sexta-feira, abril 09, 2010

a vida como ela é

Penso em mil e uma coisas para escrever aqui durante o dia e depois falta-me sempre o tempo, a vontade, a disponibilidade, esqueço-me, enfim...
Quando abro esta página parece que a minha mente fica proporcional ao ecrã e, como tal, reflectora do mesmo, ou seja, branca!
Nada se me ocorre, nada de revelo, de interessante. Fico uma amorfa, uma pata-choca, uma banal.
O trabalho corre bem, mas é tanto, que nem tempo tenho para me coçar. A viagem à Escócia também já era. É o que dá cantar de galo em capoeira nova. Numa semana fiz mais propostas de comunicação do que em toda a minha vida de trabalho de agência até à data. Eu gosto, porque me dá calejo e aprendo uma série de coisas novas que antes me causavam muitos medos e inseguranças. Ainda causam, mas já começo a tratá-las por 'tu'.
Sou, oficialmente, account sénior e até já tenho uns cartõezinhos todos 'pipis' com o nome e contactos para dar aos clientes. Confesso, na minha mais pura vaidade profissional, que gosto do estatuto mas tenho medo, muito medo de falhar em tamanha responsabilidade. Sinto-me sempre pequenina e inexperiente, logo, acho sempre que tenho mais a aprender do que a fazer valer. Não devia de pensar assim, eu sei, principalmente quando já trabalho desde os 20 e vou a caminho dos 32, mas é-me inevitável. Se eu própria não me dou a devida consideração e crédito, quem o dará? Os outros? Já devia de saber por experiência própria que isso, não acontece. Principalmente se não tivermos os contactos certos. Podes ser uma besta, só fazer merda e ser uma nódoa, mas com os contactos certos, vais a todo o lado. O contrário é que já é mais difícil.
Volto a achar que, mais uma vez, falo mais do que aquilo que devo, isto apesar de a minha mãe me dizer para eu estar calada, para eu saber ouvir mais do que falar.
Não consigo. Sou uma parva.
Com a minha vontade em ser simpática e socialmente aceite num ambiente novo, abro a matraca demais e pumbas, sou um livro aberto, não escondo nada a ninguém - o que só reflecte cromice da minha parte. Isto, constato, não é ser boa pessoa, é ser burra!
Por aqui há grandes stresses - como em todas as agências - e as pessoas não são lá muito simpáticas, mas não há - até ver - faltas de respeito entre colegas, gritarias e afins. E isso, para mim, já é o paraíso.
A conjugação trabalho-família é complicada mas tem corrido bem. Todos os dias saio daqui a rondar as 7 da tarde, demoro 45 minutos a 1 hora a chegar a casa (por causa da porcaria do trânsito) e chego sempre às 20h00, ou depois disso. A Madalena fica histérica sempre que me vê e grita muito alto: 'Maaaaaamã, maaaaaaaaaamã', dá-me muitos beijos e abraços - é a melhor parte do meu dia - e a partir daqui é a contra-relógio, tudo é feito sob pressão e numa correria desenfreada; o banho dela, vestir-lhe o pijama, fazer o jantar, dar-lhe comer, escolher a roupa dela para o dia seguinte, deitá-la, tentar eu jantar, preparar a marmita para o dia seguinte, tomar banho (de manhã não tenho tempo), preparar a minha roupa (porque se de manhã me dá as indecisões nunca mais saio de casa), preparar a mochila dela para a creche, ver se há sopa dela suficiente para o dia seguinte, porque caso não haja, toca de a fazer - o mesmo acontece com o jantar do dia seguinte - enfim.... é o que eu digo, se não ficar magra que nem uma cadela, é porque não dá mesmo, porque passo horas e horas sem comer e a dar no duro!
Chego à cama estafada, mas deito-me sempre tarde porque o sono, esse, nunca vem antes da 1 da manhã e depois... bom, depois chego ao final da semana com uma cara de desenterrada e umas olheiras do tamanho de círculos lunares porque durmo, em média, 4 a 5 horas por noite. Desta forma faço-me velha depressa.
Mas tem tudo corrido bem e a minha mãe, às 5ªs e 6ªs, dá-me uma ajuda preciosa, vai buscar e pôr a Madalena à escola, limpa-me a casa, passa-me roupa a ferro, faz-me o jantar... tadinha, tem sido de uma preciosidade sem limites! O Carlos também tem se adaptado bem ao seu novo papel de 'pai mais activo' e todos os dias é ele que acorda a Madalena, a veste e a vai pôr à creche, o que dá origem a que a miúda, depois de um estado de 'mãezite aguda', agora tenha situações em que só quer o pai, colocando-me a mim de parte e deixando-me roída de ciúmes, mas pronto, que remédio tenho senão conformar-me. Claro que com tanta azáfama, o tempo para nós dois/três é cada vez menor, estamos todos em fase de adaptação a esta nova louca e esquizofrénica rotina, mas tem de ser. O tempo que passamos com ela depois do trabalho é mínimo e, entre nós dois, depois de a deitarmos, idem.
Claro que já sei que daqui a uns meses e a continuar a este ritmo - de acordar às 6h50 da manhã e a chegar a casa depois das 20h00, deitar-me às 24h00 e adormecer às 02h00 - irei blasfemar a minha triste sina, dizer que quero voltar a ser 'doméstica' e que não fui feita para isto, mas por enquanto, apesar de saber que afinal não esmoreci em termos de trabalho e que sempre consigo dar conta do recado, por enquanto, vou só aproveitar mais um bocadinho este ligeiro e decrépito estado de graça.
E hoje é sexta, são 15 da tarde e tenho o trabalho todo feito. Vou relaxar um bocadinho.

E aqui ficam algumas fotos da minha babe linda :)

Está tão crescida, tão senhora do seu nariz, tão desenvolta que, tenho dias, em que olho para ela e quase tenho vontade de chorar. São as hormonas e o sacana do SPM, eu sei, mas mesmo assim...

Snifff.

terça-feira, março 30, 2010

prós e contras

Ora, ao fim de 2 dias de trabalho, vamos lá fazer aqui um apanhado resumidinho das primeiras impressões em jeito de 'prós e contras' e ver para que lado pesa mais a balança.
Contras
  • Levantar às 06h50 custa e muito. Demorar perto de 40 minutos a uma hora de viagens diárias, para lá e para cá, idem. Mas tem de ser e por enquanto, tem corrido bem. Chego cedíssimo (tipo, 8h30) e ainda tenho tempo de tomar o pequeno-almoço calmamente no café do lado, além de ter sempre lugar para o carro. Nunca madruguei tanto na vida para ir trabalhar, nunca! E só espero que a pedalada de sair da cama mal oiço o despertador se mantenha por muito e longo tempo.
  • As pessoas não são de grandes confianças ou simpatias. Ali trabalha-se e o ambiente, por vezes, é tão silencioso que acho, até se ouviria uma mosca. Ontem estranhei imenso, isto porque sou uma pessoa ruidosa por natureza, mas, tal como pensava, o facto de ter sido segunda-feira também tem muito que se lhe diga e hoje já estava tudo mais descontraído - mas sem grandes abusos.
  • O computador onde me encontro a trabalhar é da idade da pedra e, como a empresa não tem serviço de apoio informático no local - por ser uma empresa externa que o faz - o problema tarda em ser resolvido. Assim, e apesar de já me terem dito que uma máquina nova foi pedida para mim, a mesma não deve chegar antes de terça-feira da próxima semana... e se juntarmos a isto o facto de, no computador onde estou, não ter acesso a word, a excel, a powerpoint, nem a email... bom, resta-me muito pouca coisa que possa fazer para adiantar trabalho.
  • A cozinha da agência é mínima, tão mínima que não há mesas para se comer. Apenas um pequeno lava-loiças, um microondas e um frigorífico de tamanho rídiculo e quem quiser, que coma na sua secretária. Acho decadente, confesso, mas já tive de dar a mão à palmatória e hoje, toca de levar a bela da marmita e o atoalhado.
  • As casa de banho são partilhadas por homens e mulheres. Outro ponto, a meu ver, negativo. Odeio, mas que hei-de fazer? Se não podes vencer, junta-te a eles. Até agora ainda ninguém deixou tampas de sanita salpicadas, sujas e/ou para cima, o que já é bom.
  • A zona envolvente aos escritórios também não é das mais bonitas e parece o 'bairro xangai'. De restaurante a lojas chinesas há de tudo. Mas eu já enfeirei umas botas/sandálias para a Primavera/Verão e comi gambas fritas com amêndoas.

Prós

  • Calhou-me um lugar maravilhoso, se não mesmo, o melhor da sala. Estou sentada a um canto, apenas com uma pessoa ao meu lado esquerdo e sem ninguém à minha direita (onde se encontra um painel de vidro fumado) e tenho o computador virado para a parede. Vejo tudo mas ninguém vê o que faço! Ahahahaha adoroooo.
  • O ambiente, apesar de mais selecto, dá-me a parecer que há, ali, respeito pelo próximo e seu respectivo trabalho. Acho, mas não tenho a certeza, ainda é cedo para avaliar. De qualquer forma, gritarias, peixeiradas e mãos na cintura como acontecia no trabalho anterior e que tanto me chocavam, parecem ausentes e sem qualquer sentido. Ufff.
  • Ontem atrofiei um bocadinho com a pressão e responsabilidade de ser a única account a trabalhar a comunicação de certas marcas/produtos e de não saber fazer certas coisas como, por exemplo, relatórios de clipping para envio ao cliente. Isto porque na anterior agência tais tarefas eram-me negadas e eu sinto que fiquei com um pequeno/grande 'handicap', por assim dizer... Durante os anos em que fui jornalista o word era (e continua a ser) o meu programa de trabalho por excelência e dos poucos que domino, logo, tudo o que seja mexer em excel, me atrofia o cérebro. Mas hoje, hoje fiquei a saber que os relatórios não são responsabilidade minha mas sim dos estagiários, que, coitados, fazem esse trabalho de seca e, mesmo que sejam ou tenha eventualmente um dia de os fazer, depois de os ter visto, são tão mais simples e fáceis de perceber, que achei aquilo 'peanuts'.
  • Outra coisa boa é que o trabalho ali é organizado e está dividido de forma bem mais lógica entre os accounts. É tudo tão mais simples! As pessoas trabalham contas em conjunto sem qualquer problema, sem atropelos e em verdadeiro espírito de equipa. E eu só pensava: 'epá, é que é mesmo assim que deve ser!'
  • Logo no primeiro dia entregaram-me para a mão um telemóvel novinho em folha. Posso não ter computador de jeito (por enquanto), mas já posso fazer chamadas! Ahahaha
  • As contas que irei trabalhar são engraçadas e espirituosas. Ando a ler informação sobre as mesmas e estou, verdadeiramente, a gostar. Devem ser bem giras de se trabalhar e festas, eventos e meetings com os jornalistas não irão faltar. Em Abril tenho já um na Bica do Sapato...
  • Para rematar com a cereja em cima do bolo, ontem, primeiro dia, fui logo informada de que, em princípio, serei a account que irá acompanhar 2 jornalistas numa viagem à Escócia já em Maio! Ááááááá flipei! (mas não dei parte fraca!) É que a Escócia sempre foi 'aquela' viagem de sonho e uma grande pancada minha - que sempre achei que 'isto de ter nascido num país latino e cheio de sol deve ter sido erro de percurso'. E, porque as coisas boas vêm aos pares, em Setembro, eventualmente, terei outra! ahahahaha

E pronto, ainda só se passaram dois dias... mas por enquanto e assim que me lembre, é isto.

segunda-feira, março 29, 2010

medricas

É o que eu sou. Sim, sou uma pessoínha acagaçada com medo. Um pedacinho de nada, uma insignificância pequenina.
Comecei a trabalhar e vim de lá borrada de medo.
Medo de não dar conta do recado.
Medo de falhar.
Medo de não conseguir.
Medo de ser incapaz.
Medo de não saber.
Medo de não ser aceite.
Medo de ser incompetente.
Medo de estar há demasiado tempo afastada deste meio que tenha perdido o combóio.
Medo da minha própria sombra e de mim mesma.
Medo até dos meus pensamentos, de que o espírito me atraiçoe.
Medo de ser despedida.
Digam-me que isto é apenas o embate 'normal' de quem esteve cerca de 2 anos afastada do trabalho e, quando começa, leva um enorme estaladão pela frente.
Digam-me que amanhã já passou, que ao fim de uma semana já entrei na 'confort zone', e que daqui a um mês ninguém me segura.
Digam-me, a sério, porque eu ainda não sei se acredito.
Agora vou ver se durmo, porque isto de acordar às 06h50 da manhã e estar mais de 12 horas afastada de casa (e da minha cama), dá cabo de qualquer um.

return

O vestido está passado e colocado de forma impecável nas costas da cadeira. A seu lado, o casaco que lhe irá fazer companhia, o cinto que lhe cercará a cintura e todos esperam, sem excepção, a hora que caminha a passos largos para o seu manifesto.
Na mesa da cozinha repousa um saco de papel. Lá dentro, um pacote de bolachas, duas maçãs, uma garrafa de água, dois cadernos - um deles novinho em folha - um livro e um chapeú de chuva, só para os imprevistos. Tomou-se banho pela noite, para evitar as correrias típicas da manhã, pelo menos enquanto as horas não se tornam companheiras fiáveis do tempo que nos roubam. Secou-se os cabelos e arranjou-se as sobrancelhas, pintaram-se as unhas de vermelho carmim. Perfumou-se o corpo de cremes suaves e procurou-se no rosto sinais de cansaço passível de críticas. Dentro da mala colocam-se, carteiras, escova de cabelo, chaves, agenda, toalhetes perfumados, creme de mãos, ipod... Nada foi deixado ao acaso, tudo foi pensado ao pormenor.
No tempo que resta fazem-se planos, suposições, aspira-se a algo melhor, mas também se tem medo e dúvidas e ansiedade. E rodeamo-nos de coisas e frases que gostamos de acreditar serem feitas de sentido e apropriadas à ocasião, quando, na verdade, não são mais do que clichés utilizados por todos ao longo dos anos e nas mais variadas situações. Não importa. Sabem bem. Confortam a alma e ajudam o espírito a ultrapassar mais esta prova.
O sono tarda e não chega, mas os olhos pesam e reclamam descanso. É tarde e apenas 5 horas me separam do momento em que desta cama me levantarei em rumo a um novo dia, a uma (suposta) vida.
Ao fim de 22 meses em casa, eis que chega o meu momento de partir. O momento de retornar a mim, mesmo que daqui a umas semanas já me queixe do rumo que tanto desejei e que tardava em chegar. É típico, por isso, não estranhem se vier para aqui praguejar que a chefe é estúpida, que os colegas são antipáticos, que tenho sono, que moro longe, que apanho muito trânsito de manhã, que os clientes são umas bestas.
Sei bem como funciona este meu espírito inquieto. Mas, seja como for, já estava na hora de voltar a fazê-lo.
Desejem-me sorte. *

quinta-feira, março 18, 2010

et voilá...

:-)








i´m not unemployed anymore.

sexta-feira, março 12, 2010

rir é o melhor remédio


Hoje, enquanto atravessava uma estrada da capital, decidi passar por cima da grelha da conduta de ar. Ora, até aqui nada de mais, não fosse o facto de eu estar de vestido godês esvoaçante e, feita estúpida, não me ter lembrado deste pequeno-GRANDE-pormenor. Em segundos, aquilo levantou tudo até aos ombros, deixando a descoberto e à vista de TODA a gente, as minhas pernas, nádegas e muito principalmente, toda a minha BUMDA, ao mesmo tempo que me ia levando, também, o chapéu que tinha na cabeça...
A cena, digna de ser filmada, deve ter sido hilariante para quem viu, porque eu devia de parecer a deusa Shiva, se tivesse mais braços, tinha-os utilizado todos, mas como só tenho dois, desdobráva-me entre agarrar o chapéu e baixar a saia que insistia em desafiar as leis da gravidade.
Corei de vergonha, mas mantive-me fiel aos meus princípios e desatei a rir sozinha à frente de toda a gente!

Qual Mariyln.

quinta-feira, março 11, 2010

maratona cinematográfica

4 dias sem a miúda e eis-nos sentados nas cadeiras das salas do El Corte Inglés (ai que saudades!!)como se não houvesse amanhã.
Entre muitos outros que ficaram por ver, estes foram alguns dos eleitos.


Alice in Wonderland, by Tim Burton

O tão desejado filme do ano chegou finalmente às salas de cinema e nós corremos que nem maluquinhos para vê-lo. Foi a nossa estreia em 3D (sim, porque o Avatar foi pirateado da net e visto em casa, logo, não houve cá 3D para ninguém). Descobrimos um fantástico mundo novo e ficámos maravilhados. Por mim, todo o cinema passadava a 3D. É fenomenal.
Quanto ao 'Alice', ADOREI. Adorei mesmo tudo, apesar de já tanta gente dizer mal do filme. Eu gostei e pronto! O estilo Tim Burton está lá e está sempre presente. A caracterização está genial, o guarda-roupa é soberbo e a interpretação da Helena Bonham Carter está magnífica. Nota 10.

It´s complicated

Eu, como vocês sabem, AMO a Meryl Streep. Por isso, este, estava destinado. E não desiludiu. Ri-me tanto, mas tanto, com certas cenas que chorei, confesso. Tem momentos verdadeiramente hilariantes. A Meryl continua igual a si mesma, parece que a conhecemos e que é uma amiga de longa data e, o Alec bBaldwin, foi uma agradável surpresa. A única coisa negativa foi ter o cinema cheio de pessoas com idade acima dos 50 anos que iam numa ânsia desesperada de se identificarem com os protagonistas, como se procurassem sinais de que o universo ou o tempo, lhes digam, que ainda vão a tempo de realizar sonhos perdidos ou de encontrar o amor, além de ter, atrás de mim, três solteironas/divorciadas que comentavam cada cena do filme ao pormenor e que me iam deixando à beira de um ataque de nervos: 'ai aquela cozinha é um sonho', 'e a horta dela?', 'é isso mesmo, bola para a frente', 'oh, que querido!' e por aí fora...


Valentines Day

Outro filme 'levezinho', porque nós somos fãs de comédias românticas e gostamos de coisas 'levezinhas', principalmente quando queremos ir ao cinema para descontrair ao fim de tanto tempo ausente. Que me perdoem os adeptos e fãs do King, do extinto Quarteto ou do cinema Londres, eu também gosto de documentários, filmes de produção independente e de baixo orçamento, sem nomes sonantes e com estrelas hollywoodescas à mistura, mas desta vez, desta vez não me apetecia.
Apetecia-me coisas assim, histórias 'levezinhas', engraçadinhas, que nos fazem sorrir e rir, que nos deixam 'levezinhos' e bem-dispostos e cujo o amor é o lema que comanda a vida.
Outro filme cheio de actores que dispensam apresentações e com histórias dentro da história, mesmo como eu gosto. Excelente para um sábado à noite depois de um jantar de sushi, que foi exactamente o que nós fizemos.

The Blind Side

Ainda não estreou nas salas de cinema nacionais, mas nós já o vimos. (em casa, pois claro!)
É comevedor, tocante e não deixa ninguém indiferente. A Sandra Bullock surpreendeu-me, está realmente muito bem, até no sotaque e, por isso, levou o óscar para casa. Mereceu-o, reconheço, até eu que estava a torcer pela Meryl - a eterna nomeada - fiquei contente por ela.
Uma história verídica sobre a vida, o amor ao próximo e a fé. A não perder.


Did you hear about the Morgans?

Outro filme 'levezinho', mas este tem a agravante de ser 'parvinho'. Não gostei, graças a Deus que o vi em casa e não paguei um tostão, que os bilhetes estão caros para caraças. A parelha romântica Sarah Jessica Parker/ Hugh Grant não convence. Sinceramente, nunca achei grande piada ao ar songa-monga do Hugh Grant, nem as suas interpretações dignas de grande registo, mas quando vi o trailer com a cena do urso, ri-me tanto que pensei que tinha mais para dar. Enganei-me.
Adormeci ao fim de 10 minutos - é o que dá ver 'cinema' refastelada na cama - e acordei a 10 minutos do fim. Não perdi nada portanto.


Em 'carteira' e à espera para ver, já prontinhos no disco externo cá de casa, estão: Precious, An Education e Up, altamente.
Ainda tentámos ir ver 'A Single Man', o primeiro filme de Tom Ford nas artes cinematográficas, com Colin Farrell e Julianne Moore (linda de morrer esta mulher!), mas já não conseguimos lugares. Fiquei desiludida, tinha imensa curiosidade e habilito-me a que não o consigamos sacar da net tão cedo, mas nada que não se resolva.

E pronto, como tudo o que é bom acaba, a nossa maratona cinematográfica chegou ao fim. 4 dias 'Madalena-free' e muitos filmes depois, voltámos a ter a nossa pequena fera em casa, porque as saudades já apertavam. Agora anda com 'mãezite aguda' e quer o meu colo para tudo, nem o pai quase tem ordem de lhe pegar. Não, ela quer é a mãe e só a mãe.

(mas eu confesso que até gosto!)

domingo, março 07, 2010

desire

Estou completamente apaixonada pela colecção da Burberry Prorsum e eu nem gosto da Burberry, mas a 'Prorsum' tem a ousadia e a audácia que sempre achei que faltava ao classicismo inglês da marca. A reinvenção e modernidade dos trench-coats fazem-me, literalmente, babar diante das imagens, quer seja nas revistas, quer seja na net e aquelas sandálias com meias - o 'crime' de moda mais apontado aos turistas que nos assolam o Verão todos os anos - são, simplesmente, divinais.
Se tivesse dinheiro, desgraçáva-me toda. Ainda bem que sou pobre.
Esta tarde entretive-me a renovar a minha maquilhagem, isto porque não sou de comprar maquilhagem, até porque nesse aspecto sou bastante forreta, mas tive, em tempos, a sorte de receber todas as colecções de maquilhagem de graça, o que fez com que ainda hoje tenha gloss, lipsticks e pós novinhos em folha e prontos a estrear.
E hoje, lembrei-me deles, muito provavelmente, porque estive a tarde toda a receber imagens beauty pelos olhos dentro e, vai daí, decidi ir à procura dos depojos dos tempos de glória e dar-lhes uso, substituir a bolsa suja e vergonhosa com que ando por outra, mais bonita e polida, assim como as sombras, pós e rímeis que habitam no seu interior.
Sou um pouco como aquelas velhinhas que têm peças de roupa boa mas que não usam porque 'se podem estragar'. Eu sou assim com a maquilhagem. Quem me espreita para a bolsa com que ando sempre na mala, não diz que em casa tenho algumas das marcas mais caras do mercado à espera de verem a luz do dia. Já não tenho muitas, também é verdade, porque na altura dei quase tudo, à mãe, à sogra, às amigas (ou pseudo amigas), como presentes de Natal, de aniversário e aí por diante. À redacção chegavam carradas de produtos diários e, depois de feitas as partilhas, só ficava com aquelas que, para mim, eram as 'intocáveis', as mais bonitas, aquelas com que era capaz de ficar horas a contemplar sem sequer me atrever a metê-las em contacto com a minha pele. Eram os meus artigos de 'puro luxo' e assim os mantive, intocáveis, até hoje.
Hoje pintei os lábios de vermelho Chanel e gostei. Com pincel, coisa que nunca tinha feito. E gostei. Também apliquei um líquido cor groselha nas bochechas, da Biotherm, que lhes deu, imediatamente, um ar rosado natural e uma luminosidade ao rosto inesperada.
Ultimamente tenho deixado de lado o eyeliner e a sombra escura com que contorno os olhos assim como o lápis preto. Acho que me pesam e, com o passar dos anos, a ideia é tornar o rosto o mais natural possível, de preferência com uma tez imaculada.
Pele imaculada não tenho, nunca tive, mas, ultimamente, tenho cada vez mais cuidado com ela, com os cremes que lhe aplico, com as máscaras que lhe faço e esforço-me, diariamente, para que a porcaria das borbulhas - que aos 31 anos de idade ainda me atingem -, sejam invisíveis, mesmo que às vezes tal tarefa seja impossível.
Gostei tanto que me dei ao trabalho de fotografar os meus 'novos', it products. É incrível como tanto tempo depois, só agora é que descubro o prazer de os usar. Talvez seja uma coisa de idade. Aprende-se a valorizar de outra forma e se gostamos, então, porquê guardar?


Não vejo a hora de voltar a pintar os lábios de vermelho e sair para a rua.






(é incrível como o meu nariz fica GIGANTE quando fotografado ao perto)

sunday delicatassen

Voltei à minha zona de conforto. Passei a tarde a recortar imagens e a ver revistas femininas internacionais. Tive ideias, tive desejos e tive sonhos. Trabalhei e sonhei que trabalhava. Senti-me convicta e forte, senti-me activa e preparada. Senti-me poderosa.
Tentei, ainda que de forma incompleta, voltar a fazer um painél de visualização, como fiz antes de engravidar, movida, na altura, pelo desejo de ter um filho. Hoje, o meu desejo é outro.
Há um velho ditado ou provérbio, oriundo não sei muito bem de onde, que diz que «sonhar e acreditar é meio caminho andado». E eu, como tive uma experiência positiva com o anterior, vou voltar a colocar neste todas aquelas coisas que quero alcançar e atrair para a minha vida.
Aquela viagem, aquela mala, aquele livro, aquele emprego. Pequenos nadas, mas pequenos nadas que são meus e que para mim, de momento, são tudo aquilo que quero. Mesmo que não tenham sentido aos olhos dos outros, mesmo que até a mim mesma me façam duvidar, mas são meus e eu quero-os, a todos.
Manter-me assim, com a cabeça a fervilhar e a dar seguimento aos meus pensamentos e loucuras, é bom. É sinal que ando a encarrilhar outra vez, que estou no bom caminho.
Há umas semanas nada me servia de inspiração e hoje, hoje, até a minha cama desalinhada e a manta que a cobria me serve como pano de beleza.
É incrível como num dia em que se recebe a notícia da morte de alguém próximo, ela nos encha de vida...
Também pintei os lábios de vermelho, mas isso, é outra história.


sábado, março 06, 2010

all that you can leave behind

Ontem, depois de uma tarde de maratona cinematográfica - mesmo no cinema!! - decidimos aproveitar o facto de ter deixado a Madalena com os meus pais até Domingo, para, em seguida, jantarmos pelo Bairro e comer um bife 'à bicha'.
Ontem também foi o dia em que uma amiga minha de longa data fez anos. E eu, que tenho andado arredia e magoada com todos eles, decidi pôr o meu orgulho de lado e ligar-lhe. Não falávamos desde Novembro embora eu vá sabendo uma ou outra coisa por terceiras pessoas ou por aquilo que consigo perceber pelo facebook onde a tenho adicionada.
Quando liguei a surpresa do outro lado foi sentida e imediatamente a resposta dada foi:
'Mafalda, nem acredito que me estás a ligar'.
Fui de poucas palavras porque estava emocionada. Faço-me sempre de durona mas depois sofro imenso e com coisa pouca ou nenhuma, os outros, conseguem desarmar-me sempre.
Lá acabámos por revelar que estávamos em Lisboa, que iríamos jantar ao Bairro e que, em seguida, íamos para os copos. Foi então que nos disse para aparecermos na Bica, onde iriam estar todos juntos a partir da meia-noite. Mais uma vez fiquei sentida. Se não fosse o facto de eu ligar, ninguém me diria nada. Combinam-se copos da Bica com quem é de Almada, mas Ericeira já são muitos quilómetros a mais da ponte sobre o Tejo.
O jantar entre nós dois correu bem. Bebemos martinis e vinho tinto, voltei a fumar uns cigarritos depois de uma longa semana de abstinência, como se quisesse descontrair da ansiedade que me dominava e, estava feliz, mas curiosa por ir revê-los a todos.
Chegámos à Bica antes de toda a gente e a mesma estava vazia. Decidimos ir até ao miradouro do Adamastor ver o Cristo-Rei, a ponte 25 de Abril e Santos ao fundo, entre ruelas e luzes foscas. O Noo-Bai já estava fechado e nós, depois de uns 20 minutos, voltámos a fazer o caminho inverso até ao sítio combinado. Quando chegámos demos de caras com todos, tinham igualmente, acabado de chegar. Não houve nenhum tipo de surpresa nem reacção na cara dos amigos que outrora considerei amigos. Cumprimentaram-me como se fosse uma estranha ou uma pessoa acabada de conhecer. Aliás, atrevo-me a dizer, que se fosse uma estranha acabada de conhecer, tinham sido mais simpáticos. Não falaram comigo uma única vez, não perguntaram pela Madalena em nenhum momento. Eu e o C. ficámos meio estupefactos e sem saber muito bem o que estávamos ali a fazer. As pessoas que estiveram no meu casamento, no baptizado da minha filha, que conhecem a minha família e eu conheço as suas, com quem passei férias e vivi no estrangeiro, com as quais estudei durante 4 anos, que conheço há perto de 15 anos, agiram como se fôssemos invisíveis. Ignoraram-nos e deixaram-nos meio de lado, enquanto conversavam em círculos de 3 e 4 deixando-nos automaticamente de fora.
Senti-me mal. Sentimo-nos mal, os dois.
A única que ainda se esforçava por nos 'encaixar' por assim dizer, e fazer algum tipo de conversa connosco, era a própria da aniversariante, mas até ela estava confusa e já sem assunto.
Foi tão triste de assistir quanto lamentável. Ao fim de 20 minutos, mais ou menos, decidimos que não estávamos para aturar aquilo e viemos embora. Dei um beijo nela e nem me despedi de mais ninguém. Acho, sinceramente, que ninguém se importou por irmos embora tão cedo ou lamentasse a nossa falta. Ontem, percebi, preto no branco, que os meus amigos já não são os meus amigos, que a minha vida já não se cruza com a deles, que eles não sentem a minha falta como eu, por vezes, sinto a deles, logo, não tenho de ficar magoada com as atitudes deles porque as atitudes deles são fiéis àquilo que eles se tornaram e que ontem pude observar.
Ñão vou negar que eu própria não tenha culpa na situação, mas ontem, aquilo que vi, a indiferença com que nos trataram, a forma como nos fizeram sentir, foi a gota de água. Foi como uma cena de um filme, nítida e em câmara lenta, quando a protagonista descobre que afinal estava errada e que acabou de perder o amor da sua vida.
Não sei quem está certo ou errado e, sinceramente, não quero perder tempo a tentar perceber. Desde que a minha filha nasceu e que saí de Lisboa que fui completamente excluída da maior parte dos jantares, das comemorações, das saídas, até de um simples telefonema. Posso-os ter a todos como friends no messenger, no gmail chat ou no FB, mas nem uma única vez aquelas almas se dignam a dizer-me um 'olá' ou a perguntar 'como estão'.
O C. ficou furioso apesar de não o manifestar verbalmente. Apenas deixou sair um 'serviu para abrir os olhos' e veio calado o resto do caminho. Eu, mesmo tendo vontade de chorar por dentro, não derramei uma única lágrima enquanto a rádio passava 'All that you can leave behind' dos U2.
As peças encaixavam-se todas. Era a vida a sorrir-me.
Preciso de levar estes coices duros para voltar a reagir.

escape

Não fomos para o Porto e não nos cobraram a estadia desmarcada. Respirámos de alívio e agradecemos a 'sorte' que nos sorriu desta vez. Partimos de viagem para casa dos pais do C. com o carro carregado demais para apenas 3 dias. Não sabíamos muito bem quanto tempo ficávamos nem quanto tempo depois voltaríamos.
Ao contrário de todas as minhas queixas e lamúrias, confesso que até gostei. Não houve dramas nem comentários desagradáveis por parte da minha sogra. Ficaram tão felizes com a visita que eu fiquei feliz por vê-los assim, rejuvenescidos e agradecidos pela presença da neta.

A Madalena andou demais, queria ver tudo, correr tudo, explorar tudo. Mexeu em plantas e tocou em bichos, viu ovelhas e cabrinhas recém-nascidas e sujou-se a brincar, como todas as crianças se devem sujar quando são crianças, e eu vi e deixei e não me importei. Se não for agora que ela descobre momentos de pura felicidade em coisas tão simples, quando é que descobrirá?

Andou sempre muito carente de mãe e queria o meu colo até para adormecer. E lá a tomava eu nos braços, completamente rendida aqueles olhos e mãos que se esticam na minha direcção, porque ela está tão grande que não sei quanto mais tempo conseguirei tê-la ao meu colo, embalá-la nos meus braços, mexer-lhe nos caracóis e cheirá-la como se estivesse colada à minha cara. Tirámos muitas fotografias e fizemos passeios a três. Comemos demais a maior parte do tempo. Dormimos sestas e nunca consegui captar sinal de rede apesar de ter levado o computador, mas verdade seja dita, nem me importei assim tanto. Habituamo-nos a tanta coisa acessória na nossa vida que depois parece que já nem sabemos viver sem ela.

Não fomos a Paris, nem a Roma, nem ao Porto, mas estivemos juntos e com quem realmente nos ama, e isso sim, é o mais importante.

terça-feira, março 02, 2010

bad karma

Ando a definhar por sair daqui e ir para qualquer lugar, há dias, semanas, meses...
Ok, eu sei que estou em casa, o que aos olhos de muita gente pode ser sinónimo de 'férias permanentes', mas só eu sei o quanto estou a rebentar a paciência, a ansiedade e o stress com tamanha situação. Ando saturada destas paredes, farta do mar a perder de vista, da solidão dos meus dias, da gata com o cio e dos seus altos e constantes miados que não abrandam com o passar dos dias, do tempo triste e cinzento, das birras e guinchos da Madalena, de quase nunca ver/ter o meu marido e de encontrar na net, a minha mais triste e sórdida companhia.
Ando tão farta de tudo que me sinto a desaparecer, a eclipsar e com o cérebro a fazer 'tilte'.
Como isso é realmente notório e visível aos olhos de todos aqueles que me rodeiam (o que são poucos, diga-se), o meu marido lá achou por bem - para não dizer, 'foi obrigado' - a tirar uns míseros dias de férias - quando aquela alma tem, em horas extra de trabalho para tirar, o equivalente a 10 meses de férias! Sim, leram bem, 10 meses de férias!! - e lá se compadeceu com os meus insitentes pedidos de 'vamos fazer qualquer coisa, leva-me daqui para fora'.
Claro que teve de ser até à última e, na sexta-feira passada, eu ainda não fazia a mais triste ideia de que ele ficaria em casa esta semana, o que convenhamos, para marcar uma viagenzita, assim em cima do joelho, é para esquecer.
Ando a falar em Paris há uma eternidade, é certo, e nada me daria mais gozo neste momento do que passar uns 3 diazitos por lá, mas as viagens são caras, o tempo não ajuda e, mais uma vez, tudo em cima da hora não dá resultado. A juntar a isto temos a pressão dos meus sogros em quererem que passemos uns dias com eles - não podem saber que o filho tem uns dias de folga que pronto, já sei o que me espera - logo, a semana ficaria 'cortada' por essa deslocação e pernoita, o que ainda dificultava mais a decisão de: 'para onde ir', 'como ir', 'logística' e por fim, os euros dispendidos.
Depois de procuras na net em busca do voo-low-cost-perfeito-a-preço-mínimo, desistimos. Não existe. O Carlos, por aquilo que o conheço, não estava com muita vontade de ir para fora e se ia, era apenas para me fazer a vontade, o que perante o cenário, acabei por desistir.
Gostava muito de viajar sim, mas não vou roubar para o fazer, quando estou na situação em que estou e não me posso dar a esses luxos. Se encontrássemos um destino barato onde pudessemos fazer um turismo de pé de chinelo íamos na boa, mas assim, com pacotes a 400 euros cada, é para esquecer.
Decidimos então passar para Portugal e aí a fasquia aumentou. Já que não íamos para fora, ele achou que podíamos ficar num bom hotel, por umas 2 ou 3 noites, com spa incluído e proporcionar-me alguns momentos de relaxe/prazer, longe de tudo e de todos, só nós dois, sem filha atrás, sem berros e stresses, sem sopas e cócós e namorar como antes.
Depois de uma segunda-feira quase idílica, chegámos a casa resolutos a marcar o hotel e a preparar tudo para os próximos dias. Como era em Portugal, podíamos ir a casa dos meus sogros, passar lá 2 ou 3 dias, deixar depois a Madalena na casa dos meus pais e partir para a aventura sem o compromisso e as limitações de levarmos uma criança atrás.
Marcámos no Sheraton do Porto. Sim, é um verdadeiro luxo, foi uma maluqueira que nos deu e que quisemos fazer e eu já estava toda doidinha só de imaginar-me a dormir naquela cama king size que se vê nas imagens do site. Fizemos a reserva online, pagámos logo com o cartão e saímos de casa tranquilos e descansados em direcção à creche da Madalena para ir buscá-la.
Seriam 3 dias a partir de 5ª-feira só nossos e até lá estaríamos em família, dando oportunidade aos avós de ambas as partes, de usufruirem da sua companhia.
Só que eu devo ter mesmo um karma qualquer ou um olho gordo em cima daqueles bem poderosos, porque esta sensação de felicidade durou menos de duas horas. Quando chegámos novamente a casa eu lembrei-me de ir ao correio e de lá tirar uma série de contas. O Carlos começou a abrir uma a uma, entre elas a da Edp e de repente oiço o homem na cozinha a arfar e a praguejar. Chegou-nos a casa uma conta de 370€ da Edp! Ficámos mortificados.
370€?!?
Pois. 370€!
Resultado de acertos de Novembro, Dezembro, Janeiro e Fevereiro, depois de termos colocado os termoacumuladores por toda a casa (para quem não sabe, os termoacumuladores de calor, são uma espécie de aquecimento central, um serviço que a Edp agora disponibiliza e que em vez de serem a gás, funcionam por electricidade. Uma roubalheira, portanto...).
Ligámos logo para a companhia na esperança de que houvesse algum engano, mas não. É esta a contagem real. Lembrei-me, em seguida, na tentativa de amenizar a solução de nos estarem a ir à carteira e nós a vermos, de ligarmos para o Sheraton do Porto a desmarcar a reserva que tínhamos feito nem há duas horas. Não podemos estar a ir fazer vida de ricos quando não o somos, agravando a isso as gasolinas, as portagens, os jantares e almoços fora, os lanches e pequenos-almoços, mais uma ou outra extravagância que se comete sempre nestas alturas, quando temos uma conta de 370 euros para pagar até à próxima semana... como se não bastasse, hoje, pagámos os dois os seguros dos nossos carros... o que também foi outra bela quantia, assim como a creche da Madalena. Por isso, este belo mês de Março que agora começa e que conta com 31 dias, será para esquecer.
Mas a história não acaba aqui... é que ligámos para o Sheraton a avisar que não íamos e do outro lado disseram-nos: 'Sim senhora, será desmarcado, mas reaver o dinheiro é que não'.
O QUÊ?!
Disseram-nos que por termos feito a reserva online que o débito é automático e que será cobrado na sua totalidade, mas que amanhã nos dariam uma resposta definitiva.
Quer dizer, que nos cobrassem um terço do valor ou até mesmo metade por termos desmarcado eu ainda esperava, mas a totalidade?!? FODA-SE! Vão roubar para a estrada!
Escusado será dizer que estamos os dois na merda, literalmente.
Já não há férias, nem viagem a dois, nem idas da Madalena para casa dos meus pais, nem idas ao Porto. Nada.
A minha semana de férias, aquela pela qual eu ando há tanto tempo a desejar e que, muito provavelmente, serão os únicos dias passados a 2 ou a 3 antes de eu começar a trabalhar no que quer que seja e até que ele se decida/possa tirar férias novamente, será passada na bela companhia dos meus ricos sogros, enfiada numa aldeia que nem café tem, onde mal apanho sinal de net e cuja companhia corrente se resume a pessoas com idade superior a 60 anos.
Ainda nem começaram as minhas férias e eu já só tenho vontade que acabem.

domingo, fevereiro 28, 2010

e assim de repente...


"When a woman makes the choice to marry, to have children; in one way her life begins but in another way it stops. You build a life of details. You become a mother, a wife and you stop and stay steady so that your children can move. And when they leave they take your life of details with them. And then you're expected move again only you don't remember what moves you because no-one has asked in so long. Not even yourself. You never in your life think that love like this can happen to you."


The Bridges of Madison County


Ontem revi este filme e no meio, bem no meio dele, quando toda a acção caminha para o auge dos amantes, esta frase. Parei. O meu mundo parou na altura. Aquela frase podia ser minha. Podia ter-me saído da boca. Podia ter sido escrita num qualquer caderno. Aquela frase resume, em parcas palavras, os meus dois últimos anos.
Aquela frase fez-me ver que não quero parar. Que a minha vida feita de detalhes até há dois anos não tem de parar. Não deve, mesmo que eu tenha estagnado.
Por isso, e só por isso, voltei a fotografar e a deixar a beleza do quotidiano inundar-me de inspiração, magia e cor. Como fazia antes de a ter na minha vida. Antes de os ter.
Voltei a reactivar a minha velhinha conta no Flickr para dar seguimento a esta vontade e tomei a resolução de que a minha próxima aquisição é comprar uma máquina digital em condições.
Agora só falta recomeçar a escrever.
Mas acredito que até isso eu irei conseguir.

quinta-feira, fevereiro 25, 2010

mon petit enfant terrible

Ela pode ter cara de anjo, mas a minha filha anda de me deixar com os cabelos em pé. A sério. As manhã nesta casa têm sido um drama sem fim. Os fins de tarde, idem. De manhã a gritaria começa logo assim que sai da cama. Embirrou que não quer trocar a fralda no trocador, onde guincha, esperneia e se contorce toda colocando-se de pé. Comecei a fazê-lo no chão do seu quarto, no tapete foto que lá existe, com o resguardo por baixo. Ao início achava muita piada e ficava quietinha o tempo suficiente para a mudar e vestir, mas agora... agora é para esquecer. Além disso, não há dia nenhum em que ela não saia da cama com uma valente cagada de presente para eu limpar logo pela manhã, o que se juntarmos o facto de ela não parar quieta enquanto a limpo e mudo a fralda, dá o cenário dantesco que neste momento conseguem visualizar nas vossas cabeças.
Depois vem o drama da comida. Levo-lhe o biberão à cama, passo-lho para a mão assim que acorda e se levanta e depois estou os restantes 45 minutos a dizer: 'Madalena, e o leitinho?', 'Bebe o leitinho!', 'Olha o leitinho', com ela a não beber nada quando antes adorava e devorava litradas daquele leite que é caro como tudo.
O passo seguinte, uma vez que não quero que ela vá de estômago vazio para a creche, é sentá-la na cadeira e fazer-lhe um prato de papa. Outro drama mexicano.
Chora, berra, afasta-me as mãos, bate nas mesmas, esfrega-se toda de papa - cara, nariz, cabelos - e eu começo a ficar como uma personagem de um filme do Almodovar, ou seja, à beira de um ataque de nervos.
Respiro fundo, depois de várias insistências contrariadas, decido passar ao plano 'C'.
'Queres queijinho' - pergunto, e logo ela começa a esticar-se toda e a olhar em direcção ao frigorífico - numa ladaínha sôfrega de bebeguês - que, traduzido à letra, é qualquer coisa como, 'dá-me, dá-me, dá-me' e só se cala quando a vontade é satisfeita.
Acedo-lhe o pedido e passo-lhe para as mãos uma fatia de queijo partida em duas e um grande pedaço de pão. Ela sorri de contente.
Petisca-o, estraga mais do que aquilo que come, faz ronha, imensa fita, guincha se a contrario e a apresso e eu torno a olhar o relógio e a ver as horas a passar. São quase dez da manhã e eu em casa. Penso: 'e quando estiver a trabalhar?' e desisto logo de tais preocupações sofridas por antecipação.
Fico ansiosa, começo a irritar-me. 'Aqui quem manda sou eu' - digo-lhe - mas ela não faz caso e volta a troçar de mim.
Sinto-me muitas vezes impotente perante o seu feitio, mas não vergo, o que leva a que, neste momento, nesta fase em que ela se encontra, a nossa relação seja mais baseada em autoritarismo do que manifestações de carinho.
Sinto-me uma déspota, mas digo para mim mesma que tem de ser, senão qualquer dia não faço nada dela, que esta personalidade já lhe vem do berço, está-lhe nos genes e ninguém lhe ensinou tal coisa apesar de eu também não ser flor que se cheire.
Lembro-me da minha mãe e das suas queixas a meu respeito. E respeito-a. Lembro-me de como me dizia: 'um dia que tenhas filhos é que vais saber dar valor' e reconheço-lhe os sentimentos. Também eu era levada da breca.
Depois da tourada do comer, segue-se a tourada do: 'na cozinha só quero mexer no lixo ou andar com o garrafão de 5 litros de água pela mão', ou a tourada do 'caminho até ao carro', ou 'caminho até à creche', ou 'caminho da creche para casa', ou 'caminho da garagem até ao elevador'.
Em quase todos eles, há sempre um momento em que a menina Madalena se atira para o chão, de joelhos, ou estendida ao comprido, onde esperneia e chora como se a estivesse a matar.
Juro que até tenho vergonha quando me cruzo com os vizinhos. Ela guincha tanto ultimamente, que devem pensar que a pobre criança é um saco de pancada nas minhas mãos.
Na creche é igual. É drama para vestir o casaco, é drama para pegá-la ao colo, é drama para a sentar na cadeira do carro, é drama para tudo.
Tenho dias em que, confesso, sinto um alívio enorme quando a deixo na creche e em que fico logo alterada mal a vou buscar.
Quando tenho a ajuda do pai em casa a coisa corre mais ou menos, mas quando está sozinha comigo, gosta de puxar e mexer os meus botões até ao limite.
É por isso que só de pensar no dia de amanhã, até tremo.
Amanhã irei com ela às vacinas dos 15 meses, que serão dadas no braço.
Conhecendo a 'ferinha' como conheço, vai ser um episódio épico semelhante a um circo romano. Muitas lágrimas, sangue, suor e força.
Além de que não vai à creche e ficará comigo o dia todo.
Não sei como é que ainda não tenho um único cabelo branco mas, como os pinto, assim como assim, se aparecem, logo são camuflados, o que me vai dando a falsa ideia de eterna juventude', mesmo que esteja mais perto da loucura do que longe dela.

terça-feira, fevereiro 23, 2010

life

Isto é tão bonito. E tão verdade.

segunda-feira, fevereiro 22, 2010

a poderosa atracção dos homens pelas 'mulheres vulgaris'

Sempre que olho para a senhora acho que algo não bate certo. Sim, a dor de cotovelo é grande, mas sejamos realistas, para além de ser alta, magra, escultural e tonificada, de ter pernas infinitas e de ser italiana - o que é, por si só, sinónimo de mulher bonita - há algo nela que não me agrada (e não é por ser a namorada do George Clooney). Há algo de vulgar que não consigo identificar, algo que me remete, imediatamente, para palcos e cabarés, para varões e biquinis reduzidos, para falta de classe generalizada, mesmo que quando apareça ao lado dele esteja mais perto de uma 'ladie' do que uma louca na cama.... Mas esta foto, esta foto não engana ninguém e veio constatar que realmente o meu 'olho clínico' continua apurado. Geralmente nunca me engano. E tu, Isabella, até podes estar mais modesta e comedida, mais polida e elegante, mas esta pose de 'até-quando-ato-o-meu-sapatinho-sou-boa-e-sexy, -sim, -porque-até-de-biquini-eu-ando-de-sandálias-de-tiras-e-salto-alto', nunca me enganaste.

sexta-feira, fevereiro 19, 2010

fait divers

Hoje, movida por uma qualquer vontade desconhecida e desejo recalcado, decidi arrumar o meu armário. Dar um pouco de ordem ao caos reinante. Dei por mim a deixar a miúda na creche e a enfiar-me sorrateiramente no Continente cá da zona já com a ideia fisgada de comprar cestos, caixinhas e cabides onde arrumar cintos, boinas, echárpes e demais acessórios que proliferam pelos recantos perdidos das prateleiras, ocupando-me espaço e levando-me à loucura quando preciso deles e não os encontro.
Cheguei a casa cheia de ganas de pôr mãos à obra. Hoje era daqueles dias em que se o dinheiro o permitisse tinha remodelado uma série de coisas. Ando há séculos para mandar imprimir umas telas com fotos nossas em tons de sépia e/ou a preto e branco para pôr no nosso quarto, mas acabo sempre por achar que é um pequeno 'luxo' desnecessário, pelo menos nesta altura.
Contentei-me com cestinhos cor-de-rosa, numa espécie de verga plastificada com tampa e um enorme 'botão', a 2€, onde arrumei tudo, dispondo-os ordeiramente e lado a lado. Dobrei camisolas, separei a roupa de verão da de inverno (sim, estava toda junta) e encontrei peças que já não sabia do seu paradeiro faz tempo.
Constatei que deixei morrer praticamente todas as plantas que existiam nesta casa e as que ainda não morreram, encontram-se num estádio decadente de ressuscitação falhada. Estendi roupa e assim que o acabei de fazer caiu uma valente tromba de água. Limpei a cozinha com sonasol verde, esfreguei portas, armários e paredes salpicadas de gordura e sentei-me ao computador a refazer um trabalho pendente que ando há semanas para enviar para uma editora.
Sinto que tive um dia produtivo, porque abro as portas do meu armário e está tudo no seu sítio como acho, nunca antes esteve. Claro que ainda tenho ali uma pilha monstruosa de roupa para passar a ferro - e mais duas máquinas estendidas que brevemente se juntarão a ela - assim como outro armário cheio de sapatos que também merece levar uma valente volta, mas de momento não quero saber.
De momento quero apenas pensar que, por hoje, fui bem sucedida.

quarta-feira, fevereiro 17, 2010

visões

Morro de medo de atropelar um animal.
Mas morro mesmo, porque sei que no dia em que algum cão, gato, ouriço caixeiro ou pássaro se atravessar à minha frente na estrada, eu serei incapaz de o matar e o mais provável é matar-me a mim.
Tenho tanto pavor que às vezes, quando conduzo, tenho receio que algum cão saia do nada para o asfalto e me leve a viver com um peso na consciência. Chego a ter alturas em que até tenho visões com semelhante acontecimento.
Agonizo perante o sofrimento animal. É algo que me perturba a sério.
Um dia destes, vinha no carro com o Carlos, eu sentada no lugar do pendura, quando do meio do nada mandei um valente berro. Ele assustou-se a sério, claro, e deu uma guinada violenta com o carro no sentido da faixa oposta. Por sorte não vinha ninguém. Tudo porque no meio da estrada estava um pombo, metade já esborrachado, metade vivo, esbracejando e lutando contra a morte certa.
Escusado será dizer que o meu marido se fartou de ralhar comigo pelo meio comportamento, que gritos daqueles não se dão, não enquanto se conduz, que podíamos ter tido um acidente por causa de um pombo, que tenho de me controlar, que o pombo da morte já não se livrava. E eu a ouvi-lo e a saber que ele tinha razão em cada palavra que lhe saía da boca para fora, mas a imagem do pombo metade vivo, metade morto não me saía da cabeça e perturbou-me a mente durante, pelo menos, uma semana.
Quando estava grávida da Madalena, para aí de seis ou sete meses, vi um cão largar-se do dono, desatar a correr descontrolado para a estrada, vir um carro e colhê-lo. Vi tudo. Fui a única que vi o animal a ser atropelado, mais ninguém que estava comigo viu o exacto momento em que o carro lhe embateu. Chorei tanto mas tanto, que às tantas já tinha o Carlos, o meu pai e a minha mãe a ralharem comigo por estar tão enervada, que aquilo não fazia nada bem ao bebé, que não me podia enervar daquela maneira, não enquanto estivesse grávida. Pelo meio, lembro-me do meu pai dizer: 'o animal já está bem, está lá o dono a socorrê-lo, o animal está bem', numa tentativa desesperada de me fazer acreditar que aquilo que vira fora 'coisa pouca' e que, como tal, podia parar de chorar, mas a imagem suicida do animal a correr em direcção ao carro voltou a nublar-me.
Hoje, quando vinha da creche da Madalena, numa rotunda, um enorme cão castanho estava parado na mesma. Andava vagarosamente, como se, apesar de quantidade de carros que afrouxavam para não irem em sua direcção, nada lhe importasse. Como vinha devagar desviei-me e segui o meu caminho sem grandes sobressaltos, olhei várias vezes pelo espelho retrovisor para me certificar de que o animal continuava vivo e de boa saúde, mas percebi, assim que passei por ele que aquele cão pura e simplesmente tinha desistido de viver.
E não consigo deixar de pensar naquela visão de quatro patas, cabeça cabisbaixa e olhos mortiços. O mais provável é perseguir-me durante semanas, tal como todos os outros.

terça-feira, fevereiro 16, 2010

mais do mesmo

Não tenho escrito nada. Ando sem vontade, além de sentir não ter nada para dizer.
O curso entretanto já acabou e voltei a estar em casa agarrada ao computador a disparar cv´s e à espera de nem sei bem o quê.
Ando desmotivada e desiludida com uma série de pessoas o que me levou a tomar algumas decisões bem radicais de o demonstrar.
Também ando preocupada e triste, profundamente triste com alguém que me é muito querido e próximo.
A semana passada foi um turbilhão de emoções. Foram notícias más em catadupa e senti um nó no estômago como há muito tempo não tinha.
Depois de um certo período de euforia, ilusório é verdade, eis que bati de novo na realidade: continuo sem nada e sem perspectivas de trabalho. Já fiz de tudo, já me socorri de todos os contactos e logo eu, que odeio pedinchar o que quer que seja.
Fui a uma entrevista para o Ikea de Loures. O processo de recrutamento começou e eu fui chamada, assim como centenas de pessoas, para a primeira fase de selecção. Se passar a tudo, irei, muito provavelmente, para atendimento em loja ou outra coisa do género e a ganhar miseravelmente a tempo inteiro ou em part-time. Neste momento é a minha única hipótese. Ou isso, ou um call center, mas não posso ficar sem ganhar um cêntimo a partir de finais de Março.
Não sei porquê, mas meti na cabeça de que ia ser a seleccionada para aquela entrevista da treta a que fui há umas semanas. Estava tão confiante de que ia ficar que até já sentia a coisa como minha, e andava convencida de que tinha tido, finalmente, a oportunidade que estava à espera de voltar ao mercado de trabalho como jornalista e a escrever sobre o que eu queria. Não consegui. Na 5ª feira, quando recebi a notícia todo o meu mundo desabou. Chorei como uma criança.
Neste momento tenho uma grande falta de confiança nas minhas capacidades. Sinto que já estou há tanto tempo afastada do mercado de trabalho e dedicada à maternidade que é apenas isso que me define e que, como tal, não aparento credibilidade, ou pelo menos o suficiente para acharem que eu posso ser uma boa escolha.
Sinceramente, acho que é isso.
E constatá-lo dói-me imenso. Acho que não passo de uma mãe que escreve umas coisas mas sem grande estilo definido, sem grande qualidade e cada vez mais longe de conseguir alcançar realmente aquilo que almeja.
No sábado à noite fui convidada para ir ao jantar de aniversário de uma ex-colega do curso de formação de formadores que andei a tirar em Novembro e deparei-me com uma soirée elegantíssima, cheia de gente super bem colocada na vida e com um status profissional e pessoal muito... chamemos-lhe, 'agradável'. Sinto-me sempre um peixe fora de água nestas circunstâncias, mas tentei aparentar um ar 'normal' e confortável. A Maria, a anfitriã da festa, apresentou-me a todos como 'a minha amiga Mafalda, distintíssima jornalista' e eu senti-me a corar por dentro com semelhante mentira. Sei que ela não faz por mal, antes pelo contrário, mas se há coisa que não me sinto é 'distintíssima' no que quer que seja, mas mais 'indefinida'.
Outra coisa que me tem feito pensar é no facto de todas as mães que, tal como eu, durante a minha gravidez e primeiro ano de vida da Madalena se encontravam desempregadas, já estar tudo a trabalhar ou terem arranjado trabalho recentemente. Fico sempre feliz quando sei que alguém que estava desempregado consegue emprego, mas também penso sempre: 'para quando eu?', 'quando chega a minha vez de celebrar?'.
Parece-me cada vez mais distante. Mais difícil.
Sempre acreditei na máxima de que as coisas acontecem por uma razão, mesmo que na altura não entendamos porquê e quero continuar a acreditar nela, apesar de me custar cada vez mais este tipo de frases feitas que servem de consolo aos tristes.
Como dizia a minha mãe hoje: 'vais ver que tens algo de bom à tua espera, algo te está reservado'.
Até pode ser, mas eu já não consigo acreditar muito nisso. Acho que se realmente algo me está reservado, está a fazer-me penar até à última e duvido muito, mas duvido mesmo, que apareça assim do nada, quando falta tão pouco tempo para eu ficar com a corda ao pescoço.
Acho que se aparecer alguma coisa não é porque me está destinado, é por pura necessidade.

quinta-feira, fevereiro 11, 2010

"when you try your best but you don´t succed"

E ao fim de duas semanas veio a resposta.

Negativa.

E com ela se foi a pouca auto-estima residente e a esperança de começar a trabalhar no início de Março.

sexta-feira, fevereiro 05, 2010

lhasa de sela





Só me apetece ouvir isto over, and over, and over again...
É tão bom, tão deliciosamente triste, tão bonito, tão tudo aquilo que sinto cá dentro e não consigo exprimir.
A mortalidade, a minha, a dos meus, a dos que me são queridos, a do mundo em geral, tem-me tomado de assalto o pensamento nestes dois últimos dias e sinto um nó apertado dentro do peito.
Só me apetece ouvir Lhasa de Sela.
Mas também ela já morreu.

fantasmas


O Jacinto Lucas Pires apareceu no curso que ando a frequentar para nos dar uma parte da formação.

Até aqui tudo bem.

Quando o vi, reconheci-lhe as feições, mas não soube logo dizer de onde aquele rosto me era familiar.

Quando pediu que nos apresentássemos fê-lo de uma forma muito descontraída, brincando com o assunto e dizendo que quem quisesse fazer o pino que o podia fazer, que aquelas iriam ser as apresentações mais divertidas de sempre, deixando-nos logo à vontade e na expectativa do que estava para vir.

Imbuída pelo espírito presente na sala, a Marta tirou do bolso um vermelho nariz de palhaço e colocou-o no seu, encarou-o de frente e disse:

- Chamo-me Marta e quero ser palhaça.

A expressão dele ficou difusa, perdeu o sorriso e no seu rosto podia ler-.se um enorme ponto de interrogação.

- Queres ser palhaça? Perguntou ainda hesitante.

- Quero, respondeu a Marta entre risos nervosos, levando-nos a todos a dar risos nervosos perante o desconforto evidente.

- Mas sabes que a condição essencial para se ser palhaço é não rir, não sabes?

- Acho que sim - e continuava a rir, sem conseguir articular um discurso muito coerente, numa forma quase inconsciente de que tinha ido longe demais.

- Houve uma altura da minha vida em que me senti um palhaço, retorquiu o Jacinto.


E pronto, percebi ali, preto no branco, que todo o escritor (e artista), vive a maior parte do tempo confrontado com os seus próprios fantasmas.

terça-feira, fevereiro 02, 2010

birras

A minha filha entrou, oficialmente, naquela idade-fase em que qualquer pai e mãe estremece só de pensar: a das birras.
Hoje, quando cheguei à creche ao final da tarde e lhe vestia o casaco, depois de alguns mimos muito queridos e fofos que me encheram o coração de ternura, a minha pequena filha passou da imagem angelical de criança modelo, para se transformar, rapidamente, numa amostra júnior do Godzilla, fazendo um berreiro tal - acompanhado de batidas furiosas de pé no chão e chapadas nas minhas mãos - que levou a que todas as educadoras e auxiliares saissem das salas e viessem até ao corredor ver o que se passava com a 'pobre da criancinha'. Tudo porque não a deixei mexer num livro que era de outro menino.
Se tivesse um buraco tinha-me enfiado.
É incrível como me senti coagida por um ser tão pequeno.

domingo, janeiro 31, 2010

da entrevista

Correu bem. Foi muito descontraída, cumprimentaram-me como se fosse da casa, com dois beijos na face - algo que me deixou logo desconsertada confesso, não estou habituada a tanta intimidade com a entidade patronal - fizeram piadas e trataram-me por 'tu', eu tratei-os igualmente por 'tu', apesar de muitas vezes me saltar um 'você' e utilizar a terceira pessoa com mais frequência do que aquilo que devia. Andei ali numa indefinição verbal enquanto tentava aparentar um ar calmo e descontraído. A primeira parte correu muito bem, falei do meu percurso profissional, das escolhas, onde estive, o que fazia, por onde passei, porque saí, a segunda parte correu nem sei bem como, quer dizer, não correu mal de todo, mas as perguntas começaram a ser mais pessoais, a irem para o âmbito dos gostos, das leituras, dos filmes que via, das coisas que me despertavam a atenção, do que gostava e a cada pergunta uma branca invadia a minha mente, como se eu fosse um poço sem fundo e sem nada de revelante para, de repente, lá me lembrar de qualquer coisa e dizer, não muito convicta, levando-me novamente a outro extenso e árido deserto.
"Que livros tens como referências?"
E eu a agonizar, sem me lembrar de uma única referência, para de repente, me sair da boca como uma seta o nome: "Miguel Torga. Adoro Miguel Torga, tanto em poesia como em prosa. É uma grande referência minha enquanto escritor e Saramago, embora não goste de todas as obras, mas é um escritor que aprecio. Da juventude destaco a poesia de Florbela Espanca, que foi sem dúvida uma referência importante para mim numa determinada altura da minha vida, Eça de Queirós e Marion Zimmer Bradley, pelas histórias fantásticas que escrevia." - E depois fiquei a pensar, mas quem é que dá o nome da Marion Zimmer Bradley como referência de juventude?! Ninguém!! Burra! Mil vezes burra! Não me lembrei de escritores tão importantes como um Gabriel Garcia Marquez, ou o Mário de Sá Carneiro, nem nada de nada. Nop. Só disse clichés! Só dei respostas que qualquer pessoa podia dar, como se viessem servidos em latas de fast-food. Confesso que só me apetecia cortar os pulsos de tanta vergonha.
"Muito bem... então e filmes? Que filmes gostas de ver e/ou são referência para ti?" - E novamente outro deserto, este ainda pior que o anterior, uma branca gigantesca que me turpava até a vista, as mãos a suarem e embargadas uma na outra e eu sem me lembrar de nada para de repente, desta boquinha, sair apenas isto:
"The Motorcycle Diaries é uma referência para mim... o Orgulho e Preconceito... os filmes do Quentin Tarantino... os do Woody Allen... algum cinema alternativo" - e ali fiquei, a agonizar, sem me conseguir lembrar de filmes que me tenham marcado, quando tenho alguns que para mim são, APENAS e SÓ, os filmes mais importantes da minha vida! Não mencionei o 'Little Miss Sunshine', que é simplesmente genial e 'O' meu filme favorito, nem sequer o 'Eternal Sunshine of the Spotless Mind', que é outro que está no 'Top 5', ou o 'Fabuloso Destino de Amélie Poulin', não fiz referência aos filmes do Almodovar, de quem eu sou fanzérrima, com as suas cores, mulheres e gritarias de alguidar, ou sequer e mais recentemente, o 'Julie & Julia'...
Sou tão estúpida senhores, tão estúpida.
E ele, olhava para mim meio desconcertado, esfregava as mãos na cara e com um ar gozão voltava à carga: "Muito bem, então agora dá-me seis ideias para reportagens/matérias diferentes das demais".
E lá começava o meu coração outra vez a bater que nem um cavalo desenfreado e desvairado, a névoa branca a apoderar-se novamente do meu cérebro do tamanho de um amendoím, a tensão arterial a subir a pique e o 'Tico' e o 'Teco', cá dentro, a perguntarem um ao outro, 'então e agora, o que é que a gente diz?'.
Lá me consegui safar, é certo, embora não estivesse muito convicta de que as ideias dadas eram grande coisa, mas pronto, conseguir lembrar-me de algumas - mesmo que eles pensem que são uma grande bosta - para mim, já é uma vitória.
E quando tudo parecia estar a caminhar para o fim, quando as perguntas difíceis já pareciam ter acabado e eu começava a descomprimir e a voltar lentamente à minha pessoa normal, eis que o cabrão me faz a derradeira pergunta do 'entale':
"Diz-me o nome do Ministro das Finanças".
E pronto, nessa altura, senti-me morrer. Há uma imagem da antiguinha série Ally Mcbeal que elucida muito bem como me senti na altura - senti-me desfazer em água -, como se todo o meu corpo se transformasse em gotas e eu fosse por ali abaixo que nem uma enxurrada.
Eu lembráva-me da cara do homem, eu sabia que sabia o nome do homem, a imagem do estupor do ministro aparecia-me clara e nítida à minha frente, o nariz abatatado, os cabelos grisalhos, os lábios grossos, eu sabia que tinha entregue o orçamento de estado dois dias antes às 3 da manhã numa estúpida pen-drive e que não tinha cumprido o prazo imposto, eu sabia que tinha estado em directo no jornal da noite da Sic - porque o vi - a ser entrevistado pela Clara de Sousa, mas não fui capaz de me lembrar e dizer o nome do sacana do TEIXEIRA DOS SANTOS, acabando por ter de admitir que não sabia. (Mesmo tendo dado esta explicação toda - que era para ele não pensar que eu ando cá neste mundo para ver andar os outros).
Mesmo assim, acho que não me safei... quando ele olhou para mim, vi a desilusão estampada no seu rosto e eu senti-me uma mentecapta.
E de facto sou. Além de ter respondido uma data de clichés, nem sequer sei o nome do nosso Ministro das Finanças. Sou uma merda de jornalista, é verdade, mas pá, isso não se faz ó grandesíssimo filho da mãe!
Agora resta-me fazer figas e pensar que ainda posso ter sorte. Mesmo assim, até estou meio confiante.
SOU MESMO ESTÚPIDA!

quinta-feira, janeiro 28, 2010

auto-análise

Não tenho actualizado este canto porque ando sem computador e não por falta de vontade. Quer dizer, explicando-me melhor, eu computador continuo a ter, mas está tão marado que não me deixa escrever NADA no que quer que seja. Quero actualizar o meu estado no facebook e o gajo (computador) não deixa. Quero abrir emails e responder às pessoas e o gajo (novamente computador) não deixa. Quero vir actualizar o blogue e o gajo (pois, esse...) não deixa!!
Ai senhores, haja paciência para pc's! Tão cheios de 'não-me-toques-que-fico-cheio-de-vírus' que já estive mais perto de me mudar para desertos desconhecidos (traduzindo; ambientes mac)...
Por isso, não pensem que entrei em depressão total. Nop. Not yet. Ando apenas ocupada e sem máquina para dar voz a tudo o que me tem acontecido e me vai na alma.
E só para finalizar este desabafo sobre computadores e a minha respectiva ausência, é de um 'mac' que vos escrevo - o do gajo, pois claro (sim, desta vez é mesmo o 'gajo') - que por não estar em casa tenho-o só para mim, caso contrário, é para esquecer, que ele é um picuínhas com a sua máquina e detesta que eu me ponha a 'inventar' (citando-o), naquilo que é dele.
Pronto. Introdução concluída.

Monólogo 1
Ando a tirar um curso. O tal que falei no post anterior de que não tinha bem a certeza se deveria de fazer, não por falta de interesse ou vontade, mas por questões de timming - de faltar um mês para o meu subsídio de desemprego terminar, de andar desesperada por arranjar qualquer coisa, por achar que me ia roubar tempo para a procura activa de trabalho, por ir e vir todos os dias da Ericeira para Lisboa levando-me a gastar uma pequena 'fortuna' em gasolina e portagens... Enfim, tudo isso pesava na decisão final de ir fazer um curso que me iria roubar e ocupar o tempo todo - das 9h30 às 18h00 - quase todos os dias da semana.
Após conversa com o gajo, achei que o melhor era mesmo ir. Estava ocupada, conhecia pessoas novas e aprendia coisas que me poderiam vir a ser úteis. E como ele me deu tanto apoio para o fazer - e como eu no fundo, no fundo, também queria - fui.
Faltei no primeiro dia tomada por todas estas dúvidas existenciais que me assolavam a alma, mas no segundo apareci à hora marcada.
Convém igualmente dizer que este curso, não é bem um curso como os que tenho tirado até agora na minha vida profissional. Não é sobre escrita, imprensa, rádio ou televisão, não é de línguas, excel ou powerpoint, não me dá habilitações para vir a dar formação na minha área, ou competências para pintar um quadro, mas é um curso que visa o futuro e, como tal, é orientado para conseguirmos obter na nossa vida profissional as ferramentas e mecanismos para arranjar trabalho, mas também - e principalmente - trabalharmos naquilo que realmente gostamos/gostaríamos de fazer.
E vou ser muito sincera, se ao início quando olhava para os módulos achava apenas aquilo interessante, hoje, acho que tomar, efectivamente, a decisão de ir fazer este curso, foi das melhores decisões que fiz nos últimos tempos.

Monólogo 2
E porque é que o curso é assim tão bom? Ou melhor, porque é que é das decisões mais acertadas que já tive nos últimos tempos? Bom... porque o curso não é só aquele carácter prático e atípico do: vamos lá refazer o vosso CV, como ter noções de empreendedorismo, ou ensinar o que é uma boa rede de contactos e como a utilizar. Para mim, pessoalmente, está a ser muito mais do que isso. Está a ser uma terapia e quando digo terapia não tem apenas a ver com o facto de ter uma rotina, levantar-me todos os dias de manhã e chegar a casa como se estivesse a trabalhar, conhecer pessoas novas, ter conversas enriquecedoras, despertar interesse no outro, ou deixar de ter o pijama como principal indumentária. Claro que tudo isso ajuda na 'terapia', mas o curso está a ter a mais valia preciosa de me fazer olhar para mim própria e saber 'ver-me' com olhos de gente. De deixar de me sentir a desgraçadinha sem controle nos acontecimentos que luta contra o infortúnio e o azar e à qual ninguém dá trabalho, para os saber analisar de forma coerente e racional - que é coisa que eu muitas vezes não sou, porque fico completamente abalrroada pela avalanche de emoções que me atingem - para deixar de estar tão centrada no meu próprio umbigo e perceber que, infelizmente, existem dezenas, centenas de outros 'jovens' igualmente competentes, igualmente qualificados e igualmente talentosos na mesma situação que eu, de saber conhecer e identificar onde erro, como sou perante os outros, como me comporto, o que é que a minha atitude diz de mim e, muito principalmente, de ter o benefício de me ajudar a ser uma pessoa melhor.
Tenho inúmeros defeitos. Tenho tantos, mas tantos, que muitas vezes, quem me conhece, não imagina que os tenho. Mas tenho e admito-os, todos. E o que aconteceu de fantástico nestes últimos 3 dias, foi que consegui identificar mais falhas e defeitos em mim, pontos negativos e coisas a melhorar, do que em dez anos de trabalho.
Tenho noção de que a minha situação actual também se deve em grande parte à minha atitude. Tenho noção de que fervo em pouca água, que sou mandona, respondona e muitas vezes, um bocadinho arrogante. Não o faço de propósito, faço-o porque sou mesmo assim, mas isso não é desculpa, nem deve servir de justificação consentida. Nem para com quem me rodeia na esfera pessoal, nem para quem me contrata no âmbito profissional. E apesar de eu, em parte, já saber interiormente estas coisas todas, estes últimos dias fizeram-me pensar que não posso continuar a ser assim. Mais do que isso: não posso permitir! Porque senão, qualquer dia, corro o risco de ninguém me aturar, de ninguém ter paciência.
O meu marido não tem culpa de estar desempregada, logo, não tenho de descarregar nele as minhas frustrações.
Os meus amigos não têm culpa por terem vida profissional e eu não, logo, não deve ser por isso que eu me devo afastar.
O mercado tem lugar para mim, é só acreditar e fazer para com que as coisas melhorem.
Tenho ainda muito para dar e vou conseguir, basta persistência, determinação, paciência e empenho.
E, acima de tudo, a minha filha será certamente uma criança mais feliz e realizada se a mãe dela também o for.

Por tudo isto, por me fazer pensar, por me fazer ver que ando a ir pelo caminho errado, por me abrir os olhos com um grande estalo de 'acorda para a vida', este curso, esta 'terapia', está a valer por mil consultas no divã do psicólogo.
E como na vida as coisas boas vêm por arrasto, amanhã tenho uma entrevista de emprego marcada.

My fingers are crossed. :)

segunda-feira, janeiro 25, 2010

auto-consolo


Em dois dias, duas negas profissionais via email, uma delas, a um Domingo.
Outra segunda-feira em que o meu telefone não tocou uma única vez e em que enviei currículos às dezenas.
Há, neste momento, uma vaga numa agência que procura um assessor - e na qual eu gostaria muito de trabalhar - mas onde acho que não me irão sequer chamar, apesar de dar por mim a pensar na indumentária que levaria vestida caso isso acontecesse.
Faltei ao primeiro dia de um curso que ainda não estou totalmente convencida se o vá fazer, apesar de achar que faz todo o sentido ir e ter a cabeça ocupada.
Voltei a pegar no livro 'O Segredo' numa de me 'auto-motivar/ajudar', mas só de ler aquilo fico deprimida porque não consigo ter pensamentos felizes.
Tive um par de ideias giras para eventuais projectos/livros, mas falta-me a iniciativa e a disciplina de me pôr a escrever - além de achar que a minha escrita 'suck's' e está cheia de clichés, maus vícios e floreados.
Ontem, o meu marido, ao abrir uma revista que nunca leio, fez com que reparasse na foto de editorial da respectiva directora, que era, nada mais, nada menos, do que uma ex-colega de trabalho minha - bastante parvinha por sinal - onde aparecia em grande plano. Tive um ataque de choro = dor de cotovelo gigantesco e senti que toda a gente tem uma carreira menos eu.
Dizem que os 30 são os novos 20 e que, como tal, devem ser óptimos, glamourosos, decisivos, cheios de conquistas, sucessos e vitórias. Eu sinto que os meus estão a ser simplesmente desastrosos e já estou com 31.






Mas nem tudo é mau, porque hoje até fez sol e, apesar do frio, dei por mim a comprar margaridas lilases.
Ter flores frescas em casa deixa-me sempre mais bem disposta.