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terça-feira, janeiro 12, 2010

A inveja...


...é uma coisa muito feia, eu sei, mas hoje, hoje eu fiquei verdinha dela!

De manhã, enquando lia o 'i', dei de caras com um artigo que falava das 'Tralhas da vida', nada mais, nada menos, do que o primeiro livro editado a partir de relatos publicados no facebook.

Pronto, só tive vontade de cuspir na foto da gaja, confesso, pela sorte que teve, por nem ser uma coisa que tinha em mente fazer, por a ideia de compilar as crónicas que escrevia em livro lhe ter sido sugerida assim como quem não quer a coisa por um amigo, por ter 'por acaso', uma editora que a lia, lhe achava piada e que se atreveu a fazer-lhe o convite para publicação... o resto já vocês sabem (ou podem imaginar).

Fico fula com estas histórias felizes, estas 'casualidades' da vida. Ando eu há tanto tempo a enviar um projecto semelhante para todo o tipo de editoras e mais algumas e só me aparece é merda. Merda, merda, merda.

E depois há outros, que como por magia, nascem com o cu virado para a lua e tudo lhes vem cair no colo.


Porque é que este tipo de coisas não me acontecem a mim?
É karma? É castigo? É azar puro e duro? É por eu ser má pessoa e o universo conspirar contra mim? É falta de oportunidade? É o quê? Humm?
Fuck :(

quinta-feira, dezembro 17, 2009

...

Hoje fui até à estação dos CTT, em Mafra, perguntar se faziam parte da campanha 'Natal Solitário' para poder ajudar meninos carenciados enviando-lhes algo que eles tenham pedido ao Pai Natal. Fiquei a saber da iniciativa através do blogue da Helena e achei o gesto tão bonito que quis participar, mas logo por azar, aqui na minha zona, nenhuma estação dos CTT aderiu. :(
Fiquei mesmo triste, queria fazer algo por quem não tem Natal, principalmente pelas crianças, porque agora que tenho uma filha, percebo mais do que nunca, como deve ser triste o Natal de todos os meninos que não têm pais, que estão em orfanatos, em instituições de caridade, que não têm brinquedos, que nada recebem. E se soubesse que tinha feito uma criança feliz, acreditem, para mim, só isso já tinha valido a pena. Fiquei a saber que a estação dos CTT mais próxima que aderiu à campanha é a de Sintra. Ainda sou gaja para dar lá um salto e participar.
Hoje também tive outro sonho 'daqueles'. Desta vez não meteu água por assim dizer. Meteu... Anjos!
Fiquei de tal maneira impressionada com o sonho que quando acordei, tinha a imagem muito nítida na minha mente. Foi a primeira vez que sonhei com seres 'celestiais' por assim dizer, o que é algo inédito para mim... e não era apenas um anjo, eram muitos e tinham umas asas enormes, gigantescas e eram muito altos, muito grandes e imponentes.
Então decidi vir à net ver o que significava sonhar com anjos e encontrei isto:

'ANJO
Em qualquer situação- realizações em todos aspectos; todo o mal está sendo afastado de sua vida; na sua vida conjugal tudo ficará "azul". Boas notícias em breve. Sonhar com anjos ou outros seres celestiais é um dos melhores sonhos que se pode ter. Significam o fim de todos os problemas que nos atormentam. Em sentido espiritual, o sonho reflete nossa entrega ao Supremo. Se os anjos estão tristes, ameaçadores ou furiosos, a mudança será negativa e no sentido espiritual refletem os nossos temores e incertezas.'


Ora bem, acontece que os meus anjos eram negros (!!) e tinham um aspecto tipo Dementors, aqueles seres maléficos dos livros do Harry Potter... mas acho que também havia um anjo dourado (que devia de ser o 'anjo gay', aquele que gosta de dar nas vistas, o fashion victim, ou então, a ovelha 'negra' do rebanho). Ai que ainda sou excomungada por tanta parvoeira que me sai da boca para fora.
Ando toda torradinha desta cabeça, é o que é!

domingo, dezembro 13, 2009

turbulência

É raro lembrar-me dos sonhos. Quando isso acontece, geralmente, é porque, ou acordei a meio de um e a imagem viva do sonho permaneceu, ou o sonho em si tinha algum elemento forte que me transtornou ao acordar e me fica na cabeça o dia todo a matutar.
Tive uma altura em que sonhava constantemente com desastres de avião. Sonhava com aviões que chocávam contra montanhas, aviões que caíam quando iam a levantar voo, aviões que explodiam, e por aí fora... acho que foi a minha fase '11 de Setembro' e ainda hoje, sempre que vejo um avião a descolar, tenho aquele fascínio macabro que me remete automaticamente para os sonhos, como se estivesse na eminência de uma desgraça.
Também me é muito comum sonhar com água. Águas tempestivas, águas turbulentas, águas agitadas, tal é a revolução que normalmente vai cá dentro. Já pesquisei várias vezes sobre o assunto e quase todas remetem para o mesmo: 'turbulência', 'stress', 'ansiedade' e demais coisas negativas por aí fora...

Ontem e hoje não foi excepção.

Ontem sonhei com uma onda gigante que veio, sem darmos conta, enquanto estávamos numa esplanada e 'varreu' tudo numa questão de segundos. Apesar do drama, consegui salvar-me, eu e ele, porque só nós dois é que estávamos presentes no sonho. E não escapámos apenas de uma onda, mas sim de duas e tentávamos que nem loucos subir a uma falésia alta. Alta o suficiente para não sermos colhidos pela onda. Lá conseguimos. Falei-lhe no sonho e ele riu-se. Tenho um marido que adora a temática 'catástrofes naturais', por isso, tudo o que são documentários e blockbusters sobre o assunto, ele 'está lá', se possível, sentado na primeira fila... daí ter achado piada e se ter rido. Já eu, não gostei nada daquela sensação de lutar pela vida e andei o dia todo a lembrar-me do momento em que aquela parede de água cresceu na minha direcção e eu me senti impotente e pequenina perante o desenrolar dos acontecimentos.
Hoje, bom... hoje sonhei que tinha de atravessar uma ponte de madeira sobre ondas do mar. Não sei de onde vinha, nem o que estava ali a fazer, mas lá estava eu, como se da praia viesse, de havaianas nos pés e saco à tiracole, a atravessar um mar imenso, bravio e tumultoso, sobre uma ponte de madeira, como aqueles passadiços que existem nas praias e que nos levam sobre o areal.
Desta vez ele não estava comigo. Eu estava com uma amiga (que nunca vi, nem mais gorda nem mais magra e que nem a cara ou feições, consigo recordar), mas ali estávamos as duas, quando vimos, ao longe, o desabamento de uma parte da falésia que estava junto à costa que provocou outra mega onda... e nós ali, na ponte, no meio do mar, a ver todo aquele cenário a vir ao nosso encontro...
Não sei como acabou este sonho. Não me lembro do final, não sei se acordei entretanto, não sei se me salvei. Só sei, que quando sonho com águas turbulentas é porque algo no meu intímo não anda bem.

Ou isso, ou o filme 2012 deixou-me muito impressionada.

domingo, novembro 15, 2009

Uma questão de carolice


À muito tempo que tenho o 'sonho' de editar um livro. Mas, numa altura em que se editam livros aos pontapés, da forma mais ridícula e descartável, sempre me senti medíocre na escrita para o fazer. Escrever, eu escrevo, mas aquilo que escrevo (a maior parte em blogues que vou deixando aqui e ali ao abandono, com farrapos de ideias e pensamentos meus), não considero suficientemente 'bom' para ser sequer enviado para editoras, quanto mais, editado.
Antes de engravidar e durante as horas mortas no trabalho fui escrevendo histórias infantis. Fazia-o com descrição - já que o meu trabalho na agência passava essencialmente pela escrita -, logo, muitas vezes despachava o que tinha pendente e ficava com uma horinha ou duas, em que 'supostamente' ainda estava a a trabalhar, mas que na realidade andava absorta e entretida no mundo da fantasia.
Com este esquema em prática e durante algum tempo, escrevi duas histórias 'granditas' e distintas, mas com uma base mais ou menos comum: os valores da amizade. Depois de concluídas (e numa altura em que nem sequer pensava que ia engravidar nos próximos tempos), fiquei com elas na gaveta. Mas não muito, porque logo decidi concorrer a prémios e concursos literários na esperança vã de alguma delas ser alvo de interesse.
Não foram.
Concorri ao prémio Matilde Rosa Araújo da Câmara Municipal de Almada em 2007 e claro, não ganhei, nem me disseram nem 'ai' nem 'ui', mas não desisti, e toca de andar sempre à coca do que poderia fazer para editar as ditas histórias. Numa altura em que o 'boom' de figuras públicas que editam livros infantil atingiu o seu expoente máximo, eu sentia-me a 'pseudo-escritora-desconhecida' mais azarada do mundo.
Foi então que decidi começar a enviá-las para editoras, por email e esperar que alguma se dignasse a responder-me.
Passado uns meses respondeu-me uma editora: a Papiro (até conhecida, apesar de 'pequenina') e eu fiquei felicíssima da vida. Lembro-me que quando vi o email na minha caixa de correio até se me soltaram umas lágrimazitas de alegria estúpida e pensava cá para comigo, de que afinal, toda a treta do livro 'O Segredo', da 'visualização daquilo que queremos que aconteça na nossa vida' era mesmo verdade.
Wroonnnggggg. (mais uma vez!)
A verdade é que tive uma proposta editorial sim senhora, mas não foi assim de mão beijada e como eu queria, tipo: 'adorámos as suas histórias, vamos editá-las e pronto, não se preocupe com mais nada'. Nop. Neste momento não é assim que o mercado funciona e claro, eles gostaram das histórias e queriam editá-las, mas como eu sou uma perfeita desconhecida no meio literário e livreiro, a única maneira de 'pegarem' em mim e editarem a minha obra, seria 'obrigando-me' a comprar/adquirir cerca de 200 exemplares da minha própria edição e vendê-los pelos meus próprios meios. Ora, feitas as contas, o valor era e continua a ser, insuportável para avançar.
Fiquei varrida de frustração. Mesmo. É a tal coisa, uma pessoa pensa que o sonho está perto de ser concretizável e vai-se a ver, não há bela sem senão.
Apesar de ter tentado negociar e ver se me editavam os exemplares todos sem eu gastar um tostão a editora não cedeu e eu acabei por desistir.
Voltei à carga e toca de enviar as obras para milhentas outras editoras.
Obtive várias respostas. Ao todo, acho que já tive umas 5 propostas editoriais... Mas todas, mesmo todas, 'pedem' (qual pedem, exigem!!) que eu compre parte da totalidade dos exemplares que pretendem editar, o que significa gastar uma verba ainda bastante considerável e que, neste momento, me é impossível de fazer - mais não seja pela minha condição de 'desocupada'. Justificam-se com afirmações do género; 'neste momento é assim que o mercado livreiro funciona, caso contrário as editoras não conseguem lançar novos autores' e eu, por mais que tentasse negociar, dizer que abdicava da comissão nas vendas, que apenas queria era editar a obra, a resposta era sempre negativa e incontornável da parte delas.
Confesso que sempre que dizia às editoras que me era impossível suportar parte da minha própria edição sentia-me a morrer na praia. É como estar quase a agarrar algo que se deseja muito, mas faltar a pontinha de um dedo para o conseguir fazer (neste caso, notinhas na carteira!). De todas as vezes que isso acontecia, sentia que andava a desperdiçar oportunidades pela janela e que podia ser a última vez que alguém reparava naquilo que escrevia e mostrava interesse.
Ora, há uns meses atrás, não muitos, obtive outra proposta. Desta feita de uma pequena editora desconhecida que me apresentava valores bem mais acessíveis de serem suportados. Fiz as contas e achei que se é por carolice que quero mesmo editar um livro - já que em termos de lucro, ao contrário do que muitos possam pensar, isso é nulo - então, bora lá, vamos apostar nisso e tendo em conta o número de exemplares que me pediam para suportar/comprar e o valor dos mesmos, eu conseguia 'aguentar' essa despesa.
Depois de uma acessa troca de emails fiquei a aguardar a chegada do contrato editorial a minha casa. Segundo os responsáveis da editora, o livro seria colocado à venda antes do Natal e por isso, havia urgência no assunto. Achei excelente. A altura para editar um livro infantil era perfeita e permitir-me-ia vender os exemplares que terei de adquirir com alguma 'relativa' facilidade...
Pois, mas nem tudo é como esperamos e afinal, a pressa demonstrada pela editora rapidamente desacelerou... O contrato editorial nunca mais chegava a casa e todo o santo dia eu abrir a caixa do correio em vão.
Finalmente, sexta-feira passada e depois de eu ter enviado 'não-sei-quantos-emails' e telefonemas, eis que chegou. Li-o de uma ponta à outra e agora estou aqui com o dilema de se hei-de mesmo ir para a frente com toda esta história. Isto porque eles editam a obra sim senhora e os preços até são acessíveis e eu consigo suportá-los, mas... o número de exemplares que irão ser editados é baixa, baixinha (apenas 300), eu lucrarei apenas 1,20€ por cada obra vendida - sendo que a mesma irá ter, à partida, um preço de venda ao público de 16€ (algo que considero caríssimo para um livro infantil) - terei de ser eu a organizar a sessão de lançamento (coisa nunca antes vista, ou seja, essas despesas sairão todas do meu bolso), além de que não vejo em lado nenhum livros da dita editora à venda, não terei uma palavra activa na escolha do tipo de ilustração/grafismo que a obra irá ter, ou saberei, sequer, como pretendem divulgar a obra.
Ou seja, basicamente, eu fui a cabeça que idealizou a história, a base de tudo, mas é a editora que fica com todos os eventuais lucros. O autor, (por ser desconhecido, pobrezinho, pequenino, e todos os diminuitivos possíveis de serem aqui referidos), é remetido à sua insignificância...
Mais, se de futuro quiser rescindir contrato com a editora, ainda terei de a indemnizar por todos os livros colocados à venda no mercado... logo, acho que desta história não tiro proveito nenhum, apenas e só a 'carolice', o de saber que editei um livro, que alguém, remotamente, poderá vir a comprar ou a ler ao seu filho, sobrinho, afilhado, etc..
E sinceramente, não sei a tenho carolice para tanto.
Só sei é que esta história, este 'sonho', me deixa um forte sabor agridoce na boca.