sexta-feira, abril 10, 2015

Não há duas iguais, não é o que dizem?

Estar grávida é uma montanha russa de emoções e se há algumas afortunadas geneticamente que passam pela gestação com ar fresco e como se tivessem estado sempre grávidas sem maleitas e cheias de energia - ok, eu confesso que fui uma dessas na minha primeira gravidez - sentia-me linda e cheia de vitalidade - , nesta segunda as coisas mudaram drasticamente de figura.
Não sei se da idade, se de já ter tido um filho há mais de seis anos, se da vida stressada e agitada sempre que levo, se do corpo que mudou, do útero que está mais velho, se de me sentir fisicamente cansada e mentalmente esgotada, a verdade é que esta segunda gravidez está-me a sair do corpinho - literalmente! 
Para começar, a paragem forçada e o repouso quase total que me levaram a, de um momento para o outro, deixar todo o trabalho que carregava às costas ao abandono, vê-lo a ser passado a terceiros sem dar tempo de avisar os clientes e dizer "desculpem lá, mas vou agora ali ter um filho e volto daqui a um ano, vai passar rapidinho, promise", deixar de levar a miúda à escola, de a poder ajudar a vestir ou a tomar banho e ser uma mãe passiva que dá abraços e beijinhos que agora vive no sofá, deixar de conviver diariamente com pessoas e ter nos livros, na net e na televisão os meus melhores amigos, ficar retida em casa sem autorização para fazer nada, estar bom tempo, sol e calor e andar tudo a postar fotos de como a primavera é maravilhosa com passeios pela cidade, pela praia e pelo campo enquanto eu me encontro em plena prisão domiciliária, sentir as pernas e os pés a inchar que nem um sapo coaxante e ter a circulação ao rubro com episódios dantescos que nem me atrevo aqui a descrevê-los, ter a pele seca que nem lixa, o cabelo com uma crise de ansiedade e dores à frente e atrás, em baixo e de lado e em sítios que eu nem sabia ser possível, não ter posição para estar deitada na cama e sonos nocturnos que não ultrapassam as 3 horas seguidas, ver o TLC e toda a TV Cabo de trás para a frente - inclusive durante a noite - e chegar à conclusão que de não preciso de quase 200 canais porque na realidade não dá nada de jeito, fazer xixi a cada 15 minutos e estar mais desregulada emocionalmente do que um combóio desembargado. 
Tem sido assim a minha segunda gravidez. Toda a visão idílica que me acompanhou no início quase se evaporou. Nenhuma gravidez deveria ser um pequeno calvário de dor física - para isso já nos basta o parto - ou nove meses demorarem tanto a passar. 
Li, há uns tempos, já não me recordo bem quando que, na primeira gravidez, toda a mulher necessita dos 9 meses para vivenciar cada momento, registar cada pontapé, cada borboleta no estômago, cada roupinha de enxoval, cada peça de puericultura comprada, cada semana - eu até agenda da grávida tinha onde fazia um registo diário - fotografar a barriga de mil e uma maneiras - e ter direito a tudo o que a experiência comporta. Na segunda gravidez, o tempo deveria ser reduzido para 6 meses e numa terceira, se a houvesse, em 3. 
E eu confesso que não podia concordar mais! 

(Mas sei que vou amá-lo loucamente à mesma, por isso não se assustem com as minhas declarações, ok? Lembrem-se, são as hormonas a falar!)

2 comentários:

Cláudia - a mama Galinha disse...

Uma 1ª gravidez é o delirio de qualquer mãe que assim o deseja, umas 9 meses lindos e maravilhosos, outras 9 meses de crises de enjoos e afins....
a 2ª é sempre diferente da 1ª para melhor ou pior, eu mesma confesso que fiz as patas de elefante em ambas, comi-a que nem um bisonte desenfreado de dia e noite, mas sofri de refluxo em toda a 2ªgravidez e mais não digo, pior mesmo foi ficar com umas cenas saidas no rabo blaghhhhhh c'a noja, que doiem mais que trabalho de parto, mas já diz o ditado mãe que é mãe aguenta tudo, mas porra não mereçemos ta?!
Sabes que tens aqui esta melga para qualquer coisa que precises, sabes também que não te vou largar e podes até enjoar de mim(normalmente enjoam na gravidez do marido, lol)mas vou estar sempre aqui princesa,
um comboio reluzente de bêjossss

Mafalda disse...

Claudinha, minha lindona, eu sei que tu me compreendes!! ;) beijooo grandeeee*