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quarta-feira, dezembro 16, 2009

encontros com o passado

Ontem, enquanto fazia compras de Natal no Toys R´Us, e quando estava na caixa, eis que me deparo com a minha ex-patroa. A directora da agência onde trabalhei, que se encontrava na caixa ao lado, já a pagar e de repente, se virou para trás e dá de caras comigo. Sorriu muito e disse-me 'Olá Mafalda', cmo se tivesse tido um prazer sentido em ver-me, como se até fosse uma pessoa simpática e preocupada. Eu também sorri, embora amareladamente e perguntei: 'está tudo bem?', como mandam as leis e os protocolos da boa educação.
Não esboçei mais nenhum sorriso, não tentei fazer conversa, não perguntei como vão as coisas.
Não me apetece falar da minha filha a quem nunca sequer, teve a decência de me ligar a dizer que não me iam renovar o contrato, quando foi ela que assinou a folha. Não me apetece dar justificações da minha vida, se já estou ou não a trabalhar, a quem só o quer saber para seu próprio conforto pessoal, tendo a satisfação de confirmar que continuo na merda. Não me apetece ser cínica ou mentirosa e fingir que está tudo bem quando não está. Não me apetece saber se a outra já pariu o Sebastião, se têm mais clientes, se houve aumentos ou se as intrigas continuam na ordem do dia.
Não me apetece nada, por isso nem me mexi. Fiquei ali, na caixa, ao lado do meu marido, enquanto ela empatava na caixa ao lado a ver se à saída ainda nos cruzávamos.
Felizmente não aconteceu.
Isto de estar tanto tempo em casa, sozinha, enclausurada e fechada na minha própria concha, faz-me ter cada vez menos paciência para os outros, principalmente para quem não merece.
O que era o caso.

sexta-feira, novembro 13, 2009

grey skies over my head

Hoje, não sei se derivado do final do curso se aproximar a passos largos, se da altura do mês (por me estar a aparecer a menstruação à porta), estive o dia todo, mas mesmo tooodddooooo a sentir um vazio no peito e uma tristeza que geralmente se instala sempre por esta altura do ano e com o aproximar do Natal.
Tive de passar o dia todo em Lisboa, de manhã curso, à tarde, mais curso. Tudo porque faltei na terça-feira (por ter a Madalena doente) e hoje tive de compensar, caso contrário, chumbo. Ali é assim, não há cá faltas para ninguém.
Dada a proximidade geográfica da escola ao El Corte Inglés, tive a infeliz ideia de ir para lá passear - e tentar almoçar - entre o final do curso da manhã e o começo do da tarde. Não sou grande fã do El Corte, confesso. Além de caríssimo, acho-o elitista e basta uma pequena incursão por lá para constatarmos isso. Mas hoje, hoje ao passear por ali, só me apetecia chorar. Olhava a secção da cosmética e perfumaria e lembráva-me de quando era editora e ia às apresentações das marcas de beleza e recebia toneladas (sim, toneladas) de presentes diários... à redacção chegavam todo o tipo de coisas: os lançamentos dos últimos perfumes, as maquilhagens da estação, os convites mais inesperados. Para além de adorar o que fazia, tinha ainda esta mais valia, o de ser mimada até à exaustão e hoje, que estou no lado oposto, no fundo, mas no fundo do poço, em que nem uma perspectiva ou hipotética perspectiva de trabalho tenho a acenar-me ao longe... bom, só me apetecia chorar.
Não é um chorar tipo menina mimada: 'Ai eu tinha tantos presentes e agora não tenho'. Não, nada disso. É um 'chorar' porque hoje, olho para trás e lembro-me de como controlava um projecto que era quase todo meu, onde eu me sentia activa e integrada numa empresa onde, apesar de as coisas não serem um mar de rosas, eu até gostava do que fazia. É o sentir saudades de todos os dias ter aquela rotina estúpida de que tantas vezes me queixei. Do ter de me levantar cedo, de sair do quente da cama, de enfrentar o frio e o trânsito se assim tiver de ser, o de ouvir baboseiras e coisas estúpidas de pessoas não menos parvas todo o santo dia.
Sim, até disso tenho saudades.
Porque quando se está há mais de um ano em casa, os primeiros meses são muito bons, mas depois, depois começa a instalar-se um vazio que não nos larga. E eu, apesar de ser um bocadinho para o pessimista, acho que até tenho encarado tudo muito bem, não me tenho ido abaixo, sempre a mentalizar-me de que 'as coisas acontecem quando têm de acontecer' e outras frases feitas que me servem de consolo.
Mas no fundo, no fundo, hoje, senti que nada disso é verdade. Senti-me e sinto-me abandonada. Sem sorte. Azarada.
Assim como o dia. Triste e cinzenta.