quinta-feira, julho 26, 2007

be afraid, be very afraid...


Quem o vê assim deitado e a dormir o sono dos justos não imagina o pestinha que este gato é! Um verdadeiro terrorista sob a forma de 4 patas! E ontem, tive mais uma bela demonstração do seu poder destruidor quando cheguei a casa e fui presenteada com todos as minhas velas, jarras e lamparinas que estavam em cima das prateleiras da sala, partidas em mil bocados no meio do chão. É que o Gaspar agora deu para ser o ‘gato-aranha’, ou o ‘gato-malabarista’, ou o ‘gato-voador’ e deve andar com dúvidas em relação à sua verdadeira vocação, vai daí, tudo o que seja móveis altos, prateleiras, estantes, armários, são uma óptima forma de treinar as patas. Eu confesso que quando abri a porta e vi aquele espectáculo me cresceu uma raiva enorme! É que ao fim de quase um ano connosco, o Gaspar não acalma, possui demasiada adrenalina e aos poucos vai-me destruindo a casa. Já me partiu um candeeiro, um jarrão enorme, estragou-me o sofá, a coberta do sofá, as cadeiras da Habitat, rói chinelos – as havaianas do C. estão num estado lastimável cheias de buraquinhos e marcas dos dentes dele – já me roeu cintos, saltos, estragou blusas, e até um Bonsai que estava comigo há mais de dois anos e que eu amava! Agora, a última tara dele é roer torneiras (mas nessas não deixa marcas, mas qualquer dia ainda parte um dente!)
Apanhou umas valentes palmadas – tanto ele como a Magali – porque sei que não foi só ele que teve a culpa! Quando começam os dois a correr um atrás do outro, a casa torna-se demasiado pequena, ficam demasiado excitados e destroem tudo que apanham pelo caminho! Ontem quando saí para ir trabalhar eles andavam enlouquecidos e o resultado foi o que se viu quando cheguei a casa.
Depois de me acalmar, apanhar todos os cacos e de fazer o jantar, decidi enviar um sms à Diane a perguntar se ela tinha boas notícias. Ontem era o dia em que ela ia saber se dos oito ‘ovos’ que conseguiu ‘criar’ dentro dela, algum deles era saudável – ou seja, livre da doença. (desculpem-me a linguagem grosseira, mas não domino o caractér científico do tratamento e dos nomes correctos) A resposta veio minutos depois. Tinha conseguido dois! O que significa que se tudo correr bem, a Diane possa vir a ser mãe de dois bebés saudáveis! Fiquei super feliz, confesso, mas não consigo deixar de sentir uma pontinha de tristeza profunda por não conseguir sequer, fazer os tratamentos.
Na passada segunda-feira, o C. passou pelo Hospital Curry Cabral para me marcar a consulta de dermatologia. Agora resta-me esperar que chegue o postal a casa com a data e a hora. Tendo em conta que estamos quase em Agosto, período de férias por excelência para os portugueses, suspeito que a consulta seja lá para Setembro ou Outubro… por isso não me resta mais nada a não ser esperar…
Eu espero e desespero e a verdade é que já nem acredito muito no velho provérbio do: ‘Quem espera sempre alcança’. Talvez devesse ler o ‘The Secret’, ao qual a Visão dedicou a edição desta semana, e ter uma atitude mais positiva, mas já não consigo. Ando negativa e atraio coisas negativas. Talvez seja por isso que a minha vida ultimamente esteja um completo caos! O que me vale é que as minhas férias estão à porta e amanhã é o último dia de trabalho ao pé desta gente louca e disfuncional!
Ááááúúúúuúúú

terça-feira, julho 24, 2007

O que há em mim é sobretudo cansaço


















O que há em mim é sobretudo cansaço
Não disto nem daquilo,
Nem sequer de tudo ou de nada:
Cansaço assim mesmo, ele mesmo,
Cansaço.

A subtileza das sensações inúteis,
As paixões violentas por coisa nenhuma,
Os amores intensos por o suposto alguém.
Essas coisas todas -
Essas e o que faz falta nelas eternamente -;
Tudo isso faz um cansaço,
Este cansaço,
Cansaço.

Há sem dúvida quem ame o infinito,
Há sem dúvida quem deseje o impossível,
Há sem dúvida quem não queira nada -
Três tipos de idealistas, e eu nenhum deles:
Porque eu amo infinitamente o finito,
Porque eu desejo impossivelmente o possível,
Porque eu quero tudo, ou um pouco mais, se puder ser,
Ou até se não puder ser...

E o resultado?
Para eles a vida vivida ou sonhada,
Para eles o sonho sonhado ou vivido,
Para eles a média entre tudo e nada, isto é, isto...
Para mim só um grande, um profundo,
E, ah com que felicidade infecundo, cansaço,
Um supremíssimo cansaço.Íssimo, íssimo. íssimo,
Cansaço...

Álvaro de Campos

domingo, julho 22, 2007

cultural saturday



















Decidimos não ir para a praia. Em vez disso, ficámos pela cidade, desfrutando da calmia quase típica de Agosto e da ausência de trânsito. Rumámos para uma esplanada junto ao rio, onde a vista se perde na imensidão da paisagem e o barulho das águas nos relaxa por dentro. Parámos no quiosque da avenida ao pé de casa para comprar o jornal. Adoramos este ritual de Sábado. Instalámo-nos numa cadeiras de lona com o Cristo Rei sob pano de fundo e um sol abrasador que nos queimou os braços. Ali ficámos, horas perdidas na calmia de uma tarde que teve o poder de quase nos transportar para um dia de férias. Por volta das cinco e meia, já o sol ia alto mas ainda deixava marca, decidimos que estava na hora de ir até ao CCB ver a Exposição Berardo. Com a oportunidade de ver peças de arte de alguns dos artistas mais famosos do Mundo e entrada grátis, só não vai mesmo quem não quer. Parámos junto aos Jardins de Belém e comprámos um gelado na rua, o CCB transbordava de pessoas, principalmente famílias com crianças, que deliravam perante os 'jardins de água' que, numa questão de minutos, pulverizava todos quantos se atreviam a passar por eles. Entrámos na colecção Berardo de olhos muito atentos e abertos. O avançado das horas não nos permitiu ver tudo quanto queríamos, o concerto da Lila Downs no Delta Tejo começava às 19h10 e eu não queria atrasar-me. Decidimos regressar noutro dia e ver tudo, mas mesmo tudo! (ficou por ver as fotos da Cindy Sherman, que eu simplesmente adoro!)

À saída reparei que alguém dobrava um pedaço de tecido que me parecia familiar. Olhei duas vezes para ter a certeza. Era ela. Voltou a cabeça e olhou muito séria para mim. Provavelmente fui demasiado óbvia, mas fiquei ofuscada por aqueles olhos que alternam entre o cinza e o esverdeado, aquela pele de rosto muito alva, quase perfeita. Excitada pela coincidência, contei logo ao C., que apesar de não seguir o blogue dela, apenas disse: 'ah, a das bonecas de pano!'

Seguimos para o Delta Tejo no pólo universitário da Ajuda. Encontrei-me com a A. e a L. e andámos uns valentes metros entre pó e pinhal para chegar à zona dos palcos. Chegámos mesmo a horas, ia começar. O som esteve mau, havia vento e por vezes a potente voz dela quase que deixava de se ouvir. Mesmo assim cantou temas como 'La Cucaracha', ou 'La Iguana', ou ainda 'La cumbia del mole'. Durou menos de uma hora, às oito em ponto estava a deixar o palco, seguia-se João Pedro Pais, e nós achámos que já tínhamos visto do festival Delta Tejo o suficiente. À saída ainda comprámos uma fartura e seguimos viagem até ao antigo cinema Monumental, agora transformado em Dolce Vitta, para ver o último filme do Tarantino, Death Proof, que é simplesmente, GE-NI-AL! (ok, eu sou suspeita porque sou fãnzérrima dele, mas quem gosta do género sabe do que falo).

Recomendo vivamente, mais não seja por outra colectânea de muito boa música, a que mister Quentin já nos habituou...



sexta-feira, julho 20, 2007

Lila Downs... otra ves y siempre

Ela voltou a casa outra vez e eu volto com ela. Sempre.
É já amanhã, aqui.

terça-feira, julho 17, 2007

a vida por etapas




















Os meus últimos dias têm sido um pouco conturbados e isso reflecte-se no meu estado de espírito, que ultimamente tem andado pelas ruas da amargura. Sei que nunca falei ainda no blogue abertamente sobre este assunto, mas acho que está na altura de o fazer porque me sinto angustiada com todo o rumo das coisas. Como sabem tenho um problema de pele, problema esse que dá pelo nome de ‘Ictiose’. Trata-se de uma doença genética rara, transmitida de pais para filhos e que eu herdei através da minha mãe, também portadora da mesma. O facto de ser portadora de ictiose nunca me impossibilitou de seguir a minha vida normalmente, ou tão pouco, de me sentir tão humana ou ‘normal’ quanto os demais. A adolescência foi um período mais conturbado, cheio de inseguranças e complexos à mistura, mas que eu considero que ultrapassei bem. Aliás, qual não é o adolescente que não é complexado? (e nem é necessário ter um problema de pele para se sentir a pessoa mais miserável e incompreendida deste mundo). A verdade é que estudei, formei-me naquilo que quis, vivi no estrangeiro por duas vezes, trabalhei anos a fio na área, casei-me e encontrei a estabilidade emocional desejada. Ao fim de dois anos, o desejo do ‘baby’ apareceu, mais forte do que nunca. Acho que é a evolução natural das coisas. Tenho 28 anos, a caminho dos 29 ainda este ano e há dois anos que ando na saga de ‘médicos, estudos genéticos e tentativas frustadas de conseguir ter um bebé saudável’.
Conheci a Diane, já falei dela várias vezes neste blogue, através de um fórum internacional da doença. Foi ela quem me deu as únicas esperanças nesse sentido. Tal como eu, é portadora de ictiose, mas bulhosa, uma versão mais gravosa que a minha. Temos também a mesma idade, somos ambas casadas e possuímos um desejo comum: ter um bebé saudável. A Diane conseguiu, através de um estudo genético, identificar em que zona do Adn dela a mutação genética ocorre. Isso foi a porta aberta para começar a fazer a fertilização selectiva, através da fertilização in vitro – a qual ela já vai na 6ª tentativa! Ao saber desta possibilidade, movi mundos e fundos, para conseguir fazer o mesmo em Portugal. As portas foram-se fechando, sempre. Ou porque ‘eticamente’ não era possível, ou porque os médicos não se queriam envolver, ou porque ‘semelhantes tratamentos não existiam em Portugal’, etc., etc..
As desculpas foram sempre muitas e variadas e eu cheguei a desesperar e a perder todas as esperanças. A única hipótese que se afigurava viável no meu horizonte era fazer os tratamentos no estrangeiro, neste caso na Bélgica, de onde a Diane é natural. Mas não possuímos nem tempo, nem r€€ndimentos que permitam grandes ausências e temporadas no estrangeiro.
Até que um dia, estava eu sentadinha em casa a ver o jornal da noite da Sic e numa grande reportagem de Domingo sobre o tema ‘infertilidade’, descobri que afinal, a dita técnica de ‘fertilização selectiva’ para doenças genéticamente transmissíveis, era realizada no Porto, através do Dr. Mário Sousa. Nem pensei duas vezes, fiz pesquisa na net e enviei-lhe um email. Três dias depois estávamos a caminho do Porto para uma consulta. Vim de lá com o coração aberto e cheio de esperanças. A técnica fazia-se em Portugal, tudo quanto necessitava para começar, era fazer o estudo genético à minha doença, identificando a mutação genética e onde a mesma ocorre. O meu sangue foi extraído no Hospital da Estefânia em Lisboa, local onde sou seguida e o Adn enviado para uma clínica em Antuérpia. Isto foi em Fevereiro de 2007 e cinco meses depois o resultado chegou: negativo.
Esta notícia arrasou-me. A partir daqui os acontecimentos têm sido em catadupa e tenho-me sentido muito angustiada. O resultado negativo significa que não conseguiram identificar absolutamente nada, nenhuma mutação, o que trocando as coisas por linguagem leiga, sem identificação de mutação, não poderei fazer os tratamentos no Porto. (Não se fazem omoletes sem ovos, não é?) Na altura chorei baba e ranho, senti o mundo desabar em cima dos meus ombros. Acho que ainda não recuperei por completo. Depois de tanta coisa, de tanta luta, tinha voltado à estaca zero e todas as esperanças de ter um bebé saudável iam por água abaixo. Confesso que a minha actual relação com o Hospital da Estefânia não é a melhor. Digamos que acho que não tenho tido o apoio e o aconselhamento devido da parte da médica que me segue. Se não fossem as minhas pesquisas por iniciativa própria e os contactos que tenho feito, ainda hoje estaria na estaca zero, sem um único teste genético feito. Duas semanas após a notícia do resultado negativo e depois de ter falado com a Diane via messenger e de muitas pesquisas na net, comecei a pensar se o diagnóstico que me fizeram estaria correcto. Ou seja, se a minha ictiose é mesmo ‘vulgaris’ como sempre me disseram. Nunca fiz nenhuma biópsia comprovativa – erro médico gravíssimo – e isso poderia inviabilizar todos os diagnósticos feitos tendo a Ictiose vulgaris como base. Marquei consulta numa nova dermatologista - que curiosamente já foi minha dermatologista há dez anos atrás e a qual tinha perdido por completo o rasto - e pedi um comprovativo de diagnóstico. Ao ver-me, e perante o resumo de toda a minha história e saga pessoal, ligou logo para o Hospital Curry Cabral, que segundo a mesma, é o único hospital em Lisboa (se não mesmo a nível nacional), que possui uma unidade especializada na minha doença. E agora pergunto eu, como é que é possível que ao fim de tantos anos em médicos, nunca nenhum tenha tido o cuidado de me informar sobre isto? Como é que é possível que haja uma associação de doentes com ictiose no meu país e eu, que devo ser das poucas a sofrer desta doença, desconheça completamente que a associação existe? É por este tipo de coisas que me sinto cada vez mais e mais revoltada com a classe médica portuguesa. No que me toca em particular, o desconhecimento e a ignorância dos médicos em relação a uma doença ‘fora do normal’, é tudo menos profissional.
E estou farta, mas mesmo farta de ouvir a eterna resposta passivo-acomodada do: ‘você leva uma vida ‘normal’ e tem 50% de hipóteses de ter um filho saudável, por isso…’ como se eu me devesse resignar e conformar com o destino que o genoma humano me deu, e esperar que a lotaria genética seja abonatória a meu favor na altura em que decidir a ter um filho. Recuso-me! Essa resposta nunca me serviu de consolo nem nunca servirá. Um médico que diz isto a um paciente, deveria bater na boca, porque não faz a mínima ideia do que é viver com algo assim diariamente e muito menos desejar o mesmo destino para um filho. Eu sei que há doenças piores que a minha, mais graves, mais limitativas, mais tudo, mas saber que há uma pessoa exactamente como eu, que pelo menos está a fazer algo para impedir que um futuro filho nasça como ela, enquanto eu não posso fazer nada, revolta-me muito. Sinto-me muito angustiada, muito enegrecida, muito só. Sinto que nem o meu marido me poderá ajudar, porque por mais apoio que me dê, não consegue sequer imaginar como me sinto.
Ontem foi dia de voltar à dermatologista. Pensava eu que ia fazer uma biópsia, mas não. Ela decidiu que o melhor é começar todo o processo a partir do Hospital Curry Cabral. Fez-me uma carta e desejou-me boa sorte. Mais uma médica que se descarta e mais novos médicos chegam à minha vida. Hoje tentei marcar consulta por telefone, mas só indo lá pessoalmente o poderei fazer. (neste país, é tudo a ajudar...)
Neste momento a minha vida é feita de esperas e de etapas. A próxima etapa é conseguir marcar consulta no Curry Cabral, depois é ir novamente ao serviço de Genética da Estefânia saber o veredicto final do estudo e mais lá para diante, voltar ao início com mais recolhas de sangue, testes, biópsias e possivelmente um diagnóstico final.
Já não sei se hei-de ter muitas esperanças. Neste momento divido-me entre o medo e o desejo. O medo de ter uma criança assim e o desejo de a ter. Não é fácil lidar com sentimentos contraditórios, não é fácil sair da fossa quando tudo à nossa volta se desenrola de forma lenta e contrariando a nossa vontade. Não posso sobrepôr-me à ciência e no meu caso, só a ciência me pode ajudar.
Decidi falar abertamente sobre tudo o que me anda a acontecer, porque acho que está na altura de falar às pessoas sobre isto, divulgar a doença, abrir mentalidades. É a ignorância que nos faz ser xenófobos, racistas e/ou intolerantes perante pessoas de cor, raças ou de pele diferente da nossa. Eu não tenho muitas razões de queixa nesse sentido, mas sinto que está na altura de fazer mais sobre isto, por mim e por todos os outros como eu. Por isso criei um blogue dedicado em exclusivo à Ictiose, não só porque nas minhas pesquisas na net a informação é escassa ou quase nula, mas também porque em Portugal, desconheço quem possa estar a passar por algo semelhante. E se houver alguém, então o propósito com que criei este blogue já foi benéfico. Nele irei falar sobre a doença, explicar os diferentes tipos de Ictiose, os sites internacionais relacionados com o estudo da doença, colocar os resultados das minhas pesquisas e todo o tipo de informação que possa ajudar alguém que queira informar-se. Não é apenas um blogue sobre sofrimento, não é isso que eu pretendo. É um blogue educativo, para todos: familiares e amigos de doentes com Ictiose, ou simples interessados na matéria.
Por favor divulguem, difundam, espreitem, informem-se, comentem. Ainda está no início, mas prometo dar-lhe a atenção devida e ir actualizando devagarinho, por etapas, tal como anda a minha vida. http://www.ictiose.blogspot.com/

domingo, julho 15, 2007

weekend stories



















Confesso que hoje, Domingo, já me encontro a sofrer do stress antecipado do regresso ao trabalho. Acho que estou a atingir uma saturação muito grande, que me deixa num estado de ansiedade permamente e nem mesmo ao fim-de-semana consigo relaxar. Acho-o sempre demasiado pequeno, demasiado rápido, demasiado curto, mesmo que o tenha preenchido e ocupado.
Na sexta-feira à noite rumámos até à Ericeira. Eu ando necessitada de sol e praia e por isso, lá convenci o C. a irmos passar lá a noite e todo o dia de Sábado, trabalhando para o bronze e para o dolce fare niente. Assim foi. Aproveitámos o facto de os meus sogros estarem cá em baixo, para jantarmos todos juntos e, no dia seguinte, acordámos tarde, fomos até à vila tomar café, comprar o jornal e claro está, comer um fantástico queque de chocolate na 'Casa dos Queques' - um verdadeiro delírio gustativo e visual para todos os gulosos que como eu, querem comer, provar e trazer tudo e seguimos para a nossa praia de sempre, S. Lourenço.
O dia de praia esteve maravilhoso. Não corria uma brisa, o sol esteve sempre descoberto e as horas passaram com a languidez própria do espírito. No final do dia esperáva-nos um jantar com esta menina e seu respectivo esposo. No Siesta, porque todos gostamos muito de comida mexicana, das suas cores e de margaritas, sejam elas de limão ou de morango. Por isso, rumámos novamente até Lisboa para estar à hora marcada, ali, naquele passeio marítimo junto ao Tejo, em tarde de Verão à beira-rio. Ficámos na conversa até tarde, falámos das férias deles e das nossas, de trabalho e recordámos histórias. Foi bom. Despedimo-nos com beijos e abraços e seguimos para o cinema, para a sessão da meia-noite, para ver o novo filme do Harry Potter, do qual o C. é grande fã. Eu confesso que li os primeiros três livros, e vi os três filmes, por isso, este Harry Potter e a Ordem de Fénix era uma autêntica novidade para mim, a qual lamento dizer, eu não fiquei a morrer de amores. Não sei se foi do sono, do rapaz que se sentou ao meu lado e que 'ruminou' literalmente, um balde gigante de pipocas durante todo o filme, eu simplesmente não via a hora de sair dali e ir para casa. Eu sei que fico rabujenta com o sono e que às duas e meia da manhã eu já só queria a minha cama, mas juro que estive quase para explodir de raiva. Eu não sou anti-pipoca no cinema, mas tal como com os telemóveis, há que ter o mínimo de respeito pelas pessoas que estão sentadas ao nosso redor e que não têm de gramar com os nossos barulhos de mastigação ou com o som da mão a remexer no fundo do balde! Ainda para mais quando todo o filme foi soturno, silencioso e meio parado. Lá me contive e mal cheguei a casa e caí à cama, adormeci profundamente.
Hoje acordei com uma mensagem às oito e meia da manhã! (quem me manda a mim dormir com o telemóvel ligado??) Era a Cátia, acabadinha de chegar do Brasil, passou aqui por casa para vir buscar o carro que tinha ficado na nossa rua e deixou-me uma lembrança - uns brincos lindos -vindos directamente de Pipa para as minhas orelhas! :)
O C. foi trabalhar, por isso passei o resto do dia entretida com uma ideia que decidi dar forma. (mas depois quando a tiver preparada, falo sobre ela). Amanhã, para além de ser dia de trabalho, é dia de ir marcar as férias. A ver se é desta que nos decidimos.
p.s. - Comecei a ler na praia um livro da Laurinda Alves, 'Atitude Xis' - é leve, realista, poético, dócil e feminino - escrito sob a forma de pequenas crónicas e pensamentos, onde a sua visão sobre a vida, a família, os amigos e os outros, quase me soou familiar. Identifiquei-me bastante com o tipo de livro e com aquilo que li e cada vez acho mais, que aquilo que sinto, penso e faço, se calhar, mas só se calhar, podia ser dito assim, tal como li. Se é que não é já...


quinta-feira, julho 12, 2007

a-ma-re-lo a-mei-xa


















Os meus sogros passaram cá por casa e deixaram outro carregamento de coisas que me encheu por completo a dispensa, o frigorífico e o congelador. Desta vez veio um caixote de ameixas amarelas, que eu simplesmente adoro. O Verão passado comi imensas, assim como cerejas, que eles traziam também em caixotes, mas este ano não tivemos sorte com as cerejas, porque choveu muito e as que restaram, os pássaros encheram a barriga com elas (bastards!) Sempre que vejo ameixas amarelas, lembro-me da minha casa de estudante em Campolide e do seu imenso quintal, onde tínhamos uma ameixoeira enorme que todos os anos ficava carregadinha. O quintal era em socalcos, formando uma espécie de três 'pisos' e a ameixoeira era tão grande e frondosa, que vinha quase bater-me na janela do quarto que ficava no rés-do-chão. Nas tardes quentes de estudo, eu, a Cátia e a Andreia, subíamos para cima da ameixoeira e divertíamo-nos a apanhar alguidares de ameixas que por vezes quase nos serviam de jantar. Gostávamos de as comer fresquinhas e de sentir o sumo escorrer quando as trincávamos. Lembro-me da luz da estação, límpida e cristalina, reflectida nas folhas da ameixoeira, ou no amarelo dos frutos, daquele sabor a verão, daquela cumplicidade a três. Acho que não consigo deixar de pensar nelas sempre que vejo ameixas amarelas. Colar disponível e igualmente 'fresco e sumarento'. Mail me please.Bom fim-de-semana* (acho que vou dar um saltinho até à Ericeira e fazer praia)


Red Cherry




















Ontem foi um dia difícil. Estava triste, melancólica, deprimida e acima de tudo, sozinha. O C. saiu muito tarde do trabalho, o que fez com que eu arranjasse formas de estar ocupada durante as horas que estive em casa, até porque apesar de triste, tenho a cabeça com mais ideias do que nunca. Como já não mexia nas contas, nos fios, nas missangas e nas caixas onde guardo toda esta quinquilharia ambulante, há muito, muito tempo, achei que estava na altura de fazer qualquer coisa com elas. Voltei a tirá-las das prateleiras do escritório – que estão cada vez mais tortas com o peso e que qualquer dia me caem em cima dos computadores – e voltei a sentar-me no sofá, rodeada por fitas de cetim, contas de madeira, e pedras, muitas pedras, para delírio dos meus dois gatos, enquanto assistia aos últimos episódios da Páginas da Vida, novela que já perdi o fio à meada há muito tempo.
Estou a pensar criar um site na net só para vender coisas, uma vez que o blogue está privado e torna-se complicado conseguir vender peças através daqui. Ontem fiquei a saber da existência do Etsy, um lugar destinado apenas à compra e venda de mercadorias online, mas paga-se por cada imagem que colocamos, assim como por cada transacção efectuada e para além disso, temos de ter cartão de crédito ou sistema paypal… e eu confesso que vendas na net com cartões e afins, nunca me inspiraram grande confiança. (sim, sou conservadora, eu sei!) Apesar de tudo, lá me inscrevi, mas o que eu queria mesmo era criar um site só meu. Pedi ajuda a um criativo daqui da agência, mas o gajo nunca mais deu andamento ao meu pedido e além disso, aquilo que ele fez (um logo!!) era tão feio e tão diferente de tudo aquilo que eu lhe tinha pedido para fazer, que se calhar, é melhor mesmo ele não fazer nada! O C. está a pensar tirar um curso de web designer em setembro e agora que já tem um Mac novo, já me pode fazer as coisas bonitas que ele me faz. (a imagem de abertura do blogue e as etiquetas que envio com os colares e pregadeiras, são de autoria dele!) Mas o tempo dele é cada vez menos, senão mesmo nenhum. Não está fácil isto.
Por isso, peço, a todas quanto me lêem, que passem palavra, ou pelo menos divulguem a minha página do Flickr onde vou colocando as últimas coisas. Apesar de também não ter renovado o pagamento da conta e de me terem retirado quase todas as fotos que tinha nas várias pastas que fui criando no último ano, onde tinha de tudo, desde viagens, a fotos do meu casamento, paisagens, e até, portfólio e peças que estavam para venda – pelo menos ainda dá para ir actualizando com as fotos mais recentes dos (poucos) colares que vou fazendo.
Ah… e se alguém perceber de HTML ou Flash o suficiente que me queira fazer um site, também agradeço! ;)
O colar da imagem está disponível, acabadinho de fazer ontem à noite e fresquinho que nem uma alface! (neste caso cereja, é mais a cor dele!) Podem ver mais fotos, aqui e ‘agarrá-lo’ através de um email para o sítio do costume: casinha_de_botoes@yahoo.com

quarta-feira, julho 11, 2007

a rapariga que perdeu o coração



















Eu não gosto dela, entenda-se, mas provavelmente influenciada pelos acontecimentos dos últimos dias, não resisti a comprar o seu mais recente livro, uma história infantil, com ilustrações maravilhosas, delicadas e cheias de magia. Falo de Margarida Rebelo Pinto e da sua última obra, 'A rapariga que perdeu o coração'.
De todos os livros infantis expostos naquela livraria, este foi sem dúvida, o que mais me prendeu a atenção. Procurava inspiração, bati com os olhos nele e apaixonei-me. Comprei-o e li-o logo em minutos. Podia ser meu, podia ser eu.
Por momentos sonhei alto e quase por instantes, acreditei. Parece que sinto algo dentro do peito a bater com força e a dizer: 'acredita, acredita, tu vais conseguir.'
Às vezes acho que se não fosse esta minha tendência de sonhar acordada e de evasão como escape, não conseguiria ser feliz. Mesmo sabendo que os meus sonhos, não passam disso mesmo, de sonhos. Utopias.
Apesar de ultimamente andar decidida em torná-los realidade, gostava de, tal como a 'Concha', ter um génio amigo que me ajudasse a realizá-los.
Sobrou-lhe um desejo no final. E eu pedi baixinho, por mim.



domingo, julho 08, 2007

clique!



















Hoje a minha menina fez dez anos!
É incrível como o tempo passa depressa e como ela me diz, 'é bueda fixe madrinha', em sinal de aprovação ao vestido que lhe dei de presente. Isso, e o cd dos 4Taste que ela me pediu... (mas pronto, gostos musicais não se discutem!)
Desistiu do cabelo comprido e arrojou num corte curto bastante semelhante ao meu, que lhe dá um ar de 'senhorinha'. Não fosse o seu gosto por correr à apanhada, jogar à bola, ou brincar ao 'piolho', ninguém diria que ainda é tão novinha. De presentes dos outros meninos recebeu, carteiras, roupa, malas, canetas, bloquinhos e umas havaianas nº 37(!) - o que me fez constatar, que neste momento, já lhe posso emprestar os meus sapatos!!
(Quando me apercebo destas coisas, sinto que afinal, estou mesmo a ficar velha!)
Family portrait, a seguir...

sábado, julho 07, 2007

Miss JLo is in the house


E a um dia da loucura geral (isso será hoje, não tarda nada), ontem foi o dia de todas as estrelas internacionais passarem pelo palco onde irá decorrer a cerimónia das New 7 Wonders. Claro que a que provocou mais furor e fez toda a gente parar de trabalhar para a ver, foi miss 'JLO', que desisitiu de ensaiar dentro de um pavilhão fechado e aproveitar o imenso calor que se fazia sentir em Lisboa, dando um saltinho até ao gigantesco palco (o maior do mundo, aliás), que está instalado no centro do estádio da Luz. De calça azul e top preto, a senhora ensaiou durante mais de duas horas, dando às ancas, ao cabelo e acompanhando nas coreografias. (eu filmei, mas por razões óbvias, só poderei mostrar-vos depois). Mas não foi só de Jennifer Lopez de que o dia foi feito, antes dela, já por lá tinha passado para ensaiar, a Chaka Khan, que irá cantar acompanhada por um coro de cerca de 70 crianças o tema 'What a wonderful world'. À noite, a chuva de estrelas continuou, comigo a andar que nem uma louca pelos bastidores e a cruzar-me com aquelas caras que só estamos habituados a ver em filmes. Ben Kinsgley e Hilary Swan foram dois deles. Ele tem um charme irresistível e quase hipnotizante e ela é linda de morrer, apesar de baixinha (!) Ou serei eu que sou muito alta?
Cheguei a casa às onze da noite, com o estômago colado às costas de tanta fome, com os pés o dobro do tamanho e cheios de bolhas de tanto andar, e com o músculo da barriga das pernas dorido e a latejar. (vou daqui directa para o hospital e para a sala de operações, por este andar!) Hoje, ou melhor, dentro de algumas horas, terei de lá estar outra vez e se o dia de ontem já foi longo, cansativo e stressante, o de hoje será certamente pior.
Isto se eu conseguir encontrar um par de sapatos que me 'entrem' nos pés.... (não vejo a hora de que tudo acabe).

quarta-feira, julho 04, 2007

wonder girl


E o que é que se faz quando a própria directora do local onde trabalhamos, nos liga às 9h30 da noite, a perguntar se no dia seguinte pudemos ir trabalhar para o estádio do Benfica por causa das 7 Maravilhas? Não se faz nada, apenas se diz que sim! (mesmo que fiquemos a rogar todas as pragas deste mundo e do outro à nossa triste sorte.)
Pois é isso mesmo que me espera. Nos próximos dias terei de estar enfiada naquele antro de cimento sem cor, à beira da 2ª circular plantado, que é o estádio da Luz (e desculpem-me os aficionados). Não imaginam como adorei a notícia! Não posso esperar de excitação (sim, estou a ser irónica! Neste momento o sarcasmo é a melhor maneira de lidar com este tipo de notícias laborais...) Mas o momento alto, a verdadeira cereja em cima do bolo, vem no Sábado, dia da 'grande gala', do 'grande evento', da verdadeira 'chuva de estrelas', em que terei de estar de 'plantão' na red carpet e gramar com todo o evento horas a fio, seguido de uma 'after party'. E ainda há pessoas que vão pagar, no mínimo, 55 euros para ir ver aquilo. Eu não vejo hora que acabe!
O C. diz que me vai benzer dos pés à cabeça, mais do que uma vez, e para evitar que eu fique conspurcada, me empresta a camisola do Sporting que ele geralmente leva à bola para garantir imunidade...
Help!

segunda-feira, julho 02, 2007

Paz




















Ando a necessitar de paz na minha vida: paz de espírito e paz interior, coisas que neste momento escasseiam. O nervos da última semana, reflectiram-se sob a forma de uma fogagem intensa de pequenas borbulhas, vermelhas e implacáveis, que me provocam uma comichão sôfrega nos braços. Por mais que me esforce para não me coçar, não consigo, é mais forte do que eu. (Vê-se bem que nunca tive varicela, senão estava mesmo tramada.) Ando de tal forma com a cabeça atolhada com todo o tipo de preocupações, que me baralhei toda, e a consulta de genética que pensava que seria amanhã, afinal foi hoje, dia 2 de Julho! Ligaram-me do consultório a perguntar porque motivo não tinha comparecido. Lá me expliquei que tinha feito confusão e que estava mesmo convencida de que a consulta era amanhã e não hoje, que até já tinha avisado no trabalho e apontado na agenda, mas acho que a enfermeira não engoliu. É que depois da minha discussão com a médica ao telefone, lá devem ter pensado que a minha ausência, era a modos que, a minha pequena vingança. Enganam-se. Não sou assim tão óbvia, nem tão mesquinha. Gosto das coisas bem esclarecidas, por isso, marquem-me lá outra data, que eu terei todo o gosto em estar presente e dar um ar de minha graça.
Hoje o dia de trabalho foi particularmente difícil. Já não bastou ter sido segunda-feira, acordar cedo, voltar a encarar aquelas pessoas que não acrescentam felicidade nenhuma à nossa vida e ficar fechada num espaço limitado o dia todo, como ainda estive, o mesmíssimo dia todo, sem internet, sem messenger e sem rede! E quando o trabalho é pouco e não há net, mais vale atirarmo-nos da ponte 25 de Abril em hora de ponta, porque não há santo que nos valha! Digamos que estive o dia todo a marcar presença física no meu lugar de trabalho, a olhar para um computador que insistia em fazer restart de dez em dez minutos e onde só o outlook funcionava. (mas a ferros!!) O mais engraçado, para não dizer triste, é que numa empresa em que funciona uma agência de comunicação, a assistência informática só chega depois das 15h00 e, (E agora nesta parte têm direito para se rir a bandeiras despregadas)onde hoje, nem sequer se dignou a comparecer no local. Nem mesmo depois dos 500 mil telefonemas que fizemos a reclamar ajuda, num acto desesperado de dar a entender que não se conseguia trabalhar em semelhantes condições. (ai que saudades da 'Casa Branca' e do 'Alvarinho', ou do 'Sr. Dartacão', que vinham mal logo socorrer-nos das aflições informáticas, mal a gente lhes ligava!)
Assim, o meu dia foi passado a escrever literalmente para o boneco. Comecei a desenvolver um conto infantil, que já adiantei bastante, mas que ainda precisa de ser limado. Se amanhã as condições precárias de trabalho continuarem, então só me resta acabá-lo.
Quando as seis da tarde já apareciam no horizonte, e a ideia de 'ir para casa' começava a parecer um sonho bom, a minha colega F. estava literalmente, cheia de trabalho. Mas daquele trabalho 'braçal',que chega mesmo a roçar a produção fabril, de gestos repetitivos e cronometrados, em que toda a ajuda é bem-vinda. 95 press kits para despachar, com montagem de caixas, reforçadas com agrafes e fita-cola, exigem paciência e tempo, coisa que naquela altura, nenhuma de nós tinha. Mesmo assim, decidi-me a ajudá-la. Se fosse ao contrário gostaria que tivessem feito o mesmo por mim. Este meu gesto nobre, foi mesmo isso: um gesto nobre, porque poucos foram aqueles que decidiram dar uma ajuda à rapariga. Oito da noite e nós continuávamos na agência, enquanto todos os outros já tinham ido à sua vida. Cansadas, mas não vencidas, conseguimos acabar tudo a tempo de seguir amanhã de manhã bem cedinho, e eu ainda me despachei a tempo de ir até ao El Corte Inglés (mais morta que viva), decidida a ir ver o Shrek.
Acontece, que a sessão de língua original só começava às 22h15, e aí baixei as armas, rendida, e decidi que o Shrek pode esperar, a minha sanidade é que não e gritava por descanso.
Demos meia volta e viemos direitinhos a casa, onde tenho estado mais calma e relaxada.
E agora vou até ao vale dos lençóis, que isto de ser 'blog addicted' e ter tendência para ser noctívaga, reflecte-se na pele e nas horas de sono.

gracinhas



















Sábado foi dia de baptizado de mais um novo membro da família. O G. esteve sempre calmo e tranquilo a tudo, não dando mostras de choro, nem quando lhe lhe molharam a cabeça na igreja. Atento e curioso a tudo o que se passava à sua volta, a minha máquina digital foi um poderoso íman na hora de tirar fotografias... isso e os óculos do meu pai!