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quarta-feira, junho 17, 2015

quarto para dois

Já aqui falei da indecisão de juntar estes dois irmãos no mesmo quarto. Isto porque a diferença de idades entre eles será grande - cerca de 7 anos - e, à parte disso, junta-se a diferença de género. Ela rapariga do mais piroso que pode haver, adepta dos brilhos, do cor-de-rosa como cor favorita e das purpurinas, ele rapaz, recém-nascido, bebé. Mesmo sem sabermos o estilo ou os gostos pessoais que o irão caracterizar, a verdade é que as tonalidades decorativas não devem fugir muito aos cinzentos, azuis ou quanto muito, amarelos e verdes. 
Tenho visto algumas sugestões de partilha de quarto, beliches e ideias giras no Pinterest, mas acho que só resultam de verdade quando as diferenças de idade não são tão grandes ou quando os irmãos são ambos do mesmo sexo. A Madalena está com quase 7, começa a ter os seus próprios gostos definidos, tem imensa bonecada, anda na escola e adora estar sentada à secretária a escrever, a brincar às professoras ou simplesmente a ler e a desenhar. Custa-me, não vou negar, privá-la do seu canto, já de si reduzido, para que passe a partilhá-lo com um bebé, com ritmos diferentes dos dela.
O problema é que aqui em casa espaço é coisa que não abunda e a ideia de ter o Afonso ad eternum no nosso quarto não me agrada mesmo nada - com tudo o que isso implica na dinâmica e privacidade do casal - mas passá-lo para o quarto da Madalena implicaria, também, uma reestruturação do espaço dela ao extremo, além de investimento para novas mobílias e numa decoração equilibrada que resulte para ambos - o que é um enorme desafio.
Sinto-me dividida mas, até lá, vou vendo ideias e tentando ponderar os prós e os contras, se bem que acho sempre, quando vejo estas imagens apetitosas e bonitas no Pinterest, que isto só resulta mesmo na fotografia, porque uma casa "real e de verdade", com crianças que partilham o mesmo quarto, nunca é tão depurada e minimalista. Os miúdos têm sempre carradaaaaaaaassss de tralha, brinquedos, livros, jogos e afins e nunca - ou muito raramente, convençam-me do contrário - temos quartinhos tão perfeitinhos ou despojados. Mas que é giro ver, é!
Aqui ficam algumas sugestões.







sexta-feira, julho 23, 2010

Baby Breath

AMO Gipsófila e gosto ainda mais do seu nome em inglês: Baby Breath. Acho aqueles pequenos botões brancos o expoente máximo de 'less is more' e, apesar de ser muito utilizada em ramos de noiva, decoração de casamento e igrejas, não é aí que gosto de a ver. Gosto de a ver assim, em casa, a decorar pequenos espaços, como que tornando-os cantos imaculados de puro bom gosto.
No fim-de-semana passado, quando fui ao mercado cá da vila, dei de caras com baldes de gipsófila na senhora onde geralmente compro flores.
Não resisti. Trouxe um enorme ramo para casa.

adorava morar numa antiga fábrica

Quando morava em Lisboa, num velho prédio de traça tipicamente Estado Novo, com uma fachada meio devoluta por fora, mas com a minha casa completamente remodelada por dentro, com pormenores giríssimos e absolutamente fantásticos, adorava o chão em madeira antiga. Claro que rangia por todos os lados, a vizinha de baixo - uma velha habituada a não ter inquilinos durante anos a fio - reclamava constantemente connosco e, acima de tudo, com os meus saltos logo pela manhã. Chegou a vir bater-nos à porta um par de vezes, uma deles às tantas da madrugada, mas nunca lhe fizemos grande caso. O nosso chão, em tábua corrida e envernizada, mas pouco insonorizado, era um dos ex-libris daquela casa.
Claro que tinha desvantagens, como estremecer à nossa passagem, mas tudo o que era colocado naquela sala, ganhava uma outra aura. Dáva prazer misturar móveis de linhas modernas com coisas antigas, fazer misturas e pensar que aquele pequeno T1 duplex, tinha potencial suficiente para aparecer nas revistas de decoração.
Não vou negar, no entanto, que quando saí de Lisboa, estava farta de não ter espaço, do prédio não ter uma fachada toda arranjadinha e pintada ou, tão somente, de o quintal enorme que possuía nas traseiras e que estava transformado numa pequena selva, não estar arranjado de forma a desfrutarmos dele como merecia. Também me chateava não ter varandas, ou de o bairro e os passeios estarem sempre cheios de lixo ou cócó de cão no chão, de ser um caos para arranjar sítio para estacionar à noite e de os inquilinos do prédio não estarem nem aí para se formar um condomínio que visasse os interesses de todos, mas gostava da zona ser calma e sossegada, de ter uma creche e o centro de saúde mesmo em frente à porta, de poder ver o rio da minha janela e de estar em Lisboa.
Tudo isto para dizer que sempre gostei de casas antigas com enorme potencial de recuperação. E quem diz casas diz pavilhões, diz velhas fábricas com paredes forradas a tijolo pequenino (que eu simplesmente AMO), diz espaços amplos que se podem transformar em lofts. Sempre que passo na avenida que vai para a Expo junto à zona portuária, reparo que existem uma série de pavilhões abandonados com estas características. O Carlos diz sempre que adoraria morar ali, mesmo que seja numa zona onde não abundam prédios chiques nem vizinhança requintada, nem facilidade de transportes, nem bairros com espaços verdes. Mas aquelas paredes, aqueles tectos altos, aqueles janelões, fazem-me lembrar os andares nova iorquinos que se vêem nos filmes (sim, porque eu nunca fui a Nova Iorque para constatar esta minha panca pessoalmente e ver se, é mesmo verdade aquilo que vejo nos filmes, de que existem casas assim!)
Ora, a minha casa de Lisboa, que ainda não conseguimos vender mas que alugámos, vai estar novamente vazia a partir de finais de Agosto. Os inquilinos - um rapaz acabado de se divorciar e a sua nova respectiva - não querem renovar o contrato, algo que me faz pensar que, se calhar, este novo amor 'já era' e cada um vai à sua vidinha. (pequeno aparte de cusquisse feminina: a casa ficava próxima do emprego da nova moça, logo, das duas uma: ou chatearam-se e ele fartou-se de a sustentar, ou também desgostaram do apartamento por todas as razões que eu aqui já inumerei.)
Seja como for, voltarmos para Lisboa, pelo menos para aquela casa, está fora de questão. Já era demasiado pequena para dois gatos pingados, então agora com miss Madalena e toda a sua quantidade brutal de brinquedos e acessórios adjacentes a quem tem crianças pequenas, é mesmo impensável. Claro que há pessoas que têm filhos e vivem em espaços mais pequenos com os mesmos, mas eu sou a 'raínha da tralha', só em roupa e sapatos encho vários armários, além de não ser minimamente despojada. Eu guardo tudo, tudo me traz recordações, tudo é importante, tudo se pode voltar a usar - mesmo que fique esquecido e refundido nos armários anos a fio - e é por isso que, até a nossa casa actual, que sempre me pareceu um casarão, já me começa a sufocar.
Não me importava nada, nada, nada, era de fazer com a Miss Carrie Bradshaw, que tem o privilégio de continuar a manter o seu antigo apartamento de solteira apenas para escrever e quando quer ter 'uma folga' do casamento alguns dias por semana, isolar-se do mundo, ter tempo só para si e/ou para as amigas. Isso é que era!
Claro que nunca estaria decorado com tão bom gosto como o dela, até porque está vazio, sem uma pequena presença de conforto, mas bastáva-me um colchãozinho no chão, o meu portátil e uns quantos cigarros, para sempre que sentisse saudades de Lisboa e dos ares da capital, colocar a chave na porta e estar em casa outra vez.









Fotos iniciais retiradas deste site. (Que é pura e simplesmente LINDO! Ideal para apaixonadas por design e decoração, perderem simplesmente a cabeça!)


sábado, novembro 14, 2009

eu quero um sítio só para mim!

A minha mais recente demanda doméstica é conseguir ter uma escrivaninha. Pronto, algo tão simples de realizar como 'ir-ao-ikea-e-trazer-de-lá-uma-palete-com-uma-escrivaninha-maravilhosa-em-mil-peças-que-o-gajo-depois-irá-montar' e que me permita ter o meu usado, mas único portátil, num sítio digno para o mesmo. É simples, de facto, mas claro que comigo tem de ser difícil.

Primeiro porque o meu portátil, por ser, tal como o nome indica, um portátil, pode ser levado para todo o lado, logo, não 'precisa' necessariamente de um sítio onde marcar território. É assim comum ver-me a escrever no meu portátil nos mais variados sítios desta casa: no sofá, na cama, na mesa de jantar, na mesa da cozinha enquanto espero que a panela de pressão acabe de guisar a carne de vaca, até no quarto da miúda eu já escrevi posts e consultei a net, mas confesso que esta 'promiscuidade' de locais não me agrada nem um bocadinho.

Eu, apesar de não parecer, tenho coisas em que sou a atirar assim para o 'tradicional' e confesso que gostava MUITO de ter um sítio, um canto, uma mesa, enfim... uma ESCRIVANINHA, onde pudesse concentrar-me como deve ser, sentar-me e dedicar-me à escrita, ter, quem sabe, uma moldura ou outra a embelezar o sítio, uma jarra com crisântemos ou gerberas, algo assim bonito, algo feminino, algo recatado, algo assim:


Pronto, era um sonho, mas neste momento é um bocadinho difícil de realizar, porque não tenho nem espaço onde enfiar uma escrivaninha, nem este tipo de mobília fica bem com a decoração da maison da madamme. Claro que o gajo não tem uma escrivaninha. Escrivaninha não é coisa de 'gajo', é coisa de 'menina', com gavetinhas minúsculas, toda cheia de 'rocócós' e ainda por cima branca. Não, gajo que é gajo tem uma secretária imensa cheia de tralhas que são só dele; filmes sacados da net, toneladas de cd´s, todo o tipo de carregadores (do telemóvel, da plasystaton, disto e daquilo), clips, fita-cola, até o Mr. Invencible lá está, porque ele não tem um portátil nem um PC, não, ele e tal como todo o gajo que é gajo e designer gráfico, tem um Mac, 'fixo', logo, o nosso 'pseudo-escritório' é todo dele. Não há cá jarras com flores bonitas nem molduras com momentos felizes para ninguém. Há bolas da Nike e muita tecnologia.


Sendo assim, resta-me sonhar que um dia, ainda morarei numa casa onde tenha um recanto só meu, cheio de luz, com tecidos e flores de cores vibrantes, como rosas, lilazes e verdes e onde a minha escrivaninha será branca imaculada, com gavetinhas minúsculas mas românticas, cheia de rocócós mas elegante e nela estará, sereno e no seu trono, o meu já velho mas resistente portátil.