segunda-feira, maio 07, 2012

ainda no rescaldo

Um bocadinho já fora de prazo e quase uma semana depois, aqui fica o resumé do meu 1 de Maio e da última semana:

- Tentativa de ida ao World Press Photo no Museu da Electricidade no 1 de Maio. Digo tentativa, porque de facto desloquei-me ao local mas bati com o nariz na porta. É incrível como num feriado o WPP estava fechado. Senti vontade de reclamar com direito a envio de email e tudo. Mais uma prova de como neste país continuamos a não saber rentabilizar os negócios. E não devo ter sido a única, porque a julgar pelo número de pessoas que na terça-feira à tarde andava a passear à beira rio, provavelmente, teriam sido muitos os visitantes no feriado. Perderam receitas, mas pelos vistos fizeram justiça ao dia do trabalhador. (só espero é que não tenham decidido enfiar-se no Pingo Doce).

- BES Photo. Pois quando uns estão fechados, estão outros "estalando", uma pequena adaptação do provérbio popular... Ora, se o WPP estava fechado, rumamos ao CCB e fomos ver o BES Photo. Claro que é mais pequeno, não tem o mesmo impacto e vê-se num instante, mas tem a vantagem de valer pelo passeio, de ser grátis e de ser sempre boma ir ao CCB (eu pelo menos gosto sempre). De uma acentada vê-se uma série de exposições temporárias gratuítas. O senão: por já ser tarde, vi tudo a correr, fecham às 19h00.

- Do Pingo Doce e do 1 de Maio. Pois que desconhecia. Não tive qualquer conhecimento sobre o assunto e vivi o dia todo na santa (e bendita) ignorância. Só fiquei a saber do caos, da promoção, da polícia, das facadas e da loucura, ao final do dia, perto da hora do jantar, quando a minha mãe me ligou e depois de um dia completamente desligada do mundo, vi as notícias.
Decididamente, não sou o público alvo. (Graças a Deus!)

- Concerto do Frankie Chavez no CCB. Três dias depois do BES Photo eis que regresso ao CCB para ver Frankie Chavez. Concerto maravilhoso. Pequeno (mas com a sala cheia), intimista e muito, muito bom. Excelente música a fazer-me relembrar os vinis do meu pai, as batidas e ritmos dos anos 70, ou as influências de blues. Vim de alma lavada. É bom ver músicos portugueses com tanta qualidade. É de encher o peito de orgulho. (eu pelo menos fiquei)

- Depois de ter visto o episódio do Anthony Bourdain sobre Portugal (sim, já vi, não resisto, adoro o homem), fiquei cheia de vontade de ir ao Ramiro na Almirante Reis. É que eu, tenho tanto de lady como de camionista, reconheço, e dêem-me petiscos e pregos e sou a mulher mais feliz do mundo.
E como não tinha jantado e fui a correr para ver o Frankie, depois de comida para a alma, chega a comida para o corpo. E nem à meia noite o ritmo abranda, já que o número de pessoas à espera de mesa chega a ser intimidante. Não arredei pé e lá tive a experiência sensorial. Gambas, perceves, ameijôas à bulhão pato e a sobremesa, um prego.
Gostei, as gambas com alho foram as minhas preferidas, mas o prego, o prego caramba, desiludiu-me, além de o empregado me olhar com ar de gozo sempre que pedia um "panaché". Sim, sou uma menina que não gosta de cerveja e que gosta de a traçar com gasosa. What's the problem?
Seja como for, quero voltar.

- Brunch sábado de manhã/tarde no Pão de Canela. É bom, mas já cheguei demasiado tarde, a maior parte das iguarias já tinha "voado". Seja como for, vale sempre a pena lá ir. Gostei

- No conforto do lar vi o "Deus da Carnificina" do Roman Polanski. Quando esteve nas salas de cinema tive um certo interesse em vê-lo, mas acabei por deixar passar. Gostei, mas é aquele filme cuja situação retratada me faz transpirar, me deixa ansiosa, que mexe comigo. É cómico sim, mas dentro desta comédia há todo um desenrolar de personagens que levam as suas angústias, desilusões e expectativas a um extremo que não deixa de ser angustiante, quase constrangedor. Excelente argumento e excelentes interpretações, principalmente da Jodie Foster que faz um papelão. (mas que se se cruzasse comigo na vida real, me tinha tirado do sério).

- Domingo e Feira do Livro. Dia de sol, apesar do vento frio e toda a minha gente saiu à rua. Muita gente. Muita, muita gente. Vi tudo de fugida, mas ainda acabei por comprar a compilação de contos do Miguel Torga a um preço simpático. Já o comecei a ler. Sempre gostei de contos.

- Por fim, perdi o Indie Lisboa. Todo. E não foi por falta de oportunidade. Foi mesmo por falta de vontade e nem lamento assim tanto. (Shame on me)

E agora ando em repeat com esta música, ouvi-a pela primeira vez na sexta-feira à noite e bateu forte.




I'm laughing at clouds


Fim-de-semana para lá de bom, passou tão depressa que sinto que se me escapou entre os dedos, mas hoje, nem a chuva e este tempinho da treta, invernoso e cinzento me demovem: estou feliz!

segunda-feira, abril 30, 2012



E quando ele nos morre? E quando o vemos morrer?
Como fazemos?
Como superamos a dor? Como continuamos a acreditar? De onde vêm as forças?
Não consigo deixar de me sentir completamente impotente e pequenina perante as palavras escritas pelo Miguel Esteves Cardoso na crónica do Público de hoje. Não é comiseração ou pena o sentimento dominante que me vem imediatamente à mente, mas sim amor.
O amor de um homem perdidamente apaixonado e completamente impotente.
Puta de doença.

Nostalgia

Hoje tive oportunidade, por umas horas, de regressar a um sítio onde já trabalhei e bateu a nostalgia.
A saudade do jornalismo, das redacções, da descontracção e do stress ao mesmo tempo, de passar num corredor gigantesco e conhecer toda a gente e parar para falar com toda a gente e ser recebida com sorrisos e abraços. Aquele sentimento de pertencer a um sítio e a nostalgia de já não fazer parte dele. Recordei o dia em que fui à entrevista, até o local onde estacionei o carro, aqueles minutos que fiquei dentro do mesmo a pedir que "fosse desta", da ansiedade em que andei durante 2 semanas sem saber a resposta, a alegria de ter conseguido - pelo meu próprio mérito e esforço - o lugar. Recordei nostalgicamente tudo, porque tenho esta veia saudosista, é um facto, o que não é necessariamente bom. Constato sempre que nunca aproveito verdadeiramente as oportunidades que são dadas e quando acordo para as mesmas, provavelmente, já é demasiado tarde.
Mas recordar é viver e é sempre bom termos tido a oportunidade de passar pelas coisas.


ainda sobre o Miguel...



"Em quase 50 anos de irredutível amizade, o único monólogo que tive com o Miguel, foi no fim. Ou seja, o que fez a nossa irredutível amizade nunca foi a administração dos silêncios. Nós falámos sobre tudo, contámos tudo, discutimos tudo e rimos sempre."

Paulo Portas - discurso realizado na sessão evocativa em memória do eurodeputado e seu irmão, Miguel Portas.

Não consigo ficar indiferente a estas palavras, porque são tão bonitas e tão sentidas que transmitem, preto no branco aquilo que eu acho que uma relação com o outro (seja ele irmão, irmã, marido, mulher, pai, mãe, etc.) deve ser: verdadeira.
O amor não tem cor política, nem credos ou religião e aprender a respeitar as diferenças, é amar verdadeiramente.


sexta-feira, abril 27, 2012

instantes de felicidade

Quando era mais jovem pensava muitas vezes que a felicidade, ou o conceito de felicidade, era algo permanente, como um patamar que se alcança e que se prolonga no tempo. Atingir, alcançar a felicidade, era um sonho que iríamos atingir num futuro mais ou menos distante, mais ou menos próximo.
Hoje sei que o segredo da felicidade não reside numa linha crónica, numa continuidade de prazer ilimitado, mas em momentos e instantes, em que me dou conta de que felicidade, afinal, é isto.
E é tão simples.

quarta-feira, abril 25, 2012

crónicas de uma filha presente #1

A M. regressou. Anda carente e a reclamar a minha atenção, faz birrinhas para comer, para tomar banho, faz-me festas na cara, nos cabelos, diz que quer dormir comigo na cama e que tem medo do escuro. Tão depressa me pede desculpa pelo comportamento que teve, como me dá respostas de me deixar ficar banzada. Nestas alturas, sinto a dualidade da culpa a baixar em mim intercalada pela assertividade de ter de levá-la a fazer o que eu lhe digo para fazer e que me obedeça. Tem alguns ataques de fúria, com ginetes em que fica verdadeiramente chateada e onde me diz "não gosto de ti", ou "és má" e ainda "não venho mais à tua casa", que me ferem como punhais mas que desvalorizo. Mede cada vez forças comigo, mas também tem gestos doces e saídas que me derretem. Acho que deve ser isto que toda a gente se refere quando fala da relação "mãe e filha". Tão depressa andamos às turras, como os cobrimos de beijos. Li algures na net, naquelas frases feitas ilustradas com bonitas imagens, que ter um filho é carregar uma preocupação para o resto da vida. E é mesmo. Mas quando a tenho aqui a meu lado, enrroscada em mim, essa ansiedade, quase, quase que desaparece.

terça-feira, abril 24, 2012

era uma vez um gato maltês...

Descobri estes dois vídeos por acaso no mural de uma amiga no facebook e já chorei a rir. Foi a fórmula para me deixar imediatamente bem disposta. Adoro estas cenas non sense. Gatos a falarem francês... C'est genial!

lucidez

À janela, tapada pela escuridão da noite e avançado da hora, já quando toda a casa dormia e se abandonava num tempo só seu, reparou ao longe no carro que se aproximava. Viu o afrouxar lento enquanto subia a rua e a luz verde em cima, viu como parava precisamente à sua porta e por momentos, por momentos, quase que visualizou uma silhueta que lhe era familiar. Por momentos quase que acreditou. Por momentos.

post completamente fútil e consumista

Antes de começar a escrever este post tenho de dizer que o blogger decidiu alterar - assim sem mais nem menos - a porcaria da visualização e fazer uma daquelas "actualizações" que, julgam eles, visam facilitar a vida aos utilizadores. E eu ODEIO, repito ODEIO quando me fazem estas coisas assim, sem pré-aviso, ou me obrigam a utilizar a nova aplicação só porque sim.
É que eu sou muito velha do Restelo nestas coisas das novas tecnologias e tudo o que altere a minha forma rotineira, tradicional e familiar, deixa-me irritada - que é como estou neste preciso momento.

Pronto, já disse, já desabafei, agora para colmatar a neura, aí vem o post dos itens de coisas que gosto muito e cujo dinheiro não compra (pelo menos o meu) que são completamente fúteis e consumistas - sim, eu também nunca disse que não era - mas que me fariam uma pessoa feliz.


Óculos Prada de inspiração barroca, tão lindinhos que dá dó. Gosto muito dos "tartaruga" mais a puxar às tonalidades marron (apeteceu-me dizer marron em vez de castanho, nem sei bem porquê), mas estes pretos também podiam vir parar cá a casa.



Um casio dourado verdadeiro - que o meu, comprado na mouraria, falso, pois claro, já está a ficar esbranquiçado e com um ar de... isso, "cópia".
Uma malinha da Stella Rittwagen não importa a cor - já que não me consigo decidir qual delas gosto mais.


E  assim de repente, é isto. Sei que me está a faltar mais qualquer coisa (mas tirando uma massagem, um pack de tratamentos, uma escapadinha de fim-de-semana ou uma viagem a qualquer sítio que inclua sentar-me num avião, não me ocorre mais nada).

segunda-feira, abril 23, 2012

Guilty pleasures

Quando era miúda não gostava de comer. Lembro-me de apanhar valentes sermões da minha mãe, de ser sempre a última a levantar-me da mesa ou de me empurrarem a comida boca abaixo, num acto de completo desespero. À conta disso e de ser de natureza irrequieta, passei boa parte da minha infância e ainda adolescência, com ar de menina subnutrida, onde muitas vezes os mais atrevidos e desbocados me perguntavam directamente ou à minha mãe, se "era doente", coisa que quando acontecia era sinónimo de outro valente sermão por "tamanha vergonha". Não havia cá a cultura da magreza, nem a febre das "top models" que só chegou mais tarde, em plenos anos 90. Não, na minha infância e pré-adolescência, as crianças ainda se queriam rechonchudas e com ar saudável e não esguias e delgadas como uma enguia. Ora, acontece que isso na altura não me preocupava nem um pouco. Eu queria era saltar ao elástico, à corda, andar na rua, jogar ao arco e à macaca e, pelo meio e caso tivesse tempo, lá me lembrava de trincar qualquer coisita só porque isso me permitia continuar aos pinotes que era mesmo o que eu gostava de fazer.  
Bom, o que tem de proveitoso o avançar da idade é que aprendemos realmente a apreciar as coisas boas da vida, a refinar gostos, paladares, odores e a comida, bom, a comida é uma fonte inesgotável de prazer e sedução. Um maravilhoso mundo a descobrir sempre com infinitas possibilidades. Felizmente despertei a tempo e aprendi a gostar e a apreciar - na verdadeira acepção da palavra - para algumas das coisas que hoje me fazem crescer água nas papilas gustativas só de ver e ouvir falar.
Bom, toda esta converseta para dizer que ando cheia de vontade de experimentar e fazer coisas novas. Porque depois, no que toca à cozinha, sou assim de uma incoerência extrema. Há alturas em que ando farta de cozinhar, em que me alimento a leite e torradas, em que só de pensar no que vou ter de fazer para o jantar e de ter, efectivamente de o preparar, me desmotiva e retira todo e qualquer desejo de comer, mas depois, metam-me um petisco à frente - de preferência que leve queijo, enchidos, marisco ou tudo isto junto - e não tenho mãos (nem boca) a medir. Por outro lado, fruto de uma educação gastronómica bastante tradicional, não tenho muita tendência a "inovar" ou a fazer grandes aventuras cujos resultados possam verificar-se duvidosos. Gosto de cozinhar sim, mas não arrisco muito. E, nesse aspecto, o Pinterest veio abrir-me um leque de combinações e receitas como nunca antes tinha tido oportunidade, ou interesse, em procurar. E elas estão ali, bem à frente dos olhos, como que a pedir - "pick me, pick me". É impossível ficar-lhes indiferentes.
E eu, uma fraca completamente assumida, da pior espécie, vou salivando e dizendo a mim mesma que também sou senhora para as recriar ao meu jeito e fotografá-las como quem não quer a coisa. Ontem foram as bolachinhas de nutella - sem nenhum motivo aparente, apenas por puro desejo de fazer um bolo e de meter as mãos na massa - e acho que esta semana não termina sem tentar recriar pelo menos uma destas sugestões.


Pão com queijo de cabra, mel, figos e ervas aromáticas.


Camembert recheado com vinagre balsâmico, pêras, nozes e alecrim

Courgete grelhado com queijo de cabra e manjericão

Dêem-me vinho, queijo e pão e sou uma mulher feliz, ou como diz o "meu" Tony: "Quem não gosta de comer, não merece sequer a minha confiança".

(Ainda bem que acordei a tempo.)

amigos improváveis


É um filme tão bonito, com uma mensagem tão simples e tocante, que repôs um bocadinho a minha fé na humanidade - e a crença pessoal e cada vez mais arreigada - de que nascemos bons, as circunstâncias é que nos toldam.
Claro que dizê-lo assim é completamente poético e há sempre exemplos que nos provam o contrário e nos levam seriamente a duvidar de tal premissa, mas caramba, saber que se trata de uma história verídica só lhe deu (ainda mais) encanto.
É bom saber, mesmo que seja uma pequena amostra, que há finais felizes, pessoas boas, alguém que se importa e que não desiste de ti, pessoas que aparecem na tua vida com a estranha missão e propósito de a alterar por completo e de te fazer ver e sentir coisas que, até então, nunca te tinhas permitido sequer pensar, acreditar e/ou sentir.
Gosto tanto disso, acredito tanto nisso, que é inevitável não sair da sala do cinema com um sorriso estúpido no rosto.

Aparte - e não querendo dar uma de pseudo intelectual barata ou entendida no assunto (que não sou) - o cinema francês da actualidade está simplesmente soberbo. Bons argumentos, bons elencos, excelentes interpretações, tudo sem os grandes aparatos hollywoodescos, apenas assente no essencial e naquilo que realmente importa: uma boa história.

Quando a amiga do namorado pergunta: "então e entre vocês está tudo bem?", quando não temos confiança com a mesma e é a segunda vez que falamos com ela, isso quer dizer o quê?

a) que está simplesmente a ser simpática e genuinamente preocupada.

b) que está à espera que te  desbronques e lhe forneças o máximo de informação possível.

c) que está à espera que digas "não" e a fazer figas  atrás das costas para que as coisas dêem para o torto.


Aceitam-se palpites.

quinta-feira, abril 12, 2012

crónicas de uma mãe ausente #2

Ligo à hora do almoço para saber como é que ela está. Falo com a minha mãe e oiço-a a perguntar-lhe se quer falar comigo. Responde muito prontamente que não mas após a insistência da avó lá decide, resignada, a dar-me o prazer de umas palavrinhas:

"Agora não posso falar ao telefone que estou a comer"

E pronto, é isto, três anos de gente - ainda nem chegou à adolescência -  e já me evita como se tivesse 16.

Não estou preparada para isto.

quarta-feira, abril 11, 2012

crónicas de uma mãe ausente #1

Ficou a olhar e a acenar, sentada na sua cadeira, enquanto a avó lhe apertava o cinto de segurança e eu lhe sorria do alto da janela do meu segundo andar.

Ia toda feliz por ir passar a semana em casa dos avós, mas sei - qual mãe bruxa - que ela também sabia que eu por dentro estava um caco e que aquele olhar suspenso e prolongado, era apenas uma forma de me dizer: "está tudo bem".

Carta aberta a 2012

Querido 2012,

Volvidos os primeiros 3 meses, tenho apenas a dizer que o balanço está longe de ser positivo. Além de já me teres provocado valentes taquicardias e desilusões, não tens sido um ano fácil, nem amigo, nem bom para mim.
Por tudo isso, espero, sinceramente, que nos próximos meses me dês alguns (bons) motivos de alegrias, caso contrário terei de deixar de depositar expectativas e esperanças em ti e renegar-te - à semelhança do que fiz com 2011 - como "ano horribilis". Bem sei que tens a pesada e ingrata tarefa de mostrar a tudo e todos de que não és assim tão mauzinho quanto te pintam. Afinal, ter a fama de que o mundo vai acabar em 2012, ou que "és o ano de todas as crises" também não é pêra doce. Eu entendo e respeito, a sério que sim, mas vê lá se percebes uma coisa: eu não tenho culpa, está bem? E essa ideia de que eu sou forte e aguento e dou sempre a volta às coisas, não é assim tão linear.

Serve a presente missiva como uma chamada de atenção. Não me desiludas (again).

segunda-feira, abril 09, 2012

expectativas demasiado elevadas dá nisto


Mais um projecto no qual depositava imensa fé, gorado.
Já andava a fazer planos e a imaginar destinos a dar à coisa e tungas. Não delires, não imagines, não sonhes. Fica aí a marinar e a sentir-te tramada pelo karma desta vida que assim é que estás bem.

Ensinamento já há muito aprendido mas ainda não totalmente interiorizado: "Não sei porque continuo a iludir-me."

Not yet but almost! O grito do ipiranga

Digam-me, sou só eu que tenho a vontade de me enfiar numa loja e de comprar até cair para o lado?
Eu fujo senhores, eu fujo, (das Zaras, das Hm's, das Blanco desta vida) mas há uma parte dentro de mim - qual animal aprisionado - que de andar tão contido está prestes a cometer uma loucura...





(E também "marchava" tratamentos estéticos, com massagens, exfoliações, adelgaçantes e um spa para me fazer esquecer todas as preocupações e elevar a auto-estima. Ah, e também um branqueamento dentário, que o café é um bem essencial para a minha pessoa, mas depois deixa mazelas.
Pronto, assim de repente e que me lembre, acho que era "só" isto)

quinta-feira, abril 05, 2012

A minha vida tem dado muitas voltas e em todos os momentos mais críticos ou decisivos, o medo - esse bicho papão -  esteve sempre presente. Faz parte da natureza humana ter medo. Eu tenho-o e sinto-o muitas vezes e não tenho pudor nenhum em assumi-lo. O medo faz-me parar, reflectir, ponderar e hesitar. Não me faz melhor nem pior, mas também acho que não ter medo não prova apenas coragem, mostra também muita insensibilidade, por isso, ter medo, para mim, nem sempre é um defeito, também mostra alguma humanidade. O truque aqui passa por saber dominar o medo. Enfrentá-lo, olhá-los nos olhos e não nos deixarmos petrificar por ele. Porque há o medo que coage, que intimida, que ameaça e esse tem sempre uma natureza maldosa, é negativo por si só, mas depois há o medo do fracasso, o medo real de falhar, o medo que nos faz dar o salto no desconhecido e muitas vezes seguir em frente. O medo que nos liberta. E quando isso acontece, quando damos o salto, quando nos libertamos, não há melhor sensação. É pura paz de espírito. Mesmo que saibamos que ainda nos espera um longo, tortuoso e incerto caminho pela frente.

ensinamento do dia


Quando enfrentamos o medo sentimo-nos poderosos.

quarta-feira, abril 04, 2012

operação biquíni

Ontem fui à Blanco e dei de caras com ele!
Ali estava, a pedir-me que o levasse para casa.
Ainda hesitei, por ser em padrão tigresse e de eu nem ser rapariga para fazer devaneios de tigresse assim do pé para a mão, mas quando olhei para o preço - já de si barato - e com desconto de 30%, dissiparam-se as dúvidas. Pensei cá para mim mesma: "Há quanto tempo não compras um biquíni novo Mafalda Maria? Humm?" E a verdade é que não compro biquínis há muito tempo e os que tenho estão a ficar com os elásticos já demasiado frouxos e gastos e já estou farta deles. Também é verdade que este ano andava era a pensar num fato de banho - por todos os motivos e mais alguns que agora não me apetece estar para aqui a mencionar - mas encontrar um fato de banho giro e decente é tarefa ercúlea e eu não tenho tempo para isso.
Bom, vai daí, estava eu na Blanco, vejo o biquíni, procuro o meu número, encontrei-o e qual "my precious" versão Gollum, agarrei-o muito juntinho ao peito e não o larguei mais até à caixa.
Fiquei muito contentinha com a minha compra e adoro-o, acho-o lindo de morrer, super fashion, e tudo e tudo e tudo, mas ainda não o experimentei, nem tive coragem para o fazer em casa.
Tenho a sensação de que assim que o vestir, toda aquela aura de satisfação que ainda envolve esta compra irá desaparecer, por isso ando a adiar, a empurrar com a barriga.
Até lá, vou idolatrando-o, namorando-o e mentalizando-me de que a "operação biquíni" está eminente e tem de ser bem sucedida se quero orgulhar-me de mim mesma. Tenho férias marcadas para Julho e um mês para o devolver se for caso disso.
aaaaaaiiiiii!

I can do it!


Dói-me TUDO.
Pronto, era só isto.
Tinha de desabafar.
Ao fim de não sei quantos anos de inércia e de rabo assolapado no sofá a fazer "mapling", eis que resolvi mexer-me e ir correr (se é que posso chamar aquilo de correr... é mais um "arrastar-me"), durante uma horinha.
Vim para casa com aquela sensação de "dever cumprido", orgulhosa de ter levado esta minha decisão até ao fim, mas hoje, hoje sinto-me como se tivesse sido atropelada por um camião.
De qualquer forma, portei-me bem e mereço uma salva de palmas! (mesmo que mal consiga mexer os bracinhos)

Clap, clap.

quinta-feira, março 29, 2012

*#""%&$*#"!!!



Sempre que começo a cantar de galo, as forças divinas lá de cima fazem questão de me fazer regressar à realidade.

E é necessário um grande dispêndio de energia.

EDP, you made my day

Depois de um dia de trabalho, em que a única coisa que realmente queria fazer era esparramar-me na cama (ou no sofá, também servia) e vegetar, mas onde me esperava tudo menos isso, abro a caixa do correio e o que vejo? Pois, contas! Logo ali, as 3 em parelha! A do gás, a da luz e a da água. Ainda nem o mês acabou, ainda nem recebi o ordenado e já me caem contas do próximo mês para pagar. (oh vida ingrata)
Começo a abrir as ditas a medo - porque é sempre preços astronómicos aqueles que me aparecem em casa - e abro a da água e pensei, "ok, está dentro da média". Abro a do gás - geralmente a que me provoca mais taquicardias durante os meses de Inverno devido ao aquecimento central e pimbas, disparou até aos 100 euros... Fiquei apreensiva mas conformada, "deve ser a última alta, porque já não faz frio e já não ando a ligar o aquecimento, pronto, siga, próxima". Mas, o verdadeiro momento foi quando abri a da luz e... tcharam: 155€!
Soltei um grito de dor. Juro. Senti os olhos a saltar das órbitas quando vi o total - 155 euros de luz? Mas como? Como? E já estava em pleno exercício de "drama queen", "ai como é que eu vou sobreviver no próximo mês", "ai como é que eu vou dar de comer à miúda?", "ai isto", "ai aquilo", quando me decidi a olhar novamente para o papel em jeitos de mentalização. Foi aí que o meu coração acelerado e já prestes a descarrilar, sossegou. Na factura da EDP podia ler-se qualquer coisa como "a receber"...  ?!?!?!

O quê?
Espera lá. Será que eu li bem? 155 euros a receber?

Really? :)

Epá, até que enfim, boas notícias! Assim sim, destas "contas" podem chegar todos os meses, mesmo que tenha de ter um desfribilador por perto.


quarta-feira, março 28, 2012

O que é que aprendi com a minha filha

Hoje, uma amiga jornalista, pediu-me que escrevesse algumas coisas sobre o tema "o que é que eu aprendi com a minha filha" para um artigo que está a fazer. A única "directriz", se é que lhe posso chamar assim, era não entrar por aquele discurso que quase todas as mães acabam por ir parar do "amor condicional". Amor condicional já sabemos que existe mas, fora isso, o que é que realmente aprendemos com os nossos filhos quando somos pais, que lição nos dão, que novas perspectivas nos mostram, que facetas da nossa personalidade revelam que nem julgávamos existir? Fiquei a pensar naquilo por um bocado enquanto conduzia e de repente, quando comecei a pôr no papel tudo o que me vinha à mente, saiu de enxorrada.

Aqui fica o resultado, para quem quiser ler por curiosidade, dissertar sobre o assunto, ou tão somente, comparar. (E não, eu não me considero o supra sumo de nada, nem da batata!)

Aprendi que eles também têm dias maus e que temos de os saber respeitar, mesmo quando fazem birras e temos pouca paciência para as mesmas, mesmo quando nos moem o juízo e só nos apetece é dar-lhes duas palmadas naquele rabo, mesmo quando não há explicação - ou motivo - para nos torrarem o juízo. Nós também temos dias maus em que se pudéssemos esperneávamos de facto e fazíamos birras mas, como já somos crescidos e corremos o risco de sermos confundidos com malucos, contemo-nos. Eles não e têm essa vantagem.


Aprendi a ser mais tolerante, mesmo quando acho que não estou a ser tolerante. O que não significa que seja permissiva, há uma diferença. Aprender a ser mais tolerante no sentido de sabermos relativizar, simplificar e aceitar que, com miúdos, mesmo quando impomos regras, nem tudo é da forma como idealizamos e contra isso não há nada a fazer. Temos de aprender a ser tolerantes porque estamos a lidar com uma criança e, dependendo dos casos, não podemos exigir de uma criança a rapidez, o comportamento, ou a percepção das coisas à velocidade que gostaríamos que acontecessem.


Aprendi a não comparar. Ou seja, nós mães temos tendência em evidenciar as gracinhas e desenvolvimento dos nossos filhos como se fossem os melhores, os mais inteligentes, os mais bonitos do bairro. Mesmo que digamos “ah e tal, eu não faço nada disso”, é mentira. Fazemos, é mais forte do que nós. Gostamos de saber se o filho de fulana e sicrana já anda, já come sozinho, já escolhe a roupa, já bebe sumo pela palhinha e depois temos tendência a olhar para o nosso  - que ainda não faz nada disso - e achamo-nos um fracasso. Temos tendência a exigir demais, ou a esperar demais deles, quando tudo tem um tempo para acontecer. Às vezes faço isso em relação à M. não vou negar. Vejo blogues e coisas dos filhos dos outros no facebooks desta vida e penso: “Ah, mas o filho desta, que tem a idade da minha, já faz isto? E ela nada.” Lá está, é o esperar demasiado, é começar a exigir logo muito deles desde pequeninos, porque há essa pressão de que se o meu filho não fizer, está atrasado. Quando não está. A infância é uma altura da nossa vida maravilhosa. Porquê querer que eles cresçam já quando depois vamos sentir tanta falta de lhes dar colo?


Aprendi que amar não é só dizer que sim, é também dizer que não, as vezes que forem precisas, só assim lhes criamos bases e cimentamos a sua personalidade para o futuro. Educar custa, é difícil e pior que tudo, não vem com manual de instruções! Quantas vezes gostaria de ter tido um manual de instruções! Quantas! Mas não há, infelizmente. E mesmo que houvesse, seria sempre o nosso bom senso a ter a última palavra. Não há fórmulas mágicas nem aplicáveis a todas as crianças e cada pai e mãe não deve sentir-se culpado por fazer as coisas de maneira diferente dos que se acham o supra sumo da educação.


Aprendi que ela gosta de ser valorizada quando faz as coisas bem. Se ralho com ela quando erra, porque motivo não deverei elogiá-la quando o merece? Se até nós, adultos, gostamos de ser elogiados e valorizados quando fazemos as coisas bem, porque motivo com eles haveria de ser diferente? Não é torná-los convencidos, nem exagerar os seus feitos, mas permitir-lhes ter confiança nas pequenas vitórias do dia-a-dia.


Por fim, aprendi que a minha filha tem tanto de “fera” e de mau feitio quanto de meiga. Que me surpreende com as respostas mais inesperadas quando lhe faço as perguntas mais banais dando-me verdadeiras lições de bom senso, porque nós, adultos, temos esta tendência de “estupidificar” as crianças precisamente por serem crianças. E que um “gosto muito de ti mamã”, é a declaração mais sincera e bonita de amor que ela me pode dar. Sim, porque como diz uma colega minha: “aproveita agora essas palavras, porque depois crescem e deixam de o dizer, depois nem querem saber de ti.”
E o pior, é que eu sei que isso é verdade.

terça-feira, março 27, 2012

MEC


"Já desisti há muito tempo de lutar pelos meus princípios. Fiz a minha tentativa, as pessoas têm o direito quando são novas, fazem jornais, fazem uma tentativa de editora, tentam mudar a cultura do país, mas a partir dos trinta, trinta e tal, pronto."

Miguel Esteves Cardoso, igual a si próprio, brilhante e sem papas na língua, a traduzir em poucas linhas aquilo que já sinto há algum tempo.  É verdade que não gosto do Paulo Portas e estou longe de votar nele, mas até lhe dou o benefício da dúvida quando "oiço" o MEC a dizer que "Ele é patriótico, é inteligente, tem graça. Há de mandar nesta merda toda". O Paulo Portas para mim é a personificação do tio de Cascais, com um "encosto" familiar confortável que sempre lhe permitiu fazer aquilo que quer e meter-se nas coisas porque "lhe apetece". Para além disso, há ali qualquer coisa na sua fisionomia que me faz lembrar o perfil Salazarista e uma ambição desmedida de mandar, efectivamente, "nesta merda", e só essa ideia assusta-me... Mas pronto, por mais liberal que me considere (ou pense que sou), também concordo quando diz que "Essa ideia de que a cultura  é uma coisa de esquerda é uma das ideias mais perniciosas que há". Afinal, um pouco de conservadorismo nunca fez mal a ninguém e uma pessoa quando caminha na idade tem tendência a acomodar-se e a deixar os actos revolucionários para quem tem energia (e tempo) para eles.
Mais, aqui.

quinta-feira, março 22, 2012

Keep calm...

Hoje uma amiga disse-me que detesta pessoas piegas (isto a propósito de lhe ter dito que queria ir ver o filme da Florbela. Se o nosso primeiro-ministro a ouvisse, certamente que lhe daria uma pancadinha nas costas em jeitos de aprovação). Mas pronto, voltando à pieguice e à Florbela, dizia-me ela que detesta a mulher, que só tem vontade de lhe bater nas ventas, que "ai, ai, apaixonei-me pelo meu irmão" não é para ela. Que só tem vontade de a sovar. Que "quero amar este, aquele e o outro, perdidamente", sim senhora, tudo bem, mais do que isso, só à estalada e que síndromas de "mimimi" para ela, não resultam.
E eu, que sou uma piegas de primeira e que tenho noção de possuir um discurso fatalista e "mimimi" pûs-me a pensar naquilo. Não na Florbela, de quem sou uma adepta e fã convicta e assumidíssima, mas no "mimimi" que habita em mim.  
E sim, eu tenho consciência que o "mimimi" não é atractivo para ninguém, que chega a um ponto em que só tens vontade de te virar para o outro e dizer: "vê lá se mudas de registo" e dar-lhe duas chapadas, directas e frontais para ver se acorda para a vida e se reage. Eu própria tenho tanto de piegas e "mimimi" quanto de bruta, por isso é que a entendo e gosto que ela me diga preto no branco tudo aquilo que eu própria sei mas não quero assumir ou enfrentar. Porque no final e, apesar do discurso polido e frontal, ela quer é mimos. E porque gosto de pessoas directas que, mesmo quando me dizem as verdades, o dizem com sinceridade e que não se coíbem de mostrar os meus defeitos nas alturas em que eu realmente preciso de chapadas, mas também de me dar mimo ou levantar o ânimo quando sabem que eu necessito de colo.  

quarta-feira, março 21, 2012

365

Decidi começar ontem - em data redonda e para celebrar a Primavera - um novo "projecto" - chamemos-lhe assim.
365.
365 fotografias. Uma por dia.
De tudo, de nadas, de bocados meus, de coisas, do que me chamar a atenção.
Como não tinha a máquina fotográfica à mão, mas não queria perder a data redonda e primaveril, socorri-me do telemóvel, fazendo justiça ao ditado "Quem não tem cão, caça com gato".
Vai daí, deu nisto.
Está bera, eu sei, mas o que interessa é começar, afinal, tenho 364 dias para apurar a técnica.

Lição do dia: Não há velhinhos ansiosos

Perguntaram-me hoje se buzino muito quando conduzo. E eu, fiquei ali a pensar que até sou refilona q.b. e praguejo bastante, mas buzinar, nem sou muito disso. Sou mais de fazer sinais de luzes - um hábito terrível, eu sei, que ganhei com o meu ex-marido que, à mínima coisa, lá estava ele em modo condutor agressivo a fazer sinais de luzes intermitentes e em repeat para o condutor da frente. Eu sou mais de praguejar e ir ali a "refilar" entre dentes, culpabilizar a minha triste sina e pôr as culpas no destino que faz com que, frequentemente, me depare com este tipo de situações, como se fossem mensagens provenientes de uma força maior que me diz para ter calma mas que têm apenas o efeito contrário, pois fico ali a respirar fundo e a contar até dez numa tentativa falhada de auto-controle e no fim, em crescendo, rebento, perco as estribeiras e a calma toda e praguejo... ou buzino!
Bom, isto tudo para dizer que hoje de manhã, quando me dirigia para o trabalho - já atrasada, as usual - deparo-me com um velhinho na faixa da esquerda a conduzir a 30 kms/h. Ora aqui está a típica situação que me faz refilar, praguejar e fazer sinais de luzes. A conjugação de 3 factores: velhinho + carro + faixa da esquerda a 30 kms/h.
Mas eu, que já sou crescida e dona de auto-controle q.b., não buzinei. Não, nada disso. E só fiz sinais de luzes em modo de: "Hello, estou aqui, gostava de passar e andar mais depressa, por favor afaste-se", quando já sentia o desespero a apoderar-se de todo o meu corpo e os carros das outras faixas a passarem-me ao lado. Mas o senhor velhinho lá continuou, impávido e sereno, com toda a calma e tranquilidade do mundo - ou não fosse ele uma pessoa velhinha e as pessoas velhinhas são sempre  calmas e serenas - que nunca este mundo conheceu um velhinho nervoso e ansioso. (por isso, há esperança para mim!)
E eu resignei-me. Não ultrapassei à má fé - ou seja, meter-me na faixa do meio para logo a seguir lhe passar à frente - nem dei uma de mulher à beira de um ataque de nervos, a buzinar como se não houvesse amanhã. Simplesmente resignei-me.
Mas qual não é meu espanto quando vejo o semáforo a ficar amarelo e o carro do senhor velhinho ainda a uma boa distância e, em vez de abrandar, como seria de esperar e como eu própria já estava a fazer, continuou - impávido e sereno - na sua velocidade louca de 30 kms/h, passando o vermelho como se nada fosse.
Foi aí que percebi.
Os velhinhos são todos calmos e serenos - porque no fundo, têm todo o tempo do mundo e já nada vale assim tanto a pena para nos cansarmos antecipadamente - mas um pico de adrenalinazinha logo pela manhã, fá-los sentir vivos e dá outro sabor à vida.

Porque hoje é Dia Mundial da Poesia...


... e porque sem ela a vida não teria o mesmo encanto.

A Tua Voz de Primavera

Manto de seda azul, o céu reflete
Quanta alegria na minha alma vai!
Tenho os meus lábios úmidos: tomai
A flor e o mel que a vida nos promete!

Sinfonia de luz meu corpo não repete
O ritmo e a cor dum mesmo desejo... olhai!
Iguala o sol que sempre às ondas cai,
Sem que a visão dos poentes se complete!

Meus pequeninos seios cor-de-rosa,
Se os roça ou prende a tua mão nervosa,
Têm a firmeza elástica dos gamos...

Para os teus beijos, sensual, flori!
E amendoeira em flor, só ofereço os ramos,
Só me exalto e sou linda para ti!

Florbela Espanca, in "A Mensageira das Violetas"

terça-feira, março 20, 2012

Glow & Ties

Hoje tive a oportunidade de descobrir dois projectos que me cativaram instantaneamente. Um português e o original, que lhe serviu de inspiração e que acabou por ser recriado.
Em ambos, há algo que, para mim, contém a fórmula mágica que leva as pessoas a gostar e a seguir: o contar histórias de pessoas, por pessoas.
O permitir abrir a janela do privado - de forma bonita e cuidada - quase pincelada a toques de magia, com luz e beleza, de todas as pequenas coisas que enchem o nosso quotidiano e fazem da nossa vida aquilo que ela é: os nossos pequenos prazeres, aquilo que nos define, o nosso espaço, as nossas pessoas.
Sempre gostei disso, porque eu própria sou assim. Gosto de pequenas coisas e aprecio o detalhe. Porque é o detalhe que nos caracteriza, mesmo quando todos gostamos de café com leite ou de gelado de morango. A forma como agarro a minha caneca de café com leite de trás para a frente, define-me, conta aquilo que sou, dá-lhe (gosto eu de imaginar) um toque quase poético. E o facto de gostar de o beber a escaldar faz de mim quem sou. E se o fotografo e conto isso mesmo, partilho partes de mim a muitos que, independentemente de gostarem de leite a escaldar, se calhar agarram na caneca da mesma forma e se identificam, criando laços.
É por isso que tenho tanto prazer em contar histórias. Elas aproximam as pessoas. Expõem-nas, é um facto, mas ligam-nas. Alimentam o lado voyeur que todos temos - e que não tem de ser mau.
Uma das coisas que mais prazer me dá é ver janelas de outras casas à noite. Ver e perceber como é que cada um de nós, na sua vida diária, submerso no seu mundo e preocupações, vive. Como organiza o seu espaço, como interage com os que o rodeiam. É como se fosse um livro, cheio de personagens prontas a contar uma história, cheias de segredos por desvendar.
Para mim, espreitar uma janela e ver o interior de uma casa não tem nada de perverso - pelo menos deste meu prisma - mas de inspirador.
É por isso que quando vejo imagens destas e projectos destes, tenho vontade de criar algo semelhante.

Stomach meet butterflies

Há coisas que não há volta a dar. Eu vejo e apaixono-me. Instantâneamente.
É como se as borboletas - de que toda a gente fala - se debatessem, violentamente, contra as paredes do estômago, só pela excitação.
Na minha cabeça rodopiam ideias e imagens que me servem de inspiração diária. Sou muito visual, assumo. Gosto de cores e de formas e de estética, tudo adornado e enquadrado, como a canção da Adriana.
E a arte, seja ela primária ou ficcionada, sempre me moverá. Sempre despertará a minha atenção e fará o meu coração bater mais depressa.
Simples, colorida ou monocromática, pelos dedos de uma criança, ou entre tintas, pincéis, letras, tecidos ou como forma de expressão individual, a arte, a arte sempre me servirá de consolo quando o mundo me parece cada vez mais cinzento.
É por isso que hoje descobri este livro e sinto que me apaixonei outra vez.
É tão bonito e simples, torna a arte tão acessível a qualquer um, desmistifica-a de uma forma tão divertida, que é uma pena muito grande não esboçarmos um sorriso só em ver as imagens.
É pura felicidade instantânea.


sexta-feira, março 16, 2012

Really?!?

Ir ao supermercado é deixar que me assaltem e eu a ver. A sério, eu contenho-me o mais que posso, olho duas e três vezes para os preços, faço cálculos mentais sobre o valor que já levo dentro do cestinho, escolho marcas brancas e não vou em grandes pruridos de qualidade e afins - sou a pior consumidora fiel a marcas que podem conhecer, dêem-me uma marca branca 0,03€ ou até mesmo 0,02€ mais barata e pronto, lá vou eu - mas chegar à caixa e ter uma margem de erro de mais de 10 euros, porra pá, custa!

olha a celulítica!!

Pronto, eu nem sou destas coisas, que celulítica todas temos e sabemos que a gaja se instala quando menos se espera mas, como ando atormentada com o assunto e o Verão aproxima-se a passos largos, não vou negar que é com alguma satisfação feminina que vejo que afinal, afinal, há outras e nem a Bárbara Taborda escapa!

Xô tentação, xôôô!

Hoje lembrei-me de um prato que não como faz tempo, mas que adoro!

Tomatada.

Diz que é uma espécie de ovos escalfados com molho de tomate e cebolada (muita cebolada) acompanhados de batatas fritas.

É divino. Só de falar nisso já estou para aqui a salivar qual cão de pavlov.
É divino mas terrivelmente calórico, logo, não como há séculos. Mas hoje, hoje ao ler alguns blogues por essa blogosfera afora - e nem sei bem como nem porquê - veio-me a tomatada à mente.

Há coisas que a própria razão desconhece.