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sexta-feira, abril 09, 2010

a vida como ela é

Penso em mil e uma coisas para escrever aqui durante o dia e depois falta-me sempre o tempo, a vontade, a disponibilidade, esqueço-me, enfim...
Quando abro esta página parece que a minha mente fica proporcional ao ecrã e, como tal, reflectora do mesmo, ou seja, branca!
Nada se me ocorre, nada de revelo, de interessante. Fico uma amorfa, uma pata-choca, uma banal.
O trabalho corre bem, mas é tanto, que nem tempo tenho para me coçar. A viagem à Escócia também já era. É o que dá cantar de galo em capoeira nova. Numa semana fiz mais propostas de comunicação do que em toda a minha vida de trabalho de agência até à data. Eu gosto, porque me dá calejo e aprendo uma série de coisas novas que antes me causavam muitos medos e inseguranças. Ainda causam, mas já começo a tratá-las por 'tu'.
Sou, oficialmente, account sénior e até já tenho uns cartõezinhos todos 'pipis' com o nome e contactos para dar aos clientes. Confesso, na minha mais pura vaidade profissional, que gosto do estatuto mas tenho medo, muito medo de falhar em tamanha responsabilidade. Sinto-me sempre pequenina e inexperiente, logo, acho sempre que tenho mais a aprender do que a fazer valer. Não devia de pensar assim, eu sei, principalmente quando já trabalho desde os 20 e vou a caminho dos 32, mas é-me inevitável. Se eu própria não me dou a devida consideração e crédito, quem o dará? Os outros? Já devia de saber por experiência própria que isso, não acontece. Principalmente se não tivermos os contactos certos. Podes ser uma besta, só fazer merda e ser uma nódoa, mas com os contactos certos, vais a todo o lado. O contrário é que já é mais difícil.
Volto a achar que, mais uma vez, falo mais do que aquilo que devo, isto apesar de a minha mãe me dizer para eu estar calada, para eu saber ouvir mais do que falar.
Não consigo. Sou uma parva.
Com a minha vontade em ser simpática e socialmente aceite num ambiente novo, abro a matraca demais e pumbas, sou um livro aberto, não escondo nada a ninguém - o que só reflecte cromice da minha parte. Isto, constato, não é ser boa pessoa, é ser burra!
Por aqui há grandes stresses - como em todas as agências - e as pessoas não são lá muito simpáticas, mas não há - até ver - faltas de respeito entre colegas, gritarias e afins. E isso, para mim, já é o paraíso.
A conjugação trabalho-família é complicada mas tem corrido bem. Todos os dias saio daqui a rondar as 7 da tarde, demoro 45 minutos a 1 hora a chegar a casa (por causa da porcaria do trânsito) e chego sempre às 20h00, ou depois disso. A Madalena fica histérica sempre que me vê e grita muito alto: 'Maaaaaamã, maaaaaaaaaamã', dá-me muitos beijos e abraços - é a melhor parte do meu dia - e a partir daqui é a contra-relógio, tudo é feito sob pressão e numa correria desenfreada; o banho dela, vestir-lhe o pijama, fazer o jantar, dar-lhe comer, escolher a roupa dela para o dia seguinte, deitá-la, tentar eu jantar, preparar a marmita para o dia seguinte, tomar banho (de manhã não tenho tempo), preparar a minha roupa (porque se de manhã me dá as indecisões nunca mais saio de casa), preparar a mochila dela para a creche, ver se há sopa dela suficiente para o dia seguinte, porque caso não haja, toca de a fazer - o mesmo acontece com o jantar do dia seguinte - enfim.... é o que eu digo, se não ficar magra que nem uma cadela, é porque não dá mesmo, porque passo horas e horas sem comer e a dar no duro!
Chego à cama estafada, mas deito-me sempre tarde porque o sono, esse, nunca vem antes da 1 da manhã e depois... bom, depois chego ao final da semana com uma cara de desenterrada e umas olheiras do tamanho de círculos lunares porque durmo, em média, 4 a 5 horas por noite. Desta forma faço-me velha depressa.
Mas tem tudo corrido bem e a minha mãe, às 5ªs e 6ªs, dá-me uma ajuda preciosa, vai buscar e pôr a Madalena à escola, limpa-me a casa, passa-me roupa a ferro, faz-me o jantar... tadinha, tem sido de uma preciosidade sem limites! O Carlos também tem se adaptado bem ao seu novo papel de 'pai mais activo' e todos os dias é ele que acorda a Madalena, a veste e a vai pôr à creche, o que dá origem a que a miúda, depois de um estado de 'mãezite aguda', agora tenha situações em que só quer o pai, colocando-me a mim de parte e deixando-me roída de ciúmes, mas pronto, que remédio tenho senão conformar-me. Claro que com tanta azáfama, o tempo para nós dois/três é cada vez menor, estamos todos em fase de adaptação a esta nova louca e esquizofrénica rotina, mas tem de ser. O tempo que passamos com ela depois do trabalho é mínimo e, entre nós dois, depois de a deitarmos, idem.
Claro que já sei que daqui a uns meses e a continuar a este ritmo - de acordar às 6h50 da manhã e a chegar a casa depois das 20h00, deitar-me às 24h00 e adormecer às 02h00 - irei blasfemar a minha triste sina, dizer que quero voltar a ser 'doméstica' e que não fui feita para isto, mas por enquanto, apesar de saber que afinal não esmoreci em termos de trabalho e que sempre consigo dar conta do recado, por enquanto, vou só aproveitar mais um bocadinho este ligeiro e decrépito estado de graça.
E hoje é sexta, são 15 da tarde e tenho o trabalho todo feito. Vou relaxar um bocadinho.

E aqui ficam algumas fotos da minha babe linda :)

Está tão crescida, tão senhora do seu nariz, tão desenvolta que, tenho dias, em que olho para ela e quase tenho vontade de chorar. São as hormonas e o sacana do SPM, eu sei, mas mesmo assim...

Snifff.

quinta-feira, março 11, 2010

maratona cinematográfica

4 dias sem a miúda e eis-nos sentados nas cadeiras das salas do El Corte Inglés (ai que saudades!!)como se não houvesse amanhã.
Entre muitos outros que ficaram por ver, estes foram alguns dos eleitos.


Alice in Wonderland, by Tim Burton

O tão desejado filme do ano chegou finalmente às salas de cinema e nós corremos que nem maluquinhos para vê-lo. Foi a nossa estreia em 3D (sim, porque o Avatar foi pirateado da net e visto em casa, logo, não houve cá 3D para ninguém). Descobrimos um fantástico mundo novo e ficámos maravilhados. Por mim, todo o cinema passadava a 3D. É fenomenal.
Quanto ao 'Alice', ADOREI. Adorei mesmo tudo, apesar de já tanta gente dizer mal do filme. Eu gostei e pronto! O estilo Tim Burton está lá e está sempre presente. A caracterização está genial, o guarda-roupa é soberbo e a interpretação da Helena Bonham Carter está magnífica. Nota 10.

It´s complicated

Eu, como vocês sabem, AMO a Meryl Streep. Por isso, este, estava destinado. E não desiludiu. Ri-me tanto, mas tanto, com certas cenas que chorei, confesso. Tem momentos verdadeiramente hilariantes. A Meryl continua igual a si mesma, parece que a conhecemos e que é uma amiga de longa data e, o Alec bBaldwin, foi uma agradável surpresa. A única coisa negativa foi ter o cinema cheio de pessoas com idade acima dos 50 anos que iam numa ânsia desesperada de se identificarem com os protagonistas, como se procurassem sinais de que o universo ou o tempo, lhes digam, que ainda vão a tempo de realizar sonhos perdidos ou de encontrar o amor, além de ter, atrás de mim, três solteironas/divorciadas que comentavam cada cena do filme ao pormenor e que me iam deixando à beira de um ataque de nervos: 'ai aquela cozinha é um sonho', 'e a horta dela?', 'é isso mesmo, bola para a frente', 'oh, que querido!' e por aí fora...


Valentines Day

Outro filme 'levezinho', porque nós somos fãs de comédias românticas e gostamos de coisas 'levezinhas', principalmente quando queremos ir ao cinema para descontrair ao fim de tanto tempo ausente. Que me perdoem os adeptos e fãs do King, do extinto Quarteto ou do cinema Londres, eu também gosto de documentários, filmes de produção independente e de baixo orçamento, sem nomes sonantes e com estrelas hollywoodescas à mistura, mas desta vez, desta vez não me apetecia.
Apetecia-me coisas assim, histórias 'levezinhas', engraçadinhas, que nos fazem sorrir e rir, que nos deixam 'levezinhos' e bem-dispostos e cujo o amor é o lema que comanda a vida.
Outro filme cheio de actores que dispensam apresentações e com histórias dentro da história, mesmo como eu gosto. Excelente para um sábado à noite depois de um jantar de sushi, que foi exactamente o que nós fizemos.

The Blind Side

Ainda não estreou nas salas de cinema nacionais, mas nós já o vimos. (em casa, pois claro!)
É comevedor, tocante e não deixa ninguém indiferente. A Sandra Bullock surpreendeu-me, está realmente muito bem, até no sotaque e, por isso, levou o óscar para casa. Mereceu-o, reconheço, até eu que estava a torcer pela Meryl - a eterna nomeada - fiquei contente por ela.
Uma história verídica sobre a vida, o amor ao próximo e a fé. A não perder.


Did you hear about the Morgans?

Outro filme 'levezinho', mas este tem a agravante de ser 'parvinho'. Não gostei, graças a Deus que o vi em casa e não paguei um tostão, que os bilhetes estão caros para caraças. A parelha romântica Sarah Jessica Parker/ Hugh Grant não convence. Sinceramente, nunca achei grande piada ao ar songa-monga do Hugh Grant, nem as suas interpretações dignas de grande registo, mas quando vi o trailer com a cena do urso, ri-me tanto que pensei que tinha mais para dar. Enganei-me.
Adormeci ao fim de 10 minutos - é o que dá ver 'cinema' refastelada na cama - e acordei a 10 minutos do fim. Não perdi nada portanto.


Em 'carteira' e à espera para ver, já prontinhos no disco externo cá de casa, estão: Precious, An Education e Up, altamente.
Ainda tentámos ir ver 'A Single Man', o primeiro filme de Tom Ford nas artes cinematográficas, com Colin Farrell e Julianne Moore (linda de morrer esta mulher!), mas já não conseguimos lugares. Fiquei desiludida, tinha imensa curiosidade e habilito-me a que não o consigamos sacar da net tão cedo, mas nada que não se resolva.

E pronto, como tudo o que é bom acaba, a nossa maratona cinematográfica chegou ao fim. 4 dias 'Madalena-free' e muitos filmes depois, voltámos a ter a nossa pequena fera em casa, porque as saudades já apertavam. Agora anda com 'mãezite aguda' e quer o meu colo para tudo, nem o pai quase tem ordem de lhe pegar. Não, ela quer é a mãe e só a mãe.

(mas eu confesso que até gosto!)

sábado, março 06, 2010

escape

Não fomos para o Porto e não nos cobraram a estadia desmarcada. Respirámos de alívio e agradecemos a 'sorte' que nos sorriu desta vez. Partimos de viagem para casa dos pais do C. com o carro carregado demais para apenas 3 dias. Não sabíamos muito bem quanto tempo ficávamos nem quanto tempo depois voltaríamos.
Ao contrário de todas as minhas queixas e lamúrias, confesso que até gostei. Não houve dramas nem comentários desagradáveis por parte da minha sogra. Ficaram tão felizes com a visita que eu fiquei feliz por vê-los assim, rejuvenescidos e agradecidos pela presença da neta.

A Madalena andou demais, queria ver tudo, correr tudo, explorar tudo. Mexeu em plantas e tocou em bichos, viu ovelhas e cabrinhas recém-nascidas e sujou-se a brincar, como todas as crianças se devem sujar quando são crianças, e eu vi e deixei e não me importei. Se não for agora que ela descobre momentos de pura felicidade em coisas tão simples, quando é que descobrirá?

Andou sempre muito carente de mãe e queria o meu colo até para adormecer. E lá a tomava eu nos braços, completamente rendida aqueles olhos e mãos que se esticam na minha direcção, porque ela está tão grande que não sei quanto mais tempo conseguirei tê-la ao meu colo, embalá-la nos meus braços, mexer-lhe nos caracóis e cheirá-la como se estivesse colada à minha cara. Tirámos muitas fotografias e fizemos passeios a três. Comemos demais a maior parte do tempo. Dormimos sestas e nunca consegui captar sinal de rede apesar de ter levado o computador, mas verdade seja dita, nem me importei assim tanto. Habituamo-nos a tanta coisa acessória na nossa vida que depois parece que já nem sabemos viver sem ela.

Não fomos a Paris, nem a Roma, nem ao Porto, mas estivemos juntos e com quem realmente nos ama, e isso sim, é o mais importante.

terça-feira, março 02, 2010

bad karma

Ando a definhar por sair daqui e ir para qualquer lugar, há dias, semanas, meses...
Ok, eu sei que estou em casa, o que aos olhos de muita gente pode ser sinónimo de 'férias permanentes', mas só eu sei o quanto estou a rebentar a paciência, a ansiedade e o stress com tamanha situação. Ando saturada destas paredes, farta do mar a perder de vista, da solidão dos meus dias, da gata com o cio e dos seus altos e constantes miados que não abrandam com o passar dos dias, do tempo triste e cinzento, das birras e guinchos da Madalena, de quase nunca ver/ter o meu marido e de encontrar na net, a minha mais triste e sórdida companhia.
Ando tão farta de tudo que me sinto a desaparecer, a eclipsar e com o cérebro a fazer 'tilte'.
Como isso é realmente notório e visível aos olhos de todos aqueles que me rodeiam (o que são poucos, diga-se), o meu marido lá achou por bem - para não dizer, 'foi obrigado' - a tirar uns míseros dias de férias - quando aquela alma tem, em horas extra de trabalho para tirar, o equivalente a 10 meses de férias! Sim, leram bem, 10 meses de férias!! - e lá se compadeceu com os meus insitentes pedidos de 'vamos fazer qualquer coisa, leva-me daqui para fora'.
Claro que teve de ser até à última e, na sexta-feira passada, eu ainda não fazia a mais triste ideia de que ele ficaria em casa esta semana, o que convenhamos, para marcar uma viagenzita, assim em cima do joelho, é para esquecer.
Ando a falar em Paris há uma eternidade, é certo, e nada me daria mais gozo neste momento do que passar uns 3 diazitos por lá, mas as viagens são caras, o tempo não ajuda e, mais uma vez, tudo em cima da hora não dá resultado. A juntar a isto temos a pressão dos meus sogros em quererem que passemos uns dias com eles - não podem saber que o filho tem uns dias de folga que pronto, já sei o que me espera - logo, a semana ficaria 'cortada' por essa deslocação e pernoita, o que ainda dificultava mais a decisão de: 'para onde ir', 'como ir', 'logística' e por fim, os euros dispendidos.
Depois de procuras na net em busca do voo-low-cost-perfeito-a-preço-mínimo, desistimos. Não existe. O Carlos, por aquilo que o conheço, não estava com muita vontade de ir para fora e se ia, era apenas para me fazer a vontade, o que perante o cenário, acabei por desistir.
Gostava muito de viajar sim, mas não vou roubar para o fazer, quando estou na situação em que estou e não me posso dar a esses luxos. Se encontrássemos um destino barato onde pudessemos fazer um turismo de pé de chinelo íamos na boa, mas assim, com pacotes a 400 euros cada, é para esquecer.
Decidimos então passar para Portugal e aí a fasquia aumentou. Já que não íamos para fora, ele achou que podíamos ficar num bom hotel, por umas 2 ou 3 noites, com spa incluído e proporcionar-me alguns momentos de relaxe/prazer, longe de tudo e de todos, só nós dois, sem filha atrás, sem berros e stresses, sem sopas e cócós e namorar como antes.
Depois de uma segunda-feira quase idílica, chegámos a casa resolutos a marcar o hotel e a preparar tudo para os próximos dias. Como era em Portugal, podíamos ir a casa dos meus sogros, passar lá 2 ou 3 dias, deixar depois a Madalena na casa dos meus pais e partir para a aventura sem o compromisso e as limitações de levarmos uma criança atrás.
Marcámos no Sheraton do Porto. Sim, é um verdadeiro luxo, foi uma maluqueira que nos deu e que quisemos fazer e eu já estava toda doidinha só de imaginar-me a dormir naquela cama king size que se vê nas imagens do site. Fizemos a reserva online, pagámos logo com o cartão e saímos de casa tranquilos e descansados em direcção à creche da Madalena para ir buscá-la.
Seriam 3 dias a partir de 5ª-feira só nossos e até lá estaríamos em família, dando oportunidade aos avós de ambas as partes, de usufruirem da sua companhia.
Só que eu devo ter mesmo um karma qualquer ou um olho gordo em cima daqueles bem poderosos, porque esta sensação de felicidade durou menos de duas horas. Quando chegámos novamente a casa eu lembrei-me de ir ao correio e de lá tirar uma série de contas. O Carlos começou a abrir uma a uma, entre elas a da Edp e de repente oiço o homem na cozinha a arfar e a praguejar. Chegou-nos a casa uma conta de 370€ da Edp! Ficámos mortificados.
370€?!?
Pois. 370€!
Resultado de acertos de Novembro, Dezembro, Janeiro e Fevereiro, depois de termos colocado os termoacumuladores por toda a casa (para quem não sabe, os termoacumuladores de calor, são uma espécie de aquecimento central, um serviço que a Edp agora disponibiliza e que em vez de serem a gás, funcionam por electricidade. Uma roubalheira, portanto...).
Ligámos logo para a companhia na esperança de que houvesse algum engano, mas não. É esta a contagem real. Lembrei-me, em seguida, na tentativa de amenizar a solução de nos estarem a ir à carteira e nós a vermos, de ligarmos para o Sheraton do Porto a desmarcar a reserva que tínhamos feito nem há duas horas. Não podemos estar a ir fazer vida de ricos quando não o somos, agravando a isso as gasolinas, as portagens, os jantares e almoços fora, os lanches e pequenos-almoços, mais uma ou outra extravagância que se comete sempre nestas alturas, quando temos uma conta de 370 euros para pagar até à próxima semana... como se não bastasse, hoje, pagámos os dois os seguros dos nossos carros... o que também foi outra bela quantia, assim como a creche da Madalena. Por isso, este belo mês de Março que agora começa e que conta com 31 dias, será para esquecer.
Mas a história não acaba aqui... é que ligámos para o Sheraton a avisar que não íamos e do outro lado disseram-nos: 'Sim senhora, será desmarcado, mas reaver o dinheiro é que não'.
O QUÊ?!
Disseram-nos que por termos feito a reserva online que o débito é automático e que será cobrado na sua totalidade, mas que amanhã nos dariam uma resposta definitiva.
Quer dizer, que nos cobrassem um terço do valor ou até mesmo metade por termos desmarcado eu ainda esperava, mas a totalidade?!? FODA-SE! Vão roubar para a estrada!
Escusado será dizer que estamos os dois na merda, literalmente.
Já não há férias, nem viagem a dois, nem idas da Madalena para casa dos meus pais, nem idas ao Porto. Nada.
A minha semana de férias, aquela pela qual eu ando há tanto tempo a desejar e que, muito provavelmente, serão os únicos dias passados a 2 ou a 3 antes de eu começar a trabalhar no que quer que seja e até que ele se decida/possa tirar férias novamente, será passada na bela companhia dos meus ricos sogros, enfiada numa aldeia que nem café tem, onde mal apanho sinal de net e cuja companhia corrente se resume a pessoas com idade superior a 60 anos.
Ainda nem começaram as minhas férias e eu já só tenho vontade que acabem.

domingo, novembro 22, 2009

go natural

Foi o que fizemos este fim-de-semana, em que fomos até à terra dos pais do Carlos. Já não íamos à aldeia há vários e longos meses. Não é que eu não goste de lá ir, antes pelo contrário, adoro a aldeia, as casas em pedra, a solidão do lugar, o verde estampado em cada recanto, a água que corre de fininho pelos inúmeros ribeiros e riachos que fogem até onde o destino os leva, mas devido às picardias com a mãe dele e ao stress que me provoca, as idas à aldeia reduzem-se às necessárias e pouco mais. Esta não foi excepção.
Confesso que se não fosse isso, não me importava nada de lá passar as férias, fins-de-semana, de levar os amigos, de passar temporadas. O ar que se respira é puro, limpo, cortante e fresco. O frio que se entranha no rosto é real. A serra fumega de manhã, em manchas brancas, como se fosse um enorme animal adormecido e à noite deixa-se invadir pelo manto negro que a cobre como um cobertor quente.
Gosto do campo no seu estado mais bruto, mais primitivo. Gosto desta aldeia que nem um café tem, onde as gentes conseguem ser tão afáveis quanto indelicadas, onde as mãos que nos servem possuem unhas sujas, sinal de trabalho, que não me causam repulsa. Gosto da pobreza de espírito e da nobreza de alma dos que aqui vivem, da generosidade com que nos recebem.
Gosto que a minha filha cresça rodeada por certos valores que também fizeram parte da minha infância e que ainda hoje recordo com saudade.
O meu avô paterno era apicultor. A minha avó era leiteira. Tenho raízes à terra, aos bichos, à dureza da vida no campo. Passei grande parte da minha infância a correr livremente, sem horas nem destinos, numa altura em que ser criança tinha tanto de liberdade como de inconsciente.
Foram momentos tão felizes e marcantes que hoje, olho para trás, e é-me impossível não pensar neles sem esboçar um sorriso.
E só espero que um dia, a Madalena, saiba dar valor à riqueza que tem na vida dela, por ter lugares como este, onde pode sempre voltar e rejugiar-se.