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quinta-feira, junho 04, 2015

Fizemos as pazes

Não há volta a dar, mas cá em casa os espelhos não abundam e o único sítio onde conseguimos ter um vislumbre de nós próprios é na casa de banho! Por isso, desculpem-me o cenário pouco glamouroso das fotos em que aparece a barriga pelo meio, ou até mesmo a minha pessoa, mas neste momento é mesmo o melhor que consigo fazer. Aqui estamos as duas em modo "home confort". Gostaram deste termo? Pois, foi inventado agora para explicar o facto de pequena cria estar de camisa de dormir e eu com este ar de dona de casa desesperada mas com vestido (velhinho, já muito velhinho) de padrão étnico a seguir as tendências 'capulanas' deste verão.
Foi tirada ontem, depois do banho da cria mais velha, num momento a duas (ou deverei dizer a três?), de mimo e atenção centrado nela. Que correu bem, como podem ver. Ah e não se iludam com o meu tom de pele bronzeado/torrado. Os filtros do Instagram fazem milagres, mas nem mesmo assim conseguem disfarçar o meu ar cansado, ou aquela preguinha de adiposidade extra debaixo do braço fruto dos 9 quilos a mais que já carrego no corpo. 

terça-feira, junho 02, 2015

O maior monstro da minha filha é o irmão

De há uma semana para cá que temos vivido situações de algum stress cá em casa sobre o assunto 'irmão'. A M., depois de um período de felicidade total sobre o facto de ir ter um irmão e de ter reagido muito bem a todos os preparativos e à ideia, agora que a gestação está mesmo no final e a chegada do irmão é eminente, começou a ter comportamentos e atitudes que nos deixam a todos perplexos. 
Desde cedo que preparámos a chegada do irmão em conjunto e a três nunca a deixando de parte. Ela que, durante tanto tempo, pediu um irmão - incluindo ao Pai Natal - começou recentemente a fazer cenas de ciúmes, a choramingar sempre que se fala no assunto e a dizer que "vê monstros" na hora de dormir, quando nem está deitada há 5 minutos. Já falámos com ela várias vezes, já explicámos que ninguém irá ocupar o lugar dela, que será a ajudante da mãe - que vou precisar muito dela, que somos uma equipa - que as coisas dela são dela e que, quanto muito, poderá emprestar ao mano, assim como o mano emprestará as dele, mas apesar de ela perceber isso tudo, o medo e a insegurança que sente de momento é maior do que toda a racionalidade que lhe atravessa o pensamento. 
Eu compreendo o medo que possa sentir e a insegurança perante o desconhecido e a novidade de ter um novo elemento na dinâmica familiar que lhe roubará as atenções e onde ela deixará de ser o principal foco, ainda para mais sendo a M. uma criança sempre tão auto-centrada e com a necessidade de chamar a atenção para a sua pessoa - seja em que situação for - mas estas reacções dos últimos dias andam a deixar-me perplexa.
As cenas de choro e de drama têm sido uma constante. Cenas de se levantar assim que a deitamos e de dizer que está com 'pesadelos' ou que 'vê monstros', idem. Ontem, depois de um dia da criança super animado - onde na escola nem houve direito a estudo, foi só brincadeira, cantigas, histórias e pinturas faciais - depois de termos feito a surpresa de a levar à natação onde ela delirou e estava felicíssima, quando chegou a casa tinha ainda um livro da Princesa Poppy de presente à espera (algo que ela tinha pedido quando fossemos à Feira do Livro). 

A história da Poppy era "Nasceram os gémeos" e abordava, precisamente, a chegada de um irmão e a alteração da dinâmica familiar na vida da Poppy. Nada mais a propósito. Já antes, ainda no início da gravidez e assim que ela soube que vinha aí um mano(a), comprámos um livro da Chicco com a mesma temática. Ontem, depois do ritual de leitura da história antes de dormir e ainda íamos a meio começo a ver a expressão dela a mudar, as lágrimas a encherem-lhe os olhos e nem mesmo o final "feliz" - onde a Poppy tem tempo para estar só com a mãe e fazer coisas com ela, sem os irmãos - a animou. Perdi alguns minutos a acalmar-lhe os medos e a dizer-lhe que ninguém ocupará o lugar dela, que a mãe vai precisar dela para a ajudar, que é e será sempre a 'princesinha' da mamã, mas isso não invalidou tudo o que se seguiu depois. Levantou-se a choramingar com "monstros" por duas vezes, a dizer que tinha 'pesadelos', depois necessitou de ir à casa de banho argumentando que lhe doía a barriga e no final chorou como se não houvesse amanhã. Tem sido assim de há uns dias para cá. Mal se deita, sonha com 'monstros' - quando nem 5 minutos passaram - levanta-se, abre a porta, arranja mil e uma desculpas para não se deitar, chora como se fosse a mais desgraçada das crianças. Hoje de manhã nova cena matinal com drama à mistura. Já li várias coisas na net sobre os medos e as reacções que as crianças podem sentir com a chegada de um irmão à dinâmica familiar, mas começo a sentir-me impotente perante este comportamento. Sinto que quanto mais tento ser compreensiva e demonstrar-lhe o contrário, mais drama faz para chamar (ainda mais) a atenção. 
Deverei dar assim tanta importância ao assunto ou deixar "rolar"? Às vezes acho que quanto mais converso com ela a explicar-lhe o contrário, pior faz e que com tanta protecção estou a criar uma 'prima dona' que à mínima dificuldade se refugia no choro como arma de chantagem.
Eu não tenho irmãos, sou filha única, por isso não sei o que é passar pelo processo, por isso alterno entre o medo de estar a ser injusta com a necessidade de ter de mudar de abordagem. Qual é a mais correcta é que ainda me provoca imensas dúvidas, mas já deu para ver que, neste momento, o maior monstro que atormenta a minha filha é a chegada do irmão.

segunda-feira, abril 19, 2010

agora aguenta coração

A minha filha passou, em 3 semanas, do estado de 'mãezite aguda, para o estado 'paizite in extremis'.
Os fins-de-semana deixaram de ser pacatos e tranquilos, harmoniosos e risonhos. Em vez disso, ela olha para mim e guincha. Só quer o pai. O pai que lhe dê banho, o pai que lhe dê de comer, o pai que a adormeça, o pai que brinque com ela.
Deixou de me dar beijos lambuzados e abracinhos apertados, de querer a minha presença, de ter manifestações de carinho da parte da mãe.
Renega-me, como que a dizer: 'traidora, mal te boto a vista em cima, agora aguenta'.
Eu?
Eu fico de coração despedaçado e roídinha de ciúmes.