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terça-feira, junho 16, 2015

Porque sou uma mulher de fé

Sabem aquela sensação de medo e misto de friozinho na barriga e nó no estômago quando damos um salto de fé (e sem para-quedas)? Pois, hoje foi o dia! Aiiiii!
Esta sensação é muito boa porque nos faz sentir vivos, sentimos que a vida avança, que corremos riscos, que saímos da nossa zona de conforto, mas ao mesmo tempo faz-nos ter medo de estarmos a dar o salto maior que a perna, faz-nos saber que podemos cair e não temos rede nem cama que nos agarre e nos segure. Faz-nos acreditar, porque só a fé, ou aquele sentimento inexplicável de que no final vai correr tudo bem e ao qual nos agarramos é a nossa força e mola impulsionadora.
Neste momento agarro-me a esse sentimento, a essa fé, a essa energia do universo com todas as minhas forças. Como já me agarrei anteriormente, como acreditei ou quis acreditar, mesmo com adversidades pelo meio - que o processo nunca é fácil - mas no final, compensa tudo. No final, quando nos damos conta do caminho percorrido, do esforço feito e do resultado alcançado, não há nada que pague a caminhada. Foi fruto do nosso trabalho, da nossa perseverança, da nossa obstinação. Porque até posso ser uma pessoa mais pessimista que positiva - que tenho noção que sou - que analisa e pensa demasiado - cujo cérebro nunca descansa, que pensa em mil e uma coisas e mil e um "ses", mas quando meto alguma coisa na cabeça ou quando estou em modo "let's do this", não há nada que me agarre ou pare. E, até agora, o universo não me tem falhado, mesmo que o processo em si nunca seja fácil. Que nunca é, acreditem, mas também acho que é isso que me faz crescer, que me faz evoluir, que me faz agradecer e ter consciência que há sinais que não devemos deixar de prestar atenção e que há um tempo, uma ordem para tudo, apenas temos de saber aceitar.
Por isso, mais uma  vez, eu vou acreditar até ao fim. Porque sou uma mulher de fé.

domingo, abril 18, 2010

dúvidas

eu sei que vou parecer uma ingrata ao dizer isto, mas a verdade é que ao fim de 3 semanas a trabalhar, já vi que dali não pode vir coisa boa. Parece que ando a ter flasbacks do meu anterior emprego e, já constatei, que ali, não aqueço lugar. Para começar, já me enganaram em relação ao valor acordado de ordenado - uma longa história que nem vou aqui contar porque nem merece a pena - fora o ambiente, as coisas que me apercebo e as que vou ouvindo. Eu sempre soube que aquela casa era uma casa de doidos e, mesmo assim, fui lá parar. Se isto não é karma, sinceramente, não sei o que é.
Até dia 29 estou à experiência e, ambas as partes, podem rescindir contrato sem qualquer penalização. Acreditem, estou quase tentada a vir para casa, se não o fizer é mesmo por vergonha de dar parte fraca, é admitir que já não me enquadro, é passar a mim mesma uma atestado de derrotada.
Vamos ver o que esta semana me reserva.

sexta-feira, abril 09, 2010

a vida como ela é

Penso em mil e uma coisas para escrever aqui durante o dia e depois falta-me sempre o tempo, a vontade, a disponibilidade, esqueço-me, enfim...
Quando abro esta página parece que a minha mente fica proporcional ao ecrã e, como tal, reflectora do mesmo, ou seja, branca!
Nada se me ocorre, nada de revelo, de interessante. Fico uma amorfa, uma pata-choca, uma banal.
O trabalho corre bem, mas é tanto, que nem tempo tenho para me coçar. A viagem à Escócia também já era. É o que dá cantar de galo em capoeira nova. Numa semana fiz mais propostas de comunicação do que em toda a minha vida de trabalho de agência até à data. Eu gosto, porque me dá calejo e aprendo uma série de coisas novas que antes me causavam muitos medos e inseguranças. Ainda causam, mas já começo a tratá-las por 'tu'.
Sou, oficialmente, account sénior e até já tenho uns cartõezinhos todos 'pipis' com o nome e contactos para dar aos clientes. Confesso, na minha mais pura vaidade profissional, que gosto do estatuto mas tenho medo, muito medo de falhar em tamanha responsabilidade. Sinto-me sempre pequenina e inexperiente, logo, acho sempre que tenho mais a aprender do que a fazer valer. Não devia de pensar assim, eu sei, principalmente quando já trabalho desde os 20 e vou a caminho dos 32, mas é-me inevitável. Se eu própria não me dou a devida consideração e crédito, quem o dará? Os outros? Já devia de saber por experiência própria que isso, não acontece. Principalmente se não tivermos os contactos certos. Podes ser uma besta, só fazer merda e ser uma nódoa, mas com os contactos certos, vais a todo o lado. O contrário é que já é mais difícil.
Volto a achar que, mais uma vez, falo mais do que aquilo que devo, isto apesar de a minha mãe me dizer para eu estar calada, para eu saber ouvir mais do que falar.
Não consigo. Sou uma parva.
Com a minha vontade em ser simpática e socialmente aceite num ambiente novo, abro a matraca demais e pumbas, sou um livro aberto, não escondo nada a ninguém - o que só reflecte cromice da minha parte. Isto, constato, não é ser boa pessoa, é ser burra!
Por aqui há grandes stresses - como em todas as agências - e as pessoas não são lá muito simpáticas, mas não há - até ver - faltas de respeito entre colegas, gritarias e afins. E isso, para mim, já é o paraíso.
A conjugação trabalho-família é complicada mas tem corrido bem. Todos os dias saio daqui a rondar as 7 da tarde, demoro 45 minutos a 1 hora a chegar a casa (por causa da porcaria do trânsito) e chego sempre às 20h00, ou depois disso. A Madalena fica histérica sempre que me vê e grita muito alto: 'Maaaaaamã, maaaaaaaaaamã', dá-me muitos beijos e abraços - é a melhor parte do meu dia - e a partir daqui é a contra-relógio, tudo é feito sob pressão e numa correria desenfreada; o banho dela, vestir-lhe o pijama, fazer o jantar, dar-lhe comer, escolher a roupa dela para o dia seguinte, deitá-la, tentar eu jantar, preparar a marmita para o dia seguinte, tomar banho (de manhã não tenho tempo), preparar a minha roupa (porque se de manhã me dá as indecisões nunca mais saio de casa), preparar a mochila dela para a creche, ver se há sopa dela suficiente para o dia seguinte, porque caso não haja, toca de a fazer - o mesmo acontece com o jantar do dia seguinte - enfim.... é o que eu digo, se não ficar magra que nem uma cadela, é porque não dá mesmo, porque passo horas e horas sem comer e a dar no duro!
Chego à cama estafada, mas deito-me sempre tarde porque o sono, esse, nunca vem antes da 1 da manhã e depois... bom, depois chego ao final da semana com uma cara de desenterrada e umas olheiras do tamanho de círculos lunares porque durmo, em média, 4 a 5 horas por noite. Desta forma faço-me velha depressa.
Mas tem tudo corrido bem e a minha mãe, às 5ªs e 6ªs, dá-me uma ajuda preciosa, vai buscar e pôr a Madalena à escola, limpa-me a casa, passa-me roupa a ferro, faz-me o jantar... tadinha, tem sido de uma preciosidade sem limites! O Carlos também tem se adaptado bem ao seu novo papel de 'pai mais activo' e todos os dias é ele que acorda a Madalena, a veste e a vai pôr à creche, o que dá origem a que a miúda, depois de um estado de 'mãezite aguda', agora tenha situações em que só quer o pai, colocando-me a mim de parte e deixando-me roída de ciúmes, mas pronto, que remédio tenho senão conformar-me. Claro que com tanta azáfama, o tempo para nós dois/três é cada vez menor, estamos todos em fase de adaptação a esta nova louca e esquizofrénica rotina, mas tem de ser. O tempo que passamos com ela depois do trabalho é mínimo e, entre nós dois, depois de a deitarmos, idem.
Claro que já sei que daqui a uns meses e a continuar a este ritmo - de acordar às 6h50 da manhã e a chegar a casa depois das 20h00, deitar-me às 24h00 e adormecer às 02h00 - irei blasfemar a minha triste sina, dizer que quero voltar a ser 'doméstica' e que não fui feita para isto, mas por enquanto, apesar de saber que afinal não esmoreci em termos de trabalho e que sempre consigo dar conta do recado, por enquanto, vou só aproveitar mais um bocadinho este ligeiro e decrépito estado de graça.
E hoje é sexta, são 15 da tarde e tenho o trabalho todo feito. Vou relaxar um bocadinho.

E aqui ficam algumas fotos da minha babe linda :)

Está tão crescida, tão senhora do seu nariz, tão desenvolta que, tenho dias, em que olho para ela e quase tenho vontade de chorar. São as hormonas e o sacana do SPM, eu sei, mas mesmo assim...

Snifff.

segunda-feira, março 29, 2010

return

O vestido está passado e colocado de forma impecável nas costas da cadeira. A seu lado, o casaco que lhe irá fazer companhia, o cinto que lhe cercará a cintura e todos esperam, sem excepção, a hora que caminha a passos largos para o seu manifesto.
Na mesa da cozinha repousa um saco de papel. Lá dentro, um pacote de bolachas, duas maçãs, uma garrafa de água, dois cadernos - um deles novinho em folha - um livro e um chapeú de chuva, só para os imprevistos. Tomou-se banho pela noite, para evitar as correrias típicas da manhã, pelo menos enquanto as horas não se tornam companheiras fiáveis do tempo que nos roubam. Secou-se os cabelos e arranjou-se as sobrancelhas, pintaram-se as unhas de vermelho carmim. Perfumou-se o corpo de cremes suaves e procurou-se no rosto sinais de cansaço passível de críticas. Dentro da mala colocam-se, carteiras, escova de cabelo, chaves, agenda, toalhetes perfumados, creme de mãos, ipod... Nada foi deixado ao acaso, tudo foi pensado ao pormenor.
No tempo que resta fazem-se planos, suposições, aspira-se a algo melhor, mas também se tem medo e dúvidas e ansiedade. E rodeamo-nos de coisas e frases que gostamos de acreditar serem feitas de sentido e apropriadas à ocasião, quando, na verdade, não são mais do que clichés utilizados por todos ao longo dos anos e nas mais variadas situações. Não importa. Sabem bem. Confortam a alma e ajudam o espírito a ultrapassar mais esta prova.
O sono tarda e não chega, mas os olhos pesam e reclamam descanso. É tarde e apenas 5 horas me separam do momento em que desta cama me levantarei em rumo a um novo dia, a uma (suposta) vida.
Ao fim de 22 meses em casa, eis que chega o meu momento de partir. O momento de retornar a mim, mesmo que daqui a umas semanas já me queixe do rumo que tanto desejei e que tardava em chegar. É típico, por isso, não estranhem se vier para aqui praguejar que a chefe é estúpida, que os colegas são antipáticos, que tenho sono, que moro longe, que apanho muito trânsito de manhã, que os clientes são umas bestas.
Sei bem como funciona este meu espírito inquieto. Mas, seja como for, já estava na hora de voltar a fazê-lo.
Desejem-me sorte. *

quarta-feira, novembro 25, 2009

e tudo o que é bom, acaba!

E pronto, mais uma etapa concluída na minha vida. A formação que andei a fazer durante 45 dias, terminou.
Hoje já não tive de enfrentar o trânsito da manhã, nem de ouvir a crónica do Nuno Markl na Rádio Comercial, nem de procurar lugar e gastar 4€ em parquímetros diariamente, nem de começar a rir-me que nem uma perdida logo às 10h00, altura em que as aulas começavam e em que a nossa turma (que ficou carinhosamente apelidada de 'Galhofas'....) se reunia e começava a disparar e a dizer baboseiras que nem uns doidos.
Não fiz nada disso, porque ontem, foi o último dia de curso e hoje já fiquei por casa, resignando-me à minha condição de mãe e de desempregada.
Ontem tivemos direito a almoço e jantar de grupo. Fui portanto, sozinha para a borga, deixando marido e filha em casa. Ri-me muito, aliás, chorei de tanto rir, tirámos fotos que ficaram, a maior parte, todas desfocadas, bebemos sangria, comemos pouco (e mal) e fumámos que nem uns desalmados. Oferecemos flores e postalinhos às formadoras e tivemos direito a um powerpoint das mesmas, projectado em sala, onde falaram de cada formando e das suas características. De mim, disseram-me que sou meiga e transparente, entre outras coisas bonitas que agora não me lembro... Fiquei sensibilizada, confesso.
No ar ficaram as promessas de mais encontros, mais jantares ou almoços, de trocas de emails e visitas, mas, como já sei que com o tempo cada qual segue a sua vida e a disponibilidade começa a ser pouca ou nenhuma, limito-me apenas a pensar que foram 45 dias bons, rodeados por muita energia positiva e onde 12 pessoas, sem se conhecerem de lado nenhum, com gostos e estilos de vida completamente diferentes, conseguiram dar-se, revelar-se, entender-se, rir e brincar em conjunto, criando algo que certamente, ficará no coração de todos.
Não tenho dúvidas.