sermos colhidos pela onda. Lá conseguimos. Falei-lhe no sonho e ele riu-se. Tenho um marido que adora a temática 'catástrofes naturais', por isso, tudo o que são documentários e blockbusters sobre o assunto, ele 'está lá', se possível, sentado na primeira fila... daí ter achado piada e se ter rido. Já eu, não gostei nada daquela sensação de lutar pela vida e andei o dia todo a lembrar-me do momento em que aquela parede de água cresceu na minha direcção e eu me senti impotente e pequenina perante o desenrolar dos acontecimentos.
Hoje, bom... hoje sonhei que tinha de atravessar uma ponte de madeira sobre ondas do mar. Não sei de onde vinha, nem o que estava ali a fazer, mas lá estava eu, como se da praia viesse, de havaianas nos pés e saco à tiracole, a atravessar um mar imenso, bravio e tumultoso, sobre uma ponte de madeira, como aqueles passadiços que existem nas praias e que nos levam sobre o areal.
Desta vez ele não estava comigo. Eu estava com uma amiga (que nunca vi, nem mais gorda nem mais magra e que nem a cara ou feições, consigo recordar), mas ali estávamos as duas, quando vimos, ao longe, o desabamento de uma parte da falésia que estava junto à costa que provocou outra mega onda... e nós ali, na ponte, no meio do mar, a ver todo aquele cenário a vir ao nosso encontro...
Não sei como acabou este sonho. Não me lembro do final, não sei se acordei entretanto, não sei se me salvei. Só sei, que quando sonho com águas turbulentas é porque algo no meu intímo não anda bem.

Ou isso, ou o filme 2012 deixou-me muito impressionada.

sábado, dezembro 12, 2009

sei que estou a ficar velha...

... quando estas descidas bruscas de temperaturas se avizinham e me provocam dores nos ossos e no corpo como se fosse uma entrevada com 75 anos! Ontem, quando andáva às compras de Natal e me baixei para apanhar um artigo, tive perto de dar um gritinho lancinante em pleno shopping, mas lá me consegui controlar, cerrando os dentes bem forte e inspirando fundo. Mas hoje, em que o joelho latejava e a anca me provocava ferroadelas, já só me apetecia dizer asneiras e blasfemar a minha triste sina... Arreeee!

quinta-feira, dezembro 10, 2009

nem sei que título dar a isto...

Digam-me que sou doida, que não tenho mais nada em que pensar, que isto de estar desocupada me dá cabo do cérebro, que ando toda tostadinha, torradinha das ideias, ou que bati com a moleirinha quando era pequenina e nunca mais recuperei a tempo de ser uma pessoa normal... mas pá, esta semana, estava eu a tratar da miúda quando, de repente, lhe olho para a palma das mãos e reparei - assim com olhos de ver - o quanto ela tem uma linha da vida curta!
Aquilo até me deixou a bater mal, com o coração a bater acelerado, acho mesmo que tive um pico de stress emocional/adrenalina assim em 3 segundos com princípios de taquicardia. Não é que eu acredite muito nestas merdas, mas pronto, fiquei assim, a modos que, APAVORADA! Acagaçada de medo, MESMO!
E depois, queria olhar outra vez para a palma da mão dela e não tinha coragem e pensei cá para mim mesma: 'ah e tal, deves ter visto mal', mas aquilo não me saiu da cabeça e mesmo quando podia ter olhado novamente não o fiz, não olhei. Mas ontem, ontem estava eu e o pai a dar-lhe jantar e eu comentei isto com ele, mostrando-lhe as minhas suspeitas e lá estava ela, a linha da vida, curta e grossa, naquela mão pequenina. Ele claro, como homem que é, pragmático e racional (pelo menos bem mais do que eu), disse logo para eu parar com a porcaria da conversa.
Porque é isso mesmo, uma porcaria de conversa, mas não consigo deixar de pensar naquilo.
Mas, mas... e se algo acontece à minha garota?
(acho que, pelo sim pelo não, lhe vou tracejar a linha a marcador e fingir que afinal tive uma ilusão de óptica só para me mentalizar de que não devia de ler/acreditar/ficar impressionada com coisas estúpidas e sem qualquer critério científico!!)

quinta-feira, dezembro 03, 2009

do fim de semana

Não há famílias perfeitas, eu sei, e a minha não é exemplo para ninguém. Falamos alto, ralhamos mais alto ainda, somos pândegos, pouco distintos e barraqueiros, mas conseguimos ainda manter uma certa união familiar constante, que se traduz em convívios mais ou menos regulares, sempre em redor da mesa, onde comemos, bebemos, rimos e somos nós próprios.
Na pequena 'quintinha' dos meus tios fazemos muitas almoçaradas. As miúdas andam de baloiço, brincam com os gatos, vêem os animais. De verão sentamo-nos à sombra do alpendre, de Inverno refugiamo-nos dentro da casa, bebemos copinhos de aguardente e ginga caseira, assamos castanhas, cantamos fados. As árvores de fruto estão sempre carregadas das mais variadas iguarias. Este fim-de-semana andámos às romãs, às amêndoas e aos kiwis.
A Madalena só queria o colo do avô e fazia verdadeiras sessões de gritaria sempre que o meu pai pedia para 'descansar'. A minha filha tem uma verdadeira obsessão por homens... vai ao colo de todos, mesmo dos estranhos, já com as mulheres a conversa muda de figura.
À mesa reina sempre a confusão de pratos, de comida, de 'dá-me as batatas', 'pássa-me o arroz', 'não queres carne?', 'olha aqui o feijão'... e todos ficamos de barriga cheia, satisfeitos e bem dispostos. Nem a chuva nos demoveu, nem a lama que se agarrava aos sapatos. Seguiram-se os doces e os estômagos dilatantes, que de tão fartos, já não esticavam mais. 'Haja fartura', ouve-se dizer, entre outros ditados populares que sempre abundaram lá por casa.
Sentada à cabeceira da mesa, a minha filha repetia o segundo prato de carne com arroz e pão. Tão pequena e já tão nossa. A rir-se que nem uma perdida, feliz que estava com tanta gente em seu redor e a dar-lhe atenção.
Sempre quis ter filhos por isto, para que eles cresçam rodeados por esta harmonia familiar, que ainda existe. Para terem os avós, os tios, as primas em seu redor. Para que saibam e dêem valor de que isto que nós temos, apesar de pouco, é muito, é mais do que muitos têm, é algo de muito valioso, é algo que muitos querem.
A minha família também me chateia, tem coisas que me tira do sério, outras que me deprime, que me irrita, que me fazem ter alturas de querer mandar todos dar uma curva ao bilhar grande...
Mas sei que um dia, todas estas pessoas deixarão de aqui estar e sentirei uma falta imensa, uma parte de mim partirá com elas. Cresci a ter estes momentos como adquiridos, como uma constante na minha vida. Sempre me proporcionaram alegrias, sempre contribuiram para que hoje, que tenho a minha casa, ter tanto prazer em receber quanto em convidar para entrarem na minha intimidade.
É neles, que muitas vezes, vou buscar alegria, força e equilíbrio.
É neles e com eles, que quero que a minha filha cresça.

estado de espírito

Hoje sinto-me terrivelmente deprimida.
Porque ontem tive uma entrevista de emprego, onde tiveram a lata de me chamar e perguntar se estava disposta a vender equipamento da Zon de porta a porta!!
EU?!? A vender equipamento da ZON?!? De tão deprimente só me dá vontade de rir (para não chorar!)
E ainda me disseram que o meu CV era adequado e aquilo que eles ambicionavam na pessoa que desempenhasse semelhante função...

domingo, novembro 29, 2009

para a frente é o caminho...


E a grande notícia do dia desta casa é a de que a nossa 'garota gira', a nossa 'enfant terrible', a nossa 'pequena fera' já deu os primeiros passos!!!
Ainda cambaleante, ainda muito trôpega, ainda muito curtos e poucos, ainda muito a medo, mas já dá!!



Opáááááááááááááááááááááááá. Está a ficar uma crescida!! Sniff.

sexta-feira, novembro 27, 2009

ele há coisas...

Hoje, estava eu sentada numa esplanada, na converseta com a comadre, quando uma jovem ciganita a vender pensos rápidos se aproxima de nós e com aquele ar de 'compra-me-lá-qualquer-coisinha-que-sou-uma-desgraçada-pobrezinha-cigana-miserável', pergunta se queremos comprar algo do que ela tem para vender.
Acenei com a cabeça em forma de não, mas a rapariga não arredava pé e ali ficou, a fazer pressão psicológica, a olhar para nós como se fossemos umas cabras cheias de dinheiro que não ajudam um pobre coitado. Perante a nossa firmeza na resposta começou então a ladaínha do peditório.
'-Dá-me uma moeda, tenho fome, quero qualquer coisa para comer'.
E eu, peremptóriamente, sem arredar pé da minha negação, continuei a abanar a cabeça. Mas ela insistia:
'-Dá-me uma moeda, quero comer.'
E eu voltei a abanar a cabeça em forma de não.
'-Então dá-me um cigarro'
E eu, que estava a mexer no maço de tabaco na altura, tirei um cigarro do mesmo, estendi-lhe a mão e dei-lho. Assim como o fiz, assim me largou. Nem um obrigado, nem um agradecimento. Antes pelo contrário, pediu-me lume, sempre com os olhos postos em mim, a intimidar-me, a fixar-me com desdém, como se fosse a maior puta ao cimo da terra.
E agora perguntam vocês, mas porque é que deste um cigarro a quem te pedia comida?
Pois é... dei um cigarro, porque aquela 'pobre ciganita miserável que vendia pensos rápidos', de 'miserável' propriamente dito, não tinha nada. Estava limpa, bem vestida e apresentável. Cara de passar fome tinha tanta quanto eu, por isso, neguei-lhe sempre a 'moeda'.
Mais, quando me pediu o cigarro e me estendeu a mão, qual não é o meu espanto e me deparo com unhas de gel, impecavelmente arranjadas e com brilhantes colados nas pontas.
Ah pois é, 'dá-me uma moeda, tenho fome, quero comer', mas com unhas daquelas, nem eu ando, que as minhas estão cortadas rente e pintadas de verniz vermelho comprado no chinês...
Por isso, bem posso ir pedir também, que de certeza até tirava mais ao final do mês do que aquilo que recebo do estado.

quinta-feira, novembro 26, 2009

Só nesta semana, a minha filha veio da creche com uma dentada no braço - feita por outro menino - e hoje, com outro galo enorme (no mesmo sítio onde bateu com a cabeça na semana passada!) porque, supostamente, viu uma menina a comer e ficou tão descontrolada, que caiu do cavalinho onde estava pendurada a baloiçar...
Continua bem disposta e gosta de lá estar, mas eu já começo a achar que aquilo não é uma creche, aquilo é uma selva!
Tadinha da minha gajola!!