Chega-se a esta altura do ano e eu começo a stressar com o aniversário dela. O que é que eu vou fazer este ano para a festa dela? Onde? Como? São coisas que começam a ocupar-me o pensamento mal o mês de Outubro se aproxima. Isso e a fazer contas à vida. Para além de já ser um stress por causa de eu e o pai estarmos separados e de termos de chegar a um consenso sobre como é que é este dia, se almoça comigo ou com ele, se fazemos uma festa única e convidamos os meninos do colégio ou se cada um celebra à sua maneira, tudo me apoquenta. O ano passado não fiz uma festa de aniversário para as crianças da escola, acabei por fazer uma festa de aniversário sim, mas apenas para a família e amigos próximos, em casa dos meus pais com bolos encomendados, outros feitos por mim, a decoração também fomos nós que comprámos e escolhemos e pronto, a coisa deu-se, ela ficou feliz, soprou as velas, teve a família junta e foi uma festa mais pessoal. Para a escola levámos um bolo e cantámos os parabéns com os meninos. O assunto ficou arrumado e sem um grande gasto envolvido. Mas já o ano passado tinha andado a ver preços de espaços e festas porque gostaria de convidar os amigos dela da escola, mas os valores que pediam levaram-me a desistir da ideia. Não ter uma casa grande e suficientemente espaçosa para convidar cerca de 20 crianças (média) e os seus pais, ou um orçamento que me permita não olhar a números e dizer "quero fazer isto aqui, para tantas crianças" e pronto, está feito, sem ter mais preocupações, infelizmente, não é coisa que me assiste. E, por esse motivo, todos os anos o dilema é o mesmo.
Ora, este ano, dia 1 de Novembro, a pequena cria faz 6 anos e este ano, esse dia calha a um Sábado. Logo, não vai haver celebrações com os meninos da escola porque não calha a um dia da semana e mesmo que calhasse, este ano ela está na primeira classe, logo, até às 17h30 não havia brincadeira. Por isso, pela primeira vez queria proporcionar-lhe uma festa de aniversário daquelas com direito a muita brincadeira e com os amigos de todos os dias num dia verdadeiramente memorável... os preços e os espaços disponíveis é que não ajudam. É tudo caríssimo. Mas mesmo assim, quando liguei para um espaço onde ela até já foi por duas vezes a festas de aniversário de amiguinhos, para o dia de anos dela, já tem duas festas marcadas! O único horário disponível é das 17h00 às 19h00 e eu fico a achar que se calhar para algumas famílias pode ser um pouco tarde.
Como é que fazem as pessoas que não têm recursos financeiros para contratar festas cheias de insufláveis e animação e pinturas faciais e mil e uma coisas? Nem casas suficientemente grandes para receber muitas pessoas e moram num simples andar com dois quartos e uma sala? É que se fala da crise por todo o lado, do não haver dinheiro quase para comer mas depois, um pouco por toda a blogosfera e redes sociais, só vemos fotos de festas que mais parecem casamentos, com direito a "party plannings" e photocall para fotografias, arranjos florais e máquinas de gelados e tudo o que a imaginação e a vontade permitir.
É tudo muito bonito sim, mas nao vou deixar de viver para me endividar durante um ano, mas por outro lado queria que ela, pela primeira vez em 4 anos, sentisse que não tem de se dividir em duas festas, duas famílias e duas casas. Que tivesse pai e mãe e amigos tudo debaixo do mesmo tecto e que por duas horas fosse verdadeiramente feliz.
O que é que eu faço? Há por aí alguém que passe pelo mesmo dilema durante o aniversário dos filhos? E que aquele que deveria ser um dos dias mais bonitos do ano, uma data para sempre a recordar, seja igualmente, uma fonte de stress?
(fotos da festinha do ano passado)
Na escola...
E em casa














