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segunda-feira, novembro 16, 2009

peso na consciência


Ontem, numa questão de segundos, enquanto praticava a minha apresentação final de curso - que é já quarta-feira - a Madalena, que andava por aqui a gatinhar alegremente pela sala, tentou pôr-se de pé agarrada à perna da mesa de jantar e foi direitinha com a testa à quina da mesma. Só tive tempo de ouvir uma pancada seca e de saber que dali vinham gritos de dor.
Agarrei nela rapidamente para a acalmar, mas ela desatou aos guinchos, como já seria de esperar. Noutra questão de segundos a testa dela inchou ao ponto de parecer uma bola de golfe e eu senti-me desesperar, até porque estava sozinha em casa e tive medo, pânico mesmo, de que a miúda começasse a vomitar, ficasse prostrada ou qualquer outra coisa má derivada da queda.
Depois de uns minutos de choro intenso, muitos beijos e mimo e de tentar reagir o mais rápido que podia à procura de gelo, de ligar para o Carlos a dizer o que tinha acontecido e para a minha mãe a pedir ajuda, ela lá se acalmou, mas continuava muito sensível e aquela testa dela inchada, muito inchada e negra, com sangue pisado, uma coisa mesmo feia de ver.
Já não é a primeira vez que a minha filha bate com a cabeça e faz galos pavorosos, mas como o de ontem, nunca tinha acontecido. Fiquei em verdadeiro pânico e senti-me impotente e até mesmo, negligente, porque ela estava mesmo ao pé de mim quando o acidente aconteceu e eu, com a descontracção do 'deixa-a andar a gatinhar, a explorar o mundo', não fiz nada que pudesse ter prevenido. Nesta fase, em que eles ainda não andam mas gatinham a uma velocidade louca e já se aventuram a pôr-se de pé sozinhos, sem medir o perigo, temos de ter mil olhos e eu ontem, senti que só tive dois e que não estavam sintonizados na mesma direcção.
Lá consegui dar-lhe o jantar de forma mais ou menos calma e ela acabou por ir para a cama bem disposta e dormiu a noite toda. Hoje de manhã o inchaço tinha desaparecido consideravelmente e agora é apenas mais o negrão que se vê do que outra coisa qualquer, mas continuo a sentir-me má mãe.

É estupidez, eu sei, mas continuo.
(e não consigo ter de maneira nenhuma uma foto gira e 'decente' de nós as duas. Humpf :-<)