A minha filha teve - pela primeira vez - um convite físico (com direito a cartãozinho e tudo) para a festa de aniversário de um amiguinho da escola.
Pronto, é a partir de agora que começa a ter uma vida social mais activa do que eu!
quarta-feira, janeiro 18, 2012
terça-feira, janeiro 17, 2012
Não há amor como o primeiro...
Finalmente consegui colocar estes olhos e pézinhos - que a terra há-de comer - na exposição fotográfica da Frida Kahlo - no Museu da Cidade. Sou grande fã da artista, pintora, fotógrafa... sei a sua vida de trás para a frente e de frente para trás, identifico-me fisicamente com aquelas sobrancelhas fartas e imensa penugem, confesso, com o avanço de pensamento e liberalismo para a época vindo de uma mulher de aspecto meio franzino, mas fiquei um bocadinho desiludida, esperava mais, ou melhor, queria mais.
O registo fotográfico de Frida, esquecido durante mais de 5 décadas era algo para colocar a fasquia das expectativas bastante alta, por isso, já andava a desesperar por a exposição estar em exibição há tanto tempo e eu ainda não me ter dignado a ir vê-la. Geralmente é sempre assim, "ah e tal, ainda tenho muito tempo" e vou adiando, adiando, adiando e, em menos de um nada desaparece e, geralmente, fico a ver navios e a praguejar a minha estupidez.
Bom, desta vez não foi assim, lá consegui fazer por ir - afinal, tratáva-se da minha Frida - de quem nunca me canso, é um facto, mas em menos de meia hora estava visto. Pouco mais de três salas, muitas fotografias do seu pai Guilherme e da sua mãe Matilde, (o que eu adoro estes nomes) meia dúzia de fotografias da Frida, outras tantas do Diego e mais umas sequências de verdadeiros desconhecidos e pronto, está feito. Não é que não tenha gostado, soube foi a pouco.
Destaco a sala das "Cumplicidades de Frida e Diego", os amores que os ligavam e que marcaram aquela relação durante a maior parte das suas vidas - afinal, casaram-se duas vezes - não é para todos. As fotos em grandes dimensões têm outro impacto e, acompanhadas por pequenos blocos de texto, transportam-nos até à época, envolvem-nos com a história, ligam-nos aos personagens. Eles estão ali, bem à nossa frente, quase reais, palpáveis. Pessoas de carne e osso, com fraquezas, desejos, frustrações e talento, um imenso talento.
Nesse aspecto, eu e a Frida estamos em pólos opostos... por mais que me identifique com ela.

sexta-feira, janeiro 13, 2012
Et voilá!
E pronto, eis que decidi fazer aquilo que tão depressa julgava não fazer: tornar este blogue público!
Depois de mais de 3 anos a "viver" na obscuridade - e de um período completamente "black out" de escrita - decidi que estava na hora de abrir as portas e janelas de casa e deixar entrar o ar e a luz.
Há demasiada poeira aqui dentro e eu sou uma pessoa que sofre de alergias.
Pronto, é isto.
E agora vou meter-me a caminho do Algarve. Diz que logo à noite tenho mais de 12 pratos à minha espera para comer que nem uma lontra e ficar a chibatar-me o resto do tempo.
(Não quero saber. Também mereço os meus pecados, a minha realidade já é dolorosa o suficiente.)
quinta-feira, janeiro 12, 2012
pois... isso.
Iam ser 3 dias de carro alugado nas mãos, despesas pagas, dormida oferecida. A escapada perfeita, a conjugação para sair deste marasmo e mar de contenções em que vivo.Tinha tudo para dar certo, mas não deu.
É assim a minha vida.
Um mar de frustrações e expectativas goradas, on a daily basis. Não sei porque continuo a iludir-me.
quarta-feira, janeiro 11, 2012
só assim para começar o dia...
Ontem gastei 233 euros com o carro. Bateria nova, pastilhas novas, revisão de óleos de travões, embraiagem, motor, etc. e pronto, passa para cá 233 euros se queres que isto ande. Demoro uma eternidade a juntar algum (pouco) dinheiro e, quando penso que agora ele vai ficar quietinho e que vou conseguir poupar para fazer aquela tão desejada viagem (Paris, Paris... o meu sonho eternamente adiado), ou pelo menos ter ali um pé de meia, pufff... ele some-se em menos de um nada.
E pronto, depois fico azeda e odeio de morte toda a gente que anda a cirandar por esse mundo fora como se a crise fosse algo que não lhe assiste e ainda fazem questão de o dizer e mostrar no facebook.
Bastards.
terça-feira, janeiro 10, 2012
vontades
Acho que hoje vou para casa, colocar uma mantinha nas pernas, meter um dvd com um qualquer filme ou série - sobre e para "gajas" - e apanhar um pifo. Parece-me um bom programa.
Gerir saudades

Optámos pela custódia partilhada, uma semana na minha casa, outra na casa dele. Parece-me ser o mais justo para ambos, já que não a podemos ter sempre. Ela adaptou-se bem, sabe perfeitamente quando vai para a casa do pai e para a casa da mãe e fica feliz por isso. Gosta de estar com ambos e, infelizmente, esta será a realidade que ela sempre se lembrará para toda a vida. Duvido que venha a ter memórias do pai e da mãe em vida conjunta e debaixo do mesmo tecto. Para ela, esta é a sua realidade.
Há muita gente que fica chocada - não o dizem, mas eu sinto-o - quando revelo que não tenho a Madalena a tempo inteiro, que tenho uma custódia partilhada. Como se, enquanto mãe, isso me inferiorizasse, como se abdicasse da minha filha. Pergunto: porque motivo hei-de privar uma criança que adora o pai e gosta de estar com ele, da sua companhia? Ou só a deixar estar com o pai um mísero fim de semana de duas em duas semanas? Digam-me, porquê? Quando, ainda por cima, ele sempre foi um pai atento, preocupado e presente. Não seria brutalmente injusto, para ela e para ele, privá-los da companhia um do outro?
Claro que me custa horrores quando vai para o pai. Por mais que ela, por vezes, seja chata birrenta e chorona, é a minha filha, a minha cria, aquela que eu amo mais do que tudo na vida. E, neste momento, a razão da minha existência. (eu sei que soa a piroso e a frase feita o que acabei de dizer, mas é a mais pura das verdades.)
As segundas-feiras são sempre dias lixados e a de ontem custou muito. Custa chegar a casa - depois de a ter entregue ao pai - e ir ao quarto dela, fazer a sua cama, mexer nos seus brinquedos. Custa senti-la ali e não a ver, não a ter. Instala-se um vazio no peito e, por mais que tente resistir e ser forte, as lágrimas invadem-me sempre os olhos.
É triste ver que todo o ideal de família que criámos e que sonhámos, desapareceu. É triste constatar que a vida dá mesmo muitas voltas e que, agora, neste preciso momento, está tão diferente e tão distante de tudo aquilo que alguma vez nos uniu.
Ficou ela como a prova de um amor que existiu, como o resultado desse amor...
quarta-feira, janeiro 04, 2012
terça-feira, janeiro 03, 2012
2012
Ora bem, ano novo e nada como deixar o 2011 sossegadinho e nos confins da memória, como um ano que significou uma mudança brutal na minha vida. Foi um ano de decisões, de rupturas e de grandes sofrimentos. Foi um ano de transformação mas também de crescimento interior. Não sei se 2012 será melhor - aliás, tudo aponta que não o seja - com toda a gente a dizer que será o ano de todas as crises, com desemprego galopante, dívidas, inflacção altíssima, iada, iada, iada.Até pode ser isso tudo, mas cá dentro de mim, é como se algo (ou alguém) me dissessem que 2012 será meu, por inteiro, como a recompensa devida, com dias de sol constante, balões no ar, passarinhos a cantar, flashmobes e danças indianas. Se tenho medo? Claro que sim, muito, mesmo. Mas por enquanto vou fingir que nada disso me preocupa e deixar-me invadir por esta sensação de crença que geralmente me invade nos primeiros dias do ano.

(e esperar que lá para Fevereiro ainda não tenho dado à sola)
sexta-feira, dezembro 09, 2011
as minhas certezas
Fico sempre surpresa quando leio entrevistas ou até mesmo posts onde dizem coisas como; "ah, os trinta é que me tornaram mais madura e cheia de certezas daquilo que sou hoje e sobre o que quero da vida" ou, "depois de ter sido mãe a minha vida mudou para melhor e ser mãe é o papel da minha vida e tudo ganhou um novo significado". Ok, é verdade, um filho abala completamente a nossa vida, as nossas estruturas - e até aí também estou de acordo - mas fico sempre a pensar que já passei por isso tudo e não sinto essas certezas, aliás, não tenho é dúvidas de que cada vez tenho ainda mais dúvidas, mais receios, mais medos e que por mais que viva, continuo - na maior parte das vezes - a achar que ainda tenho vinte anos e que houve tanta coisa por gozar e que ainda não gozei, tanta coisa por viver e experiências que se calhar, ficaram por fazer, ou aquela sensação de que esperam que eu, aos 33 anos de idade, tenha uma determinada maturidade ou forma de ver as coisas que, se calhar e pensando bem, não tenho.
Ser mãe mudou a minha vida, mas também a aprisionou. Esta é a mais pura das verdades e é o que eu mais sinto em relação à maternidade. Também sinto que os 30 não são, de todo, o melhor período da minha vida. Que me sinto mais velha, mais feia, mais gorda e que a beleza - ou aquilo que julgava ter dela - é efémera e que por mais que até me considere uma pessoa minimamente instruída ou capaz de falar dos mais variados temas da actualidade, há quem já não me olhe duas vezes ou me dê oportunidade para isso. Também sinto que a nível profissional estou longe de onde deveria de estar, (ou julgaria estar by now) e que já passei a idade de realizar a maior parte dos meus sonhos. Que num mundo perfeito, por esta altura, já devia de ter um cargo de direcção (que por acaso tive quando tinha 25 e 26 anos) ou de fazer aquilo que realmente gosto mas, na realidade, sinto-me cada vez mais longe desse sonho e dessa concretização. Que as pessoas esperam de mim determinados comportamentos ou atitudes que eu não quero ter, ou assumir, mas que também fico sempre com uma ligeira pontinha de inveja quando leio percursos profissionais onde com a minha idade - e até menos, muito menos - meteram mãos à obra, conseguiram e fizeram. E eu ali, a vê-los passar. A ver a vida a passar.
Sinto sempre que tenho potencial que não aproveito, porque na realidade, eu própria me considero limitada, ou porque não acredito suficientemente em mim mesma. Porque sou tonta, ou parva, ou preguiçosa, sei lá.
Porque já tive tudo e porque deitei tudo a perder. Hoje, retomo a vida cheia de dificuldades e já não acredito em grandes finais felizes (apesar de querer).
Continuo a ser precipitada, ansiosa e impulsiva e isso é algo que nem a idade me refreia apesar de já não fazer grandes planos e tentar viver um dia de cada vez. Dou mais valor às coisas, mas também tenho cada vez mais consciência de que tudo é efémero e de que de um dia para o outro posso perdê-las - ou destruí-las.
Ter uma criança sob minha responsabilidade assusta-me e, muitas vezes, sinto-me egoísta por continuar a querer comprar coisas para mim quando deveria de gastar com ela, ou poupar para lhe dar, ou gostar de sair à noite e divertir-me com as amigas como se fosse uma miúda ou nem tivesse filhos, quando ela, por exemplo, está com o pai. Não o consigo evitar. Nesses momentos, sinto-me a pior mãe do mundo, um ser a roçar o execrável e de que, mais tarde ou mais cedo, a justiça divina cobrará todos estes meus prazeres mundanos... de que não aproveito a infância da minha filha, ou não lhe presto a atenção que devia - ou que vejo outras mães prestarem ou fazerem - que a dou por adquirida, quando não é.
O ano de 2011 foi duro, muito duro. Emocionalmente, profissionalmente, pessoalmente. Separei-me, comecei uma vida sozinha, crio uma filha sozinha, mas esta sensação de ser sempre "aquém", de inferioridade, persegue-me.
Acho que fazer psicanálise me faria bem. Ando com demasiadas coisas dentro do peito, o pior é que nem tenho dinheiro para isso.
segunda-feira, dezembro 05, 2011
Afinal, o que é o amor?
sexta-feira, novembro 04, 2011
de vez em quando dá-me estas fúrias...
... que não consigo controlar e que se apoderam de mim - como se me consumissem - e que soltam o meu lado impulsivo e ansioso de querer tudo para "ontem"... mas que fazer, sou mesmo assim e nem o facto de estar a ficar mais velha me muda. Modera-me, é certo, mas mudar.... nope.Bom, posto este desabafo sobre a minha pessoa, isto tudo para dizer que tenho "muchas ganas" de voltar a estudar. Mas muitas mesmo. Queria tirar uma pós graduação, ou um mestrado, sentir-me desafiada e estimulada outra vez, pôr o cérebro a pensar, voltar a agarrar nos livros e nos cadernos, dar de mim, deixar de me sentir tão "pequenina" e "mediana", mas sem dinheiro na carteira, tudo me parece mais difícil.
Mas sonhar não custa, não é?
Tenho de ver se jogo no euromilhões.
quinta-feira, novembro 03, 2011
isto é que vai cá uma crise...

Isto de ser solteira outra vez até pode ser muito engraçado e ter alguns pontos positivos. É bom voltar a ter o meu espaço, uma casa só para mim, não dar satisfações a ninguém, gerir o meu tempo, voltar a estar com os meus amigos, ou simplesmente, voltar a fazer todas aquelas coisas que me caracterizavam e que, nestes últimos anos, perdi... Mas depois de ter mobilado uma casa sozinha, comprado electrodomésticos, montado o quarto da rapariga e voltado a fazer "enxoval", não tenho praticamente dinheiro para mandar cantar um cego e nunca na vida fui tão "pobrezinha".
É que até parece que me rogaram uma praga, porque não tenho tido sossego e a conta bancária não pára quieta... desde ter rebentado um pneu do carro e pago mais de 200 euros por 2 novos (sim, porque rebenta apenas um, mas temos de substituir os dois!), ou o telhado da casa meter água, não há nada que não me aconteça e que não signifique "abrir os cordões à bolsa".
O ordenado é a esticar para chegar até ao final mês, rezo para que a mensalidade da casa não aumente com as taxas de juro e sinto-me a pessoa mais impotente do mundo quando faço um enorme esforço para conseguir poupar uns míseros 50 ou 100 euros e depois, sem estar à espera, quando as despesas caem, é sempre às centenas... Já para não falar nas idas ao supermercado em que trazemos meia dúzia de coisas e até ficamos verdes quando nos dizem a conta a pagar, ou as despesas de luz e gás. (este ano não há aquecimento central ligado em casa para ninguém).
Sempre tive uma relação de amor-ódio com o dinheiro, sei o quanto custa a ganhar, mas também adoro gastá-lo, é um facto. Nunca fui uma gastadora compulsiva e apesar de ser muito consumista, sei os meus limites e até onde devo ou posso ir. Tenho pavor de ficar sem dinheiro para as coisas mais básicas e por muito que goste de trapos e compras, nunca comprei sem pensar nas consequências ou de que forma isso afecta o meu orçamento. Daí o gostar tanto da Primark, onde tudo é barato (apesar de já não ser como era) e de tudo o que signifique trazer muito e diversificado ao menor preço.
Hoje dei por mim a pensar - enquanto via uma reportagem sobre apoio domiciliário a pessoas da terceira idade - que quando chegar a velha não irei ter reforma e assustei-me.
Se o ordenado mal me chega até ao fim do mês, o que será de mim quando tiver 60 ou 70 anos (isto se ainda for viva, claro está), já não conseguir trabalhar e não tiver como me sustentar?
A miséria assusta-me muito, muito mesmo.
Sozinha, com uma filha para criar e com tantas despesas e responsabilidades em cima dos meus ombros, numa situação profissional a roçar o precário e onde a qualquer instante posso perder a minha única forma de sustento, a linha que divide a minha estabilidade actual de tal cenário ou situação parece-me sempre muito ténue...
sexta-feira, outubro 14, 2011
Recomeços
Porque ninguém disse que é fácil recomeçar. Não é. Custa, dá trabalho, é preciso vontade, empenho, disposição. Acho que ainda não reuni todas estas características, mas acho que estou no bom caminho. É que, finalmente, instalou-se aquela vontade de dar voz aos pensamentos - coisa que já não acontecia há muito, muito tempo - e de verbalizar tudo o que anda oprimido dentro do peito.
2011 tem sido um ano difícil, de recomeços constantes, de grandes obstáculos, de força interior, de decisões... Então, para quê adiar algo tão simples, tão fácil e que, ainda por cima, me dá prazer?
Só se for pura estupidez. (o que não pode ser o caso)
Por tudo isso, estou de volta.
terça-feira, agosto 09, 2011
learning to (re)live
... e já se passou mais de um mês desde que decidi sair de casa e voltar a viver em Lisboa. Nunca mais o vi. Já é o segundo mês que pago as minhas contas, renda da casa incluída, sozinha.
Em um mês comprei electrodomésticos, sofá da sala, mesa de jantar, cadeiras, estantes, mesa de centro, de apoio, todo o quarto de uma criança, enfim... tudo. Para trás ficou uma relação de 9 anos.
Voltei a viver do zero. Sem certezas e com medos à mistura.
Na minha cabeça pululam muitas perguntas sem resposta. "E se fico desempregada", "E se a prestação da casa aumenta?", "E se o ordenado não chega ao final do mês?" e por aí fora... Tento apagá-las da memória - ou pelo menos aprender a lidar com elas da melhor maneira - para não enloquecer.
Um dia de cada vez, digo para mim mesma, um dia de cada vez.
Volto a aprender a estar sozinha, a ter a casa silenciosa, a pensar no que fazer com o tempo. Aprendo a lidar com a distância da minha filha e preparo-me, psicológicamente, para uma ausência de 3 semanas. Não é fácil. É duro. Muito duro.
Nunca fui uma pessoa que tivesse de estar rodeada por outras pessoas para me sentir feliz ou "mais viva". Fruto de ser filha única, ou pura e simplesmente porque sempre precisei de ter tempo para mim e a solidão nunca me assustou, lido bem com as horas desprovidas de gente. Continua a não me assustar, é um facto - bom, se calhar agora, que estou mais velha e com outra perspectiva da vida, talvez - mas não o suficiente para me derrubar. Mas ter de começar tudo do zero depois de tanto tempo habituada a partilhar a vida, o tempo e o espaço com outra pessoa não é fácil.
Sinto-me um pouco amputada por um lado e libertada por outro. Da maneira como as coisas estavam não dava para continuar e eu precisava de sair, para eu mesma perceber tudo o que se passou nestes últimos meses e encontrar alguma paz. 2011 tem sido um ano difícil, duro que só ele, mas eu também nunca disse que nunca conseguia.
Como diz o provérbio: "Dos fracos não reza a história"...
terça-feira, abril 12, 2011
eu - parte 1
Tinha prometido a mim mesma que este ano - horribilis de 2011 - retomaria a escrita. Não tenho conseguido cumprir. Todos os dias 'teclo', é certo, mas resume-se a emails, a respostas a clientes, a trocas de informação, a contactos com jornalistas, a pouco mais. Nada de meu, nada de pessoal, tudo a acumular cá dentro, dentro do peito, dentro da boca, em filinha indiana para o cérebro, a encher, encher, encher, encher, como se fosse uma enorme cómoda cheia de gavetinhas e portinholas - e o que eu sempre gostei de gavetinhas e portinholas - que nunca mais se abrem, fechadas a sete chaves.
Sinto que não consigo verbalizar tudo o que sinto. Sinto que não consigo exteriorizar o que vai cá dentro. Ou melhor, tenho medo. Como se o escondesse de mim mesma, como se duvidasse.
No fundo falta-me a coragem e invade-me o medo. O medo de falhar, mais uma vez, como em tantas outras coisas. Falta-me a coragem para acreditar a mim. Porque me sinto perdida e à deriva. Falta-me a força necessária. A voz e a certeza. E regresso a mim, sozinha, embrulhada em todas as minhas dúvidas, petrificada.
E volto a encher mais uma gaveta, com lágrimas. Essas sim, não acumulam e todos os dias gostam de escrever monólogos.
terça-feira, março 08, 2011
"fiozinho de água triste... a vida corre"
... é nas palavras de Florbela que tenho encontrado a voz que fala por mim. É na poesia que me refugio, para tentar perceber o que vai neste meu coração bravio e agitado... desesperando em vão, dar-lhe sossego. E confortar-me, lambendo feridas abertas que teimam em não fechar.
segunda-feira, março 07, 2011
isto sou eu e a minha tentativa - falhada - de retomar a escrever sob o que vai cá dentro
O que dizer quando nos estamos a separar? Quando sentimos que o amor morreu e que nada do que nos unia parece subsistir?
Como falar, escrever, exprimir, o turbilhão de coisas que me assola a alma?
Não tenho palavras. Todos os dias penso: "é hoje" e não consigo.
Todos os dias falho.
Até o título deste post consegue ser mais coerente do que eu.
domingo, outubro 24, 2010
terça-feira, setembro 28, 2010
afinal nem tudo são coisas más

E pronto, para quebrar as bad vibes que assolam este blogue, eis que a semana passada tive uma boa notícia - afinal sempre vou a Paris! Weeeeeeeeeee - e mais do que isso, vou 3 diazinhos para um Eco Resort, na Bretanha Francesa, com tudo pago, a trabalho, mas que será apenas e só para estar de papo para o ar, comer bem, dormir ainda melhor e recuperar energias. E é já em Outubro, numa espécie de prenda de aniversário antecipada.
Afinal, o universo foi solidário comigo :)
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quarta-feira, setembro 22, 2010
São 3h00 da manhã e eu não durmo. Esta semana tem sido assim.
Acordo a meio da noite e fico às voltas na cama a pensar em trabalho e mais trabalho e mais trabalho e dormir que é bom, nada.
Como se a privasão de sono não fosse por si só algo grave e que me deixa perturbada, hoje - ou melhor, ontem, uma vez que é de madrugada - tive um diazinho bera mas bera no respectivo trabalho, com reuniões atrás de reuniões e um volume imenso de coisas para despachar e sem ninguém a quem recorrer para além de mim mesma. Saí tarde, cheguei a casa mais tarde ainda, vejo a minha filha, em média, uns 45 minutos por dia - ou 1h30 - se tiver sorte.
Não lhe dou banho, não brinco com ela, não a vejo de manhã, não a vejo jantar, não a acompanho à escola. Sou, neste momento, uma mãe quase ausente, por isso, não é de estranhar que na hora de a deitar ela chame é pelo pai e não por mim.
Para culminar todo este dia 'horribilis', quando preparo um leite e uma sandes para me servir de "jantar" às 22h30 da noite, eis que na primeira trinca parto o dente da frente, assim, sem pré-aviso, sem estar minimamente à espera, logo hoje, num dia tão bera em que já me sinto um caco velho e decrépito.
Desato a chorar compulsivamente como uma criança assustada, ele tenta ajudar-me e dar-me apoio por me ver tão desesperada, mas a verdade é que não há nada que possa fazer por mim. Pela cabeça passam-me todo o tipo de coisas, mas, acima de tudo, de que a continuar assim, não sei para onde vou.
Entretanto, continuo sem sono, acordada, desdentada, estou na sala agarrada ao computador enquanto toda a casa dorme e são 3h22 da manhã.
Daqui a 3 horas tenho de 'estar de pé' e procurar um dentista.
segunda-feira, setembro 20, 2010
everthing is in your head
O que fazer quando acordamos às 4h30 da manhã e não conseguimos dormir mais porque, na nossa triste e miserável cabeça, só nos assolam à mente pensamentos de coisas pendentes para fazer no escritório, tais como: listas de prioridades, relatórios semanais, eventos para organizar, mails a clientes para responder, orçamentos para fazer, relatórios de clipping, números de notícias publicadas e afins.
Contam-se carneiros? Não.
Vira-se para um lado e para o outro e fecham-se os olhos com força a ver se o sono vem mais depressa? Também.
Salta-se da cama muiiittooooo mais cedo do que o previsto? Pois... talvez, mas nem mesmo assim esta angústia e agonia passam.
E eis que começa mais uma semana.
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domingo, setembro 19, 2010
crises
Estivemos mais de uma semana chateados. Mas chateados a sério, como nunca tínhamos estado antes. Pouco falávamos para além do 'bom dia', 'boa noite', 'olá' e pouco mais. Tirando isso, o silêncio, a indiferença, a Madalena como o nosso único ponto em comum.
Prestes a fazer 5 anos de casados, atravessamos o ano de todas as crises.
Ontem fizemos as pazes, estamos 'bem', mas eu, que sou um ser complicadinho por natureza, questiono-me e pergunto-me 'quanto tempo durará o estado de graça'.
Viver um dia de cada vez. Um dia de cada vez.
quarta-feira, setembro 08, 2010
Nunca o tema "morte" mexeu tanto comigo como ultimamente. Nunca tomei tanta consciência da "morte" e daquilo que ela significa: a ausência, para sempre, de uma pessoa que amamos, como agora. Nunca tive tanto medo de morrer ou de perder aqueles que amo, como agora. Nunca me senti tão vulnerável e na corda bamba da vida, como agora.
Principalmente quando, num dia igual a tantos outros, na rotina das nossas pequenas vidas de casa-trabalho-trabalho-casa, de repente, no mais pequeno segundo, o telefone toca e tudo muda. Toda a nossa vida muda, tudo perde sentido e todas aquelas coisas de que sempre nos queixámos e dávamos por adquiridas, nos fazem falta e fazem todo o sentido.
Hoje, num desses dias igual a todos os outros, o telefone tocou e uma má notícia do outro lado surgiu. A vida mudou. A vida de pessoas que conhecia terminou. A vida dos que cá ficaram mudou para sempre. A vida, tão pequena e vulnerável, parece-me sempre demasiado curta para nos ser tirada. Principalmente assim.
terça-feira, setembro 07, 2010
Paris por um canudo
Afinal... Paris a quatro, com passagem por Amesterdão, já era! A minha amiga e o marido não podem. Tese de mestrado para terminar, incompatibilidade de horários, casamento em Itália pelo meio, muito trabalho da minha parte, da parte do Carlos, and so on e as datas disponivéis apontavam só lá para a segunda metade de Dezembro, o que dada a proximidade do Natal, é para esquecer.
Como tal, resta-me esperar que um qualquer raio de sol seja solidário com o meu desejo e me leve a Paris, ainda este ano, como por magia.
(algo que me parece difícil...)
sexta-feira, setembro 03, 2010
...
A Madalena regressou a casa depois de duas semanas e meia com os avós. A primeira semana correu bem, a segunda já mostrou de que garra é feita - dando 'ares de sua graça' com mega birras no super, na rua e por aí fora - e na terceira semana virou um 'pequeno monstro'.
Quando chegou a casa vibrou de alegria. Não tenho dúvidas de que parte do seu comportamento 'desviante' era provocado pela nossa ausência e saudades, quer dos pais, quer da sua própria casa, mas a verdade é que a minha filha atravessa uma fase complicada que me deixa sem saber muito bem como reagir.
O regresso à escola foi pacifíco. Nunca pensei que pudesse ter sido tão bom e calmo e isso, em parte, fez com que ficasse mais descansada. Não houve choros nem birras, o que acabou por me deixar relaxada e até feliz, o resto da semana. No fundo, acho que ela também já tinha saudades da escola, da educadora e dos outros meninos e coleguinhas, pois apesar de ter mudado de sala e ter uma pessoa nova na equipa que a irá acompanhar, quando viu a educadora, agarrou-se ao pescoço dela, trepou-lhe para o colo e deu-lhe beijos - coisa que comigo - muitas vezes, não faz.
Ciumeiras à parte, o que me anda mesmo a deixar com os nervos em franja é o mau feitio da rapariga. A minha mãe, que sempre disse que eu tinha 'uma filha santa', depois de quase 3 semanas com ela já lhe reconhece os defeitos e dá razão às minhas queixas. Ela não verga! É mais teimosa que uma mula velha e agora tem uma mania terrível quando é contrariada: guinchar.
Confesso que quando ela guincha a plenos pulmões e se atira para o chão numa das suas muitas birras, só tenho vontade de a encher de palmadas. É que não suporto crianças birrentas e mal comportadas, mas claro, como sempre, cuspi para o ar e tinha de me calhar uma que vale por 500 miúdos assim...
Isto faz com que sempre que saímos com ela para ir a algum lado o drama e os nervos se instalem. Sempre que a menina é contrariada, seja o que for, abre a boca e guincha. Guincha, guincha e guincha. E não adianta dar-lhe palmadas, ralhar ou mostrar desagrado, porque o efeito é aumentado. Como se aquele pequeno ser com menos de um metro, tivesse ligada a um megafone. A juntar à festa, tem ainda ataques de puro mau feitio, ou seja, não adianta ela já me estar a fazer uma fita de todo o tamanho, a envergonhar-nos a cara até ao sétimo céu, não satisfeita com isso, ainda manda e resoira com tudo o que apanha à frente, para o chão... do prato da comida, ao biberão da água ou à chucha, tudo o que apanha vai pelos ares.
O resultado? Uma valente chapada na mão, sempre, mas nem mesmo assim ela aprende ou deixa de o fazer/repetir numa próxima oportunidade.
Este comportamento, estes ataques de mau feitio, de faltas de respeito, de total ignorância dos meus apelos como mãe e educadora, faz com que esteja a passar por um período em relação à minha filha, que me faz duvidar quer de mim mesma, quer do amor que sinto por ela.
Não é fácil lidar com uma criança assim, impaciente, intransigente, birrenta, chorona e que nunca está bem, nem deixa estar. É um verdadeiro teste à paciência. São poucos os momentos em que me sinto em paz, em que conseguimos fazer os três coisas giras e brincadeiras ou passeios que depressa não terminem em gritos ou discussões, em que ela não nos teste a paciência até à exaustão.
Claro que amo mais do que tudo na vida, claro que ela foi a melhor coisa que me aconteceu, claro que as birras fazem parte da idade, de uma fase, sei lá, mas às vezes, às vezes penso que comigo tudo tem de ser mais difícil que as outras pessoas e claro, até um filho teria de me dar trabalho a triplicar do comum dos mortais.
Nunca esperei dizer isto mas, mais filhos? Sinceramente, acho que não! Só se tivesse a garantia que não me saía outra igual a esta, senão enlouqueço. That's for shure.
terça-feira, agosto 24, 2010
Sweet November

Ando a pedir ao Carlos, praticamente desde o início do ano, para irmos a Paris. Ele diz sempre que sim, que 'havemos' de ir a Paris, mas a verdade é que até agora... népias! Nem sinal da viagem no horizonte, nem tentativas de marcação, nem uma data sugerida, nada.
O meu marido é muito bom rapaz, é verdade e há que dizê-lo, mas no que diz respeito a ter iniciativa para ir a algum lado... argh... bom, já deixa assim um pouco a desejar! Tenho de andar a melgá-lo, a chorar-me pelos cantos, a lastimar-me, a dar-lhe uma verdadeira lavagem cerebral para que ele lá se mentalize e diga: "Pronto, vamos lá". É assim para tudo, não é só no que diz respeito às viagens ao estrangeiro. Também é assim para irmos a algum lado no fim-de-semana, ou fazermos algum programinha diferente, assim como não há férias nenhumas em que não seja eu a tratar das coisas e estas últimas, mesmo no Algarve e em casa emprestada por um familiar, não foram excepção.
Depois de muito me queixar, ele lá disse: 'Pronto, quando chegarmos a Lisboa, marcamos logo a viagem a Paris, é só escolheres a data' e eu vibrei! Escolhemos o fim-de-semana de 2, 3 de Outubro, para fazer ponte e colarmos com o feriado de 5 de Outubro, antecipando assim a comemoração dos nossos 5 anos de casados, mas qual não é o meu espanto quando, ao regressar ao trabalho, vejo que marcaram um evento para dia 7 de Outubro, o que significa que, sendo eu a responsável por aquele cliente, não posso fazer ponte nos dias que o antecedem... Fiquei para morrer. Culpei a porra do bad karma e do destino pelos planos todos que foram por água abaixo, já que até Novembro o trabalho vai ser tanto, que não poderei tirar dias.
Mas ontem, ontem voltei a ver a luz ao fundo do túnel quando, a minha 'irmã' Cátia me ligou, já passava das dez da noite e me fez a proposta mais tentadora dos últimos tempos: "Olha Maria - que é como ela sempre me trata - estava aqui a falar com o meu homem e temos uma proposta para vos fazer. O que é que dizem de vir a Paris connosco, lá para Novembro, e depois dali apanharmos o combóio e irmos até à Bélgica, depois Amesterdão e fazermos assim um 'giro' de mochila às costas, nós os quatro?".
A minha reacção imediata não foi de alegria pelas palavras que ela tinha acabado de proferir, mas sim de preocupação maternal: "E o que é que tu fazes às crianças?".
Resposta dela: "Não sei, não quero pensar nisso agora, logo se vê! Estou numa fase da minha vida em que preciso de um pouco de loucura!".
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E pronto, foi isto. Lá para Novembro sou capaz de fazer uma viagem, durante uma semanita, acompanhada pelos melhores amigos de sempre, de mochila às costas, armada em turista pé de chinelo, com promessa de momentos de diversão e loucura incluídos no pacote.
Porque também eu estou numa fase da vida em que acho que mereço 'a little bit of fun'.
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sábado, agosto 21, 2010
good vibes
Há dias que começam iguais a tantos outros e acabam de forma inesperada, mas no bom sentido. Hoje foi um desses dias. Há dias em que o passado nos entra porta adentro, sem bater, sem pedir licença e traz consigo uma mão cheia de boas memórias e recordações, de pessoas que partiram das nossas vidas sem deixar rasto, mas que regressam cheias de presentes e sorrisos.
Hoje foi um desses dias.
Há dias que julgamos dar demasiada importância a pormenores que, depois, se perdem com o tempo e deixam de ser relevantes.
Hoje foi um desses dias.
Há dias em que vimos que perdoar é bom e faz bem à alma.
Hoje foi um desses dias.
Há dias em que nos sentimos felizardas por tudo o que temos na vida.
Hoje foi um desses dias.
Há dias em que ficamos em paz com nós mesmas.
Hoje foi um desses dias.
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quarta-feira, agosto 18, 2010
just keep dreaming
AmesterdãoNunca pensei voltar a dizer isto, mas ultimamente, a ideia anda a ganhar força e era capaz de voltar a fazer tal coisa:
"Acho que quero emigrar!"
E a Dinamarca ou a Holanda seriam, sem dúvida, das primeiras opções de países a considerar!
O problema é que na minha área (e respectivo cônjugue) é uma treta! Porque, basicamente, dependo da língua materna para viver e trabalhar...
Trabalhar como jornalista, account, relações públicas, assessoria de imprensa, whatever num país estrangeiro sem dominar a língua, sem saber quem são os jornalistas e a imprensa, como se movimentam, o que os move, como negociar peças e reportagens, como fazer eventos e ter meios confirmados... torna-se quase impossível!
Trabalhar como jornalista, account, relações públicas, assessoria de imprensa, whatever num país estrangeiro sem dominar a língua, sem saber quem são os jornalistas e a imprensa, como se movimentam, o que os move, como negociar peças e reportagens, como fazer eventos e ter meios confirmados... torna-se quase impossível!
A agravar a coisa vem o facto de não ser uma pessoa à procura de trabalho, mas sim duas pessoas adultas e uma criança...
Quando vivi em Madrid era solteira, não tinha família nem grandes responsabilidades a cargo, não tinha horários, nem restrições e fui para lá para trabalhar em português, escrever e falar em português e na minha área. Claro que depois conheci o marmanjo que hoje é meu marido e pimbas, toca de regressar a Portugal. Na altura não me arrependi nadinha - ainda hoje não me arrependo, porque o canal onde estava entretanto fechou - mas uma coisa é partir para um país já com trabalho garantido e na área, outra é partir sem saber o que esperar. Coisa que, é certo, nunca faria.
O meu inglês anda enferrujadíssimo, o espanhol idem - porque nunca mais falei, nem treinei a escrita - e por isso, resta-me o tão singelo e complexo português onde, muitas vezes, dou valentes calinadas!
Basicamente, acho que a minha área 'sucks'. Andei tantos anos a estudar, a tirar cursos, a fazer workshops disto e daquilo, a trabalhar em jornalismo, em televisão, em imprensa, em assessoria, em marketing, para não me especializar em absolutamente nada e em coisa nenhuma!
Humpf :-<
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domingo, agosto 15, 2010
Foram 5 dias de 'stress', onde os nossos horários foram ditados por ela e em detrimento dela, onde as horas de lazer e descontracção foram poucas, onde as saídas estiveram quase sempre condicionadas pelos seus horários, pelo seu sono e pelo seu humor. Foram férias mas não souberam a férias, fizemos praia, mas ao mesmo tempo 'não fizemos' praia, estivemos no Algarve mas nem vi o Algarve, saímos à noite mas não saímos à noite.
Acho que quem tem filhos, em algum momento das suas vidas, acaba por ter este sentimento. Eu tenho-o, confesso, e de forma frequente. O sentimento de me sentir oprimida, oprime-me a maior parte do tempo, ou melhor, sufoca-me. Anda a sufocar-me e não devia. Até porque, como diz o pai desta casa, temos uma filha saudável que, apesar de nos dar muito trabalhinho, não deixa de ser uma criança, com todas as birras e desejos e vontades não compreendidas que lhe competem e próprias da idade.
O pior é que me sinto injusta e castradora a maior parte do tempo. Tempo esse que não volta atrás e um dia, vou acordar e pensar, nostalgicamente, que tenho saudades da minha menina pequenina, ou do tempo em que ir com ela de férias era um stress e uma pilha de nervos mas em que estávamos, efectivamente, todos juntos. Um dia, eu hei-de querer que ela vá de férias comigo e ela será a primeira a torcer o nariz e a sentir-se oprimida e, nessa altura, sentirei o vazio e a solidão a dizerem-me "olá" acenando-me o companheirismo.
Confesso que tenho inveja dos programas divertidos e glamourosos de quem não tem filhos, das saídas nocturna, dos jantares e das conversas fora de horas, das decisões ao sabor da vontade, sem limitações de qualquer espécie, mas também me tento lembrar daquela altura em que olhava os jovens pais de primeira viagem e me sentia num planeta à parte, como se ser mãe fosse algo me que estava vedado. E é nesse sentimento que tenho de me lembrar e é nesse desejo, que foi tanto, de ser mãe e de ter um filho que me tenho de centrar.
Porque como diz um provérbio chinês: "Cuidado com aquilo que desejas. Pode tornar-se realidade."
O meu tornou e agora, cabe-me a mim saber viver e lidar com ele, não como um entrave, mas como uma mais valia na minha vida.
Ser mãe mudou radicalmente a minha vida, impôs-me uma paragem própria, em termos pessoais e profissionais, deu-lhe um novo rumo e direcção, mas também me fez ficar mais perdida no meu 'eu', desejos e vontades. Apesar de aos poucos as coisas começarem a entrar nos eixos, eu ainda não me sinto alinhada, nem tão pouco convencida, mas vou aprendendo a viver com isso da melhor maneira que sei e posso, mesmo que haja muitos dias em que me sinta uma verdadeira besta.
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quinta-feira, julho 29, 2010
terça-feira, julho 27, 2010
segunda-feira, julho 26, 2010
azares
Nem uma semana ainda passou desde que fui buscar o carro à oficina e já me riscaram a bom riscar o novo espelho retrovisor.
Foda-se para isto.
sexta-feira, julho 23, 2010
Baby Breath
AMO Gipsófila e gosto ainda mais do seu nome em inglês: Baby Breath. Acho aqueles pequenos botões brancos o expoente máximo de 'less is more' e, apesar de ser muito utilizada em ramos de noiva, decoração de casamento e igrejas, não é aí que gosto de a ver. Gosto de a ver assim, em casa, a decorar pequenos espaços, como que tornando-os cantos imaculados de puro bom gosto.No fim-de-semana passado, quando fui ao mercado cá da vila, dei de caras com baldes de gipsófila na senhora onde geralmente compro flores.
Não resisti. Trouxe um enorme ramo para casa.
adorava morar numa antiga fábrica
Quando morava em Lisboa, num velho prédio de traça tipicamente Estado Novo, com uma fachada meio devoluta por fora, mas com a minha casa completamente remodelada por dentro, com pormenores giríssimos e absolutamente fantásticos, adorava o chão em madeira antiga. Claro que rangia por todos os lados, a vizinha de baixo - uma velha habituada a não ter inquilinos durante anos a fio - reclamava constantemente connosco e, acima de tudo, com os meus saltos logo pela manhã. Chegou a vir bater-nos à porta um par de vezes, uma deles às tantas da madrugada, mas nunca lhe fizemos grande caso. O nosso chão, em tábua corrida e envernizada, mas pouco insonorizado, era um dos ex-libris daquela casa.Claro que tinha desvantagens, como estremecer à nossa passagem, mas tudo o que era colocado naquela sala, ganhava uma outra aura. Dáva prazer misturar móveis de linhas modernas com coisas antigas, fazer misturas e pensar que aquele pequeno T1 duplex, tinha potencial suficiente para aparecer nas revistas de decoração.
Não vou negar, no entanto, que quando saí de Lisboa, estava farta de não ter espaço, do prédio não ter uma fachada toda arranjadinha e pintada ou, tão somente, de o quintal enorme que possuía nas traseiras e que estava transformado numa pequena selva, não estar arranjado de forma a desfrutarmos dele como merecia. Também me chateava não ter varandas, ou de o bairro e os passeios estarem sempre cheios de lixo ou cócó de cão no chão, de ser um caos para arranjar sítio para estacionar à noite e de os inquilinos do prédio não estarem nem aí para se formar um condomínio que visasse os interesses de todos, mas gostava da zona ser calma e sossegada, de ter uma creche e o centro de saúde mesmo em frente à porta, de poder ver o rio da minha janela e de estar em Lisboa.
Tudo isto para dizer que sempre gostei de casas antigas com enorme potencial de recuperação. E quem diz casas diz pavilhões, diz velhas fábricas com paredes forradas a tijolo pequenino (que eu simplesmente AMO), diz espaços amplos que se podem transformar em lofts. Sempre que passo na avenida que vai para a Expo junto à zona portuária, reparo que existem uma série de pavilhões abandonados com estas características. O Carlos diz sempre que adoraria morar ali, mesmo que seja numa zona onde não abundam prédios chiques nem vizinhança requintada, nem facilidade de transportes, nem bairros com espaços verdes. Mas aquelas paredes, aqueles tectos altos, aqueles janelões, fazem-me lembrar os andares nova iorquinos que se vêem nos filmes (sim, porque eu nunca fui a Nova Iorque para constatar esta minha panca pessoalmente e ver se, é mesmo verdade aquilo que vejo nos filmes, de que existem casas assim!)
Ora, a minha casa de Lisboa, que ainda não conseguimos vender mas que alugámos, vai estar novamente vazia a partir de finais de Agosto. Os inquilinos - um rapaz acabado de se divorciar e a sua nova respectiva - não querem renovar o contrato, algo que me faz pensar que, se calhar, este novo amor 'já era' e cada um vai à sua vidinha. (pequeno aparte de cusquisse feminina: a casa ficava próxima do emprego da nova moça, logo, das duas uma: ou chatearam-se e ele fartou-se de a sustentar, ou também desgostaram do apartamento por todas as razões que eu aqui já inumerei.)
Seja como for, voltarmos para Lisboa, pelo menos para aquela casa, está fora de questão. Já era demasiado pequena para dois gatos pingados, então agora com miss Madalena e toda a sua quantidade brutal de brinquedos e acessórios adjacentes a quem tem crianças pequenas, é mesmo impensável. Claro que há pessoas que têm filhos e vivem em espaços mais pequenos com os mesmos, mas eu sou a 'raínha da tralha', só em roupa e sapatos encho vários armários, além de não ser minimamente despojada. Eu guardo tudo, tudo me traz recordações, tudo é importante, tudo se pode voltar a usar - mesmo que fique esquecido e refundido nos armários anos a fio - e é por isso que, até a nossa casa actual, que sempre me pareceu um casarão, já me começa a sufocar.
Não me importava nada, nada, nada, era de fazer com a Miss Carrie Bradshaw, que tem o privilégio de continuar a manter o seu antigo apartamento de solteira apenas para escrever e quando quer ter 'uma folga' do casamento alguns dias por semana, isolar-se do mundo, ter tempo só para si e/ou para as amigas. Isso é que era!
Claro que nunca estaria decorado com tão bom gosto como o dela, até porque está vazio, sem uma pequena presença de conforto, mas bastáva-me um colchãozinho no chão, o meu portátil e uns quantos cigarros, para sempre que sentisse saudades de Lisboa e dos ares da capital, colocar a chave na porta e estar em casa outra vez.
Fotos iniciais retiradas deste site. (Que é pura e simplesmente LINDO! Ideal para apaixonadas por design e decoração, perderem simplesmente a cabeça!)
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