sábado, março 06, 2010

escape

Não fomos para o Porto e não nos cobraram a estadia desmarcada. Respirámos de alívio e agradecemos a 'sorte' que nos sorriu desta vez. Partimos de viagem para casa dos pais do C. com o carro carregado demais para apenas 3 dias. Não sabíamos muito bem quanto tempo ficávamos nem quanto tempo depois voltaríamos.
Ao contrário de todas as minhas queixas e lamúrias, confesso que até gostei. Não houve dramas nem comentários desagradáveis por parte da minha sogra. Ficaram tão felizes com a visita que eu fiquei feliz por vê-los assim, rejuvenescidos e agradecidos pela presença da neta.

A Madalena andou demais, queria ver tudo, correr tudo, explorar tudo. Mexeu em plantas e tocou em bichos, viu ovelhas e cabrinhas recém-nascidas e sujou-se a brincar, como todas as crianças se devem sujar quando são crianças, e eu vi e deixei e não me importei. Se não for agora que ela descobre momentos de pura felicidade em coisas tão simples, quando é que descobrirá?

Andou sempre muito carente de mãe e queria o meu colo até para adormecer. E lá a tomava eu nos braços, completamente rendida aqueles olhos e mãos que se esticam na minha direcção, porque ela está tão grande que não sei quanto mais tempo conseguirei tê-la ao meu colo, embalá-la nos meus braços, mexer-lhe nos caracóis e cheirá-la como se estivesse colada à minha cara. Tirámos muitas fotografias e fizemos passeios a três. Comemos demais a maior parte do tempo. Dormimos sestas e nunca consegui captar sinal de rede apesar de ter levado o computador, mas verdade seja dita, nem me importei assim tanto. Habituamo-nos a tanta coisa acessória na nossa vida que depois parece que já nem sabemos viver sem ela.

Não fomos a Paris, nem a Roma, nem ao Porto, mas estivemos juntos e com quem realmente nos ama, e isso sim, é o mais importante.

terça-feira, março 02, 2010

bad karma

Ando a definhar por sair daqui e ir para qualquer lugar, há dias, semanas, meses...
Ok, eu sei que estou em casa, o que aos olhos de muita gente pode ser sinónimo de 'férias permanentes', mas só eu sei o quanto estou a rebentar a paciência, a ansiedade e o stress com tamanha situação. Ando saturada destas paredes, farta do mar a perder de vista, da solidão dos meus dias, da gata com o cio e dos seus altos e constantes miados que não abrandam com o passar dos dias, do tempo triste e cinzento, das birras e guinchos da Madalena, de quase nunca ver/ter o meu marido e de encontrar na net, a minha mais triste e sórdida companhia.
Ando tão farta de tudo que me sinto a desaparecer, a eclipsar e com o cérebro a fazer 'tilte'.
Como isso é realmente notório e visível aos olhos de todos aqueles que me rodeiam (o que são poucos, diga-se), o meu marido lá achou por bem - para não dizer, 'foi obrigado' - a tirar uns míseros dias de férias - quando aquela alma tem, em horas extra de trabalho para tirar, o equivalente a 10 meses de férias! Sim, leram bem, 10 meses de férias!! - e lá se compadeceu com os meus insitentes pedidos de 'vamos fazer qualquer coisa, leva-me daqui para fora'.
Claro que teve de ser até à última e, na sexta-feira passada, eu ainda não fazia a mais triste ideia de que ele ficaria em casa esta semana, o que convenhamos, para marcar uma viagenzita, assim em cima do joelho, é para esquecer.
Ando a falar em Paris há uma eternidade, é certo, e nada me daria mais gozo neste momento do que passar uns 3 diazitos por lá, mas as viagens são caras, o tempo não ajuda e, mais uma vez, tudo em cima da hora não dá resultado. A juntar a isto temos a pressão dos meus sogros em quererem que passemos uns dias com eles - não podem saber que o filho tem uns dias de folga que pronto, já sei o que me espera - logo, a semana ficaria 'cortada' por essa deslocação e pernoita, o que ainda dificultava mais a decisão de: 'para onde ir', 'como ir', 'logística' e por fim, os euros dispendidos.
Depois de procuras na net em busca do voo-low-cost-perfeito-a-preço-mínimo, desistimos. Não existe. O Carlos, por aquilo que o conheço, não estava com muita vontade de ir para fora e se ia, era apenas para me fazer a vontade, o que perante o cenário, acabei por desistir.
Gostava muito de viajar sim, mas não vou roubar para o fazer, quando estou na situação em que estou e não me posso dar a esses luxos. Se encontrássemos um destino barato onde pudessemos fazer um turismo de pé de chinelo íamos na boa, mas assim, com pacotes a 400 euros cada, é para esquecer.
Decidimos então passar para Portugal e aí a fasquia aumentou. Já que não íamos para fora, ele achou que podíamos ficar num bom hotel, por umas 2 ou 3 noites, com spa incluído e proporcionar-me alguns momentos de relaxe/prazer, longe de tudo e de todos, só nós dois, sem filha atrás, sem berros e stresses, sem sopas e cócós e namorar como antes.
Depois de uma segunda-feira quase idílica, chegámos a casa resolutos a marcar o hotel e a preparar tudo para os próximos dias. Como era em Portugal, podíamos ir a casa dos meus sogros, passar lá 2 ou 3 dias, deixar depois a Madalena na casa dos meus pais e partir para a aventura sem o compromisso e as limitações de levarmos uma criança atrás.
Marcámos no Sheraton do Porto. Sim, é um verdadeiro luxo, foi uma maluqueira que nos deu e que quisemos fazer e eu já estava toda doidinha só de imaginar-me a dormir naquela cama king size que se vê nas imagens do site. Fizemos a reserva online, pagámos logo com o cartão e saímos de casa tranquilos e descansados em direcção à creche da Madalena para ir buscá-la.
Seriam 3 dias a partir de 5ª-feira só nossos e até lá estaríamos em família, dando oportunidade aos avós de ambas as partes, de usufruirem da sua companhia.
Só que eu devo ter mesmo um karma qualquer ou um olho gordo em cima daqueles bem poderosos, porque esta sensação de felicidade durou menos de duas horas. Quando chegámos novamente a casa eu lembrei-me de ir ao correio e de lá tirar uma série de contas. O Carlos começou a abrir uma a uma, entre elas a da Edp e de repente oiço o homem na cozinha a arfar e a praguejar. Chegou-nos a casa uma conta de 370€ da Edp! Ficámos mortificados.
370€?!?
Pois. 370€!
Resultado de acertos de Novembro, Dezembro, Janeiro e Fevereiro, depois de termos colocado os termoacumuladores por toda a casa (para quem não sabe, os termoacumuladores de calor, são uma espécie de aquecimento central, um serviço que a Edp agora disponibiliza e que em vez de serem a gás, funcionam por electricidade. Uma roubalheira, portanto...).
Ligámos logo para a companhia na esperança de que houvesse algum engano, mas não. É esta a contagem real. Lembrei-me, em seguida, na tentativa de amenizar a solução de nos estarem a ir à carteira e nós a vermos, de ligarmos para o Sheraton do Porto a desmarcar a reserva que tínhamos feito nem há duas horas. Não podemos estar a ir fazer vida de ricos quando não o somos, agravando a isso as gasolinas, as portagens, os jantares e almoços fora, os lanches e pequenos-almoços, mais uma ou outra extravagância que se comete sempre nestas alturas, quando temos uma conta de 370 euros para pagar até à próxima semana... como se não bastasse, hoje, pagámos os dois os seguros dos nossos carros... o que também foi outra bela quantia, assim como a creche da Madalena. Por isso, este belo mês de Março que agora começa e que conta com 31 dias, será para esquecer.
Mas a história não acaba aqui... é que ligámos para o Sheraton a avisar que não íamos e do outro lado disseram-nos: 'Sim senhora, será desmarcado, mas reaver o dinheiro é que não'.
O QUÊ?!
Disseram-nos que por termos feito a reserva online que o débito é automático e que será cobrado na sua totalidade, mas que amanhã nos dariam uma resposta definitiva.
Quer dizer, que nos cobrassem um terço do valor ou até mesmo metade por termos desmarcado eu ainda esperava, mas a totalidade?!? FODA-SE! Vão roubar para a estrada!
Escusado será dizer que estamos os dois na merda, literalmente.
Já não há férias, nem viagem a dois, nem idas da Madalena para casa dos meus pais, nem idas ao Porto. Nada.
A minha semana de férias, aquela pela qual eu ando há tanto tempo a desejar e que, muito provavelmente, serão os únicos dias passados a 2 ou a 3 antes de eu começar a trabalhar no que quer que seja e até que ele se decida/possa tirar férias novamente, será passada na bela companhia dos meus ricos sogros, enfiada numa aldeia que nem café tem, onde mal apanho sinal de net e cuja companhia corrente se resume a pessoas com idade superior a 60 anos.
Ainda nem começaram as minhas férias e eu já só tenho vontade que acabem.

domingo, fevereiro 28, 2010

e assim de repente...


"When a woman makes the choice to marry, to have children; in one way her life begins but in another way it stops. You build a life of details. You become a mother, a wife and you stop and stay steady so that your children can move. And when they leave they take your life of details with them. And then you're expected move again only you don't remember what moves you because no-one has asked in so long. Not even yourself. You never in your life think that love like this can happen to you."


The Bridges of Madison County


Ontem revi este filme e no meio, bem no meio dele, quando toda a acção caminha para o auge dos amantes, esta frase. Parei. O meu mundo parou na altura. Aquela frase podia ser minha. Podia ter-me saído da boca. Podia ter sido escrita num qualquer caderno. Aquela frase resume, em parcas palavras, os meus dois últimos anos.
Aquela frase fez-me ver que não quero parar. Que a minha vida feita de detalhes até há dois anos não tem de parar. Não deve, mesmo que eu tenha estagnado.
Por isso, e só por isso, voltei a fotografar e a deixar a beleza do quotidiano inundar-me de inspiração, magia e cor. Como fazia antes de a ter na minha vida. Antes de os ter.
Voltei a reactivar a minha velhinha conta no Flickr para dar seguimento a esta vontade e tomei a resolução de que a minha próxima aquisição é comprar uma máquina digital em condições.
Agora só falta recomeçar a escrever.
Mas acredito que até isso eu irei conseguir.

quinta-feira, fevereiro 25, 2010

mon petit enfant terrible

Ela pode ter cara de anjo, mas a minha filha anda de me deixar com os cabelos em pé. A sério. As manhã nesta casa têm sido um drama sem fim. Os fins de tarde, idem. De manhã a gritaria começa logo assim que sai da cama. Embirrou que não quer trocar a fralda no trocador, onde guincha, esperneia e se contorce toda colocando-se de pé. Comecei a fazê-lo no chão do seu quarto, no tapete foto que lá existe, com o resguardo por baixo. Ao início achava muita piada e ficava quietinha o tempo suficiente para a mudar e vestir, mas agora... agora é para esquecer. Além disso, não há dia nenhum em que ela não saia da cama com uma valente cagada de presente para eu limpar logo pela manhã, o que se juntarmos o facto de ela não parar quieta enquanto a limpo e mudo a fralda, dá o cenário dantesco que neste momento conseguem visualizar nas vossas cabeças.
Depois vem o drama da comida. Levo-lhe o biberão à cama, passo-lho para a mão assim que acorda e se levanta e depois estou os restantes 45 minutos a dizer: 'Madalena, e o leitinho?', 'Bebe o leitinho!', 'Olha o leitinho', com ela a não beber nada quando antes adorava e devorava litradas daquele leite que é caro como tudo.
O passo seguinte, uma vez que não quero que ela vá de estômago vazio para a creche, é sentá-la na cadeira e fazer-lhe um prato de papa. Outro drama mexicano.
Chora, berra, afasta-me as mãos, bate nas mesmas, esfrega-se toda de papa - cara, nariz, cabelos - e eu começo a ficar como uma personagem de um filme do Almodovar, ou seja, à beira de um ataque de nervos.
Respiro fundo, depois de várias insistências contrariadas, decido passar ao plano 'C'.
'Queres queijinho' - pergunto, e logo ela começa a esticar-se toda e a olhar em direcção ao frigorífico - numa ladaínha sôfrega de bebeguês - que, traduzido à letra, é qualquer coisa como, 'dá-me, dá-me, dá-me' e só se cala quando a vontade é satisfeita.
Acedo-lhe o pedido e passo-lhe para as mãos uma fatia de queijo partida em duas e um grande pedaço de pão. Ela sorri de contente.
Petisca-o, estraga mais do que aquilo que come, faz ronha, imensa fita, guincha se a contrario e a apresso e eu torno a olhar o relógio e a ver as horas a passar. São quase dez da manhã e eu em casa. Penso: 'e quando estiver a trabalhar?' e desisto logo de tais preocupações sofridas por antecipação.
Fico ansiosa, começo a irritar-me. 'Aqui quem manda sou eu' - digo-lhe - mas ela não faz caso e volta a troçar de mim.
Sinto-me muitas vezes impotente perante o seu feitio, mas não vergo, o que leva a que, neste momento, nesta fase em que ela se encontra, a nossa relação seja mais baseada em autoritarismo do que manifestações de carinho.
Sinto-me uma déspota, mas digo para mim mesma que tem de ser, senão qualquer dia não faço nada dela, que esta personalidade já lhe vem do berço, está-lhe nos genes e ninguém lhe ensinou tal coisa apesar de eu também não ser flor que se cheire.
Lembro-me da minha mãe e das suas queixas a meu respeito. E respeito-a. Lembro-me de como me dizia: 'um dia que tenhas filhos é que vais saber dar valor' e reconheço-lhe os sentimentos. Também eu era levada da breca.
Depois da tourada do comer, segue-se a tourada do: 'na cozinha só quero mexer no lixo ou andar com o garrafão de 5 litros de água pela mão', ou a tourada do 'caminho até ao carro', ou 'caminho até à creche', ou 'caminho da creche para casa', ou 'caminho da garagem até ao elevador'.
Em quase todos eles, há sempre um momento em que a menina Madalena se atira para o chão, de joelhos, ou estendida ao comprido, onde esperneia e chora como se a estivesse a matar.
Juro que até tenho vergonha quando me cruzo com os vizinhos. Ela guincha tanto ultimamente, que devem pensar que a pobre criança é um saco de pancada nas minhas mãos.
Na creche é igual. É drama para vestir o casaco, é drama para pegá-la ao colo, é drama para a sentar na cadeira do carro, é drama para tudo.
Tenho dias em que, confesso, sinto um alívio enorme quando a deixo na creche e em que fico logo alterada mal a vou buscar.
Quando tenho a ajuda do pai em casa a coisa corre mais ou menos, mas quando está sozinha comigo, gosta de puxar e mexer os meus botões até ao limite.
É por isso que só de pensar no dia de amanhã, até tremo.
Amanhã irei com ela às vacinas dos 15 meses, que serão dadas no braço.
Conhecendo a 'ferinha' como conheço, vai ser um episódio épico semelhante a um circo romano. Muitas lágrimas, sangue, suor e força.
Além de que não vai à creche e ficará comigo o dia todo.
Não sei como é que ainda não tenho um único cabelo branco mas, como os pinto, assim como assim, se aparecem, logo são camuflados, o que me vai dando a falsa ideia de eterna juventude', mesmo que esteja mais perto da loucura do que longe dela.

terça-feira, fevereiro 23, 2010

life

Isto é tão bonito. E tão verdade.

segunda-feira, fevereiro 22, 2010

a poderosa atracção dos homens pelas 'mulheres vulgaris'

Sempre que olho para a senhora acho que algo não bate certo. Sim, a dor de cotovelo é grande, mas sejamos realistas, para além de ser alta, magra, escultural e tonificada, de ter pernas infinitas e de ser italiana - o que é, por si só, sinónimo de mulher bonita - há algo nela que não me agrada (e não é por ser a namorada do George Clooney). Há algo de vulgar que não consigo identificar, algo que me remete, imediatamente, para palcos e cabarés, para varões e biquinis reduzidos, para falta de classe generalizada, mesmo que quando apareça ao lado dele esteja mais perto de uma 'ladie' do que uma louca na cama.... Mas esta foto, esta foto não engana ninguém e veio constatar que realmente o meu 'olho clínico' continua apurado. Geralmente nunca me engano. E tu, Isabella, até podes estar mais modesta e comedida, mais polida e elegante, mas esta pose de 'até-quando-ato-o-meu-sapatinho-sou-boa-e-sexy, -sim, -porque-até-de-biquini-eu-ando-de-sandálias-de-tiras-e-salto-alto', nunca me enganaste.

sexta-feira, fevereiro 19, 2010

fait divers

Hoje, movida por uma qualquer vontade desconhecida e desejo recalcado, decidi arrumar o meu armário. Dar um pouco de ordem ao caos reinante. Dei por mim a deixar a miúda na creche e a enfiar-me sorrateiramente no Continente cá da zona já com a ideia fisgada de comprar cestos, caixinhas e cabides onde arrumar cintos, boinas, echárpes e demais acessórios que proliferam pelos recantos perdidos das prateleiras, ocupando-me espaço e levando-me à loucura quando preciso deles e não os encontro.
Cheguei a casa cheia de ganas de pôr mãos à obra. Hoje era daqueles dias em que se o dinheiro o permitisse tinha remodelado uma série de coisas. Ando há séculos para mandar imprimir umas telas com fotos nossas em tons de sépia e/ou a preto e branco para pôr no nosso quarto, mas acabo sempre por achar que é um pequeno 'luxo' desnecessário, pelo menos nesta altura.
Contentei-me com cestinhos cor-de-rosa, numa espécie de verga plastificada com tampa e um enorme 'botão', a 2€, onde arrumei tudo, dispondo-os ordeiramente e lado a lado. Dobrei camisolas, separei a roupa de verão da de inverno (sim, estava toda junta) e encontrei peças que já não sabia do seu paradeiro faz tempo.
Constatei que deixei morrer praticamente todas as plantas que existiam nesta casa e as que ainda não morreram, encontram-se num estádio decadente de ressuscitação falhada. Estendi roupa e assim que o acabei de fazer caiu uma valente tromba de água. Limpei a cozinha com sonasol verde, esfreguei portas, armários e paredes salpicadas de gordura e sentei-me ao computador a refazer um trabalho pendente que ando há semanas para enviar para uma editora.
Sinto que tive um dia produtivo, porque abro as portas do meu armário e está tudo no seu sítio como acho, nunca antes esteve. Claro que ainda tenho ali uma pilha monstruosa de roupa para passar a ferro - e mais duas máquinas estendidas que brevemente se juntarão a ela - assim como outro armário cheio de sapatos que também merece levar uma valente volta, mas de momento não quero saber.
De momento quero apenas pensar que, por hoje, fui bem sucedida.

quarta-feira, fevereiro 17, 2010

visões

Morro de medo de atropelar um animal.
Mas morro mesmo, porque sei que no dia em que algum cão, gato, ouriço caixeiro ou pássaro se atravessar à minha frente na estrada, eu serei incapaz de o matar e o mais provável é matar-me a mim.
Tenho tanto pavor que às vezes, quando conduzo, tenho receio que algum cão saia do nada para o asfalto e me leve a viver com um peso na consciência. Chego a ter alturas em que até tenho visões com semelhante acontecimento.
Agonizo perante o sofrimento animal. É algo que me perturba a sério.
Um dia destes, vinha no carro com o Carlos, eu sentada no lugar do pendura, quando do meio do nada mandei um valente berro. Ele assustou-se a sério, claro, e deu uma guinada violenta com o carro no sentido da faixa oposta. Por sorte não vinha ninguém. Tudo porque no meio da estrada estava um pombo, metade já esborrachado, metade vivo, esbracejando e lutando contra a morte certa.
Escusado será dizer que o meu marido se fartou de ralhar comigo pelo meio comportamento, que gritos daqueles não se dão, não enquanto se conduz, que podíamos ter tido um acidente por causa de um pombo, que tenho de me controlar, que o pombo da morte já não se livrava. E eu a ouvi-lo e a saber que ele tinha razão em cada palavra que lhe saía da boca para fora, mas a imagem do pombo metade vivo, metade morto não me saía da cabeça e perturbou-me a mente durante, pelo menos, uma semana.
Quando estava grávida da Madalena, para aí de seis ou sete meses, vi um cão largar-se do dono, desatar a correr descontrolado para a estrada, vir um carro e colhê-lo. Vi tudo. Fui a única que vi o animal a ser atropelado, mais ninguém que estava comigo viu o exacto momento em que o carro lhe embateu. Chorei tanto mas tanto, que às tantas já tinha o Carlos, o meu pai e a minha mãe a ralharem comigo por estar tão enervada, que aquilo não fazia nada bem ao bebé, que não me podia enervar daquela maneira, não enquanto estivesse grávida. Pelo meio, lembro-me do meu pai dizer: 'o animal já está bem, está lá o dono a socorrê-lo, o animal está bem', numa tentativa desesperada de me fazer acreditar que aquilo que vira fora 'coisa pouca' e que, como tal, podia parar de chorar, mas a imagem suicida do animal a correr em direcção ao carro voltou a nublar-me.
Hoje, quando vinha da creche da Madalena, numa rotunda, um enorme cão castanho estava parado na mesma. Andava vagarosamente, como se, apesar de quantidade de carros que afrouxavam para não irem em sua direcção, nada lhe importasse. Como vinha devagar desviei-me e segui o meu caminho sem grandes sobressaltos, olhei várias vezes pelo espelho retrovisor para me certificar de que o animal continuava vivo e de boa saúde, mas percebi, assim que passei por ele que aquele cão pura e simplesmente tinha desistido de viver.
E não consigo deixar de pensar naquela visão de quatro patas, cabeça cabisbaixa e olhos mortiços. O mais provável é perseguir-me durante semanas, tal como todos os outros.

terça-feira, fevereiro 16, 2010

mais do mesmo

Não tenho escrito nada. Ando sem vontade, além de sentir não ter nada para dizer.
O curso entretanto já acabou e voltei a estar em casa agarrada ao computador a disparar cv´s e à espera de nem sei bem o quê.
Ando desmotivada e desiludida com uma série de pessoas o que me levou a tomar algumas decisões bem radicais de o demonstrar.
Também ando preocupada e triste, profundamente triste com alguém que me é muito querido e próximo.
A semana passada foi um turbilhão de emoções. Foram notícias más em catadupa e senti um nó no estômago como há muito tempo não tinha.
Depois de um certo período de euforia, ilusório é verdade, eis que bati de novo na realidade: continuo sem nada e sem perspectivas de trabalho. Já fiz de tudo, já me socorri de todos os contactos e logo eu, que odeio pedinchar o que quer que seja.
Fui a uma entrevista para o Ikea de Loures. O processo de recrutamento começou e eu fui chamada, assim como centenas de pessoas, para a primeira fase de selecção. Se passar a tudo, irei, muito provavelmente, para atendimento em loja ou outra coisa do género e a ganhar miseravelmente a tempo inteiro ou em part-time. Neste momento é a minha única hipótese. Ou isso, ou um call center, mas não posso ficar sem ganhar um cêntimo a partir de finais de Março.
Não sei porquê, mas meti na cabeça de que ia ser a seleccionada para aquela entrevista da treta a que fui há umas semanas. Estava tão confiante de que ia ficar que até já sentia a coisa como minha, e andava convencida de que tinha tido, finalmente, a oportunidade que estava à espera de voltar ao mercado de trabalho como jornalista e a escrever sobre o que eu queria. Não consegui. Na 5ª feira, quando recebi a notícia todo o meu mundo desabou. Chorei como uma criança.
Neste momento tenho uma grande falta de confiança nas minhas capacidades. Sinto que já estou há tanto tempo afastada do mercado de trabalho e dedicada à maternidade que é apenas isso que me define e que, como tal, não aparento credibilidade, ou pelo menos o suficiente para acharem que eu posso ser uma boa escolha.
Sinceramente, acho que é isso.
E constatá-lo dói-me imenso. Acho que não passo de uma mãe que escreve umas coisas mas sem grande estilo definido, sem grande qualidade e cada vez mais longe de conseguir alcançar realmente aquilo que almeja.
No sábado à noite fui convidada para ir ao jantar de aniversário de uma ex-colega do curso de formação de formadores que andei a tirar em Novembro e deparei-me com uma soirée elegantíssima, cheia de gente super bem colocada na vida e com um status profissional e pessoal muito... chamemos-lhe, 'agradável'. Sinto-me sempre um peixe fora de água nestas circunstâncias, mas tentei aparentar um ar 'normal' e confortável. A Maria, a anfitriã da festa, apresentou-me a todos como 'a minha amiga Mafalda, distintíssima jornalista' e eu senti-me a corar por dentro com semelhante mentira. Sei que ela não faz por mal, antes pelo contrário, mas se há coisa que não me sinto é 'distintíssima' no que quer que seja, mas mais 'indefinida'.
Outra coisa que me tem feito pensar é no facto de todas as mães que, tal como eu, durante a minha gravidez e primeiro ano de vida da Madalena se encontravam desempregadas, já estar tudo a trabalhar ou terem arranjado trabalho recentemente. Fico sempre feliz quando sei que alguém que estava desempregado consegue emprego, mas também penso sempre: 'para quando eu?', 'quando chega a minha vez de celebrar?'.
Parece-me cada vez mais distante. Mais difícil.
Sempre acreditei na máxima de que as coisas acontecem por uma razão, mesmo que na altura não entendamos porquê e quero continuar a acreditar nela, apesar de me custar cada vez mais este tipo de frases feitas que servem de consolo aos tristes.
Como dizia a minha mãe hoje: 'vais ver que tens algo de bom à tua espera, algo te está reservado'.
Até pode ser, mas eu já não consigo acreditar muito nisso. Acho que se realmente algo me está reservado, está a fazer-me penar até à última e duvido muito, mas duvido mesmo, que apareça assim do nada, quando falta tão pouco tempo para eu ficar com a corda ao pescoço.
Acho que se aparecer alguma coisa não é porque me está destinado, é por pura necessidade.

quinta-feira, fevereiro 11, 2010

"when you try your best but you don´t succed"

E ao fim de duas semanas veio a resposta.

Negativa.

E com ela se foi a pouca auto-estima residente e a esperança de começar a trabalhar no início de Março.

sexta-feira, fevereiro 05, 2010

lhasa de sela





Só me apetece ouvir isto over, and over, and over again...
É tão bom, tão deliciosamente triste, tão bonito, tão tudo aquilo que sinto cá dentro e não consigo exprimir.
A mortalidade, a minha, a dos meus, a dos que me são queridos, a do mundo em geral, tem-me tomado de assalto o pensamento nestes dois últimos dias e sinto um nó apertado dentro do peito.
Só me apetece ouvir Lhasa de Sela.
Mas também ela já morreu.

fantasmas


O Jacinto Lucas Pires apareceu no curso que ando a frequentar para nos dar uma parte da formação.

Até aqui tudo bem.

Quando o vi, reconheci-lhe as feições, mas não soube logo dizer de onde aquele rosto me era familiar.

Quando pediu que nos apresentássemos fê-lo de uma forma muito descontraída, brincando com o assunto e dizendo que quem quisesse fazer o pino que o podia fazer, que aquelas iriam ser as apresentações mais divertidas de sempre, deixando-nos logo à vontade e na expectativa do que estava para vir.

Imbuída pelo espírito presente na sala, a Marta tirou do bolso um vermelho nariz de palhaço e colocou-o no seu, encarou-o de frente e disse:

- Chamo-me Marta e quero ser palhaça.

A expressão dele ficou difusa, perdeu o sorriso e no seu rosto podia ler-.se um enorme ponto de interrogação.

- Queres ser palhaça? Perguntou ainda hesitante.

- Quero, respondeu a Marta entre risos nervosos, levando-nos a todos a dar risos nervosos perante o desconforto evidente.

- Mas sabes que a condição essencial para se ser palhaço é não rir, não sabes?

- Acho que sim - e continuava a rir, sem conseguir articular um discurso muito coerente, numa forma quase inconsciente de que tinha ido longe demais.

- Houve uma altura da minha vida em que me senti um palhaço, retorquiu o Jacinto.


E pronto, percebi ali, preto no branco, que todo o escritor (e artista), vive a maior parte do tempo confrontado com os seus próprios fantasmas.

terça-feira, fevereiro 02, 2010

birras

A minha filha entrou, oficialmente, naquela idade-fase em que qualquer pai e mãe estremece só de pensar: a das birras.
Hoje, quando cheguei à creche ao final da tarde e lhe vestia o casaco, depois de alguns mimos muito queridos e fofos que me encheram o coração de ternura, a minha pequena filha passou da imagem angelical de criança modelo, para se transformar, rapidamente, numa amostra júnior do Godzilla, fazendo um berreiro tal - acompanhado de batidas furiosas de pé no chão e chapadas nas minhas mãos - que levou a que todas as educadoras e auxiliares saissem das salas e viessem até ao corredor ver o que se passava com a 'pobre da criancinha'. Tudo porque não a deixei mexer num livro que era de outro menino.
Se tivesse um buraco tinha-me enfiado.
É incrível como me senti coagida por um ser tão pequeno.

domingo, janeiro 31, 2010

da entrevista

Correu bem. Foi muito descontraída, cumprimentaram-me como se fosse da casa, com dois beijos na face - algo que me deixou logo desconsertada confesso, não estou habituada a tanta intimidade com a entidade patronal - fizeram piadas e trataram-me por 'tu', eu tratei-os igualmente por 'tu', apesar de muitas vezes me saltar um 'você' e utilizar a terceira pessoa com mais frequência do que aquilo que devia. Andei ali numa indefinição verbal enquanto tentava aparentar um ar calmo e descontraído. A primeira parte correu muito bem, falei do meu percurso profissional, das escolhas, onde estive, o que fazia, por onde passei, porque saí, a segunda parte correu nem sei bem como, quer dizer, não correu mal de todo, mas as perguntas começaram a ser mais pessoais, a irem para o âmbito dos gostos, das leituras, dos filmes que via, das coisas que me despertavam a atenção, do que gostava e a cada pergunta uma branca invadia a minha mente, como se eu fosse um poço sem fundo e sem nada de revelante para, de repente, lá me lembrar de qualquer coisa e dizer, não muito convicta, levando-me novamente a outro extenso e árido deserto.
"Que livros tens como referências?"
E eu a agonizar, sem me lembrar de uma única referência, para de repente, me sair da boca como uma seta o nome: "Miguel Torga. Adoro Miguel Torga, tanto em poesia como em prosa. É uma grande referência minha enquanto escritor e Saramago, embora não goste de todas as obras, mas é um escritor que aprecio. Da juventude destaco a poesia de Florbela Espanca, que foi sem dúvida uma referência importante para mim numa determinada altura da minha vida, Eça de Queirós e Marion Zimmer Bradley, pelas histórias fantásticas que escrevia." - E depois fiquei a pensar, mas quem é que dá o nome da Marion Zimmer Bradley como referência de juventude?! Ninguém!! Burra! Mil vezes burra! Não me lembrei de escritores tão importantes como um Gabriel Garcia Marquez, ou o Mário de Sá Carneiro, nem nada de nada. Nop. Só disse clichés! Só dei respostas que qualquer pessoa podia dar, como se viessem servidos em latas de fast-food. Confesso que só me apetecia cortar os pulsos de tanta vergonha.
"Muito bem... então e filmes? Que filmes gostas de ver e/ou são referência para ti?" - E novamente outro deserto, este ainda pior que o anterior, uma branca gigantesca que me turpava até a vista, as mãos a suarem e embargadas uma na outra e eu sem me lembrar de nada para de repente, desta boquinha, sair apenas isto:
"The Motorcycle Diaries é uma referência para mim... o Orgulho e Preconceito... os filmes do Quentin Tarantino... os do Woody Allen... algum cinema alternativo" - e ali fiquei, a agonizar, sem me conseguir lembrar de filmes que me tenham marcado, quando tenho alguns que para mim são, APENAS e SÓ, os filmes mais importantes da minha vida! Não mencionei o 'Little Miss Sunshine', que é simplesmente genial e 'O' meu filme favorito, nem sequer o 'Eternal Sunshine of the Spotless Mind', que é outro que está no 'Top 5', ou o 'Fabuloso Destino de Amélie Poulin', não fiz referência aos filmes do Almodovar, de quem eu sou fanzérrima, com as suas cores, mulheres e gritarias de alguidar, ou sequer e mais recentemente, o 'Julie & Julia'...
Sou tão estúpida senhores, tão estúpida.
E ele, olhava para mim meio desconcertado, esfregava as mãos na cara e com um ar gozão voltava à carga: "Muito bem, então agora dá-me seis ideias para reportagens/matérias diferentes das demais".
E lá começava o meu coração outra vez a bater que nem um cavalo desenfreado e desvairado, a névoa branca a apoderar-se novamente do meu cérebro do tamanho de um amendoím, a tensão arterial a subir a pique e o 'Tico' e o 'Teco', cá dentro, a perguntarem um ao outro, 'então e agora, o que é que a gente diz?'.
Lá me consegui safar, é certo, embora não estivesse muito convicta de que as ideias dadas eram grande coisa, mas pronto, conseguir lembrar-me de algumas - mesmo que eles pensem que são uma grande bosta - para mim, já é uma vitória.
E quando tudo parecia estar a caminhar para o fim, quando as perguntas difíceis já pareciam ter acabado e eu começava a descomprimir e a voltar lentamente à minha pessoa normal, eis que o cabrão me faz a derradeira pergunta do 'entale':
"Diz-me o nome do Ministro das Finanças".
E pronto, nessa altura, senti-me morrer. Há uma imagem da antiguinha série Ally Mcbeal que elucida muito bem como me senti na altura - senti-me desfazer em água -, como se todo o meu corpo se transformasse em gotas e eu fosse por ali abaixo que nem uma enxurrada.
Eu lembráva-me da cara do homem, eu sabia que sabia o nome do homem, a imagem do estupor do ministro aparecia-me clara e nítida à minha frente, o nariz abatatado, os cabelos grisalhos, os lábios grossos, eu sabia que tinha entregue o orçamento de estado dois dias antes às 3 da manhã numa estúpida pen-drive e que não tinha cumprido o prazo imposto, eu sabia que tinha estado em directo no jornal da noite da Sic - porque o vi - a ser entrevistado pela Clara de Sousa, mas não fui capaz de me lembrar e dizer o nome do sacana do TEIXEIRA DOS SANTOS, acabando por ter de admitir que não sabia. (Mesmo tendo dado esta explicação toda - que era para ele não pensar que eu ando cá neste mundo para ver andar os outros).
Mesmo assim, acho que não me safei... quando ele olhou para mim, vi a desilusão estampada no seu rosto e eu senti-me uma mentecapta.
E de facto sou. Além de ter respondido uma data de clichés, nem sequer sei o nome do nosso Ministro das Finanças. Sou uma merda de jornalista, é verdade, mas pá, isso não se faz ó grandesíssimo filho da mãe!
Agora resta-me fazer figas e pensar que ainda posso ter sorte. Mesmo assim, até estou meio confiante.
SOU MESMO ESTÚPIDA!

quinta-feira, janeiro 28, 2010

auto-análise

Não tenho actualizado este canto porque ando sem computador e não por falta de vontade. Quer dizer, explicando-me melhor, eu computador continuo a ter, mas está tão marado que não me deixa escrever NADA no que quer que seja. Quero actualizar o meu estado no facebook e o gajo (computador) não deixa. Quero abrir emails e responder às pessoas e o gajo (novamente computador) não deixa. Quero vir actualizar o blogue e o gajo (pois, esse...) não deixa!!
Ai senhores, haja paciência para pc's! Tão cheios de 'não-me-toques-que-fico-cheio-de-vírus' que já estive mais perto de me mudar para desertos desconhecidos (traduzindo; ambientes mac)...
Por isso, não pensem que entrei em depressão total. Nop. Not yet. Ando apenas ocupada e sem máquina para dar voz a tudo o que me tem acontecido e me vai na alma.
E só para finalizar este desabafo sobre computadores e a minha respectiva ausência, é de um 'mac' que vos escrevo - o do gajo, pois claro (sim, desta vez é mesmo o 'gajo') - que por não estar em casa tenho-o só para mim, caso contrário, é para esquecer, que ele é um picuínhas com a sua máquina e detesta que eu me ponha a 'inventar' (citando-o), naquilo que é dele.
Pronto. Introdução concluída.

Monólogo 1
Ando a tirar um curso. O tal que falei no post anterior de que não tinha bem a certeza se deveria de fazer, não por falta de interesse ou vontade, mas por questões de timming - de faltar um mês para o meu subsídio de desemprego terminar, de andar desesperada por arranjar qualquer coisa, por achar que me ia roubar tempo para a procura activa de trabalho, por ir e vir todos os dias da Ericeira para Lisboa levando-me a gastar uma pequena 'fortuna' em gasolina e portagens... Enfim, tudo isso pesava na decisão final de ir fazer um curso que me iria roubar e ocupar o tempo todo - das 9h30 às 18h00 - quase todos os dias da semana.
Após conversa com o gajo, achei que o melhor era mesmo ir. Estava ocupada, conhecia pessoas novas e aprendia coisas que me poderiam vir a ser úteis. E como ele me deu tanto apoio para o fazer - e como eu no fundo, no fundo, também queria - fui.
Faltei no primeiro dia tomada por todas estas dúvidas existenciais que me assolavam a alma, mas no segundo apareci à hora marcada.
Convém igualmente dizer que este curso, não é bem um curso como os que tenho tirado até agora na minha vida profissional. Não é sobre escrita, imprensa, rádio ou televisão, não é de línguas, excel ou powerpoint, não me dá habilitações para vir a dar formação na minha área, ou competências para pintar um quadro, mas é um curso que visa o futuro e, como tal, é orientado para conseguirmos obter na nossa vida profissional as ferramentas e mecanismos para arranjar trabalho, mas também - e principalmente - trabalharmos naquilo que realmente gostamos/gostaríamos de fazer.
E vou ser muito sincera, se ao início quando olhava para os módulos achava apenas aquilo interessante, hoje, acho que tomar, efectivamente, a decisão de ir fazer este curso, foi das melhores decisões que fiz nos últimos tempos.

Monólogo 2
E porque é que o curso é assim tão bom? Ou melhor, porque é que é das decisões mais acertadas que já tive nos últimos tempos? Bom... porque o curso não é só aquele carácter prático e atípico do: vamos lá refazer o vosso CV, como ter noções de empreendedorismo, ou ensinar o que é uma boa rede de contactos e como a utilizar. Para mim, pessoalmente, está a ser muito mais do que isso. Está a ser uma terapia e quando digo terapia não tem apenas a ver com o facto de ter uma rotina, levantar-me todos os dias de manhã e chegar a casa como se estivesse a trabalhar, conhecer pessoas novas, ter conversas enriquecedoras, despertar interesse no outro, ou deixar de ter o pijama como principal indumentária. Claro que tudo isso ajuda na 'terapia', mas o curso está a ter a mais valia preciosa de me fazer olhar para mim própria e saber 'ver-me' com olhos de gente. De deixar de me sentir a desgraçadinha sem controle nos acontecimentos que luta contra o infortúnio e o azar e à qual ninguém dá trabalho, para os saber analisar de forma coerente e racional - que é coisa que eu muitas vezes não sou, porque fico completamente abalrroada pela avalanche de emoções que me atingem - para deixar de estar tão centrada no meu próprio umbigo e perceber que, infelizmente, existem dezenas, centenas de outros 'jovens' igualmente competentes, igualmente qualificados e igualmente talentosos na mesma situação que eu, de saber conhecer e identificar onde erro, como sou perante os outros, como me comporto, o que é que a minha atitude diz de mim e, muito principalmente, de ter o benefício de me ajudar a ser uma pessoa melhor.
Tenho inúmeros defeitos. Tenho tantos, mas tantos, que muitas vezes, quem me conhece, não imagina que os tenho. Mas tenho e admito-os, todos. E o que aconteceu de fantástico nestes últimos 3 dias, foi que consegui identificar mais falhas e defeitos em mim, pontos negativos e coisas a melhorar, do que em dez anos de trabalho.
Tenho noção de que a minha situação actual também se deve em grande parte à minha atitude. Tenho noção de que fervo em pouca água, que sou mandona, respondona e muitas vezes, um bocadinho arrogante. Não o faço de propósito, faço-o porque sou mesmo assim, mas isso não é desculpa, nem deve servir de justificação consentida. Nem para com quem me rodeia na esfera pessoal, nem para quem me contrata no âmbito profissional. E apesar de eu, em parte, já saber interiormente estas coisas todas, estes últimos dias fizeram-me pensar que não posso continuar a ser assim. Mais do que isso: não posso permitir! Porque senão, qualquer dia, corro o risco de ninguém me aturar, de ninguém ter paciência.
O meu marido não tem culpa de estar desempregada, logo, não tenho de descarregar nele as minhas frustrações.
Os meus amigos não têm culpa por terem vida profissional e eu não, logo, não deve ser por isso que eu me devo afastar.
O mercado tem lugar para mim, é só acreditar e fazer para com que as coisas melhorem.
Tenho ainda muito para dar e vou conseguir, basta persistência, determinação, paciência e empenho.
E, acima de tudo, a minha filha será certamente uma criança mais feliz e realizada se a mãe dela também o for.

Por tudo isto, por me fazer pensar, por me fazer ver que ando a ir pelo caminho errado, por me abrir os olhos com um grande estalo de 'acorda para a vida', este curso, esta 'terapia', está a valer por mil consultas no divã do psicólogo.
E como na vida as coisas boas vêm por arrasto, amanhã tenho uma entrevista de emprego marcada.

My fingers are crossed. :)

segunda-feira, janeiro 25, 2010

auto-consolo


Em dois dias, duas negas profissionais via email, uma delas, a um Domingo.
Outra segunda-feira em que o meu telefone não tocou uma única vez e em que enviei currículos às dezenas.
Há, neste momento, uma vaga numa agência que procura um assessor - e na qual eu gostaria muito de trabalhar - mas onde acho que não me irão sequer chamar, apesar de dar por mim a pensar na indumentária que levaria vestida caso isso acontecesse.
Faltei ao primeiro dia de um curso que ainda não estou totalmente convencida se o vá fazer, apesar de achar que faz todo o sentido ir e ter a cabeça ocupada.
Voltei a pegar no livro 'O Segredo' numa de me 'auto-motivar/ajudar', mas só de ler aquilo fico deprimida porque não consigo ter pensamentos felizes.
Tive um par de ideias giras para eventuais projectos/livros, mas falta-me a iniciativa e a disciplina de me pôr a escrever - além de achar que a minha escrita 'suck's' e está cheia de clichés, maus vícios e floreados.
Ontem, o meu marido, ao abrir uma revista que nunca leio, fez com que reparasse na foto de editorial da respectiva directora, que era, nada mais, nada menos, do que uma ex-colega de trabalho minha - bastante parvinha por sinal - onde aparecia em grande plano. Tive um ataque de choro = dor de cotovelo gigantesco e senti que toda a gente tem uma carreira menos eu.
Dizem que os 30 são os novos 20 e que, como tal, devem ser óptimos, glamourosos, decisivos, cheios de conquistas, sucessos e vitórias. Eu sinto que os meus estão a ser simplesmente desastrosos e já estou com 31.






Mas nem tudo é mau, porque hoje até fez sol e, apesar do frio, dei por mim a comprar margaridas lilases.
Ter flores frescas em casa deixa-me sempre mais bem disposta.

frase do dia

"Gozares contigo próprio é importantíssimo. Ajuda a ultrapassar problemas. Quando consegues rir das coisas estás a ultrapassá-las"- Retirado do jornal "i" de hoje, entrevista a João Quadros, humorista, escritor, argumentista.



Eu ainda não me rio das coisas mas tenho dias em que sorrio.

domingo, janeiro 24, 2010

diluída



Preciso tanto de palavras bonitas para me sentir apenas um bocadinho mais eu. Preciso tanto.

terça-feira, janeiro 19, 2010

desabafos...

Às vezes acho, que por a minha filha ter nascido saudável contra todas as previsões, esgotei toda e qualquer réstia de sorte que me estava destinada.
E devia viver feliz com isso, mas não consigo.

quinta-feira, janeiro 14, 2010

Dance, Dance, Dance


Sou uma bailarina frustrada, confesso. Desde infância que sempre senti o apelo e chamamento da dança, mas a minha mãe nunca me quis pôr no ballet, julgando tratar-se de um capricho meu.
Não era. Eu gostava (e gosto) mesmo de dançar e ainda hoje sinto a mágoa e o ressentimento por nunca me ter reconhecido o talento.
Tenho um chamamento pelo palco, mas reprimo-o. Dou-lhe asas apenas na privacidade do lar, sozinha, fazendo grandes performances que mais ninguém vê, deixando a imaginação voar enlouquecida para outras paragens.
E depois, vejo estes musicais linnddoooos de morrer, estas gajas boas, giras que se farta, vestidas de rendas e folhos, que cantam e dançam e tudo e tudo e tudo e fico a sentir-me uma sapa!
Ainda não vi o Nine, mas ando mortinha, até já pedi ao gajo para o 'sacar'. Se com 'Chicago' já foi o que foi, com este - que ainda por cima é do mesmo realizador - estou à espera de outra febre.

truques de maternidade

A Madalena anda com uma tosse horrorosa desde o Natal. Já ficou duas semanas em casa, já foi ao médico, já tomou xarope para a tosse, xarope bronco-dilatador, xarope caseiro de cenoura, antibiótico, ben-u-ron, brufen e tudo e mais alguma coisa. Nada resultou.
Todos os dias lhe espeto com carradas de soro pelo nariz abaixo - com ela a bater-me nas mãos, a berrar e as espernear que nem uma louca - sem resultado. Todos os dias lhe faço vapores com a máquina, de manhã e à noite, sem resultado. Todos os dias lhe esfrego o peito e as costas, de manhã e à noite com uma pomada tipo Vick´s (que se chama Transpumina se não estou em erro), que a deve aliviar - porque ela gosta - mas sem resultado.
Todos os dias, assim que a deito, ela começa a tossir. Tosse, tosse, tosse, acorda por estar aflita, chora, volta a adormecer, volta a tossir, volta a acordar.... Tem sido assim todos os dias. O peito dela 'ronca' e a respiração é ofegante. Depois do antibiótico voltou a ficar com pingo e ranho no nariz e eu já não sei que mais lhe hei-de dar.
Ontem, em desespero de causa, decidi fazer aquilo que li num email que recebi já há muito, muito tempo, sobre a tosse e que consiste em meter vick´s na planta dos pés.
Não tinha Vick´s cá em casa, por isso, improvisei e meti a pomada que é em tudo semelhante ao Vick´s, até tem o mesmo cheiro.
Coloquei e aguardei.
E não é que deu resultado? Não se ouviu ela tossir durante toda a noite!
Hoje volto a fazer o mesmo.

quarta-feira, janeiro 13, 2010

Esta Lisboa que eu amo

Tinha saudades de ver o Tejo ao fundo, entre os telhados ribeirinhos, ainda envolto pela névoa da manhã. Sereno e pacífico, como se fosse de confiança.
Todos os dias acordo com vista para o mar, mas é do rio que sinto a falta.

alimentação

Quanto mais deprimida, ansiosa, aborrecida, ou sem-nada-que-fazer estou, mais vontade de comer tenho. Um problema comum a muita gente, é certo, com a diferença de que entre ontem à noite e hoje - que ainda vamos a meio do dia - já morfei mais porcarias do que aquilo que devia de comer durante um mês inteiro. Senão vejamos:
- 6 donuts - é que foi a caixa inteirinha.
- 1/4 de toblerone - isto foi ontem e só foi 1/4 porque era só isso que havia...
- um magnum de amêndoas depois de jantar
- uma enorme tigela de chocapic de chocolate
e um pastel de nata.
Como podem ver, a minha alimentação, anda do mais saudável é diversificada possível... qualquer dia sou convidada como atracção no Festival do Chocolate de Óbidos por este ser o principal ingrediente e base primordial das minhas refeições.

Nota mental: o desemprego é inimigo da magreza e amigo da gula.

terça-feira, janeiro 12, 2010

ainda sobre o assunto do post anterior...

...sobre o qual eu não estou a conseguir desligar-me, confesso, convém adiantar, que esta minha 'amiga' em questão - para além de estar grávida quase em final de tempo - ir ficar de licença de maternidade durante 6 meses, ainda ter direito a um ano inteiro de subsídio de desemprego (sim, está desempregada também) - quando eu dentro de um mês fico a ver navios - não ser da mesma área profissional que eu apesar de ambas se tocarem, como se tudo isso não fosse suficiente para ter cinco dedos de testa antes de me vir pedir uma coisa destas, tem ainda uma empregada a tempo inteiro em casa que lhe vai pôr e buscar o filho mais velho à escola, lhe faz o almoço e o jantar, passa a ferro, arruma e limpa...
E a gaja ainda tem a lata de pedir os meus contactos para enviar o seu próprio CV, argumentando que 'lhe dá muito trabalho preencher os formulários online"?!?!
A mim também me dá trabalho e eu ODEIO fazê-lo, mas faço-o!
E se está desempregada, com a criança mais velha na escola e a outra ainda dentro da barriga, tem tanto tempo para se dedicar à procura activa de emprego quanto EU!
Por isso, faz-te à vida!!

o cúmulo da lata descomunal...

... é abrir o meu email e ver isto da parte de uma 'amiga':

"Olá Mafalda,

Queria pedir-te um favor - se me podias enviar alguns contactos de e-mail q tenhas para eu tb enviar cv´s de candidatura espontanea. Assim é mais rápido para mim, pq se vou aos sites das empresas, tenho de preencher os formatos online e nunca mais me despacho... bjos e Bom ano!"

Mas, mas, mas... esta gente droga-se?
Quer dizer, é do tipo: "olha, dá-me lá os contactos de emails de empresas para onde andas a enviar o teu currículo, porque eu também quero enviar, mas isso dá muito trabalho a fazer e é mais fácil pedir-te?!?"
Será que eu li mesmo bem? É que ainda estou em estado de choque com semelhante pedido, ainda para mais, vindo de quem vem...
É que é tão, mas tão, mas tããããooooo ridículo que só tenho vontade de rir!
Parece saído de um episódio do Seinfeld!

A inveja...


...é uma coisa muito feia, eu sei, mas hoje, hoje eu fiquei verdinha dela!

De manhã, enquando lia o 'i', dei de caras com um artigo que falava das 'Tralhas da vida', nada mais, nada menos, do que o primeiro livro editado a partir de relatos publicados no facebook.

Pronto, só tive vontade de cuspir na foto da gaja, confesso, pela sorte que teve, por nem ser uma coisa que tinha em mente fazer, por a ideia de compilar as crónicas que escrevia em livro lhe ter sido sugerida assim como quem não quer a coisa por um amigo, por ter 'por acaso', uma editora que a lia, lhe achava piada e que se atreveu a fazer-lhe o convite para publicação... o resto já vocês sabem (ou podem imaginar).

Fico fula com estas histórias felizes, estas 'casualidades' da vida. Ando eu há tanto tempo a enviar um projecto semelhante para todo o tipo de editoras e mais algumas e só me aparece é merda. Merda, merda, merda.

E depois há outros, que como por magia, nascem com o cu virado para a lua e tudo lhes vem cair no colo.


Porque é que este tipo de coisas não me acontecem a mim?
É karma? É castigo? É azar puro e duro? É por eu ser má pessoa e o universo conspirar contra mim? É falta de oportunidade? É o quê? Humm?
Fuck :(

segunda-feira, janeiro 11, 2010

quotidiano

A minha casa parece um enorme playground. Não há divisão nenhuma que não tenha carradas de tralha dela espalhada por todo o lado.



Mas eu gosto. :)




















(Tomei uma resolução para 2010 - voltar a fotografar o meu dia a dia como fazia em antigos blogues - voltar a captar a essência e beleza das coisas, das pequenas coisas. Voltar a sentir e a sorrir com elas.)

domingo, janeiro 10, 2010

'i'


Eu adoro o jornal 'i'. É que gosto mesmo. Um dos meus rituais preferidos do momento, depois de deixar a Madalena na creche, é seguir até à cafetaria/café com as coisas mais deliciosas que existem na zona de Mafra - bem pertinho do Mosteiro - comprar o jornal i no quiosque que há ao lado, pedir uma bolinha com fiambre e manteiga mal cozida, um abatanado em chávena grande e sentar-me, calmamente, sem pressas nem horários, a ler o 'i'. É o meu verdadeiro luxo.
Fico ali perto de uma hora, às vezes quase a manhã toda, devorando o jornal de uma ponta à outra. E nem me incomodo nada por estar sozinha, coisa que durante anos me deixava sempre insegura.
Gosto do facto do jornal ser a cores. Sempre achei os jornais maçudos e aborrecidos por serem tão cinzentos. Talvez por isso sempre tenha preferido as revistas, as grandes fotos, as produções, onde se respira qualquer coisa, onde se sonha, onde se sente com mais calor. Mas com o 'i' isso já não acontece.
Gosto da forma séria mas descontraída com que os assuntos são abordados. Consigo-os perceber todos (ahahahahaha), mas é verdade, a maior parte dos jornais é tão 'rectilínea' naquilo que escreve, que se perde o essencial. Fica-se com um estilo afastado da realidade, com uma mensagem que acaba deturpada ao leitor. E eu gosto das coisas simples. E com humor. Por isso gosto do 'i'.
Também gosto das ilustrações, das caixas com pequenas doses de informação, da secção regional - que na maioria dos jornais é das mais desinteressantes ou bizarras - das capas, dos títulos, das crónicas do Pedro Rolo Duarte (personagem que deixei de simpatizar desde que fui passar um fds para um turismo rural algures no Alentejo e ele também lá estava, amigo que era da proprietária...), do design jovem e arrojado, de saber que afinal ainda há espaço para um novo e diferente tipo de jornalismo em Portugal, mesmo quando todos dizem que vamos dar um tiro no pé, que é a morte à nascença.
Gosto tanto do 'i' que enviei o meu cv para lá na esperança vã de despertar a atenção de alguém, mesmo sabendo que neste momento, a minha vida - com filhos e a morar longe demais do que devia - não me permite entrar na engrenagem de um jornal diário. E o director respondeu-me, mostrando-se muito simpático e acessível, desejando-me inclusive 'bom ano', mas com a notícia de que 'de momento não estamos a recrutar'. Epá, que bom espírito, que simpáticos, que bem-educados!
Eu gostei, aliás, atrevo-me a dizer, que ainda fiquei a gostar mais do 'i'.
Mesmo que me ache demasiado inferior para fazer parte de semelhante qualidade.

dúvida






Marilyn Monroe was once quoted as saying that:



"Imitation is the most sincere form of flattery."

E vocês, concordam?

sexta-feira, janeiro 08, 2010

filhos a correr

Numa curta ronda pelos babyblogues que costumava visitar e comentar pela internet, apercebo-me de que existe uma série de mães, com filhos da idade da Madalena e pouco mais velhos, que já estão grávidas e bem adiantadas do segundo. Fiquei estupefacta! Como deixei de actualizar o blogue da Madalena, raramente lá vou e raramente leio os blogues que costumava visitar. Acho que ganhei uma aversão a babyblogues e por isso, passam-se dias sem ir ver as actualizações.
Às vezes bate a saudade de lá escrever, principalmente porque me obrigava a fazer um registo activo e diário da evolução dela que agora se perdeu. Já quase nem a fotografo e ainda ontem, dei por mim a pensar que desde o Ano Novo que não a fotografava e mesmo essa data, as fotos que tirei, foram poucas ou nenhumas, assim como o Natal, onde a máquina ficou sem bateria e nunca mais me lembrei de a pôr a carregar.
Mas voltando ao ponto inicial e motivo pelo qual escrevo este post, as segundas gravidezes, quando ainda se tem um filho tão pequeno, confesso que me atrofiam o cérebro. Claro que muitas vezes isso acontece por descuido, porque no pós-parto estamos a amamentar e não temos período e pensamos que isso basta e depois, 'ups-jesus-maria-josé', lá vem mais outro a caminho, mas nestes casos que vi e leio, são todas por vontade própria, porque querem engravidar, porque querem outro filho.
O gesto é bonito, sim senhora, não o nego. E corajoso! Eu seria incapaz de ter outro filho agora, principalmente quando acho que a Madalena, apesar de já ter um ano, ainda depende, tanto, mas tanto de mim. Apesar de já não ser propriamente um bebé de cólo, de já andar e de ser um pouco mais autónoma, não deixa de ser um bebé. É cada vez menos bebé e mais menina é certo, mas ainda é um bebé e como tal, precisa de uma atenção constante, de ser acompanhada, de ser estimulada, precisa do pai e da mãe a 100% e não apenas pela metade, repartindo essa metade entre o trabalho dos pais e a presença de um recém-nascido que nos ocupa o tempo todo com mamadas de 3 em 3 horas, fraldas, cólicas, crises de choro, noites mal dormidas and so on.
Não consigo deixar de pensar que mães que optam por engravidar, por vontade própria, de um segundo filho quando o primeiro ainda é um bebé, o fazem por puro egoísmo. É que uma pessoa quando está grávida é apaparicada até à exaustão, toda a gente nos dá lugares nas filas para passar à frente, toda a gente nos faz festas na barriga, toda a gente pergunta como estamos, preocupam-se connosco, dão-nos presentes, dedicam-nos atenção e depois, o bebé nasce e puff... tudo isso desaparece como que por magia e aquela sensação da barriga, de termos um ser a crescer dentro de nós, de sermos um só e não dois, acaba e fica uma espécie de vazio que nos deixa muitas saudades. De objecto de atenção a sermos criticadas é um passo... e dos curtos! Seja porque a criança não mama correctamente, seja porque chora, seja pelo que for, os motivos para toda a gente abrir a boca e mandar bitaites sobre maternidade são tantos que nem adianta aqui falar deles.
Claro que eu gostaria muito de dar, um dia mais tarde, um irmão(ã) à Madalena. Não queria que ela, há semelhança de mim e do pai, fosse filha única. Eu gostava de ter tido irmãos, nem que fosse para andar à porrada com eles, pois acho que isso, certamente, faria de mim uma pessoa mais tolerante e melhor do que aquilo que sou. Acho, mas não tenho a certeza. Mas não gostaria neste momento de estar grávida, nem de descobrir que estava grávida, pois isso seria a antítese daquilo que senti quando descobri que estava grávida da Madalena e que foi, felicidade pura.
E um filho deve vir assim, num acto de pura felicidade, por isso, eu nem devia de estar aqui a 'julgar' quem engravida de um segundo porque quer. No fundo, nem se trata de julgar, é apenas um desabafo, um comentário, porque comigo, que abdiquei de tudo por ela, agora é hora de retomar a vida que tinha antes e voltar a sentir-me a 'Mafalda' e não apenas a 'mãe'. Para mim, essa é a minha prioridade do momento, e ela, claro. Além do mais, a Madalena, depois de uma fase muito complicada de se lidar entre os 6 e o 12 meses, agora está simplesmente DE-LI-CI-O-SA! Confesso que tive muitas alturas em que perguntei a mim mesma: 'onde é que estava com a cabeça quando decidi ter um filho' e se ela foi desejada e se eu pensava que estava preparada...
Mas descobri que nada nem ninguém nos prepara para a chegada de um bebé que é tão surpreendente quanto assustador. Há dias maravilhosos e em que tudo corre bem e há dias em que parece um inferno, em que duvidamos das nossas capacidades, em que nos sentimos deprimidas, mentecaptas e incapazes. E eu, que não tive nenhuma depressão pós-parto porque andava nas nuvens nos primeiros 6 meses, confesso que nos seguintes bati no fundo. A Madalena berrava a maior parte do dia, não estava bem de maneira nenhuma, eu não tinha ninguém com quem a deixar, nem pais, nem sogros, nem ama, nem uma simples empregada doméstica ou mulher a dias que viesse cá a casa passar as pilhas de roupa que acumulam sem dó nem piedade e senti-me cada vez mais sufocada, cada vez mais sozinha, cada vez menos eu, sem ninguém a quem recorrer.
Só agora, que ela está mais calma, cheia de graças, que nos dá boas e completas noites de sono, que fala e interage comigo, que a consigo perceber, que me faz rir e que foi para a escolinha, dando-me tempo e espaço para eu própria respirar, é que consigo voltar a sentir as delícias da maternidade em pleno e, talvez por isso, não consiga compreender a vontade e o desejo de certas mulheres em engravidarem logo após o nascimento de um filho.
Mas isso sou eu, que sou um ser complicado por natureza.

quinta-feira, janeiro 07, 2010

mais um episódio daqueles meus, só meus...

Ainda não tinha aqui escrito sobre algo que me aconteceu no último dia do ano de 2009, ou penúltimo, já nem me recordo bem, só sei que foi a seguir ao Natal e àquele dia em que a zona do Oeste, Ericeira incluída, acordou para a devastação provocada por um 'ciclone tropical'.
Pois bem, na manhã desse dia, quando saí de casa - já nem me lembro onde tinha de ir - dirigi-me à garagem para tirar o carro como sempre faço. O nosso lugar de estacionamento é estreito e de todos os lugares de estacionamento do prédio é, provavelmente, o mais ingrato e piorzinho deles todos. De um lado uma parede do outro um pilar. Como se isto não fosse já de si mau sinal, o meu homem, ao longo deste ano e meio em que residimos por aqui, decidiu encher aqueles esparco lugar de estacionamento de tralha! Ele é sacas com lenha que os meus sogros trazem aos magotes da terra, ele é latas de tinta de 5 quilos, ele é pedras da antiga lareira que foi destruída para dar lugar à nova quando fizemos obras e que esperam ir para o lixo, ele é coisas que já não consegue arrumar na arrecadação, ele é caixas de televisores tamanho XL.
E é sobre estas ditas caixas que eu quero mesmo falar.
Eu já tinha, encostada à parede da frente, uma caixa - quando comprámos o LCD mais pequeno no Natal de 2008 - e em que ele, com a desculpa esfarrapada do: 'pode sempre ser preciso trocar, levar à loja e por isso, fica aqui por uns dias', decidiu guardar. Mas os dias transformaram-se em semanas, as semanas em meses e a porcaria da caixa, além de me roubar lugar ao estacionamento, ainda lá estava.
Depois, dias antes deste último Natal, ele decide trocar o velho televisor da sala por um mega LCD e espetar-me com outro caixote no lugar de estacionamento, desta vez ao lado da porta do condutor, o que significava que quando queria sair ou entrar no carro, tinha aquele 'mono' a reduzir-me os movimentos e o espaço. (Convém também referir que só eu estaciono naquele lugar porque o meu carro é pequenino e cabe lá, por isso, as caixas só a mim me incomodavam!)
Pois bem, como estava eu a contar, nessa manhã, eu vi as caixas e passei-me! Decidi que se ele não as levava dali até ao ecoponto mais próximo era eu que as tirava, mesmo sem saber como, mas tirava! E a solução que encontrei, depois de andar às voltas com os caixotes e a tentar metê-las à força no banco traseiro do carro mas sem sucesso, foi enfiá-los na bagageira e ir com a porta da mesma aberta.
Dito e feito. Enfiei as caixas na bagageira, deixei a porta aberta, sentei-me no lugar do condutor, abri o portão automático da garagem e eis-me decidida a fazer-me à vida.
Acontece que a minha garagem tem uma enorme rampa de acesso e essa mesma rampa estava cheia de lixo do temporal da noite anterior. O meu carro, que ainda estava frio por ter estado toda a noite parado e eu não lhe ter dado tempo suficiente para aquecer, foi-se abaixo a meio da subida e quando eu já tinha clicado no comando do portão automático para o fechar. Ainda puxei do travão de mão - sem sucesso - e liguei-o à velocidade da luz, dando força no acelerador para ver se o gajo subia a rampa, mas nada, os pneus (que estão meio carecas e a precisar de serem substituídos) patinavam em todo o lixo e porcaria que havia no chão, sem qualquer tipo de aderência e comigo a ficar seriamente assustada por sentir o carro a deslizar. De repente, e sem ter tempo para mais nada, só ouvi um 'pum-pum-pum-pum-pum-pum-pum-pum' monstruoso...
O que era? Ainda fiquei uns tempos sem perceber muito bem a razão de tal barulho, como se todo o meu cérebro estivesse desprovido de inteligência e lá dentro só houvesse vento, há semelhança do que tinha acontecido na madrugada anterior, mas na realidade, aquele som era, nada mais nada menos, do que o portão a fechar e a bater em cima da porta da bagageira que estava aberta por causa da porcaria das caixas...
Quando acordei para a realidade, lá tive a reacção de clicar novamente no comando para abrir o portão e deixei-me deslizar até ao interior da garagem com as pernas todas a tremer do susto. Só pensava que a porta da bagageira devia de estar estilhaçada em mil pedaços, que era bem feito para eu aprender a não me dar ataques de fúria irracionais e de limpeza repentinos e que agora bem o podia ouvir, a ralhar comigo, como se fosse uma criança inconsciente.
Quando parei, saí do carro e corri para a traseira para ver o estrago e qual não foi o meu espanto quando verifiquei que não havia nada! 'Oba, oba' - pensei eu - 'desta já me safei!!' E pronto, preparada e com tudo devidamente no sítio e em ordem, contentinha da silva por tudo não ter passado de um episódio surreal assustador, lá consegui sair da garagem formosa e segura.
Foi só quando estava a tirar as caixas para as colocar no ecoponto que verifiquei que afinal, a porta não estava assim tão 'inteira' quanto isso... tenho uma parte, em baixo, amolgada, a pintura estalou e daí a ficar ferrugenta vai ser um passo.
Só mais tarde é que tive coragem de contar ao Carlos a minha avaria, que claro, me deu na cabeça na mesma.
Diz que tem ali despesa para perto de 700 euros, que será necessário substituir a porta toda, que só tenho ideias loucas, que estou sempre a 'aprontar'.
Ele até tem razão no que diz, até oiço a consciência a pesar, mas pronto, que me livrei das caixas, livrei!

Sabem qual é o cúmulo do azar?

Não? Então eu explico! O cúmulo do azar é pedinchar ao marido cremes da Clinique pelo Natal, porque isto quando se está na casa dos 30 a malta começa a gostar de umas coisinhas mais refinadas - e os da marca Nivea, apesar de baratinhos, não fazem grande coisa pelas rugas e flacidez já instaladas - e o gajo comprar duas caixas cheias deles! Sim, isso mesmo, 2 caixas!
Do serúm, ao hidratante, do desmaquilhante ao sabonete em creme, da máscara facial ao tónico, da maquilhagem ao creme de corpo e de mãos e ainda uma bolsinha toda bonita em tons de rosa cheia de amostras lá dentro! (pudera, com a pipa de massa que o gajo gastou nisto tudo, a vendedora lá foi uma 'mãos largas' (uau)...)
Bom, dá para ter uma ideia não dá? Eu parecia uma criança numa loja de doces quando abri e vi aquilo tudo, porque na verdade, só lhe tinha pedido o creme para o rosto e o desmaquilhante, porque sei que são caros, porque sei quanto gasto quando cometo o devaneio de comprar os dois!
E ele surpreendeu-me, pois claro, e deu-me muito mais do que esperava, numa forma clara de me mimar e ver-me feliz. Só há um senão: os cremes são para peles secas a super-secas e eu, apesar de ter a pele do corpo super-super seca, a do rosto, curiosamente, é mista e com tendência a oleosa! Logo, os cremes da Clinique, bons, caros e que geralmente fazem maravilhas à minha cara, deixando-a luminosa, limpa e hidratada estão a ter o efeito contrário e estou, neste momento, com o queixo cheio de borbulhas que teimam em não passar e com a pele toda a estalar, numa reacção marada que me deixa a agonizar cada vez que me vejo ao espelho.
Claro que só reparei nesse 'pequeno' grande pormenor depois de já ter usado TUDO, logo, nem podem ser trocados porque já foram abertos... E como eu me recuso a deixar uma quantidade de produtos da Clinique - como eu nunca tive na vida - ao abandono, continuo a aplicá-los diariamente, duas vezes por dia, de manhã e à noite, esperando que esta reacção alérgica seja provocada por tudo, menos por eles.
Mas nem o programa 3 passos me salva. Estou cada vez pior.
E como tenho mau feitio, só me apetece dizer que a culpa é dele, que no dia em que foi comprá-los, não quis levar a embalagem vazia do creme que eu estava a usar. (sim, eu já sabia que ele me ia oferecer os produtos, porque lhos pedi, por isso, não havia surpresas.) Se ele o tivesse feito, como lhe pedi na altura, nada disto tinha acontecido, a senhora da loja tinha visto o creme correcto, para o tipo de pele certa, eu não estava neste estado miserável de 'muda da pele' e ele não tinha gasto dinheiro desnecessariamente. Mas não, como é cabeça no ar e acha que meia informação basta, acaba por fazer as coisas, mas de forma errada.
Pronto, chamem-me ingrata, eu sei, mas não suporto a ideia de ter ali os produtos, saber que eles custam os olhos da cara e não os poder usar porque me fazem mal!
Só me apetece fazer birra e espernear que nem as crianças pequenas!
Buáááááá!!! :(

terça-feira, janeiro 05, 2010

Tenho a miúda em casa. Again. Desde o Natal que anda adoentada. Ora tem picos de febre, ora tem tosse, ora o peito dela pia que nem uma chaleira ao lume. A coisa até podia ter melhorado não fosse a médica ter estado de férias, não me atender o telefone e eu me recusar a levá-la ao hospital. Primeiro teve sapinhos e o apetite evaporou-se. Não quer sopa, não quer sólidos, não quer iogurtes, nem boiões de fruta, nem bolachas, nem nada de nada. Só quer leite e mal e por isso, a hora da refeição, transformou-se num pequeno inferno. Depois dos sapinhos juntou-se uma enorme crise de dentes... os caninos estão a romper (um já está de fora) e o outro a caminho, com eles, os dois pré-molares inferiores. Não admira o estado de espírito da rapariga. Calculo que não seja fácil.
Depois veio a febre, o rabinho assado, os rios de baba, a tosse de 'cão' e o ranho... verde!
Ugh!
Era imperativo: ela tinha de ir ao médico. E foi. E o resultado nem eu sei muito bem, só sei que tem o peito cheio de porcaria e que precisa de limpar. Os aerossóis que temos feito não têm dado resultado, mas temos de os continuar a fazer. Colocar-lhe soro fisiológico no nariz é algo que só filmado, porque tenho, literalmente, de lhe prender os braços e pernas, fazer peso com o meu corpo sobre o corpo dela - numa luta quase greco-romano - para lhe conseguir, à pressa, disparar umas esborrifadelas enquanto ela grita e berra desalmadamente. Tirar-lhe a febre é outro drama. Detesta. Colocar-lhe supositórios, idem.
Só gosta de beber xaropes. Aí sim, é vê-la toda contente a abrir a boca quando me vê de frasco em punho e embora ande há quase uma semana a tomar brufen e xarope para a tosse, a coisa não melhorou e atacámos hoje com o antibiótico.
Espera-me assim outra semana inteira com ela em casa, depois de ter ficado comigo - e de me ter posto a cabeça em água - a semana passada.
Logo agora, que preciso de me concentrar em pesquisar, enviar currículos e aproveitar todos os dias e horas ao máximo nesta corrida inglória contra o tempo.
Bem sei que a saúde dela é a causa mais prioritária neste momento, o pior, é que eu com ela em casa não consigo fazer nada! E tarefas como: estar ao computador, passar a ferro, ir ao supermercado, ir à segurança social, iada, iada, iada, demoram o dobro, senão o triplo do tempo.
Assim não há santo que me valha!
Posso ir ali blasfemar a minha triste sina? Posso?

segunda-feira, janeiro 04, 2010

saldos


O ano começou e hoje estreei-me nos saldos. Não resisti. E o balanço até nem foi mau, senão vejamos:


2 camisinhas meio 'punk-rock' a 9€ (agora ando assim, a querer ser 'cool' e 'edgy', o que é que se há-de fazer?), um vestido cinzento de lã (ou será camisola?), quentinho, confortável e básico - o que significa que fica bem com tudo - a 12€, uma casaquinha preta - já a pensar numa eventual entrevista que possa surgir e que exija um visual mais formal, embora ousado - com tachas a toda a volta e chique a valer.

Mas a peça que me fez dar piruetas de contentamento, aquela que valeu mesmo a pena esta primeira incursão pelas 'rebajas' tugas, foi descobrir um fantástico macacão de tecido acetinado, de cor indefinida - entre o castanho, o bege e o camel - lindo, lindo de morrer e super fashiioooooonnnn pela módica quantia de 12€!


Pena é que só o possa usar no Verão.

domingo, janeiro 03, 2010

os primeiros dias de 2010

O novo ano não começou da melhor maneira. Muita tosse, alguma febre, muita farfalheira e ranho e muito desespero e paciência para que ela coma qualquer coisa... e quando digo qualquer coisa, é mesmo qualquer coisa, porque não anda a comer nada! Só bebe leite e mesmo assim é pouco.
Estou há uma semana com ela em casa a tempo inteiro e sinto-me a enlouquecer. Houve dias em que estava tão rabugenta e insuportável que só me apetecia gritar ou enfiar a cabeça debaixo de um combóio. Também não anda a dormir nada de jeito durante o dia. Sestas de 20 minutos e pronto, acorda. Nem um banho decente consigo tomar. E, como anda doentinha, só quer colo, mimo e a mãe, pelo que não consigo fazer nada sem ela atrás de mim.
No último dia de 2009 e enquanto nos preparávamos para sair e metermo-nos à estrada para ir passar a passagem de ano a casa de amigos, a Madalena testava os nossos limites com uma birra descomunal de sono e sei lá mais o quê, que se prolongou durante quase toda a viagem com gemidos, guinchos e choro constante. Sentia-me a stressar e prestes a explodir. Confesso que lhe levantei a voz umas quantas vezes e tive alturas em que só me apetecia dar-lhe uma palmada, mas lá me controlei.
Só sossegou na casa dos avós - quando parámos para lhes dar um beijo - e quando chegámos a Alcobaça e se viu rodeada de outras crianças. Só aí ficou excitadíssima e esqueceu de nos azucrinar a paciência. Sinceramente, acho que também ela está farta de mim e de me ter em casa a tempo inteiro...
A passagem de ano foi calma. Rodeada com um casal amigo de longa data e as suas filhas, mais a família dela toda - que é quase como se fosse minha também - mais uns quantos casais amigos deles que se juntaram ao jantar e acabaram por ficar por lá a passar a meia noite. É o que dá ter uma casa grande pronta a receber visitas e pessoal com crianças pequenas que tem, quase por opção, de passar necessariamente estas datas festivas 'indoors'. Claro que não me livrei de cozinhar - já é da praxe - e de ter de trabalhar como se estivesse em minha casa. (malvada sina a de uma mulher, nunca se livra da porcaria dos tachos...) e além dos doces que levei, ainda ajudei a preparar o jantar e o almoço do dia seguinte. A Madalena acordou 3 minutos antes da meia-noite numa gritaria desgraçada. Despertou com o barulho e como não reconheceu onde estava, assustou-se. Assim, acabou por passar a meia noite connosco, acordada, embora sem perceber nada do que estava a acontecer e porque motivo os pais e aquela gente toda estavam tão efusivos e barulhentos. Passado nem meia-hora acorda a Clarinha, de 10 meses, e lá ficaram as piolhas juntas na brincadeira até às 3 da manhã, altura em que o sono as venceu. Passava pouco das 5 da madrugada quando me deitei - porque fiquei na converseta na sala - e ainda nem eram 8 horas quando a Madalena acordou e desatou aos gritos. Bom... a minha cabeça, mais uma vez, parecia que ia explodir, desta vez de cansaço e de falta de horas suficientes de sono, mas ela, apesar da febre - 38,5º - estava enérgica e só queria era brincadeira. Lá a conseguimos sossegar ao fim de algum tempo e enfiá-la na nossa cama - coisa que fizemos pela primeira vez desde que nasceu - porque estávamos de rastos e queríamos dormir. Ela ainda demorou perto de hora e meia a sossegar - ora viráva-se para mim e apertáva-me o nariz, beliscáva-me as bochechas, craváva-me as unhas, puxáva-me os cabelos - ora queria sair da cama e deixar de estar ali presa.
Por fim adormeceu e nós também. Foi um alívio.
Acordámos por volta do meio dia, com ela ainda ferradinha a dormir e fomos tomar o pequeno-almoço descansados e civilizadamente. O resto do dia passou num instante e regressámos a casa já de noite. Ontem nem saímos e andámos os 3 o dia inteiro sempre em pijama numa ronha de sofá desgraçada. Hoje as coisas estão no mesmo pé, com a diferença de que o pai teve de ir trabalhar e estou sozinha com ela em casa.
Febre já não tem e hoje comeu um bocadito melhor que ontem, está bem disposta e fala pelos cotovelos, mas continua a ter muita tosse e uma farfalheira no peito que dá impressão ouvir, apesar de lhe fazer aerossóis diários.
Eu, com tanto vírus ao meu redor, fiquei meio adoentada também. Há pouco tomei umas pastilhas para a gripe e um brufén - por causa das dores no corpo - que me deixaram com uma moca de sono descomunal. Fiquei mesmo pedrada. O que me valeu foi que ela, por causa da medicação, também devia de estar de rastos e dormiu umas 4 horas seguidinhas.
Ainda me doem os pés por causa da porra dos saltos e das botas que usei na noite de 31 para 1. É o que dá querer ser fashion em casa e no meio do nada. No dia seguinte mal conseguia andar. Doía-me a planta do pé de tal forma que parecia que estava deformada, assim como os gémeos e os rins. Comi marisco que dáva para uma casa de família e nem me atrevo a pesar com medo de me dar um coisinha má, mas de vez em quando bebo chá e acho que só esse gesto já me tira de cima do lombo uns 2 quilos (no mínimo!).
Este início do ano trouxe também a constatação de que os meus amigos de longa data, aqueles que eu pensava serem o meu núcleo duro, já não o são. Este período de Natal e Ano Novo mostrou isso mesmo e provou, mais uma vez, que desde que a Madalena nasceu nós fomos quase que 'excluídos' de todos os encontros e festividades que possam acontecer. Tive a constatação esta tarde, quando estava ligada no facebook e vi que passaram a passagem de ano todos juntos mas que ninguém foi capaz de nos dizer nada. Não é que fossemos, claro que não podíamos, mas a verdade é que já nem sequer fazem conta connosco. Somos mesmo carta fora do baralho. E se não fosse a minha amiga/'irmã' de sempre a convidar-nos para irmos ter a casa dela, tínhamos passado a passagem de ano sozinhos, os 3 e em casa.
Claro que isso me magoa. Claro que isso me deixa ressentida, até porque, tenho a certeza, de que quando uma delas tiver filhos, depois sabem vir bater-nos à porta, pedir coisas emprestadas ou conselhos e eu cá estarei para as receber de braços abertos e dar tudo e mais alguma coisa, como sempre fiz, mas agora, que somos pais, moramos longe e, ainda por cima, eu estou desempregada, fogem de nós como o diabo da cruz. Morremos para a vida por assim dizer.
Por isso, uma das minhas resoluções para este ano passa por não pensar sequer que tenho amigos de longa data por assim dizer, ou que posso contar com eles, quando já vi, várias vezes, que não posso.
São cada vez mais estranhos para mim.
Constato, que o meu núcleo duro sao 3 pessoas - eu, ele e ela - e é só.
Sinto falta deles, mas ultimamente, as acções praticadas têm-me deixado mais magoada do que propriamente contente com o rumo das coisas. Há pessoas que eu, pura e simplesmente, deixei de 'conhecer', de saber como estão, o que fazem, como vão... Por isso, em 2010, eu vou centrar-me apenas no essencial, tal como já referi no post anterior, e eliminar quem não interessa da minha vida.
Mesmo que isso signifique que ficaremos centrados apenas em nós próprios.
Tanto melhor.