quinta-feira, maio 31, 2012

Nunca é tarde

Se há coisa que lamento, que tenho mesmo, mesmo pena, é de não viajar mais. Ou melhor, de pura e simplesmente, não viajar.
Nem digo viajar numa de turista, mas viajar para conhecer outros povos, culturas e o Mundo. Somente isso: conhecer o Mundo onde vivemos. Que é tão grande e tão vasto e tão bonito.
Lamento imenso não tê-lo feito quando era mais nova, de não me ter aventurado mais, de não ter arriscado mais e lamento agora que não tenho possibilidades para o fazer.
Para mim viajar é sentir-me um pouco mais viva, é aprender, é crescer. É deixar de olhar para o meu próprio umbigo e sentir que existe muito mais vida para além disto, desta bolha em que geralmente vivemos e estamos inseridos, neste "ram-ram" de casa-trabalho-escola, com todos os problemas mundanos que ditam as nossas vidas, que achamos sempre que são opressivos e depressivos e que nos consomem.
Hoje tive a oportunidade de, numa situação de trabalho, conhecer algumas pessoas que pura e simplesmente partiram à aventura e fazem das viagens o seu modo de vida, uma filosofia. Pessoas que sabem que viajar é respeitar outros povos, culturas e tradições e que fazem deste enorme planeta a sua casa. De ouvir as suas histórias sempre de sorriso no rosto e de viajar com eles só de olhar para o colorido e beleza das fotografias que trouxeram consigo.
Pessoas que respeitam outras pessoas e que também se tornam melhores pessoas por isso mesmo. Porque só saindo da nossa zona de conforto, ou pelo menos daquela que nos acolhe a maior parte do tempo - levada com maior ou menor dificuldade - é que conseguimos estar despertos para tantas situações que nos escapam, ser mais tolerantes ou apurar o sentido de justiça. Só lidando com as situações e vivendo-as, é que podemos apreciar a liberdade que temos e que, muitas vezes, desvalorizamos.

Confesso que tive vontade de largar tudo. Ninguém devia de vir a este mundo sem ter a oportunidade de o conhecer por inteiro. É quase um desperdício de tempo de vida não o podermos fazer. Porque há algo maior. Muito maior.

E já agora, para saberem do que falo, espreitem esta fantástica jornada de pai e filho numa Renault 4L por África.



E, tal como o nome que lhes serve de mote, nunca é tarde. Por isso, para mim, ainda há esperança!


terça-feira, maio 29, 2012

say i love you every day

Há dias (ou todos os dias) em que qualquer mulher gostaria de ser surpreendida com uma mensagem assim.
Tão simples. Tão fácil. Tão poderosa.

quinta-feira, maio 24, 2012

bones are the new trend

Não, este post não é sobre o vestido da Diane, que para isso já existem as Pipocas desta vida e as fashion bloggers. Nem sobre o facto de a Diane ser detentora de uma perfeita beleza helénica - que isso já toda a gente sabe. Este post é sobre o bracinho fio de esparguete e o ar escanzelado/esquelético com que a mesma desfilou na passadeira vermelha em Cannes. Numa altura em que ser tão magra ao ponto de se parecer um prisioneiro num campo de concentração é considerado bonito, pergunto-me, com que imagens de perfeição física irá a minha filha crescer - e ser bombardeada - durante toda a infância e adolescência? Porque se eu, do alto dos meus 33 anos sinto essa pressão, nem quero pensar quando ela chegar à idade de começar a olhar-se ao espelho e achar que aquela pequena barriga de buda que ela ainda tem, não é fofa!!!

Mini maratona de escritório

Ai que saudável que é ingerir 1,5L/2L de água por dia. Faz bem à pele, à celulite, hidrata, elimina toxinas and so on, and so on, mas bolas, eu parece que tenho o canal aberto entre a boca e a bexiga e isto de andar de 5 em 5 minutos a caminho da casa de banho não tem gracinha nenhuma.

Construir uma casa como quem joga tetris




A IKEA acaba de adaptar o seu conceito de móveis modulares, a baixo preço - não descurando a qualidade - à habitação.
BoKlok é a proposta deste gigante sueco para uma casa espaçosa e familiar que, mesmo não sendo propriamente bonita, bonita, é uma hipótese bastante viável e sobretudo mais barata de se ter casa.
Já há alguns anos que a ideia de casas modulares me agrada e me desperta interesse. O conceito de, em pouco tempo e com baixos recursos, se ter uma casa que de outra forma poucos de nós conseguiríamos alcançar, é algo que vejo com bons olhos, principalmente quando em Portugal a habitação atinge valores insustentáveis. Por enquanto as BoKlok da Ikea ainda não têm representação nem se encontram disponíveis no nosso país, mas já andam a ser construídas no Reino Unido, Suécia, Noruega, Alemanha, Dinamarca e França. (sortudos!!)
Eu confesso que abdicava num ápice de morar numa casa de "tijolo", num prédio antigo de Lisboa, sem elevador, nem segurança nenhuma, com chão a ranger por todos os lados, por uma destas maravilhas, principalmente se isso significasse que a minha filha dormia num quarto com mais de 10 m2 e pudessemos usufruir de uma varanda ou terraço.
Dêem-me um pedacinho de terra e eu monto a "barraca" lá.


quarta-feira, maio 23, 2012

Child's Own Studio





A M. ainda não sabe desenhar. Quer dizer, faz riscos, mistura cores, gasta folhas, mas imagens representativas de algo, ainda não é bem a onda dela. Claro que às vezes, quando está inspirada, faz uma "espécie" de figura humana, ainda não totalmente perceptível, com uma bola em forma de corpo e umas linhas compridas que são os braços e as pernas, por isso, está no bom caminho. Mas hoje de manhã, por mero acaso, descobri isto e fiquei maravilhada!
Este estúdio de design transforma em realidade a arte infantil. Formas e figuras cheias de cores e com membros desfazados, ou tão somente, monstros com ar patusco e fofo, tudo ganha vida nas mãos destes artistas.
Adorei a genialidade do conceito. Tão simples. Tão bom.

terça-feira, maio 22, 2012

isto com a idade está cada vez pior...


Alguém me diz, assim tipo - POR FAVOR - como controlo esta vontade louca e quase irracional de comer chocolate e/ou doces que me atinge?
Bem sei que estou em pleno TPM e com as hormonas em carência, mas assim não há ancas, rabo, ou celulite que aguente.
Não há nada que eu possa fazer que acalme esta ansiedade? (Além de fechar a boca, claro está).
Dicas e conselhos precisam-se. É que já não vou para nova e o metabolismo outrora rápido e desenvolto, anda a ficar preguiçoso e a falhar no serviço... mas nos entretantos, ando a comprar salame de chocolate no supermercado e a sonhar em fazer croissants de Nutella, tendo até já para o efeito, a massa folhada no frigorífico à espera de ser estendida.
Não tenho cura. Damn it.

paz podre

Quando se está separado e há uma custódia partilhada, por muito que os pais se entendam em prole de um filho em comum e a relação seja pacífica, há coisas que falham e geram desentendimento. É inevitável, ou quase inevitável. Claro que tudo depende do bom senso, da forma como os progenitores levam o assunto, deixando de lado as suas próprias motivações ou quezílias pessoais e tendo como único e derradeiro objectivo, o interesse maior do filho.
Digo isto porque ontem, enquanto lia o caderno da escola da M. relativamente à semana que passou com o pai, constatei que na sexta-feira que antecedeu o fim-de-semana do dia da Mãe, a escola mandou um recado onde pedia às mães que fossem ao colégio ler histórias aos meninos.
Eu nada soube, o que significa que a minha filha não teve lá a mãe a ler histórias a ninguém.
Não sei se foi a única menina a não ter a mãe presente, mas seja como for, só a mera ideia da ausência, aflige-me. Já nem falo do facto de nem ter tido conhecimento do assunto, mas aflige-me por ela, porque não quero, de forma alguma que ela sinta - seja de que maneira for - que a mãe, por falta de tempo, ou de interesse - falhe em momentos importantes como estes.
Acredito que o pai não me tenha dito por distracção, por não ter sequer lido o caderno, por esquecimento, porque é naturalmente despistado. Até estou disposta a dar esse benefício da dúvida, mas caramba, não consigo deixar de me sentir profundamente revoltada. E sim, ela até pode ser pequenina e nem se ter apercebido (yeah right), mas eu apercebi-me e não gostei. Da mesma maneira que, na semana que antecedeu o dia do Pai, constatei que a escola tinha pedido fotos dos pais com os filhos para afixar no placar da entrada - e ela era das poucas que não estava lá com o pai -, da mesma maneira em que corri a ligar-lhe para que ele enviasse uma foto dos dois e, a partir do momento em que o fez, ela me disse, orgulhosa, quando cheguei à escola para ir buscá-la: "olha mamã, sou eu e o meu papá", enquanto apontava para a imagem entretanto afixada, gostava que ele tivesse tido a mesma atitude para comigo. 
Porque há-de haver dias e momentos em que se calhar não conseguirei estar com ela, seja por força das circunstâncias, ou por outro motivo qualquer, mas não sem antes lhe explicar o motivo, o porquê, sem lhe demonstrar que a amo.
Não assim, sem uma palavra, um silêncio atroz, um quase desinteresse.

Pequeno desabafo sobre pessoas


Irrita-me, mas irrita-me mesmo, quando pessoas que não falam comigo há séculos, mas precisam de me perguntar qualquer coisa, o fazem de forma descarada, escrutinando da maneira que lhes convém, sendo na maior parte das vezes, bastante inconvenientes. Mas fico ainda mais irritada quando, essas mesmas pessoas, quando é ao contrário e lhes faço uma mísera pergunta - mais não seja em reacção à catadupa com que me bombardearam - são esquivas e não se desbroncam.
Odeio pessoas assim. ODEIO.

segunda-feira, maio 21, 2012

paletes de gajas...






Já há algum tempo que tenho visto imagens no Pinterest (o meu último vício em matéria de redes sociais) de móveis improvisados com paletes de madeira. A verdade é que acho a ideia de ter um painel de madeira, com dizeres, pintados ou utilizados de uma forma completamente diferente daquela a que estamos habituados, fantástica! Em matéria de decoração gosto de improvisar, de misturar cores e estilos e, às vezes, basta apenas uma simples ideia para darmos um novo ar à nossa casa. Confesso que de todas estas imagens, a que me arrebata maiores palpitações é mesmo a primeira, aquele gigantesco coração amarelo, qual mensagem de amor gigante. Estou tentada a copiá-lo, talvez noutras tonalidades, utilizando a palete que ontem, à saída de casa, nos esperava deitada no chão, empilhada entre tantas outras e que, sorrateiramente e num momento de cumplicidade vs loucura, conseguimos levar para dentro do prédio. Repousa agora à entrada da porta de minha casa, enquanto a sua nova dona, moi memme, não é flamejada por um rasgo de inspiração divina, procurando dar-lhe um muy digno fim. De preferência, arrebatador.

Fico chateada, concerteza que fico chateada


No final da semana passada andei com uma grande neura. Uma senhora neura devo dizer, tudo porque tinha reservado (e comprado) voo para Madrid para passar o fim-de-semana e por causa da porcaria da greve dos controladores aéreos, capute. Fiquei em terra. Voo cancelado, reserva de casa cancelada e sentar o rabinho num avião, nem vê-lo. Fiquei, literalmente, a vê-los passar.
E também fiquei piursa, pois claro.
Não viajo a lazer há alguns anos. (Sim, anos!) E nem a trabalho me safo.
Ou seja, não voei, não fui passar o fim-de-semana a tierras de nuestros hermanos, nem beber cañas como se não houvesse amanhã, nem tive oportunidade de sentir, novamente, la movida madrilena... mais, ainda fiquei a "arder" com o valor das taxas - que os senhores da Rumbo, site onde fiz a reserva, apelidam de "gestão de site" e cujo valor, superior a 40€, não é reembolsável em caso de cancelamento de voo pela companhia aérea.
Também não me deixaram remarcar a viagem - já que o voo foi cancelado por motivos de greve, o mais natural será remarcá-lo para outra data - digo "mais natural", mas na Rumbo, site com uma gravação bastante duvidosa e de sotaque terceiro mundista de cada vez que ligamos para o atendimento ao cliente,  nem me deram a oportunidade de remarcar a viagem. Para o fazer, teria de fazer nova reserva e pagar as ditas taxas, again.
Por isso, as chamadas viagens "low cost", comigo nunca ficam "low", só tenho "cost". Esta bateu todos os recordes e tão depressa não me meto noutra.
Se o meu destino é ficar em terra, pois assim será. E agora vou ali tomar um banhinho de sal grosso, porque se isto não é azar, olho gordo, karma, ou o raio que o parta, não sei o que será.
Humpf.

sexta-feira, maio 18, 2012

I want my fringe back


Sabem o que é pior do que me terem cortado o cabelo que andei a deixar crescer durante meses a fio e que já passava dos ombros, o mesmo cabelo que demorei vários meses a acertar, retirando-lhe todo e qualquer escadeado, num objectivo simétrico de perfeição que finalmente tinha conseguido atingir e que se encontra agora reduzido à altura do queixo, ou a franja recta e compacta que, numa fúria eduardiana mãos de tesoura a **** da cabeleireira retraçou em poucos segundos, deixando no seu lugar uma esganipada, escadeada e curta a la calimero, sabem? Sabem?   

É o dia seguinte!!!

É que se no próprio dia ainda estamos em choque com tudo, no dia seguinte o drama atinge proporções épicas, porque sem aquela sensação de cabelo-esticado-por-um-profissional que ainda disfarça a coisa, o dia seguinte, em que o lavamos e esticamos com o secador, dando-lhe o nosso (falta de) jeito, é mil vezes pior.

Hoje não consigo olhar-me ao espelho sem me sentir o calimero itself e sem me voarem da boca, assim tipo síndroma de tourette, uns quantos palavrões incontroláveis.

quid dixit


Encontrei este post por acaso, enquanto deambulava pela blogosfera e traduz em boa parte, aquilo que venho sentindo há algum tempo.

A descrença há muito que se apoderou de mim e eu não gosto.

A capa da polémica


Vi-a ontem e achei-a genial. Se fosse editora, esta capa deixar-me-ia a rebentar de orgulho. Simples e impactante. O poder de uma imagem em toda a  sua significância e alcance. Mas claro, polémica, ou não fosse esse o objectivo. A verdade é que o tema ao qual a mesma remete - a maternidade e o "ser mãe suficiente" (Are You Mom Enough?) - abarca por si só várias polémicas que tocam pontos sensíveis do universo femino e daquilo que se espera que uma mulher (e mãe), faça pelos seus filhos para ser considerada "boa" ou "má". O peso do estigma, a pressão social, a amamentação, a carreira, o tempo, as tarefas e todo o papel que é suposto desempenhar como se fosse o mais gratificante e satisfatório das suas vidas.
Sou mãe, sempre quis ser mãe, mas estava a anos luz, repito, anos luz de imaginar o quão difícil e por vezes ingrata a tarefa pode ser ou se tornar. E sim, há alturas em que acho que não sou mãe o suficiente, que sou egoísta, ou que devia de adbicar de mais coisas  em detrimento dela, mas depois lá me dá um laivo de lucidez e deito tudo para trás das costas, faço orelhas moucas, não quero nem saber. Por muito que os outros me critiquem, por muito que me vejam como "menos" ou, lá está, "má mãe" - not mom enough.
Não me considero menos mãe por apenas ter amamentado perto de três meses, assim como não considero ninguém "mais mãe" por o fazer até as criancinhas terem a dentição completa e já andarem pelos seus próprios meios. Aliás, confesso que me faz muita aversão esses extremismos de "pró maternidade e amamentação", inchando o peito de orgulho por "o meu filho só bebe leitinho da maminha" e depois andarem a empaturrar-se de coisas que a pobre criança, se comesse sólidos, nunca lhe entrariam pela boca, mas que por "beber leitinho da maminha, que é tão bom e tão saudável", recebem em doses cavalares... já para não falar no tabaco, que muitas mães retomam após a gravidez e que por continuarem a amamentar, se calhar, na sua atitude altruísta de mãe extremosa, acabam por fazer mais mal que bem...
Mas pronto, quem sou eu para criticar, principalmente quando sou apologista do "do it your own way". Se para ti resulta, excelente, eu até posso experimentar, mas se não gosto, por favor, não me venham cá pregar sermões moralistas de que "assim é que é e deve ser feito".
Meus amigos, eu faço aquilo que acho melhor para mim. Nem sempre resulta, nem sempre as minhas decisões são as mais acertadas, como mãe então, não nasci, tornei-me mãe - também estou a aprender - e o sentimento de culpa ou de ficar aquém é quase inato na mulher. Somos inseguras por natureza - não digam que não - temos dúvidas, pensamos em muita coisas ao mesmo tempo, estamos sempre a ser julgadas, escrutinadas, esperam sempre de nós: que saibamos cozinhar, que sejamos boas donas de casa, boas mães, boas na cama, lindas e maravilhosas, exemplo imaculado de feminilidade e dotadas de qualidades apreciáveis que vão desde o tamanho do peito, à destreza e habilidade com que fazemos um souflé merengado.
E depois há o trabalho, a carreira, a nossa emancipação... onde também esperamos ser boas, claro está (e somos), mas que muitas vezes e por termos filhos, acabamos prejudicadas. Ao homem tudo é permitido. Quer ficar a fazer serão até tarde no trabalho, pois fica, a mulher está em casa a tratar dos filhos, a pôr roupa a lavar, a estender, a lavar loiça, a fazer o jantar, a apanhar mil e um bonecos espalhados pela sala, a dar uso à sua capacidade do cérebro de ser "multi-tasking", ou seja, tudo normal e como é esperado, mas que caso os papéis se invertessem não seria assim tão linear. 
Ainda hoje a minha mãe me critica nas coisas mais rotineiras. Passo a vida a ser criticada. Ou porque fico até muito tarde no trabalho, ou porque passo pouco tempo com a minha filha, ou porque uso franja e ela acha que ficaria melhor sem ela, ou porque tenho atitudes e comportamentos que, na sua opinião, não são os esperados de uma mulher da minha idade, ou por isto ou por aquilo. Eu oiço-a e respiro fundo - porque há coisas em que me irrita profundamente e que considero injustas - mas depois penso que esta mulher, a minha própria mãe, viveu toda a sua vida em função de mim. Nunca pensou "numa carreira", nunca pensou nela. A prioridade sempre fui eu. E eu sou a única. A filha, o marido, (e agora a neta) são o seu mundo, sem eles está completamente perdida, à deriva.

E isto é ser mais mãe ou menos mulher?


quinta-feira, maio 17, 2012

ensinamento do dia

Nunca ir ao cabeleireio para ultrapassar uma neura. NUNCA.
A probabilidade de virmos de lá ainda pior, é grande!

quarta-feira, maio 16, 2012

foda-se para isto

A esta altura da minha vida  - e depois de tudo o que já vivi e experienciei - já devia de saber que NUNCA, repito NUNCA me posso entusiasmar demasiado com nada. NUNCA.
Sai sempre tudo gorado.

segunda-feira, maio 07, 2012

ainda no rescaldo

Um bocadinho já fora de prazo e quase uma semana depois, aqui fica o resumé do meu 1 de Maio e da última semana:

- Tentativa de ida ao World Press Photo no Museu da Electricidade no 1 de Maio. Digo tentativa, porque de facto desloquei-me ao local mas bati com o nariz na porta. É incrível como num feriado o WPP estava fechado. Senti vontade de reclamar com direito a envio de email e tudo. Mais uma prova de como neste país continuamos a não saber rentabilizar os negócios. E não devo ter sido a única, porque a julgar pelo número de pessoas que na terça-feira à tarde andava a passear à beira rio, provavelmente, teriam sido muitos os visitantes no feriado. Perderam receitas, mas pelos vistos fizeram justiça ao dia do trabalhador. (só espero é que não tenham decidido enfiar-se no Pingo Doce).

- BES Photo. Pois quando uns estão fechados, estão outros "estalando", uma pequena adaptação do provérbio popular... Ora, se o WPP estava fechado, rumamos ao CCB e fomos ver o BES Photo. Claro que é mais pequeno, não tem o mesmo impacto e vê-se num instante, mas tem a vantagem de valer pelo passeio, de ser grátis e de ser sempre boma ir ao CCB (eu pelo menos gosto sempre). De uma acentada vê-se uma série de exposições temporárias gratuítas. O senão: por já ser tarde, vi tudo a correr, fecham às 19h00.

- Do Pingo Doce e do 1 de Maio. Pois que desconhecia. Não tive qualquer conhecimento sobre o assunto e vivi o dia todo na santa (e bendita) ignorância. Só fiquei a saber do caos, da promoção, da polícia, das facadas e da loucura, ao final do dia, perto da hora do jantar, quando a minha mãe me ligou e depois de um dia completamente desligada do mundo, vi as notícias.
Decididamente, não sou o público alvo. (Graças a Deus!)

- Concerto do Frankie Chavez no CCB. Três dias depois do BES Photo eis que regresso ao CCB para ver Frankie Chavez. Concerto maravilhoso. Pequeno (mas com a sala cheia), intimista e muito, muito bom. Excelente música a fazer-me relembrar os vinis do meu pai, as batidas e ritmos dos anos 70, ou as influências de blues. Vim de alma lavada. É bom ver músicos portugueses com tanta qualidade. É de encher o peito de orgulho. (eu pelo menos fiquei)

- Depois de ter visto o episódio do Anthony Bourdain sobre Portugal (sim, já vi, não resisto, adoro o homem), fiquei cheia de vontade de ir ao Ramiro na Almirante Reis. É que eu, tenho tanto de lady como de camionista, reconheço, e dêem-me petiscos e pregos e sou a mulher mais feliz do mundo.
E como não tinha jantado e fui a correr para ver o Frankie, depois de comida para a alma, chega a comida para o corpo. E nem à meia noite o ritmo abranda, já que o número de pessoas à espera de mesa chega a ser intimidante. Não arredei pé e lá tive a experiência sensorial. Gambas, perceves, ameijôas à bulhão pato e a sobremesa, um prego.
Gostei, as gambas com alho foram as minhas preferidas, mas o prego, o prego caramba, desiludiu-me, além de o empregado me olhar com ar de gozo sempre que pedia um "panaché". Sim, sou uma menina que não gosta de cerveja e que gosta de a traçar com gasosa. What's the problem?
Seja como for, quero voltar.

- Brunch sábado de manhã/tarde no Pão de Canela. É bom, mas já cheguei demasiado tarde, a maior parte das iguarias já tinha "voado". Seja como for, vale sempre a pena lá ir. Gostei

- No conforto do lar vi o "Deus da Carnificina" do Roman Polanski. Quando esteve nas salas de cinema tive um certo interesse em vê-lo, mas acabei por deixar passar. Gostei, mas é aquele filme cuja situação retratada me faz transpirar, me deixa ansiosa, que mexe comigo. É cómico sim, mas dentro desta comédia há todo um desenrolar de personagens que levam as suas angústias, desilusões e expectativas a um extremo que não deixa de ser angustiante, quase constrangedor. Excelente argumento e excelentes interpretações, principalmente da Jodie Foster que faz um papelão. (mas que se se cruzasse comigo na vida real, me tinha tirado do sério).

- Domingo e Feira do Livro. Dia de sol, apesar do vento frio e toda a minha gente saiu à rua. Muita gente. Muita, muita gente. Vi tudo de fugida, mas ainda acabei por comprar a compilação de contos do Miguel Torga a um preço simpático. Já o comecei a ler. Sempre gostei de contos.

- Por fim, perdi o Indie Lisboa. Todo. E não foi por falta de oportunidade. Foi mesmo por falta de vontade e nem lamento assim tanto. (Shame on me)

E agora ando em repeat com esta música, ouvi-a pela primeira vez na sexta-feira à noite e bateu forte.




I'm laughing at clouds


Fim-de-semana para lá de bom, passou tão depressa que sinto que se me escapou entre os dedos, mas hoje, nem a chuva e este tempinho da treta, invernoso e cinzento me demovem: estou feliz!

segunda-feira, abril 30, 2012



E quando ele nos morre? E quando o vemos morrer?
Como fazemos?
Como superamos a dor? Como continuamos a acreditar? De onde vêm as forças?
Não consigo deixar de me sentir completamente impotente e pequenina perante as palavras escritas pelo Miguel Esteves Cardoso na crónica do Público de hoje. Não é comiseração ou pena o sentimento dominante que me vem imediatamente à mente, mas sim amor.
O amor de um homem perdidamente apaixonado e completamente impotente.
Puta de doença.

Nostalgia

Hoje tive oportunidade, por umas horas, de regressar a um sítio onde já trabalhei e bateu a nostalgia.
A saudade do jornalismo, das redacções, da descontracção e do stress ao mesmo tempo, de passar num corredor gigantesco e conhecer toda a gente e parar para falar com toda a gente e ser recebida com sorrisos e abraços. Aquele sentimento de pertencer a um sítio e a nostalgia de já não fazer parte dele. Recordei o dia em que fui à entrevista, até o local onde estacionei o carro, aqueles minutos que fiquei dentro do mesmo a pedir que "fosse desta", da ansiedade em que andei durante 2 semanas sem saber a resposta, a alegria de ter conseguido - pelo meu próprio mérito e esforço - o lugar. Recordei nostalgicamente tudo, porque tenho esta veia saudosista, é um facto, o que não é necessariamente bom. Constato sempre que nunca aproveito verdadeiramente as oportunidades que são dadas e quando acordo para as mesmas, provavelmente, já é demasiado tarde.
Mas recordar é viver e é sempre bom termos tido a oportunidade de passar pelas coisas.


ainda sobre o Miguel...



"Em quase 50 anos de irredutível amizade, o único monólogo que tive com o Miguel, foi no fim. Ou seja, o que fez a nossa irredutível amizade nunca foi a administração dos silêncios. Nós falámos sobre tudo, contámos tudo, discutimos tudo e rimos sempre."

Paulo Portas - discurso realizado na sessão evocativa em memória do eurodeputado e seu irmão, Miguel Portas.

Não consigo ficar indiferente a estas palavras, porque são tão bonitas e tão sentidas que transmitem, preto no branco aquilo que eu acho que uma relação com o outro (seja ele irmão, irmã, marido, mulher, pai, mãe, etc.) deve ser: verdadeira.
O amor não tem cor política, nem credos ou religião e aprender a respeitar as diferenças, é amar verdadeiramente.


sexta-feira, abril 27, 2012

instantes de felicidade

Quando era mais jovem pensava muitas vezes que a felicidade, ou o conceito de felicidade, era algo permanente, como um patamar que se alcança e que se prolonga no tempo. Atingir, alcançar a felicidade, era um sonho que iríamos atingir num futuro mais ou menos distante, mais ou menos próximo.
Hoje sei que o segredo da felicidade não reside numa linha crónica, numa continuidade de prazer ilimitado, mas em momentos e instantes, em que me dou conta de que felicidade, afinal, é isto.
E é tão simples.

quarta-feira, abril 25, 2012

crónicas de uma filha presente #1

A M. regressou. Anda carente e a reclamar a minha atenção, faz birrinhas para comer, para tomar banho, faz-me festas na cara, nos cabelos, diz que quer dormir comigo na cama e que tem medo do escuro. Tão depressa me pede desculpa pelo comportamento que teve, como me dá respostas de me deixar ficar banzada. Nestas alturas, sinto a dualidade da culpa a baixar em mim intercalada pela assertividade de ter de levá-la a fazer o que eu lhe digo para fazer e que me obedeça. Tem alguns ataques de fúria, com ginetes em que fica verdadeiramente chateada e onde me diz "não gosto de ti", ou "és má" e ainda "não venho mais à tua casa", que me ferem como punhais mas que desvalorizo. Mede cada vez forças comigo, mas também tem gestos doces e saídas que me derretem. Acho que deve ser isto que toda a gente se refere quando fala da relação "mãe e filha". Tão depressa andamos às turras, como os cobrimos de beijos. Li algures na net, naquelas frases feitas ilustradas com bonitas imagens, que ter um filho é carregar uma preocupação para o resto da vida. E é mesmo. Mas quando a tenho aqui a meu lado, enrroscada em mim, essa ansiedade, quase, quase que desaparece.

terça-feira, abril 24, 2012

era uma vez um gato maltês...

Descobri estes dois vídeos por acaso no mural de uma amiga no facebook e já chorei a rir. Foi a fórmula para me deixar imediatamente bem disposta. Adoro estas cenas non sense. Gatos a falarem francês... C'est genial!

lucidez

À janela, tapada pela escuridão da noite e avançado da hora, já quando toda a casa dormia e se abandonava num tempo só seu, reparou ao longe no carro que se aproximava. Viu o afrouxar lento enquanto subia a rua e a luz verde em cima, viu como parava precisamente à sua porta e por momentos, por momentos, quase que visualizou uma silhueta que lhe era familiar. Por momentos quase que acreditou. Por momentos.

post completamente fútil e consumista

Antes de começar a escrever este post tenho de dizer que o blogger decidiu alterar - assim sem mais nem menos - a porcaria da visualização e fazer uma daquelas "actualizações" que, julgam eles, visam facilitar a vida aos utilizadores. E eu ODEIO, repito ODEIO quando me fazem estas coisas assim, sem pré-aviso, ou me obrigam a utilizar a nova aplicação só porque sim.
É que eu sou muito velha do Restelo nestas coisas das novas tecnologias e tudo o que altere a minha forma rotineira, tradicional e familiar, deixa-me irritada - que é como estou neste preciso momento.

Pronto, já disse, já desabafei, agora para colmatar a neura, aí vem o post dos itens de coisas que gosto muito e cujo dinheiro não compra (pelo menos o meu) que são completamente fúteis e consumistas - sim, eu também nunca disse que não era - mas que me fariam uma pessoa feliz.


Óculos Prada de inspiração barroca, tão lindinhos que dá dó. Gosto muito dos "tartaruga" mais a puxar às tonalidades marron (apeteceu-me dizer marron em vez de castanho, nem sei bem porquê), mas estes pretos também podiam vir parar cá a casa.



Um casio dourado verdadeiro - que o meu, comprado na mouraria, falso, pois claro, já está a ficar esbranquiçado e com um ar de... isso, "cópia".
Uma malinha da Stella Rittwagen não importa a cor - já que não me consigo decidir qual delas gosto mais.


E  assim de repente, é isto. Sei que me está a faltar mais qualquer coisa (mas tirando uma massagem, um pack de tratamentos, uma escapadinha de fim-de-semana ou uma viagem a qualquer sítio que inclua sentar-me num avião, não me ocorre mais nada).

segunda-feira, abril 23, 2012

Guilty pleasures

Quando era miúda não gostava de comer. Lembro-me de apanhar valentes sermões da minha mãe, de ser sempre a última a levantar-me da mesa ou de me empurrarem a comida boca abaixo, num acto de completo desespero. À conta disso e de ser de natureza irrequieta, passei boa parte da minha infância e ainda adolescência, com ar de menina subnutrida, onde muitas vezes os mais atrevidos e desbocados me perguntavam directamente ou à minha mãe, se "era doente", coisa que quando acontecia era sinónimo de outro valente sermão por "tamanha vergonha". Não havia cá a cultura da magreza, nem a febre das "top models" que só chegou mais tarde, em plenos anos 90. Não, na minha infância e pré-adolescência, as crianças ainda se queriam rechonchudas e com ar saudável e não esguias e delgadas como uma enguia. Ora, acontece que isso na altura não me preocupava nem um pouco. Eu queria era saltar ao elástico, à corda, andar na rua, jogar ao arco e à macaca e, pelo meio e caso tivesse tempo, lá me lembrava de trincar qualquer coisita só porque isso me permitia continuar aos pinotes que era mesmo o que eu gostava de fazer.  
Bom, o que tem de proveitoso o avançar da idade é que aprendemos realmente a apreciar as coisas boas da vida, a refinar gostos, paladares, odores e a comida, bom, a comida é uma fonte inesgotável de prazer e sedução. Um maravilhoso mundo a descobrir sempre com infinitas possibilidades. Felizmente despertei a tempo e aprendi a gostar e a apreciar - na verdadeira acepção da palavra - para algumas das coisas que hoje me fazem crescer água nas papilas gustativas só de ver e ouvir falar.
Bom, toda esta converseta para dizer que ando cheia de vontade de experimentar e fazer coisas novas. Porque depois, no que toca à cozinha, sou assim de uma incoerência extrema. Há alturas em que ando farta de cozinhar, em que me alimento a leite e torradas, em que só de pensar no que vou ter de fazer para o jantar e de ter, efectivamente de o preparar, me desmotiva e retira todo e qualquer desejo de comer, mas depois, metam-me um petisco à frente - de preferência que leve queijo, enchidos, marisco ou tudo isto junto - e não tenho mãos (nem boca) a medir. Por outro lado, fruto de uma educação gastronómica bastante tradicional, não tenho muita tendência a "inovar" ou a fazer grandes aventuras cujos resultados possam verificar-se duvidosos. Gosto de cozinhar sim, mas não arrisco muito. E, nesse aspecto, o Pinterest veio abrir-me um leque de combinações e receitas como nunca antes tinha tido oportunidade, ou interesse, em procurar. E elas estão ali, bem à frente dos olhos, como que a pedir - "pick me, pick me". É impossível ficar-lhes indiferentes.
E eu, uma fraca completamente assumida, da pior espécie, vou salivando e dizendo a mim mesma que também sou senhora para as recriar ao meu jeito e fotografá-las como quem não quer a coisa. Ontem foram as bolachinhas de nutella - sem nenhum motivo aparente, apenas por puro desejo de fazer um bolo e de meter as mãos na massa - e acho que esta semana não termina sem tentar recriar pelo menos uma destas sugestões.


Pão com queijo de cabra, mel, figos e ervas aromáticas.


Camembert recheado com vinagre balsâmico, pêras, nozes e alecrim

Courgete grelhado com queijo de cabra e manjericão

Dêem-me vinho, queijo e pão e sou uma mulher feliz, ou como diz o "meu" Tony: "Quem não gosta de comer, não merece sequer a minha confiança".

(Ainda bem que acordei a tempo.)

amigos improváveis


É um filme tão bonito, com uma mensagem tão simples e tocante, que repôs um bocadinho a minha fé na humanidade - e a crença pessoal e cada vez mais arreigada - de que nascemos bons, as circunstâncias é que nos toldam.
Claro que dizê-lo assim é completamente poético e há sempre exemplos que nos provam o contrário e nos levam seriamente a duvidar de tal premissa, mas caramba, saber que se trata de uma história verídica só lhe deu (ainda mais) encanto.
É bom saber, mesmo que seja uma pequena amostra, que há finais felizes, pessoas boas, alguém que se importa e que não desiste de ti, pessoas que aparecem na tua vida com a estranha missão e propósito de a alterar por completo e de te fazer ver e sentir coisas que, até então, nunca te tinhas permitido sequer pensar, acreditar e/ou sentir.
Gosto tanto disso, acredito tanto nisso, que é inevitável não sair da sala do cinema com um sorriso estúpido no rosto.

Aparte - e não querendo dar uma de pseudo intelectual barata ou entendida no assunto (que não sou) - o cinema francês da actualidade está simplesmente soberbo. Bons argumentos, bons elencos, excelentes interpretações, tudo sem os grandes aparatos hollywoodescos, apenas assente no essencial e naquilo que realmente importa: uma boa história.

Quando a amiga do namorado pergunta: "então e entre vocês está tudo bem?", quando não temos confiança com a mesma e é a segunda vez que falamos com ela, isso quer dizer o quê?

a) que está simplesmente a ser simpática e genuinamente preocupada.

b) que está à espera que te  desbronques e lhe forneças o máximo de informação possível.

c) que está à espera que digas "não" e a fazer figas  atrás das costas para que as coisas dêem para o torto.


Aceitam-se palpites.

quinta-feira, abril 12, 2012

crónicas de uma mãe ausente #2

Ligo à hora do almoço para saber como é que ela está. Falo com a minha mãe e oiço-a a perguntar-lhe se quer falar comigo. Responde muito prontamente que não mas após a insistência da avó lá decide, resignada, a dar-me o prazer de umas palavrinhas:

"Agora não posso falar ao telefone que estou a comer"

E pronto, é isto, três anos de gente - ainda nem chegou à adolescência -  e já me evita como se tivesse 16.

Não estou preparada para isto.

quarta-feira, abril 11, 2012

crónicas de uma mãe ausente #1

Ficou a olhar e a acenar, sentada na sua cadeira, enquanto a avó lhe apertava o cinto de segurança e eu lhe sorria do alto da janela do meu segundo andar.

Ia toda feliz por ir passar a semana em casa dos avós, mas sei - qual mãe bruxa - que ela também sabia que eu por dentro estava um caco e que aquele olhar suspenso e prolongado, era apenas uma forma de me dizer: "está tudo bem".

Carta aberta a 2012

Querido 2012,

Volvidos os primeiros 3 meses, tenho apenas a dizer que o balanço está longe de ser positivo. Além de já me teres provocado valentes taquicardias e desilusões, não tens sido um ano fácil, nem amigo, nem bom para mim.
Por tudo isso, espero, sinceramente, que nos próximos meses me dês alguns (bons) motivos de alegrias, caso contrário terei de deixar de depositar expectativas e esperanças em ti e renegar-te - à semelhança do que fiz com 2011 - como "ano horribilis". Bem sei que tens a pesada e ingrata tarefa de mostrar a tudo e todos de que não és assim tão mauzinho quanto te pintam. Afinal, ter a fama de que o mundo vai acabar em 2012, ou que "és o ano de todas as crises" também não é pêra doce. Eu entendo e respeito, a sério que sim, mas vê lá se percebes uma coisa: eu não tenho culpa, está bem? E essa ideia de que eu sou forte e aguento e dou sempre a volta às coisas, não é assim tão linear.

Serve a presente missiva como uma chamada de atenção. Não me desiludas (again).

segunda-feira, abril 09, 2012

expectativas demasiado elevadas dá nisto


Mais um projecto no qual depositava imensa fé, gorado.
Já andava a fazer planos e a imaginar destinos a dar à coisa e tungas. Não delires, não imagines, não sonhes. Fica aí a marinar e a sentir-te tramada pelo karma desta vida que assim é que estás bem.

Ensinamento já há muito aprendido mas ainda não totalmente interiorizado: "Não sei porque continuo a iludir-me."

Not yet but almost! O grito do ipiranga

Digam-me, sou só eu que tenho a vontade de me enfiar numa loja e de comprar até cair para o lado?
Eu fujo senhores, eu fujo, (das Zaras, das Hm's, das Blanco desta vida) mas há uma parte dentro de mim - qual animal aprisionado - que de andar tão contido está prestes a cometer uma loucura...





(E também "marchava" tratamentos estéticos, com massagens, exfoliações, adelgaçantes e um spa para me fazer esquecer todas as preocupações e elevar a auto-estima. Ah, e também um branqueamento dentário, que o café é um bem essencial para a minha pessoa, mas depois deixa mazelas.
Pronto, assim de repente e que me lembre, acho que era "só" isto)

quinta-feira, abril 05, 2012

A minha vida tem dado muitas voltas e em todos os momentos mais críticos ou decisivos, o medo - esse bicho papão -  esteve sempre presente. Faz parte da natureza humana ter medo. Eu tenho-o e sinto-o muitas vezes e não tenho pudor nenhum em assumi-lo. O medo faz-me parar, reflectir, ponderar e hesitar. Não me faz melhor nem pior, mas também acho que não ter medo não prova apenas coragem, mostra também muita insensibilidade, por isso, ter medo, para mim, nem sempre é um defeito, também mostra alguma humanidade. O truque aqui passa por saber dominar o medo. Enfrentá-lo, olhá-los nos olhos e não nos deixarmos petrificar por ele. Porque há o medo que coage, que intimida, que ameaça e esse tem sempre uma natureza maldosa, é negativo por si só, mas depois há o medo do fracasso, o medo real de falhar, o medo que nos faz dar o salto no desconhecido e muitas vezes seguir em frente. O medo que nos liberta. E quando isso acontece, quando damos o salto, quando nos libertamos, não há melhor sensação. É pura paz de espírito. Mesmo que saibamos que ainda nos espera um longo, tortuoso e incerto caminho pela frente.