Mostrar mensagens com a etiqueta eu. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta eu. Mostrar todas as mensagens

terça-feira, junho 16, 2015

Porque sou uma mulher de fé

Sabem aquela sensação de medo e misto de friozinho na barriga e nó no estômago quando damos um salto de fé (e sem para-quedas)? Pois, hoje foi o dia! Aiiiii!
Esta sensação é muito boa porque nos faz sentir vivos, sentimos que a vida avança, que corremos riscos, que saímos da nossa zona de conforto, mas ao mesmo tempo faz-nos ter medo de estarmos a dar o salto maior que a perna, faz-nos saber que podemos cair e não temos rede nem cama que nos agarre e nos segure. Faz-nos acreditar, porque só a fé, ou aquele sentimento inexplicável de que no final vai correr tudo bem e ao qual nos agarramos é a nossa força e mola impulsionadora.
Neste momento agarro-me a esse sentimento, a essa fé, a essa energia do universo com todas as minhas forças. Como já me agarrei anteriormente, como acreditei ou quis acreditar, mesmo com adversidades pelo meio - que o processo nunca é fácil - mas no final, compensa tudo. No final, quando nos damos conta do caminho percorrido, do esforço feito e do resultado alcançado, não há nada que pague a caminhada. Foi fruto do nosso trabalho, da nossa perseverança, da nossa obstinação. Porque até posso ser uma pessoa mais pessimista que positiva - que tenho noção que sou - que analisa e pensa demasiado - cujo cérebro nunca descansa, que pensa em mil e uma coisas e mil e um "ses", mas quando meto alguma coisa na cabeça ou quando estou em modo "let's do this", não há nada que me agarre ou pare. E, até agora, o universo não me tem falhado, mesmo que o processo em si nunca seja fácil. Que nunca é, acreditem, mas também acho que é isso que me faz crescer, que me faz evoluir, que me faz agradecer e ter consciência que há sinais que não devemos deixar de prestar atenção e que há um tempo, uma ordem para tudo, apenas temos de saber aceitar.
Por isso, mais uma  vez, eu vou acreditar até ao fim. Porque sou uma mulher de fé.

segunda-feira, junho 15, 2015

Um pouco de mimo pessoal


 

Antes de o menino Afonso nascer decidi que tinha de deixar assegurado coisas tão importantes para uma mulher se sentir bem e bonita (ou pelo menos tentar!) como as unhas, o cabelo ou a depilação. Não quero ser "apanhada na curva" e como não sei como será a minha vida após o parto e que tipo de bebé aí vem - se chorará muito com cólicas e exigirá a minha presença constante, ou se será uma paz de alma que me permitirá continuar a dedicar algumas horinhas à minha auto-estima - decidi que mais vale tratar já do assunto e ficar descansada por um período um pouco mais alargado (E, por tal, entenda-se cerca de um mês).  Por isso, já fui pintar o cabelo, acertar o corte e, mais importante, a franja - que cresce a uma velocidade vertiginosa. Também andava a cuidar religiosamente das unhas e apesar de não ser muito adepta da colocação do gel, ultimamente até andava a fazê-lo com alguma regularidade, pois pensava eu que quando o baby nascesse sempre teria umas mãos cuidadas e umas unhas apresentáveis. Mas, na maternidade e há cerca de duas semanas, durante uma das consultas disseram-me que deveria de tirar o gel e lá fui eu, um pouco a contragosto, tirá-lo e voltar a exibir umas unhas banais que, neste momento, se encontram bastante finas e doridas. 
Mas o que eu gostei mesmo, mesmo, foi que me atrevi a experimentar a depilação com fio da Wiñk às sobrancelhas e vim de lá maravilhada. Eu já andava a usar o gel fortificante da marca para ver se consigo ficar com umas sobrancelhas mais grossas e volumosas - porque as minhas, depois de anos a fio a depilá-las ao extremo - neste momento estão finas e com pequenas falhas em algumas partes. E eu confesso que não gosto, por isso achei que devia de procurar ajuda profissional. E a verdade é que faz toda a diferença. Mesmo! É que não só tenho as sobrancelhas finas como os pêlos das mesmas são muito longos. Ora, se arranco o pêlo errado, facilmente posso ficar com uma "clareira" num sítio indesejável. Daí a necessidade inicial de comprar o fortificante e agora de fazer a depilação das mesmas com alguém que, efectivamente, percebe do assunto e me pode ajudar a dar-lhes a forma e o formato que pretendo a médio prazo. 
Foi tudo super rápido e a diferença gigantesca. Eu, que até costumo ser bastante despistada nestas coisas do "antes e depois", vi como o efeito foi imediato! As minhas sobrancelhas continuam finas sim - que não é de um momento para o outro que vão ficar como eu pretendo - mas a verdade é que ficaram logo com um desenho bem delineado, os pelinhos circundantes foram eliminados e o olhar ficou muito mais liberto e arejado. É um facto, as sobrancelhas fazem diferença num rosto e têm o poder de o "iluminar" ou fazê-lo "pesado". E o erro de sobrancelhas mal definidas, demasiado depiladas, finas, ou com contornos mal feitos é daqueles erros de beleza que nós, mulheres, mais cometemos! Nem podemos dizer bem que é um erro, é mais um 'assassinato' e eu contra mim falo.
Por isso vou voltar, fiquei rendida e, para a próxima faço também o buço e, quem sabe, a depilação do rosto - principalmente junto às têmporas -, mas devido à gravidez a minha resistência à dor é igual a zero e não vou negar que houve alturas que me custou um bocadinho, motivo pelo qual não avancei para o"faça tudo". 
O serviço também foi 5 estrelas e como é tão rápido, acho que durante uma sesta do menino Afonso consigo fazer a manutenção e ir tendo um ar mais 'apresentável'! (Ou assim espero!) 

sexta-feira, outubro 14, 2011

Recomeços

Porque ninguém disse que é fácil recomeçar. Não é. Custa, dá trabalho, é preciso vontade, empenho, disposição. Acho que ainda não reuni todas estas características, mas acho que estou no bom caminho. É que, finalmente, instalou-se aquela vontade de dar voz aos pensamentos - coisa que já não acontecia há muito, muito tempo - e de verbalizar tudo o que anda oprimido dentro do peito.

2011 tem sido um ano difícil, de recomeços constantes, de grandes obstáculos, de força interior, de decisões... Então, para quê adiar algo tão simples, tão fácil e que, ainda por cima, me dá prazer?


Só se for pura estupidez. (o que não pode ser o caso)


Por tudo isso, estou de volta.

domingo, agosto 15, 2010

Fomos de férias e já viemos. Foram, chamemos-lhe, umas 'espécie' de férias, com Madalena a fazer birras por tudo e por nada: para andar nas maquinetas junto aos cafés, por querer andar na rua, por não querer estar sentada à mesa nos cafés e restaurantes, por não deixar os seus pais estarem sentados à mesa dos cafés e restaurantes, por não querer sair da água, por não querer sair da praia, por estar aborrecida, porque sim, porque não, por quase tudo e quase nada...
Foram 5 dias de 'stress', onde os nossos horários foram ditados por ela e em detrimento dela, onde as horas de lazer e descontracção foram poucas, onde as saídas estiveram quase sempre condicionadas pelos seus horários, pelo seu sono e pelo seu humor. Foram férias mas não souberam a férias, fizemos praia, mas ao mesmo tempo 'não fizemos' praia, estivemos no Algarve mas nem vi o Algarve, saímos à noite mas não saímos à noite.
Acho que quem tem filhos, em algum momento das suas vidas, acaba por ter este sentimento. Eu tenho-o, confesso, e de forma frequente. O sentimento de me sentir oprimida, oprime-me a maior parte do tempo, ou melhor, sufoca-me. Anda a sufocar-me e não devia. Até porque, como diz o pai desta casa, temos uma filha saudável que, apesar de nos dar muito trabalhinho, não deixa de ser uma criança, com todas as birras e desejos e vontades não compreendidas que lhe competem e próprias da idade.
O pior é que me sinto injusta e castradora a maior parte do tempo. Tempo esse que não volta atrás e um dia, vou acordar e pensar, nostalgicamente, que tenho saudades da minha menina pequenina, ou do tempo em que ir com ela de férias era um stress e uma pilha de nervos mas em que estávamos, efectivamente, todos juntos. Um dia, eu hei-de querer que ela vá de férias comigo e ela será a primeira a torcer o nariz e a sentir-se oprimida e, nessa altura, sentirei o vazio e a solidão a dizerem-me "olá" acenando-me o companheirismo.
Confesso que tenho inveja dos programas divertidos e glamourosos de quem não tem filhos, das saídas nocturna, dos jantares e das conversas fora de horas, das decisões ao sabor da vontade, sem limitações de qualquer espécie, mas também me tento lembrar daquela altura em que olhava os jovens pais de primeira viagem e me sentia num planeta à parte, como se ser mãe fosse algo me que estava vedado. E é nesse sentimento que tenho de me lembrar e é nesse desejo, que foi tanto, de ser mãe e de ter um filho que me tenho de centrar.
Porque como diz um provérbio chinês: "Cuidado com aquilo que desejas. Pode tornar-se realidade."
O meu tornou e agora, cabe-me a mim saber viver e lidar com ele, não como um entrave, mas como uma mais valia na minha vida.
Ser mãe mudou radicalmente a minha vida, impôs-me uma paragem própria, em termos pessoais e profissionais, deu-lhe um novo rumo e direcção, mas também me fez ficar mais perdida no meu 'eu', desejos e vontades. Apesar de aos poucos as coisas começarem a entrar nos eixos, eu ainda não me sinto alinhada, nem tão pouco convencida, mas vou aprendendo a viver com isso da melhor maneira que sei e posso, mesmo que haja muitos dias em que me sinta uma verdadeira besta.

segunda-feira, junho 14, 2010

fodeu

Apeteceu-me dar um título forte e incorrecto a este meu post porque, na realidade, não há palavra que descreva melhor aquilo que sinto no momento.
Na empresa, o "senhor bicha-doida-meu-patrão-que-odeia-gordos", não aceitou o meu 'ultimato'. Diz que os tempos são de crise, que agora não dá, que até Setembro muita coisa pode mudar naquela casa, que estão satisfeitos com o meu trabalho e que seria uma pena a minha saída, mas pagar mais que é bom, está quieto. A filosofia de «fazemos omoletes sem ovos» continua em grande em Portugal e ali encontra expoente máximo.
Agora resta-me duas opções, ou tentar regatear para que me aumentem nem que seja 50 euros, ou vir-me embora tal como prometido e ameaçado. Entre as duas venha o diabo e escolha. Na verdade, sei bem que ali não quero ficar, todos os dias é um sacríficio tremendo que faço para me ir enfiar, quase 12 horas, naquele antro. Sinceramente, apetece-me mandar tudo para as urtigas e para o espaço e nem pensar duas vezes, arrumar as minhas tralhas e dia 30 vir embora, mas a verdade é que não tenho mais nada. Absolutamente mais nada. E desistir assim, sem nada onde me agarrar, sem uma mísera hipótese de algo novo no horizonte, faz-me sentir derrotista.
Por isso digo, fodeu. Fodeu mesmo. Porque não sei o que hei-de fazer e esta semana tenho de tomar uma decisão.
O quanto antes, de preferência.

segunda-feira, junho 07, 2010

Há dias assim...

... em que acordamos decididas a fazer algo que, até há bem pouco tempo, nos parecia impossível. Em que nos enchemos de coragem e dizemos basta, em que queremos mudar algo na nossa vida e na nossa insatisfação crónica.
Foi o que fiz, hoje, em que me enchi de coragem e falei com quem de direito de que não estou satisfeita com o valor que me pagam tendo em conta o volume de trabalho que me anda a pender sobre os ombros. Querem um account sénior com responsabilidades de account sénior a trabalhar por tuta e meia? Não dá. Eu não quero, nem estou para isso.
Agora é ver se me revêem o ordenado para o valor pedido, caso contrário, venho-me embora. Está decidido.

quinta-feira, maio 20, 2010

curtas

  • O tempo tem sido pouco porque ando absorvida por trabalho e quando não ando, estou tão cansada que nem me apetece vir aqui escrever o que quer que seja. À noite, quando chego a casa e já depois de ter deitado a miúda, só quero a minha cama e dormir, nem ligo o computador. Acabaram-se os serões em redor do portátil e as horas intermináveis no facebook até às tantas da madrugada. Não dá, não consigo, basta-me fechar os olhos que adormeço em segundos.
  • O ambiente na agência tem dias, mas é, de um modo geral: MAU. A semana passada o senhor director regressou do estrangeiro - depois de um mês quase de ausência - e colocou logo a casa toda em rebuliço. A gritaria era tanta, que andava tudo à beira de um ataque de nervos. Em dois dias, duas megas discussões com dois colegas, mas mesmo daquelas baixo nível onde, entre outras pérolas, apelidou as pessoas de 'deficientes' e mandou-as para 'o raio que as parta'. É bonito de se ouvir, não é? (NOT) Eu fico sempre chocada com estes actos e gestos, principalmente por parte de quem chefia uma casa. Acho de uma prepotência sem limites, de uma falta de respeito pelos colaboradores, pela equipa que afinal, mete todo o seu negócio de pé, mas isso de nada parece valer sobre quem tem de ter sempre a última palavra mesmo que seja pelos piores motivos. Só digo isto: se fosse comigo, não teria a passividade que os meus colegas tiveram. Acho que me passava e rodava a baiana da mesma maneira histérica e descontrolada com que ele o faz. Podia ser despedida na hora, (era-o de certeza absoluta), mas vinha de alma lavada, porque mesmo sendo patrão, não tolero faltas de respeito. Que critiquem o meu trabalho, que digam cobras e lagartos sobre a minha competência, mas o insulto puro e duro, só porque 'acha que pode', comigo não resulta.
  • Por causa disso, tive dias em que só me apetecia dizer que me ia embora e que não estava para tolerar isto. Aliás, estou aqui há quase 2 meses e já foram despedidas umas 4 pessoas, além da rodagem de entra e sai - algumas pessoas nem 2 semanas cá estiveram - nos entretantos... Por isso, 2 meses meus aqui, uau, já está a ser a loucura! Mas pronto, há dias melhores e outros piores e nada que uma boa noite de sono não resolva. Há dias em que faço um esforço tremendo para estar aqui e outros em que penso: 'olha, ao menos estás a trabalhar, vai aguentando'. E pronto, assim se vão passando as horas.
  • Apesar de tudo ando a mandar cv´s e a tentar fazer contactos, mas isto está tudo menos fácil e as respostas não têm sido positivas, mas a esperança é a última a morrer.
  • As colegas são estranhas, pouco simpáticas e algumas um pouco falsas... Já começo a perceber quem é que empurra sempre trabalho para quem, quem se descarta e quem só é simpático comigo quando lhe é conveniente, além dos 'lambe-botismos' típicos de qualquer organização que se preze.
  • Tenho saudades de trabalhar em bons ambientes, de ter colegas porreiros, de saber que fora do trabalho posso, por exemplo, ir beber uns copos com eles, como acontecia nos meus primeiros anos de trabalho... queria muito regressar à imprensa e tenho feito contactos nesse sentido. Não tem dado em nada, mas acredito que vou conseguir! O pensamento positivo faz maravilhas... (ou assim espero).
  • E pronto, com estas me fico, que já devia de estar a caminho de casa - ou melhor, entalada no trânsito infernal com que me deparo todo o santo dia - para ir ter com a minha 'ferinha' júnior e tentar encontrar um pouco de paz longe daqui...

quinta-feira, maio 13, 2010

Fizz Limão

Tirando a minha cara de parva - que está uma coisa pura e simplesmente pavorosa - concentrem-se apenas e só no belo do geladinho, ok? É que ontem, depois de tanto ouvir falar no regresso do Fizz Limão na rádio, e de eu própria, quando era miúda, adorar o sacana do gelado e ter apanhado um desgosto quando o mesmo acabou, decidi sair na minha hora de almoço - que não posso passar a vida aqui enfiada sem respirar sequer ar "puro" durante 15 minutos - e descer à pastelaria que há em baixo do prédio para comprar o belo do geladinho.
Para começar achei-o pequenino e levezinho, depois, achei-o com muito gelo, e o tão aguardado creme, que era a cereja em cima do bolo (neste caso, o melhor do gelado)... Bom, achei que já não é o que era, nem tão cremoso, nem com o mesmo sabor.
Resumindo: o Fizz voltou mas não me convenceu. Ou isso, ou 20 anos sem provar uma coisa e com tamanhas expectativas em relação à mesma, deixam-me sempre defraudada.
Acho que tenho de comer outro para ter bem a certeza.

quarta-feira, maio 12, 2010

desabafo curtinho

Acho que envelheci uns dez anos (no mínimo) em mês e meio de trabalho.

Depois aprofundo, porque o tempo é-me cada vez mais escasso.

quinta-feira, abril 22, 2010

todos os dias a mesma coisa...

... eu penso: "Hoje é que vai ser. Hoje vou para a cama às 22h30, às 23h00 já estou a dormir. É hoje que me vou disciplinar! É hoje."
Mas nunca é. Não consigo.
Por mais cansada que esteja, podre de sono, disléxica e a trocar cada frase, a não conseguir articular palavra, a ter o cérebro a latejar e os olhos a arder por dormir, em média, umas 5 horas por noite, a verdade é que eu não me consigo disciplinar na hora de ir para a cama.
Depois? Bom, depois acordo todos os dias às 6h50 para estar em Lisboa antes das 9 da matina com uns olhos inchados semelhantes a um besugo e chego à 5ª feira com uma cara de 'desenterrada' e umas olheiras onde mais pareço o Panda!
Como se isso não fosse suficiente e por si só, motivo de angústia, os nervos e stress a que tenho estado sujeita, despoletaram uma reacção de borbulhas em cadeia no meu queixo que não há meio de passar, o que me leva a ter verdadeiros ataques de pânico sempre que me vejo ao espelho e a sentir uma vergonha atroz quando tenho reuniões e me encontro com clientes.
E depois ainda dizem que trabalhar faz bem à saúde ;) LOL

segunda-feira, março 29, 2010

return

O vestido está passado e colocado de forma impecável nas costas da cadeira. A seu lado, o casaco que lhe irá fazer companhia, o cinto que lhe cercará a cintura e todos esperam, sem excepção, a hora que caminha a passos largos para o seu manifesto.
Na mesa da cozinha repousa um saco de papel. Lá dentro, um pacote de bolachas, duas maçãs, uma garrafa de água, dois cadernos - um deles novinho em folha - um livro e um chapeú de chuva, só para os imprevistos. Tomou-se banho pela noite, para evitar as correrias típicas da manhã, pelo menos enquanto as horas não se tornam companheiras fiáveis do tempo que nos roubam. Secou-se os cabelos e arranjou-se as sobrancelhas, pintaram-se as unhas de vermelho carmim. Perfumou-se o corpo de cremes suaves e procurou-se no rosto sinais de cansaço passível de críticas. Dentro da mala colocam-se, carteiras, escova de cabelo, chaves, agenda, toalhetes perfumados, creme de mãos, ipod... Nada foi deixado ao acaso, tudo foi pensado ao pormenor.
No tempo que resta fazem-se planos, suposições, aspira-se a algo melhor, mas também se tem medo e dúvidas e ansiedade. E rodeamo-nos de coisas e frases que gostamos de acreditar serem feitas de sentido e apropriadas à ocasião, quando, na verdade, não são mais do que clichés utilizados por todos ao longo dos anos e nas mais variadas situações. Não importa. Sabem bem. Confortam a alma e ajudam o espírito a ultrapassar mais esta prova.
O sono tarda e não chega, mas os olhos pesam e reclamam descanso. É tarde e apenas 5 horas me separam do momento em que desta cama me levantarei em rumo a um novo dia, a uma (suposta) vida.
Ao fim de 22 meses em casa, eis que chega o meu momento de partir. O momento de retornar a mim, mesmo que daqui a umas semanas já me queixe do rumo que tanto desejei e que tardava em chegar. É típico, por isso, não estranhem se vier para aqui praguejar que a chefe é estúpida, que os colegas são antipáticos, que tenho sono, que moro longe, que apanho muito trânsito de manhã, que os clientes são umas bestas.
Sei bem como funciona este meu espírito inquieto. Mas, seja como for, já estava na hora de voltar a fazê-lo.
Desejem-me sorte. *

domingo, março 07, 2010

sunday delicatassen

Voltei à minha zona de conforto. Passei a tarde a recortar imagens e a ver revistas femininas internacionais. Tive ideias, tive desejos e tive sonhos. Trabalhei e sonhei que trabalhava. Senti-me convicta e forte, senti-me activa e preparada. Senti-me poderosa.
Tentei, ainda que de forma incompleta, voltar a fazer um painél de visualização, como fiz antes de engravidar, movida, na altura, pelo desejo de ter um filho. Hoje, o meu desejo é outro.
Há um velho ditado ou provérbio, oriundo não sei muito bem de onde, que diz que «sonhar e acreditar é meio caminho andado». E eu, como tive uma experiência positiva com o anterior, vou voltar a colocar neste todas aquelas coisas que quero alcançar e atrair para a minha vida.
Aquela viagem, aquela mala, aquele livro, aquele emprego. Pequenos nadas, mas pequenos nadas que são meus e que para mim, de momento, são tudo aquilo que quero. Mesmo que não tenham sentido aos olhos dos outros, mesmo que até a mim mesma me façam duvidar, mas são meus e eu quero-os, a todos.
Manter-me assim, com a cabeça a fervilhar e a dar seguimento aos meus pensamentos e loucuras, é bom. É sinal que ando a encarrilhar outra vez, que estou no bom caminho.
Há umas semanas nada me servia de inspiração e hoje, hoje, até a minha cama desalinhada e a manta que a cobria me serve como pano de beleza.
É incrível como num dia em que se recebe a notícia da morte de alguém próximo, ela nos encha de vida...
Também pintei os lábios de vermelho, mas isso, é outra história.


sábado, março 06, 2010

all that you can leave behind

Ontem, depois de uma tarde de maratona cinematográfica - mesmo no cinema!! - decidimos aproveitar o facto de ter deixado a Madalena com os meus pais até Domingo, para, em seguida, jantarmos pelo Bairro e comer um bife 'à bicha'.
Ontem também foi o dia em que uma amiga minha de longa data fez anos. E eu, que tenho andado arredia e magoada com todos eles, decidi pôr o meu orgulho de lado e ligar-lhe. Não falávamos desde Novembro embora eu vá sabendo uma ou outra coisa por terceiras pessoas ou por aquilo que consigo perceber pelo facebook onde a tenho adicionada.
Quando liguei a surpresa do outro lado foi sentida e imediatamente a resposta dada foi:
'Mafalda, nem acredito que me estás a ligar'.
Fui de poucas palavras porque estava emocionada. Faço-me sempre de durona mas depois sofro imenso e com coisa pouca ou nenhuma, os outros, conseguem desarmar-me sempre.
Lá acabámos por revelar que estávamos em Lisboa, que iríamos jantar ao Bairro e que, em seguida, íamos para os copos. Foi então que nos disse para aparecermos na Bica, onde iriam estar todos juntos a partir da meia-noite. Mais uma vez fiquei sentida. Se não fosse o facto de eu ligar, ninguém me diria nada. Combinam-se copos da Bica com quem é de Almada, mas Ericeira já são muitos quilómetros a mais da ponte sobre o Tejo.
O jantar entre nós dois correu bem. Bebemos martinis e vinho tinto, voltei a fumar uns cigarritos depois de uma longa semana de abstinência, como se quisesse descontrair da ansiedade que me dominava e, estava feliz, mas curiosa por ir revê-los a todos.
Chegámos à Bica antes de toda a gente e a mesma estava vazia. Decidimos ir até ao miradouro do Adamastor ver o Cristo-Rei, a ponte 25 de Abril e Santos ao fundo, entre ruelas e luzes foscas. O Noo-Bai já estava fechado e nós, depois de uns 20 minutos, voltámos a fazer o caminho inverso até ao sítio combinado. Quando chegámos demos de caras com todos, tinham igualmente, acabado de chegar. Não houve nenhum tipo de surpresa nem reacção na cara dos amigos que outrora considerei amigos. Cumprimentaram-me como se fosse uma estranha ou uma pessoa acabada de conhecer. Aliás, atrevo-me a dizer, que se fosse uma estranha acabada de conhecer, tinham sido mais simpáticos. Não falaram comigo uma única vez, não perguntaram pela Madalena em nenhum momento. Eu e o C. ficámos meio estupefactos e sem saber muito bem o que estávamos ali a fazer. As pessoas que estiveram no meu casamento, no baptizado da minha filha, que conhecem a minha família e eu conheço as suas, com quem passei férias e vivi no estrangeiro, com as quais estudei durante 4 anos, que conheço há perto de 15 anos, agiram como se fôssemos invisíveis. Ignoraram-nos e deixaram-nos meio de lado, enquanto conversavam em círculos de 3 e 4 deixando-nos automaticamente de fora.
Senti-me mal. Sentimo-nos mal, os dois.
A única que ainda se esforçava por nos 'encaixar' por assim dizer, e fazer algum tipo de conversa connosco, era a própria da aniversariante, mas até ela estava confusa e já sem assunto.
Foi tão triste de assistir quanto lamentável. Ao fim de 20 minutos, mais ou menos, decidimos que não estávamos para aturar aquilo e viemos embora. Dei um beijo nela e nem me despedi de mais ninguém. Acho, sinceramente, que ninguém se importou por irmos embora tão cedo ou lamentasse a nossa falta. Ontem, percebi, preto no branco, que os meus amigos já não são os meus amigos, que a minha vida já não se cruza com a deles, que eles não sentem a minha falta como eu, por vezes, sinto a deles, logo, não tenho de ficar magoada com as atitudes deles porque as atitudes deles são fiéis àquilo que eles se tornaram e que ontem pude observar.
Ñão vou negar que eu própria não tenha culpa na situação, mas ontem, aquilo que vi, a indiferença com que nos trataram, a forma como nos fizeram sentir, foi a gota de água. Foi como uma cena de um filme, nítida e em câmara lenta, quando a protagonista descobre que afinal estava errada e que acabou de perder o amor da sua vida.
Não sei quem está certo ou errado e, sinceramente, não quero perder tempo a tentar perceber. Desde que a minha filha nasceu e que saí de Lisboa que fui completamente excluída da maior parte dos jantares, das comemorações, das saídas, até de um simples telefonema. Posso-os ter a todos como friends no messenger, no gmail chat ou no FB, mas nem uma única vez aquelas almas se dignam a dizer-me um 'olá' ou a perguntar 'como estão'.
O C. ficou furioso apesar de não o manifestar verbalmente. Apenas deixou sair um 'serviu para abrir os olhos' e veio calado o resto do caminho. Eu, mesmo tendo vontade de chorar por dentro, não derramei uma única lágrima enquanto a rádio passava 'All that you can leave behind' dos U2.
As peças encaixavam-se todas. Era a vida a sorrir-me.
Preciso de levar estes coices duros para voltar a reagir.

domingo, fevereiro 28, 2010

e assim de repente...


"When a woman makes the choice to marry, to have children; in one way her life begins but in another way it stops. You build a life of details. You become a mother, a wife and you stop and stay steady so that your children can move. And when they leave they take your life of details with them. And then you're expected move again only you don't remember what moves you because no-one has asked in so long. Not even yourself. You never in your life think that love like this can happen to you."


The Bridges of Madison County


Ontem revi este filme e no meio, bem no meio dele, quando toda a acção caminha para o auge dos amantes, esta frase. Parei. O meu mundo parou na altura. Aquela frase podia ser minha. Podia ter-me saído da boca. Podia ter sido escrita num qualquer caderno. Aquela frase resume, em parcas palavras, os meus dois últimos anos.
Aquela frase fez-me ver que não quero parar. Que a minha vida feita de detalhes até há dois anos não tem de parar. Não deve, mesmo que eu tenha estagnado.
Por isso, e só por isso, voltei a fotografar e a deixar a beleza do quotidiano inundar-me de inspiração, magia e cor. Como fazia antes de a ter na minha vida. Antes de os ter.
Voltei a reactivar a minha velhinha conta no Flickr para dar seguimento a esta vontade e tomei a resolução de que a minha próxima aquisição é comprar uma máquina digital em condições.
Agora só falta recomeçar a escrever.
Mas acredito que até isso eu irei conseguir.

quinta-feira, fevereiro 11, 2010

"when you try your best but you don´t succed"

E ao fim de duas semanas veio a resposta.

Negativa.

E com ela se foi a pouca auto-estima residente e a esperança de começar a trabalhar no início de Março.

sexta-feira, fevereiro 05, 2010

lhasa de sela





Só me apetece ouvir isto over, and over, and over again...
É tão bom, tão deliciosamente triste, tão bonito, tão tudo aquilo que sinto cá dentro e não consigo exprimir.
A mortalidade, a minha, a dos meus, a dos que me são queridos, a do mundo em geral, tem-me tomado de assalto o pensamento nestes dois últimos dias e sinto um nó apertado dentro do peito.
Só me apetece ouvir Lhasa de Sela.
Mas também ela já morreu.

domingo, janeiro 31, 2010

da entrevista

Correu bem. Foi muito descontraída, cumprimentaram-me como se fosse da casa, com dois beijos na face - algo que me deixou logo desconsertada confesso, não estou habituada a tanta intimidade com a entidade patronal - fizeram piadas e trataram-me por 'tu', eu tratei-os igualmente por 'tu', apesar de muitas vezes me saltar um 'você' e utilizar a terceira pessoa com mais frequência do que aquilo que devia. Andei ali numa indefinição verbal enquanto tentava aparentar um ar calmo e descontraído. A primeira parte correu muito bem, falei do meu percurso profissional, das escolhas, onde estive, o que fazia, por onde passei, porque saí, a segunda parte correu nem sei bem como, quer dizer, não correu mal de todo, mas as perguntas começaram a ser mais pessoais, a irem para o âmbito dos gostos, das leituras, dos filmes que via, das coisas que me despertavam a atenção, do que gostava e a cada pergunta uma branca invadia a minha mente, como se eu fosse um poço sem fundo e sem nada de revelante para, de repente, lá me lembrar de qualquer coisa e dizer, não muito convicta, levando-me novamente a outro extenso e árido deserto.
"Que livros tens como referências?"
E eu a agonizar, sem me lembrar de uma única referência, para de repente, me sair da boca como uma seta o nome: "Miguel Torga. Adoro Miguel Torga, tanto em poesia como em prosa. É uma grande referência minha enquanto escritor e Saramago, embora não goste de todas as obras, mas é um escritor que aprecio. Da juventude destaco a poesia de Florbela Espanca, que foi sem dúvida uma referência importante para mim numa determinada altura da minha vida, Eça de Queirós e Marion Zimmer Bradley, pelas histórias fantásticas que escrevia." - E depois fiquei a pensar, mas quem é que dá o nome da Marion Zimmer Bradley como referência de juventude?! Ninguém!! Burra! Mil vezes burra! Não me lembrei de escritores tão importantes como um Gabriel Garcia Marquez, ou o Mário de Sá Carneiro, nem nada de nada. Nop. Só disse clichés! Só dei respostas que qualquer pessoa podia dar, como se viessem servidos em latas de fast-food. Confesso que só me apetecia cortar os pulsos de tanta vergonha.
"Muito bem... então e filmes? Que filmes gostas de ver e/ou são referência para ti?" - E novamente outro deserto, este ainda pior que o anterior, uma branca gigantesca que me turpava até a vista, as mãos a suarem e embargadas uma na outra e eu sem me lembrar de nada para de repente, desta boquinha, sair apenas isto:
"The Motorcycle Diaries é uma referência para mim... o Orgulho e Preconceito... os filmes do Quentin Tarantino... os do Woody Allen... algum cinema alternativo" - e ali fiquei, a agonizar, sem me conseguir lembrar de filmes que me tenham marcado, quando tenho alguns que para mim são, APENAS e SÓ, os filmes mais importantes da minha vida! Não mencionei o 'Little Miss Sunshine', que é simplesmente genial e 'O' meu filme favorito, nem sequer o 'Eternal Sunshine of the Spotless Mind', que é outro que está no 'Top 5', ou o 'Fabuloso Destino de Amélie Poulin', não fiz referência aos filmes do Almodovar, de quem eu sou fanzérrima, com as suas cores, mulheres e gritarias de alguidar, ou sequer e mais recentemente, o 'Julie & Julia'...
Sou tão estúpida senhores, tão estúpida.
E ele, olhava para mim meio desconcertado, esfregava as mãos na cara e com um ar gozão voltava à carga: "Muito bem, então agora dá-me seis ideias para reportagens/matérias diferentes das demais".
E lá começava o meu coração outra vez a bater que nem um cavalo desenfreado e desvairado, a névoa branca a apoderar-se novamente do meu cérebro do tamanho de um amendoím, a tensão arterial a subir a pique e o 'Tico' e o 'Teco', cá dentro, a perguntarem um ao outro, 'então e agora, o que é que a gente diz?'.
Lá me consegui safar, é certo, embora não estivesse muito convicta de que as ideias dadas eram grande coisa, mas pronto, conseguir lembrar-me de algumas - mesmo que eles pensem que são uma grande bosta - para mim, já é uma vitória.
E quando tudo parecia estar a caminhar para o fim, quando as perguntas difíceis já pareciam ter acabado e eu começava a descomprimir e a voltar lentamente à minha pessoa normal, eis que o cabrão me faz a derradeira pergunta do 'entale':
"Diz-me o nome do Ministro das Finanças".
E pronto, nessa altura, senti-me morrer. Há uma imagem da antiguinha série Ally Mcbeal que elucida muito bem como me senti na altura - senti-me desfazer em água -, como se todo o meu corpo se transformasse em gotas e eu fosse por ali abaixo que nem uma enxurrada.
Eu lembráva-me da cara do homem, eu sabia que sabia o nome do homem, a imagem do estupor do ministro aparecia-me clara e nítida à minha frente, o nariz abatatado, os cabelos grisalhos, os lábios grossos, eu sabia que tinha entregue o orçamento de estado dois dias antes às 3 da manhã numa estúpida pen-drive e que não tinha cumprido o prazo imposto, eu sabia que tinha estado em directo no jornal da noite da Sic - porque o vi - a ser entrevistado pela Clara de Sousa, mas não fui capaz de me lembrar e dizer o nome do sacana do TEIXEIRA DOS SANTOS, acabando por ter de admitir que não sabia. (Mesmo tendo dado esta explicação toda - que era para ele não pensar que eu ando cá neste mundo para ver andar os outros).
Mesmo assim, acho que não me safei... quando ele olhou para mim, vi a desilusão estampada no seu rosto e eu senti-me uma mentecapta.
E de facto sou. Além de ter respondido uma data de clichés, nem sequer sei o nome do nosso Ministro das Finanças. Sou uma merda de jornalista, é verdade, mas pá, isso não se faz ó grandesíssimo filho da mãe!
Agora resta-me fazer figas e pensar que ainda posso ter sorte. Mesmo assim, até estou meio confiante.
SOU MESMO ESTÚPIDA!

quinta-feira, janeiro 28, 2010

auto-análise

Não tenho actualizado este canto porque ando sem computador e não por falta de vontade. Quer dizer, explicando-me melhor, eu computador continuo a ter, mas está tão marado que não me deixa escrever NADA no que quer que seja. Quero actualizar o meu estado no facebook e o gajo (computador) não deixa. Quero abrir emails e responder às pessoas e o gajo (novamente computador) não deixa. Quero vir actualizar o blogue e o gajo (pois, esse...) não deixa!!
Ai senhores, haja paciência para pc's! Tão cheios de 'não-me-toques-que-fico-cheio-de-vírus' que já estive mais perto de me mudar para desertos desconhecidos (traduzindo; ambientes mac)...
Por isso, não pensem que entrei em depressão total. Nop. Not yet. Ando apenas ocupada e sem máquina para dar voz a tudo o que me tem acontecido e me vai na alma.
E só para finalizar este desabafo sobre computadores e a minha respectiva ausência, é de um 'mac' que vos escrevo - o do gajo, pois claro (sim, desta vez é mesmo o 'gajo') - que por não estar em casa tenho-o só para mim, caso contrário, é para esquecer, que ele é um picuínhas com a sua máquina e detesta que eu me ponha a 'inventar' (citando-o), naquilo que é dele.
Pronto. Introdução concluída.

Monólogo 1
Ando a tirar um curso. O tal que falei no post anterior de que não tinha bem a certeza se deveria de fazer, não por falta de interesse ou vontade, mas por questões de timming - de faltar um mês para o meu subsídio de desemprego terminar, de andar desesperada por arranjar qualquer coisa, por achar que me ia roubar tempo para a procura activa de trabalho, por ir e vir todos os dias da Ericeira para Lisboa levando-me a gastar uma pequena 'fortuna' em gasolina e portagens... Enfim, tudo isso pesava na decisão final de ir fazer um curso que me iria roubar e ocupar o tempo todo - das 9h30 às 18h00 - quase todos os dias da semana.
Após conversa com o gajo, achei que o melhor era mesmo ir. Estava ocupada, conhecia pessoas novas e aprendia coisas que me poderiam vir a ser úteis. E como ele me deu tanto apoio para o fazer - e como eu no fundo, no fundo, também queria - fui.
Faltei no primeiro dia tomada por todas estas dúvidas existenciais que me assolavam a alma, mas no segundo apareci à hora marcada.
Convém igualmente dizer que este curso, não é bem um curso como os que tenho tirado até agora na minha vida profissional. Não é sobre escrita, imprensa, rádio ou televisão, não é de línguas, excel ou powerpoint, não me dá habilitações para vir a dar formação na minha área, ou competências para pintar um quadro, mas é um curso que visa o futuro e, como tal, é orientado para conseguirmos obter na nossa vida profissional as ferramentas e mecanismos para arranjar trabalho, mas também - e principalmente - trabalharmos naquilo que realmente gostamos/gostaríamos de fazer.
E vou ser muito sincera, se ao início quando olhava para os módulos achava apenas aquilo interessante, hoje, acho que tomar, efectivamente, a decisão de ir fazer este curso, foi das melhores decisões que fiz nos últimos tempos.

Monólogo 2
E porque é que o curso é assim tão bom? Ou melhor, porque é que é das decisões mais acertadas que já tive nos últimos tempos? Bom... porque o curso não é só aquele carácter prático e atípico do: vamos lá refazer o vosso CV, como ter noções de empreendedorismo, ou ensinar o que é uma boa rede de contactos e como a utilizar. Para mim, pessoalmente, está a ser muito mais do que isso. Está a ser uma terapia e quando digo terapia não tem apenas a ver com o facto de ter uma rotina, levantar-me todos os dias de manhã e chegar a casa como se estivesse a trabalhar, conhecer pessoas novas, ter conversas enriquecedoras, despertar interesse no outro, ou deixar de ter o pijama como principal indumentária. Claro que tudo isso ajuda na 'terapia', mas o curso está a ter a mais valia preciosa de me fazer olhar para mim própria e saber 'ver-me' com olhos de gente. De deixar de me sentir a desgraçadinha sem controle nos acontecimentos que luta contra o infortúnio e o azar e à qual ninguém dá trabalho, para os saber analisar de forma coerente e racional - que é coisa que eu muitas vezes não sou, porque fico completamente abalrroada pela avalanche de emoções que me atingem - para deixar de estar tão centrada no meu próprio umbigo e perceber que, infelizmente, existem dezenas, centenas de outros 'jovens' igualmente competentes, igualmente qualificados e igualmente talentosos na mesma situação que eu, de saber conhecer e identificar onde erro, como sou perante os outros, como me comporto, o que é que a minha atitude diz de mim e, muito principalmente, de ter o benefício de me ajudar a ser uma pessoa melhor.
Tenho inúmeros defeitos. Tenho tantos, mas tantos, que muitas vezes, quem me conhece, não imagina que os tenho. Mas tenho e admito-os, todos. E o que aconteceu de fantástico nestes últimos 3 dias, foi que consegui identificar mais falhas e defeitos em mim, pontos negativos e coisas a melhorar, do que em dez anos de trabalho.
Tenho noção de que a minha situação actual também se deve em grande parte à minha atitude. Tenho noção de que fervo em pouca água, que sou mandona, respondona e muitas vezes, um bocadinho arrogante. Não o faço de propósito, faço-o porque sou mesmo assim, mas isso não é desculpa, nem deve servir de justificação consentida. Nem para com quem me rodeia na esfera pessoal, nem para quem me contrata no âmbito profissional. E apesar de eu, em parte, já saber interiormente estas coisas todas, estes últimos dias fizeram-me pensar que não posso continuar a ser assim. Mais do que isso: não posso permitir! Porque senão, qualquer dia, corro o risco de ninguém me aturar, de ninguém ter paciência.
O meu marido não tem culpa de estar desempregada, logo, não tenho de descarregar nele as minhas frustrações.
Os meus amigos não têm culpa por terem vida profissional e eu não, logo, não deve ser por isso que eu me devo afastar.
O mercado tem lugar para mim, é só acreditar e fazer para com que as coisas melhorem.
Tenho ainda muito para dar e vou conseguir, basta persistência, determinação, paciência e empenho.
E, acima de tudo, a minha filha será certamente uma criança mais feliz e realizada se a mãe dela também o for.

Por tudo isto, por me fazer pensar, por me fazer ver que ando a ir pelo caminho errado, por me abrir os olhos com um grande estalo de 'acorda para a vida', este curso, esta 'terapia', está a valer por mil consultas no divã do psicólogo.
E como na vida as coisas boas vêm por arrasto, amanhã tenho uma entrevista de emprego marcada.

My fingers are crossed. :)

quarta-feira, janeiro 13, 2010

alimentação

Quanto mais deprimida, ansiosa, aborrecida, ou sem-nada-que-fazer estou, mais vontade de comer tenho. Um problema comum a muita gente, é certo, com a diferença de que entre ontem à noite e hoje - que ainda vamos a meio do dia - já morfei mais porcarias do que aquilo que devia de comer durante um mês inteiro. Senão vejamos:
- 6 donuts - é que foi a caixa inteirinha.
- 1/4 de toblerone - isto foi ontem e só foi 1/4 porque era só isso que havia...
- um magnum de amêndoas depois de jantar
- uma enorme tigela de chocapic de chocolate
e um pastel de nata.
Como podem ver, a minha alimentação, anda do mais saudável é diversificada possível... qualquer dia sou convidada como atracção no Festival do Chocolate de Óbidos por este ser o principal ingrediente e base primordial das minhas refeições.

Nota mental: o desemprego é inimigo da magreza e amigo da gula.

terça-feira, janeiro 12, 2010

A inveja...


...é uma coisa muito feia, eu sei, mas hoje, hoje eu fiquei verdinha dela!

De manhã, enquando lia o 'i', dei de caras com um artigo que falava das 'Tralhas da vida', nada mais, nada menos, do que o primeiro livro editado a partir de relatos publicados no facebook.

Pronto, só tive vontade de cuspir na foto da gaja, confesso, pela sorte que teve, por nem ser uma coisa que tinha em mente fazer, por a ideia de compilar as crónicas que escrevia em livro lhe ter sido sugerida assim como quem não quer a coisa por um amigo, por ter 'por acaso', uma editora que a lia, lhe achava piada e que se atreveu a fazer-lhe o convite para publicação... o resto já vocês sabem (ou podem imaginar).

Fico fula com estas histórias felizes, estas 'casualidades' da vida. Ando eu há tanto tempo a enviar um projecto semelhante para todo o tipo de editoras e mais algumas e só me aparece é merda. Merda, merda, merda.

E depois há outros, que como por magia, nascem com o cu virado para a lua e tudo lhes vem cair no colo.


Porque é que este tipo de coisas não me acontecem a mim?
É karma? É castigo? É azar puro e duro? É por eu ser má pessoa e o universo conspirar contra mim? É falta de oportunidade? É o quê? Humm?
Fuck :(