sexta-feira, novembro 14, 2014

Autumn

 
À hora a que escrevo este post chove a potes. Do sítio onde me sento no escritório mal vislumbro a rua, as janelas ficam longe e estão a maior parte do tempo com as persianas corridas e eu estou sentada no fundo da sala, mas sei que a noite está feia e fria, perfeita para ir para casa enroscar-me na manta e no sofá. À hora do almoço fui à rua comer fora. Deixei a marmita no frigorífico e permiti-me a um devaneio de gastar dinheiro em um almoço do qual não tinha necessidade, qual burguesa. De regresso fotografei as cores do Outono que tanto adoro, árvores pinceladas de amarelos torrados, castanhos dourados e vermelho tinto, numa abébia de sol que o dia permitiu.
Bom fim-de-semana.

memories

 
Vestir o meu casaco mais quente pela primeira vez este Outono, meter a mão no bolso e encontrar dois bilhetes do metro de Paris e a chave do cadeado que deixámos na Pont des Arts.

Aqui ninguém toca - a reacção

 
Tal como disse no post anterior, ontem tinha em mente mostrar o vídeo da campanha 'Aqui ninguém toca' à M. e contar-lhe a história do menino e da mão. Assim o fiz. Contei-lhe a história, que ela adorou e mostrei-lhe o vídeo. No final da história, sem eu ter feito qualquer referência ou tido a conversa com ela sobre onde é ou não permitido tocar, ela diz: 'Ah, então já percebi! A mão não pode tocar debaixo da roupa interior e se o fizer não devemos guardar segredo e contar a um adulto de nossa confiança'.
 
É isso mesmo coisa 'mai' linda, riqueza de sua mãe! (Peito a inchar de orgulho)

quinta-feira, novembro 13, 2014

'Aqui ninguém toca'

Depois de ver e ler esta notícia que me deixou perplexa, fiquei durante algum tempo a pensar no assunto.
Sim, já todos lemos e ouvimos notícias destas e pensamos que nunca nos bate à porta, mas esta teve o condão de me deixar mesmo a pensar no assunto e de me assustar. Sim, já tinha lido sobre a estatística que afirma que uma em cada cinco crianças será vítima de violência ou abuso sexual, mas temos sempre aquela tendência de fazer ouvidos moucos e de achar que não será concerteza com os nossos filhos, de encolher os ombros de ler outra notícia mais alegre e esquecer a anterior e pronto, a vida continua e não se fala mais nisso.
Mas hoje dei por mim a pensar que não podemos, não posso ser assim. Será que reconheceria os sinais se a minha filha passasse por isso? A verdade é que a maior parte deste agentes agressores estão inseridos no meio que lhes serve de inspiração. E este em questão era respeitado por toda a comunidade, gozava de uma reputação inquebrável, além de ser adorado pelas crianças e de gozar de uma confiança inabalável por parte dos pais. E é isso que assusta. O facto de confiarmos tanto em alguém e de nunca colocarmos a questão de que essa pessoa pode não ser exactamente aquilo que achamos que é. Claro que todos corremos esse risco, seja na vida, nas relações pessoais, no trabalho, na escola... Quantas vezes não confiámos em pessoas que reveleram não ser nada daquilo que pensávamos delas? O problema aqui é que em adultos sabemo-nos defender, ou sabemos lidar (melhor ou pior) com isso, mas as crianças não. E a questão que se levanta é como ensiná-las a identificar se estão ou não perante um possível agressor? Como explicar-lhes se aquele professor de ginástica ou educador do atelier de expressão plástica, que é um querido e que está sempre lá para lhes dar atenção, não tem afinal segundas intenções? Como ensiná-las do que é o toque ou comportamento certo do errado? Como fazê-las entender, em tão tenras idades, de que há toques apropriados - seja por amigos ou familiares - de outros que não são permitidos? É difícil, deixa-nos confusos, com medo de não saber lidar com a situação.
Por causa destas questões que hoje me ficaram a matutar na cabeça e entre pesquisas, encontrei esta campanha fantástica, "Aqui ninguém toca" que tem um site, um livro que pode ser descarregado em PDF, um filme e mensagens explicativas de como lidar com a situação com uma criança e formas de abordagem.
Para eles, crianças, a linguagem é simples, infantil, visual, rodeada de dois personagens - uma mão e um menino - que vão explicando de forma também ela simples, infantil e visual o que uma mão pode e não pode fazer.
É tão educativo e didático que merece ser divulgada em larga escala! Eu já descarreguei o livro para mostrar à M. e ainda hoje espero conseguir mostrar-lhe o vídeo. Porque mais vale prevenir.
 
 

comunicar = amar


 Acredito, cada vez mais, que uma relação é feita acima de tudo de comunicação. Independentemente do quanto gostamos do outro, do quanto amamos, do quanto nos faz (ou não) feliz. Sem comunicação nenhuma relação resiste e tudo desvanece, tudo morre. Não há gesto que a salve. Porque por mais que eu repare nas 'small things' e que saiba o quanto elas também são importantes, são as palavras, a confiança e a partilha de sentimentos traduzidos nas palavras que realmente aquecem e inflamam o meu coração.

quarta-feira, novembro 12, 2014

eu só não adivinho a sorte grande mas ninguém acredita

Coloquei a casa à venda. Fechei contrato com uma imobiliária durante 6 meses que me vai ficar com uma boa percentagem caso o negócio se concretize e deixo nas mãos do destino para que assim seja apesar de tudo e que finalmente encerre este capítulo do passado. Mas o meu lado racional, ou experiência de vida, chamemos-lhe assim, levam-me a torcer o nariz e a ficar de pé atrás com toda a situação. Porque tenho campaínhas de 'aviso' que tocam e me dizem, 'Mafalda, já passaste por isto antes e sabes bem o que aí vem' e porque, impreterivelmente, acaba sempre por sobrar nas minhas costas mais um fardo para carregar. Porque já tive a casa à venda uma vez e sei bem como é o filme de marcar visitas, ajustar horários para abrir as portas de casa a estranhos, andar num stress e correrias por causa dos outros, coordenar os horários com o trabalho e tentar ter as coisas minimamente arrumadas e decentes para mostrar - quem é que quer ir visitar uma casa que não seja harmoniosa e esteja num pé de vento? Hoje ligaram-me a perguntar se podia ir mostrar a casa a meio da tarde para um casal que a queria ver. Disse que a meio da tarde era impossível, que estava no escritório e que não podia simplesmente ausentar-me durante uma hora ou mais, sem dar justificações para ir mostrar a casa. Ficou então definido que mostraria a casa durante a hora do almoço, tendo ficado combinado as 14h00. Isso permitia-me sair do trabalho às 13h00, ir até casa e arrumar tudo o que estava fora do sítio para a mesma ter um ar apresentável e voltar para o escritório a horas decentes. Assim foi, saí a correr, fui para casa a correr, arrumei a quantidade de coisas que estavam fora do sítio; fiz camas, lavei loiça, arrumei brinquedos espalhados na sala, casacos que se acumulavam nas costas de uma cadeira, a máquina de aerossóis em plena mesa de jantar, medicamentos espalhados na bancada dentro do armário da casa de banho, despejei finalmente os sacos de lixo que se acumulavam na cozinha para levar para os ecopontos, varri, limpei o pó, passei esfregona no chão, abri janelas, deixei a luz entrar e até coloquei ambientadores na sala e no quarto para dar 'ambiente'. Às duas da tarde a casa estava num brinco e comecei então a espera e a ver pela janela se havia movimento no bairro que indicasse a chegada dos visitantes. Nada. Vazio total.
Às 14h15 decidi ligar para o meu contacto da imobiliária para saber se o colega que supostamente iria mostrar a casa a um casal estava atrasado. Foi então que levei com um balde de água fria. 'Atrasaram-se numa outra visita e já não vão conseguir ir.' Oi? Como é que é? Nem um simples telefonema a avisar que estavam atrasados ou que não conseguiriam comparecer, nada. Fiquei fula da vida. Ali estava eu, qual fada do lar, sem almoçar, mas com a casa num brinco, já atrasada para o escritório, à espera de umas supostas pessoas que não me tiveram em  mínima consideração perante os meus avisos e condições para mostrar a (minha) casa durante a (minha) hora de almoço.
Começa bem esta segunda volta da 'venda da casa' e, não querendo ser pessimista mas sendo-o, também já sei qual vai ser o desfecho que a mesma irá ter.
E com isto penso: caramba, se eu adivinho mesmo tudo, Deus, ao menos bem me podias deixar acertar a chave do euromilhões... é que isto de ser bruxa mas pobre não tem piada nenhuma e só me dá chatices e eu já me sinto velha e cansada. É isto.
 
 

terça-feira, novembro 04, 2014

note to self

Nestes 36 anos acabados de cumprir uma lição importante a reter: tenho de (conseguir) aprender a não esperar tanto dos outros. Só assim evitarei as desilusões e expetativas que deposito e que me saem sempre goradas.

quarta-feira, outubro 29, 2014

Último dia dos 35!

Estou viva! Ainda tenho 35 anos (mas por pouco tempo) e tenho andado a mil, com muito trabalho e pouco tempo para me coçar.
Assim muito a correr, a festa da piquena está marcada e tudo tratado, espaço alugado, convites enviados e já com confirmações. Ela está numa excitação que não tem explicação, a contar os dias para o aniversário e para o Halloween (já comprei um vestido e uma vassoura de bruxa para a piquena... é muita festa junta de umasó vez!) e eu, bom, a preparar e a rever mentalmente tudo o que ainda me falta fazer para Sábado, que vou sentar a família à mesa, o que vou servir àquela gente toda e respectivo repasto.
Pelo meio nestas últimas semanas tive direito a uma escapadinha até ao Alentejo que me soube pela vida, colocar a casa à venda - here we go again - e direito a uma muito boa notícia que foi uma espécie de presente de aniversário antecipado.
Fecho estes 35 anos com um balanço positivo, mesmo que por vezes oscile e me lamente, dê uma de desgraçada da vida com mistos de auto-comiseração. Faz parte deste meu feitio escorpiano torcido com tendência para a depressão sazonal.
Só tenho coisas positivas pelas quais agradecer e amanhã estarei de férias. Amanhã e sexta. Terei por isso um fim-de-semana de quatro dias para fazer o que me der na real gana! Não tenho planos definidos para amanhã, vou andar um pouco ao sabor da vontade e aproveitar estes dias de sol magnífico. Uma coisa é certa, não vou estar com mood de "october blues".
E agora vou dar um salto ao shopping e oferecer um presente a mim mesma para me pôr bela! Os trapinhos sempre me animaram.

sexta-feira, outubro 17, 2014

nua

 
Hoje, com as pressas típicas da manhã, despachar a miúda, preparar tudo o que ela precisa de levar para ir passar o fim-de-semana a casa do pai, pequenos-almoços, secar o cabelo, etc., etc., eis que saí de casa sem colocar um único anelinho nos dedos. Nem um para amostra. Mas lembrei-me várias vezes, enquanto me despachava, no ritmo alucinado que caracteriza todas as manhãs, "não me posso esquecer de colocar os anéis, não me posso esquecer de colocar os anéis". Pois bem, esqueci-me. Só quando me sentei no carro, já com as mãos ao volante é que os meus olhos bateram nelas e 'ai c'ó horrore, ai c'ó horrore' que nem um anelinho no dedo mindinho coloquei, nem um singelo apontamento no anelar, nada de nada.
É estranho. Não estou habituada. Sinto-me um pouco nua. Ao menos tenho as unhas pintadas, retocadas no carro é certo, mas pintadas. Valha-nos isso!

wishlist #2

Já estive com ele na mão tentada em trazê-lo. Tive de resistir com a mais pura das minhas forças, racionalidade e amor ao dinheiro, que este mês já não posso cometer loucuras. Mas não fosse custar 28 euros e já estava a devorá-lo como se não houvesse amanhã.
Não vejo a hora.

a propósito de botas

Num impulso e acto inesperado, acabei por comprar estas da Parfois.
Não são exactamente aquilo que procurava, mas enquadram-se dentro do pretendido: botim com fivelas douradas e ligeiro tacão.
Já as usei e são super confortáveis, ficam bem com calças e com saias e vestidos e o que mais gosto nelas: o preço. Custaram 20 euros. (19,99€) Sinto-me uma vencedora sempre que descubro estas pechinchas!

terça-feira, outubro 14, 2014

Birthday wish list #1

É verdade que ando mais preocupada com o aniversário dela do que com o meu, mas isso não me coíbe de fazer uma “wish list” das coisas que gostaria de receber. Afinal, sonhar não tem preço. Apesar de tudo o que meto na wish list, ter.
Em primeiro lugar a malinha Michael Kors. Sim, ando a namorá-la há séculos. Anos até. Prestes a fazer 36 anos nunca tive nesta minha (ainda) curta existência uma malinha de “grife”, assim boazinha vá. Daquelas que não se rasgam ao fim de uma semana, que as alçam não se desfiam pelo uso diário ou cujo valor não ultrapasse os 20 euros (média de valor que gasto numa mala). Sim, pobrezinha, so what? Vergonha é roubar.
Com a idade comecei a achar que uma boa mala é de facto um investimento que compensa e vale a pena. Mudo cada vez menos de mala a condizer com a indumentária, por isso gostava de ter uma boa mala, neutra e que ficasse bem com (quase) tudo. Esta do Michael Kors enche-me as medidas. É grande q.b. como eu gosto, de formato rígido como eu gosto, com uma alça nem muito curta nem muito comprida como eu gosto. Gosto de tudo nela, menos do preço. A partir dos 30 anos deveria ser obrigatório toda a mulher ter pelo menos uma boa mala ou carteira no seu guarda-roupa.
A seguir umas botas. É verdade, ando na demanda das botas perfeitas. Em tempos idos – mês de Julho – experimentei estas da Blanco. Têm um tacão que para mim é perfeito – nem muito baixo nem muito alto, o que para mim é fundamental pois do alto do meu 1,75m fico uma torre gigantesca com qualquer salto… além de serem cruzadas nos calcanhares e fazerem um pouco de bico à frente. Na altura, comedida por um ataque de racionalismo não as comprei, agora bem posso chorar sobre o leite derramado. (A verdade é que também nunca mais voltei à Blanco, por isso não sei se ainda existem ou não).

Entretanto vi estes dois modelos na net e apaixonei-me imediatamente por eles. São da It Shoes, mas são extremamente caras (para cima de 100 euros) Tenho este terrível defeito de os meus olhos baterem naquilo que é bom… (suspiro)
Post em actualização.

já está tudo mais ou menos orientado ou #octoberblues3

Para os anos dela. Ou seja, pelo menos na minha cabeça.
O local da festa já está reservado, já pedi à escola que me envie o nome das crianças da turma dela para escrever nos convites e entregar. (Já reforcei o pedido mas até agora ainda nada me chegou, mas por enquanto vou tentar não stressar.) Entretanto, também já decidi que além da festa à tarde, num espaço próprio para festas em que iremos convidar as crianças da turma dela, farei um jantar em minha casa para a família e pronto. Tudo isto no dia 1, dia dos anos dela. Para preparar toda esta logística infindável de festas, lanches, jantares, doces, sobremesas, limpar a casa e deixar tudo minimamente organizado com antecedência, vou tirar o dia dos meus anos e o dia seguinte de folga. Assim tenho tempo de ir às compras com calma e de, sozinha em casa, organizar tudo, qual fada do lar. Nos entretantos ainda tenho de comprar convites, decorações de festa e fazer follow-up junto dos pais das crianças convidadas para saber se posso contar com os seus filhos. (Ai, não sou mesmo nada feita para estas coisas...)
 
Vai ser um fim-de-semana duro e, vamos ver se pelo meio, não chego aos 36 com uma apoplexia nervosa.
Let the party begin.

segunda-feira, outubro 13, 2014

coisas que não combinam

Segundas-feiras, chuva, (muita chuva e frio), dores de garganta e ex-maridos ressabiados a chatearem-nos a moleirinha.
 
Arre!

quinta-feira, outubro 09, 2014

ainda agora o ano lectivo começou...

 
E fiquei a saber, pela boca da minha filha, que a sua professora do primeiro ano está grávida e vai ter um menino.
Até aqui tudo bem, parabéns à senhora que isto de trazer crianças ao mundo é sempre uma alegria e Portugal precisa de muitos bebés, mas o que me lixa é que ainda há coisa de 3 semanas tivemos uma reunião no colégio, com todos os encarregados de educação e com a professora para se falar do novo ano lectivo e desta etapa importante na vida dos nossos meninos - o primeiro ano, o início de todo o percurso escolar, as bases da nossa formação - e nessa altura não houve qualquer menção ao facto de a professora estar grávida ou que não iria ficar a leccionar até ao fim do ano lectivo 2014/2015.
E se até já sabe o sexo da criança, significa que já está pelo menos de 21 semanas... (digo eu, que bem sei que com os meninos eles muitas vezes deixam-se "ver" com maior facilidade) e pronto, bem sei que no primeiro trimestre as mães, as grávidas, não gostam de apregoar aos 7 céus que estão grávidas não vá o diabo tecê-las e acontecer algum azar, até aí eu entendo... mas caramba, ficar a saber que a professora da minha filha está grávida pela boca da miúda? Não acho normal comunicarem às crianças e não o fazerem aos pais.
Portanto, continua tudo na mesma, mais um ano em que a miuda não vai ter a mesma professora do início ao fim. Anda há 4 anos naquela escola e pelos vistos já é rotina. O ano passado foi a educadora, este ano é a professora do primeiro ano e ainda estamos em Outubro.
Vejamos o que nos espera lá para Fevereiro...

quarta-feira, outubro 08, 2014

October blues #2

 
8 de Outubro, uma data que perdurará para sempre na minha memória. Há 9 anos atrás estava a casar-me. Mais ou menos o tempo que tem este blogue que, recordo-me, foi criado poucos meses (ou semanas) antes do grande evento. Foi um dia muito feliz com um sol radioso e de muito calor.Um casamento de Outono, como o imaginei. É inevitável não pensar neste dia como um dos mais felizes da minha vida. Correu tudo muito bem, estávamos felizes, tínhamos a vida toda pela frente e um futuro feito de promessas.
Em 9 anos muita coisa mudou. Continuo a adorar tudo o que se relacione com casamentos e a acreditar no mesmo, apesar de me sentir meio desiludida com a vida, com um grande sentimento de falha e de perda que, muitas vezes, não consigo ultrapassar. É a vida, o que é que hei-de fazer? Não me arrependo da decisão que tomei, mas custa-me saber que falhei no meu ideal de família. Ninguém se casa com a ideia de que "se isto não correr bem separamo-nos e cada um vai à sua vida", eu pelo menos não casei. É uma situação complicada quando temos filhos e uma vida em comum e decidimos que para continuarmos a ser fiéis a nós próprios temos de abrir mão da maior parte das coisas que criamos e que alcançámos e começar tudo do zero outra vez . Não é fácil - por muito glamourosa que a ideia possa soar a alguns, porque sim, acredito que para muito boa gente a ideia de estar divorciado seja apetecível - mas para mim não o é. Não gosto, nunca gostei. Sou um animal de hábitos, de rotinas, necessito e gosto de ter uma estrutura familiar, de saber que há alguém com quem me enrrosco à noite e me aquece os pés, ou que pura e simplesmente partilha comigo os serões no sofá e as minhas crises hormonais uma vez por mês. Isso dá-me estabilidade. E, para além de tudo isso, chego à conclusão de que sou tradicional e conservadora. Mais até do que alguma vez julguei ser. Que para mim não faz muito sentido isto do 'viver junto' sem ter as coisas bem definidas, que odeio o limbo de rótulos em que me encontro, uma espécie de 'sou divorciada, mas namorada a viver junto e isso deixa-me na difícil situação de não ser mulher, mas "companheira" - que, by the way, odeio", além de que a ideia de ter filhos sem estar casada não me seja totalmente confortável e de sentir uma falta tremenda da aliança no anelar esquerdo. Pronto, é isto. Para mim o casamento continua a fazer todo o sentido e, talvez por isso, talvez por dar-lhe tanta importância, talvez por já o ter experimentado e vivido, me custe tanto a situação em que me encontro. Porque não, na minha opinião, na minha experiência pessoal, viver junto não é a mesma coisa que estar casado - em tantos, tantos sentidos que agora não vou aqui aprofundar.
Mas não consigo deixar de olhar para as minhas fotografias de noiva e de sentir que estava linda. Bem sei que sou suspeita, mas continuo tão apaixonada pelo meu vestido e véu como há 9 anos e a achar que as fotografias mais bonitas que alguma vez tive em toda a minha vida são as deste dia.

terça-feira, outubro 07, 2014

das mudanças de temperatura (e de humor)

Estou doente. Doente, rabugenta e de mau humor.
Estou de mau humor porque fiquei doente e ficar doente deixa-me rabugenta. Uma pescadinha de rabo na boca portanto.
O que me deixa mesmo chateada é que estou doente por causa do ar condicionado do escritório. Levo com aquilo a bombar durante todo o dia. Mesmo quando anda toda a gente a abanar-se com calor, eu estou a tiritar de frio - e o pior é que ninguém acredita.
Há dias em que a "luta" pelo botão do ar condicionado parece uma demanda sem fim à vista. Vou lá e aumento a temperatura, passado 5 minutos está a 18 ºC! E o pior é que eu sinto, nas costas, o exacto momento em que isso acontece. A semana passada a minha colega que se senta em frente a mim andou a antibiótico. Teve febre, dores de garganta, estava constipadíssima. Foi ao médico, diagnóstico: inflamação das vias respiratórias por causa do ar condicionado. Esta semana sou eu. Estamos aqui numa espécie de limbo ou triângulo das Bermudas do ar condicionado em que só eu e ela sentimos a ventania, já que pelos vistos o resto da sala queixa-se de um calor tropical.
Há dias em que ainda levo na boa, mas depois há outros, como hoje, em que me sinto doente, irritada, com dores no corpo e vontade de estar na cama e não aqui - a levar com mais ar frio em cima - em que me salta a "tampa", principalmente quando vêm barafustar que "não se aguenta com calor na sala".
Mudem-me de lugar, a sério. Metam-me a suar as estopinhas. Num calor tropical que nunca conheci - e já cá estou há quase 2 anos. Metam quem se queixa de calor a receber um friozinho glaciar no lombo 12 horas por dia. Pode ser que assim fique toda a gente satisfeita. Eu agradeço - e a minha garganta também.
 
 

segunda-feira, setembro 29, 2014

Despojos do fim-de-semana


Passeios outonais pelo parque. Regresso às origens e à cidade onde cresci depois de vários meses de ausência. Filha feliz. Avós mais felizes ainda. Tempo em família que acabou por correr muito melhor do que eu alguma vez esperava. (Aos poucos a coisa dá-se). Chuva, muita chuva na auto-estrada. E relâmpagos. (Algum) medo. E respeito. Arroz doce como só a minha mãe sabe fazer e que eu, por mais que tente, nao consigo. Filha vestida de odalisca com fato de carnaval que ainda lhe serve. Caretas e fotografias ao espelho. Nós. Dois. Três. Juntos. Como queremos. Como gosto. Fim-de-semana que passou demasiado depressa. Sinal de que foi bem passado.

O Clooney casou-se



E, digam o que disserem, na minha opinião, não há nada mais sexy num homem do que vê-lo com a aliança de casado.
Adoro.
Pronto, era só isto.

quinta-feira, setembro 25, 2014

O primeiro palavrão


Pois é minha gente, aconteceu ontem, dito alto e bom som e devidamente contextualizado.
Foi mais ou menos isto:
 
"Madalena o que queres de fruta?"
"Pêssego."
"Não há pêssego."

"Então pêra."

"Também não há pêra, mas há maçã."

"Então pronto, eu como a MERDA da maçã."

 ?!?!?!
(ar de espanto e de incredibilidade seguida de reação enfurecida)

"O que é que tu disseste? Repete lá isso outra vez!"
 
Ela, apercebendo-se de que tinha feito… pois, isso mesmo,  m****, encolheu-se, as lágrimas começaram a rolar cara abaixo e não abriu a boca.
Não se fez mais nada, ameaçou-se apenas que se voltássemos a ouvir novamente o palavrão que levava uma palmada no rabo e pimenta na língua, assim mesmo à moda antiga, mas depois, mais calma, falei com ela e expliquei-lhe que as meninas não dizem palavrões, que é feio e para ela não repetir. Entre lágrimas, pediu-me desculpa e abraçou-me, dizendo que não tornava a acontecer, mas por instantes fiquei a pensar se não terei sido eu a responsável pelo episódio, já que me lembrei que no regresso a casa, no carro e depois de a ter ido buscar à escola, praguejei em relação a um carro que ia à minha frente e acho que disse “merda”, esquecendo-me por completo que ela ia no banco traseiro, caladinha e a assimilar tudo o que eu faço e digo.

Deverei pôr pimenta na minha língua? Probably.
 
Vou ali chibatar-me e já venho.

quarta-feira, setembro 24, 2014

Dilemas

Chega-se a esta altura do ano e eu começo a stressar com o aniversário dela. O que é que eu vou fazer este ano para a festa dela? Onde? Como? São coisas que começam a ocupar-me o pensamento mal o mês de Outubro se aproxima. Isso e a fazer contas à vida. Para além de já ser um stress por causa de eu e o pai estarmos separados e de termos de chegar a um consenso sobre como é que é este dia, se almoça comigo ou com ele, se fazemos uma festa única e convidamos os meninos do colégio ou se cada um celebra à sua maneira, tudo me apoquenta. O ano passado não fiz uma festa de aniversário para as crianças da escola, acabei por fazer uma festa de aniversário sim, mas apenas para a família e amigos próximos, em casa dos meus pais com bolos encomendados, outros feitos por mim, a decoração também fomos nós que comprámos e escolhemos e pronto, a coisa deu-se, ela ficou feliz, soprou as velas, teve a família junta e foi uma festa mais pessoal. Para a escola levámos um bolo e cantámos os parabéns com os meninos. O assunto ficou arrumado e sem um grande gasto envolvido. Mas já o ano passado tinha andado a ver preços de espaços e festas porque gostaria de convidar os amigos dela da escola, mas os valores que pediam levaram-me a desistir da ideia. Não ter uma casa grande e suficientemente espaçosa para convidar cerca de 20 crianças (média) e os seus pais, ou um orçamento que me permita não olhar a números e dizer "quero fazer isto aqui, para tantas crianças" e pronto, está feito, sem ter mais preocupações, infelizmente, não é coisa que me assiste. E, por esse motivo, todos os anos o dilema é o mesmo.
Ora, este ano, dia 1 de Novembro, a pequena cria faz 6 anos e este ano, esse dia calha a um Sábado. Logo, não vai haver celebrações com os meninos da escola porque não calha a um dia da semana e mesmo que calhasse, este ano ela está na primeira classe, logo, até às 17h30 não havia brincadeira. Por isso, pela primeira vez  queria proporcionar-lhe uma festa de aniversário daquelas com direito a muita brincadeira e com os amigos de todos os dias num dia verdadeiramente memorável... os preços e os espaços disponíveis é que não ajudam. É tudo caríssimo. Mas mesmo assim, quando liguei para um espaço onde ela até já foi por duas vezes a festas de aniversário de amiguinhos, para o dia de anos dela, já tem duas festas marcadas! O único horário disponível é das 17h00 às 19h00 e eu fico a achar que se calhar para algumas famílias pode ser um pouco tarde.
Como é que fazem as pessoas que não têm recursos financeiros para contratar festas cheias de insufláveis e animação e pinturas faciais e mil e uma coisas? Nem casas suficientemente grandes para receber muitas pessoas e moram num simples andar com dois quartos e uma sala? É que se fala da crise por todo o lado, do não haver dinheiro quase para comer mas depois, um pouco por toda a blogosfera e redes sociais, só vemos fotos de festas que mais parecem casamentos, com direito a "party plannings" e photocall para fotografias, arranjos florais e máquinas de gelados e tudo o que a imaginação e a vontade permitir.
É tudo muito bonito sim, mas nao vou deixar de viver para me endividar durante um ano, mas por outro lado queria que ela, pela primeira vez em 4 anos, sentisse que não tem de se dividir em duas festas, duas famílias e duas casas. Que tivesse pai e mãe e amigos tudo debaixo do mesmo tecto e que por duas horas fosse verdadeiramente feliz.
O que é que eu faço? Há por aí alguém que passe pelo mesmo dilema durante o aniversário dos filhos? E que aquele que deveria ser um dos dias mais bonitos do ano, uma data para sempre a recordar, seja igualmente, uma fonte de stress?
(fotos da festinha do ano passado)
 
Na escola...
 
E em casa
 
 
 
 

segunda-feira, setembro 22, 2014

Chegou oficialmente o Outono

 
E com ele a minha vontade desmedida de estar no ninho, no quentinho do lar a dormir, a comer e a fazer bolinhos! Foi o que me aconteceu nestes dois dias onde desde queijadinhas de leite, brunch com panquecas, maçãs assadas no forno com vinho do Porto e caneça e confort food, houve direito a tudo. (Depois queixo-me, mas não resisto e sabe tãããooooo bem) Nestes dias já mais curtos e nublados, onde apesar de o frio ainda não se fazer sentir já só apetece é estar em casa, rodeada daquelas pequenas coisas que fazem parte do nosso mundo, do nosso conforto e onde simplesmente podemos ser, com naturalidade, sem preocupações e desfrutar o momento, tão simples e tão bom, são para mim os melhores do ano. As primeiras chuvas ( e que chuvas!), as tardes de filmes e séries intercaladas com sestas, tudo isso é para mim, sinónimo de dolce fare niente do qual eu sou verdadeiramente apreciadora. Aproveitei para pôr o sono em dia - apesar de ter andado estes dois dias a acordar cedíssimo porque o corpo, habituado que está a esse horário nem ao fim-de-semana descansa como deve ser - mas no Sábado à noite, fruto de um fim-de-semana sem a cria, aproveitámos para dar um saltinho já tardio ao Mercado da Ribeira para um jantar fora de horas, seguido de uma ida ao Bairro Alto. Um copo de sangria depois e uma caminhada pelas zonas mais movimentadas para ver o ambiente e os sítios que estão "in" e já eu abria a boca e pedia pela minha cama. Domingo ainda me iludiu com os raios de sol que se faziam sentir pela manhã, mas quando até estava tentada a vestir qualquer coisa e ir para a rua aproveitar o resto do dia, o dilúvio abateu-se sobre a cidade acompanhado de forte trovoada. O quadro eléctrico disparou por duas vezes e achámos por bem desligar a electricidade e simplesmente terminar a nossa refeição à luz das velas. E assim convertemos uma trovoada num inesperado almoço romântico! (Always look to the bright side of life!) O resto do dia foi passado em arrumações e muita ronha, com muita calma, como se quer dos domingos.
Bem-vindo Outono, já te disse que gosto de ti?
 

do passado e do presente

 Setembro é o mês de reencontro com a família por alturas das festas da Nossa Senhora da Ajuda. Uma tradição que ainda mantemos apesar de ano para ano ser cada vez visível a ausência de certos elementos. Quando era mais nova, em plena adolescência, vibrava com as festas como se a minha vida dependesse disso. Contava os dias que faltavam para tudo começar,  minha mãe passava os serões a fazer-me vestidos para estrear no Domingo de procissão - ainda não havia Zaras nem grandes sítios onde comprar as últimas novidades da estação - e eu sonhava com as noites na quermesse a vender rifas e a meter conversa com toda a gente (era também uma óptima forma de conhecer rapazes e de me enturmar numa terra que não era a minha). Aqueles 5 dias eram sinónimo de liberdade, deitar tarde, convívio e momentos bem passados. Depois crescemos e as coisas deixam de ter a graça e o encanto de outros tempos, como se perdessem magia. Ficamos embrenhados nas rotinas da vida, da escola, dos filhos, do trabalho e apesar de continuarmos a gostar de voltar, ficamos com aquela sensação agridoce de "já não é a mesma coisa".
Estive os últimos 3 anos sem ir às festas da Nossa Senhora da Ajuda. Não lhes senti a falta, confesso. Invadia-me um misto de tristeza e melancolia por nada já ser como era. Nem a família, nem o almoço de Domingo que de repente deixou de existir, nem os primos do Porto que todos os anos por esta altura vinham e assentavam arraias na casa da minha tia para grande trabalho dela, nem o quarto na casa da prima Raquel que estava sempre aberto para me receber, nem a minha prima Rita, fiel companheira de aventuras, estava lá. Já nada fazia muito sentido e, como tal, também eu me afastei, levada pelo tempo e pela distância física de um lugar que não era meu, de uma festa que não era a minha, para não prejudicar as memórias tão boas e queridas que tinha daquele sítio.
No fim-de-semana passado voltei. Foi bom  constatar que, ao fim de tantos anos, ainda conhecia o caminho para a azenha e que a memória não me traía, foi bom ver novamente a procissão, a família, as primas, a banda a passar, ver a minha afilhada muito crescida e já com namorado (OMG!!, como o tempo voa!) e voltar com a minha filha a meu lado que, a dada altura, decidiu subir ao palco vazio onde a banda ia actuar, sentar-se na bateria que estava montada e dar um show para a assistência para escândalo de muitas das senhoras da idade que assistiam a tudo.
Way to go girl! You rock!
 

quinta-feira, setembro 18, 2014

ainda não tinha falado aqui do regresso à escola, pois não?

Tem sido uma semana tranquila e pacífica com o regresso à escola da pequena cria, mas com a diferença de que este Setembro ficou marcado pela entrada no primeiro ciclo e, como tal, não podíamos deixar de assinalar a data a rigor.
A M. andava entusiasmadíssima com a ideia. Apesar de continuar no mesmo colégio onde já estava no pré-escolar e de já estar familiarizada com o local, as instalações, o pessoal, as auxiliares e até com aquela que é, actualmente, a sua professora, ir para o primeiro ano do primeiro ciclo significava uma nova etapa. Agora é a "sério". Há aulas e disciplinas e letras e números e um horário a cumprir, matérias a aprender e avaliações onde é necessário atingir determinados valores para se considerar "aprovado". Claro que ela ainda não percebe as coisas desta forma. Para ela, esta nova fase significa que vai aprender mais coisas e que, provavelmente, vai passar mais tempo sentada e com menos oportunidade de brincadeira, mas sabe que a responsabilidade é maior e que o nível de exigência também.
Para começar entra uma hora mais cedo. Se antes a deixava na escola às 9h30, agora deixo-a às 8h30. Se custa? Sim, custa muitoooooo, até porque cá em casa não somos daquelas famílias que às 7h00 da manhã já está toda a gente de pé, muito alegre e contente e cheia de energia. Custa-me muito ser organizada e rápida de manhã. Atraso-me com coisas pequenas e se não deixo tudo organizado sou um caos. Esta nova mudança e etapa também significava uma nova adaptação para mim. Deixar tudo preparado de véspera, roupa (a minha, a dela), comida (o meu almoço), tomar banho em 5 minutos em vez de meia hora, vestir-me com tempo contado, maquilhar a correr, secar cabelo a correr, acordá-la, vesti-la, dar-lhe o pequeno-almoço e estarmos a horas na escola. Tudo isso também me assustava por achar que não ia conseguir.
Pois bem, esta semana tenho conseguido fazer tudo isso com tempo e a devida organização. Ela chega sempre a horas na escola e eu às 8h45 já estou no trabalho! Quase uma hora antes do "previsto", mas até nem me importo. Quando chego o ambiente está calmo, há poucas pessoas e confesso que até prefiro. Quantas vezes não cheguei a rondar as 10 da manhã já em pleno stress e com a sensação de que ainda agora o dia tinha começado e eu já estava capaz de matar alguém.
É verdade que estamos na primeira semana e tanto eu como ela temos conseguido ser "certinhas" e "on time", mas acredito que com o passar do tempo as coisas possam descambar um bocadinho (eu conheço-me) e sei que o frio e a chuva dos dias de Inverno vão ser um forte factor para ficar mais 15 minutos na cama e que esses 15 minutos depois me vão sair caro e provocar o descalabro matinal. Mas pronto, não vou sofrer por antecipação. O que importa reter desta primeira semana de escola oficial é que tudo correu muito bem. Ela tem estado tranquila e feliz e se ela está bem e feliz eu também estou! Tem imensos coleguinhas novos e alguns meninos que transitaram com ela do pré-escolar. Está completamente à vontade com a escola, o ambiente e as pessoas. Não houve choros, nem dramas, nem birras, nem para ir para a escola, nem para acordar de manhã. E eu olho para ela, tão crescida e penso que qualquer dia está-me a pedir dinheiro para ir com as amigas ao shopping e ao cinema em plena adolescência.
Dia 15 de Setembro marcou uma nova fase na nossa vida. Eu orgulho-me, mas como tenho medo de um dia mais tarde me esquecer destes momentos, das datas, das emoções e dos sorrisos que marcaram esta segunda-feira, registo-as e exibo-as com muito orgulho. Afinal de contas, ela é o meu mais precioso tesouro, o meu bem mais valioso, a minha obra de arte, o meu coração fora do peito, o meu "cliché" mais rebuscado e do qual nunca me canso. É minha.
Boa sorte filha e que tenhas tanto gosto em aprender e em estudar quanto eu tive.

quarta-feira, setembro 10, 2014

Relax


Regressei ao hospital para analisarem o estado das lesões. Tudo a cicatrizar, algumas já praticamente saradas. Antibiótico a fazer efeito como deve ser. Agora é rezar para que a "bicheza" que me apanhou não volte nunca mais a fazer das suas. E descomprimir, que isto deu-me cabo dos nerbios.

terça-feira, setembro 09, 2014

Hospedeira

Não tenho dado notícias porque nesta última semana andei um pouco em baixo de forma. Não sei explicar muito bem o que me aconteceu, mas ao que parece, houve uma bactéria que gostou de mim e decidiu procurar condomínio no meu corpo. Mais concretamente nas minhas pernas e pele. Em poucos dias comecei a ganhar umas pequenas bolhas na perna direita que rapidamente se tornaram ferida e alastraram. Daí a ter ficado com as pernas a parecer a próxima jihaidista foi um instante. As feridas estavam enormes, não cicatrizavam, eram super dolorosas e qualquer toque, por mínimo que fosse, parecia que me estavam a cortar aos pedaços. Isto trouxe alguns problemas logísticos, nomeadamente o facto de não conseguir suportar roupa a roçar ou um simples lençol durante a noite.
Ao longo da semana fui-me convencendo de que conseguia tratar disto sozinha, com desinfectantes, gazes esterilizadas e pomadinhas, evitando a todo o custo ir ao hospital, mas foi quando tudo se tornou insuportável, sem resultados à vista e com as dores a consumirem-me dia e noite, com os movimentos da perna presos e com mais borbulhas a aparecerem na perna esquerda, que tive de me render.
Passei a tarde de sábado no hospital de S. José, na triagem, à espera de ser vista. Quando finalmente aconteceu, encaminharam-me para o Hospital Curry Cabral para ser seguida na dermatologia e passaram-me um antibiótico. Comecei portanto a tomar antibiótico no sábado e a ver a luz por breves momentos. As feridas ainda não estavam a cicatrizar, mas pelo menos já estavam com melhor aspecto... Ontem lá fui até ao Curry Cabral para ser atendida, com o relatório médico numa mão e as pernas prontas para serem vistas. Fui atendida por uma equipa de jovens médicos bastante competente e atenciosa. Tiraram um pouco de amostra para análise e avançaram com um diagnóstico ainda não confirmado. Ao que tudo indica trata-se de uma bactéria que pode ser apanhada em ambientes de pó ou praia e que, alojada em pessoas com peles mais sensíveis (tipo, EU!), pode provocar esta reacção. Ora, bate certo com o que já desconfiava... é que nos meus últimos dias de férias fui  fazer um piquenique em pleno campo, andei sempre de chinelos no pé, piquei-me com uma valente farpa num dedo (e andei coxa por isso) e tomei banho numa ribeira... Eu já desconfiava que a farpa podia ter-me deixado neste estado porque a verdade é que dois dias depois do sucedido começaram a aparecer as bolhas, mas daí a ficar a parecer uma mártir, nunca pensei.
Amanhã regresso ao Curry Cabral para nova consulta. Continuo a tomar antibiótico e as lesões já começaram a secar. Ainda me dói a perna, mas já consigo vestir calças (embora das largas) ou andar sem mancar, mas só espero que o bicho morra ou desapareça de vez, porque não desejo isto a ninguém.
Foi uma semana a "roçar" o "lixadinho".
 
 
 

quarta-feira, setembro 03, 2014

rentrée

 
O meu cabelo também decidiu preparar-se para a rentrée. Já há algum tempo que andava em modo "estou-que-não-me-aguento-com-esta-cor-e-este-corte-de-cabelo-sem-gracinha-nenhuma", mas lá me fui aguentando. Porque era verão, porque vinham aí as férias e a praia e o sal e o cloro da piscina e tudo e tudo e tudo. Pois bem, eis que acabou! As férias já terminaram, os dias de mergulhos infinitos de manhã, à tarde e à noite também, as lavagens sucessivas duas e três vezes por dia idem e a cor... Bom, a cor nem vos falo, já era um misto de cor antiga com raízes escuras, cujo ex libris terminava na franja lateral que nestas férias passou a maior parte do tempo presa com um gancho (muitas vezes eram os da pequena cria que me salvavam o dia).
Perante este cenário, assim que meti os pezinhos em Lisboa que andava desejosa de me sentar na cadeira do cabeleireiro e mudar a cor, definir o corte e cortar franja. Franja, franjinha, como usei durante tanto tempo e que é como gosto de me ver.
Foi ontem, saí do trabalho decidida a deixar  o look indefinido para trás e dizer olá ao meu verdadeiro "eu" que se encontrava escondido há tanto tempo. E voilá, aqui estou de novo, renascida, mais escura e próxima do meu tom natural e renovada!
Outono, podes vir que estou preparada para te receber!

segunda-feira, setembro 01, 2014

Back to town

Estamos de regresso ao trabalho e à vida em geral depois de duas semanas de puro dolce fare niente, com muito sol, muitos mergulhos na piscina (e menos praia do que o habitual), muito tempo em família, muitas sestas (tão bom!), muitas noites quentes e estreladas a sul e muitas outras coisas que são sinónimo de férias e de boa vida (comidinha, brincadeiras, gargalhadas, mergulhos e passeios). Pequena cria teve a sua primeira saída de Portugal a tierras de nuestros hermanos, viu dançar sevilhanas e teve direito aos seus primeiros sapatos de flamenco com salto e tudo para seu grande delírio. Aprendeu ainda a nadar sem braçadeiras, a boiar, a dar mergulhos e a passar entre as nossas pernas, qual peixinho na água e a tomar o seu primeiro banho em barragem! Foram umas férias feitas de novas experiências. Mas como o que é bom acaba depressa, eis-nos de regresso ao trabalho - que também é gratificante, pois é sinal de que existe! - e à rotina do dia-a-dia do acordar cedo, trânsito, escola e os pequenos afazeres que fazem parte da rentrée. No imediato espera-me uma ida ao supermercado para abastecer o frigorífico que, depois de duas semanas de ausência está completamente vazio e, esta semana, a compra dos manuais escolares do 1º ciclo, assim como todo o material necessário, já que a escola oficialmente começa a 15 e eu ainda não tratei de nada. Hoje foi dia de organizar a quantidade louca de emails que tinha na caixa do correio - e que ainda não terminei - e de dar prioridade aos assuntos mais urgentes. Não fui invadida pela moleza e pelo sono que diariamente me assolavam nas tardes solarengas e quentes de férias, o que significa que o primeiro dia do regresso ao trabalho foi bem superado! 
Bem-vindo Setembro, espero que sejas tão bom quanto o Agosto.

 

quinta-feira, agosto 14, 2014

Keep calm

 
Estamos oficialmente de férias. Entramos em modo "off" e não sei se conseguirei ir actualizando o blogue durante as próximas duas semanas. O mais provável é que não o faça, pois não terei computador e não sei se me safo só com o telemóvel. Não faço promessas. Uma certeza tenho: vou tentar aproveitar ao máximo e ir colocando algumas fotos, as que me apetecer partilhar, no Instagram. Por isso apenas digo, "até já".

quarta-feira, agosto 13, 2014

may you see the beauty in simple things

 
Estou a poucas horas de entrar oficialmente de férias e entre a ânsia de ver o tempo voar e de deixar tudo pronto, sou atormentada pelo que ainda me espera: arrumar malas, a minha, a dela, lavar roupa e esperar que seque a tempo de a poder colocar na mala amanhã (com este vento acho que não haverá problema), pensar nas toalhas de praia, saco, protector solar, secador, cremes, roupa para vestir para a praia, roupa um pouco mais compostinha caso se saia à noite um bocadinho e todas as millhentas coisas que terei de ter em mente para que nada me falhe durante as próximas duas semanas. Sou sempre assim. Gostava de ser mais leve e de conseguir fazer malas com a mesma facilidade com que faço textos ou tiro fotos. Era bem mais fácil e prático. Não quero saber. Não me vou stressar com o assunto. A felicidade de entrar de férias e estar com a minha pequena cria supera tudo o resto. Hoje tive oportunidade de a ver e fiquei com o coração ainda mais apertado. Caramba, queria tanto tê-la trazido logo comigo, mas ainda me esperava uma tarde de trabalho e não havia forma de contornar isso. Amanhã já estamos juntas, duas semanas inteirinhas juntas. Dia e noite, noite e dia. Bem sei que daqui a uma semana já andarei a queixar-me que trabalho mais nas férias do que quando estou a trabalhar no escritório - ter de fazer sempre almoço e jantar - e aturar filhos 24 sobre 24h não é pêra doce, mas neste momento não quero saber. Almoçamos às 4 da tarde se tiver de ser, acordamos ao meio dia se nos apetecer, fazemos o que nos der na real gana e na vontade, sem pressas, horários ou imposições. Quero duas semanas de tranquilidade, desfrutando da vida aquilo que ela tem de melhor: a família que já considero como minha, ela, ele, nós, sol, praia, sabor a sal no corpo e chinelo no pé. Faremos castelos na areia, daremos mergulhos na piscina, chatear-me-ei centenas de vezes por dizer-lhe que saia da piscina que já está a ficar roxa e enrrugada (é sempre assim), com ela a tiritar de frio e a negar-se a deixar aquele paraíso aquático. Comeremos figos até ficarmos de barriga cheia e pêssegos e peixe grelhado, brincará na rua até ser noite, até que eu, de casa, a chamarei para vir jantar. Tudo isso faz parte e a acontecer é bom, é sinal que vivemos o momento e que o vivemos juntos. Espero que ela recorde para sempre estes dias como sinónimo de felicidade, porque o são de facto.
E se ela me pedir panquecas, eu farei, mesmo que nem sempre me saiam bem, mesmo que necessite de estar inspirada para que fiquem com aquele ar fofo e apetecível. Como as que fiz este fim-de-semana e que estavam deliciosas. Serão assim os nossos dias e eu estou ansiosa para que comecem.
 

single moms club



Ontem, num jantar em casa de amigos onde estava imensa gente, casais de namorados, amigos, solteiros, etc., das quatro mulheres presentes inicialmente (porque depois apareceram mais), as quatro sem excepção eram separadas, mães e com filhos que rondavam as idades dos 5 aos 8 anos. E ali estávamos todas na cozinha em redor do fogão a preparar o jantar para aquela malta toda, giras (sem falsas modéstias), trabalhadoras, sérias e empenhadas numa boa educação para o nosso maior bem nesta vida, os filhos, enquanto partilhávamos vivências em comum, dificuldades sentidas, adversidades contornadas, episódios pessoais e relacionamentos. Não me senti num grupo de apoio, senti-me num grupo de mulheres fortes e decididas, super-mulheres, super-mães, capazes de mudar o mundo. Onde os filhos são a nossa prioridade sim, mas também somos mulheres, merecemos aproveitar a vida, desfrutar aquilo que ela tem de bom, apaixonarmo-nos novamente se assim tiver de ser, mas sempre sem perder esta capacidade e força inspiradora que nos leva a fazer uma ginástica brutal em relação a tudo e de mesmo assim nos rirmos das coisas.

terça-feira, agosto 12, 2014

notícia choque do dia

"Boys, you must strive to find your own voice. Because the longer you wait to begin, the less likely you are to find it at all. Thoreau said, "Most men lead lives of quiet desperation." Don't be resigned to that. Break out!"
 
 
Tão inspirador, tão magnânimo, tão tocante. Não duvido que será imortal nas lembranças das gentes, mas que vai fazer uma falta do caraças, vai.